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SÉRIE DE ARTIGOS – COMO FUNCIONA A RESPIRAÇÃO? PARTE 3 – Yoga e ansiedade

Yoga e ansiedade

Muitos alunos nos perguntam sobre o que fazer para diminuir a ansiedade.

Ansiedade é uma sensação intrínseca ao ser humano – todos temos algum grau de ansiedade que varia de acordo com os acontecimentos externos. Não precisa ficar desesperado se você se sente ansioso durante momentos do seu dia. Em alguns casos, a ansiedade pode até ajudar a aumentar temporariamente a produtividade, em outros é incontrolável – imagine-se ganhando na Mega-Sena.

O grande problema da ansiedade é que, como tudo na vida, seu bônus tem um ônus. Ficar eufórico por muito tempo, produz também a sensação desânimo, oposta e proporcional à agitação.

 

O Yoga não consegue resolver a questão da ansiedade em casos justificados, mas pode sim diminuir bastante esta sensação se isso for importante para a pessoa.  

 

diversos estudos demonstrando o aumento de pelo menos 27% do GABA – um dos hormônios responsáveis pela redução dos níveis de ansiedade, nos praticantes regulares de Yoga.

Dentre os estudos, há um em particular que me chamou bastante a atenção – uma pesquisa liderada por Khalsa, integrante do corpo docente da Harvard Medical School. Khalsa trabalhou em estudos para verificar se o ajustamento do estado emocional poderia ter benefícios demonstráveis para carreiras e estágios da vida.

Neste estudo, trabalhou com os músicos da Orquestra Sinfônica de Boston. Seu objetivo – verificar se o yoga poderia ajudar os iniciantes a dominar uma fobia de palco em geral, e mais especificamente, ter um melhor desempenho diante do público.

Khalsa e seus colegas relataram que os músicos yogins, comparados ao grupo de controle, exibiram provas evidentes de não apenas menos ansiedade nas apresentações, mas significativamente menos raiva, depressão, ansiedade geral e tensão.

Considero essencial pesquisas científicas com métricas precisas para validar aquilo que pode melhorar nossas vidas.

Entretanto, nada substitui a própria vivência. Uma dádiva do Yoga é possibilitar uma transferência quase automática do que treinamos nas práticas para a  vivência no dia a dia.

A pesquisa com os músicos demonstrou que nos ensaios não existia variação de ansiedade entre os yogins e o grupo de controle. Era no momento da apresentação, que as diferenças apareciam.

Largada do meu primeiro IronMan em 2014. Eu me sentia preparado, mas jamais havia feito outra prova de triathlon na vida. Estava acordado desde às 3 da manhã esperando para uma prova de pelo menos 10h de duração. Se eu disser que não estava ansioso, minto.

Quando parei na faixa da largada, olhei para os lados e vi atletas pulando de tensão, outros batendo no peito e muitos tremendo. Preparar-se para uma prova de longa distância exige pelo menos um ano de dedicação. Ninguém está ali “só pela festa.” Há um senso de respeito e medo dos atletas por esta prova.

Eu poderia modificar aquele cenário. Largar nervoso em um IronMan não é algo muito recomendado. A adrenalina desgasta, gera tensōes fazendo você pular na água com o coração acelerado. Comecei a alterar minha respiração. Inspirava profundo, soltava o ar devagar.

É na expiração lenta que a mágica acontece.

É quase instantânea a alteração emocional. É expirar e descontrair imediatamente!

Quando você expira lentamente a ansiedade baixa, os batimentos cardíacos se aquietam e a mente fica mais serena. Você deixa de desperdiçar energia com o que está por vir e foca toda sua força naquilo que importa, o momento presente.

 

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Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.