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Trikonasana

Trikonasana

Uma das posturas queridinhas para mim é o triângulo ou, em sânscrito, Trikonasana. Tive a grande sorte de ter compreendido rapidamente sobre o alinhamento com bons professores, o que faz total diferença no conforto durante a permanência.

Tri = três; Kona = ângulo; Asana = postura

Não apenas representado em uma postura física, o número três é bastante conhecido como um número poderoso na mitologia, religião, literatura, arquitetura, e, claro, no Yoga.

Nascimento, vida e morte; Pai Filho e Espírito Santo; passado, presente e futuro e finalmente Brahma, Vishnu E Shiva, a trindade Hindu representada por Trikonasana são grandes exemplos do valor do número três no caminho espiritual.

Estes três deuses simbolizam a existência: evolução, manutenção e dissolução. Na mitologia hindu, os três lados do triângulo representam as forças do universo: Brahma, a força criativa, Vishnu, a força que sustenta e Shiva, a força da mudança.

E os exemplos de harmonias estabelecidas através do número três no Yoga também são vários: os principais canais de energia (nadis) ida, pingala e sushumna ou os três gunas: tamas, rajas e sattva.

Não podemos esquecer de: corpo, mente e espírito, que é a grande tríade do Yoga.

No Ayurveda (medicina milenar indiana) também são três os Doshas no nosso organismo: Vata, Pitta e Kapha.

A postura do triângulo pode equilibrar os chakras, os três doshas e os três gunas, criando um estado neutro (sáttvico), reduzindo a ansiedade e a letargia.

Pense em um triângulo. Não lhe parece uma figura estável quando apontado para cima? Da mesma forma, trikonasana é executado para trabalhar esta estabilidade física e mental.

Quando praticamos trikonasana, estamos direcionando nosso olhar para cima, enquanto permanecemos firmemente enraizados na terra através da base nas pernas. Podemos sentir a energia direcionada para cima representando a sua força de crescer, se elevar; e a energia descendente no suporte recebido por suas bases firmes, fortes e estáveis. A postura é estável apesar da assimetria. Um convite para manter o coração forte e a mente estável diante adversidades da vida.

Trikonasana energiza o swadhistana chakra, o segundo chakra, ou chakra sexual, relacionado a criatividade e ao prazer de viver e fortalece os corpos físico e emocional.

O estresse, a frustração, a ansiedade e as emoções não processadas se acumulam nos quadris, desta forma, a postura do triângulo se torna um excelente canal de cura e expansão através desta liberação.

 

E não podemos esquecer de todos os benefícios ao corpo físico produzidos pela prática da postura: melhora a flexibilidade e força das pernas, tornozelos e quadris; aumenta a flexibilidade lateral da coluna; estimula os órgãos do abdômen – ativa os movimentos peristálticos do intestino e Melhora a digestão, restaura o fogo digestivo; fortalece a região pélvica e tonifica os órgãos reprodutivos e etc.;

A postura fornece uma combinação ideal de abertura, alongamento e desafio.

Existem precauções a serem consideradas:

Pessoas com problemas no coração não devem elevar o braço superior, mantendo no quadril;

Se possuir problemas crônicos ou temporários no pescoço, não vire a cabeça para olhar para cima, continue olhando para a frente e mantenha os dois lados do pescoço uniformemente alongados.

Grávidas devem usar acessórios para suporte como o assento de uma cadeira para apoio.

E finalmente, como executar a postura?

Partindo de Tadasana, afaste os pés levando a perna esquerda para trás um pouco além do comprimento de uma perna. Mantenha o pé direito na posição inicial de tadasana e o pé esquerdo levemente fechado em direção ao direito. Alinhe o arco central do pé de trás com o calcanhar do pé da frente. Espalhe os dedos do pé e pressione a base do dedão da frente no chão. Use todo o peso da perna de trás para pressionar a borda externa do pé, simultaneamente trazendo a energia da terra para cima. Mantenha os arcos internos dos dois pés. Joelho e canela direita alinhados com o centro do pé da frente. Para manter este alinhamento e impedir que a coxa gire para dentro trazendo o peso para a borda interna do pé, ative o quadríceps elevando a patela, trazendo a energia de baixo para cima, como se quisesse encaixar a perna no quadril.


Levante os braços estendidos até a altura do ombro, com as palmas das mãos voltadas para baixo. Crie espaço como se quisesse levar o topo da cabeça para o céu e as mãos para fora através das pontas dos dedos. Leve o cóccix em direção ao chão à medida que o umbigo se ergue recolhendo suavemente a lombar.

Expirando desça o braço direito e o tronco para a direita e para baixo até que a mão direita alcance a parte da frente da perna enquanto estende a mão esquerda para cima, diretamente acima do ombro esquerdo, com a palma voltada para a frente e os dedos apontando para o teto. Abra o peito alongando os ombros e mantendo-os alinhados verticalmente, como se encostasse em uma parede. Se puder manter o alinhamento do tronco descendo ainda mais, apoie suavemente sua mão no chão ou segure o seu dedão do pé direito com os dedos indicador e médio fazendo uma oposição de forças. Use a força descendente da postura para pressionar o dedão no chão enquanto a força ascendente puxa seu corpo a partir dos dedos das mãos para cima.


Olhe para o polegar da mão levantada.

Mantenha o esterno afastado do osso púbico. Sinta que há uma ação em espiral do quadril esquerdo para cima, atravessando a coluna e saindo pela cabeça e mãos.

Para liberar, em uma inspiração, eleve o tronco com braços na altura dos ombros novamente e retorne em tadasana trazendo o pé esquerdo junto ao direito.

Não fique obcecado por tocar o chão ou alcançar seu dedão com a mão. Não permita pesar a parte superior do tronco em direção ao chão. Aproveite a abertura que este asana te oferece.

Lembre-se sempre que a estabilidade é o equilíbrio entre forças opostas, mantendo-se sempre no seu centro!

Namastê

Fernanda Magalhães

Fê é carioca, pisciana, arquiteta, ambientalista e entusiasta do estilo de vida saudável. Despertou sua atenção ao corpo físico em 2001, através de consciência alimentar e atividade física regular. Apaixonada por estudar sobre o assunto, chegou a repensar sua escolha pelo curso de arquitetura. Durante esta busca, o Yoga se tornou uma ambição, alcançada somente em 2012, quando a prática se tornou rotina.  É praticante de Ashtanga Vinyasa Yoga e professora de Hatha e Ashtanga. Sempre idealista e sonhadora,  quer levar o bem viver a todos que cruzam sua jornada. Em 2016 finalmente formou-se em Yoga pelo YogginApp.