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Filosofia do Yoga | 19 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Exercendo a Gratidão para um Encontro com Santosha – Yoga Falado #18

Exercendo a Gratidão para um Encontro com Santosha Pode até ser moda entre a comunidade Yogin, parecer meio bobo, e um pouco otimista demais, talvez, mas o exercício da gratidão pode transformar completamente a sua maneira de ver as coisas. Quem aí não conhece uma pessoa que apesar das adversidades está sempre alegre e ainda consegue elevar o astral de quem se conecta a ela? Mesmo, e talvez principalmente, possuindo poucos bens materiais essas pessoas parecem sempre felizes. Você já parou para pensar nisso? Estas pessoas estão no momento presente, apreciando o pagode de domingo sem pensar em acordar às 4h na segunda-feira... Somos buscadores. É natural que tenhamos desejos e normalmente falhamos em reconhecer o que já está presente em nossa vida. Esta é uma percepção que pode ser alterada para uma vida mais equilibrada, onde nossos desejos não serão mais valiosos do que a realidade.   O ser humano aprende a associar a felicidade com objetos desde o seu nascimento. Objetos, neste caso, também são outras pessoas, ou qualquer coisa que não seja ele mesmo. Tudo que é lido e compreendido neste mundo através de seus órgãos de sentido.   Então buscamos a vida inteira pelo outro, pelo homem ou a mulher, pelo carro, pela casa, pelo filho, pelo emprego, pela estética, pela grama mais verde do vizinho… É uma busca incansável por mais e mais um pouco.   O sentimento de alegria e o reconhecimento da felicidade pode vir quando nos reunimos com o tal objeto de desejo, mas isso é passageiro, porque está relacionado com esse o desejo e não com o objeto em si. O mesmo objeto tem um valor diferente se é desejado ou se já se faz presente.   E esta busca se torna interminável, por toda a vida, desejando o amanhã. Mas assim que conseguimos nosso grande desejo, surge um novo. Reconhece o sentimento?   Tem uma frase que sempre me faz parar e refletir, você já até deve ter lido por aí nas mídias sociais: “Você se lembra de quando você queria o que você tem hoje?”   É aí que colocamos nossa felicidade para depois, quando eu tiver tal coisa. Quando eu estiver em tal lugar. Quando estiver com tal pessoa. Ah, aí sim, eu serei feliz! E a tal felicidade nunca chega. Porque ela não mora em um objeto, ela mora na ausência de desejos a estes objetos. Ao reconhecer que ela já está dentro de você pois é um ser completo, que já possui tudo que precisa.   Se você já possui tudo que precisa, seja grato! Agora! Presença!   Não digo que é fácil, afinal, somos buscadores, é nossa natureza. Mas se mudarmos nossa forma de pensar e começarmos a enxergar o que é no lugar do que queremos?   Aquilo que você pensa, onde coloca seu foco, cresce. E, se sentimentos são resultados de pensamentos, você escolhe o que quer sentir hoje. O que vai ser?   Passei um ano inteiro escrevendo diariamente no meu pote da gratidão e percebi que os dias mais difíceis de reconhecer o que havia para ser grata eram aqueles onde não houveram flutuações, distrações ou inconvenientes. Naqueles dias onde tudo correu bem, dentro da minha rotina. Não era naquele dia onde tudo deu errado, sabe como é esse dia, né? Nos dias “ruins” é ainda mais fácil encontrar razões para ser grato do que em um dia neutro. Eram nestes dias neutros que eu precisava enxergar a vida pelos olhos de Santosha para exercitar minha gratidão.   Santosha, o segundo Niyama do Yoga é o contentamento. Não é alegria exacerbada, estar sempre sorrindo, aquele estereótipo de buda feliz que parece nem perceber o estresse externo. Santosha é equilíbrio. É reencontrar a felicidade que mora dentro de você independente dos cenários externos. É se sentir completo. Santosha é compreender que neste mundo, tudo é finito e mutavel, principalmente as emoções - incluindo alegria e tristeza.   Para mim, gratidão é instrumento ideal para obtenção de Santosha. Todo mundo sabe o quanto é fácil ser grato quando se está alegre. Os momentos turbulentos são reconhecidos e até mesmo enaltecidos atualmente como momentos de grande aprendizado. O difícil de verdade é ser grato pelo “comum”.   A Gratidão precisa se tornar um hábito. Quando exercido diariamente, programa o seu cérebro para se sentir agradecido mais frequentemente, afastando emoções negativas. Hábitos são ações que você se propõe a realizar até que se tornem cada vez mais natural. E pode confiar, essa mudança de olhar acontece. Fica cada vez mais frequente no dia a dia.   Como? new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Se ao invés de reclamar do formato do seu corpo, você olhar para todo o complexo funcionamento dos seus sistemas que te permitem estar vivo lendo este texto? Então neste caso, você escolhe no cardápio de emoções que sua mente te proporciona, entre sofrimento pela vergonha e gratidão pela vida que vibra em todo seu corpo.     E durante a sua prática de asanas, você vai reclamar da mão que não chega até o pé ou você vai agradecer por ela abraçar seus tornozelos?   Meu pote da gratidão foi um excelente instrumento para desenvolver essa visão de presença através da gratidão, mas você pode começar apenas com um caderninho mesmo. Todos os dias um motivo de gratidão. Anote, tente não repetir. Use o mesmo horário, todos os dias. Se for fazer a noite, relacione com o dia que passou e se lembre de tudo que você viveu. De quanta vida você tem aí dentro.   Além dos benefícios relacionados a felicidade, segundo Emmons, psicólogo estudioso dos efeitos da gratidão, existem também benefícios físicos relacionados ao exercício da gratidão como: fortalecimento do sistema imunológico, diminuição das queixas de dores, diminuição da pressão arterial, melhora no sono e mais disposição ao acordar.   O exercício da gratidão nos faz perceber que estamos no poder do direcionamento de nossas emoções. Algumas mais fáceis de lidar que outras, certamente... Mas somos mestres da nossa mente e podemos alterar o curso de nossos pensamentos com ferramentas simples como “sou grato”.     Então faça sua mente trabalhar de forma positiva. Tirar o negativismo proporciona fluidez, desbloqueia e abre caminhos. Valorizar tudo que te fez chegar onde você está agora te tira do vitimismo. Você está exatamente onde deveria estar e tudo na sua vida te trouxe para este momento.   Respire, olhe para o lado e perceba, neste momento, do que você pode ser grato?   Sou grata por poder escrever semanalmente para vocês!   Gratidão!   Ouça também via:

Dicas de Yoga | 17 abr 2021 | Adri Borges

A importância da música como ferramenta para o bem – estar

A importância da música como ferramenta para o bem - estar Hoje em dia fala-se muito sobre a importância do autocuidado e do bem-estar para a nossa saúde. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou enfermidade. A saúde plena é uma forma de total bem-estar, alcançado não apenas através da prevenção ou do tratamento de doenças, mas sim através de qualidade de vida, incluindo emocional e social. O hábito de praticar Yoga regularmente e ouvir música clássica nos ajuda a elevar nosso nível de saúde. Procuro manter o hábito de realizar minhas práticas de Yoga ao som de música clássica. Você já experimentou? Ouvir música clássica mobiliza os sentidos e causa sensações mentais e, até mesmo, físicas, ajustando frequências de ondas cerebrais, nos inspirando, dando prazer, acalmando, e elevando nosso espírito. Ter o hábito de ouvir música nos deixa mais felizes. Neste processo o cérebro libera dopamina, um neurotransmissor que gera o bem-estar. Pesquisas realizadas por neurocientistas mostram, através de tomografias,  grandes quantidades de dopamina que foram liberadas durante o processo de ouvir música  o que levou os participantes da pesquisa sentirem emoções como felicidade e excitação. Ouvir música clássica diminui os níveis do hormônio do estresse cortisol em nosso corpo. A música clássica, tem efeitos relaxantes e positivos sobre nosso humor. Estudos também mostram que ouvir música clássica relaxante durante 45 minutos antes de dormir,  nos ajuda a manter uma boa noite de sono, combatendo assim a insônia. Imagine então uma prática de Yoga relaxante com música clássica antes de dormir? new RDStationForms(\'e-book-treinamento-yogin-de-respiracao-bdf2969b9eeaf2b1af79-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Outras pesquisas mostraram que a música pode diminuir a dor em pacientes em cuidados intensivos e pacientes de cuidados geriátricos. Quando ouvimos música, o cérebro libera os neurotransmissores ligados ao prazer, de modo a aliviar dores e proporcionar sensação de bem-estar. Segundo uma pesquisa do Psicólogo Dr. Jim Coan, da Universidade da Virginia, quando ouvimos música, é possível temporariamente melhorarmos o desempenho espacial do nosso cérebro. Ele responde liberando endorfinas e outras substâncias que permitem melhorar temporariamente o foco, a habilidade de raciocínio e até as habilidades criativas. Já é comprovado que a música pode alterar nossa fisiologia, elevando ou baixando a pressão sanguínea e aumentando ou diminuindo os batimentos cardíacos. Estudos realizados na Universidade de Brunel, em Londres , comprovam que o organismo entra em sintonia com os sons ambientes. Algumas composições musicais podem ser relaxantes outras estimulantes ou estressantes. A musicoterapia recomenda certos gêneros musicais. Composições clássicas de Bach, Vivaldi e Handel, nos trazem a sensação de segurança e estabilidade. Mas de todo os sons do universo, o mais benéfico e restaurador é o som do silêncio. Sente-se confortavelmente com as pernas cruzadas e com a coluna ereta. Feche seus olhos e leve toda a sua atenção para a sua respiração. Ouça seus sons internos. Ouça as batidas do seu coração. Ouça o som da sua respiração. Mentalize OMMMMMM.   Aí vai uma playlist pra você: Momento SAVASANA de Adriana Borges   E também uma do YogIN App:  

yoga sutra
Dicas de Yoga | 15 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Você precisa conhecer os Yoga Sutras de Patanjali

Você precisa conhecer os Yoga Sutras de Patanjali   atha yogaanuśasānam - “Agora, então, o ensinamento de Yoga”   Assim é iniciado o primeiro grande tratado sobre Yoga que se tem notícias. Como a datação histórica não era uma grande preocupação dos indianos, não sabemos ao certo quando o texto foi compilado. Acredita-se que foi escrito entre os séculos III e II A.C pelo sábio Patanjali. Não se sabe muito sobre Patanjali, e o que é passado, vem cheio de histórias fantásticas e mitológicas. Diz-se também que Patañjali foi um grande intelectual, gramático, médico e yogi indiano que escreveu tratados nessas três áreas. A palavra sutra, que traduzida quer dizer “corda ou fio” se refere a série de ensinamentos que são alinhavados como as contas de um colar. Um fio amarrando idéias. Idéias que eram amadurecidas após longos períodos de debates entre sábios, até que fosse estabelecido um consenso e um novo sistema filosófico formado. Nesse momento, um dos melhores praticantes era convidado para elaborar os aforismos que perpetuariam esse novo sistema. O Yoga é um dos seis sistemas filosóficos indiano conhecidos como darśanas. Os outros cinco são: nyāya, vaiśeṣika, sāṃkhya, mīmāṃsā e vedānta. A palavra darśana, em sânscrito é derivada da raiz dṛś - “ver”. Significando “visão” ou“ponto de vista”.   196 Aforismos foram compilados nos Sutras e divididos em 4 capítulos:   1 – Samādhi-pādaḥ ou  Sādhya-pādaḥ - O Objetivo Explicação do processo que nos leva à iluminação, meditação e concentração.   2 – Sādhana-pādaḥ - O meio Apresenta Kriya e Ashtanga Yoga. As práticas que facilitam atingir o estado de Yoga ou, o caminho para o Yoga.   3 – Vibhūti-pādaḥ - As Conquistas Apresenta os resultados reais da prática de yoga, que são o conhecimento e as habilidades especiais   4 – Kaivalya-pādaḥ - A Liberação Trata do objetivo final do Yoga, que é a identificação do praticante com o todo, a libertação absoluta.   A palavra anuśasānam, presente no primeiro verso dos sutras, expressa claramente a ideia de que a instrução é transmitida por uma autoridade, de professor a aluno, e, foi experienciada por sábios ao longo de gerações. Anuśasānam remete a uma longínqua corrente de professores responsáveis com a transmissão do ensinamento. Os Yoga sutras podem ser difíceis de compreender e não devem ser estudados, assim como o Yoga em si, sem o auxílio de um professor experiente. O texto foi originalmente escrito em sânscrito, uma língua morta, oferecendo uma barreira linguística, e apresenta as ideias de forma extremamente concisa, através de aforismos, tornando o texto uma obra a ser decifrada. Apesar de existirem muitas traduções e interpretações diferentes para línguas ocidentais, feitas por estudiosos e especialistas, a partir do século XIX até hoje, muitas delas foram feitas por pessoas que, apesar do conhecimento teórico, não tem conhecimento de como o Yoga funciona. Estas traduções não transmitem o real significado dos sutras, dando margem para interpretações simplificadas do conteúdo existente ali. Basicamente, os Yoga Sutras são diretrizes para que possamos atingir o estado de Yoga, que, segundo o próprio Patanjali, é a cessação das instabilidades da mente. - yoga chitta vritti nirodha Hum, mas Yoga não é o que a gente faz no tapetinho? Também, mas a prática de asanas (as posturas psicofísicas) é apenas uma pequena parte do caminho do Yoga, uma ferramenta usada para atingir o controle mental. Um único sutra se refere diretamente ao asana: \"sthira sukham asanam\" traduzido como “postura firme e fácil\", que seria a postura necessária para entrar em meditação. Sri Tirumalai Krishnamacharya (1888-1989), conhecido como o pai do Yoga moderno, foi o primeiro a juntar o trabalho de Patanjali com a execução de sequências de posturas psicofísicas. Para Patanjali, asana era o corpo moldado para suportar a meditação, o que podemos supor que seria sukhasana ou padmasana. “Ah, mas não consigo parar de pensar, já tentei meditar e não consigo”... Calma! Ninguém consegue parar de pensar e Patanjali não esperava isso de você. A interrupção ou cessação das instabilidades da mente descrita nos sutras não ocorre parando ou controlando o pensamento, mas sim, na desidentificação com eles. Ocorre na compreensão de que somos mais do que nossa mente. No texto encontramos a descrição de como a mente humana funciona e como usar este conhecimento para direcionar nossos pensamentos, e não parar ou controlar, com objetivo de nos livrar de todo sofrimento. Os Yoga Sutras discutem fundamentalmente os pontos fracos e fortes da mente; suas tendências, hábitos, funcionamento e as possibilidades de evolução. Patanjali descreve em detalhes vários tipos de práticas para refinar e integrar as qualidades da mente e da emoção que fundamentam a experiência humana, apresenta os obstáculos e expõe os resultados. Os Yoga Sutras são, acima de tudo, um guia para nos reconhecermos como Purusha, nosso verdadeiro ser, aquele imutável. O Yoga Sutras de Patanjali não é um texto sobre teoria, na verdade, é um texto objetivo sobre prática, apresentando objetivos, métodos e resultados. Nos confundimos ao achar que a prática de Yoga é resumida à prática de asanas e que todo o resto é teoria. No nosso corpo físico também reside uma mente humana passível de ajustes através de prática, tapas (disciplina) e abhyasa (prática, repetição). Desta compreensão de que praticar Yoga vai muito além do físico, a famosa frase de Pattabhi Jois “pratique, pratique, e tudo virá” toma um novo significado. Não é? A partir de hoje, faremos uma sequência de conteúdo sobre os assuntos abordados nos Sutras. Por enquanto, deixo com vocês o verso de reverência ao mestre Patanjali, seguido de sua tradução feita por Gloria Arieira no livro “O Yoga que conduz à plenitude”, onde ela comenta os yoga sutras:   “Yogena cittasya padena vācām malam sarirasya ca vaidyakena Yo’pākarot tam  pravaram muninām Patāñjalim prāñajalirānato’smi ābāhupurusākāaram sankhacakrāsidhārinam Sahasrasirasam svetam pranamāmi Patāñjalim”   “Com toda reverência eu saúdo Patanjali, especial entre todos os sábios, que elimina os obstáculos da mente, da comunicação e do corpo através de Yoga, da gramática e da medicina. Eu saúdo Patanjali, que até o braço tem a forma humana, segura uma concha, um disco e uma espada, tem mil cabeças e é de cor clara.”   Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Dicas de Yoga | 14 abr 2021 | Paula Amora

Yoga Emagrece? – Yoga Falado #20

Sera que o Yoga Emagrece? Acredito que muitas pessoas já escutaram esse questionamento. Acredito também que muitas pessoas já emagreceram com o Yoga. O fato é que muito além de posturas conscientemente executadas, o Yoga é uma prática de conexão entre todos os níveis do seu ser, é sobre autoconhecimento e evolução e essa busca pelo seu equilíbrio resulta em inúmeras transformações. Do sono ao padrão de pensamentos, da postura ao estado de contentamento… De cabo a rabo, de dentro para fora, de fora para dentro! O Yoga com certeza te torna um reflexo interno - o que você quer refletir?   new RDStationForms(\'e-book-treinamento-yogin-de-respiracao-bdf2969b9eeaf2b1af79-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Essa talvez seja uma das dúvidas mais perguntadas no primeiro contato enquanto instrutora de Yoga - sem problemas, também tinha isso em mente quando fiz a minha primeira prática há 10 anos. De lá para cá, depois de muito empenho, transformação, entrega, com 25kg a menos, eu posso garantir, sim, que o Yoga emagrece. O ponto chave para mim foi: enquanto corpo físico for considerado o mais importante, eu comia, em vão, expectativas, emoções e experiências.     Yoga Emagrece? Esse é o nosso estado de ignorância e inércia. avidhya. Todos os corpos são importantes. Na visão do Tantra, nós somos compostos de shariras (corpos físico, psíquico, espiritual e energético) que possuem um equilíbrio mútuo. Então, claro, uma alimentação consciente, uma rotina saudável com prática regular de atividades físicas são essenciais para um corpo sadio, mas precisamos dar a mesma importância para o cuidado e descanso mental, para momentos de qualidade que empanturrem nosso coração de alegria e gratidão, de cuidado energético e, para tudo isso, precisamos nos conhecer bem. Não se trata de o quê, mas por quê e para quem. Faça por amor ao templo, para que você esteja bem, capaz, em sua maior potência e não para agradar os olhos de estranhos em uma estação do ano. Se o corpo, está bem, mas a alma está faminta, você precisa se nutrir de autoconhecimento e consciência para encontrar o equilíbrio em todos os níveis e se encontrar em União. Vai uma sugestão de cardápio além do prato que com certeza vai te saciar por completo: Desjejum: Consumir boas doses de pranayamas, agradecimentos e mentalizações positivas, de preferência, ao amanhecer. Pela manhã: 1 corpo mexido, 1 momento de exposição a luz do sol, 3 risadas e 2 elogios (e café, vai!). Almoço: uma porção farta de consciência política, ética e social sobre alimentação. Lanche da tarde: Para desinchar e desintoxicar o Ego, uma infusão na Natureza. Jantar: Evite frituras mentais e sentimentos pesados. Opte por uma meditação e vibração leve, regue com um bom mantra, acompanhe de gratidão. Ceia: Não se esqueça de deixar seu corpo de molho por, ao menos oito horas, para manter as propriedades e eliminar as toxinas. Escolha um momento do seu dia para imersão e integração mais profunda no Yoga, isso com certeza aumentará a absorção dessas propriedades.   Bon appetit!   Ouça também via:    

Samadhi - o filme
Filosofia do Yoga | 13 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Samādhi-pāda – do relativo ao absoluto

Samādhi-pāda - do relativo ao absoluto A primeira parte dos Yoga Sutras de Patanjali se chama Samadhi pada ou Sadhya (o objetivo) pada deixando claro que Samadhi é o objetivo do Yoga. Muitos traduzem samadhi como libertação ou realização, dando a ideia de que é uma coisa de outro mundo, um estágio onde somente aqueles que dedicam a vida à espiritualidade e renunciam a vida em sociedade podem atingir. Na verdade, este estado é o fruto colhido pela prática da metodologia proposta por patanjali na segunda parte de seus sutras, sendo, o samadhi, o principal resultado da prática de meditação. Lembrando que no texto de Patanjali Yoga é descrito como a cessação das instabilidades da mente, podemos compreender que Samadhi é um estado de união, onde não há identificação do indivíduo com as flutuações da mente relacionadas ao material ao emocional, aos papéis adquiridos e condicionamentos mentais. A mente é calada, o que não significa estar livre de pensamentos, significa apenas que estes pensamentos não tomam proporções indevidas. Neste estado, a mente reflete a natureza não dual, reconhecendo o Ser livre de limitações que realmente somos. Parece difícil de compreender e mais ainda de atingir? Pois nos yogas sutras encontramos justamente o caminho para tal. Costumo sempre me referir ao Yoga como um caminho, pois vejo claramente em cada técnica que aplicamos formas de “educar” nossa mente contra esta identificação natural e não consciente com a realidade criada. Os vrittis, que são traduzidos como flutuações e representam toda nossa “forma de pensar” condicionada pelo que absorvemos em nossa jornada neste mundo material, criam uma realidade em nossa mente que estabelece essa dualidade. A partir da dualidade nos identificamos com nossos personagens (mãe, pai, filho, cônjuge, profissional, irmão, amigo, etc...) e projetamos a ideia de que há uma consciência divina externa. Dessa forma, se faz necessário buscar “fora” a satisfação plena, paz e felicidade. Em samadhi está a realização de que tudo isto está dentro e que somos o todo. Samadhi não é ver luzes brilhantes e levitar, mas sim compreender que tudo está bem neste momento. Trata-se de ver a realidade exatamente como é, sem que nossos pensamentos, gostos, desgostos, prazer e dor governem e julguem. Samadhi não é sentir, é ser. E não pode ser encontrado no passado ou futuro, apenas no momento presente. new RDStationForms(\'e-book-as-origens-da-meditacao-e-do-yoga-84b39b698136958eda59-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Patanjali descreve em seus sutras, tipos e níveis diferentes de samadhi, expondo que cada tipo ocorre em um nível diferente de consciência, mas todos representam a absorção do iogue em estado de concentração da mente. Este estado de união pode ser percebido quando o praticante ainda mantém a percepção da dualidade, em savikalpa-samadhi ou quando há dissolução do ego em nirvikalpa-samadhi. Atingir o estado de samadhi durante a meditação não quer dizer manter-se nele. Embora isso possa acontecer, muitas vezes, os meditadores experimentam samadhi por períodos curtos. A prática com tempo e regularidade treina a mente para operar em estados mais profundos da consciência e a transitar em diferentes níveis. Entende-se que os primeiros estágios de “treino” ou meditação são os mais difíceis. Os oito passos de patanjali, ou, o ashtanga yoga preparam o yogi para samadhi, mas a mente começa realmente a ser educada para a concentração extrema nos últimos: pratyahara (abstração dos sentidos), dharana (concentração) e dhyana (meditação). O tempo de “treino” para se atingir o Samadhi varia dependendo da intensidade do desejo de libertação do yogi, da regularidade da prática e dos samskaras (as impressões ou condicionamentos mentais). Como qualquer treino, a constância, a repetição e o tempo são determinantes na evolução. Ou pode-se, também, atingir samadhi através de Pranidhana, a entrega. Samadhi é o estado de presença e união, que nos permite experienciar o infinito, onde Yoga é o protocolo para alcançá-lo. Samadhi é quando o universo cabe em seu próprio corpo. Samadhi é Yoga.   Namastê

Filosofia do Yoga | 10 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Yoga Sadhana – Pratica de Yoga

Yoga Sadhana - Pratica de Yoga Sadhana é uma destas palavras em sânscrito que, às vezes, são utilizadas fora da aula de yoga não deixando uma pista do que significam.  Sadhana, em sanscrito, significa caminho, processo, disciplina ou serviço. Apesar de utilizada no meio espiritual, por se fazer presente através dos sutras de Patanjali, sadhana, originalmente, está relacionada a qualquer processo ou instrumento utilizado para se obter algo. Nesse sentido, todo esforço é um tipo de sadhana, porque leva à realização de um objetivo. Esta foi a intenção de Patanjali ao nomear o segundo capítulo dos yoga sutras de Sādhana pāda: descrever os meios para desenvolver o estado de Yoga no praticante. O capítulo é o manual que descreve as práticas para acessar nossa psique é através do físico.  Yoga sadhana é a pratica espiritual. Ser espiritual não quer dizer ser religioso, embora a espiritualidade possa estar sendo vivenciada através de um relacionamento pessoal com Deus, o Divino, Allah, Shiva... Ser espiritual é conectar-se com si. Limpar toda a turbulência do ego, separado do todo, para o reconhecimento do Eu superior e ilimitado. Patanjali apresenta Kriya Yoga e os oito passos do Ashtanga Yoga (yama, niyama, asana pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi) como as ferramentas de autoconhecimento que levará o praticante de encontro ao Todo. A libertação dessa dualidade é feita com ações dentro e fora do tapete, que nos acompanham durante as 24 horas do dia e não somente no momento determinado para a prática de asanas ou pranayamas.  A prática física, ainda sim, é de alto valor para nos manter ancorados. Deixar de lado horários e demandas para estender o tapete diariamente desenvolve a autodisciplina necessária para expandir o yoga para as demais áreas da vida.  Essa pequena, porém importante, parte de seu sadhana pode significar alguns exercícios respiratórios ao acordar, procedimentos de purificação como o jala neti ( purificação das narinas) ou uma sequência exaustiva de asanas acompanhada de meditação.  Tempo e intensidade serão definidos pela sua disponibilidade em cada momento de vida e serão ajustados de acordo com as variáveis ao longo do caminho. Praticar não é sempre fácil, muitas vezes é desafiante, há momentos conflituosos e difíceis. O imprescindível é manter a constância e frequência para desenvolver a atitude correta perante as dificuldades.  Esta autodisciplina não deve ser compreendida pela ideia de algo obrigatório, rígido ou forçado, mas sim como treinamento para a mente, tirando do automático e trazendo consciência para o nosso dia a dia. Ações atentas e conscientes é que nos conduzem ao caminho espiritual.  Yamas e Niyamas, os primeiros passos sugeridos por patanjali no ashtanga yoga, correspondem a maneiras de pensar a agir que tem impacto direto no estilo de vida levada pelo praticante e nos mostram que ações conscientes vão muito além de respirar e se encaixar em posturas.  Muito mais do que se esforçar para estar no tapete diariamente, sadhana é a disciplina de levar uma vida de Yoga, 24 horas por dia, a cada dia um passo à frente, se mantendo no propósito.   Namastê! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Dicas de Yoga | 4 abr 2021 | Fernanda Magalhães

A Parte 3 – ASANA

ASANA - A Parte 3 Asana, o terceiro anga (parte) do ashtanga yoga de Patanjali é tão conhecido que chega até mesmo a ser confundido com o próprio Yoga.  Quem nunca disse que ia praticar Yoga, referindo-se somente à uma sequência de asanas? Não que esteja errado dizer que se pratica yoga ao executar a sequência de posturas, mas o erro está em considerar o yoga sendo apenas uma de suas partes.  Mas porque consideramos uma parte específica das oito descritas por patanjali como yoga? No próprio sutras, patanjali fala muito pouco sobre a posturas. Na verdade, ele cita somente a postura de meditação e \"sthira sukham asanam\", ou, uma postura firme e confortável é a única instrução de alinhamento que Patanjali dá para este Asana. Aliás, Asana, em sânscrito, significa “assento”. E por que então, o yoga chega a nós especialmente através dos asanas? Normalmente, quando o Yoga nos é apresentado, ainda não estamos preparados física e mentalmente para tal exercício. A execução de posturas psicofísicas visa a purificação e condicionamentos necessários para que partes mais avançadas do yoga possam ser praticadas.  Ninguém que deseja começar a correr, inicia a prática em uma maratona, e, nem mesmo em uma meia maratona. Igualmente, não podemos esperar que a tão sonhada liberdade (seria a linha de chegada do Yoga?!) se encontre sem o preparo necessário em todos os níveis envolvidos no despertar espiritual. O nível físico é o mais fácil de ser acessado no mundo material, onde costumamos nos identificar com nosso corpo como sendo nós mesmos. O asana deve ser percebido em todas as camadas, partindo desta mais externa, nossa pele, a parte do nosso corpo que está em contato com o que está ocorrendo do lado de fora,  para as camadas mais internas. E deve ser executado de dentro para fora, a partir do coração.  Se há desconforto físico, ficamos com nossa consciência presa no material e no incômodo experimentado. Desta forma, o corpo não está servindo como o veículo para a jornada interior, ele vira o ponto principal da existência. Uma simples amostra seria tentar meditar com dor de cabeça. Será um desafio muito maior se desconectar do conforto para então conseguir entrar em estado meditativo pois seu cérebro está focado em se livrar da dor. Os asanas trabalham como uma purificação física e também uma maneira de tornar-se calmo e estável quando há encontro da mente com o corpo.  Mas para que o efeito da prática física se expanda em vários níveis, a prática deve ser feita com consciência.  Seu corpo deve ser escutado, e não o cérebro. Neste momento, o cérebro deve render-se as mensagens do corpo e não ao contrário como costumamos fazer no nosso dia a dia, mecanicamente.  Se você pratica escutando seu cérebro, é mais provável que se machuque do que se cure. O cérebro imagina, o corpo executa, portanto, o que seu cérebro cria não é real, apenas o que seu corpo demonstra é. O seu corpo está sempre no presente, enquanto seu cérebro pode viajar na ilusão de passado e futuro. Por exemplo, você pode agora mesmo usar seu cérebro para se ver em uma postura super avançada e exigente fisicamente. Isso não quer dizer que seu corpo vá executá-la. Mesmo que nosso cérebro possa sonhar, criar metas e nos ajudar a progredir, é o corpo quem manda na velocidade e em seus limites.  Para desenvolver esta reunião de cérebro e corpo é necessário sentir a postura. No asana, usamos a pele, nosso instrumento de conexão com o mundo material, para buscar o alinhamento das posturas.  Evite utilizar espelhos na prática e, praticando drishti (os pontos focais), também não use seus olhos. Não observe a postura com seu cérebro através de seus olhos. Sinta a postura na pele e carregue até o centro, na área do coração. O trabalho do Yoga em relação a parte física é especialmente este: trazer o cérebro para o corpo. Sentir, ao invés de racionalizar. É a união do cérebro com o corpo que representa o asana. Yoga é união! Através da prática de asanas que curamos ou prevenimos enfermidades do corpo físico, trabalhamos a energia de forma a fluir livre de bloqueios no corpo energético e clareamos a mente nos livrando de pensamentos improdutivos e tóxicos. Um verdadeiro combo de preparo para etapas mais avançadas no desenvolvimento espiritual.   “E quando nos libertamos das incapacidades físicas, das perturbações emocionais e das distrações mentais, abrimos os portões da alma” - B.K.S. Iyengar em Luz na Vida Apesar de ser uma parte importante no caminho, e, talvez para nós ocidentais, uma parte essencial, precisamos sempre nos lembrar que o asana não é a parte central do Yoga - é apenas uma parte.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Vontade de potencia podcast
Filosofia do Yoga | 31 mar 2021 | Daniel De Nardi

Vontade de Potência – Podcast #10

Vontade de Potência - Reflexões de um YogIN Contemporâneo - Episódio 10 Neste episódio trata-se de um conceito nietiano de Vontade de Potência que pode ter sido inspirado nas primeiras Upanishads. Saiba mais Links mencionados no podcast   2001 Uma Odisséia no Espaço cena de abertura música Assim Falou Zarathustra https://youtu.be/ypEaGQb6dJk   2001 Uma Odisséia no Espaço - música Danúbio Azul     https://www.youtube.com/watch?v=_SpqdoJYfV8   Episódio 03 - que fala dos 3 Eus Página de Cursos do YogIN App https://yoginapp.com/cursos-de-yoga/   Curso de Aprofundamento em Yoga https://yoginapp.com/curso/aprofundamento-yoga/   Playlist da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo PODCAST SOBRE NIETZSCHE  Transcrição do podcast   Vontade de Potência #10 Com esta música maravilhosa nós começamos o décimo episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje nós vamos começar pela música que é “Assim falou Zaratustra”, é uma música feita por Richard Strauss, talvez vocês já o conheçam por “Danúbio Azul”, que é uma outra música bastante famosa, mas esta ficou bem conhecida especialmente no cinema como trilha sonora do filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço” que também tem um outra música do Strauss, que tem aquela cena clássica do início de um macaco batendo com um osso em uma pedra, e então essa música explode cortando, depois, para uma nave espacial. É uma música bastante repetida na tevê e a gente se habituou com essa música, então para nós é bastante marcante. Ela é baseada em um livro do Nietzsche de mesmo nome e a história é de um sábio que se retira e depois volta trazendo revelações para a comunidade. A cena do Kubrick também é bem emblemática, um macaco faz experiências, se destaca, e dele corta para o universo. Então, desse macaco audacioso surge uma nave espacial. Nietzsche é bastante conhecido por ter feito um rompimento com ideias que estavam presentes na filosofia como um todo e também um corte com os dogmas relacionados a religião, então ele foi disruptivo, questionou o idealismo do Platão (que tinha o mundo das ideia e o mundo real não conectados, um dia a gente atingiria o mundo das ideias) isso influenciou praticamente todas as religiões que tem uma ideia dualista de transcendência. Platão via dessa forma e Nietzsche rompe com isso, assim como outros pensadores como Spinoza, voltar o momento para o agora e não para o futuro, a existência para o momento presente. Algo que já nos aproxima do yoga, que de fato, é quando você está presenciando a prática, um pranayama é quando você está presente naquele momento, quando você está com o seu máximo. Um asana é diferente de um alongamento que, assim como a respiração, gera benefícios para a saúde, mas o yoga é você estar com a consciência presente no momento, e para isso a gente treina através da prática. Mas voltando, porque existe muito essa relação do pensamento nietzschiano, Nietzsche tinha como influencia Schopenhauer, e tanto um quanto o outro eles se voltavam a uma ciência chamada filologia, que trabalhava com as linguagens, com a tradução de textos antigos. Então eles traduziram do sânscrito para o alemão, então Schopenhauer bebeu muito em fontes védicas, em fontes indianas, tinha o hábito de ler as Upanishads antes de dormir, tem uma declaração dele que diz que “em todo o mundo não há estudo assim tão benéfico e tão elevado quanto aquelas das Upanishads, elas tem sido consolo para a minha vida e elas irão consolar a minha morte”. Ele era um estudioso de Upanishads e Nietzsche declarou que a pessoa que mais influenciou ele foi Schopenhauer, ele foi um discípulo, mas desenvolveu a sua própria linha de pensamento, apesar da influência. Nietzsche teve contato com o Budismo também, o que fica caracterizado é justamente essa influência desse grupo de textos indiano que são as Upanishads, porque Nietzsche fez esse rompimento com o sistema mais presente na filosofia e na religião, e as Upanishads fazem um trabalho parecido, só que três mil anos antes. Nietzsche tem um conceito que é central dentro do trabalho dele que é a vontade de potência, a potência sempre quer se expandir, se manifestar e por que isso não acontece? Porque existe forças antagônicas, forças reativas a potência que vão obstruí-la, essas forças são de todas as espécies. Por exemplo, você que jogar badminton, mas você mora no Brasil, então isso já é uma dificuldade, é uma força reativa a sua vontade de potência, outra força reativa a nossa potência são as outras pessoas dizendo “isso não dá, aquilo não dá”. Mas a principal, a mais forte, a que mais nos impede de expressar a nossa real potência é o medo, e quando você consegue vencer esse medo,  todas essas barreiras, colocar e expressar a sua máxima potência no momento presente, no agora (porque pra ele só existia a vida quando ela era agora, que é um pensamento muito parecido com o do yoga desde o início), Nietzsche dizia que quando você conseguia concentrar toda a sua potência em uma ação você tinha o estado de arte, que era um estado pessoal seu porque você colocava a sua potência, toda a sua foça, e quando você conseguia isso, você se tornava o que ele chamava de Super-Homem. Super-Homem é aquela pessoa que não depende de fatores externos, que não depende de rituais, ou de um guru, apenas dele mesmo para expressar a sua potência sem medo, então esse estado de arte é para todas as ações humanas com potência, a gente pode atingir esse estado desde que a gente tenha concentração, foco. Ele acreditava que esses movimentos eram transitórios, então você tinha aquele momento de máxima atenção, que você expressava a sua potência, e você tinha que tentar trabalhar pra isso, mas vinham forças para tentar te retirar desse estado. E agora a gente começa a analisar a visão indiana, onde Schopenhauer, que foi o professor de Nietzsche, bebeu e leu muito. Você tem um movimento muito importante da cultura hindu que é a escrita das Upanishads, que surgem depois dos vedas, então a Índia teve duas civilizações crescendo simultaneamente, a civilização do Vale do Indo que é bastante conhecida, e uma outra civilização que vem de Varanasi e vai também naquela direção de Urakanda, mas passando por Déli. Há registros dos Vedas, Rigveda e nos primeiros escritos que são de 3400 a.C. há muito ritual, uma valorização do ritual, os brâmanes que era os detentores dos rituais tinham muito poder, mas com o passar do tempo, a Índia foi se organizando, se desenvolvendo até mesmo num sistema jurídico consistente, que era independente do rei (então, o sistema jurídico independente na Índia surgiu bem antes do Romano), e naquele período a Índia começou a fazer um processo de valorização do indivíduo, de tirar o valor do ritual, o poder do ritual e trazer para o indivíduo. Isso é muito retratado nas Upanishads, tem uma Upanishad chamada Mundaka Upanhishad, Mundaka significa careca e tem este nome pelo fato dos brâmanes terem muito cabelo, e os novos poetas e escritores queriam se diferenciar daquele grupo, então na Mundaka Upanishad há passagens que diz que o conhecimento  dos Vedas são importantes, mas o conhecimento do coração, que vem de Brahma, é mais importante, o poder do indivíduo que está do coração, o poder da consciência, não uma ordem externa, de um “ser mais evoluído”, que podia ser os brâmanes ou qualquer outra pessoa, a Mundaka Upanishad é um texto de 1220 a.C. Trazendo mais uma vez o exemplo das Upanishads, a gente tem mais uma demonstração na Shvetashvatara Upanhishad, no momento em que ela diz com essas palavras “com os três aspectos do eu(...)” (uma breve explicação dos aspectos já comentados no episódio três: corpo - a expressão dos sentidos; mente – filtro entre a consciência e as demandas do corpo e o coração – a consciência) como algo natural, porque já foi explicado em outras Upanishads e era um conceito bastante conhecido. Shvetashvatara que é uma Upanishad que começa a trazer muita informação do yoga, e ela fala mais uma vez de você trazer a potência pra você. “Com os três aspectos do eu elevados, alinhado para o alto, tendo estabilizado o corpo da mesma maneira, tendo colocado sentidos com a mente no coração, com a barca de brama, que é esse eu interno, o conhecedor poderá cruzar todas as correntezas mais aterrorizantes”. E essas forças antagônicas que a gente viu de Nietzsche um pouco antes, são forças que nos impedem de revelar o nosso eu de expressar a nossa máxima potência, e isso é algo que a gente vai trazendo aos poucos. Muitas vezes as pessoas tem a ideia de que em uma meditação elas vão se iluminar e todo o universo se revelará para ela, não essa expressão de potência, esse conhecimento do eu, você vem trazendo aos poucos, a mente quando assenta ela facilita esta expressão e isso e tratado, inclusive, nos vedas e ainda mais nas Upanishads, a gente viu aqui na Shvetashvatara, ele fala “colocando os sentidos com a mente no coração”, então volta todos os sentidos para o coração. Tem uma outra Upanishad, que é a Katha Upanishad, que fala mais sobre os sentidos, “a cidade de onze portas, o corpo pertence a um comandante cujo a inteligência não está distorcida, tendo governado ele não sofre e é livre, foi libertado, esse comandante é brama”. Então, quando a voz de brama, que é a nossa voz interna, ela vem à tona, o comandante fica livre, você expressa, na verdade, essa máxima potência, o que o yoga chama de Moksha que é a libertação, quando é a pura voz interna sendo expressada. Nós ficamos por aqui, espero que tenham gostado. É sempre importante a gente pedir compartilhamento e divulgação porque é isso que faz a mensagem chegar a mais pessoas, eu sei que é chato, eu também acompanho vários canais de podcast e vídeos, sempre há essa solicitação, eu sei que é uma coisa inconveniente, mas isso faz muita diferença. Se realmente impactou, se você está gostando, eu peço para que você divulgue para os seus amigos para a gente fazer um movimento pela consciência, que é o trabalho que a gente faz no yoga. Além disso eu vou deixar o link na descrição da nossa página de cursos, que está crescendo a cada dia, tem agora mais de dez cursos, inclusive saiu um novo curso que vai ser sensacional. A gente vai coletar alguns vídeos, não todos, da formação que a gente já dá pelo YogIN App, é a terceira formação que a gente faz, então a gente coletou alguns vídeos num conteúdo mais condensado, e aí a pessoa vai poder fazer o curso intensivo que são vários módulos, com vários professores e que está disponível na nossa página de cursos. Eu espero você semana que vem, nós teremos mais podcast, pensem na sua potência. Om Namah Shivaya!   https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia/#axzz4qgdXngzX

Como montar uma seita
Podcast de Yoga | 25 mar 2021 | Daniel De Nardi

Como montar uma Seita – Podcast #08

Como montar uma Seita - Podcast #08 Esse podcast vai falar sobre o perigo de sistemas coletivistas usando como exemplo o maravilhoso filme com Edward Norton e Brad Pitt - Clube da Luta.   Links Podcast falando de Chuck Palaniuk Playlist da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  Meu curso - Yoga, Aprendizado e Liberdade Namastê!   Transcrição do Podcast #08 Como montar uma seita #08 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e estamos começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, o episódio de hoje vai falar em como montar uma seita. A busca do yoga é sempre uma busca por uma identidade pessoal, a busca por você encontra a sua real natureza e conseguir, de alguma forma, levar isso pro mundo, trazer isso à tona, externalizar aquilo que você tem apenas seu, e tem uma coisa que pode atrapalhar bastante o yôgin nesse objetivo que são ideias coletivistas, você seguir demais uma ideia que não é sua, uma ideia que é de um grupo, ou é formada por alguém e ditada como sendo de um grupo, isso vai automaticamente dificultar você expressar a sua real natureza, a gente vai entender bastante isso que esse é o sistema básico de funcionamento de uma seita, que é você ter ideias coletivista, ideias que aparentemente valem para todo mundo. E no yoga isso é muito presente, existem várias seitas dentro do yoga, grupos que utilizam essa busca das pessoas por um conhecimento diferenciado, e esses mestres ditos avançados, evoluídos acabam gerando uma espécie de doutrina muito particular que nem sempre tem a ver com a identidade de seus participantes. Então como funciona a construção de uma seita ou de qualquer outro grupo coletivista? Acaba-se assinando com algo que aparente é muito bom, existe a necessidade de naquele momento você resolver um problema bastante grande. No caso do yoga, fala-se muito dessa busca por uma vida melhor, de iluminação. De fato o yoga pode conduzir a isso, ele pode gerar nos seus praticantes um bem estar e uma busca e uma vida melhor. Só que isso não necessariamente vai passar por um processo coletivista, algum líder acena com essa resolução de um problema bastante difícil, começa a colocar a mensagem dele pessoal, junto com as técnicas do yoga porque o yoga por ele mesmo já vai produzir isso, ele não precisa da condução de um mestre tão direcionada assim, a prática em si já vai despertando no praticante essa busca de identidade, ele já vai sacando a partir da execução das técnicas o que de fato ali ele está buscando, o que de fato ele é, o que é melhor nele e o que precisa ser mais trabalhado. Pra gente deslocar um pouquinho e tentar entender melhor como esse movimento coletivista acontece, não no yoga, mas em outras áreas, a gente tem nitidamente isso acontecendo na área política, Então fala-se assim “eu vou resolver o problema dos pobres” e aí as pessoas acreditam nisso sem questionar aquela ideia e acabam tendo que seguir as outras coisas que esse líder queria e na verdade esse objetivo não era resolver o problema dos pobres, era um poder pessoal, riqueza pessoal, ele não estava preocupado com a resolução daquele problema.  Então se você tem um problema bastante utópico é mais fácil você vender uma ideia que as pessoas vão acreditar, a mudança ela vai acontecer de um pra um: o professor dando aula para um aluno e o aluno praticando. A mudança não acontece de maneira coletivista, o yoga não tem essa proposta de mudar todas as pessoas, é a pessoa praticando e ela vivenciando a sua própria mudança pessoal. Ela descobrindo a partir da meditação do estado de relaxamento, descobrindo a sua verdadeira natureza e, de alguma forma, externalizando isso. Esse é o processo do yoga, que não é uma pessoa mudando toda a comunidade, é a pessoa buscando a sua própria real natureza. Aí vem um outro ponto, que é dentro da cultura do Sankhya que é a cultura naturalista do yoga, você tem que externalizar essa consciência mais pura, você tem que coloca-la pra fora porque, dessa forma, você está fazendo o melhor uso, melhor proveito da sua vida. Quando você obstrui essa real natureza de ir pra fora você está prejudicando o andamento do mundo, uma rápida explicação, simplificando o sistema do Sankhya. Então na política isso também acontece e isso é muito perigoso, a individualidade não pode ser construída a partir da ideia de uma outra pessoa, ela precisa ser construída a partir de muitas referências que acabam construindo algo que ninguém consegue juntar, porque você tem muitas referências. A partir do momento que você segue uma única ideal coletivista eu faz todo o sentido pra você em todas as áreas da sua vida, a probabilidade de isso estar errado é muito grande porque como eu falei nós somos feitos de referências, se você sempre ouve os meus podcast concorda com tudo que eu falo, tem algo errado não pode estar certo. Eu faço construções a partir do que eu vivi e você não pode pegar tudo o que eu estou falando e achar que descobriu a forma de ser, a forma de ser você tem que construir a partir da sua vivência pessoal, do seu estudo, da sua busca por mais conhecimento, por entendimento próprio e por entendimento das coisas que o rodeiam. Então o ponto é que você tem que ouvir o que estou falando e falar “até entendo o porquê ele está falando sobre isso mas não concordo porque eu tenho um outro ponto de vista”, não ficar um chato questionando tudo, mas se você aceita tudo o que o seu guru está falando, tudo o que ele fala é verdade, não pode porque aquilo pode ser verdade só para ele mesmo, não pode ser mais verdade para outras pessoas. E aí como é que você vai ser essa construção, se ninguém pode te dizer? A construção ela tem que ser pessoal e precisa ser gerada a partir de, como eu falei, de diversas referências, de diversas influências e estudos e que alguns vão fazer sentido para a sua forma de ver o mundo, outros não. Mas se você segue uma única linha coletivista que te fala tudo, isso pode ter uma grande probabilidade de erro, não faz sentido todas as ideias de alguém serem totalmente de acordo com as suas, o mínimo de raciocínio a gente já pode entender sobre isso. Pra deixar uma ilustração mais clara exatamente do que a gente está falando aqui, eu poderia contar a história antes pra depois trazer o conceito, mas eu preferi falar do conceito porque agora a gente tem mais referência para analisar melhor a história. Aí tem um outro ponto, também, que quem não assistiu a esse filme e quer ver pela primeira vez, pode parar o podcast agora e ouvir depois, a partir desse momento, porque agora a gente contar toda a história do Clube da Luta, que é um filme muito famoso, vou falar detalhes sobre ele. Então se você quiser assistir o Clube da Luta pela primeira vez sem saber da história, pare o podcast agora, se você já viu esse filme, eu sugiro que ouça mesmo assim por que a gente vai ver pontos que você não tenha percebido e, também, se mesmo que você tenha visto é interessante depois dessa análise você rever o filme porque é um filme brilhante, com sacadas brilhantes que nos ensina muito sobre a vida, de como a gente segue coisas que não são nossas. O Clube da Luta é um filme bastante famoso no mundo do cinema, ele é muito respeitado como um filme que fez várias inovações, mas no Brasil, especialmente no cinema, ele não fez sucesso porque quando ele foi lançado teve um tiroteio no Shopping Morumbi, não sei exatamente a data, (talvez em 2000) mas naquele ano teve um tiroteio durante a exibição de filme e atirou e matou várias pessoas, uma tragédia aqui em São Paulo. Isso acabou afastando as pessoas desse filme, eu mesmo, depois de ver o atentando eu não vi, só vi depois em DVD. Mas desde a primeira vez que assisti ele já entrou na lista dos meus filmes preferidos, vi como uma ideia brilhante porque foi um filme que quando eu terminei eu pensei “quem de fato sou eu?” eu poderia dizer que foi o filme que mais gerou esse tipo de questionamento, de impacto em que foi qual é a minha real construção? Apesar de eu ser bem novo na época, eu lembro que aquilo reverberou, eu fui dormir com a sensação de quando o filme terminou, porque ele termina com um impacto muito grande, o final é muito forte. Esse filme é adaptado de um livro de um escritor americano chamado Chuck Palahniuk, ele é bem reverenciado no mundo literário, os escritores gostam muito da obra dele. Eu vou deixar um podcast como referência que é sobre um outro assunto que é a Jornada do Herói, que eu estou estudando agora par um outro curso que eu estou produzindo e, nesse podcast, eles falam sobre o obra do Palahniuk porque é uma obra que contradiz a linha do herói. Mas voltando ao Clube da Luta, o filme foi escrito por esse escritor brilhante, e filmado pelo David Fincher, de Seven, ele produziu também o filme sobre o Facebook, O Curioso caso de Benjamim Button, ele é o diretor d House of Cards, então é um diretor que na época o Seven já tinha saído, então ele já tinha uma certa fama, nunca ganhou o Oscar, mas é um diretor super famoso e tem uma obra que mostra muita construção e vale a pena ser vista. O filme começa, a primeira cena, pra quem não lembra exatamente, eu assisti agora recentemente na casa da minha tia, ela disse que nunca tinha assistido e eu fiquei com uma certa inveja, porque eu queria estar assistindo ao Clube da Luta pela primeira vez, depois que eu vi pela primeira vez eu alguns trechos do filme, mas não tinha assistido ao filme inteiro pela primeira vez. Como é um filme de memória e de mudança de personalidade, ele só fica interessante quando você vê pela primeira vez, como no caso de Os Suspeitos ou daquele outro do menino que vê os mortos, sãos filmes que quando você vê pela segunda vez ele ficam mais interessantes, porque você passa a entender a perspectiva de um outro ponto de vista agora que você já sabe o final. Então vale a pena assistir, eu indico muito, porque o filme é de uma sabedoria para o nosso envolvimento com o grupo e entendimento de ideias coletivistas fantástico. A primeira cena do filme é ele nos prédios, a noite, e ele está preparando para explodir os prédios e ai ele fala isso tudo aconteceu por causa da Marla, aí você se pergunta por que pela Marla? Bom, aí começa a história desde o começo, ele era um rapaz que tinha sido abandonado pelo pai, ele não demonstrava mas isso afetava muito ele, e ele era muito consumista, ele queria ter todas as coisas de lojas famosas, ele era um cara super metódico, super certinho, mas ele não ia até o ponto daquela dor dele, ele não investigava aquela dor daquela vida extremamente vazia e ele tentava resolver isso a partir de remédios porque ele não conseguia dormir, então ele tinha essa aflição. Só que quando ele retornou ao médico, este passou a negar os remédios, dizendo que não havia motivo para prescrição, à medida que ele não tinha dor, pelo contrário, tinha um emprego estável e coisas maravilhosas que todo mundo quer e se ele queria saber, de fato, quem tinha dor de verdade, poderia a ir uma reunião de homens com câncer de próstata. Ele vai por curiosidade, e ali tem outras pessoas que se confessam em exercícios, se abraçam e externalizam o que estão sentindo. Então ele entra numa catarse emocional, e põem pra fora toda a angústia, ele se libera, deixa vir à tona um pouco aquela dor e dorme como nunca tivesse dormido, então ele conclui que a solução para dormir é ir a esses encontros e chorar compulsivamente. Então ele começa a ir ao todo tipo de encontro, homens câncer, caras que não tem grana, viciados em sexo, ele passa a ir a esses encontros para chorar e poder dormir. Só que aparece uma menina, que é o arquétipo da maluca, a Marla, que acabou sendo namorada dele, quando ela chega aos encontros ele percebe que ela é uma farsa, exatamente igual a ele, e isso o deixa constrangido e ele não consegue mais colocar pra fora as angústias dele porque é como se alguém tivesse vendo a farsa. Ele não está colocando de forma legitima, ele está mascarando com um outro sofrimento e deixando a dor vir à tona. A Marla obstrui isso, o que o deixa maluco porque ele passa a não ir mais aos encontros e passa a não dormir mais uma vez. Quando a gente dorme, a gente dá um tempo para o nosso consciente se reorganizar e a gente dá também uma possibilidade de receber informações do nosso inconsciente, essa informação não pode vir a tona, de uma só vez, as informações do consciente devem ser trabalhadas e sendo liberadas gradualmente. No podcast passado eu falei sobre o curso do Roberto que eu estava editando, e eu vou fazer uma referência ao curso dele porque ele conta uma passagem muito interessante lá que é sobre esse retiros de um final de semana, e ele fala que o problema disso é justamente porque funciona ficar um tempo externalizando aquilo, botando pra fora, fazendo dança, liberando, fazendo uma hora de respiração, duras horas de meditação, coisa que você nunca fez antes e , de alguma forma, você traz coisas do inconsciente. Ok! Isso é bom e a gente não pode reprimir essa informação que a gente tem no subconsciente, mas a forma de a gente trazer, sem nenhum filtro, sem nada, ela pode ser bem prejudicial. Então você tem esse caso, de utilização de drogas, as drogas mais alucinógenas pode deixar a psiquê confusa e a pessoa a partir disso ter problemas psicológicos porque vem muita informação de uma vez só. Aí ele fala desses encontros, que informação de uma vez só, e que muitas pessoas acabam tendo consequências desastrosas porque veio muita coisa e, as vezes, ela não queria e o Roberto menciona no curso que o próprio Freud no final da vida falou que “tem coisas que é melhor deixar ali”. No filme, quando você já conhece a história, quando você vê a segunda vez, você começa a entender que quando você não dorme, você começa a trazer muita informação do subconsciente e começa a confundir a sua psiquê. O sono é a parte muito importante para a saúde mental, porque você dorme você reorganiza os seus pensamentos, você libera esse tipo de informação que tem que vir de forma filtrada, você não recebe tudo de uma vez. O narrador na verdade não tem nome – o personagem do Edward Norton é o narrador –, então ele começa a trazer tanta informação dentro do psiquismo dele que ele passa a ser outra pessoa, Tyler Durden, que é o personagem do Brad Pitt, um cara justamente o oposto dele. Então ele sempre tem diálogos em que o Tyler fala “Eu sou o que você queria ser”, então ele coloca todas as “podreiras” que o narrador, de repente, queria fazer: ele trabalha como garçom e faz xixi no prato dos ricos; ele recorta frames, corta na película um pênis, para as pessoas receberem aquele tipo de mensagem sem filtro, porque aquilo é tão rápido que ninguém vê, ele faz todo o tipo de coisa fora do padrão social que eventualmente o narrador queria fazer, mas que ele não conseguia por pra fora e aí ele acabava sendo uma outra pessoa que é o “certinho”. De fato o Tyler é a personalidade real dele ou ele é aquele cara certinho, porque o Tyler traz vários tipos de problemas pra ele, ele sendo dessa forma traz vários tipos de problemas que começam justamente nesse período que ele não tá conseguindo dormir e o Tyler toma conta dele e funda um clube de luta, a ideia do clube era lutar, colocar a sua energia pra fora, ninguém estava ali para se matar ou se machucar, as pessoas estava ali para externalizar as suas angústias, as suas tensões na forma da luta. E aí aquilo passa a ser muito bom para todo mundo que passa pela experiência que passa a ter gratidão pelo fundador, pelo Tyler, e aí dentro do movimento deixava as pessoas mais descontraídas, vivendo uma vida melhor (ele fala, inclusive que como ele passava por dificuldade na luta, o dia a dia do trabalho dele era muito simples porque a luta era difícil) e deram muita voz pra ele, Tyler. Aí surge as ideias coletivistas, porque o Tyler a partir do momento que ele libera a tensão das pessoas, elas passam a admirá-lo e a segui-lo mais ativos no clube da luta, passaram a seguir todas a ideias dele e ele tinha ideias absolutamente malucas. Ele fundou uma seita na casa dele e as pessoas ficavam trabalhando lá e produzindo sabões (ele sabia a fórmula do sabão – eles roubavam gordura das pessoas e produziam um sabão de melhor qualidade) com isso eles começaram a ter mais dinheiro e poder fazer essas loucuras do Tyler cada vez mais, chegando ao ponto de planejar a destruição de todo o sistema financeiro do mundo porque eles queriam destruir as máquinas e os prédios das principais operadoras de cartão e daí aquilo iria dar um bug no mundo. Com essa ideia por trás que ele tinha, que estava resolvendo a vida das pessoas, elas começaram a aceitar tudo o eu ele dizia sem nenhum tipo de questionamento. Então, o grupo tinha algo de repetição, eles repetiam ideias sem questionar, qualquer coisa que o Tyler dizia virava um mantra que ficava sendo repetido pelas pessoas lá de dentro como se fosse a maior verdade, todos falavam aquela mesma verdade e elas eram as verdades do próprio Tyler e aí você começa a perceber que projetos coletivistas sempre partem do objetivo do líder. Chega um momento que o Tyler quer ser demitido do trabalho e ele sabe que para isso acontecer ele precisa apanhar do chefe dele, mas ele sabe que isso não vai acontecer, então chega o ao grupo e diz a ele que todos precisam arranjar uma briga (no filme a ideia é interessante, ele fala de como as pessoas evitam brigas e isso é muito bacana porque as pessoas entendem que ninguém merece ser agredido, então faz-se um pacto por alguns direitos que são de todos, por exemplo, cumprir coisas de um contrato, falar a verdade, isso é um pacto social, todos aceitam e é um direito de todo mundo, isso não é um da ideia coletivista, é um direito de todo o ser humano: não ser agredido, cumprir as suas promessas e seus acordos, não roubar e ser roubado – existem direitos que são naturais, mas existem ideias que não são de todos que esses movimentos coletivistas acabam empurrando como algo bom pra todo mundo) então como o Tyler precisava ser demitido ele inventou isso, todos tentam arranjar uma briga, aí ele vai até o chefe e ele vai até o chefe e se automutila, começa a se dar soco e tudo o mais, mas era uma vontade dele e ele  transfere para o grupo. E chega um momento que o narrador percebe o que está fazendo, especialmente quando um amigo morre, o primeiro amigo que ele chora abraçado, não me lembro o nome dele agora, mas é um obeso, que fazia fisiculturismo e ficou com peitos enormes devido ao uso de anabolizantes, este foi um dos primeiros caras que começou a trabalhar na seita do sabão, ele toma um tiro. E o personagem do Edward Norton chega e vê as pessoas trabalhando e fazendo algo normal, empacotando o cara porque ele está morto, e ele fala “cara, o que eu vocês estão fazendo?”, eles respondem “ele estava participando de uma operação e morreu”, “mas ele é um ser humano” porque ele está se dando conta de que aquele inconsciente dele, que era o Tyler, estava fazendo. Então, como eu falei, botar tudo pra fora não é necessariamente uma coisa boa, mas a vida que ele vivia, angustiante de “certinho”, seguindo todas as normas da sociedade também não é, ele tinha que ter referencias diferentes pra essa construção pessoal do significado de vida. Eles mataram o cara, ele tomou um tiro de um policial, na verdade eles estavam botando ele num saco pra enterrar na casa e ele falou “isso não pode, ele era meu amigo” e eles falam pra ele “ninguém tem nome nas operações, senhor”, então você vê que esses processos coletivista não dá valor para o indivíduo, se de fato os coletivistas querem apoiar as minorias, como eles dizem, eles deveriam apoiar a menor minoria que é o indivíduo, se você tem os seus direitos naturais preservados, você não precisa de um outro direito, se você tem o direito à vida, o direito a sua felicidade pessoal, o direito aos seus bens, você não precisa de outros movimentos te protegendo, aqueles direitos bem protegidos eles já são suficientes para a sua felicidade, mas aqueles movimentos coletivistas falam “não vamos ter isso, aquilo mais”, a busca tem de ser da pessoa, ela que tem de busca o seu espaço , ela não pode dar pra outro essa possibilidade de construção, tanto de mérito quanto de satisfação pessoal, e ali e começa a perceber que esse movimento coletivista estava dando problemas, estava morrendo gente e as pessoas estavam tratando como algo normal, ele falava, não esse cara tem nome sim, o nome dele é John D, por exemplo, não me lembro o nome dele agora. E aí você vê que esse sistema de crenças simplifica as coisas, então os membros do clube não pararam pra pensar e falar “morreu um cara, será que isso não significa alguma coisa?”. Não, eles pegam e falam “na morte, os componentes passam a ter nome” e começam a repetir o nome dele como um mantra e ficam repetindo como se fosse uma verdade e se fosse algo inquestionável. Como eu disse a verdade só é inquestionável pra cada um, vindo do outro ela é em parte verdade ou não, a gente tem que aceitar que sempre as coisas podem estar erradas, se a gente parte desse pressuposto que é um pressuposto cientifico, as coisas podem estar erradas, eu estou provando cientificamente, mas pode estar errado, assim como eu estou falando tudo isso aqui, mas pode estar errado, porque pode ser que todos os seus valores casem realmente com o grupo, isso pode acontecer, pensa que a probabilidade é muito pequena, porque cada pessoa constrói a sua vida e seus valores pessoas, vai gostar de determinadas pessoas ou não, tem um grupo que tem determinado comportamento, a cara é perfeita alinha certinho com você, pode ser,  mas isso também tem chance de estar errado. Então como eu estou falando aqui que a construção tem que ser de diferentes referências eu posso estar errado nisso porque pode ser que você tem uma única referência a vida inteira e vive bem, sempre tem uma possibilidade de erro, a gente que aceitar isso e por isso que vale a pena refletir pensando no outro lado. No caso do Clube da Luta ele agia de duas formas, a própria Marla: ele tinha um desejo sexual por ela ele transava muito com ela quando ele era o Tyler, com vinha a vontade do inconsciente, aquele tesão, quando o sexo acabava ele voltava a ser o narrador, o Edward Norton e ele nem queria falar com ela, como um não sabia do outro, ele só acabava sabendo no final, ele não entendia quando ela tratava ele mal, para ele, ele estava sendo ele mesmo, que não tinha nenhuma relação com ela, mas pra Marla ele era o Tyler, com quem acabara de transar loucamente. Ele era duas pessoas em dois momentos diferentes. Então o Edward Norton começa a se conscientizar do processo todo, e vai atrás e descobre que fez operações em várias cidades, então quando ele achava que ele estava dormindo ele estava nas operações em vária cidades como Tyler Durden, ele tenta desfazer as coisas que o Tyler fez, mas as pessoas não deixam, não aceitam a mudança de ideia “não cara, você mesmo falou que ia mudar de ideia, mas não pode mudar de ideia, então a gente vai cortar o seu saco”, ele dá mesmo essa real pra eles. Então a pergunta que fica no final é: será que o Tyler é a real natureza do narrador, será que o Tyler é de fato o que o Edward Norton deveria ser? Eu acho que não, porque quando, no final, ele dá um tiro na boca o Tyler morre, o que demonstra que o Tyler não era ele, sua real identidade, porque se não essa identidade que ficaria, ela sobreviveria. E quem fica é um cara mais equilibrado, um cara que deixou algumas coisas virem à tona e também não seguiram totalmente o sistema, só que aí é tarde, ele já se deu um tiro na cabeça e a obra está construída assim, na verdade a grande merda (a palavra certa é essa) oi feita e os prédios acabam caindo, uma loucura dele porque ele era tão contra o sistema porque a vida dele era baseada naquilo, ele simplesmente  seguia o sistema, então ele criou uma revolta grande em cima disso e ele quis destruí-lo. Só que o sistema era ruim pra ele porque ele via o sistema de forma equivocada, o sistema não era ruim pra todo mundo, ele não tinha o direito de romper e querer destruir totalmente o sistema e usar um monte de pessoas dentro da sua ideia de revolução porque ele não gostava do sistema, porque ele não se adequava ao que estava imperando e que era bom pra muita gente, o sistema que dava liberdade de consumo para um monte de gente. Então aí fica essa questão, vejam o filme, a minha dica é essa e pra finalizar, agora eu comecei a comentar sobre as músicas, essa música como eu tinha planejado essa música para esse podcast eu já até deixei na playlist do podcast, então quem quiser ir lá consultar, é só ir lá, é a última música chamada Leningrado e porque eu escolhi essa música? Ela é de um compositor bastante conhecido no meio musical chamado Shostakovich, ele foi muito grande na época dele, mas ele foi um cara que ficou muito tempo preso no regime comunista, ele não conseguiu sair como outros (Prokofiev; Rachmaninoff; Stravinski, que foi pra França), ele ficou preso no sistema, mas ele ficou ali lutando contra esse sistema que era coletivista que entendia que todos os indivíduos serviam para o estado, um estado que ia resolver o problema das diferenças sociais e tudo o mais, e o Shostakovich ficou preso lá e tentando lutar com isso com a sua música. Leningrado foi bastante criticado na época, porque ela arrebatava as plateias, por onde ela passava ela levava um monte de gente para os concertos, ela fez um renascimento da música porque a música estava num período chato, experimentais com músicas atonais e, por conta disso, por Shostakovich fazer muito sucesso e tocar o público, o povão, na época ele foi considerado um charlatão porque não estava seguindo essa tendência revolucionaria de músicas atonais e tudo o mais. Mas, hoje em dia, tem pesquisadores como Leandro Oliveira, que é um grande pesquisador de música erudita, que considera o Shostakovich o maior e mais influente compositor do século XX, e é um período que tem bastante talento a gente tem o Mahler, tem o Strauss, tem o Sibelius, o Stavinski, que eu mencionei antes, tem o Gershwin, que é um americano que fazia música com jazz e música clássica, então tem muita gente boa e ele considera Shostakovich o melhor porque, de fato, ele tem uma obra forte, e essa música foi feita com o intuito de movimentar o povo mesmo, de fazer uma marcha para a libertação ela, inclusive foi chamada de “O Grito de Libertação” e o Shostakovich deixou uma palavra sobre essa música, ele deixou escrito o seguinte: “A peça não deve ser entendida contra as forças opressoras alemãs, mas contra todas as forças opressoras do mundo”” A música se chama Leningrado que também é um campo de batalha muito grande da Segunda Guerra e agora vou deixar com você o que é mais importante que é ouvi-la. Uma boa semana a todos, a atividade desta semana é assisti ao filme, pensar com a sua própria cabeça e tomar suas decisões, se quiser deixar algum comentário sobre o que você achou do filme, deixe o seu comentário aqui.

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Vídeos de Yoga | 11 mar 2021 | Equipe YogIN App

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