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Podcast de Yoga | 12 jan 2021 | Daniel De Nardi

A transcendência da flor de Lótus – Podcast #92

A transcendência da flor de Lótus - Podcast #92 A devoção que a flor de lótus recebe na cultura hindu, aparecendo em muitos contos mitológicos e gravuras, se deve em boa parte ao exemplo de auto aperfeiçoamento que ela dá. Suas raízes nascem cravadas ao lodo fétido, e é desse lodo que ela extrai os elementos para externalizar uma flor colorida e perfumada. Hoje usarei a Literatura para me explicar, pois ela é um excelente analisador de fatos, pois trata daquilo que não se vê, do que não é evidente, do que não se pode medir, mas que foi captado por pessoas mais sensíveis que percebem antes as mudanças do mundo. LINKS https://yoginapp.com/planos/ Álbum no Spotify do filme Madame Bovary https://open.spotify.com/album/6ymsyqe2Q6PZcuCJK4D85t?si=SBRzcaZCSzanI9ZgrdoC5A   Perfil do Instagram da série - Reflexões de um YogIN Playlist das músicas da série Transcrição Na verdade, este texto não é sobre o aperfeiçoamento de Flaubert, mas sobre a possibilidade de auto aprimoramento de cada um de nós. A devoção que a flor de lótus recebe na cultura hindu, aparecendo em muitos contos mitológicos e gravuras, se deve em boa parte ao exemplo de auto aperfeiçoamento que ela dá. Suas raízes nascem cravadas ao lodo fétido, e é desse lodo que ela extrai os elementos para externalizar uma flor colorida e perfumada. Hoje usarei a Literatura para me explicar, pois ela é um excelente analisador de fatos, pois trata daquilo que não se vê, do que não é evidente, do que não se pode medir, mas que foi captado por pessoas mais sensíveis que percebem antes as mudanças do mundo. Li livros importantes, fiz oficinas de escrita, publiquei alguns contos em meu blog, mas não me considero um profissional de Literatura. O que direi aqui é fruto dos meus estudos, especialmente porque o Marne, meu professor de literatura, amava Flaubert.   “Madame Bovary c’est moi” Talvez esta seja uma das mais famosas frases saídas da boca de um escritor e quem a disse foi Gustav Flaubert. Quando Flaubert apresentou aos seus amigos as primeiras versões da sua obra-prima, Madame Bovary, eles aconselharam-no a largar a carreira de escritor.  Entretanto, o teimoso Flaubert estava convicto de que sua história valia a pena ser contada. Nas primeiras versões de Madame Bovary, Emma Bovary a personagem principal, era uma beata, uma personagem descrita de forma rasa e que pouca empatia gerava com os leitores. Após incessantes correções, Bovary tornou-se a primeira adúltera da Literatura Mundial. Entre um rascunho ridicularizado até uma obra imortalizada há uma distância quase infinita. Um nível de aprimoramento alcançável apenas aos obstinados. Flaubert era um perfeccionista, passou 5 anos procurando “le mot juste” (a palavra precisa)  para cada linha do seu livro. Passeava pelas ruas de Paris entoando frases em voz alta de Madame Bovary para analisar a métrica e o ritmo das palavras dentro do texto. Revisava incessante mente seu texto “Hoje ganhei meu dia, escrevi mais um parágrafo.” Anotava nas cartas que escreveu aos seus familiares. A publicação de Madame Bovary aconteceu em capítulos num jornal parisiense, durante dois meses e meio. Quando a história terminou, Flaubert teve que responder um processo por atentado ao pudor. Dispensou o advogado e escreveu sua própria defesa. Absolvido, juntou os capítulos e publicou sua primeira edição com vendas esgotadas. Madame Bovary marcou a Literatura, pois Flaubert teve a coragem de mostrar um mundo onde nada é perfeito. Onde há traições e vontades ocultas, embora no discurso a maior parte das pessoas negue. Hoje em dia isto parece até mesmo clichê, mas na França de 1857 poderia levá-lo a cadeia. “Esta Madame Bovary não possui virtudes” dizia uma parte da acusação. A intensidade com que Flaubert se envolveu com sua personagem foi tamanha que quando escreveu a cena em que Emma se envenena, Flaubert parou no hospital com sintomas de envenenamento. Quando perguntado quem era Emma Bovary ele respondeu com frase imortal “Madame Bovary c’est moi” “Eu sou Madame Bovary” O que imortalizou Flaubert na História é ter dado um dos passos mais importantes da Literatura. A Literatura começa com os gregos e suas Odisséias. Shakespeare traz o drama dos Deuses para a vida real. Só que até Flaubert, havia um certo maniqueísmo na narração das histórias, uma eterna luta entre o bem e o mal, entre Hamlet X seu tio traiçoeiro, entre santos e diabos. Podemos dizer que a Literatura tinha apenas dois plano e Flaubert tridimensionalizou os personagens. Tal como a vida real, ninguém em seu conto é completamente bom e tampouco totalmente ruim. Flaubert abriu os olhos do mundo para a complexidade humana, com suas variáveis infinitas e reações inesperadas. Sim, poderia uma mulher com uma vida aparentemente perfeita trair seu marido fiel! O processo de pegar o rascunho e melhorá-lo até que se torne um livro eterno é opção de cada um. Claro que nenhum samádhi levará o Homem à perfeição. Podemos sim, polir nossas atitudes, melhorar nossas reações, viver de maneira a nos preencher do que queremos e merecemos. Isto precisará de certo esforço, quem sabe 5 anos dizendo aos ares aquilo que se quer.

Podcast de Yoga | 11 jan 2021 | Daniel De Nardi

Teoria dos Códigos dos Grupais – Podcast #38

Teoria dos Códigos Grupais - Podcast #38 Nesse episódio apresento uma antiga teoria sobre como os grupos se comportam e como aprender mais sobre eles.   https://soundcloud.com/yogin-cast/teoria-dos-codigos-grupais-podcast-37   Links     Trilha Sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição     Teoria Dos Códigos Grupais – Podcast #38   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando um 38º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal onde falamos sobre assuntos do yoga, conceitos das filosofias indianas e, também, sobre assuntos cotidianos. Já que a gente está falando em uma reunião, num grupo de muitos yôgins que estarão juntos na semana que vem, eu trouxe um vídeo antigo que eu tinha, que será passado como áudio para os ouvintes do podcast, quem assina o YogIN App e assiste as aulas no aplicativo poderá assistir o vídeo. Este vídeo eu gravei há um tempo sobre uma teoria que eu tinha em relação ao códigos grupais, que os grupos tem determinados códigos e a percepção desses códigos nos ajudam no aprendizado do meio que o grupo está trabalhando, que o grupo tem como atividade comum. Vou deixar o vídeo para vocês e desenvolver mais essa ideia, mas é o que eu vou deixar como essa aula, como o podcast de hoje. Ao final, vamos ouvir um outro alemão chamado Brahms. Brahms nasceu um pouco depois da morte de Beethoven, que nasceu em 1770 e morre em 1827, Brahms nasce em 1833, seis anos após a morte de Beethoven, e morre em 1897. Ao longo da sua vida ele desenvolveu e apurou ainda mais o estilo romântico fundado por Beethoven. Brahms é da mesma linha que Beethoven em termos de qualidade de música, inclusive, a sua primeira sinfonia é considerada a 10ª Sinfonia. Beethoven escreveu nove sinfonias, a nona é a mais conhecida, mostramos aqui em algum episódio que não me lembro qual. O interessante da história de Brahms é que ele viveu em 1870, nesta época a força estava sendo transferida para os consumidores, a força e o poder econômico não era só dos reis. Quem viu o filme Amadeus, viu a situação em que Mozart se coloca, de ter de agradar o rei, o duque ou o seu patrocinador. E começam a fazer lobby em cima de sua música, falando mal dele por inveja o que faz com que ele perca o seu posto (de agradar a nobreza do Austro-húngaro, na época). Brahms, já é de uma época em que os músicos fazem sucesso por uma aceitação do público, então ele começa a fazer sucesso por uma aceitação do público, então, ele passa a ter que agradar ao público, ao gosto faz pessoas que o ouviam, não apenas de uma pessoa. Brahms escreve algumas sintonias e concertos que o tronam famoso, e ele vive uma vida financeira muito tranquila, diferente dos seus antecessores que tinham de agradar a nobreza ou o clero ou viviam na miséria. A burguesia crescer, tem poder de escolha e isso é muito interessante porque a música voltada para o indivíduo, não para agradar apenas uma pessoa de qualquer forma. Em 1870, Brahms recebe um convite da Universidade de Breslau, ele responde com uma carta, algo que o reitor não gosta, pois acreditava que a ocasião merecesse uma comemoração maior. Brahms escreve, então, uma música que é a abertura para uma festa acadêmica, para ser usada para a formatura de uma turma. Se fosse hoje, seria como se Bono Vox compusesse uma música para a sua turma de faculdade. Ele era muito conhecido na época, então gerou-se um burburinho ao redor. Vou deixar o vídeo/áudio desta minha teoria que desenvolvi há um tempo atrás e em seguida vai entrar a música “Abertura de uma Festa Acadêmica” de Brahms. Até o próximo episódio, espero vê-los no sábado e no domingo no Yoga Lifestyle BR, evento que vamos organizar aqui em São Paulo na semana que vem. Uma boa semana e até a próxima. Hari Om! “Olá, Então, hoje uma amiga minha falou pra mim ‘Daniel, agora quem você aprendeu a fazer vídeos você não vai mais escrever’. Isso em parte é verdade, tenho escrito com uma certa constância, mas os vídeos facilitam muito, tanto a minha parte para desenvolver um assunto que demoraria algumas horas para escrever quanto da parte daquele que está ouvindo ou que está lendo que muitas vezes não gostaria de perder tanto tempo para se dedicar a este assunto. Fico feliz, vou continuar fazendo os dois trabalhos. Hoje eu vou falar sobre a Teoria dos Códigos Grupais, foi uma teoria que eu criei, quem sabe esta teoria já existe, em alguma área da psicologia que estuda grupos ou comportamento de manadas, mas o fato é que eu dei uma pesquisada na internet e não encontrei nada neste sentido do que eu vou dizer agora. O objetivo não é ser uma teoria científica, com um embasamento teórico, mas algo empírico que foi observado e que de fato funciona quando a gente coloca em prática. A teoria fala sobre os comportamentos dos grupos e os códigos que os grupos possuem. Todo grupo possui determinados códigos, alguns que são explicitamente falados, outros não. E são esses códigos mais sutis que são essenciais para aquele que quer se desenvolver em determinada área. Digamos que você deseja se desenvolver na área do esporte, da corrida, e aí você começa a correr com determinado grupo, e um dia você faz um comentário como ‘Eu treino sempre em jejum’. Aquele grupo talvez quisesse chamá-lo para integrar a equipe em uma corrida, este comentário que vai contra o que todo o corredor com o mínimo de conhecimento sabe (que correr em jejum não faz bem) vai fazer com que o grupo te deixe de fora da equipe que seria montada. Então, o desenvolvimento das áreas, dos grupos depende desses conhecimento sutis, de a gente observar como se comportam as pessoas que fazem parte desse grupo, como se comportam os líderes daquele grupo e, também, quais são as palavras, os jargões utilizados por eles. Os jargões são essenciais dentro do desenvolvimento dos grupos, digamos que você comece a trabalhar no mercado financeiro, por exemplo, ou que você comece a operar da sua casa no mercado financeiro. Se não conhecer termos da área (como, por exemplo, o termo “venda a descoberto”), vai limitar a sua gama de operação dentro desta área, limitando também o seu desenvolvimento dentro desta área. É essencial que a gente conheça os termos e os códigos sutis, os códigos comportamentais não explícitos. Vamos na área de literatura, que a gente filmou no vídeo passado. Se você quer falar sobre literatura ou escrever, é preciso conhecer os comportamentos dos escritores e precisa saber quais são os livros essenciais que eles leram. Todo o escritor leu, por exemplo, Madame Bovary (do Flaubert), leu Dostoievski, leu Marcel Proust. Pode ser que você não goste destes livros, mas se você quiser se desenvolver nesta área é preciso ter o mínimo de conhecimento deles. Então, fica aqui uma dica para a gente ter mais atenção para esses códigos sutis nas áreas que a gente quer desenvolver, é essencial que você observe o tipo de comportamento e as linguagens pra progredir e não limitar o seu desenvolvimento nessas áreas. A partir do momento em que a gente começa a conhecer esses códigos, é como se todo o conhecimento do grupo ‘escorresse’ até você, o grupo começa a fluir conhecimento, a te ensinar mais e aí você começa a aprender mais nesta área porque é como se você tivesse uma ligação com o inconsciente coletivo daquele grupo e para acessá-lo é necessário conhecer determinados códigos e esses códigos são grupais e sutis que a teoria se propõe a explicar um pouco mais. Obrigado e até o próximo vídeo!”      

Podcast de Yoga | 9 jan 2021 | Daniel De Nardi

Problemas Reais – Podcast #36

Problemas Reais - Podcast #36   Nesse episódio falaremos das diferenças entre os problemas reais e os que existem apenas na nossa cabeça. https://soundcloud.com/yogin-cast/problemas-reais-podcast-36   Links   Schubert   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   TRANSCRIÇÃO   Problemas reais – Podcast #36 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 36º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito de yoga e da busca pela nossa verdadeira natureza. Agora você está ouvindo “Sinfonia Inacabada” ou “Sinfonia Incompleta” de Schubert. Conforme eu falei no episódio passado, sobre arte, em que a arte vai sendo construída em cima de uma tradição e ela depende de esforço, depende do desenvolvimento de técnica pra daí sim expressar a verdadeira natureza daquele artista. Haydn e Mozart estudaram os seus antepassados, estudaram, por exemplo, Bach. E depois, os seguinte a Mozart e Haydn, estudaram eles também, caso de Schubert. Schubert viveu boa parte da sua vida na mesma cidade que Mozart viveu, Viena, que naquele momento histórico (final do século XVIII), Mozart morre em 1791 e Schubert nasce em 1797. Então, Schubert também estudou muito Mozart, ele apreciava bastante Mozart e ele foi um momento de transição da música de Mozart para a música de Beethoven. Schubert também conheceu Beethoven, ambos reconheceram a genialidade que o outro tinha e se admiravam. O ponto é que quando há momentos de dificuldade, quando a gente passa por momentos de perigo real, como a gente passava anteriormente vivendo na selva e quando a gente estava em situação de perigo, a gente não reflete realmente a nossa verdadeira essência, a gente vai lutando desesperadamente e pra sobreviver àquele momento. E tem que ser assim porque se não for, quando existir um perigo real se não lutar para sobreviver e ficar só tentando observar e tentando meditar sobre o que está acontecendo, não haverá sobrevivência. O perigo real exige uma necessidade de ação real. O ponto é que a maior parte dos perigos que a gente coloca na nossa cabeça pra funcionar, não são perigos reais, são perigos que a gente cria na nossa cabeça. Você fica com aquela pré-ocupação, é uma preocupação anterior a algo que vai acontecer, e fica remoendo aquilo dentro do seu cérebro, sempre achando que o perigo e iminente e vai te afetar a vida. Mas se parar realmente para pensar, os perigos reais que vão afetar a sua vida são muito raros, como sempre foram. E hoje em dia, ainda mais, se comparado aos nossos antepassados que viveram há dez, quinze, trinta mil anos atrás, eles viviam no meio da floresta. Eles tinham perigos reais mais constante que nós temos, hoje boa parte dos perigos e das ameaças que nos incomodam e nos deixam remoendo pensamentos, fazem parte de uma criação de um perigo ideológico, que não se reflete na prática. Então, essa mensagem de hoje é nesse sentido, do quanto a gente dá atenção grande, projeta enormemente um perigo que muitas vezes não é tão grande quanto ele é realmente. Só que a nossa mente tem essa capacidade porque ela entra num processo de proteção, de busca pela sobrevivência dos instintos e ela passa a atuar especificamente nesse drive, nesse sentido de sobrevivência, só que nem sempre eles são perigos de sobrevivência. Muitas vezes, são pequenas coisas que merecem uma ação, mas que não mereciam uma grande preocupação. E a dica aqui é uma observação, sempre que a sua mente entrar nessa linha de desespero ou de pensar muito em escassez, faça uma reflexão se o perigo é real ou se é apenas uma criação da mente. Mantendo uma ação sobre aquilo que precisa ser feito, não necessariamente com preocupação, você vai fazendo os ajustes que são importantes, mas não deixe que a projeção do perigo tome conta das suas atitudes. Fico por aqui lembrando que nos dias 28 e 29 de outubro teremos aqui em São Paulo o Yoga Lifestyle BR, o maior evento de yoga do Brasil. Um evento que está sendo liderado pela Mayara e que vai contar com a presença de grandes personalidades do yoga (vou deixar o link aqui para quem quiser consultar a programação). Terá a presença do Pedro Franco, da Monja Cohen, a Liana, que vem da Austrália e diversos professores qualificados, então vai ser um grande evento. Para a inscrição, é o mesmo link, quem quiser pode usar um cupom de desconto com o meu nome, então quando você entrar no link é só digitar “Daniel” e, assim você terá um desconto de 10% no evento. A música, “Sinfonia Inacabada”, é porque Schubert passou durante a sua vida diversos momentos de muita dificuldades, dificuldade real como a financeira. Em boa parte da sua vida ele foi bancado pelos seus amigos, que acreditavam no talento dele, mas ele em vida não foi reconhecido, só houve reconhecimento após a sua morte. Ele sempre compôs, passou a vida inteira realmente exercendo a arte dele e teve problemas reais. Pode-se pensar que não acabar uma sinfonia é um problema real, mas no fundo acabou não sendo porque a Sinfonia Inacabada é a maior obra dele conhecida no mundo. Uma boa semana, nos vemos na semana que vem. Ohm Namah Shivaya!

Podcast de Yoga | 7 jan 2021 | Daniel De Nardi

O Yoga e a Reprogramação de Condicionamentos – Podcast #47

O Yoga e a Reprogramação de Condicionamentos - Podcast #47   Nesse podcast falaremos sobre a proposta do Yoga para agir com menos condicionamento e mais liberdade e autenticidade.       LINKS   Série de podcast gravada na Índia   https://yoginapp.com/diariodeumyoginpelaindia/#   Podcast sobre sentidos https://yoginapp.com/ilusao-dos-sentidos-podcast-45/   Livro Mindset     Resumo do livro Mindset Livro ???? sobre reprogramação de condicionamento. @ResumoCast https://t.co/E83O1QiteE — Daniel De Nardi (@danieldenardi) December 22, 2017 Cânone substantivo masculino 1. mús tipo de composição polifônica em que uma melodia é contrapontada a si mesma. 2. mús peça de canto coral em que as várias partes repetem a parte inicial, em tempos diferentes. 3. norma, princípio geral do qual se inferem regras particulares. 4. p.ext. maneira de agir; modelo, padrão. 5. p.met. lista, catálogo, coletânea. 6. dir.can decreto, conceito, regra concernente à fé, à disciplina religiosa. 7. p.met. dir.can conjunto dos livros considerados de inspiração divina. 8. litur.cat uma das partes em que se divide a Santa Missa. Play list da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Transcrição: O yoga e a reprogramação de Condicionamento – Podcast #47 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 47º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Você está ouvindo Cânone. Você já deve ter ouvido esta música antes, ela é muito conhecida, uma das mais conhecidas da música clássica. Apesar disso o seu compositor, Johann Pachelbel, fez pouca coisa expressiva além dessa música. Uma música simples que vai se repetindo, e ganha uma melodia belíssima, que se repete, como um cânone, algo que tenha que ser seguido. É uma música que me agrada, eu gosto muito, já a conheço a algum tempo, porque é uma música que a gente escuta muito como tema de filmes, na televisão, em todos os lugares. Esta é uma música bastante usada deste compositor. Este episódio era para ser o que eu gravei na semana passada com o meu irmão sobre yoga e surf. Quem acompanhou nas redes sociais, a gente fez uma gravação que ficou muito boa, foram mais de quarenta minutos trazendo insights sobre as relações de surf e yoga, sobre a atitude de iogue, só que quando fui transferir o arquivo para o computador acabei perdendo toda a gravação. O meu irmão tá indo viajar, vai voltar dentro de alguns dias, e a gente vai tentar regravar, só não acho que vamos conseguir chegar aos insights e a qualidade do que foi gravado, mas talvez seja melhor, quem sabe...Não tenho nada registrado, apenas na memória, me lembro de algumas perguntas que fiz, então com isso vou conseguir trazer o assunto que ficou muito interessante, mas o que foi, foi. Nunca me preocupei muito com registros, até a minha viagem para a Índia, em 2015, eu nunca havia levado uma câmera fotográfica numa viagem, tirava fotos apenas com o celular. A partir desta viagem, que eu gravei uma série de podcasts chamada “Diário de um iogue”, em que eu conto cada parte da viagem, a partir daí comecei a ver o valor que há no registro. De a gente registrar seja por voz ou por imagem os momentos que são importantes para a nossa vida. Falamos no episódio passado sobre os sentidos, do quanto eles nos engano e de como eles não são a real expressão da nossa verdadeira natureza, mas os sentidos constrói um valor para a vida, a partir das coisas que a gente percebe do mundo que a gente vai dando uma direção para a nossa vida e construindo. Então, reviver momentos que foram importantes, que foram marcantes é uma construção da nossa identidade, então é algo que vale a pena.  A viagem para Índia fez com que eu tivesse interesse por registrar em imagens e áudios. Não por uma neurose, tem gente que vive pelo registro. Acho que o registro tem que ser a consequência de se ter vivido um momento importante, um momento que vale a pena ser registrado. Há um tempo atrás eu havia dito sobre um projeto, acabei até por dar a data de estreia, que acabei não cumprindo, mas isso vai sair, chamado “Yoga Falado”. A ideia desse projeto consiste em gravar em áudio os mais de 500 artigos que temos disponibilizados no YogIN App. Nós vamos começar este processo em 2018, ainda sem previsão de datas, para que não haja descumprimentos. É algo que quero fazer e que acho relevante porque ler um texto é algo que demanda muito tempo, muita atenção, uma exclusividade que nem sempre as pessoas tem. Ouvindo, podemos interagir com outras atividades como, por exemplo, dirigir, lavar louça, arrumando o quarto, na academia ou correndo. Não terá a mesma qualidade de uma leitura, até porque a leitura exige um foco maior, mas a mensagem é passada de ambas as formas. Eu mesmo estudo muito em áudio (audiobooks ou podcasts) e pra mim é um tipo de informação que fica, ela realmente é assimilada. Reconheça que quando leio assimilo mais, mas tem determinados assunto que eu gostaria de aprender, mas que não conseguiria parar um tempo e fazer exclusivamente isso, por exemplo, astronomia. Eventualmente escuto um podcast sobre o assunto, mas nunca vou parar a minha rotina para ler um livro de mil páginas sobre astronomia. Então o yoga, talvez, não seja o interesse maior neste momento para você. Ou talvez você seja professor e precise ler o artigo para se aprofundar. Ou, ainda, talvez você se interesse por yoga como eu me interesso por academia ou como um exercício complementar, tudo isso é válido, não podemos exigir uma atenção plena, cada pessoa tem a sua vocação para se dedicar exclusivamente a uma atividade, o yoga tem interesse e é nesse caso que a parte gravada, o áudio, irá ajudar na compreensão. Então a gente vai fazer este projeto e hoje vou fazer uma pequena experiência aqui. Recentemente ouvi um podcast que é um resumo sobre o livro Mindset, a ideia do livro (vou disponibilizar tanto o link do livro quanto o do podcast) é que nós temos uma programação que foi injetada quando éramos crianças. De como devemos reagir a uma agressão, de como devemos ficar quando terminam um namoro com a gente, existe uma programação que é a junção de várias influências, seja dos nossos amigos mais próximos, seja da nossa família, dos nosso professores, e aquilo tudo vai fazer com que agimos de uma determinada forma. Mas essa maneira de agir nem sempre expressa o que de fato queremos no momento ou o que é a nossa verdadeira natureza. Muitas vezes essa maneira de expressar só é o reflexo do que se aprendeu. Por exemplo, no meu caso, o meu pai como muito rápido e eu sempre sentava na frente dele, isso fez com que eu tivesse uma tendência a me alimentar rapidamente. Existem vários desses padrões que absorvi, que faço muitas vezes involuntariamente. O livro (Mindset) tem como proposta se fazer uma reprogramação, verificar determinados pontos da vida e fazer uma reprogramação sobre eles. Não é algo fácil, ´mas é algo que se você se observar alguns tipos de comportamentos pontuais você conseguirá mudar. Você pode ver que determinado comportamento ou postura que tenha não te agrada e quando você tiver dentro da situação você poderá alterá-la a partir da consciência sobre aquele ato. Efetivamente no momento em que agimos há um segundo de lucidez, há um segundo em que a gente pode mudar de atitude e descondicionar. Existem experiências, algo que falei bastante no episódio passado, em que pesquisadores fazem uma série de perguntas para as pessoas e, dependendo de como é a reação dos neurônios daquela pessoa eles já sabem como ela vai responder. “Na década de 1980, o neurocientista Benjamin Libet fez um experimento mostrando como as decisões racionais ocorrem segundos depois de processos neurais inconscientes se ativarem, descoberta que colocou em xeque nossa capacidade de livre-arbítrio. De lá para cá, munidos de aparelhos de ressonância magnética, outros cientistas analisaram cérebros de voluntários e comprovaram a hipótese de Libet. Eles constataram que, quando uma pessoa faz uma escolha consciente, como apertar um botão, o inconsciente dela já decidiu. A atividade cerebral ligada àquela decisão começa até 10 segundos antes de você ter como verbalizar aquela decisão.” Eles colocam a foto da Malu Mader e de um Gorila, então eles perguntam “Quem é a mais bonita?” você responder que é a Malu Mader, daí eles já sabem qual é a região do seu cérebro que ativa. Em outro momento eles fazem o mesmo experimento, só que no ato da resposta trocam a foto da Malu Mader pelo do gorila, então você tenta justificar a escolha, mas no fundo a decisão já havia sido tomada, independente da coerência, só que você justifica de uma forma elaborada mentalmente. Mas uma nova pesquisa demonstrou que: “(...) Pesquisas recentes têm questionado a soberania do inconsciente. Em alguma medida, seríamos capazes de “vetar” uma escolha tomada pelo lado oculto da mente. Foi o que mostrou uma experiência do neurocientista John-Dylan Haynes, do Centro Bernstein de Neurociência, em Berlim. O cientista monitorou o cérebro de voluntários enquanto eles disputavam um jogo contra um computador (um game bem simples, de apertar um botão). O computador conseguia detectar que a pessoa ia apertar o botão, vários segundos antes de ela efetivamente apertar. A máquina tinha tempo de reagir a isso e, em tese, ganhar 100% das partidas. Mas não foi isso o que aconteceu. Os voluntários foram capazes de interceptar, e cancelar, a ordem de apertar o botão que havia sido emitida pelo inconsciente e, com isso, driblar o computador e vencer o jogo. ‘Nosso estudo mostra que a liberdade é muito menos limitada do que se pensava. No entanto, há um ponto de não retorno no processo de tomada de decisão, em que cancelar o movimento não é mais possível’, disse Haynes. Ou seja: o inconsciente está no comando, mas existe uma janela dentro da qual é possível manobrá-lo. Mesmo quando não der, não é o fim do mundo. Consciência e inconsciente, afinal, são partes da mesmíssima coisa.” Embora este condicionamento seja a coisa mais automática e mais forte, aquilo que a gente vai efetivamente responder, existe um segundo de lucidez antes, existe um segundo em que você pode mudar a atitude e mudar o seu comportamento, reprogramar a sua reação para determinadas áreas que você não está satisfeito hoje com o tipo de reação. Então esse livro é recente, acho que deve ter cerca de cinco ou dez anos, mas esse tipo de pesquisa dos condicionamentos já vem sendo trabalhado na Índia, o conceito de sâmskara e de vasanah sempre fez parte do hinduísmo, sempre fez parte da inteligência indiana, porque o que eles acabavam vendo é que se a gente só responde a uma tendência natural do comportamento, nós nunca teremos a libertação, não iremos sair desse condicionamento, vamos apenas reproduzir a vontade dos desejos e da mente e nunca conseguir fazer algo superior como, por exemplo, descansar a mente. Se a mente está condicionada a sempre pensar, você não vai conseguir simplesmente pará-la, vai precisar descondicioná-la. O descondicionamento é parte do processo de desenvolvimento indiano, à medida que você tem mais consciência e toma cada decisão com mais presença, com mais relação com a sua verdadeira natureza. E então eu escrevi um artigo há algum tempo chamado “Yoga e a Capacidade de Auto Reprogramação”. Vou ler ele. Não sei ainda como vai ser, exatamente, o modelo do Yoga Falado, aceito sugestões – se posta apenas o artigo ou se faço comentários...Embora as pessoas prefiram com comentário, acredito que ele possa induzir a uma análise do texto, como hoje estou lendo para o podcast, farei alguns comentários para finalizar. “YOGA E A CAPACIDADE DA AUTO REPROGRAMAÇÃO Patanjali, considerado o pai do Yoga, termina suas explicações escritas ensinando Kaivalya (liberdade absoluta), objetivo final do YogIN. Mas como as técnicas e os ensinamentos do Yoga, que foram evoluindo desde Patanjali podem ajudar o praticante em seu objetivo de libertação? O pensamento indiano sempre esteve muito atento a questão dos condicionamentos (vasanas) e como desfazer esses condicionamentos para se aproximar da essência (purusha). A maior parte desses condicionamentos são desenvolvidos durante a juventude. Comportamentos aprendidos a partir de observação e repetidos por puro hábito e adaptação. Imagine um programa de computador que fica sendo programado durante 10 anos e quando a tecla “Enter” é acionada, o programa entra num loop apenas repetindo funções programadas. Exagero sim, mas vale a questão do quanto temos de livre arbítrio. O YogIN parte numa aventura investigativa do que realmente é seu purusha, o seu eu, e o que lhe foi programado de fora. O Yoga pode ser comparado a um aprendizado de um tipo de programação. A programação em que nos foi colocado condicionamentos comportamentais. Se você vai usar um programa no seu computador e não conhece programação, pode apenas seguir os comandos pré-programados. Mas se você conhece a forma como os softwares são desenvolvidos (open source software que são aqueles em que o código fonte é aberto para todo mundo mexer – se não entendeu essa parte pense num Windows que todo mundo pode mexer), esse tipo de programa, open source, pode ser alterado por qualquer um. Precisa conhecer os padrões usados e como eles se repetem. Pode, assim, montar um novo programa em cima do que recebeu. O Yoga é uma forma de reprogramar o comportamento mais de acordo com as direções da consciência. Patanjali fala desse tipo de “reprogramação” no Yoga-Sutra, no versículo 3. ‘A serenidade da mente é conquistada com a amizade com os felizes, compaixão com os infelizes.’ O que se sabe, sente ou pensa pode ser reprogramado. Construir novos padrões de comportamentos dependem de auto-observação, uma habilidade bastante treinada na prática do Yoga. Numa época chamada de Renascimento do Yoga (século VII), os tântricos começaram a experimentar no corpo o direcionamento de sensações. Entenderam que se conseguissem dominar vontades, dominariam a instabilidade da mente e estariam livres para a revelação do EU. Asanas, as técnicas corporais do yoga, e os pranayamas, os respiratórios, são exemplos de exercícios que ensinam o YogIN a conduzir suas sensações. Num determinado treinamento respiratório o praticante inspira e quando sente vontade de soltar o ar, segura mais um pouco, treinando sua mente a atender a comandos pessoais. Quando o praticante deita-se em shavasana (postura de relaxamento) entra num estado de menos interferência dos sentidos externos. Pode relaxar o corpo e direcionar sua atenção para um padrão comportamental. Como há menos interferência dos sentidos (pratyahara) o YogIN observa melhor como o condicionamento foi construído e reprograma-se para agir diferentemente na próxima oportunidade. Durante este período, o conceito de Kundalini ganhou bastante visibilidade na literatura do Yoga. Como uma poderosa energia criadora parece-se muito com o conceito de Eros da psicologia. Ambas associadas a instintos e criação artística. Os YogINs não se contentam apenas em estimular a Kundalini, mas domá-la e conduzir esta energia para o caminho espiritual. O sexo tântrico, tão alardeado no Ocidente, nada mais é que uma continuação desse objetivo de conduzir ações, desejos e pensamentos. O loop dos condicionamentos dificulta qualquer mudança de rumo. Mudar condicionamentos é uma habilidade que as técnicas do Yoga estimulam. A prática do Yoga, desperta vontade de mudar hábitos. É até engraçado, pois ninguém nos obriga a isso, mas quando percebemos, estamos escolhendo alimentos mais saudáveis no supermercado. A prática desperta uma vontade de fazer coisas diferentes que você nem sabia que gostava, ou que sempre soube mas acabou nunca agindo para isso. A prática do Yoga vai nos dizendo muito mais sobre nós mesmos. Faz parte do objetivo de revelar o Eu, trazê-lo para o dia a dia, para a vida. Parar um tempo para observar a respiração é uma forma de contato com as emoções. A respiração influencia as emoções e vice-versa. Aquietar as emoções e observá-las é um dos objetivos da prática. Como cada praticante vai conduzir o aprendizado da observação é algo totalmente pessoal, mas o Yoga te dá a chave para um estado. Um estado de aquietamento e relaxamento que permite uma observação melhor de si mesmo. O Yoga ensina a observar padrões comportamentais para reconstrui-los conforme aspirações pessoais. Reprogramar-se para ser o que você sabe que pode ser.” Então aqui nós finalizamos este episódio. A minha dica é que você use esta técnica de reprogramação na sua vida, isso não é algo complexo, você vai simplesmente nos próximos dias, antes de dormir ou num estado de relaxamento durante a sua prática de yoga, escolher um único hábito e visualizá-lo. Em seguida irá visualizá-lo novamente, mas mudando a sua atitude diante dele, trocando a resposta do condicionamento, agindo de forma mais condizente com aquilo que você verdadeiramente é e não com o que foi programado nos seus comportamentos. Até a próxima, Ohm Namah Shivaya!  

Podcast de Yoga | 6 jan 2021 | Daniel De Nardi

SÁBIAS PALAVRAS – Podcast #94

SÁBIAS PALAVRAS - Podcast #94 Neste podcast falaremos sobre a força das palavras e o quanto elas podem moldar nosso mundo interno e externo.   LINKS     Curso online de Formação em Yoga https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Filme A Chegada Músico Olafur Arnalds   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Playlist do Spotify com as músicas da série Perfil do Instagram da série Experimente o YogIN App por 14 dias https://yoginapp.com/planos/   TRANSLITERAÇÃO   Boa parte da compreensão que temos do mundo vem  de imagens. A visão é o sentido que mais colhe informações para os nossos pensamentos. Quando lemos, estamos codificando uma imagem, que compreendemos que tem um som e que signifique algo. Isso cria nossos pensamentos e conduz nossas ações. Não são só as palavras, mas imagens que mudam nosso comportamento. Esse podcast começou a ser concebido na semana passada quando comecei a utilizar para prática de pranayama o um álbum do compositor Olafur Arnalds chamado … and they have escaped the weigth of darknewss em que a capa tem uma imagem que se parece com o os caracteres que os alienígenas do filme A Chegada usam para se comunicar com os humanos. A imagem me lembrou do texto que escrevi quando vi esse filme. Comecei a reler o texto e ele remetia a um outro texto que escrevi há mais tempo no meu blog. Em Para Onde nos Levam as Palavras, uso como exemplo da força que esses códigos possuem sobre o nosso comportamento, o musical My Fair Lady, que no cinema foi interpretado por Audrey Hepburn. Esse texto que abrirá a Reflexão de hoje. Pesquisando sobre Olafur Arnalds descobri que não é dele a trilha sonora do filme, e o álbum que usa a imagem é de 2010, mas se parecem tanto, que certamente serviu de inspiração para o diretor de arte de A Chegada. Olafur Arnalds é um jovem compositor islândes que já fez turnê com o Sigur Ross o que me deu a ideia do próximo podcast, mas isso vamos deixar para semana que vem. Agora vamos falar das palavras. Olafur Arnalds é um jovem compositor islândes que já fez turnê com a banda Sigur Ross e fez a trilha sonora de um musical em homenagem a Ernest Shackleton, isso me deu a ideia do próximo podcast, mas isso vamos deixar para semana que vem. Agora vamos falar das palavras.     Para onde nos levam as palavras My Fair Lady, interpretada no cinema pela musa Audrey Hepburn, surgiu muito antes como musical da Broadway. Os musicais assim como as óperas tem um grande obstáculo na construção de enredos - a música. O principal tema, ocupa muito espaço dentro da trama o que dificulta um enredo mais elaborado. Entretanto, My Fair Lady, com a simplicidade de um musical (queria por dos anos 30 para ficar igual a música do Legião Urbana mas não deu) do início do século XX consegue passar uma mensagem a um só tempo importante e profunda. Na trama, Henry Higgins, um culto professor de fonética, conhece Eliza Doolettle, moradora de rua e vendedora de flores, e aposta com seu amigo que consegue transformá-la em uma dama (Fair Lady) em apenas 6 meses. Na sociedade de hoje, em que a classe emergente ocupa cada vez mais espaço na hierarquia social mesmo não tendo a bagagem que era exigida outrora, poderíamos questionar - Seis meses? Para que tanto, basta um banho de loja na Quinta Avenida e ela já estaria pronta. Para parecer uma dama sim, apenas um cartão de crédito ilimitado já seria suficiente para Doolete. No entanto, Henry sabia das coisas e como descobrimos ao longo da história, sua intenção não era apenas levá-la numa festa como um enfeite e enganar sua procedência.  Por onde Higgins começou? Roupas, curso de etiqueta, restaurantes e lugares badalados? Não, nada disso - linguagem. Sim, as palavras que ela usaria e como pronunciaria tais palavras, isso a mudaria de fato. Mudaria a forma que ela veria o mundo, mudaria a forma como o mundo a veria.  O professor não queria apenas que Eliza fala-se o inglês da nobreza britânica, mas desejava transformá-la. A forma como dizemos as coisas e que expressões usamos para dize-las fala muito mais sobre nós mesmos que aquilo que estamos dizendo.  E mudar significa necessariamente modificar o padrão dos pensamentos. E as palavras são a matéria-prima dos pensamentos, logo, um vocabulário mais elaborado é o que permite uma linha de pensamento mais complexa.     \"Não é exagero afirmar que um casal que haja lido Garcilaso, Petrarca, Góngora e Baudelaire ama e usufrui mais do que outro, de analfabetos semi-idiotizados pelas séries de televisão.\" Vargas Llosa  Como disse Vargas Llosa acima, a leitura, que vai nos acrescentando vocabulário e consequentemente clareza nos pensamentos e na comunicação, irá contribuir não apenas para nosso desenvolvimento profissional, mas como amantes, amigos, companheiros de conversa. As palavras são poderosas, elas mandam no mundo e mandam em nós também. Não despreze o poder das palavras elas mudam as pessoas.     A transformação pela comunicação Escrevi aqui no blog, um outro artigo sobre comunicação chamado Para onde nos levam as palavras, o título é ruim, mas a ideia central é boa e por isso vou aprofundá-la um pouco mais no texto de hoje usando como pano de fundo um outro filme. Se você ainda não leu  Para onde nos levam as palavras, vale a pena. O texto também se baseia num filme, My Fair Lady,  para explicar sobre a importância da comunicação e o poder que ela tem de transformação. A comunicação é uma ferramenta muito importante para o autoconhecimento. Conseguir exprimir em palavras aquilo que se sente ou que se pensa é essencial para a auto compreensão. O ganhador do prêmio Nobel de Literatura, Vargas Llosa em seu artigo Em Defesa do Romance fala exatamente disso (a citação longa, foi inevitável)   Uma pessoa que não lê, ou que lê pouco, ou que lê apenas porcarias, pode falar muito, mas dirá sempre poucas coisas, porque para se exprimir dispõe de um repertório reduzido e inadequado de vocábulos. Não se trata apenas de um limite verbal; é, a um só tempo, um limite intelectual e de horizonte imaginário, uma indigência de pensamentos e de conhecimentos, porque as ideias, os conceitos, mediante os quais nos apropriamos da realidade e dos segredos da nossa condição, não existem dissociados das palavras, por meio das quais as reconhece e define a consciência. Aprende-se a falar com precisão, com profundidade, com rigor e agudeza, graças à boa literatura, e apenas graças a ela. Nenhuma outra disciplina, nenhum outro ramo das artes, pode substituir a literatura na formação da linguagem com que as pessoas se comunicam. Os conhecimentos que nos transmitem os manuais científicos e os tratados técnicos são fundamentais; mas eles não nos ensinam a dominar as palavras nem a exprimi-las com propriedade: pelo contrário, amiúde são mal escritos e revelam certa confusão linguística porque os autores, às vezes eminências indiscutíveis em sua profissão, são literariamente incultos e não sabem se servir da linguagem para comunicar os tesouros conceituais de que são detentores. Falar bem, dispor de uma linguagem rica e variada, encontrar a expressão adequada para cada ideia ou emoção que se queira comunicar, significa estar mais preparado para pensar, ensinar, aprender, dialogar e, também, para fantasiar, sonhar, sentir e emocionar-se. De uma maneira sub-reptícia, as palavras reverberam em todas as ações da vida, até mesmo nas que parecem muito distantes da linguagem. Isso, na medida em que, graças à literatura, evoluiu até níveis elevados de refinamento e de sutileza nas nuances, elevou as possibilidades da fruição humana, e, com relação ao amor, sublimou os desejos e alçou à categoria de criação artística o ato sexual. Sem a literatura não existiria o erotismo. O amor e o prazer seriam mais pobres, privados de delicadeza e de distinção, da intensidade a que chegam todos aqueles que se educaram e estimularam com a sensibilidade e as fantasias literárias. Não é exagero afirmar que um casal que haja lido Garcilaso, Petrarca, Góngora e Baudelaire ama e usufrui mais do que outro, de analfabetos semi-idiotizados pelas séries de televisão.   Se você pensar numa divisão de mundo entre tangível (material) e intangível (ideias), a comunicação é a ponte entre esses dois universos. Sem um arsenal de palavras e construções verbais que consigam dar significado aos acontecimentos ou ideias, os dois mundo parecerão linhas paralelas que andam juntas, mas nunca se encontrarão. Sem conhecer esses códigos (palavras) a pessoa terá muita dificuldade para entender o que se passa com suas sensações e também de compreender fenômenos externos que também afetam sua vida. Estudos da psicologia consideram que a formação do EU só começa a acontecer depois que o bebe pronuncia suas primeiras palavras. Antes disso, ele não consegue vivenciar sua individualidade. Sem as palavras ainda se sente totalmente parte da mãe.   A palavra, determina. A comunicação é a ferramenta que faz ideias abstratas se tornarem realizações concretas. A palavra, seja ela pensada, escrita ou pronunciada que permite que os acontecimentos sejam compreendidos. A busca da auto compreensão passará necessariamente pelo desenvolvimento da linguagem. Dialogar com o corpo e compreender mais a fundo as sensações é algo que a prática do Yoga faz em todos os tipos de exercícios. O que é um asana se não uma forma de aprendizado do diálogo corporal. No Hinduísmo há uma crença de que para que algo exista, precisa ter nome e forma. Isso inclui também conceitos abstratos que também precisam ser nomeados e representados como símbolos visuais. O que é a sabedoria para os hindus? Saraswati. A representação envolve a imagem numa ambientação de música, arte, iluminação e poder. A linguagem visual constrói o conceito de forma mais clara, deixando pistas de como se chegar à sabedoria. O processo é o mesmo com as palavras, elas criam conceitos na nossa cabeça que aproximam nosso imaginário daquilo que estamos percebendo. Quando você sente um medo e consegue externa-lo com palavras estará mais próximo de vencê-lo, se esse for seu objetivo. O filme A Chegada, do diretor Denis Villenueve (que já produziu obras-primas como Incêndios e  Blade Runner 2, quebra todos os paradigmas da forma como nos comunicamos e como isso interfere na forma de vermos o mundo. O tema de A Chegada passa pela comunicação entre Nações e como o comportamento influencia a forma como cada indivíduo expressa o que sente.    

Podcast de Yoga | 5 jan 2021 | Daniel De Nardi

Castas de Poder – Podcast – Podcast #93

Castas de Poder - Podcast - Podcast #93   O sistema de castas vem sendo refutado por pessoas importantes na política como a atual 1º ministro indiano Narendra Modi e intelectuais como Sri Baba Ram Dev. Segundo essa releitura do conceito das castas, elas foram originalmente estruturadas para que cada pessoa, seguisse sua vocação após um treinamento e não apenas pela descendência. Neste podcast usaremos a estrutura das castas para compreender melhor como o poder se distribui na sociedade.       LINKS Página de descontos Black Week Podcast explicando como o conceito original das castas foi deturpado pelos detentores do poder - AS CASTAS NÃO SÃO DE NASCIMENTO – PODCAST #62   https://yoginapp.com/as-castas-nao-sao-de-nascimento-podcast-62/   Perfil do Instagram da série   Playlist com as músicas da série no Spotify   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Transcrição \"Quando desmembraram Purusha, em quantas partes o dividiram? Em que a sua boca se transformou? E os seus braços, o que se tornaram? Como são chamadas agora as suas coxas? e os seus pés? A sua boca tornou-se o bralmane, os seus braços se transformaram no shatrya, as suas coxas em vaishya e dos pés nasceu o shudra\" — Ṛig Veda, X,90-11,12   Quem decide seguir a tradição do Yoga e entra num ashram, mosteiro da Natha Sampradaya, terá sua casta desconsiderada. Os Yogins são vistos como seres sem castas e a busca do Yoga não passa pelo processo das castas. Seguir o Dharma, a verdadeira vocação é parte dos tratados mais importantes do Hinduísmo, como o Bhagavad Gíta, no qual Arjuna realiza sua vocação como Kshatrya e batalha mesmo contra seus primos. A busca da vocação ou propósito, dharma, é parte do caminho espiritual em direção à moksha, o último estágio de iluminação.  As castas surgem com o objetivo de haver intercâmbio de conhecimento entre as comunidades indianas.  Até hoje na Índia, são as mães que escolhem o casamento da maior parte dos filhos. Antigamente essa escolha era baseada no que cada família podia trazer de know-how para a comunidade.  Já expliquei no episódio #62 chamado AS CASTAS NÃO SÃO DE NASCIMENTO que a riqueza tanto material quanto espiritual só pode florescer num ambiente em que a expressão da individualidade é valorizada. Determinações hierárquicas acabam com a criatividade e produtividade. O conceito de castas nasceu na Índia como uma escolha após um treinamento e não por hereditariedade. As família tinham suas especialidades de trabalho, mas originalmente isso não impedia que a pessoa pudesse tentar outra vocação que não fosse a da família. Entretanto, em determinado momento, quem estava no poder, achou conveniente congelar aquela estrutura da sociedade e impedir a troca de castas ou extrato social. A forma como o sistema foi implementado demonstra justamente como cada casta pode exercer seu poder. O poder é a foma de você convencer alguém a fazer algo. Isso pode acontecer desde uma ameaça violenta até o convencimento por argumentos.  Diferentemente da estrutura rígida das castas , na História Ocidental, dependendo do período determinado grupo desses, utilizou diferentes maneiras de exercer o poder. Quais são as castas?   A espiritualidade indiana tem como objetivo a libertação, conhecida como moksha.  Que é a percepção plena do purusha, que foi mencionado na frase do Rig Veda sobre construção das castas. Para se atingir Moksha Os parias, chamados hoje de dalits ou como Gandhi os chamou harijans, filhos de Hari, Brahma, não possuem casta alguma. Então estão fora da esfera de poder. Os shudras operários, artesãos e pessoas de profissões mais simples possuem muito pouca capacidade de influenciar a sociedade. O que já ocorreu na História foi a utilização desses grupos como massa de manobra para beneficiar um dos grupos acima. Dentro do processo de evolução das castas, aqueles que nascem como shudras, apenas seguem o Kama, os desejos. Vivem pelos instintos mais prementes. Os vaishyas, são os comerciantes, que controlam o poder econômico. Esse poder é muito forte nos dias atuais, mas mesmo assim, por mais rica que uma pessoa ou uma empresa seja, ela ainda estará submetida aos sistemas políticos/militares. Quem nasce como vaisha deve controlar seus desejos, kamas para produzir mais riqueza. Os Shatryas são os guerreiros/políticos. Antigamente, o Rei era o cara que conquistava alguma terra. Até o desenvolvimento da democracia eleitoral, os reis sempre foram de famílias de guerreiros. Logo, o poder político era o mesmo que o poder militar. Esses poderes são também fortíssimos, mas mesmo os reis curvavam-se a figuras de sacerdotes ou de professores. Os shatryas trabalham na sua evolução como casta para não serem tomados pela sede do poder e possam ter discernimento, viveka. para governar pelo bem comum. Os brahmanes exercem o poder espiritual ou intelectual.  Os bramanes são a classe dos sacerdotes e professores, os brahmanes são difusores do conhecimento. Esse poder é o que demora mais tempo para ser construído. Entretanto, é o mais perene. A influência daqueles que produzem as ideias ou que ensinam é maior do que quem paga ou quem cria leis. A formação dos indivíduos numa sociedade exerce uma tremenda influência em como cada pessoa irá se comportar e seguir sua vida. Uma das provas da força desse poder é que mesmo os párias conseguem legalmente ascender na Índia, há leis para punir qualquer tipo de discriminação baseada nas castas, entretanto como isso foi ensinado ao longo de séculos pelos Brahmanes , na prática, a discriminação por castas continua acontecendo. Já que vamos falar de Formação falamos do Curso de Formação que terá um formato novo, com uma trilha de modos mais voltado para o conhecimento do Yoga na nossa época como ferramenta de autoconhecimento, o mais importante dos conhecimentos.  

Podcast de Yoga | 4 jan 2021 | Daniel De Nardi

A imaterialidade das ideias #89

A imaterialidade das ideias #89 As ideias tem valor por elas mesmas ou precisam de um personagem que as represente :> Neste podcast falo sobre o aspecto intangível das ideias. LINKS   Curso sobre Aprendizado deste autor Playlist com todas as musicas da serie  Perfil do Instagram da serie 

Podcast de Yoga | 31 dez 2020 | Daniel De Nardi

Saúde Doentia – Podcast #37

Saúde Doentia - Podcast #37 O que a busca doentia por uma saúde perfeita pode gerar. Saiba mais no 37º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo.           Links   Beethoven   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   https://youtu.be/yTLOQGF-c1E       Transcrição Saúde Doentia – Podcast #37 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 37º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito do yoga e falamos muito, também, sobre música clássica. Você ouve ao fundo a Sinfonia Imperador, de Beethoven. Ele já apareceu outras vezes aqui com a 6ª Sinfonia, que é a Pastoral, e com a famosa 5ª Sinfonia. Beethoven dá continuidade a uma linha sucessória de compositores que tenho trazido aqui, como exemplo, no podcast. Então eu trouxe Haydn que era contemporâneo de Mozart, eles viviam na mesma cidade, trocaram muita informação, se conheciam. E, depois, Mozart falece um pouco antes e nesse tempo aparece Schubert, que é uma figura que estudou com Haydn e com Salieri, que era outro compositor da época e, no meio termo, surge Beethoven estudando com Haydn, com Salieri e conhecendo Schubert. Os dois se admiravam bastante, mas Beethoven extrapolou todos os níveis de excelência nos níveis de composição e ele dá origem a um novo movimento. Pode-se dizer que Haydn e Mozart fundaram o Classicismo, porque a música clássica pode ser chamada, também, de erudita. Ela tem o período clássico, que foi fundado por esses dois compositores e, depois, Beethoven é fundador de um novo movimento, uma nova tendência musical, que seria o Romantismo. A música que você está ouvindo, “Imperador”, integra o período do Romantismo, Beethoven era um entusiasta da Revolução Francesa, das ideias Iluministas, mas ele se decepcionou muito quando viu o que efetivamente aconteceu, que a ideia da Revolução, de tirar a nobreza do poder era algo muito bonito e vinha trazendo poder para o povo, mas no final o que acabou acontecendo foi que um ditador tomou o poder e acabou concentrando nas mãos de uma pessoa só, causando guerras. Esse período em que ele compõe está música, Pastoral (que recebe o nome pelo fato de ele voltar ao campo, uma negação ao poder vigente, ele se volta a um grande movimento romântico da Alemanha, de retorno ao campo, muito defendido pelos próprios conservadores que também não viam com bons olhos o que vinha da França e o próprio movimento industrial que surgia na época. Inclusive, este foi um momento em que os conservadores se alinham com os cuidados ao meio ambiente. Desta fase surge tanto “Pastoral” quanto “Imperador”). Isso foi apenas uma introdução ao que a gente vi falar hoje, que não tem uma ligação direta com este assunto. O que vamos falar hoje tem mais relação com o que falamos na semana passada, sobre problemas reais. Expliquei que existe os problemas reais, aqueles que a gente precisa efetivamente resolver, e existe aqueles problemas que a gente cria na nossa cabeça, e que são a maior parte dos nossos problemas, aqueles que efetivamente a gente cria e que não precisa de uma ação, inclusive, quando se para de pensar nele ele acaba. Os problemas que as pessoas tem criado e ampliado é a questão da busca pela saúde. Então criou-se um movimento de uns anos pra cá, com reforço da própria indústria de itens saudáveis, como se existisse um mundo melhor que seria o mundo saudável, algo com uma dualidade, um paraíso a ser alcançando para quem tiver a saúde mais plena. E saúde plena não necessariamente significa felicidade. Ela é algo natural, ela é o normal que expressa o bom funcionamento, a doença e o desequilíbrio é a demonstração de que algo não está indo bem, que há uma incoerência ou uma prática que não está sendo benéfica para o seu corpo. Mas isso não necessita de um cuidado permanente, que volta mais uma vez a criação de um problema irreal, em que você fica pensando que alguma coisa em relação ao seu corpo ou o que você não comeu ou por não ter ingerido uma determinada sequência de frutas é o que tem causado, muitas vezes, algum mal estar existencial. Há esse movimento pela saúde, uma busca excessiva e doentia. Muitos no yoga tem cuidado com a saúde, mas uma coisa é ter cuidado e observar as consequências de uma determinada ação (como um torcicolo em decorrência de uma má postura, e que você corrige posteriormente), mas se a cada momento você ficar observando excessivamente cada alimento ingerido (como o PH da água, a composição da fruta, entre outras coisas).   É interessante ser ter uma lógica dentro das nossas escolhas, mas a minha chamada para a atenção aqui é para a paranoia de se criar um problema maior do que é se a espera pela saúde perfeito como se fosse alcançar o reino dos céus. A saúde, quando desequilibra, acaba sendo um sinal, a doença é um sinal do corpo e é algo que merece atenção, mas ele não necessariamente precisa de uma atenção prévia. E se você faz isso sempre, certamente terá uma doença, que é a neurose, uma preocupação excessiva com algo que o corpo não está demonstrando. O corpo se mostra saudável num processo natural. Então, cuide da sua saúde, observe os sinais que o corpo dá, mas não espere que a saúde perfeita te traga a libertação, a kaivalya e o paraíso. Uma boa semana e até a próxima. Ohm Namah Shivaya!  

Podcast de Yoga | 30 dez 2020 | Daniel De Nardi

Pedido de Silêncio – Podcast #34

Pedido de Silêncio - Podcast #34 da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Em agosto de 1952, o pianista David Tudor se aproximou do piano do Maverick Concert Hall em Woodstock, New York. Com um cronometro na mão, Tudor o acionou para tocar a obra \"peça de silêncio\" de Jonh Cage. Por 4min e 33 segundos, nenhum som foi produzido, a platéia em choque manteve o silêncio com certa indignação. Com esse gesto radical, Cage quebrou toda a estrutura convencional da música chamando a atenção para a audição interna, a auto-observação e o auto-estudo. Abriu-se também inúmeras possibilidades para a criação da música. A partitura desse concerto, deixa claro que são 4\'33\" de silêncio para qualquer instrumento ou combinação deles.     https://soundcloud.com/yogin-cast/pedido-de-silencio-podcast-34   Links   Podcast do Mapa do Universo Fronteiras da Ciência     Mapa do universo https://t.co/CEi8EMTMv8 — Daniel De Nardi (@danieldenardi) September 18, 2017     Transcrição de Pedido de Silêncio – Podcast #34 Em agosto de 1952, o pianista David Tudor se aproximou do piano do Maverick Concert Hall, de Woodstock, em Nova Iorque. Com o cronômetro na mão, Tudor o acionou para tocar a obra Peça Silenciosa de John Cage. Por quatro minutos e trinta e três segundos nenhum som foi produzido. A plateia, em choque, manteve o silêncio com certa indignação. Com esse gesto radical, Cage quebrou toda a estrutura convencional da música, chamando a atenção para a audição interna, a auto-observação e o auto estudo, abriu-se também inúmeras possibilidades para novas criações musicais. Na imagem, que demonstra a partitura desse concerto, fica bem claro: quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio para qualquer instrumento ou combinação deles. (Silêncio) Com esse silêncio inicial, começamos o 34º de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Este texto eu escrevi há algum tempo, eu já conhecia a história desta música. Estava no MoMA, em Nova Iorque e ‘me deparei com a partitura dessa música, e agora ela é a capa deste podcast. E é muito interessante a ideia de você criar algo do nada, de você buscar aquilo que e8stá presente o tempo todo, mas que muitas vezes não é percebido. E então, esse final de semana eu fiz um curso com que é um professor de Hatha yoga, da linhagem de Natha Sampradaya uma das coisas que me chamou atenção do que ele ensinou foi a busca do silêncio, esse silêncio interno que seria a conexão. Porque, se você tirar tudo, por trás, há o silêncio. O silêncio é a única coisa que é constante, percebê-lo fará com que notemos a nós mesmos. Este conceito foi passado de algumas formas, com algumas explicações, mas a ideia central era essa busca interna pelo silêncio que é quebrado com todo o tipo de distração que geramos, sejam físicas ou mentais e sutis, mas por trás, a consciência, presença, lembrança, o silêncio, e aí me veio a lembrança deste episódio do MoMA e eu fiquei refletindo bastante sobre essa questão do silencio, inclusive pratiquei dentro das minhas meditações. Na segunda-feira, mais uma vez veio uma entrevista naquele podcast que eu gosto que é o Fronteira da Ciência, que eu trouxe recentemente, nuns dois episódios atrás o que falava sobre meditação, uma pesquisa que foi declarada lá, esse episódio falava sobre o novo mapa que existe do universo, como que hoje os cientistas definem o que é efetivamente o que existe para além do nosso planeta e por todo o universo, então como eles fazem essas mensurações e vão determinando “isso é dessa forma, aqui tem isso”, “o universo está em expansão, em retração”, o universo como um todo é composto de maior parte de uma massa negativa, algo que ainda não se sabe p que é, um buraco negro, algo que suga, pode ser simplesmente a gravidade atuando sobre esses pequenos pontos que existem. Então, numa visão macro do universo uma galáxia, por maior que seja, é micro, porque ela não representa um por cento, o universo todo é muito mais essa massa escura, negra e negativa que é o silêncio. Se você observar o silencio é uma presença, mas a gente quebra o silencio com distrações. Esses pequenos pontos de planetas e estrelas são pequenos pontos dentro do universo de massa negativa que há no cosmo. O silencio é o tempo todo presente, ele é quebrado pelo físico, pela distração, pelo movimento. E a busca pelo silêncio passaria necessariamente por uma redução disso tudo, para você perceber esse silencio que está por trás. E aí entra a prática do yoga, fazendo esta preparação para essa audição. Hoje não vou quebrar excessivamente esse silêncio e vou deixar a música do John Cage para que você possa ter um tempinho para meditar.      

Podcast de Yoga | 29 dez 2020 | Daniel De Nardi

O que é Arte? – Podcast #35

O que é Arte? - Podcast #35   Arte é tudo? Então também não é nada? Como esse podcast vem esclarecendo alguns conceitos, dei a minha opinião do que seria verdadeiramente Arte.     https://soundcloud.com/yogin-cast/o-que-e-a-arte-podcast-35 https://yoginapp.com/baixe-o-aplicativo-yogin-app-e-experimente-14-dias-free/ Links   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   TRANSCRIÇÃO O que Arte? – Podcast # 35   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 35º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. A música que você está ouvindo é de Mozart. Mesmo aqueles que entendem um pouco de música clássica, dificilmente saberiam que eu não falei uma verdade porque, como vocês podem ouvir a música ela é uma música muito próxima à forma como Mozart compunha as suas sinfonias. Só que esta é uma sinfonia de Haydn, a Sinfonia nº94. O interessante disto é que quando pensamos em Mozart, ou o que nos passa a cabeça quando ouvimos Mozart é de um gênio que surgiu e ultrapassou todos os limites com a sua genialidade. Só que entendendo um pouco mais como a genialidade é construída, ela depende muito do ambiente em que ela acontece. Porque uma pessoa com o mesmo talento de Mozart, vivendo na mesma época que ele só que vivendo no Paraguai, simplesmente não desenvolveria esta genialidade. Ele, especificamente, estava na Áustria, estava no centro da música na época. Mozart é um gênio, ele é absolutamente brilhante, mas reproduz algo que já vinha acontecendo na época. Então você vê, Haydn fez centenas de sinfonias, foi um dos compositores que mais compôs sinfonias. Esta é a 94ª sinfonia dele, ele era mais velho que Mozart e em sua época ele era até mais famoso que o Mozart. Então, o que a gente pode entender disso? Que o próprio Haydn também não criou a obra dele do nada, ele copiou os anteriores como, por exemplo, Johann Sebastian Bach. Tanto Mozart quanto Haydn pesquisaram e se especializaram muito Bach e em seus antecessores até externar algo genuíno deles, mas antes disso houve a cópia. A evolução depende de uma boa tradição, depende de se ter algo que já é consistente, reproduzir até a excelência pra aí sim levar o que é seu, levar a sua unicidade, levar o que hoje tanto se busca, a singularidade, algo que é único dentro de você. Isso foi expressado bastante em todo o tipo de arte até o século XX e depois a arte começou a se manifestar muito na questão da simples expressão da vontade. Então aqui, o meu conceito de arte pode diferir do seu conceito, ou pode diferir do que um especialista pode dizer, mas pra mim a arte tem que expressar aquilo que existe de melhor e de mais belo no ser humano. Tem que ser uma expressão da técnica, a princípio. Assim como um atleta, ele precisa desenvolver a técnica até a excelência, pra daí começar a bater recorde, pra daí começar a se diferenciar, pra mim a arte tem que se expressar da mesma forma, algo rico que existe no ser humano. E que ele, através da persistência, a partir do desenvolvimento de virtudes, ele começa a externalizar algo bom e não simplesmente a demonstração da vontade. A pura e simples expressão da vontade como manifestação de arte é algo pueril, infantil, porque expressar a vontade qualquer um faz, isso qualquer um pode fazer a qualquer momento. Então você considerar tudo como arte, passa ao mesmo tempo a considerar nada como arte. Pra mim, a minha visão de arte é algo que eu valorizo, algo que vem de uma tradição, e que se desenvolve a partir daquilo e que leva algo que toca outras pessoas, e que não seja simplesmente uma expressão daquilo que você deseja fazer e que aí pode até tocar a você e a meia dúzia, você pode até definir aquilo como arte hoje se você pegar o conceito de arte mais aceitos, se tudo pode nada tem valor, você não está expressando significativamente algo. Então simplesmente expressar a sua vontade e querer considerar aquilo arte e querer que outras pessoas aceitem aquilo como arte, no meu ponto de vista não casa com o verdadeiro proposito da arte que é trazer as virtudes humanas, trazer o que temos de belo. Todo mundo sabe os grandes problemas, o que temos de ruim dentro de nós. A arte tem que vir para trazer algo que vale a pena ser visto e compartilhado, que vale a pena buscar também, como uma expressão de liberdade do indivíduo, ele conseguiu tão bem a técnica que se sentiu livre para criar em cima da técnica existente, e não simplesmente pegou um instrumento ou quebrou um instrumento e considerou aquilo como arte. Então, você pode considerar arte deixar uma câmera parada e ficar fazendo palhaçada ou você pode ter o trabalho como no filme, que eu já falei em outros podcasts, A Batalha de Dunkirk, aí você vê o quanto teve de envolvimento técnico, a técnica não pode ser desconsiderada e ela é desenvolvida, primeiramente, a partir de cópia, de olhar e copiar até se desenvolver um estilo. E, então, se estiver expressando algo que seja comum entre as pessoas, que você consiga tocá-las de alguma forma, que elas consigam de alguma forma manifestar ou sentir aquela sua mensagem através da sua arte, pra mim, ali você expressou a sua arte, não simplesmente sentir vontade de fazer algo e fazer. Sem a técnica não tem como desenvolver o que eu acredito que seja verdadeiramente a arte. Então eu vou deixar continuidade da 94ª Sinfonia de Haydn pra você poder contemplar o que é arte de verdade.       https://yoginapp.com/baixe-o-aplicativo-yogin-app-e-experimente-30-dias-free/   https://yoginapp.com/curso-yoga/