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Por que meditar parece tão difícil?
Filosofia do Yoga | 24 dez 2020 | Cherrine Cardoso

Por que meditar parece tão difícil?

Meditar é difícil? Por que meditar parece tão difícil? Uma das maiores dificuldades que temos quando entendemos que Yoga não é somente uma prática física, está em aceitar que meditar é mais difícil do que ficar de ponta cabeça. Duvida? Vou te lançar um desafio bem simples, e claro, você não terá como me responder, mas a resposta virá automaticamente para você. Feche os olhos. Isso, agora mesmo. Ou pode terminar de ler esse parágrafo para saber os próximos passos. Mas em seguida, faça este breve exercício. Sente-se confortavelmente, deixe os braços relaxados e as mãos apoiadas sobre os joelhos. Agora feche os seus olhos e dê um simples comando para sua mente: pare de pensar! Só isso. Diga a ela desta forma: me dê cinco minutos sem nenhum tipo de interferência ou pensamento, depois você poderá obter todos os estímulos que desejar. Feito? Bom, agora responda a você mesmo: sua mente te obedeceu? Te deixou exatos cinco minutos sem nenhum pensamento? Se a resposta foi sim, consegui ficar este breve instante sem pensar em nada. De duas uma: ou você já é um praticamente de yoga mais assíduo ou antigo; ou está se enganando. Porque assim, do nada, simplesmente sentando e pedindo a mente este silêncio, sem ter passado por nenhum outro tipo de técnica antes, eu duvido muito que tenha dado certo. Não por não confiar em você, longe disso. Mas porque sou praticante e profa. de yoga há 15 anos e ainda hoje tenho grande dificuldade em negociar esse período de silêncio com minha mente. Se eu estiver num lugar mais silencioso ou de repente mais próxima da natureza, há chances de ser mais fácil, mas nem sempre eu venço. Há quem tenha mais pré-disposição? Sempre. Para tudo! Mas para meditar o segredo principal é treinar a mente como se você estivesse treinando o seu corpo. Quem pratica yoga, seja o tipo de vertente que for, sabe que o corpo reclama. Colocando-o em permanências longas ou apenas fazendo continuamente o súrya namáskara ele tende a reclamar. E você só vence suas reclamações com insistência, com disciplina e continuidade. Um dia dói mais que outros. Às vezes o que está te incomodando mais hoje já não incomode amanhã. E desta forma você vence suas próprias limitações e resistências. Com a mente é exatamente igual. Não à toa a maioria das modalidades de yoga conduzem o praticante a um processo de aquietamento, de identificação com o ásana sentado (aquele mesmo, com as pernas cruzadas), para depois levá-lo a estímulos diversos com pránáyámas, mantras, kríyás, ásanas de maior intensidade e solicitação, a fim de que o corpo pouco a pouco vá entrando numa sintonia, num uníssono tão perfeito, que ao final, voltando pra mesma posição sentado, haja menos desconforto e a possibilidade deste comando para a mente parar por cinco minutos (ou mais, obviamente) seja correspondido muito mais facilmente. E como eu sei se estou meditando? Este é um outro grande exercício de percepção. Já entendemos que meditar significa parar a mente dos pensamentos e de todas as informações incessantes que recebemos. Já entendemos que a prática combinada de técnicas nos levam a este objetivo e ajudam com maestria a este fim. No entanto, como saber se deu certo? Uma forma de ter certeza é sua percepção quanto ao tempo. Se você se propor a fazer um exercício de meditação pelos cinco minutos, já que falamos deste tempo, podendo ser acompanhando um som (mantra) ou focando sua atenção em algum símbolo (yantra) e a sua sensação de tempo pareceu maior. Por exemplo, os cinco minutos pareceram trinta, sua consciência se expandiu. Ou seja, as percepções que você teve durante os cinco minutos foram muito maiores e seu tempo foi melhor aproveitado. Você conseguiu acumular em cinco minutos o que as pessoas que não praticam meditação precisariam de trinta. Já se a sua percepção dos cinco minutos foi de que passaram rápido, ou seja, cinco pareceu um minuto, isso significa que sua consciência esteve em processo reduzido. Não aumentou e nem te trouxe nada de diferente, apenas uma boa sensação de quietude. O que claro, também tem o seu valor. Mas, é importante entender que se a sua percepção de tempo não aumentou, você ainda não está meditando, talvez tenha tido apenas um lapso ou uma auto-hipnose. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); E o que você quer dizer com fazer exercícios sobre som ou símbolo? Para que você consiga treinar a sua mente para este processo de aquietamento e silêncio é preciso que você faça uso de artifícios que contribuam com este objetivo. Porque apenas dizer para ela: pare de pensar, você já percebeu que é difícil! Portanto, usar algum objeto para se concentrar favorece o treinamento. Há pessoas que são mais auditivas, outras são mais visuais. Desta maneira, quando você for usar o seu objeto para seu treinamento de concentração perceba com qual tem mais facilidade. Se for com som, faça uso de alguns até definir aquele que te auxilia mais neste caminho. Pode ser o som do ÔM, ou pode ser ou som da água corrente, dos pássaros etc. Se sua facilidade é visual, use objetos reais, ou seja, foque sua atenção numa planta, numa vela, na chama de um incenso; e depois passe a imaginar o símbolo que quiser: um quadrado, um triângulo, o próprio símbolo do ÔM. No entanto, cuidado, é muito comum a mente buscar significados e atributos em ambos os casos. Por exemplo, no som, ao invés de se concentrar somente no que você definiu, a mente começa justificar o som: tá muito alto, veio o som de fundo, olha o cachorro latindo… e por aí vai. O mesmo acontece com os símbolos: a flor tá mexendo, e se ela fosse amarela, ah eu preferiria que fosse uma tulipa ao invés da rosa etc. Entendeu como meditar parece fácil, mas no fundo mesmo é ainda mais difícil do que fazer uma simples invertida sobre a cabeça? O importante é seguir, treinando, com uma intenção real daquilo que você deseja. Seja para a meditação ou para todo o resto.

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Podcast de Yoga | 22 dez 2020 | Daniel De Nardi

On Yoga, Arquitetura da Paz – Crítica do Filme – Podcast #42

On Yoga, Arquitetura da Paz - Crítica do Filme O documentário do diretor Heitor Dhalia, inspirado no livro homônimo do fotógrafo americano Michael O\'Neil, traz opiniões de diferentes gurus e professores de Yoga sobre o que significa essa filosofia de vida para cada um deles. Neste podcast, o que mais me chamou a atenção no filme de Dhalia. Asatoma Saggamaya!   https://soundcloud.com/yogin-cast/on-yoga-a-arquitetura-da-paz-comentarios-do-filme-podcast-42   LINKS   Episódio do podcast que se passa no Kailash Ashram em Rishikesh https://yoginapp.com/encontro-com-um-mestre-podcast-18     https://youtu.be/Mfbeim7Bro4 Kailash Ashram   Livro que inspirou o filme   Dharma Mitra             Mantra - asato ma sadgamaya asato ma sadgamaya tamaso ma jyotirgamaya mrtyor ma amrtam gamaya (Brhadaranyaka Upanishad — I.iii.28)     Trilha sonora da série de Podcast - Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição On Yoga, Arquitetura da Paz – Comentários do Filme – Podcast #42 O meu nome é Daniel De Nardi, o podcast de hoje começa com o mantra “Ohm Assatoma Sadgamaya” porque hoje nós vamos falar sobre um filme de yoga que estreou hoje mesmo em todo o Brasil. “On Yoga, Arquitetura da Paz” é o novo documentário do diretor brasileiro Heitor Dhalia, mas a histórica começa na visão de um americano, o fotógrafo Michael O’Neal que é conhecido no meio do yoga por um livro com fotos de sadhus e praticantes de yoga pela Índia e pelo mundo todo, e este livro é bastante conhecido por retratar com imagens belíssimas a experiência do yoga na prática. O Michael O’Neal abre esse documentário expondo um pouco do trabalho que eu já fez. Ele já fotografou grandes ícones de Hollywood como Scorsese, Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson e outros. Ele já publicou na capa da Times uma foto com o ator Paul Newman e outras personalidades e ele tinha um trabalho bastante exaustivo devido a rotina de viagens e os horários de trabalho, essa vida de extrema pressão fez com que ele tivesse lesões no pescoço que necessitaram de cirurgia. Após a cirurgia, ele teve uma paralisação no braço, justamente o que ele utilizava para fotografar, o próprio neurologista que o acompanhava disse que ele não conseguiria mais realizar as suas funções. Para quem trabalha e coloca toda a energia em seu ofício é devastador, mata o artista. Ele passou por um período de muita dor de muita dificuldade e nisso ele começou a ir atrás do yoga, primeiro por uma questão física, depois ele foi revendo o rumo que a vida dele poderia tomar a partir do momento em que ele não poderá mais fazer o que fazia antes. Essa busca a partir da dor é muito comum, o próprio yoga reconhece a dor como algo que está em todas as pessoas e se coloca numa proposta de resolver a questão ou de, ao menos, diminuir o sofrimento humano, assim é a história que o Heitor Dhalia começa a contar a partir da vida do Michael O’Neal. Eles vão para Índia e começam a revisitar os Sadhus que O’Neal tinha fotografado quando fez o livro há doze anos atrás. Justamente por ele ser um fotógrafo famoso, por ele ter sido financiado para produzir este tipo de foto, ele conseguiu ficar muito tempo neste tipo de inspeção e ele fala, inclusive, que tinha muita abertura com os grandes pensadores do mundo e os grandes mestres da Índia e, com isso, ele ia fotografando e tentado extrair daquelas figuras o que era mais plástico, a imagem. Mas nesse segundo momento, quando eles vão fazer o documentário, além das fotos, eles extraem entrevistas com os grandes gurus da Índia. O filme não se propõe a falar minuciosamente sobre o yoga, até porque isso poderia ir para uma linha de documentário que diminuiria o interesse do público em geral, porque isso é importante para quem já é praticante e estudioso sobre yoga, mas para quem está começando a se interessar, talvez a informação se tornaria muito massiva, e o filme sai dessa linha e vai para um depoimento dos próprios gurus sobre o que ele consideram importante dentro do yoga. O aspecto das imagens, visual do filme é belíssimo, porque o Sadhu praticando yoga é algo que chama a atenção, é muito bonito. Não só os Sadhus, como os praticantes em geral. O asana como expressão física é muito completo como consciência corporal, tem muito asana durante o filme, asanas muito bem filmados. O filme na parte visual está de parabéns, mas os depoimentos ressaltam que o yoga não é só a parte física. Isto me preocupa um pouco com relação a evolução do yoga como um todo, porque ele tem ido para essa linha física e desde a sua origem o yoga sempre foi meditação. A proposta que os gurus vão falando no filme, dessa saída do sofrimento, ela sempre passa por algo que vai além de se fazer um alongamento, um asana, é algo muito mais elevado e que envolve um processo meditativo. Como o filme não se propõe a dizer sobre uma única história do yoga, ele mostra muitas visões de diferentes linhas, de diferentes tipos de yoga e até mesmo coisas que não são yoga, como, por exemplo, aqueles sadhus que suspendem o pênis. Eles explicam que há a suspensão do pênis e o deslocamento para traz, o amarra num cabo de aço, eles mortificam a região por acreditarem que ali seja a fonte de muitos desejos e como o intuito deles é o controle dos desejos ele optam por este tipo de método. Esta é uma linha, uma visão bastante presente na Índia, simplesmente eliminar o corpo para uma ascensão espiritual. Não são todas as linha que veem desta forma, o Tantra vê de uma outra forma, vê o corpo como parte do processo. Como você pode ver, o próprio filme apresenta diferentes visões do que essa mensagem do yoga que está em diferentes áreas e linhas. O yoga, pela sua antiguidade, sempre teve esse movimento que é de ser mais libertário e ele não tem uma administração central como, por exemplo, a Igreja Católica e isso faz com que a individualidade dos próprios professores seja transmitida como forma de conhecimento, o yoga é bastante permissivo neste sentido, do professor com a sua experiência conseguir transmitir algo que não necessariamente está num livro ou em uma regra. Acho que isso producente para a evolução do yoga porque faz com que aquilo que está mais presente no nosso dia-a-dia, seja transmitido para o aluno que está ali fazendo a aula, a meditação, o que quer que seja. Embora o filme apresente muitas visões, há algo central, que é algo da cultura sânscrita, a cultura que produziu esse conhecimento desde os vedas. Essa visão central é da ilusão que existe quando nos identificamos com o que sentimos ou pensamos, quando há essa identificação, há o sofrimento e todos ali tem essa visão em comum, embora nem todos falem disso, muitos falam, que é a visão da consciência observadora, a consciência que está por trás olhando o mundo manifesto e que a consciência que observa é a verdadeira essência, é o verdadeiro eu, e a busca para a eliminação desse sofrimento é esse distanciamento, aproximando-se da consciência que vê e não estando imerso, totalmente envolvido com os sentidos, que no filme passa mesmo a sensação sobre isso. Se há uma identificação muito grande com as sensações, com os sentidos, um envolvimento com as oscilações da natureza e isso vai gerar necessariamente sofrimento. O primeiro Sadhu que aparece falando, diz para não ficar incessantemente desejando coisas, porque os desejos acabam gerando ou frustração ou um desejo ainda maior. E esse Sadhu fala sobre se ter menos (inint. 09:59), menos coisas a se atingir e ter uma aceitação da vida, como ela é. Achei interessante porque vai nesse sentido, de diminuir essa identificação para não ficar totalmente sujeito aos acontecimentos da matéria. O primeiro ashram que aparece na matéria é o Kayla Ashram. Nessa parte que aparece o ashram eles estão falando que os yôgins desde os tempos mais remotos, ou as pessoas que faziam essa busca pela espiritualidade, iam para o meio da floresta em busca de um professor ou alguém que também estivesse fazendo essa busca espiritual que pudesse ensinar algo e que nos dias de hoje esse ashram seriam essas florestas dentro das cidades, onde os suamis e os sadhus se isolam para praticar a meditação e a espiritualidade. Esse Kayla Ashram é o mais antigo de Rishikesh, eu falo desse ashram no episódio “Como Encontrar um Guru” e também um outro local que eu identifiquei que eu já fui também é um ambiente em que aparece uns yôgins de laranja praticando vários asanas, são três meninos fazendo vários asanas no rio Ganges. E aquela é uma pedra que quando se faz um rafting no Ganges, em Rishikesh, se para na pedra e dá um salto no rio, mesmo no inverno também é possível se banhar no rio e eles fazem o asana bem no local (vou deixar uma foto minha pulando na pedra). O filme se passa a maior parte do tempo em Rishikesh, que é uma cidade no noroeste da Índia, que os yôgins todos que vão para a Índia acabam conhecendo por ser um importante centro de yoga no País. Ele começou justamente com esse Kayla Ashram, os Beatles foram pra Índia, Shivananda fundou depois o seu ashram lá e por aí vai, depois vários gurus se fixaram em Rishikesh para fixar conhecimento. O Michael O’Neal fala do Yoganandadi que foi um mestre que viveu em Rishikesh, e que morreu aos 108 anos, ele tem imagens dele praticando yoga aos 98 anos. Essa parte também da longevidade dos yôgins é algo que vem impressionando as pessoas que acompanham yôgins pelo mundo. Então, efetivamente o yoga produz um ganho na nossa saúde e disposição, por que está mais próximo a você, mais conectado com as suas sensações, é natural que se tome decisões mais prudentes com o seus hábitos e com a saúde como um todo porque se a saúde não está bem, é impossível começar um processo de meditação de elevação espiritual se não foi resolvido a base. O yôgin tem essa preocupação com a saúde, e isso é bastante falado no filme. Uma outra cidade que aparece no filme é Nova York, pelo fato do próprio O’Neal viver na cidade. Eles entrevistam vários professores de yoga de Nova York, inclusive o brasileiro Dharma Mittra que ficou famoso após uma fotografia do Michael O’Neal que mostra ele fazendo um Shirsasana sem as mãos. Aliás, a contracapa do livro de O’Neal que deu origem ao filme é justamente esta foto. E na imagem de Nova York aparece um guru que está dando aula com um pano branco na cabeça e começa a falar sobre a filosofia ocidental e oriental. Achei interessante explicação porque muitas pessoas acreditam que a filosofia tem que ser algo vindo da Grécia. A explicação que ele dá é bastante interessante, ele fala que esta filosofia oriunda da Grécia é basicamente um debate acadêmico, você discute teses até que haja um conhecimento, um entendimento intelectual dos conceitos. Já a filosofia oriental ela teria também esses conceitos, mas eles teriam de ser aplicado na prática, vivido. Esse tipo de filosofia transportado para o yoga seria algo, por exemplo, o yôgin manter a estabilidade da mente nas situações mais difíceis. Ele se coloca em um asana difícil e mesmo com o incômodo, ele tenta manter a mente tranquila, a respiração profunda e o foco em manter-se atento a postura e finalizar a sua permanência. Assim teria a filosofia na prática, com o ensinamento sendo aplicado e sendo vivido nos conceitos. A minha recomendação é que vocês assistam o filme, não sei há em todas as cidade, acredito que logo mais será lançado no Rio, mas em breve estará disponível online e você poderá assistir. Acho que é um retrato muito bacana de alguém que não é um professor, é alguém de fora que pratica, o Heitor é um praticante de yoga, e que trouxe essa visão com a profundidade que é possível num filme. Acho que não dá para se esperar uma aula acadêmica ou um debate completo a partir de um filme, mas acho que o filme traz muitas reflexões sobre o nosso propósito de vida, o nosso momento de olhar para nós mesmos, as liberdades que devem ser praticadas com responsabilidade. Tudo isso é algo que pelo menos pra mim o filme tocou e me fez refletir e acho cada um vai ter a sua experiência do que é falado ali. Para finalizar, eu vou deixar um mantra que aparece no começo do filme que é o “Ohm Assatoma Sadgamaya”.  Esse mantra tem como significado justamente esse ponto em comum que eu falei anteriormente que todas as linhas acabam abraçando, da consciência observadora, “Ohm Assatoma Sadgamaya” é um pedido para que o eu saia daquele mundo sofrido, de que a consciência observadora saia daquele mundo sofrido, de que a consciência observadora saia do envolvimento e do sofrimento que existe na natureza, que ele se veja como observador, como aquele que vê. Então aproveite e se quiser a letra no mantra, eu vu deixar na descrição do episódio. Ohm Assatoma Sadgamaya!

Filosofia do Yoga | 20 dez 2020 | Fernanda Magalhães

Para Soltar o Próximo Passo

Para Soltar o Próximo Passo Muito se fala e faz na comunidade do Yoga em relação a abertura dos quadris. Essa flexibilidade é fundamental para permitir a meditação sentado por longos períodos sem desconforto. A mobilidade de quadril também é um ponto importante para a saúde e estabilidade da coluna, nossa habilidade de andar e a boa postura. Nos encontramos em postura sentada no nosso dia a dia por muitas horas seguidas, trabalhando, vendo tv ou no trânsito, o que encurta os flexores do quadril, tensiona os rotatores e enfraquece os músculos glúteos. E quando escolhemos nos exercitar, acabamos selecionando atividades que acabam tensionando ainda mais essa musculatura como ciclismo, corrida ou trekking. E para o Yoga, muito além de comprometer a saúde física, quadris rígidos representam emoções armazenadas. Há quem considere os quadris a lixeira emocional do corpo. Medo e tristeza não processados, são jogados para lá. Pense em qual a reação mais natural do seu corpo ao se sentir ameaçado ou receber uma notícia devastadora. Curvar-se recolhendo os joelhos dobrados e fechando o peito, não é? Para se defender ou chorar, não importa, adotamos a mesma postura fetal, contraindo os flexores do quadril. A rigidez do quadril está muito ligada a dificuldade de processar o passado e encarar o futuro. Quadril preso segura o “próximo passo”. A rigidez na parte da frente é relacionada ao futuro, sobre viver a nossa verdade e não expectativas externas, enquanto a parte de trás, glúteos e inferior das costas mostra um apego ao passado. Nos quadris também guardamos emoções mal processadas em relacionamentos. Todo o tipo, inclusive com nós mesmos, demonstrando uma incapacidade de nos amarmos completamente. Você está pronto para enfrentar suas emoções “jogadas para baixo do tapete”? Então pratique. As sequências de asanas em geral possuem foco no trabalho do quadril. Posturas de pé e sentadas movimentam a articulação da área liberando pouco a pouco essa tensão. Eu uso algumas preparações para a abertura e liberação de quadril para dar uma movimentada no prana. Costumo fazer em momentos sem pressa, onde posso estar consciente e presente, como, por exemplo, entre as aulas. Não há nenhum objetivo de desempenho ou grandes alinhamentos, é só um momento de soltar e se preparar para o novo. Nem sempre faço todos os movimento, às vezes seleciono apenas um, aquele que meu corpo pede, mas quando me disponho a completar minha sequência, começo sempre do mais simples e gentil e deixo aqueles que exigem mais presença para o final. Me acompanhe: Começo minha jornada rumo a liberação das emoções presas fazendo uma leve flexão a frente com as pernas cruzadas. Inspire crescendo a coluna e curve-se nas canelas exalando. Solte os braços no chão e permita a gravidade te empurrar, curvando suavemente a coluna direcionando a testa ao chão. Inspire levantando lentamente até retomar seu alinhamento. Troque a posição das pernas e repita. Retome sua cruzada de pernas costumeira e mantendo os ísquios no chão e faça giros no quadril sentindo a mobilidade da cabeça do fêmur. Gire algumas vezes para o lado direito e a mesma quantidade para o esquerdo. Variação de Bharadvajasana - Estique as pernas e traga sua perna direita em meia-lótus, ou seja, com calcanhar em cima da virilha esquerda. Dobre sua perna esquerda para fora, levando calcanhar ao lado esquerdo do quadril. Dorso do pé esquerdo no chão, tente manter os dois lados do quadril no chão. Se possível, pegue seu pé direito levando a mão direita por trás das costas e faça um gancho no dedão do pé com indicador e médio das mãos como na imagem abaixo. Se não é possível fazer o gancho, relaxe as mãos ao longo do corpo e se concentre no quadril. Faça algumas respirações e repita para o outro lado. Quadradinho - Sente-se e cruze as pernas alinhando o joelho direito em cima do tornozelo esquerdo e o joelho esquerdo em cima do tornozelo direito. Se o joelho superior estiver levantado acima do tornozelo inferior, coloque um travesseiro ou bloco sob o joelho levantado para que você possa relaxar o quadril. Se os joelhos estiverem confortavelmente apoiados nos tornozelos, leve o corpo a frente tentando enganchar os cotovelos na frente das canelas para fazer um gancho. A intenção é deitar o abdômen nas pernas. Para isso, mantenha seu baixo ventre sugado na inspiração e cresça a parte baixa das costas ganhando espaço para ir mais a frente.   Em todos os casos, descendo ou não, mantenha a base da coluna longa, empurrando os ísquios no chão. Após 10 respirações, suba o tronco inspirando e torça exalando levando seu cotovelo esquerdo acima do joelho direito com as mãos em prece. Uma mão faz pressão na outra e cotovelo empurra o joelho. Sim, nas primeiras tentativas será muito desconfortável para a maioria das pessoas, mas não tente empurrar seu joelho para baixo, se concentre no gancho da torção do tronco. Mais 10 respirações e repita tudo para o lado esquerdo. Badhakonasana - Sente-se com solas dos pés unidas e joelhos afastados. Use seus dedões para abrir as solas dos pés em direção ao teto. Cresça a coluna em uma inspiração e desça tentando levar o umbigo ao chão, não a cabeça. Se já é muito forte tentar abrir as solas dos pés e descer os joelhos ao chão com a coluna alongada, fique nesta etapa. E se por outro lado, descer o umbigo, leve o queixo ao chão, sem curvar a coluna. Depois de 5 a 10 respirações, suba inspirando, junte os joelhos e prepare a próxima. Virasana - Joelhos no chão, pés afastados mais que a largura do quadril, dorso dos pés no chão, sente-se entre os pés. Calcanhares colados ao quadril, não deixe-os abaixo, sentando sobre seus pés. Coluna longa. Se não há conforto nos joelhos, use um bloquinho para elevar o quadril, mas mantenha os alinhamentos. Se é muito confortável, intensifique deitando o corpo para trás no chão e alongando a parte frontal das coxas. Depois da sequência gosto de escutar meu corpo e me sentar por instantes da forma que for mais confortável naquele momento. Ao enfrentar trabalhos de abertura de quadril, vá devagar, com cautela e gentileza consigo. Pode ser que seja necessário algum tempo de prática constante de asanas para que você sinta essa liberação, que pode vir como uma leveza do peso a ser retirado, mas pode vir também através das lágrimas. Não é incomum posturas de abertura de quadril e peito provocarem o choro, não segure, não se assuste, mas não se identifique. Aceite essa emoção liberada e siga com a sua prática, ao finalizar virá a sensação de leveza esperada. Pronto para liberar o próximo passo. Namastê   new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

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Dicas de Yoga | 16 dez 2020 | Lucimar Ana Crispin

Dicas como fazer Chaturanga Dandasana

Chaturanga Dandasana é uma postura que adoro e que está muito presente nas aulas de hoje. É  muito usada nas transições entre posturas. Entre seus benefícios mais conhecidos são o fortalecimento dos músculos em volta dos ombros, parte de cima das costas, braços, “core\", pernas e preparo do corpo para inversões e posturas de equilíbrio nos braços. Chaturanga Dandasana exige um certo cuidado assim como todas as posturas , mas por ela ser uma flexão exige bastante força dos membros superiores e se executarmos com padrão de movimento errado repetidas vezes isso pode ser muito prejudicial a curto médio e longo prazo. Sim, o Yoga pode ser lesivo. Por isso é importante, nesses tempos de lives online sem a presença do professor te vendo e acompanhado que você possa se cuidar, respeitar, ou ter um professor para te acompanhar, guiar e tirar as suas dúvidas. Assim como é aqui no YogIN App com as minhas e  demais aulas interativas e ao vivo. Se quiser conhecer, escolha uma assinatura clicando aqui e aproveite alguns dias gratuitos. Aqui vão algumas dicas para você executar daí. Nas minhas aulas, de colegas e até mesmo na sua prática pessoal. Sempre lembrando claro, de respeitar e ouvir seu corpo. Para realização: - Comece um aquecimento dos punhos. - Inicie na postura da prancha. Feito isso você vai realizar a postura indo de encontro ao seus alinhamentos mas basicamente, ativando mula bandha e uddhyana bandha e ombros na linha dos punhos. - Quando estiver na prancha primeiro a ponta do pé empurra seu corpo a frente, essa fase é importantíssima porque a partir daí quando você for flexionar seu cotovelo, você vai flexionar com ele em 90 graus para que a força vá para a ponta dos dedos e não para seu punho . - Desça com o corpo estabilizado e por igual, de encontro ao solo. Aqui, para o seu treinamento vale também flexionar os joelhos para ir acostumando o corpo e preparando para a postura completa. Fica aí essa dica pra você que gosta tanto quanto eu dessa postura  Leia mais sobre Bandhas.  [embed]https://yoginapp.com/bandhas-contrair-para-soltar/[/embed]    

Dicas de Yoga | 6 dez 2020 | Equipe YogIN App

Corvo Invertido – Como Fazer

Corvo Invertido -- Variação de Bakasana Está parecendo difícil, não é mesmo?   No Yogin App você encontra todos os níveis de dificuldade, aulas que começam para iniciantes e vão até o nível mais avançado do Yoga!   Namastê ॐ

Pranayama respiracao yogin
Dicas de Yoga | 3 dez 2020 | Fernanda Magalhães

Respirar para Evoluir – Pranayama

Respirar para Evoluir! Pranayama, a quarta parte do Ashtanga Yoga de Patanjali, significa “expansão do prana”. Prana é a fonte de toda a energia no universo e está presente em todos os elementos da natureza. Prana permeia nosso corpo através do contato com raios solares, solo, água, rochas, cristais, alimentos e ar.  Absorvemos prana a cada inspiração e o redirecionarmos a cada exalação, por isso, pranayama é, através de exercicios respiratorios, utilizado para controlar e expandir essa energia. Este controle é feito nas quatro partes da respiração: a inspiração - puraka; a expiração - rechaka; a retenção cheia - kumbhaka, ou antara kumbhaka; e a retenção vazia - shunyaka, ou bahya kumbhaka.  Pranayama não é apenas realizar exercícios respiratórios de ritmo, é utilizar a respiração para afetar a energia que circula em corpo e mente. Por isso, as diferentes escolas de yoga possuem abordagem diferenciadas para o ensino e uso de pranayama nas práticas. Algumas escolas incorporam técnicas de pranayama na prática do asana desde o início, outras trabalham o corpo físico nos asanas como preparação que antecede o pranayama. Por exemplo Kundalini Yoga e Yoga Integral utilizam pranayama em todas as aulas de todos os níveis. No caso de Iyengar e Ashtanga yoga, o pranayama é ensinado lenta e cuidadosamente, como uma prática separada do asana, quando o professor entende que o corpo do aluno já está pronto para este treinamento.  O principal cuidado neste segundo caso é de verificar se o aluno está pronto para alguns efeitos poderosos do pranayama. Se praticado antes de exercitar seu sistema nervoso em uma prática consistente de asanas, há possibilidade de se tornar muito aéreo, egoico ou até mesmo ansioso com o aumento de energia que o pranayama pode trazer. Mas mesmo não sendo um yogin avançado, podemos usufruir dos benefícios do controle da respiração  Há muito tempo sabemos da influência da mente no estado emocional. A respiração tem relação direta com o estado mental, se estamos calmos, respiramos lentamente e em momentos de tensão, ansiedade e medo, a respiração fica rápida e curta. Nestes casos, o estado mental está influenciando na respiração, mas podemos retomar o controle no movimento oposto, controlando as emoções com a respiração consciente.   Se não há atenção na respiração, então há tendência em ceder as flutuações mentais, gerando emoções relativas ao estado mental descontrolado.  Sem os exercícios respiratórios, a maioria das pessoas respira inconscientemente e superficialmente utilizando apenas uma pequena parte da capacidade pulmonar. Este estado de fluir inconsciente alimenta a atividade mental, provocando ansiedade, estresse e outros males cada vez mais frequentes atualmente.  Uma cadência profunda e ritmada demonstra satisfação, segurança e serenidade. Aprendendo a modificar o ritmo respiratório, podemos sutilizar e modificar emoções, influenciando positivamente no estado de equilíbrio almejado. Entre a inspiração e a expiração acontece um ponto de repouso, um instante de completa satisfação respiratória. É neste ponto que o yogin repousa sua atenção, encontrando um estado de segurança, uma espécie de eixo. Então não importa se é um yogin avançado lidando com as retenções e controle de prana ou se está utilizando os exercícios respiratórios simples para controle mental e emocional. De qualquer forma, ao aplicar o pranayama na sua prática, está seguindo o caminho da estabilidade proposta por Patanjali.  “tataḥ kṣīyate prakāśa-āvaraṇam - Através disto (prática de pranayama) aquilo que encobre a capacidade de percepção desaparece” - Gloria Arieira, O Yoga que Conduz à Plenitude. new RDStationForms(\'e-book-treinamento-yogin-de-respiracao-bdf2969b9eeaf2b1af79-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 2 dez 2020 | Fernanda Magalhães

Equilibrio, força e leveza – Ubhaya Padangusthasana

Equilibrio, força e leveza - Ubhaya Padangusthasana Quando pensamos em posturas de equilíbrio, geralmente surge na mente diversidades de posturas de pé, a maioria com apoio apenas de um dos pés no chão, como Vrksasana (postura da árvore) e Garudhasana (postura da águia)  A prática destas e outras posturas de pé são importantíssimas no desenvolvimento do equilíbrio físico e mental, mas existem outras formas de lidar com a gravidade que devem ser aprendidas na prática. Ubhaya Padangusthasana é um exemplo de equilíbrio dessa relação incomum com a gravidade.  Ubhaya significa ambos, Pada=pé, angustha = dedão do pé. E leva esse nome pelo “circuito” criado no corpo, conectando dedos das mãos e dos pés no ar. Na prática de Ashtanga Yoga, Ubhaya Padangusthasana é a vigésima oitava postura da primeira série, sendo realizada na parte final da prática. Além de ser uma postura muito bonita e significativa, onde seus pés e rosto estão apontados para o céu, como uma flor buscando a luz, ubhaya padangusthasana ajuda a liberar a energia presa na base da coluna estimulando o prana para o alto. Envolver meus dedos ao redor dos dedos dos pés também desperta tanto o espírito animal como o espírito infantil. O fortalecimento dos músculos abdominais, o alongamento dos isquiotibiais, a abertura do tórax e ombros e a tonificação dos órgãos internos são alguns dos benefícios de ubhaya padangusthasana.  A entrada na postura é feita através de um rolamento partindo de uma invertida sobre os ombros, um movimento que pode levar algum tempo para \"sair\" mas paciência e persistência  também fazem parte da prática.  Usar a sua respiração e os bandhas (a sucção do baixo ventre e a contração do períneo) é fundamental neste movimento de entrada e com o tempo você vai sentir o corpo fluir suavemente da invertida ao equilíbrio. Para entrar em ubhaya padangusthasana, sente-se no tapete, pernas estendidas a frente. Partindo de dandasana, expire e deite-se devagar. Inspire, alcance os braços acima da cabeça. Quando a próxima exalação sair do corpo, levante as pernas retas do chão, levante os quadris e coloque os pés nas mãos suavemente. Inspire , alongue a coluna. Expire com força, enrole a coluna e com um impulso para a frente, apoie entre os ísquios e o cóccix  e equilibre-se. Inspire enquanto você encontra seu ponto de equilíbrio.    Uma vez equilibrado no estado do asana, afaste as pernas do rosto, aponte os dedos do pé e resista com os braços. Crie a sustentação na coluna e no coração, como se você pudesse elevar o esterno através do espaço entre seus braços. A sensação no tronco deve ser de tentar recuar, enquanto a barriga baixa recolhe intensificando os bandhas para criar equilíbrio e estabilidade. Leve suavemente o olhar entre as sobrancelhas. Cinco respirações aqui; esse é o estado do asana. Se entrar na postura da forma tradicional está muito desafiador ainda, você pode testar seu equilíbrio começando por posturas sentadas: Partindo de Baddha Konasana, segure os dedos em suas mãos e estique as pernas para cima juntando os joelhos para dentro dos cotovelos.  Apoie-se entre os ísquios e o coxis no chão e puxe a barriga para encaixar a postura  Inspire esticando as pernas e puxe o baixo ventre mais profundamente, deixando a coluna alongada.   Para executar Ubhaya Padangusthasana, a força abdominal e o controle do core são necessários para manter as pernas 60 graus em relação ao chão, equilibrando o corpo. O alongamento dos isquiotibiais permite a extensão completa das pernas. Por isso, se você busca a correta execução da postura, mas ainda sente deficiência em um destes pontos, mantenha paschimottanasana e navasana na sua prática diária.   Conforme ganha força no tronco e segurança no equilíbrio, trabalhe para alcançar seus pés com as mãos a partir de navasana. Com a prática, Ubhaya Padangusthasana te proporcionará uma profunda conexão entre mente e corpo através deste equilíbrio e força unidos e traduzidos na leveza desta bela postura.   Boas praticas!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Urdva Dhanurasana
Dicas de Yoga | 28 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Disciplina é Liberdade

Disciplina é Liberdade! Te parece estranho ouvir que a disciplina pode te levar a liberdade? Talvez porque você tenha comprado a ideia de que a liberdade é fazer tudo que tem vontade, não é? Comer o que quer, ir onde tem vontade, só fazer o que gosta. Você já parou para pensar as consequências disso? Na vida real, não existem ações sem consequências. Se você tem um objetivo, precisa fazer escolhas e abrir mão de alguns prazeres momentâneos em nome de algo maior. Patanjali parece já ter percebido isso, há séculos atrás, quando compilou o primeiro grande tratado de Yoga e descreveu o caminho para liberdade em 8 passos, ou o Ashtanga Yoga. No Yoga sutras, Samadhi é considerado o objetivo do Yoga e são apresentados alguns passos que devem ser seguidos para se chegar lá. Samadhi é a libertação do ego, a absorção em purusha, o degrau mais alto dos oito. Para chegar em Samadhi, Patanjali descreve passos que determinam limites e exigem disciplina. Na verdade, o caminho para Samadhi, ou, o Yoga, começa com disciplina. Os dois primeiros passos, inclusive, são aqueles que te ajudam a construir a estrutura, a base para o caminho. São aqueles que ninguém vê, mas que se fazem fundamentais na jornada. Estes passos estabelecem limites, controles e restrições para que seu comportamento interno, consigo mesmo e no relacionamento com os demais, seja ajustado de forma a te direcionar corretamente até a libertação. Segundo Patanjali, nossa mente conturbada, agitada e indisciplinada é impura, nos impedindo de ver a verdade. Como o lago que quando com ondulações não fornece um reflexo nítido. A proposta do Ashtanga Yoga é a correção da mente através desta disciplina para que estejamos prontos para aplicar os passos práticos. Em ordem, os passos do Ashtanga Yoga são: Yama - O controle dos impulsos naturais que se manifestam através de nossos órgãos de ação Niyama - As disciplinas ou observâncias internas que o Yogi deve seguir. Asana - As posturas psicofisicas Pranayama - O controle do prana através de respiração consciente Partyahara - A Abstração dos sentidos Dharana - A concentração Dhyana - A meditação Samadhi - A libertação Yama e Niyama preparam o praticante a lidar consigo mesmo e estar pronto a aplicar asana e pranayama, que por sua vez, equilibram o fluxo da energia no organismo, e o preparam para as técnicas que seguem. Por exemplo, como sentar em meditação para trabalhar os próximos passos se seu quadril é tão rígido que não permite relaxar com a coluna alongada? Até este ponto, as etapas sugeridas por patanjali preparam o corpo fortalecendo o sistema nervoso e melhorando a qualidade da respiração e o emocional controlando pensamentos e atitudes para que o Yogin possa chegar a etapa central que fica entre as esferas de trabalho externo e interno do caminho - Pratyahara. Pratyahara é a transição entre o corpo (asana e pranayama) e a mente (dharana). Esta abstração dos sentidos tem o objetivo de te levar de fora para dentro. ignorar a influência dos objetos internos te deixa absorto na sua mente para Dharana. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   A partir daqui tudo acontece internamente e os três próximos passos são chamados de Samyama e acontecem consecutivamente, como um sendo o aprofundamento do outro. Em Dharana, seu trabalho é se concentrar em um ponto só, limitando a atividade da consciência. Em Dhyana, o objeto de concentração ocupa sua atenção parando o fluxo de pensamentos para então chegar em Samadhi e a união com o objeto e o ato de meditar se concretizar. Em Samadhi, o contemplador é absorvido na consciência universal, livre do ego. Como qualquer caminho, o início é sempre mais difícil. É necessário fazer as alterações de comportamento e renúncias (Yamas e Niyamas), a aplicação de práticas que tornem possível trilhar o caminho desejado, (Asana, Pranayama e Pratyahara), para então começar um processo progressivo e mais fluido na direção correta (Samyama) até o objetivo final. O caminho tem sempre a mesma estrutura básica, não importando seu objetivo. O grande impulso para a disciplina é saber qual o caminho você quer trilhar. A verdadeira liberdade está em seguir tudo que você escolheu. A vida sem limites e disciplina não te faz livre, te faz escravo dos desejos e dos sentidos. Se você quer correr uma meia maratona não vai poder sair com os amigos toda noite e beber, se você quer ter um diploma universitário vai abrir mão de muitos programas e até oportunidades durante o período de estudo. Controlar o passageiro visando o objetivo maior. Assim é, no Yoga e na vida. O domínio de si é instrumento para a liberdade. Não importando se seu objetivo é a libertação espiritual ou qualquer outro na vida material, a disciplina e o autocontrole são instrumentos para manter o caminho claro. A liberdade exige disciplina até que não haja mais necessidade de esforço em abrir mão do que não te leva ao seu caminho. Se você segue seu interior, seu desejo íntimo, nada mais é sacrifício, é feito com coração, com verdade. E então você é livre.    

Dicas de Yoga | 26 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Para Incluir a Prática na sua Rotina

Para Incluir a Prática na sua Rotina Eu sempre recebo perguntas sobre como manter a prática ou como retomar após um tempo parado… Acredito que por ser praticante de Ashtanga Yoga e me beneficiar da prática diária e individual, as pessoas imaginam que eu saiba a “receita”. Digo receita por que nossa sociedade atual espera tudo pronto e fácil como se juntar ingredientes fosse fazer funcionar, quando na verdade, a mudança de hábitos é uma responsabilidade e um caminho exclusivamente seu. Sabe, eu nunca tive muitas dificuldades em ter disciplina, e provavelmente esta característica é até mesmo um defeito meu. Não se permitir falhar é um fardo grande onde não existe perfeição. Mas nessa luta para equilibrar tanta disciplina entre Tapas (autodisciplina) e Ahimsa (a não violência), eu estou aqui escrevendo para ajudar meus colegas Yogis que tem a dificuldade contrária, de criar novos hábitos, sair da zona de conforto, na intenção de dividir um pouco desse fogo transformador. A autodisciplina também faz parte dos 8 passos do Yoga descrito por Patanjali no Yoga Sutras. Tapas é um dos 5 Nyamas, as observâncias internas que o Yogi deve ter para seguir com sucesso o caminho do Yoga. Tapas é o esforço envolvido em todo processo de transformação, muitas vezes descrito como o fogo que queima as impurezas. É fazer o que deve ser feito, porque sim. Sabe quando, na infância, sua mãe te mandava fazer algo sem escapatória? Então, Tapas é sua mãe mental, que não deixa seu cérebro entrar na zona de conforto e comanda a execução do que é necessário.   “Tapas são disciplinas, na forma de votos ou decisões que negam a você mesmo alguma coisa que você gosta. Através da disciplina nasce o poder de lidar com os pequenos sofrimentos da vida diária aqui descritos como impurezas“ Gloria Arieira - O Yoga que conduz à plenitude   Certamente você usa essa autodisciplina diariamente para executar tarefas como sair para o trabalho no horário, escovar os dentes e etc. A principal dica que posso dar é que você encare sua prática como uma destas tarefas que são obrigatórias e naturalmente ela se tornará um hábito. Se você pratica em estúdio de yoga ou academia, realizar a matrícula como comprometimento inicial é muito fácil, mas ainda há o desafio de comparecer às aulas. Algumas das dicas abaixo também ajudarão quem precisa sair de casa para praticar, mas a intenção deste artigo realmente é ajudar aquelas pessoas que praticam em casa, e que enfrentam um desafio ainda maior de manter seu comprometimento mesmo distante dos olhos alheios. Então, vamos à elas:   Estabeleça um objetivo Não pratique Yoga para conseguir fazer posturas específicas. Existem atividades físicas muito mais eficientes para te ajudar a se tornar um contorcionista ou um expert em parada de mão. Se praticar pelas posturas a desistência será quase certa. Alguns dias seu corpo vai estar incrivelmente flexível e vai te dar prazer executar asanas difíceis, no outro será penoso tentar as mesmas posturas que você já está acostumado a fazer. O que vai te fazer manter a prática mesmo passando por uma fase física ruim, como durante o tratamento de uma lesão, por exemplo, é seu objetivo. Pratique com um objetivo maior e compreenda que a prática diária é um comprometimento de longa data com você mesmo e sua evolução. No início seu objetivo pode ser algo mais simples como relaxar para dormir bem, mas sua prática pode ser sua terapia, sua reza, seu auto-estudo e tudo ao mesmo tempo. Entenda o porque você quer praticar e mantenha esse foco em mente. Mantenha um horário fixo e pratique diariamente. Mesmo que por pouco tempo, comparecer em seu tapetinho todos os dias no mesmo horário estabelece um hábito. Idealmente se pratica de manhã, ao acordar, em jejum. Sim, o ótimo é inimigo do bom, e da mesma maneira que você não vai deixar de praticar se tiver somente 15 minutos livres, não deixe de praticar se seu cronograma não permite uma prática matutina.   Ajuste seu tempo de prática com suas atividades diárias e determine o melhor horário para este compromisso. Você pode ter 2hs para executar asanas 3 dias da sua semana, mas nos outros dias tudo que você consegue são 15 minutos de meditação, e tá tudo bem! Sabe aquele dia em que você jura que não consegue praticar, seja por cansaço, dor no corpo, doença ou estresse? Pratique! Talvez você se surpreenda com a sua prática neste dia, talvez você tenha um colapso emocional e traga a tona o que era preciso para se renovar energeticamente, ou talvez você desista no meio e deite no sofá. O importante é não criar expectativas de como sua prática vai se desenrolar, o foco aqui é praticar diariamente. Simplesmente faça! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Siga uma orientação precisa Não espere acordar antes do necessário para sua rotina diária e estar disposto a desenvolver uma prática do zero. Receita para o fracasso é acordar mais cedo ou chegar em casa cansado de um dia de trabalho e não estar certo do que vai fazer. Se você pretende seguir o caminho da prática em casa, e não pode assistir as aulas ao vivo do YoginApp, opte por seguir um método com séries fixas, como o Ashtanga ou utilize video aulas. Praticar por aulas gravadas traz um trabalho extra de programação do que você pretende fazer com certa antecedência. Crie uma lista com 5 aulas para a semana, por exemplo, e siga durante 1 ou 2 meses, depois renove sua lista para os próximos meses. Crie um ritual: Tome banho, acerte o nível de luz e acenda um incenso, ou qualquer outra coisa que faça você se conectar com o momento. Tomar um banho antes de praticar é realmente uma dica importante que dou para meus alunos. Retirar a energia pesada do sono ou de tudo que ocorreu durante o dia do seu corpo através de água corrente é renovador. E nunca pratique na cama ou com a mesma roupa que usou para dormir. Se puder, deixe tudo semi-pronto para o horário em que você se comprometeu, talvez seu tapete já estendido no chão e sua roupa de prática dobrada na bancada do banheiro para quando você acordar ou chegar em casa. O “cenário” funcionará como um gatilho para o seu cérebro fazendo-o lembrar da recompensa, que é como você se sente ao final da prática Pratique a presença e esqueça passado ou futuro no momento que antecede sua prática. A expectativa de sucesso ou fracasso baseada em experiências prévias ou a esperança de futuro podem contribuir para a procrastinação. Se você é daquele tipo de pessoa que vai começar na segunda, esquece. Inicie já. Sempre haverá um amanhã na sua mente para você adiar seus planos, mas seu corpo não conhece os dias de semana. Seu corpo está sempre no presente, ele não conhece esse seu amanhã, aprenda com ele. Pratique sempre como se fosse a primeira e última vez. Você conhece o plano das 24h dos alcoólicos anônimos? Ou, “só por hoje”? Trabalhe com expectativas de curto prazo e diariamente aplique a mesma meta. Se por acaso você falhar com seus compromissos em um dia, retorne no dia seguinte novamente como único, primeiro e último.   E acima de tudo, trabalhe sua auto-estima. Estar no tapetinho diariamente é uma demonstração de amor próprio. Não se esqueça de que praticamos também para nos tornarmos melhores para todos, partindo do princípio que nos tornamos primeiramente melhores para nós mesmos. Apesar de ser uma jornada solitária e desafiadora, a prática diária te torna altamente conectado consigo e independente.   Boas Práticas!  

pranayama respiração
Filosofia do Yoga | 23 nov 2020 | Fernanda Magalhães

O primeiro de oito passos – Yama

O primeiro de oito passos - Yama   Ainda seguindo nossa temática sobre os Yoga Sutras de Patanjali, hoje nosso texto vem trazer o primeiro passo a ser dado em direção a transformação mental. No segundo capítulo dos Sutras, Patanjali aborda o processo espiritual em oito etapas de desenvolvimento (ashtanga), onde Yama é a primeira. Yama (sanscrito) é uma palavra que deriva da raíz YAM, que significa refrear, domar, dominar. Por isso pode ser comparado com restrições, por descrever o que deve ser evitado para o crescimento espiritual. “ahiṁsāsatyāsteyabrahmacaryāparigrahāḥ yamāḥ” - Yoga Sutras de Patanjali, 2:30 Não agir com violência (ahimsā); falar a verdade (satya); não roubar (asteya); não desvirtuar a sexualidade (brahmācārya); e não praticar o apego (aparigrāha) tratam das nossas relações com o mundo..  Os domínios a serem refreados com conhecimento dos Yamas referem-se aos impulsos naturais e inerentes dos seres vivos, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação: braços, pernas, boca, órgãos sexuais e excretores. Estes instintos, se soltos e desregrados, provocam como consequência, o sofrimento. São considerados códigos de ética do Yoga por permitir que se viva em paz e harmonia com tudo que nos rodeia. Por trazer esse benefício em relação a vida em sociedade ao serem seguidos, os Yamas às vezes são confundidos com regras como as morais e religiosas. Esta comparação não reflete a verdade, pois o principal objetivo de Yama é eliminar perturbações mentais e emocionais e tornar o pensamento coerente.  Como estar com a mente centrada se há preocupações em relação às suas ações perante outro ser? Pessoas com saúde mental não encontram a paz se mentem, roubam e causam danos a outras pessoas. É preciso limitar as perturbações antes de prosseguir no caminho do controle da mente. Mas essa mudança precisa vir de uma busca voluntária e tolerante consigo mesmo. Ahimsa por exemplo, a não violência, precisa começar consigo mesmo se privando de hábitos destrutivos, pensamentos negativos e emoções reprimidas. As vezes, colocar muito esforço em uma postura de Yoga pode ser uma forma de violência.  Não é simplesmente uma forma passiva de não violência ao refrear seus impulsos, mas sim uma mudança interna refletida no exterior e na relação com o outro. Assim também acontece com todos os demais Yamas. Como falar a verdade (satya) se não a conhecemos? A “sua” verdade é real ou estabelecida pelas convenções do seu meio social?  Para não criar máscaras e assumir comportamentos hipócritas, antes precisamos praticar o autoconhecimento.  Asteya - não se apropriar do que não te pertence nasce na libertação do desejo naquilo que não é seu. Tem muita proximidade com aparigraha, o não apego. Se não há desejo pelo o que está além do essencial, não há desejo posse do que não te pertence. Bens materiais, status social, memórias, pensamentos, sensações, aversões e finalmente, outros seres vivos, o que te pertence? Revendo os conceitos do que realmente te pertence, se nessa existência tudo é passageiro, estamos todos temporariamente utilizando os objetos materiais, incluindo nosso próprio corpo?   Brahmacharya é reconhecer que a energia sexual é tão preciosa que não deve ser desperdiçada, mas sim direcionada para a criação. E isto pode não ter relação com o ato sexual. Há muitos celibatários que não praticam brahmacharya. Então para mim, os yamas são muito mais do que codigos de etica. São reflexos de uma mudança interna de desprogramação de condicionamentos resultantes de ideologias, tradições e valores impostos pela sociedade dando uma liberdade além dos preconceitos. Reflete a forma com que nos relacionamos conosco para que possamos transbordar para o outro, demonstrando essa consciência e solidariedade.  Yama é o inicio e a base da reforma interna.    Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();