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Urdva Dhanurasana
Dicas de Yoga | 28 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Disciplina é Liberdade

Disciplina é Liberdade! Te parece estranho ouvir que a disciplina pode te levar a liberdade? Talvez porque você tenha comprado a ideia de que a liberdade é fazer tudo que tem vontade, não é? Comer o que quer, ir onde tem vontade, só fazer o que gosta. Você já parou para pensar as consequências disso? Na vida real, não existem ações sem consequências. Se você tem um objetivo, precisa fazer escolhas e abrir mão de alguns prazeres momentâneos em nome de algo maior. Patanjali parece já ter percebido isso, há séculos atrás, quando compilou o primeiro grande tratado de Yoga e descreveu o caminho para liberdade em 8 passos, ou o Ashtanga Yoga. No Yoga sutras, Samadhi é considerado o objetivo do Yoga e são apresentados alguns passos que devem ser seguidos para se chegar lá. Samadhi é a libertação do ego, a absorção em purusha, o degrau mais alto dos oito. Para chegar em Samadhi, Patanjali descreve passos que determinam limites e exigem disciplina. Na verdade, o caminho para Samadhi, ou, o Yoga, começa com disciplina. Os dois primeiros passos, inclusive, são aqueles que te ajudam a construir a estrutura, a base para o caminho. São aqueles que ninguém vê, mas que se fazem fundamentais na jornada. Estes passos estabelecem limites, controles e restrições para que seu comportamento interno, consigo mesmo e no relacionamento com os demais, seja ajustado de forma a te direcionar corretamente até a libertação. Segundo Patanjali, nossa mente conturbada, agitada e indisciplinada é impura, nos impedindo de ver a verdade. Como o lago que quando com ondulações não fornece um reflexo nítido. A proposta do Ashtanga Yoga é a correção da mente através desta disciplina para que estejamos prontos para aplicar os passos práticos. Em ordem, os passos do Ashtanga Yoga são: Yama - O controle dos impulsos naturais que se manifestam através de nossos órgãos de ação Niyama - As disciplinas ou observâncias internas que o Yogi deve seguir. Asana - As posturas psicofisicas Pranayama - O controle do prana através de respiração consciente Partyahara - A Abstração dos sentidos Dharana - A concentração Dhyana - A meditação Samadhi - A libertação Yama e Niyama preparam o praticante a lidar consigo mesmo e estar pronto a aplicar asana e pranayama, que por sua vez, equilibram o fluxo da energia no organismo, e o preparam para as técnicas que seguem. Por exemplo, como sentar em meditação para trabalhar os próximos passos se seu quadril é tão rígido que não permite relaxar com a coluna alongada? Até este ponto, as etapas sugeridas por patanjali preparam o corpo fortalecendo o sistema nervoso e melhorando a qualidade da respiração e o emocional controlando pensamentos e atitudes para que o Yogin possa chegar a etapa central que fica entre as esferas de trabalho externo e interno do caminho - Pratyahara. Pratyahara é a transição entre o corpo (asana e pranayama) e a mente (dharana). Esta abstração dos sentidos tem o objetivo de te levar de fora para dentro. ignorar a influência dos objetos internos te deixa absorto na sua mente para Dharana. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   A partir daqui tudo acontece internamente e os três próximos passos são chamados de Samyama e acontecem consecutivamente, como um sendo o aprofundamento do outro. Em Dharana, seu trabalho é se concentrar em um ponto só, limitando a atividade da consciência. Em Dhyana, o objeto de concentração ocupa sua atenção parando o fluxo de pensamentos para então chegar em Samadhi e a união com o objeto e o ato de meditar se concretizar. Em Samadhi, o contemplador é absorvido na consciência universal, livre do ego. Como qualquer caminho, o início é sempre mais difícil. É necessário fazer as alterações de comportamento e renúncias (Yamas e Niyamas), a aplicação de práticas que tornem possível trilhar o caminho desejado, (Asana, Pranayama e Pratyahara), para então começar um processo progressivo e mais fluido na direção correta (Samyama) até o objetivo final. O caminho tem sempre a mesma estrutura básica, não importando seu objetivo. O grande impulso para a disciplina é saber qual o caminho você quer trilhar. A verdadeira liberdade está em seguir tudo que você escolheu. A vida sem limites e disciplina não te faz livre, te faz escravo dos desejos e dos sentidos. Se você quer correr uma meia maratona não vai poder sair com os amigos toda noite e beber, se você quer ter um diploma universitário vai abrir mão de muitos programas e até oportunidades durante o período de estudo. Controlar o passageiro visando o objetivo maior. Assim é, no Yoga e na vida. O domínio de si é instrumento para a liberdade. Não importando se seu objetivo é a libertação espiritual ou qualquer outro na vida material, a disciplina e o autocontrole são instrumentos para manter o caminho claro. A liberdade exige disciplina até que não haja mais necessidade de esforço em abrir mão do que não te leva ao seu caminho. Se você segue seu interior, seu desejo íntimo, nada mais é sacrifício, é feito com coração, com verdade. E então você é livre.    

Dicas de Yoga | 26 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Para Incluir a Prática na sua Rotina

Para Incluir a Prática na sua Rotina Eu sempre recebo perguntas sobre como manter a prática ou como retomar após um tempo parado… Acredito que por ser praticante de Ashtanga Yoga e me beneficiar da prática diária e individual, as pessoas imaginam que eu saiba a “receita”. Digo receita por que nossa sociedade atual espera tudo pronto e fácil como se juntar ingredientes fosse fazer funcionar, quando na verdade, a mudança de hábitos é uma responsabilidade e um caminho exclusivamente seu. Sabe, eu nunca tive muitas dificuldades em ter disciplina, e provavelmente esta característica é até mesmo um defeito meu. Não se permitir falhar é um fardo grande onde não existe perfeição. Mas nessa luta para equilibrar tanta disciplina entre Tapas (autodisciplina) e Ahimsa (a não violência), eu estou aqui escrevendo para ajudar meus colegas Yogis que tem a dificuldade contrária, de criar novos hábitos, sair da zona de conforto, na intenção de dividir um pouco desse fogo transformador. A autodisciplina também faz parte dos 8 passos do Yoga descrito por Patanjali no Yoga Sutras. Tapas é um dos 5 Nyamas, as observâncias internas que o Yogi deve ter para seguir com sucesso o caminho do Yoga. Tapas é o esforço envolvido em todo processo de transformação, muitas vezes descrito como o fogo que queima as impurezas. É fazer o que deve ser feito, porque sim. Sabe quando, na infância, sua mãe te mandava fazer algo sem escapatória? Então, Tapas é sua mãe mental, que não deixa seu cérebro entrar na zona de conforto e comanda a execução do que é necessário.   “Tapas são disciplinas, na forma de votos ou decisões que negam a você mesmo alguma coisa que você gosta. Através da disciplina nasce o poder de lidar com os pequenos sofrimentos da vida diária aqui descritos como impurezas“ Gloria Arieira - O Yoga que conduz à plenitude   Certamente você usa essa autodisciplina diariamente para executar tarefas como sair para o trabalho no horário, escovar os dentes e etc. A principal dica que posso dar é que você encare sua prática como uma destas tarefas que são obrigatórias e naturalmente ela se tornará um hábito. Se você pratica em estúdio de yoga ou academia, realizar a matrícula como comprometimento inicial é muito fácil, mas ainda há o desafio de comparecer às aulas. Algumas das dicas abaixo também ajudarão quem precisa sair de casa para praticar, mas a intenção deste artigo realmente é ajudar aquelas pessoas que praticam em casa, e que enfrentam um desafio ainda maior de manter seu comprometimento mesmo distante dos olhos alheios. Então, vamos à elas:   Estabeleça um objetivo Não pratique Yoga para conseguir fazer posturas específicas. Existem atividades físicas muito mais eficientes para te ajudar a se tornar um contorcionista ou um expert em parada de mão. Se praticar pelas posturas a desistência será quase certa. Alguns dias seu corpo vai estar incrivelmente flexível e vai te dar prazer executar asanas difíceis, no outro será penoso tentar as mesmas posturas que você já está acostumado a fazer. O que vai te fazer manter a prática mesmo passando por uma fase física ruim, como durante o tratamento de uma lesão, por exemplo, é seu objetivo. Pratique com um objetivo maior e compreenda que a prática diária é um comprometimento de longa data com você mesmo e sua evolução. No início seu objetivo pode ser algo mais simples como relaxar para dormir bem, mas sua prática pode ser sua terapia, sua reza, seu auto-estudo e tudo ao mesmo tempo. Entenda o porque você quer praticar e mantenha esse foco em mente. Mantenha um horário fixo e pratique diariamente. Mesmo que por pouco tempo, comparecer em seu tapetinho todos os dias no mesmo horário estabelece um hábito. Idealmente se pratica de manhã, ao acordar, em jejum. Sim, o ótimo é inimigo do bom, e da mesma maneira que você não vai deixar de praticar se tiver somente 15 minutos livres, não deixe de praticar se seu cronograma não permite uma prática matutina.   Ajuste seu tempo de prática com suas atividades diárias e determine o melhor horário para este compromisso. Você pode ter 2hs para executar asanas 3 dias da sua semana, mas nos outros dias tudo que você consegue são 15 minutos de meditação, e tá tudo bem! Sabe aquele dia em que você jura que não consegue praticar, seja por cansaço, dor no corpo, doença ou estresse? Pratique! Talvez você se surpreenda com a sua prática neste dia, talvez você tenha um colapso emocional e traga a tona o que era preciso para se renovar energeticamente, ou talvez você desista no meio e deite no sofá. O importante é não criar expectativas de como sua prática vai se desenrolar, o foco aqui é praticar diariamente. Simplesmente faça! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Siga uma orientação precisa Não espere acordar antes do necessário para sua rotina diária e estar disposto a desenvolver uma prática do zero. Receita para o fracasso é acordar mais cedo ou chegar em casa cansado de um dia de trabalho e não estar certo do que vai fazer. Se você pretende seguir o caminho da prática em casa, e não pode assistir as aulas ao vivo do YoginApp, opte por seguir um método com séries fixas, como o Ashtanga ou utilize video aulas. Praticar por aulas gravadas traz um trabalho extra de programação do que você pretende fazer com certa antecedência. Crie uma lista com 5 aulas para a semana, por exemplo, e siga durante 1 ou 2 meses, depois renove sua lista para os próximos meses. Crie um ritual: Tome banho, acerte o nível de luz e acenda um incenso, ou qualquer outra coisa que faça você se conectar com o momento. Tomar um banho antes de praticar é realmente uma dica importante que dou para meus alunos. Retirar a energia pesada do sono ou de tudo que ocorreu durante o dia do seu corpo através de água corrente é renovador. E nunca pratique na cama ou com a mesma roupa que usou para dormir. Se puder, deixe tudo semi-pronto para o horário em que você se comprometeu, talvez seu tapete já estendido no chão e sua roupa de prática dobrada na bancada do banheiro para quando você acordar ou chegar em casa. O “cenário” funcionará como um gatilho para o seu cérebro fazendo-o lembrar da recompensa, que é como você se sente ao final da prática Pratique a presença e esqueça passado ou futuro no momento que antecede sua prática. A expectativa de sucesso ou fracasso baseada em experiências prévias ou a esperança de futuro podem contribuir para a procrastinação. Se você é daquele tipo de pessoa que vai começar na segunda, esquece. Inicie já. Sempre haverá um amanhã na sua mente para você adiar seus planos, mas seu corpo não conhece os dias de semana. Seu corpo está sempre no presente, ele não conhece esse seu amanhã, aprenda com ele. Pratique sempre como se fosse a primeira e última vez. Você conhece o plano das 24h dos alcoólicos anônimos? Ou, “só por hoje”? Trabalhe com expectativas de curto prazo e diariamente aplique a mesma meta. Se por acaso você falhar com seus compromissos em um dia, retorne no dia seguinte novamente como único, primeiro e último.   E acima de tudo, trabalhe sua auto-estima. Estar no tapetinho diariamente é uma demonstração de amor próprio. Não se esqueça de que praticamos também para nos tornarmos melhores para todos, partindo do princípio que nos tornamos primeiramente melhores para nós mesmos. Apesar de ser uma jornada solitária e desafiadora, a prática diária te torna altamente conectado consigo e independente.   Boas Práticas!  

pranayama respiração
Filosofia do Yoga | 23 nov 2020 | Fernanda Magalhães

O primeiro de oito passos – Yama

O primeiro de oito passos - Yama   Ainda seguindo nossa temática sobre os Yoga Sutras de Patanjali, hoje nosso texto vem trazer o primeiro passo a ser dado em direção a transformação mental. No segundo capítulo dos Sutras, Patanjali aborda o processo espiritual em oito etapas de desenvolvimento (ashtanga), onde Yama é a primeira. Yama (sanscrito) é uma palavra que deriva da raíz YAM, que significa refrear, domar, dominar. Por isso pode ser comparado com restrições, por descrever o que deve ser evitado para o crescimento espiritual. “ahiṁsāsatyāsteyabrahmacaryāparigrahāḥ yamāḥ” - Yoga Sutras de Patanjali, 2:30 Não agir com violência (ahimsā); falar a verdade (satya); não roubar (asteya); não desvirtuar a sexualidade (brahmācārya); e não praticar o apego (aparigrāha) tratam das nossas relações com o mundo..  Os domínios a serem refreados com conhecimento dos Yamas referem-se aos impulsos naturais e inerentes dos seres vivos, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação: braços, pernas, boca, órgãos sexuais e excretores. Estes instintos, se soltos e desregrados, provocam como consequência, o sofrimento. São considerados códigos de ética do Yoga por permitir que se viva em paz e harmonia com tudo que nos rodeia. Por trazer esse benefício em relação a vida em sociedade ao serem seguidos, os Yamas às vezes são confundidos com regras como as morais e religiosas. Esta comparação não reflete a verdade, pois o principal objetivo de Yama é eliminar perturbações mentais e emocionais e tornar o pensamento coerente.  Como estar com a mente centrada se há preocupações em relação às suas ações perante outro ser? Pessoas com saúde mental não encontram a paz se mentem, roubam e causam danos a outras pessoas. É preciso limitar as perturbações antes de prosseguir no caminho do controle da mente. Mas essa mudança precisa vir de uma busca voluntária e tolerante consigo mesmo. Ahimsa por exemplo, a não violência, precisa começar consigo mesmo se privando de hábitos destrutivos, pensamentos negativos e emoções reprimidas. As vezes, colocar muito esforço em uma postura de Yoga pode ser uma forma de violência.  Não é simplesmente uma forma passiva de não violência ao refrear seus impulsos, mas sim uma mudança interna refletida no exterior e na relação com o outro. Assim também acontece com todos os demais Yamas. Como falar a verdade (satya) se não a conhecemos? A “sua” verdade é real ou estabelecida pelas convenções do seu meio social?  Para não criar máscaras e assumir comportamentos hipócritas, antes precisamos praticar o autoconhecimento.  Asteya - não se apropriar do que não te pertence nasce na libertação do desejo naquilo que não é seu. Tem muita proximidade com aparigraha, o não apego. Se não há desejo pelo o que está além do essencial, não há desejo posse do que não te pertence. Bens materiais, status social, memórias, pensamentos, sensações, aversões e finalmente, outros seres vivos, o que te pertence? Revendo os conceitos do que realmente te pertence, se nessa existência tudo é passageiro, estamos todos temporariamente utilizando os objetos materiais, incluindo nosso próprio corpo?   Brahmacharya é reconhecer que a energia sexual é tão preciosa que não deve ser desperdiçada, mas sim direcionada para a criação. E isto pode não ter relação com o ato sexual. Há muitos celibatários que não praticam brahmacharya. Então para mim, os yamas são muito mais do que codigos de etica. São reflexos de uma mudança interna de desprogramação de condicionamentos resultantes de ideologias, tradições e valores impostos pela sociedade dando uma liberdade além dos preconceitos. Reflete a forma com que nos relacionamos conosco para que possamos transbordar para o outro, demonstrando essa consciência e solidariedade.  Yama é o inicio e a base da reforma interna.    Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

navasana, postura do barco
Dicas de Yoga | 22 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Navasana sem preconceitos

Sem preconceitos! Navasana foi uma das posturas sugeridas por mim no texto Criando uma Base para o seu Sirsasana como uma postura preparatória, mas este asana, em si, já constitui um grande desafio para muitos praticantes. Acredito que ao lado de chaturanga dandasana, é a postura mais mal falada e temida. Dá para sentir no ar o preconceito dos alunos no momento em que o professor dita: Navasana... Podemos olhar para Navasana, como temos feito com os outros asanas, pela visão sutil, para compreender quais são esses desafios propostos na execução. Navasana exige uma boa dose de força e equilíbrio, uma sabedoria na balança do esforço e suavidade. Contribui para desenvolver coragem e determinação no praticante. Desenvolve vitalidade e calor trabalhando o manipura chakra, ou plexo solar. O Plexo Solar é o centro da vitalidade, auto afirmação e energia pessoal. Localizado acima do umbigo, próximo às costelas, é o chakra mais influenciado pelas nossas emoções, tanto positivas quanto negativas.   É essa vitalidade, e o equilíbrio das polaridades que vai permitir que seu barco não afunde. Então muito mais do que uma postura de força, Navasana te exige sabedoria na distribuição da sua atenção e esforço para manter um estado mental mais equilibrado independente do desafio a ser encarado. Essa sabedoria começa mesmo na execução da postura. Talvez você esteja forçando demais a subida de suas pernas sem dar a atenção necessária á base, no assoalho pélvico. A postura exige sim uma boa dose de força na musculatura do seu tronco, mas tudo começa no equilíbrio da pelve, onde nosso querido uddiyana bandha (a sucção do baixo ventre) dá aquela grande contribuição. O acionamento deste Bandha ajuda na estabilização do peso do seu corpo na área da pelve enquanto traz as coxas próximas ao abdome. Se você executar o movimento de aproximar as coxas do tronco sem acionar o uddiyana bandha, sua coluna naturalmente se curva e seu corpo tomba para trás. new RDStationForms(\'e-book-as-origens-da-meditacao-e-do-yoga-84b39b698136958eda59-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Navasana Navasana também é uma ótima postura para avaliar a influencia do ego. Os praticantes normalmente se dividem entre aqueles que querem subir os pés esticando as pernas a todo custo e aqueles que nem tentam porque se acham fracos demais. Nos dois casos é o ego quem fala. Só se conquista um navasana estável por muitas respirações compreendendo os seus limites reais e enfrentando os desafios, ficando mais forte. Para entender a variação ideal de Navasana para você, sente-se com joelhos juntos e dobrados, as solas dos pés no chão. Ative o assoalho pélvico. Deixe que a base de sua pelve se arredonde suavemente, acomodando seu peso no espaço entre os ísquios e o cóccix. Acione mula bandha e uddiyana bandha. Se você tiver uma protuberância óssea na área do cóccix, utilize uma base mais arredondada. Em seguida, na inspiração, crie espaço entre as suas vértebra s alongando o tronco. Mantenha as mãos nos joelhos sem segurá-los e vá inclinando seu tronco para trás balanceando o peso de suas pernas na tentativa de tirar seus pés do chão. Solte um pouco as mãos dos joelhos mantendo os braços esticados paralelos ao chão e as palmas uma voltada para outra. Se esta variação ainda é um desafio, mantenha a pontinha dos pés no chão. Para quem se sente confortável, a subida das pernas vai acontecendo gradualmente até que o equilíbrio dentro da postura completa seja conquistado e você possa olhar as pontas dos dedos dos pés.   Os benefícios físicos da postura do Barco são o fortalecimento dos músculos abdominais e os flexores do quadril; a melhora da saúde de todos os órgãos abdominais, especialmente do fígado e dos rins, contribuindo na desintoxicação do corpo e estrutura o tronco, melhorando dores na coluna por má postura. Para melhorar o alongamento dos isquiotibiais e aprofundar seu navasana, trabalhe em adho mukha svanasana, o cachorro olhando para baixo, a elevação dos ísquios ao teto. Se você olhar a foto do navasana de cabeça para baixo, verá que as duas posturas possuem um ângulo de flexão de quadril similar. Na mitologia, o barco representa a travessia, a jornada a expedição. Encare navasana como essa grande viagem de autoconhecimento ao seu centro e não como um obstáculo a ser ultrapassado. Boas práticas!

yoga quanto tempo - Padmasana
Dicas de Yoga | 20 nov 2020 | Adri Borges

Progressão e Perfeição

Progressão! Na teoria progressão é o ato de caminhar para frente incorporando conceitos e idéias novas de uma forma gradual. É estar sempre aberto às novas possibilidades e ao elemento novo. A perfeição na teoria seria atingir a excelência na qualidade máxima dentro das reais possibilidades sem ter como referência imagens de Facebook ou Instagram. Na prática a progressão pode ser alcançada através dos sadhanas práticas espirituais diárias de yoga utilizando o conceito de perfeição como um caminho a ser percorrido e não como um objetivo final. Trabalhe com qualidade máxima dentro de suas reais e próprias possibilidades respeitando sempre seu corpo tendo sempre você mesmo como sua própria referência. Muitas vezes o perfeccionismo nos limita e nos impede de progredir e apreciar os momentos, enxergar as oportunidades e principalmente materializar nosso talentos. Precisamos aceitar a nossa vulnerabilidade. Colocar-se na ação, com consciência plena, dando o melhor de si, pode muitas vezes ajudar o perfeccionista a se contentar e aceitar o resultado final independente qual ele seja. Pois o mais importante é o desenrolar da ação. Segundo Bhagavad Gita, “Apenas o trabalho é o teu privilégio, nunca seus frutos. Jamais deixes os frutos da ação, serem tua motivação; e nunca pares de trabalhar. Trabalhe em nome do senhor, deixando de lado os desejos egoístas. Não te deixes afetar pelo sucesso ou pelo fracasso. Essa equanimidade é chamada de Yoga.” Considerar a perfeição fator essencial para o resultado final de nossos atos e projetos gera sentimentos de insegurança e inferioridade. Ficamos vulneráveis à opinião alheia, deixando de viver nossa autenticidade. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Quando saímos do nosso centro de referência nos deixamos influenciar pelo que acontece fora de nossa natureza interior ou seja pelas situações e pessoas que nos cercam. Segundo Deepak Chopra neste estado buscamos incessantemente a aprovação dos outros.   Quando vivemos nossa autenticidade nos realizamos e nos libertamos.   A opinião do outro sobre você nada mais é do que a forma como ele te enxerga. Estamos parcialmente prontos mas nunca perfeitos. Estamos em eterna construção em processo de transformação. Temos parte em nós completamente prontas assim como partes que ainda precisarão passar por uma reforma. Quanto mais você busca sua verdadeira natureza o seu EU mais se aproxima do campo da potencialidade pura.   Segundo a filosofia do Yoga, através do desenvolvimento de nossas potencialidades, nos aproximamos do nosso “EU” verdadeiro, a nossa essência, o Purusha.   Existe algo dentro de nós que nos move em direção ao caminho da Transformação. Ter consciência que é necessário MUDAR é também saber que temos chance de sermos ainda melhores do que somos. Temos potencial, conhecimento e principalmente vontade, MUDAR é a cada instante nos refazer, nos reconstruir e nos reestruturar “A perfeição em um asana é alcançada quando o esforço para realizá-lo se torna sem esforço e o infinito que está dentro alcançado.” Yoga Sutras II. 47   Namastê.    

Filosofia do Yoga | 19 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Niyama – O Segundo Passo

Niyama! Continuando nosso assunto sobre os Yoga sutras de patanjali, e, passando para o segundo passo apresentado por ele, me dei conta de que já tornei tema de meus textos semanais 4 dos 5 Niyamas do Yoga. Os Niyamas possuem grande impacto na mudança de vida do Yogin e ainda sim ficam sempre em segundo plano. Talvez por isso eu tenha, inconscientemente, querido destrinchar essa parte do yoga tão essencial para o cultivo da autodisciplina e força interior. Quando iniciamos na jornada do Yoga, em geral, buscamos apenas um bem estar, físico ou mental e naturalmente nos conectamos com essa filosofia através da parte mais palpável, os asanas, ou posturas psico-físicas.  Com o tempo de prática, algo nos convida a buscar mais profundidade, algo além do relaxamento físico. Nessa busca pela paz interior, nos deparamos logo com os conceitos de Yamas e Niyamas, ou, o código de ética do Yoga. Os Yamas superficialmente aparentam ser regras de convivência em sociedade, e nós, quando acostumados com a criação religiosa, nos sentimos confortáveis com esse tipo de orientação.   Mas e os Niyamas?   O prefixo \'Ni\'  em sânscrito significa \'para dentro\' ou \'dentro\'. Niyama, então, são ações que tomamos internamente para aperfeiçoamento próprio, ou sugestões sobre como podemos nos relacionar com nós mesmos, corpo, mente e espírito.  Ao contrário dos Yamas, que possuem conotação negativa de proibição, abordando o que deve ser evitado pelo Yogin, os Niyamas são ações positivas que contribuem para a qualidade de sua vida, criando um ambiente saudável e permitindo alcançar nosso potencial. Os Niyamas abordam a forma como o Yogin deve tratar a si mesmo. Podemos também considerar os Niyamas como observâncias que assumimos para crescer na prática, pois estabelecem um ambiente interno positivo para o desenvolvimento espiritual.   Os 5 Niyamas são:   Shaucha - a limpeza ou purificação   Samtosha - o contentamento   Tapas - a autodisciplina ou esforço sobre si mesmo   Svadhyaya - o auto estudo, ou estudo das escrituras   Ishvara Pranidhana - devoção ou entrega a Deus   Então, enquanto os Yamas produzem resultados evidentes nas escolhas de vida de um Yogin, os Niyamas são sutis e pessoais. São ações realizadas internamente em uma busca solitária, onde não é possível receber aprovações externas, deixando claro, na minha visão, a correlação com o amor próprio e o relacionamento que criamos com nós mesmos.    Nada além do desejo de progresso pessoal pode nos mover em direção a mudança interna.   As ações incentivadas pelos conceitos dos Niyamas são benéficas no equilíbrio de vida daquele que as aplica, somente. E é necessário um conhecimento de si mesmo para que este movimento aconteça.   Por alguns anos pratiquei sem conhecimento da “ordem” apresentada por patanjali nos sutras e, como grande maioria dos ocidentais, iniciei pelos Asanas, pulando os Yamas e Niyamas.   Foi importante para mim iniciar pela reconexão com meu corpo para então direcionar esse movimento rumo ao desenvolvimento espiritual. É nesse momento de intimidade com o próprio corpo que começamos a nos reconhecer. As lutas internas sobem à superfície e os questionamentos e condicionamentos são acolhidos para que possamos nos desidentificar com eles. Ocorre então uma integração mental e psíquica - solo fértil para os próximos passos.   Entendo hoje que essa ordem não necessariamente deve ser encarada como uma escada com degraus a serem subidos um a um. Os quatro primeiro passos (Yama, Niyama, Asana e Pranayama), aplicados em conjunto como prática, trazem o estado necessário para o alcance dos demais (Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi).   Praticar os Niyamas é uma jornada e um processo. Aplicá-los na vida não deve ser algo imposto ou sofrido para o Yogin. Deve ser algo que surge de dentro para fora, partindo de um nível de integração mente e espírito, independente de qual passo foi dado primeiramente na jornada do Yoga.   Se como eu, seu primeiro passo foi com Asanas, não com Yamas, e até agora você nem mesmo conhecia os niyamas, abrace a oportunidade de aplicá-los não julgando a si mesmo e ao passado.    Se você quer conhecer meus artigos sobre os Niyamas, deixo abaixo os links:   Saucha Santocha Tapas Pranidhana   E prometo completar a lista falando sobre Svadhyaya em breve. Até lá!   Om Namah Shivaya   Clique abaixo e baixe agora o Ebook GRATUITO - Yamas e Niyamas - o estilo de vida yogin  

como fazer as posturas do yoga
Qualidade de Vida | 18 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Por que fazer Yoga?

Por que fazer Yoga? Bom, eu sei porque eu pratico e os meus motivos pessoais sofreram grandes mudanças ao longo do tempo de prática, mas levantar esta questão realmente me fez parar para pensar. A maior parte das pessoas que buscam o Yoga através de mim chegam com a expectativa de ganhar flexibilidade no corpo ou para relaxar a mente. De fato, são duas excelentes consequências da prática e por isso, vamos começar com elas: O Yoga te deixa mais flexível, forte e trabalha seu equilíbrio Muita gente acha que não deve praticar por não ser flexível, quando na verdade, a flexibilidade é a grande consequência positiva para o seu corpo no trabalho com asanas. Todas as posturas possuem variações que cabem em qualquer nível de flexibilidade. Yoga é para todos. Trabalhar a flexibilidade de quadris e coluna melhora a mobilidade geral do corpo. O fortalecimento da musculatura do core ajuda a melhorar a postura e é capaz até de te fazer crescer alguns milímetros. Todas as questões físicas são trabalhadas também no emocional durante a prática, e o equilíbrio não fica para trás. Quando você se torna mais flexível e forte através do yoga, não estamos falando unicamente do corpo, mas também da mente. É sempre um trabalho em conjunto que te fortalece de dentro para fora. Com o equilíbrio acontece o mesmo. Equilíbrio é foco. É lógico que existem musculaturas a serem trabalhadas (e serão durante a prática) que contribuem para a estabilização do corpo e ajudam a trabalhar desafios de equilíbrio, mas sem uma mente concentrada, de nada serve tanta estabilidade física. Por isso, vamos para o segundo motivo para você praticar. O Yoga te traz para o momento presente Vida acelerada gera pensamento acelerado. Nossa mente está sempre a frente do nosso corpo, desejando, planejando, especulando. Por alguns momentos ela retorna ao passado, em geral trazendo algum arrependimento ou questionamento. Dessa forma seguimos o nosso dia a dia com a “mente fora do corpo” trazendo sofrimento para momentos perfeitamente equilibrados. Quero que você pare por um instante e pense: neste exato momento eu tenho um problema? E não estou dizendo dá conta que vence hoje ou da reunião agendada para a tarde… Digo agora, neste exato momento. Provavelmente a resposta é não! Criar expectativas gera ansiedade, quando nada disso é real. O Yoga traz sua mente de volta para o corpo e o corpo está sempre no presente. Estar unido com o corpo é o objetivo da prática física. Se você fizer um esforço para se lembrar de um momento quando foi realmente feliz, vai entender o que é estar no próprio corpo. São os momentos que te trazem para o presente que fazem você perceber que possui tudo aquilo que precisa. O Yoga te desacelera Por mais agitada que seja a sua prática, ainda sim ela funciona em um ritmo mais leve que a vida cotidiana. Ela provavelmente funciona no ritmo da sua respiração, que também toma um ritmo modificado nesse momento. Te faz conectar com um ritmo só seu, que é perdido durante o dia com todas as exigências externas. Você volta para si e não para fora. Você aprende o seu tempo de funcionamento e o respeita durante esses minutos de prática. Além disso, ao final de toda prática física é realizado um relaxamento. O estado mental proporcionado por alguns minutos pós pratica onde você se concentra em soltar mente e corpo, pode te ajudar a dormir melhor à noite contribuindo também no alívio da insônia. A respiração correta libera a tensão e o estresse do seu corpo, por isso o próximo benefício é: Você melhora a qualidade da sua respiração Exercícios respiratórios são parte importante da prática de Yoga. Exercitar a respiração traz consciência para o ato de respirar. Aprender a respirar pelo nariz é um benefício pouco comentado da prática de Yoga. Você não tem ideia de quantas pessoas respiram pela boca sem perceber. A respiração oral altera a forma como a língua funciona e a anatomia do rosto, o que pode afetar a fala, deglutição e mastigação de formas problemáticas. Também aumenta o risco de infecções já que o ar não está sendo filtrado pelo nariz. A respiração leva oxigênio ao sangue, controla a nossa energia vital (prana) e, proporciona domínio emocional. Nós sabemos que nossa respiração pode oscilar de acordo com o nosso estado emocional, e o contrário também é verdadeiro, alterando nossa respiração, podemos afetar nosso estado emocional. Através de alterações no ritmo respiratório com exercícios como Kapalabhati podemos também trazer vitalidade para mente e corpo. Podemos acelerar ou desacelerar atraves da respiração consciente. Você já observou sua respiração em um momento de estresse intenso, medo, pânico? Respiração curta e acelerada = descontrole emocional, logo, uma respiração consciente, profunda e nasal traz o equilíbrio. Por isso, o último e mais importante benefício da prática de Yoga: O Yoga trabalha o domínio de suas emoções Já mencionamos acima que nossas emoções e respiração estão conectadas. Trazendo a consciência para a respiração, você consegue clareza para enxergar seu estado emocional. Por exemplo, talvez usar a consciência na respiração te impeça de dizer algo que o faria se arrepender. Aquela velha historia de realizar 10 respirações conscientes antes de tomar uma atitude. Você já ouviu isso? Se nunca testou, faça da próxima vez que começar a sentir o sangue subindo a cabeça, especialmente se você é uma pessoa impulsiva. Aguarde essa clareza chegar antes de reagir e observe as diferenças na sua relação com os outros. Somos todos pessoas feridas que não aprendemos a lidar com as emoções. Muitas destas emoções ficam guardadas em nossa mente e corpo. Nosso corpo é um reservatório dessas emoções. O encontro da mente com o corpo torna o espaço silencioso no tapete de yoga um lugar seguro para encontra-las e cura-las. Sem o barulho mental usual podemos nos ouvir de verdade, chegar no íntimo, na intuição, no eu. Quando algo dá errado é natural fugir e querer deixar o desconforto da experiência. É assim que nossas emoções são afogadas no nosso interior ao longo da vida, para que não seja preciso enfrentá-las. Mas isso apenas adia e aumenta as questões relacionadas aquela emoção que está guardadinha, fazendo com que a cura, em algum momento, seja necessária. É provável também que com o tempo de prática você comece a reconhecer algumas emoções dentro de si que até hoje eram desconhecidas. E pode ser que nesse momento você queira fugir da prática. Talvez você comece a chorar copiosamente em uma postura. Mas preciso te explicar que é totalmente normal, não controle ou fuja do que surgir no tapete, permita que a cura aconteça. Agora podemos compreender que o que foi dito sobre o equilíbrio no primeiro item do nosso texto, possui um sentido muito maior nos benefícios da prática de Yoga. O equilíbrio físico, como consequência de um equilíbrio mental e emocional, é proporcionado pelo trabalho interno totalmente conectado ao seu corpo material. Porque é através do nosso corpo que vivenciamos as experiências, e como consequência as emoções. E é através dele que nos relacionamos com o outro, gerando um ciclo de novas emoções, que podem ser desenvolvidas com essa nova consciência trabalhada no seu tapetinho. Então, se você deseja ser uma pessoa flexível, forte e equilibrada, pratique Yoga! “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. - Mahatma Gandhi Namaste

Respiração Ujjayi
Dicas de Yoga | 16 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Yoga é para Ansiedade?

Yoga é para Ansiedade? Você certamente já ouviu anunciar uma aula de Yoga para ansiedade ou foi, ou conhece alguém que foi, direcionado para o Yoga como tratamento coadjuvante para ansiedade, não é mesmo?   Quantas pessoas chegam a sala para a primeira prática de Yoga e dizem: eu vim porque preciso relaxar.   E por que será que não simplesmente deitam em seus sofás ao invés de suar copiosamente durante uma ou uma hora e meia? Não seria mais relaxante não fazer nada?   A grande questão é que estas pessoas não estão cansadas somente fisicamente, estão cansadas de suas próprias mentes, ou, da falta de controle sobre elas. A mente comanda a nossa vida ao invés de ser comandada por nós quando estamos inconscientes, e isso é exaustivo.   Ansiedade, medo e preocupação são essenciais para a sobrevivência e evolução da nossa espécie. Não conseguir dormir direito na noite anterior a prova, olhar o celular toda hora aguardando uma resposta importante ou sentir o coração pulsar mais rápido antes de falar em público são aquelas ansiedades pontuais e comuns a quase todos durante a vida.   O grande problema é que acabamos nos identificando com essas emoções passageiras e transformando-as em sofrimento. É como se essa identificação fosse o alimento para os pensamentos que se multiplicam e perdem o controle. A mente cria uma realidade paralela ao agora enquanto vislumbra um futuro e nós nos permitimos nos envolver completamente com este devaneio, podendo chegar a expressar fisicamente esse descontrole através de batimentos cardíacos acelerados, visão turva, falta de ar, tontura, sudorese excessiva, formigamentos e etc.   Se você nunca teve uma crise de pânico, se considere sortudo pois, segundo a OMS (organização mundial da saúde), 33% da população mundial sofre de ansiedade e 4% é diagnosticada com sindrome do panico, fazendo com que as doenças mentais sejam consideradas o mal do século.   Se são o mal do século, como podem ser tratadas com aplicação de uma filosofia milenar? Como pode existir esse “Yoga para ansiedade”?   O Yoga exercita a presença através do controle dos vrittis “Yogash chitta vritti nirodhah” - Yoga é o controle das flutuações da mente.   Nos Sutras de Patanjali, são descritos 5 tipos de Vrittis: pramana, os meios de conhecimento válido; viparyaya, o erro; vikalpa, a fantasia; nidra, o sono e smrtayah, a memória.   “Vrttayah pancatayyah klistaklistah” - “estas modificações da mente são de cinco tipos; são causadoras de sofrimento e não causadoras de sofrimento” Gloria Arieira, O Yoga que Conduz à Plenitude.   Vamos nos concentrar no terceiro tipo de Vritti, a fantasia ou Vikalpa. Essa fantasia é algo criado na nossa mente sem a presença de um objeto. É como quando alguém te fala de outra pessoa e quando você finalmente a conhece ela não tem nenhuma relação com a imagem mental que você havia feito dela. A imagem mental não é real é Vikalpa.   Assim funciona a nossa mente com ansiedade, criando diversas imagens mentais, fantasias. A mente está hiperativa, turbulenta, descontrolada. Não é possível enxergar a realidade com discernimento. Identificados com nossos pensamentos, crenças, medos, condicionamentos e sentimentos acreditamos em uma realidade fantasiosa e sofremos. E se… eu ficar sozinho, perder o emprego, ficar doente? E se…   O objetivo da prática de Yoga é cortar esse “e se” trazendo a conexão mente-corpo de volta. Sendo a ansiedade o excesso de futuro, trazer a mente para o agora se torna remédio. Mesmo que sua mente viaje entre lembranças e expectativas, o seu corpo está no agora. Não há outro tempo onde seu corpo possa estar.   Nos sutras de Patanjali são apresentados caminhos para o controle destes movimentos mentais e no I:12 é dito que “ o controle daqueles movimentos da mente se dá pela repetição e pelo desapego”. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   A prática de asanas exige que você esteja conectado ao presente, ao corpo, sem esperar nada da próxima postura ou até mesmo da próxima respiração (desapego). Se você luta contra seu corpo, você se machuca e tudo se torna mais difícil. As lesões acontecem quando você realiza asanas sem Yoga, porque a mente não está conectada ao corpo, está no futuro, buscando desempenho.   “Você observa o que é sem preferência pelo que surge. Se o pânico estiver presente, você observa que o pânico está presente. Se a felicidade está presente, Você observa que a felicidade está presente. Mas você não luta contra o negativo e não se apega ao positivo. Você simplesmente permanece na experiência conforme ela se desdobra. Você aprende a estar totalmente presente.” - Kino MacGregor   Além de tudo, a prática de ásanas ajuda a alongar e liberar a tensão muscular provocada pela ansiedade e junto com a meditação são ferramentas aplicadas ao nível físico que exercitam a atenção no momento presente, quebrando a elaboração das fantasias mentais.   Os exercícios respiratórios são outra ferramenta de controle mental que trabalha também o prana. Reduzindo a velocidade da respiração e a tornando consciente, reduzimos a velocidade da atividade mental e dos pensamentos descontrolados, permitindo que a calma nos abrace.   A disciplina do Yoga (repetição) te torna forte para comandar sua mente e controlar os desvios da realidade. Com a experiência da presença, é desenvolvida uma percepção antecipada de que estamos em estado de inconsciência.   Eu tive minha primeira crise de ansiedade há alguns meses. Coração acelerado, falta de ar, tontura. Me disseram que eu estava pálida e parecia que eu ia parar de respirar. Há alguns anos atrás, poderia ter entrado em desespero, mas eu respirei, e só soube que tudo não aquilo passava de uma identificação minha com os vrittis por causa do Yoga. Se eu reconheço a minha mente como um animal selvagem a ser domado, posso escolher doma-lo. Mesmo que às vezes esse instinto selvagem possa dar o ar da graça. Sim, não nos tornamos invencíveis quando praticamos, apenas ganhamos conhecimento para o controle destas turbulências naturais da mente.     Já existem diversos estudos comprovando que o Yoga é eficaz no alívio da ansiedade. Mas não existe esse tal Yoga para ansiedade. Yoga é presença e “qualquer Yoga” que você faça, vai te dar as ferramentas para trabalhar os pontos deficientes dos seus processos mentais que desencadeiam a ansiedade.   O Yoga nos ensina quem realmente somos. Não somos emoções, pensamentos e lembranças, portanto, podemos dominá-los.   Apenas respire.  

Filosofia do Yoga | 11 nov 2020 | Adri Borges

Você sabe o que é DHARANA?

Você sabe o que é DHARANA? DHARANA em Sânscrito significa CONCENTRAR. A CONCENTRAÇÃO é um dos pré-requisitos para a MEDITAÇÃO. Ela é uma das partes do Yoga, citadas por Patanjali, em o Yoga Sutras. DHARANA concentração, DHYANA a meditação e SAMADHI a absorção, são conjuntamente chamados de Samyama. Os 3 constituem o processo natural de meditação. A CONCENTRAÇÃO é o ato de fixar a mente em algum lugar. Segundo Gloria Arieira, não se trata somente de fixá-la em um ponto, mas de estabilizá- la em algum assunto como exercício. A mente pode focar um ponto, como o ponto entre as sobrancelhas, o coração, ou o topo da cabeça. Através deste exercício de firmar a mente, ela pode aprender a se libertar da agitação. O exercício de concentração, disciplina a mente, possibilitando a meditação como diz Sri Krsna no verso 6.26 da Bhagavadgita: “Seja qual for a razão pela qual a mente inconstante e sempre em movimento se disperse, que a pessoa afastando a mente dessa razão, traga-a de volta sob seu controle.” CONCENTRAR é um estado da mente e significa que a mente está focada em um único ponto. Em geral nossa mente está sempre se movendo e quando ela se move é desafiador pensar apenas em um assunto. Concentrar é ser capaz de esquecer o mundo à volta e colocar toda a sua consciência em uma única coisa. Segundo Osho a CONCENTRAÇÃO é a restrição da sua consciência. Quanto mais restrita ela se torna mais poderosa ela será. Para se concentrar é necessário esforço. A concentração não é natural para a mente. É natural da mente se dispersar. Segundo Iyengar, em Luz sobre o Yoga, DHARANA é quando o indivíduo está totalmente concentrado e um único ponto ou tarefa que o absorve completamente. Ele completa dizendo que é preciso pacificar a mente para atingir esse estado de completa absorção. A mente é um instrumento que classifica, julga e coordena as impressões do mundo exterior assim como as que surgem dentro do indivíduo. Uma das mais poderosas técnicas utilizadas nas práticas de Yoga para ajudar a mente a se concentrar é a RESPIRAÇÃO CONSCIENTE – PRANAYAMA. Leve toda a sua atenção para a sua respiração. Apenas observe a entrada e saída de ar através de suas narinas. Coloque uma mesma contagem mental para sua inspiração e sua expiração. Leve toda a sua atenção para a sua contagem mental. Quando levamos nossa atenção para nossa respiração, há um cessar das oscilações da mente nos permitindo assim estar em nosso momento presente. Outra técnica utilizada para a CONCENTRAÇÃO é a repetição de mantras que pode ser tanto mental ou por meio da vocalização. O OM é o som sagrado e primordial que nos conecta ao divino. A vocalização através de repetições ajuda no cessar das oscilações da mente mantendo-a concentrada induzindo assim a um estado meditativo. Sua vibração sonora produz efeitos também no corpo físico e energético Nas escrituras sagradas da Índia, a recomendação é vocalizar OM 11 X diariamente. Esta prática traz vitalidade,poder e proteção. Sente-se com suas pernas cruzadas, coluna ereta, queixo paralelo ao solo e mentalmente repita o mantra OM. Experimente também, sentar-se com a pernas cruzadas, mantendo seu olhar fixo à chama de uma vela. Esta exercício de limpeza do globo ocular (kriya) denominado TRATAKA , também é uma ótima maneira para você praticar a CONCENTRAÇÃO. Coloque uma vela à sua frente e mantenha seu olhar fixo à chama da vela por alguns minutos. É importante você colocar a vela em um posicionamento onde seu queixo permaneça paralelo ao solo e sua coluna alinhada. Feche seus olhos e continue mesmo que mentalmente visualizando a chama da vela entre suas sobrancelhas.   Clique aqui e assista agora uma Aula Restaurativa. Boa Prática.

Filosofia do Yoga | 10 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Yoga é para Todos – 3 Mitos sobre Yoga para Quebrar seu Preconceito

Yoga é para Todos - 3 Mitos sobre Yoga para Quebrar seu Preconceito Quase todo mundo já ouviu falar de yoga, mas ainda hoje, existem equívocos na compreensão do que é essa prática milenar.   Quem é o praticante de Yoga? Ou, quais os requisitos para a prática de yoga?   “Sou muito duro”, “não consigo ficar parado”, “mas eu já faço crossfit/ natação/ corrida”… são algumas das justificativas dadas para não se praticar yoga.   Existe uma frase famosa de  SRI K Pattabhi Jois que diz que Yoga é para todos, menos para os preguiçosos.   Mas, talvez, nossa “ocidentalização” do yoga, que mostra a prática como uma performance acrobática realizada por mulheres magras e longilíneas seja o culpado pela má compreensão do que vem a ser um estudante de Yoga.   Sim, digo estudante de Yoga para introduzir o primeiro mito em questão:   1.Yoga é atividade física Eu mesma já escrevi aqui no blog sobre a questão de yoga ser confundido com atividade física por conter componentes relacionados ao movimento do corpo em parte de suas técnicas. Sim, existe a parte física, que pode ser, dependendo da sua pratica, bem exigente. Mas as posturas, ou asanas, são apenas um dos componentes da tradição.   Yoga é uma filosofia que trata da relação com a mente. Sim, mente. O objetivo do Yoga é sempre um trabalho interior, mesmo quando acessado pelo corpo. Através de técnicas, que incluem a execução de posturas psicofísicas, é traçado um caminho para o controle das flutuações da mente. Estas flutuações são as camadas que adquirimos ao longo da vida e nos impedem de ver o verdadeiro Eu. Yoga é o caminho para conhecer este Eu verdadeiro, inteiro e feliz. Yoga é autoestudo.   Nunca apenas o físico pelo físico. O corpo é o instrumento para acessar camadas mais sutis.   Por isso não há comparação entre Yoga e pilates, como é comum de acontecer, ou qualquer outra atividade de capacitação física. Os objetivos são diferentes, pois yoga é o que acontece por dentro.   2. Yoga é para pessoas flexíveis e magras Não existe corpo certo para a prática de Yoga. Se yoga não é uma atividade física, não há sentido em existirem atributos físicos que tornem a pessoa apta ou não à prática de yoga. Tamanho, sexo ou idade não definem um praticante de Yoga.   A prática física é apenas uma parte do Yoga, mas ainda assim, qualquer asana é passível de variações que se encaixem ao seu corpo. A não ser que você esteja com a ideia de praticar yoga para postar a foto no instagram, sua prática será bem sucedida independente da sua estrutura física. Porque yoga não é sobre a postura perfeita, ou sobre se sobressair. Não se guie pelas imagens de asanas aparentemente perfeitos em fotos nas redes sociais. Como disse B.K.S Iyengar: \"A mente é a parte mais difícil de se ajustar no asana.\" e isso não se vê em fotos.   Yoga é para experimentar, descobrir seus limites e criar intimidade com seu próprio corpo. Relaxando a tensão de exercer o desempenho criado e esperado por nós mesmos, nasce espaço para uma flexibilidade que você nunca viu em si.   A flexibilidade, é sim uma boa consequência da prática de asanas, não um pré-requisito. Ao contrário, uma pessoa que inicia a prática de asanas com muita flexibilidade no corpo tem dificuldade de encontrar o desafio necessário a ser enfrentado para que aconteça o crescimento. Se tudo é muito fácil para ela, também é fácil permitir que a mente se distraia.   A liberação das articulações e alongamento dos músculos é uma conquista trabalhada nos níveis físico, emocional e espiritual. A flexibilidade adquirida no yoga é resultado da prática de tapas (autodisciplina) e ahimsa (não violência) dentro do tapete.   Eu já ouvi, inclusive, que a inflexibilidade é uma benção.   3. Yoga é muito parado Bom, dizer que yoga é parado chega a ser engraçado para quem já praticou métodos dinâmicos de sequências de asanas. Mas a questão principal é que se você se considera muito agitado para ficar parado, isso significa que você precisa aprender a ficar parado mais do que quem tem facilidade para isto.   Yoga é sobre equilíbrio e existem diversas técnicas capazes de desacelerar a mente mais agitada. Um dos benefícios da prática é proporcionar relaxamento.   Da mesma forma, a pessoa muito apática colhe os mesmos benefícios, pois equilibrando corpo, mente e emoções, evitamos a oscilação destes extremos, preservando nossa energia.   Além de tudo, estar parado não significa estar sem fazer nada. Mas se você tem muita dificuldade com permanências, busque uma prática dinâmica que te leve da agitação ao relaxamento através do movimento. Existem diversos métodos de aprendizado de Yoga e um deles é compatível com seu momento, experimente.   E, acima de tudo, divirta-se com o processo.   Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

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