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Podcast de Yoga | 30 dez 2020 | Daniel De Nardi

Pedido de Silêncio – Podcast #34

Pedido de Silêncio - Podcast #34 da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Em agosto de 1952, o pianista David Tudor se aproximou do piano do Maverick Concert Hall em Woodstock, New York. Com um cronometro na mão, Tudor o acionou para tocar a obra \"peça de silêncio\" de Jonh Cage. Por 4min e 33 segundos, nenhum som foi produzido, a platéia em choque manteve o silêncio com certa indignação. Com esse gesto radical, Cage quebrou toda a estrutura convencional da música chamando a atenção para a audição interna, a auto-observação e o auto-estudo. Abriu-se também inúmeras possibilidades para a criação da música. A partitura desse concerto, deixa claro que são 4\'33\" de silêncio para qualquer instrumento ou combinação deles.     https://soundcloud.com/yogin-cast/pedido-de-silencio-podcast-34   Links   Podcast do Mapa do Universo Fronteiras da Ciência     Mapa do universo https://t.co/CEi8EMTMv8 — Daniel De Nardi (@danieldenardi) September 18, 2017     Transcrição de Pedido de Silêncio – Podcast #34 Em agosto de 1952, o pianista David Tudor se aproximou do piano do Maverick Concert Hall, de Woodstock, em Nova Iorque. Com o cronômetro na mão, Tudor o acionou para tocar a obra Peça Silenciosa de John Cage. Por quatro minutos e trinta e três segundos nenhum som foi produzido. A plateia, em choque, manteve o silêncio com certa indignação. Com esse gesto radical, Cage quebrou toda a estrutura convencional da música, chamando a atenção para a audição interna, a auto-observação e o auto estudo, abriu-se também inúmeras possibilidades para novas criações musicais. Na imagem, que demonstra a partitura desse concerto, fica bem claro: quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio para qualquer instrumento ou combinação deles. (Silêncio) Com esse silêncio inicial, começamos o 34º de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Este texto eu escrevi há algum tempo, eu já conhecia a história desta música. Estava no MoMA, em Nova Iorque e ‘me deparei com a partitura dessa música, e agora ela é a capa deste podcast. E é muito interessante a ideia de você criar algo do nada, de você buscar aquilo que e8stá presente o tempo todo, mas que muitas vezes não é percebido. E então, esse final de semana eu fiz um curso com que é um professor de Hatha yoga, da linhagem de Natha Sampradaya uma das coisas que me chamou atenção do que ele ensinou foi a busca do silêncio, esse silêncio interno que seria a conexão. Porque, se você tirar tudo, por trás, há o silêncio. O silêncio é a única coisa que é constante, percebê-lo fará com que notemos a nós mesmos. Este conceito foi passado de algumas formas, com algumas explicações, mas a ideia central era essa busca interna pelo silêncio que é quebrado com todo o tipo de distração que geramos, sejam físicas ou mentais e sutis, mas por trás, a consciência, presença, lembrança, o silêncio, e aí me veio a lembrança deste episódio do MoMA e eu fiquei refletindo bastante sobre essa questão do silencio, inclusive pratiquei dentro das minhas meditações. Na segunda-feira, mais uma vez veio uma entrevista naquele podcast que eu gosto que é o Fronteira da Ciência, que eu trouxe recentemente, nuns dois episódios atrás o que falava sobre meditação, uma pesquisa que foi declarada lá, esse episódio falava sobre o novo mapa que existe do universo, como que hoje os cientistas definem o que é efetivamente o que existe para além do nosso planeta e por todo o universo, então como eles fazem essas mensurações e vão determinando “isso é dessa forma, aqui tem isso”, “o universo está em expansão, em retração”, o universo como um todo é composto de maior parte de uma massa negativa, algo que ainda não se sabe p que é, um buraco negro, algo que suga, pode ser simplesmente a gravidade atuando sobre esses pequenos pontos que existem. Então, numa visão macro do universo uma galáxia, por maior que seja, é micro, porque ela não representa um por cento, o universo todo é muito mais essa massa escura, negra e negativa que é o silêncio. Se você observar o silencio é uma presença, mas a gente quebra o silencio com distrações. Esses pequenos pontos de planetas e estrelas são pequenos pontos dentro do universo de massa negativa que há no cosmo. O silencio é o tempo todo presente, ele é quebrado pelo físico, pela distração, pelo movimento. E a busca pelo silêncio passaria necessariamente por uma redução disso tudo, para você perceber esse silencio que está por trás. E aí entra a prática do yoga, fazendo esta preparação para essa audição. Hoje não vou quebrar excessivamente esse silêncio e vou deixar a música do John Cage para que você possa ter um tempinho para meditar.      

Podcast de Yoga | 29 dez 2020 | Daniel De Nardi

O que é Arte? – Podcast #35

O que é Arte? - Podcast #35   Arte é tudo? Então também não é nada? Como esse podcast vem esclarecendo alguns conceitos, dei a minha opinião do que seria verdadeiramente Arte.     https://soundcloud.com/yogin-cast/o-que-e-a-arte-podcast-35 https://yoginapp.com/baixe-o-aplicativo-yogin-app-e-experimente-14-dias-free/ Links   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   TRANSCRIÇÃO O que Arte? – Podcast # 35   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 35º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. A música que você está ouvindo é de Mozart. Mesmo aqueles que entendem um pouco de música clássica, dificilmente saberiam que eu não falei uma verdade porque, como vocês podem ouvir a música ela é uma música muito próxima à forma como Mozart compunha as suas sinfonias. Só que esta é uma sinfonia de Haydn, a Sinfonia nº94. O interessante disto é que quando pensamos em Mozart, ou o que nos passa a cabeça quando ouvimos Mozart é de um gênio que surgiu e ultrapassou todos os limites com a sua genialidade. Só que entendendo um pouco mais como a genialidade é construída, ela depende muito do ambiente em que ela acontece. Porque uma pessoa com o mesmo talento de Mozart, vivendo na mesma época que ele só que vivendo no Paraguai, simplesmente não desenvolveria esta genialidade. Ele, especificamente, estava na Áustria, estava no centro da música na época. Mozart é um gênio, ele é absolutamente brilhante, mas reproduz algo que já vinha acontecendo na época. Então você vê, Haydn fez centenas de sinfonias, foi um dos compositores que mais compôs sinfonias. Esta é a 94ª sinfonia dele, ele era mais velho que Mozart e em sua época ele era até mais famoso que o Mozart. Então, o que a gente pode entender disso? Que o próprio Haydn também não criou a obra dele do nada, ele copiou os anteriores como, por exemplo, Johann Sebastian Bach. Tanto Mozart quanto Haydn pesquisaram e se especializaram muito Bach e em seus antecessores até externar algo genuíno deles, mas antes disso houve a cópia. A evolução depende de uma boa tradição, depende de se ter algo que já é consistente, reproduzir até a excelência pra aí sim levar o que é seu, levar a sua unicidade, levar o que hoje tanto se busca, a singularidade, algo que é único dentro de você. Isso foi expressado bastante em todo o tipo de arte até o século XX e depois a arte começou a se manifestar muito na questão da simples expressão da vontade. Então aqui, o meu conceito de arte pode diferir do seu conceito, ou pode diferir do que um especialista pode dizer, mas pra mim a arte tem que expressar aquilo que existe de melhor e de mais belo no ser humano. Tem que ser uma expressão da técnica, a princípio. Assim como um atleta, ele precisa desenvolver a técnica até a excelência, pra daí começar a bater recorde, pra daí começar a se diferenciar, pra mim a arte tem que se expressar da mesma forma, algo rico que existe no ser humano. E que ele, através da persistência, a partir do desenvolvimento de virtudes, ele começa a externalizar algo bom e não simplesmente a demonstração da vontade. A pura e simples expressão da vontade como manifestação de arte é algo pueril, infantil, porque expressar a vontade qualquer um faz, isso qualquer um pode fazer a qualquer momento. Então você considerar tudo como arte, passa ao mesmo tempo a considerar nada como arte. Pra mim, a minha visão de arte é algo que eu valorizo, algo que vem de uma tradição, e que se desenvolve a partir daquilo e que leva algo que toca outras pessoas, e que não seja simplesmente uma expressão daquilo que você deseja fazer e que aí pode até tocar a você e a meia dúzia, você pode até definir aquilo como arte hoje se você pegar o conceito de arte mais aceitos, se tudo pode nada tem valor, você não está expressando significativamente algo. Então simplesmente expressar a sua vontade e querer considerar aquilo arte e querer que outras pessoas aceitem aquilo como arte, no meu ponto de vista não casa com o verdadeiro proposito da arte que é trazer as virtudes humanas, trazer o que temos de belo. Todo mundo sabe os grandes problemas, o que temos de ruim dentro de nós. A arte tem que vir para trazer algo que vale a pena ser visto e compartilhado, que vale a pena buscar também, como uma expressão de liberdade do indivíduo, ele conseguiu tão bem a técnica que se sentiu livre para criar em cima da técnica existente, e não simplesmente pegou um instrumento ou quebrou um instrumento e considerou aquilo como arte. Então, você pode considerar arte deixar uma câmera parada e ficar fazendo palhaçada ou você pode ter o trabalho como no filme, que eu já falei em outros podcasts, A Batalha de Dunkirk, aí você vê o quanto teve de envolvimento técnico, a técnica não pode ser desconsiderada e ela é desenvolvida, primeiramente, a partir de cópia, de olhar e copiar até se desenvolver um estilo. E, então, se estiver expressando algo que seja comum entre as pessoas, que você consiga tocá-las de alguma forma, que elas consigam de alguma forma manifestar ou sentir aquela sua mensagem através da sua arte, pra mim, ali você expressou a sua arte, não simplesmente sentir vontade de fazer algo e fazer. Sem a técnica não tem como desenvolver o que eu acredito que seja verdadeiramente a arte. Então eu vou deixar continuidade da 94ª Sinfonia de Haydn pra você poder contemplar o que é arte de verdade.       https://yoginapp.com/baixe-o-aplicativo-yogin-app-e-experimente-30-dias-free/   https://yoginapp.com/curso-yoga/  

Podcast de Yoga | 25 dez 2020 | Daniel De Nardi

Sem Proselitismo – Podcast #39

Sem Proselitismo - Podcast #39 A coisa mais chata do mundo talvez seja alguém te obrigando a acreditar em alguma coisa que para você não faz sentido. Isso se chama proselitismo. https://soundcloud.com/yogin-cast/abertura-carlos-gomes-podcast-39   LINKS     Carlos Gomes     https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Transcrição Sem Proselitismo – Podcast #39 Em Brasília, 19 horas. Não, esta não é a abertura da Hora do Brasil, mas a música é a mesma, a abertura da ópera “Guarani” de Carlos Gomes. Esta semana está bastante corrida porque teremos o evento Yoga Lifestyle amanhã, estou gravando este podcast na sexta. Vai ser um evento que irá movimentar muita gente do Yoga, vários professores, e vai ter uma abertura gratuita mesmo para quem não se inscreveu amanhã pode estar lá, será às 10 da manhã no espaço JK. Quem quiser pode participar, é gratuito, esta abertura vai ser com a professora Regina Shakti, e todos estão convidados e além disso terão todos os estandes que serão abertos para o público para quem quiser conhecer as lojas com todos os artigos de yoga (como japamala, mats...). Passei esta semana montando a minha apresentação para o curso que vai falar sobre a busca que o yoga vem fazendo desde a antiguidade até os dias atuais. Falei sobre isso em outros episódios, mas efetivamente a busca continua sendo a mesma, a busca sempre foi, para os indianos, por cessar o sofrimento, por maior ou menor que ele seja a busca sempre foi reduzir se possível ou exterminar totalmente com o sofrimento humano chegando a libertação. Esse era o objetivo de todas as ciências, todas as gnoses, todas as filosofias indianas sempre tiveram esse intuito. E dentro desse intuito, eles foram chegando cada vez mais a conclusões de que esta libertação só pode acontecer a partir do indivíduo, ela não vai acontecer num grupo, numa massa, numa grande quantidade de pessoas. O hinduísmo como um todo, assim como o budismo, não tem um proselitismo, não tem a necessidade de convencer outras pessoas porque a salvação só depende de si mesmo, isso é interessante porque foram duas religiões ou formas de ver o mundo e de pensar que conviveram harmoniosamente durante muitos anos. Isso foi quebrado com a invasão muçulmana, expulsando os budistas da Índia, porque eles tinham o princípio da não agressão, o que facilitou a expulsão. Eles se esconderam nas regiões do Tibet e do Nepal e, depois, se espalharam para o resto da Ásia. Enquanto o budismo e o hinduísmo conviveram eles tiveram momentos de harmonia e muitas trocas como, por exemplo, há muitos sinônimos de conceitos como (inint. 03:37) que é um conhecimento profundo que nos dois casos tem mesmo conceito e o mesmo nome, vários termos em sânscritos são igualmente aplicados tanto para a ideia do budismo como para a ideia do Samkhya, mas o principal é justamente isso, esta necessidade de impor as ideias, de ter um debate vencedor, de fazer a sua ideia seja a ideia de todos é o que causa grande parte das guerras, porque onde não há essa necessidade de expansão da ideologia os ambientes conseguem viver em harmonia. Quando há uma imposição de ideias melhores que, aparentemente, valem para todos, como se a salvação do mundo dependesse de que determinada ideia chegasse a todos, isso faz com que os conflitos aconteçam, porque ninguém é obrigado a aceitar a ideia de ninguém, as ideias podem ser transmitidas, mas jamais com proselitismo, com a necessidade de convencimento. Se espalha a ideia e o que você pensa e as pessoas absorvem o que acha importante, consequentemente a melhores ideia vão vencer por elas mesmas, não pela força como aconteceu em muitas guerras ou em debates com proporções desnecessárias, como a gente vê pela internet. Então, o que eu queria deixar como mensagem primeiro é a música do maior maestro brasileiro, Carlos Gomes, que foi o único brasileiro a tocar no Teatro Scala, em Milão. Ele viveu no século XIX, entre 1836 e 1896, compôs muitas músicas, mas a que ficou famosa foi a Guarani. Busque o seu desenvolvimento, busque a sua libertação e não fique num projeto de tentar convencer as pessoas de algo que, às vezes, nem você mesmo acredita. Faço o seu que você estará fazendo o melhor. Espero vê-los, quem for o meu ouvinte do podcast e tiver no evento me procura lá, você irá me conhecer pelas fotos e eu vou ficar uma boa parte do tempo no estande do YogIN App, então eu gostaria de conversar, conhecer e saber a opinião de quem está ouvindo o podcast e nós nos falamos e nos conheceremos pessoalmente. Também, se quiser deixar algum comentário no post ou no Facebook, onde estiver publicado isso, a gente pode conversar, falando o que você está achando sobre o podcast, quantas vezes você ouve ou já ouviu. E, também, raramente eu peço isso, mas é importante mesmo tanto a avaliação do podcast quanto o compartilhamento, isso dá bastante ibope pra quem está produzindo, ele acaba aparecendo mais para quem está assistindo. Então se você puder avaliar no Soundcloud ou no iTune Store, eu agradeço. Então, até o nosso próximo episódio e com vocês, a música da “Hora do Brasil” que vocês vão ter a oportunidade de ouvir um pouco mais daquele trechinho inicial, a abertura tem quase dez minutos, vale a pena conhecer até mesmo como cultura brasileira, esta música foi tocada pelo mundo afora, até hoje é tocada fora do Brasil, é uma música que tem valor na emoção ao tocar o coração de outro ouvintes ao redor pelo mundo. Até o próximo episódio. Ohm Namah Shivaya!

Por que meditar parece tão difícil?
Filosofia do Yoga | 24 dez 2020 | Cherrine Cardoso

Por que meditar parece tão difícil?

Meditar é difícil? Por que meditar parece tão difícil? Uma das maiores dificuldades que temos quando entendemos que Yoga não é somente uma prática física, está em aceitar que meditar é mais difícil do que ficar de ponta cabeça. Duvida? Vou te lançar um desafio bem simples, e claro, você não terá como me responder, mas a resposta virá automaticamente para você. Feche os olhos. Isso, agora mesmo. Ou pode terminar de ler esse parágrafo para saber os próximos passos. Mas em seguida, faça este breve exercício. Sente-se confortavelmente, deixe os braços relaxados e as mãos apoiadas sobre os joelhos. Agora feche os seus olhos e dê um simples comando para sua mente: pare de pensar! Só isso. Diga a ela desta forma: me dê cinco minutos sem nenhum tipo de interferência ou pensamento, depois você poderá obter todos os estímulos que desejar. Feito? Bom, agora responda a você mesmo: sua mente te obedeceu? Te deixou exatos cinco minutos sem nenhum pensamento? Se a resposta foi sim, consegui ficar este breve instante sem pensar em nada. De duas uma: ou você já é um praticamente de yoga mais assíduo ou antigo; ou está se enganando. Porque assim, do nada, simplesmente sentando e pedindo a mente este silêncio, sem ter passado por nenhum outro tipo de técnica antes, eu duvido muito que tenha dado certo. Não por não confiar em você, longe disso. Mas porque sou praticante e profa. de yoga há 15 anos e ainda hoje tenho grande dificuldade em negociar esse período de silêncio com minha mente. Se eu estiver num lugar mais silencioso ou de repente mais próxima da natureza, há chances de ser mais fácil, mas nem sempre eu venço. Há quem tenha mais pré-disposição? Sempre. Para tudo! Mas para meditar o segredo principal é treinar a mente como se você estivesse treinando o seu corpo. Quem pratica yoga, seja o tipo de vertente que for, sabe que o corpo reclama. Colocando-o em permanências longas ou apenas fazendo continuamente o súrya namáskara ele tende a reclamar. E você só vence suas reclamações com insistência, com disciplina e continuidade. Um dia dói mais que outros. Às vezes o que está te incomodando mais hoje já não incomode amanhã. E desta forma você vence suas próprias limitações e resistências. Com a mente é exatamente igual. Não à toa a maioria das modalidades de yoga conduzem o praticante a um processo de aquietamento, de identificação com o ásana sentado (aquele mesmo, com as pernas cruzadas), para depois levá-lo a estímulos diversos com pránáyámas, mantras, kríyás, ásanas de maior intensidade e solicitação, a fim de que o corpo pouco a pouco vá entrando numa sintonia, num uníssono tão perfeito, que ao final, voltando pra mesma posição sentado, haja menos desconforto e a possibilidade deste comando para a mente parar por cinco minutos (ou mais, obviamente) seja correspondido muito mais facilmente. E como eu sei se estou meditando? Este é um outro grande exercício de percepção. Já entendemos que meditar significa parar a mente dos pensamentos e de todas as informações incessantes que recebemos. Já entendemos que a prática combinada de técnicas nos levam a este objetivo e ajudam com maestria a este fim. No entanto, como saber se deu certo? Uma forma de ter certeza é sua percepção quanto ao tempo. Se você se propor a fazer um exercício de meditação pelos cinco minutos, já que falamos deste tempo, podendo ser acompanhando um som (mantra) ou focando sua atenção em algum símbolo (yantra) e a sua sensação de tempo pareceu maior. Por exemplo, os cinco minutos pareceram trinta, sua consciência se expandiu. Ou seja, as percepções que você teve durante os cinco minutos foram muito maiores e seu tempo foi melhor aproveitado. Você conseguiu acumular em cinco minutos o que as pessoas que não praticam meditação precisariam de trinta. Já se a sua percepção dos cinco minutos foi de que passaram rápido, ou seja, cinco pareceu um minuto, isso significa que sua consciência esteve em processo reduzido. Não aumentou e nem te trouxe nada de diferente, apenas uma boa sensação de quietude. O que claro, também tem o seu valor. Mas, é importante entender que se a sua percepção de tempo não aumentou, você ainda não está meditando, talvez tenha tido apenas um lapso ou uma auto-hipnose. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); E o que você quer dizer com fazer exercícios sobre som ou símbolo? Para que você consiga treinar a sua mente para este processo de aquietamento e silêncio é preciso que você faça uso de artifícios que contribuam com este objetivo. Porque apenas dizer para ela: pare de pensar, você já percebeu que é difícil! Portanto, usar algum objeto para se concentrar favorece o treinamento. Há pessoas que são mais auditivas, outras são mais visuais. Desta maneira, quando você for usar o seu objeto para seu treinamento de concentração perceba com qual tem mais facilidade. Se for com som, faça uso de alguns até definir aquele que te auxilia mais neste caminho. Pode ser o som do ÔM, ou pode ser ou som da água corrente, dos pássaros etc. Se sua facilidade é visual, use objetos reais, ou seja, foque sua atenção numa planta, numa vela, na chama de um incenso; e depois passe a imaginar o símbolo que quiser: um quadrado, um triângulo, o próprio símbolo do ÔM. No entanto, cuidado, é muito comum a mente buscar significados e atributos em ambos os casos. Por exemplo, no som, ao invés de se concentrar somente no que você definiu, a mente começa justificar o som: tá muito alto, veio o som de fundo, olha o cachorro latindo… e por aí vai. O mesmo acontece com os símbolos: a flor tá mexendo, e se ela fosse amarela, ah eu preferiria que fosse uma tulipa ao invés da rosa etc. Entendeu como meditar parece fácil, mas no fundo mesmo é ainda mais difícil do que fazer uma simples invertida sobre a cabeça? O importante é seguir, treinando, com uma intenção real daquilo que você deseja. Seja para a meditação ou para todo o resto.

yoga na netflix
Podcast de Yoga | 22 dez 2020 | Daniel De Nardi

On Yoga, Arquitetura da Paz – Crítica do Filme – Podcast #42

On Yoga, Arquitetura da Paz - Crítica do Filme O documentário do diretor Heitor Dhalia, inspirado no livro homônimo do fotógrafo americano Michael O\'Neil, traz opiniões de diferentes gurus e professores de Yoga sobre o que significa essa filosofia de vida para cada um deles. Neste podcast, o que mais me chamou a atenção no filme de Dhalia. Asatoma Saggamaya!   https://soundcloud.com/yogin-cast/on-yoga-a-arquitetura-da-paz-comentarios-do-filme-podcast-42   LINKS   Episódio do podcast que se passa no Kailash Ashram em Rishikesh https://yoginapp.com/encontro-com-um-mestre-podcast-18     https://youtu.be/Mfbeim7Bro4 Kailash Ashram   Livro que inspirou o filme   Dharma Mitra             Mantra - asato ma sadgamaya asato ma sadgamaya tamaso ma jyotirgamaya mrtyor ma amrtam gamaya (Brhadaranyaka Upanishad — I.iii.28)     Trilha sonora da série de Podcast - Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição On Yoga, Arquitetura da Paz – Comentários do Filme – Podcast #42 O meu nome é Daniel De Nardi, o podcast de hoje começa com o mantra “Ohm Assatoma Sadgamaya” porque hoje nós vamos falar sobre um filme de yoga que estreou hoje mesmo em todo o Brasil. “On Yoga, Arquitetura da Paz” é o novo documentário do diretor brasileiro Heitor Dhalia, mas a histórica começa na visão de um americano, o fotógrafo Michael O’Neal que é conhecido no meio do yoga por um livro com fotos de sadhus e praticantes de yoga pela Índia e pelo mundo todo, e este livro é bastante conhecido por retratar com imagens belíssimas a experiência do yoga na prática. O Michael O’Neal abre esse documentário expondo um pouco do trabalho que eu já fez. Ele já fotografou grandes ícones de Hollywood como Scorsese, Leonardo DiCaprio, Jack Nicholson e outros. Ele já publicou na capa da Times uma foto com o ator Paul Newman e outras personalidades e ele tinha um trabalho bastante exaustivo devido a rotina de viagens e os horários de trabalho, essa vida de extrema pressão fez com que ele tivesse lesões no pescoço que necessitaram de cirurgia. Após a cirurgia, ele teve uma paralisação no braço, justamente o que ele utilizava para fotografar, o próprio neurologista que o acompanhava disse que ele não conseguiria mais realizar as suas funções. Para quem trabalha e coloca toda a energia em seu ofício é devastador, mata o artista. Ele passou por um período de muita dor de muita dificuldade e nisso ele começou a ir atrás do yoga, primeiro por uma questão física, depois ele foi revendo o rumo que a vida dele poderia tomar a partir do momento em que ele não poderá mais fazer o que fazia antes. Essa busca a partir da dor é muito comum, o próprio yoga reconhece a dor como algo que está em todas as pessoas e se coloca numa proposta de resolver a questão ou de, ao menos, diminuir o sofrimento humano, assim é a história que o Heitor Dhalia começa a contar a partir da vida do Michael O’Neal. Eles vão para Índia e começam a revisitar os Sadhus que O’Neal tinha fotografado quando fez o livro há doze anos atrás. Justamente por ele ser um fotógrafo famoso, por ele ter sido financiado para produzir este tipo de foto, ele conseguiu ficar muito tempo neste tipo de inspeção e ele fala, inclusive, que tinha muita abertura com os grandes pensadores do mundo e os grandes mestres da Índia e, com isso, ele ia fotografando e tentado extrair daquelas figuras o que era mais plástico, a imagem. Mas nesse segundo momento, quando eles vão fazer o documentário, além das fotos, eles extraem entrevistas com os grandes gurus da Índia. O filme não se propõe a falar minuciosamente sobre o yoga, até porque isso poderia ir para uma linha de documentário que diminuiria o interesse do público em geral, porque isso é importante para quem já é praticante e estudioso sobre yoga, mas para quem está começando a se interessar, talvez a informação se tornaria muito massiva, e o filme sai dessa linha e vai para um depoimento dos próprios gurus sobre o que ele consideram importante dentro do yoga. O aspecto das imagens, visual do filme é belíssimo, porque o Sadhu praticando yoga é algo que chama a atenção, é muito bonito. Não só os Sadhus, como os praticantes em geral. O asana como expressão física é muito completo como consciência corporal, tem muito asana durante o filme, asanas muito bem filmados. O filme na parte visual está de parabéns, mas os depoimentos ressaltam que o yoga não é só a parte física. Isto me preocupa um pouco com relação a evolução do yoga como um todo, porque ele tem ido para essa linha física e desde a sua origem o yoga sempre foi meditação. A proposta que os gurus vão falando no filme, dessa saída do sofrimento, ela sempre passa por algo que vai além de se fazer um alongamento, um asana, é algo muito mais elevado e que envolve um processo meditativo. Como o filme não se propõe a dizer sobre uma única história do yoga, ele mostra muitas visões de diferentes linhas, de diferentes tipos de yoga e até mesmo coisas que não são yoga, como, por exemplo, aqueles sadhus que suspendem o pênis. Eles explicam que há a suspensão do pênis e o deslocamento para traz, o amarra num cabo de aço, eles mortificam a região por acreditarem que ali seja a fonte de muitos desejos e como o intuito deles é o controle dos desejos ele optam por este tipo de método. Esta é uma linha, uma visão bastante presente na Índia, simplesmente eliminar o corpo para uma ascensão espiritual. Não são todas as linha que veem desta forma, o Tantra vê de uma outra forma, vê o corpo como parte do processo. Como você pode ver, o próprio filme apresenta diferentes visões do que essa mensagem do yoga que está em diferentes áreas e linhas. O yoga, pela sua antiguidade, sempre teve esse movimento que é de ser mais libertário e ele não tem uma administração central como, por exemplo, a Igreja Católica e isso faz com que a individualidade dos próprios professores seja transmitida como forma de conhecimento, o yoga é bastante permissivo neste sentido, do professor com a sua experiência conseguir transmitir algo que não necessariamente está num livro ou em uma regra. Acho que isso producente para a evolução do yoga porque faz com que aquilo que está mais presente no nosso dia-a-dia, seja transmitido para o aluno que está ali fazendo a aula, a meditação, o que quer que seja. Embora o filme apresente muitas visões, há algo central, que é algo da cultura sânscrita, a cultura que produziu esse conhecimento desde os vedas. Essa visão central é da ilusão que existe quando nos identificamos com o que sentimos ou pensamos, quando há essa identificação, há o sofrimento e todos ali tem essa visão em comum, embora nem todos falem disso, muitos falam, que é a visão da consciência observadora, a consciência que está por trás olhando o mundo manifesto e que a consciência que observa é a verdadeira essência, é o verdadeiro eu, e a busca para a eliminação desse sofrimento é esse distanciamento, aproximando-se da consciência que vê e não estando imerso, totalmente envolvido com os sentidos, que no filme passa mesmo a sensação sobre isso. Se há uma identificação muito grande com as sensações, com os sentidos, um envolvimento com as oscilações da natureza e isso vai gerar necessariamente sofrimento. O primeiro Sadhu que aparece falando, diz para não ficar incessantemente desejando coisas, porque os desejos acabam gerando ou frustração ou um desejo ainda maior. E esse Sadhu fala sobre se ter menos (inint. 09:59), menos coisas a se atingir e ter uma aceitação da vida, como ela é. Achei interessante porque vai nesse sentido, de diminuir essa identificação para não ficar totalmente sujeito aos acontecimentos da matéria. O primeiro ashram que aparece na matéria é o Kayla Ashram. Nessa parte que aparece o ashram eles estão falando que os yôgins desde os tempos mais remotos, ou as pessoas que faziam essa busca pela espiritualidade, iam para o meio da floresta em busca de um professor ou alguém que também estivesse fazendo essa busca espiritual que pudesse ensinar algo e que nos dias de hoje esse ashram seriam essas florestas dentro das cidades, onde os suamis e os sadhus se isolam para praticar a meditação e a espiritualidade. Esse Kayla Ashram é o mais antigo de Rishikesh, eu falo desse ashram no episódio “Como Encontrar um Guru” e também um outro local que eu identifiquei que eu já fui também é um ambiente em que aparece uns yôgins de laranja praticando vários asanas, são três meninos fazendo vários asanas no rio Ganges. E aquela é uma pedra que quando se faz um rafting no Ganges, em Rishikesh, se para na pedra e dá um salto no rio, mesmo no inverno também é possível se banhar no rio e eles fazem o asana bem no local (vou deixar uma foto minha pulando na pedra). O filme se passa a maior parte do tempo em Rishikesh, que é uma cidade no noroeste da Índia, que os yôgins todos que vão para a Índia acabam conhecendo por ser um importante centro de yoga no País. Ele começou justamente com esse Kayla Ashram, os Beatles foram pra Índia, Shivananda fundou depois o seu ashram lá e por aí vai, depois vários gurus se fixaram em Rishikesh para fixar conhecimento. O Michael O’Neal fala do Yoganandadi que foi um mestre que viveu em Rishikesh, e que morreu aos 108 anos, ele tem imagens dele praticando yoga aos 98 anos. Essa parte também da longevidade dos yôgins é algo que vem impressionando as pessoas que acompanham yôgins pelo mundo. Então, efetivamente o yoga produz um ganho na nossa saúde e disposição, por que está mais próximo a você, mais conectado com as suas sensações, é natural que se tome decisões mais prudentes com o seus hábitos e com a saúde como um todo porque se a saúde não está bem, é impossível começar um processo de meditação de elevação espiritual se não foi resolvido a base. O yôgin tem essa preocupação com a saúde, e isso é bastante falado no filme. Uma outra cidade que aparece no filme é Nova York, pelo fato do próprio O’Neal viver na cidade. Eles entrevistam vários professores de yoga de Nova York, inclusive o brasileiro Dharma Mittra que ficou famoso após uma fotografia do Michael O’Neal que mostra ele fazendo um Shirsasana sem as mãos. Aliás, a contracapa do livro de O’Neal que deu origem ao filme é justamente esta foto. E na imagem de Nova York aparece um guru que está dando aula com um pano branco na cabeça e começa a falar sobre a filosofia ocidental e oriental. Achei interessante explicação porque muitas pessoas acreditam que a filosofia tem que ser algo vindo da Grécia. A explicação que ele dá é bastante interessante, ele fala que esta filosofia oriunda da Grécia é basicamente um debate acadêmico, você discute teses até que haja um conhecimento, um entendimento intelectual dos conceitos. Já a filosofia oriental ela teria também esses conceitos, mas eles teriam de ser aplicado na prática, vivido. Esse tipo de filosofia transportado para o yoga seria algo, por exemplo, o yôgin manter a estabilidade da mente nas situações mais difíceis. Ele se coloca em um asana difícil e mesmo com o incômodo, ele tenta manter a mente tranquila, a respiração profunda e o foco em manter-se atento a postura e finalizar a sua permanência. Assim teria a filosofia na prática, com o ensinamento sendo aplicado e sendo vivido nos conceitos. A minha recomendação é que vocês assistam o filme, não sei há em todas as cidade, acredito que logo mais será lançado no Rio, mas em breve estará disponível online e você poderá assistir. Acho que é um retrato muito bacana de alguém que não é um professor, é alguém de fora que pratica, o Heitor é um praticante de yoga, e que trouxe essa visão com a profundidade que é possível num filme. Acho que não dá para se esperar uma aula acadêmica ou um debate completo a partir de um filme, mas acho que o filme traz muitas reflexões sobre o nosso propósito de vida, o nosso momento de olhar para nós mesmos, as liberdades que devem ser praticadas com responsabilidade. Tudo isso é algo que pelo menos pra mim o filme tocou e me fez refletir e acho cada um vai ter a sua experiência do que é falado ali. Para finalizar, eu vou deixar um mantra que aparece no começo do filme que é o “Ohm Assatoma Sadgamaya”.  Esse mantra tem como significado justamente esse ponto em comum que eu falei anteriormente que todas as linhas acabam abraçando, da consciência observadora, “Ohm Assatoma Sadgamaya” é um pedido para que o eu saia daquele mundo sofrido, de que a consciência observadora saia daquele mundo sofrido, de que a consciência observadora saia do envolvimento e do sofrimento que existe na natureza, que ele se veja como observador, como aquele que vê. Então aproveite e se quiser a letra no mantra, eu vu deixar na descrição do episódio. Ohm Assatoma Sadgamaya!

Podcast de Yoga | 21 dez 2020 | Daniel De Nardi

A Autossuperação (TAPAS) de Shackleton – Podcast #95

A Autossuperação ! O conceito de tapas (auto-superação) acompanha o Yoga desde de seu surgimento. A auto-superação pode ter infinitas variáveis, mas um único princípio – tirar-nos do conforto, gerar incômodo para que alguma mudança aconteça. Sem incômodo não há mudança. LINKS   Curso online de Formação em Yoga https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Ernest Shackleton Podcast #09 conta a Exploração da Antartida https://yoginapp.com/preparacao-podcast-09/ Banda Sigur Ros Podcast Escriba Café https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Playlist do Spotify com as músicas da série Perfil do Instagram da série https://yoginapp.com/planos/     Transcrição Se você ouviu o episódio #94 Sábias Palavras, sabe por que estamos aqui. Quando fui pesquisar sobre Olafur Arnalds, descobri que ele não tinha nada a ver com o filme A Chegada. Olafur é um compositor da Islândia, que fez turnê com a banda Sigur Ros, que você houve ao fundo, trilha sonora da 4ª temporada de Game of Thrones do episódio \"O Leão e a Rosa\" na cena da cerimônia de casamento do Rei Joffrey. Sigur Ross também é islandesa e foi um dos motivos que me fez conhecer esse país. A outra parte desse podcast que é fruto do anterior, é que Olafur produziu uma trilha sonora de para o espetáculo Dyad 1909, o balé foi inspirado na expedição Nimrod, liderada por Ernest Shackleton, ao Polo Sul em 1909.   Pisei na Islândia. Talvez junto com o Tahiti o lugar mais isolado que já visitei. Várias referências me fizeram chegar até aqui, não necessariamente nessa ordem - sou fã incondicional do Sigur Róss, li o Pondé algumas vezes dizendo que se conhecer este país e amo \"A vida secreta de Walter Mitty.\" Olha que nem citei a Björk porque nunca a vi cantar, somente atuando num filme do Lars Von Trier. Quando comecei a dizer aos meus amigos que vinha para cá, ninguém, nem mesmo os poucos afortunados que já vieram, me incentivaram a vir nessa época (auge do frio e dos dias com menos luz no ano). Um dia meu irmão me falou \"não acredite em nada do que dizem sobre uma onda, você tem que ir lá surfa-lá para poder tirar suas conclusões.\" Pois cá estou, surfando a onda de um país desconhecido para grande parte do mundo. Viajar para um lugar inusitado é uma experiência muito peculiar. Adoro centros urbanos. Gosto de ter opções intermináveis quando viajo, mas mesmo sem ver nada sobre uma grande cidade que irá conhecer, sabe-se que nunca será muito diferente do que já se conhece. Um lugar como a Islândia, você chega sem ter muita noção do que vai encontrar. É tudo inusitado. Mágico. O que posso concluir até agora é que o risco sempre vale a pena. No primeiro dia aqui já me apaixonei pela vibração de um lugar de aventureiros e tive a sorte de já poder ver a aurora boreal - algo para se contar para os netos.   O TAPAS DE SHACKLETON O conceito de tapas (auto-superação) acompanha o Yoga desde de seu surgimento. A auto-superação pode ter infinitas variáveis, mas um único princípio – tirar-nos do conforto, gerar incômodo para que alguma mudança aconteça. Sem incômodo não há mudança. Espera-se pelo dia que bastará tomar um único remédio e poderá comer tudo o que der vontade, sem fazer nenhum esforço físico para manter-se em forma. Ou pelo dia que que tomaremos uma pílula antes de dormir e acordaremos com dezenas de assuntos assimilados e prontos para serem colocarmos em prática. Não duvido que a ciência possa gerar esse tipo de remédio em alguns anos, mas até agora a verdade é clara – se quiser mudar, terá que estressar as áreas importantes. Stress aqui no seu conceito de esticar, ampliar, gerar desconforto para modificações. Se quer emagrecer, ainda terá que ser como sempre foi (ou faça muito exercício ou coma pouco ou os dois juntos) mas você precisa gerar um incômodo, seja por parte da fome ou do desconforto nas pernas. Se quer aprender algo novo, saiba que a primeira reação da sua mente será convencê-lo que não vale a pena, que você está bem e não precisa perder tempo com isso que não vai te levar a nada. Se mesmo assim sua mente não convencê-lo, vai tentar levar sua atenção para coisas mais simples de resolver, como zerar suas notificações na rede social. Ela vai te incomodar. Estudos do cérebro da Universidade de Ohio mostraram que novos aprendizados começam a ser identificados pelo seu cérebro pelas mesmas áreas da dor física. Para o cérebro: mudança = dor Mundo horrível esse da mudança. Mas saber que o processo terá desconforto pode ajudá-lo quando pensar em desistir. Vamos lá! Tem a parte boa também. O desconforto, tanto para aprendizado intelectual quanto para mudanças físicas vai diminuindo com o tempo até se tornar prazer. Quem nunca correu, não consegue imaginar que alguém possa sentir prazer correndo os últimos 2km de uma maratona. Mas garanto que isso é possível, apesar das primeiras experiências da corrida serem torturantes. A minha estréia na corrida, não faz muito tempo, foi em 2005. Eu não era um sedentário, praticava Yoga regularmente e depois de 2o minutos tive que parar de tanto sentir aquela dor que dá do lado da barriga. Pensei “tudo bem fazer isso pra perder peso, mas acordar pra correr por prazer, impossível.” Não é apenas com a corrida que isso acontece. Todo novo aprendizado, seja ele físico ou mental, passa por desconforto. Você não lembra da sua primeira experiência com os asanas ou com a meditação. As mudanças começam a se sedimentar quando nesse momento do desconforto, que todas as variáveis apontam para o bom senso da desistência, você diz – não vou tentar mais um pouco. [caption id=\"attachment_16482\" align=\"alignright\" width=\"256\"] Essa é uma das primeiras fotos do meu Instagram. Me emocionei quando vi as fotos originais de Shackleton[/caption] Isso é tapas! Tapas é quando, mesmo consciente do desconforto, você persiste por saber que o que você realmente quer está na frente do desconforto. Tapas pode ser confundido com auto mutilação. Na Índia, há sadhus fazendo as coisas mais esdrúxulas em nome de tapas, como enrolar o pênis numa cabo de ferro para demonstrar o domínio da mente sobre o corpo. Faquirismo não é sinal de uma vida bem vivida. Está muito mais pra exibicionismo que o verdadeiro significado de mudança através da auto-superação. A História, está cheia de exemplos de pessoas que venceram situações tidas como incontornáveis auto-superando-se. Um desses exemplos para mim sempre foi o aventureiro irlandês Ernest Shackleton que teve sua vida descrita em muitos livros. Ontem, tive a sorte de ouvir esse podcast que conta a história da expedição de Shackleton. A certeza que tudo de ruim é capaz de passar até que se chegue onde se quer é o maior ensinamento da vida de Shackleton. Podemos tudo, só depende de quanto suportamos esse querer. Fiquem com a Narração da História de Shackleton feita pelo Escriba Café, o melhor podcast de relatos históricos que eu conheço. O link deles está na descrição. Boas viagens!  

Podcast de Yoga | 19 dez 2020 | Daniel De Nardi

A ilusão dos sentidos – Podcast #46

A ilusão dos sentidos - Podcast #46 A busca da espiritualidade indiana sempre buscou discernir o que é a verdadeira essência de cada indivíduo e o que ele pensa que é (corpo, sentidos e pensamentos). O podcast de hoje vai tentar explicar como os sentidos funcionam e porque não somos o que sentimos.     LINKS   \"A sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas.\" Em Busca do Tempo Perdido, Marcel Proust                                                               Ebooks e Audiobooks do YogIN App https://yoginapp.com/ebook-yoga/     Documentário \"Truques da mente\" mostrando a criação de falsas memórias   A criação de falsas memórias - \"Truques da mente\" na Netflix https://t.co/1Hi9W6EKc8 pic.twitter.com/ApqBxPEQM3 — Daniel De Nardi (@danieldenardi) December 14, 2017 Como o cérebro cria os sentidos Como o cérebro registra as memórias : Superinteressante - Junho de 2017. https://t.co/oJxrjnvsVS — Daniel De Nardi (@danieldenardi) December 14, 2017 Memórias anteriores determinam decisões - audiobook Blink - https://twitter.com/danieldenardi/status/941251828926304256   Memórias anteriores determinam decisões - audiobook Blink: https://t.co/NwamM4zWu8 pic.twitter.com/XSE83G4eLR — Daniel De Nardi (@danieldenardi) December 14, 2017   Como a Memória é formada Como a Memória é formada ????‍???? #nerdcast com @oatila https://t.co/XdWsRdnYVk — Daniel De Nardi (@danieldenardi) December 14, 2017     Heitor Villa Lobos  Curso de Formação começando em março de 2018   https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/ Transcrição: A Ilusão dos Sentidos – Podcast #46 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi. Esta música é de Villa Lobos, compositor brasileiro, “Bachianas Brasileiras”. Está começando o 46º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Marcel Proust é considerado um dos principais escritores do século XX. A principal característica que Proust imprimiu em suas obras é um perfeito retrato das memórias. A sua obra mais famosa, “Em Busca do Tempo Perdido”, é um livro com seis volumes que vão recontando a vida que viveu na infância, uma vida de muitas dificuldades em termos de saúde. Proust era uma pessoa muito rica, muito abonada, se diferencia da maior parte dos escritores, então ele pôde viver uma vida com certa segurança financeira. Por outro lado, teve muitas dificuldades relacionada à saúde, morreu muito jovem, e retratou nesses livros de cerca de quinhentas páginas a sua memória. O ponto é se tudo aquilo que Proust traz nos seus mínimos detalhes realmente aconteceu. Se aquilo é um retrato fidedigno do que aconteceu, ou se é o retrato de uma memória, de uma reinterpretação. E o que nos vamos descobrir hoje é que tanto o que imaginamos ser verdade pode ser um fato que o cérebro criou, dando uma ilusão ou uma falsa impressão da realidade. A gente sempre houve afalar que somos nossas experiências, será que podemos acreditar no que a nossa memória recorda e no que estamos presenciando em termos de sentido? O podcast de hoje vai trazer um pouco dessa reflexão. Isso tudo começa porque estou desenvolvendo um livro que vai se transformar em audiobook chamado “Yoga do Auto Conhecimento”. Publiquei recentemente na parte de e-books do YogIN App, que vou deixar o link na descrição, três livros novos. Eles podem ser baixados gratuitamente, mas caso queiro ouvi-los, terá um custo no valor de R$18,00. Os três livros são três capítulos que podem ser lidos à parte, sem nenhum prejuízo a compreensão, mas todos fazem parte do Yoga do Auto Conhecimento, que está para sair nos próximos dias. Dentro deste livro, eu trago uma ideia muito presente na inteligência indiana que diz que não somos o que o nosso corpo é, não somos o que pensamos e não somos nem o que sentimos, O que acredita-se ser a verdadeira essência, é a observação que está por trás, é a consciência onipresente que a tudo observa. E nesse livro, trago exemplos e uma explicação do porque não somos o corpo. Essa não é uma explicação difícil de entender, uma vez que se você perder você vai continuar sendo você mesmo em essência. Até se uma parte do cérebro for retirada, é possível uma reorganização dos neurônios de forma a organizar o que se é em essência. Então, nós não podemos ser o corpo porque o que nós somos é algo eterno e é algo muito expandido, mas pelas limitações, a gente acaba limitando a nossa expressão do eu com aquilo que a gente consegue perceber, mas isso é uma ilusão que vai gerando todo o sofrimento, que é, em boa parte, uma ilusão que precisa ser desfeita. Então, se você é o corpo o que pode vir a ser? Os pensamentos? Também não. As sensações? Também não. No livro, eu explico que nós não somos as sensações dando o exemplo do Beethoven, que foi alguém que perdeu a audição, que era a coisa que mais valorizava, ele vivia para ouvir música, e para compor música. Mas, apesar disso, ele continuou compondo músicas maravilhosas, continuou sendo ele na essência. Isso é uma explicação que já dá para entender um pouco, que a gente não pode contar com os sentidos, mas a gente pode elaborar mais essa explicação. Dentro deste livro, eu dou uma explicação ampla sobre os assunto, mas quando eu quero aprofundar, indico algum podcast que eu já tenha produzido, assim como artigo ou e-book. Então, o audiobook ou o livro tá muito completo no sentido de dar essas referências para quem quer se aprofundar. O podcast de hoje é um aprofundamento desse capítulo do livro que fala que não somos aquilo que sentimos. A Índia tem essa preocupação em mostrar que não somos nem os sentidos, nem a decorrência do que sentimos, que são as memórias. Porque essas memórias podem ser construídas pela mente e não corresponder com a realidade. Como é que a memória se forma no nosso cérebro? A gente tem uma sensação, por conta do computador ou de um sistema de biblioteca, que a memória é algo que está armazenado em determinado ponto do nosso cérebro, e que quando a gente precisa recorremos a ela, mas na realidade não é assim que funciona. Então, como a memória funciona? Toda vez que a gente está num ambiente e a gente cria uma impressão do ambiente, os nossos neurônios formam uma espécie de caminho, que gera associações e que acabam registrando momentos específicos não só com uma sensação, mas com uma série de detalhes. Pesquisas realizadas com pessoas que presenciaram o ataque as Torres Gêmeas, no 11/9, relatam que ela conseguem detalhar o cheiro da fumaça. Aquele momento foi tão marcante na vida delas que o cérebro passou a registrar tudo o que acontecia no momento. Muitas vezes uma outra sensação pode recriar um fato específico ocorrido. Quando a gente marca uma impressão, quando temos uma sensação, ela é marcada não apenas como algo único (como, por exemplo, o sabor de um sorvete), mas com um ambiente como um todo. Quem tem o hábito de ouvir podcast, muitas vezes está buscando algo que ouviu ou aprendeu em um determinado podcast e se lembra do local em que se estava quando ouviu esta relação. Isso é muito natural porque o que marca uma sensação, como já expliquei, é tudo o que estava acontecendo naquele momento. Isso responde, por exemplo, o que seria um Deja Vu. Por que, às vezes, pensamos “Acho que isso eu já vivi”? Por que um determinado fator pode resgatar a memória e o corpo consegue refazer, reconstruir de uma maneira como se se vivesse algo novamente. Usando o exemplo de um sorvete: eu tomo um sorvete e, então, o meu cérebro vem a sensação que agora eu vou tomar água e eu e vou estar naquele ambiente, então ele projeta o futuro, só que na verdade você está vivendo este momento que não necessariamente tem uma correspondência, mas o cérebro, pela água, traz outras sensações e ele dá uma outra sensação de que o futuro será uma correspondência com o que já aconteceu.  O Deja vu acende essas ligações que a gente fez nos neurônios e dá a sensação de que a quilo que aconteceu no passado vai acontecer novamente, você tem a sensação que se sabe qual vai ser o futuro, mas no fundo você está apenas reacendendo uma percepção que já está marcada no seu cérebro. As memórias ativam sensações que não são necessariamente reais. Tive um namoro em que comecei a tomar suco de tomate, pelo fato de ela tomar, até que nunca mais tomei. Recentemente, estava no supermercado e acabei comprando o suco. Já em casa, quando servi o suco, senti uma saudade muito grande desta namorada, senti até uma carência de não estar com ela naquele momento. Parei para refletir se aquilo era real ou se simplesmente uma das percepções tinham reconstruindo uma sensação no meu cérebro e trazido à tona informações que realmente aconteceram, mas se eu parasse para analisar, eu não estava com nenhum tipo de saudade nem com nenhum tipo de vontade de vê-la. O suco simplesmente trouxe toda a história e as conexões que já existia. Como falei, um sentido pode reacender todas as relações neurais que você já teve e trazer a memória como se fosse algo verdadeiro. Os sentidos, a memória, aquilo que a gente vivencia não estão, necessariamente, representando a nossa verdadeira essência, a nossa vontade de fazer ou agir de determinada forma em determinado momento. Poderia, simplesmente, ter achado que o meu namoro poderia continuar, que eu deveria ligar pra ela, mas foi tudo construção de uma percepção específica, que reacendeu determinadas sensações dentro do meu cérebro, e tais sensações não são necessariamente verdadeiras. Elas simplesmente foram acesas e ganharam um fogo por conta de um sentido que eu despertei. Diferentes animais se guiam por diferentes sentidos, usa-se, prioritariamente, diferentes sentidos. A gente acha muito óbvio que se chegue em um ambiente, se olhe e se entenda o ambiente a partir da visão. Mas não são todos os animais que funcionam desta forma. O cachorro, por exemplo, se orienta prioritariamente pelo faro, quando ele chega no ambiente, ele cheira o local porque ele está reconhecendo. Animais como os golfinhos, se orientam pelo som, eles emitem o som e sabem qual é a sua vibração, como ele ressoa, e assim percebe-se distância e uma série de informações. Cada animal tem o seu sentido prioritário, embora os outros sentidos também auxiliem. O sentido mais usado pelo ser humano é a visão, ela e muito presente para a nossa orientação do mundo, então ele acaba sendo o sentido mais forte e mais expressivo para nós. O pesquisadores da Universidade de Washington tentaram entender qual era a capacidade do ser humano de ver, qual era o processamento do sentido da visão. Primeiro, é importante entendermos que a memória não é uma questão de espaço, ela é uma questão de processamento. E é bom entender isso agora usando realmente a analogia do computador. O computador tem duas memórias, assim como nós, que é a memória de longo prazo, que é o disco rígido, e a memória de curto prazo que é a memória RAM. O ser humano tem memórias de longo prazo, que são coisas muito maçantes, que a ligação neural fica muito presente que qualquer um dos sentidos pode reacendê-la, mas também tem memórias de curto prazo que ocorre, por exemplo, com pequenas coisas vistas rapidamente no dia-a-dia e se for marcante, ficará na memória eternamente. O que dificulta o nosso acesso não é a falta de espaço, isso sempre teremos. Você pode estudar todos os dias 15 horas por setenta anos que ainda assim se terá espaço dentro da memória, isso significa que é infinito. Ninguém consegue estudar 15 horas por dia. O espaço existe, talvez o que não tenha é a capacidade de processamento, que seria trazer a informação neural à tona. Isso é o que dificulta porque quando a memória é antiga e não tem relevância, é como se você criasse um caminho, e ele te trouxesse a sensação, mas com o passar do tempo, a memória antiga vai criando um “mato” nesse caminho e é difícil passar por ali, então se esquece como chegar. Vemos isso claramente com o aprendizado, quando se está aprendendo algo novo, há uma espécie de treinamento para que o cérebro faço um caminho. Digamos que se esteja aprendendo uma nova língua, o cérebro começa a criar relações com a língua que você já conhece, ou com outra língua ou com objetos...ele está criando um caminho. Se você está praticando regularmente essa língua, o caminho está aberto. E caso fique dez anos sem falar você não irá perder, haverá apenas uma dificuldade de encontrar o caminho, uma dificuldade em acessá-lo. É como se no caminho tivesse crescido “matos”, então é difícil acessar, muitas vezes se tem que ir pelo lado para encontrar um atalho. Esses aminhos que a gente vai criando dentro do cérebro dependem de uma prática, de uma repetição, e isso e a capacidade de processamento. Se algo está muito presente na sua vida, o cérebro precisa de pouco para processar, mas para resgatar uma habilidade que existia quando se tinha quinze anos, o cérebro precisa de mais capacidade de processamento.   Esses pesquisadores da Universidade de Washington chegaram a conclusão de que nós temos na nossa visão 341 megapixels de capacidade, o que é muita coisa. Um iphone, por exemplo, tem cerca de 10 megapixels. Eles fizeram esse cálculo percebendo que o olho humano em cada ângulo consegue detectar 150 porções, um pixel é uma “luzinha”, então nove megapixels são milhares de luzinhas dando uma definição maior. Em cada ângulo da nossa visão a gente consegue detectar 154 pixels ou unidades mínimas, como a gente consegue 120° de visão, seja na vertical ou na horizontal, se multiplicar esses dois valores se chega a 341 megapixels. Mas existe um problema, o que faz o foco da nossa visão, que fica bem no centro do olho e é chamado de fobia, só tem 7 megapixels. Ela tem uma capacidade menor que um celular. Mas onde estão os outros megapixels existententes na visão? A fobia se movimenta o tempo todo, ela faz 150 mil movimentos por dia, toda vez que ela capta uma informação, o tempo que essa informação demora para chegar no nosso cérebro e pra ser processada é de 0,2 segundos. Então você fica 0,1 segundo sem informação porque a recebe em 0,2, depois a processa e emite a primeira informação. Então você olha algo, o cérebro absorve e decodifica. Se multiplicarmos o número de movimentos com o tempo em que ficamos sem receber informação, chegamos a 4 horas. O que significa que em 4 hora do seu dia você vive uma espécie de “apagão”, só que o cérebro não deixa essa sensação porque ele reconstrói a imagem baseado em padrões que ele já possui, dando a sensação de que aquilo é um filme contínuo totalmente correspondido com a realidade, mas não é. Então, quando você vê uma bola se deslocando, você não está, necessariamente, acompanhando todo o movimento do objeto, na metade do tempo o seu cérebro está construindo aquela trajetória baseada na experiência que ele já tem. Logo, tudo o que vemos tem uma ilusão de ótica junto que o nosso próprio cérebro produz pra gente não ficar sem informações. Se não, em 4 horas do nosso dia tudo ficaria preto, não iriamos ver nada. Esse é o tempo da informação de fora ser processada e decodificada pelo cérebro em forma de imagem ou como som. O cérebro reproduz essas imagens baseado em memórias antigas. O que a gente constrói e o que a gente vê em boa parte não é a realidade, mas é a construção de memórias antigas que dão a sensação de um filme, de algo contínuo, mas o que está acontecendo é uma interrupção contínua. Entre o processo de informar e decodificar, o cérebro insere imagens que não existem, mas que preenchem esses espaços vazios. Isso pode criar falsas imagens e falsas lembranças. Quando vivemos uma situação, a gente tende a criar aquelas imagens asseado no que repertório que já temos, para “tapar o buraco” de algo que a gente não tenha captado e que é importante. Os testemunhos não um valor de verdade porque sabemos que a memória engana, ela tem muita ilusão de ótica, o que demostra que se ela é uma ilusão, se ela não corresponde à realidade, ela não pode ser a essência de cada indivíduo. A única coisa que tem como verdadeira é a consciência que observa, não são sentidos, não são sensações, não são movimentos da memória, nem mesmo o corpo e os seus pensamentos, o eu é a natureza observadora. Agora nós ficaremos com uma música de Heitor Villa Lobos. Quem conhece um pouco de música clássica, deve ter até estranhado porque fiz 45 episódios, citei outros brasileiros, não tão famosos como Egberto Gismonti e Carlos Gomes, e não citei o maior (ou pelo menos o mais conhecido) compositor brasileiro que é Heitor Villa Lobos. Hoje você vão ficar com uma música chamada “Bachianas Brasileiras”. Villa-Lobos é o compositor brasileiro mais conhecido e tocado fora do país. Quem está acompanhando pelo aplicativo, vai ver uma apresentação feita em Berlim, num festival de música, a Alemanha é um dos centros de música mais importantes do mundo e gerou grandes gênios como Bach e Beethoven. Para finalizar, gostaria de deixar um agradecimento para todos os alunos que participaram da finalização do curso de formação de 2017, do segundo curso que o YogIN App organizou. A gente fez uma avaliação neste final de semana no espaço Luna, aqui em São Paulo, mais de 40 professores fizeram a avaliação teórica e prática com várias horas de avaliação, a gente filmou tudo e agora está disponibilizando para esse alunos. Esse curso tem a proposta de ser praticamente 90%  online, a gente entrega esse conteúdo, e temos dois encontros presenciais para ter o contato, corrigir e para ver as aulas de quem passou pelo curso, para dar feedbacks verdadeiros que eles irão usar no dia-a-dia quando eles tiverem dando aula e poderem, quem quiser,  se aprofundar no yoga Vou deixar o link do curso para quem tiver interesse, já abrimos as inscrições e temos mais de 15 pessoas na próxima turma, e a gente vai começar dia 05 de março a quinta edição do curso de formação, a gente vai acrescentar ainda mais material, quem fez os cursos anteriores pode ver este material novo, então vai ter muita coisa bacana no curso de formação, mas o curso em s já está agradando muito, as pessoas gostam e tem elogiado bastante e eu fico muito feliz com isso porque o nosso trabalho do yoga é ampliar, não queremos apenas que a pessoa pratique yoga, como yogINs, temos a vontade de transmitir teoria, o que faço nos podcasts e no curso, além do acompanhamento diário com quem tem dúvida através do grupo no Facebook. Vou deixar o link. Fique agora com Bachianas Brasileira de Heitor Villa Lobos.      

Podcast de Yoga | 18 dez 2020 | Daniel De Nardi

Surf & Yoga – Podcast #99

Surf & Yoga - Podcast #99 O 99º episódio da série Reflexões de um YogIN contemporâneo é com o surfista e professor de Yoga Lucas De Nardi. Um bate-papo sobre o surf na vida dos yogins e o Yoga na vida de quem surfa. Desfrute!   LINKS   Inscrição gratuita na JORNADA PARA SER PROFESSOR DE YOGA   Curso online para Formação de Professores de Yoga   https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Praya Mentawaii - barco de Surf na Indonésia   Podcast sobre Problemas Reais X Problemas Imaginários   https://yoginapp.com/problemas-reais-podcast-36/   Playlist da série   Perfil do Instagram da série

Podcast de Yoga | 17 dez 2020 | Daniel De Nardi

Tudo Começa no 1 – Podcast #100

Tudo Começa no 1 - Podcast #100 Chegamos ao 100º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo uma marca que será comemorada com Jack Kerouac, autor do clássico On The Road.   LINKS   Inscrição gratuita na JORNADA PARA SER PROFESSOR DE YOGA   Curso online para Formação de Professores de Yoga   Playlist da série   Perfil do Instagram da série

Filosofia do Yoga | 15 dez 2020 | Daniel De Nardi

Solitude e Kaivalya – Podcast #50

Solitude e Kaivalya - Podcast #50 Nesse episódio fala-se sobre a importância de momentos de isolamento para o processo de autoconhecimento.       LINKS   Kaivalya From Wikipedia, the free encyclopedia Kaivalya (कैवल्य), is the ultimate goal of Raja yoga and means \"solitude\", \"detachment\" or \"isolation\", a vrddhi-derivation from kevala \"alone, isolated\". It is the isolation of purusha from prakṛti, and subsequent liberation from rebirth.     Podcast fala sobre feedbacks https://yoginapp.com/ouvindo-o-bobo-da-corte-podcast-14       Playlist com as músicas da Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Apoie essa série de podcasts adquirindo o audiobook do autor    https://yoginapp.com/curso/audiobook-o-yoga-do-autoconhecimento/ Transcrição: Solitude e Kaivalya – Podcast #50   Essa música é a 5º Sinfonia de Sibelius e ela vai abrir o 50º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito de espiritualidade e com algumas curiosidades do dia-a-dia essenciais para vivermos melhor. O episódio de hoje fala sobre isolamento, kaivalya, que é uma palavra bastante conhecida no meio do yoga, o primeiro livro de yoga, o Yoga Sutra, tem quatro capítulos e como se fosse quatro níveis de evolução. O quarto e último capítulo, que seria o objetivo final, chama-se Kaivalya, que significa isolamento. Neste caso a gente pode ampliar esta visão de isolamento e ela não seria o isolamento de indivíduo, aquele isolamento que Patanjali se refere, que é aquele ainda maior da consciência, se distanciando da matéria. Hoje, nós vamos falar sobre esse isolamento específico, que quando sem tem momentos de solitude, que é muito diferente de solidão. Solitude é a solidão voluntária; a solidão, é quando ninguém quer ficar perto de você e acaba ficando completamente isolado. A solitude é um momento de opção feita quando é necessário se retirar. Os antigos iogues eras considerado saniassem, que são os renunciantes, aqueles que abrem mão de tudo o que existe no meio social para se dedicar apenas a vida espiritual, apenas a busca da essência. Esses homens são bastante comuns até hoje na Índia, alguns são charlatães querendo ganhar uns trocados, mas existem renunciantes de verdade, essas pessoas são mais raras, geralmente de uma casta elevada ou de um extrato social mais alto, ele teve que abrir mão de algumas coisas para se dedicar a vida de retirante. Shiva era considerado um saniassem, ele ia aos povoados, às cidades e às pequenas aldeias ensinar o que ele aprendeu nesses retiros. Isso é bastante comum na literatura indiana, esse momento de retiro para reflexão ou para um entendimento mais profundo e um retorno para transmitir o conhecimento. O famoso livro de Nietzsche, “Assim Falou Zaratustra”, conta a história de um homem que também se retira nas montanhas e volta como um grande sábio e começa a ensinar através da poesia, da mesma forma fazia os rishis, os primeiros sábios que escreveram os vedas ou que ditaram os vedas, porque naquela época no era comum nem os sábios saberem escrever. Esses retirantes saiam da sociedade, viviam uma época fora, numa floresta ou em alguma montanha ou se isolavam em alguma caverna e voltavam depois para transmitir os seus insights. A solitude é ideal para o auto estudo, essencial para o auto aprendizado. É claro que aprendemos muito quando estamos com os outros, isso é notável, nitidamente você recebe feedback das pessoas queridas, elas querem o seu melhor. Claro que nós não temos que seguir todas as orientações, mas é sempre bom levar em conta um feedback, mesmo que aquilo incomode, mas o fato é que a reflexão profunda, a verdadeira essência é encontrada quando você está consigo mesmo. Ninguém vai poder te indicar qual é a sua verdadeira direção na vida, para isto, precisa de momentos de introspecção que a meditação e o yoga possibilitam, mas vale a pena exercer momentos de solitude no seu dia-a-dia ou na sua semana ou no seu mês, eventualmente até viajar sozinho para ver que tipo de reflexão aquilo irá causar. Os momentos em que a gente está sozinho, a gente cresce e aprende muito com a gente mesmo, eles são essenciais para entender a verdadeira natureza, para entender que determinados comportamentos só existem com o objetivo de agradar aos outros ou porque se está em um ambiente que influencia este tipo de atitude, mas ele muitas vezes não é um comportamento seu. Não estou falando de um isolamento a ponto de entrar num estado de depressão, inclusive Sibelius, que é o autor da música que abriu este podcast e que irá tocar no final, tinha uma casa em que se isolava. Ele era da Finlândia e na década de 40 e 50, pós Guerra, ele se isolava para compor. Sibelius, inevitavelmente, tinha um ouvido muito aguçado como tem os bons compositores, e ele ficava irritado com o barulho do encanamento da casa dele, ele se incomodava com o barulho que a água fazia ao percorrer a tubulação. Chegou a confessar a um crítico, em uma entrevista, que o seu isolamento e solidão estavam o deixando ele maluco. O ponto aqui é falar sobre equilíbrio, claro que pode ser clichê, mas a sociedade como um todo, até com a questão das redes sociais, que aproxima muito as pessoas, o momento de kaivalya não existe mais nos dias de hoje. As pessoas não cogitam viajar sozinhas ou passar um final de semana sem ninguém.   O fato é que todos os dias, para a maior parte das pessoas, você terá que cruzar ou encontrar com outras pessoas, isso é o natural hoje da vida em sociedade. Fazer o movimento contrário não de forma extrema, mas apenas alguns dias de isolamento podem ser muito bons para a sua auto percepção, para o seu autoconhecimento. Nesse final de ano eu fiquei assistindo a um educador que gosto bastante chamado Murilo Gun e ele está no processo de escrever o seu próximo livro, e eu estava finalizando o meu livro também, e a escrita é uma das atividades mais difíceis que tem porque não se consegue escrever nada bom quando não se está no máximo da energia e de concentração. Por exemplo, e possível ajustar imagens quando se está cansado, ou até mesmo fazer a correção de um texto, mas escrever e criar é praticamente impossível. A escrita exige que o momento seja de concentração máxima, de isolamento, você não consegue meditar conversando com outras pessoas. A escrita exige um grau de concentração equiparável ao da meditação, além disso é necessário externalizar uma informação, não apenas absorver, porque o estudo precisa do máximo de atenção, mas o estudo só é mais passivo, você só está absorvendo, diferente da criação, em que se externaliza algo valioso. E então, Murilo Gun estava travado no processo de criação do livro dele, e no final do ano ele alugou um apartamento em um hotel, aqui em São Paulo, cidade que, aliás, ele mora, e ficou quatro dias se dedicando a escrita. No caso do Murilo a necessidade era a escrita, mas cada um tem a sua necessidade e está em um momento diferente em que precisa fazer algo e o período também é algo para se encaixar no momento de vida de cada um, o ponto é que depois do período de isolamento, Murilo começou a produzir muito mais do que ele tinha produzido em vários meses. O mesmo vale para o autoconhecimento, para o auto estudo, dois dias sem conversar com ninguém, absolutamente focado em si mesmo, fazendo o que se acha importante, coisas que exijam atenção e quietude, isso faz bem a todos nós. Nesse final de ano eu passei um tempo com a minha família, mas também precisei de um momento de isolamento porque eu estava no processo final de escrita do meu livro e agora finalmente acabou, estou realmente realizado porque ficou muito bom, do jeito que eu esperava. Até comentei com o meu irmão que acredito ter colocado tudo o que eu sabia e agora tenho que voltar a pesquisar e estudar porque a produção de conteúdo é necessário um aprofundamento, não adianta só colocar pra fora, é preciso consumir e ter vivência do que se está transmitindo. Então agora vou finalizar o processo do audiobook, vou grava-lo, e espero a ajuda de vocês que estão ouvindo o podcast (vou deixar o link para quem se interessar). Quem quiser adquirir, será entregue o audiobook e links de tudo o que é falado no livro, é um material muito rico, quem gosta de se aprofundar no yoga vai gostar bastante deste audiobook que se chama “O Yoga do Autoconhecimento”, aguardo o feedback e deixe os seus comentários e diga o que você achou. Uma boa semana e até a próxima! Satya mevajayate