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Seita de Yoga
Dicas de Yoga | 18 out 2017 | Daniel De Nardi

Alguns cuidados pra não cair numa seita de Yoga

Há muito professor picareta usando o Yoga para montar sua seita. Infelizmente, o ambiente do Yoga é um tanto fértil à criação de seitas conduzidas por \"mestres iluminados.\" Talvez isso aconteça porque muita gente procura o Yoga num momento de dificuldade emocional ou quando ainda é muito jovem, em ambos os casos, a pessoa está numa fase da vida suscetível às soluções simples.   Gravamos um podcast aprofundando esse tema. Para Ouvir Clique Abaixo! https://yoginapp.com/como-montar-uma-seita-podcast-08/   O Yoga é um caminho de transformação, que ajuda seus praticantes a expressarem sua verdadeira natureza. Ele está longe de ser uma pílula que você toma para anestesiar dores existenciais. Esta filosofia milenar é o oposto disso, ele abre nossa percepção, mostrando ao praticante sua verdade pessoal. O caminho do Yoga aceita o desconforto como parte da mudança e jamais tenta evitá-lo a todo custo. Para não cair em alguma doutrina, que se diz de Yoga ou que usa técnicas do Yoga e promete a solução de quase todos os problemas apenas com respiratórios, alongamentos e meditação, é importante que você entenda como funcionam esses grupos que roubam a individualidade dos seus membros. O que é contrário ao objetivo do Yoga. Não acredito num caminho do Yoga que seja predeterminado por alguém, pois se dentro dos objetivos do Yoga está a realização da real natureza de cada yogin, como ele pode chegar a algo verdadeiro copiando uma outra pessoa, seja outro praticante, seu guru ou mestre? Idolatrar alguém pensando que ao copiá-lo você estaria \"evoluindo\" não condiz com a maneira de como entendo o Yoga. Acredito que devemos ter exemplos de pessoas que são referências para nós, mas seguir todos os passos de um guru que promete conduzir você a libertação (kaivalya/samádhi) não parece ter coerência com o que dizem os primeiros textos de Yoga, as Upanishadas. O processo do guru, pode trazer referências para suas reflexões e decisões, mas segui-lo como \"o correto\" não parece fazer sentido. O caminho de uma pessoa, jamais poderá ser reproduzido por outra com os mesmos resultados. O grande perigo de aceitar algum mestre como o detentor da verdade e que sabe até mesmo o que você deve comer ou beber, é que além disso, ele pode também determinar o que você irá ler e consequentemente como construirá suas narrativas para explicar o mundo. Esse tipo de comportamento de seita, não acontece apenas no Yoga. Isso é bastante comum também na religião e na política. A revista Mundo Estranho publicou uma reportagem bastante completa sobre esse tema. Basearam-se no livro Brainwashing – The Science of Thought Control (“Lavagem cerebral, a ciência do controle do pensamento”, sem edição no Brasil) de Kathleen Taylor, pesquisadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, onde fez uma pesquisa profunda sobre o tema. A reportagem cita: \" Três tipos de lavagem. 1. A forçada, como o nome diz, é a mais radical e eficaz Na quebra da identidade individual, o perpetrador mergulha a pessoa em um ambiente de extrema pressão, com torturas físicas e psicológicas. A intenção é evocar sentimentos como culpa e auto-traição até que a vítima não aguente e peça ajuda O algoz introduz a ideia de salvação e apresenta uma saída, sempre ligada à aceitação da nova crença (religiosa, política, ideológica etc.). Ele então manipula a pessoa a pensar que ela é a única responsável por estar ali, mas, se confessar seus “pecados”, pode “se ajudar”. Isso serve para que o torturado acredite que, apesar de tudo, ele ainda controla suas próprias ações Hora de reconstruir a identidade individual. Gradativamente, a tortura é substituída por um ambiente mais amigável, em que favores são concedidos para que a sensação de bem-estar fique associada à nova crença. Mais ou menos como os adestradores de animais, que dão comida quando eles acertam um movimento.   2. Lavagem cerebral aplicada em grupos O primeiro passo é escolher a vítima. Jovens, ainda em busca de uma identidade própria, são um alvo fácil, assim como pessoas emocionalmente abatidas. Um exemplo são os europeus filhos de imigrantes, sem oportunidade nem emprego, que acabam engrossando as fileiras do Estado Islâmico O acolhimento ocorre de diversas formas, como uma conversa em tom de desabafo, uma palestra, convites para um jantar ou uma festa onde se conhecem outros membros. Quando menos espera, a pessoa já está inserida no grupo O caminho está aberto para as tentativas de convencimento. Ensina-se que a ideologia do grupo é cientificamente correta e moralmente a melhor que existe. Essa crença coletiva é mais importante do que opiniões e experiências individuais Respeito ao líder é essencial. Por isso, muitos grupos terroristas, extremistas políticos e seitas fundamentalistas têm uma espécie de messias, liderança carismática, que defende ideais revolucionários e cuja autoridade jamais pode ser contestada Gradativamente, a pessoa é isolada. Ela se envolve com as tarefas do grupo que demandam cada vez mais tempo, deixando, aos poucos, a vida anterior para trás. As tarefas são desgastantes, como treinamentos militares e trabalhos em plantações. Assim, a pessoa não tem tempo nem forças para refletir a respeito. Somente quando essa imersão fica intensa é que amigos e parentes se dão conta de que algo está estranho com ela   3. Lavanderia cotidiana Sabe aqueles momentos em que a publicidade parece estar manipulando a gente? Para especialistas, essa é a lavagem do tipo “soft” É ou não é? O ponto é polêmico, porque não há isolamento nem ameaça física, tampouco a pessoa é obrigada a se expor a essas mensagens. Por isso, muitos especialistas defendem que isso é mais persuasão que lavagem cerebral Um minutinho do seu tempo? A tentativa de convencimento geralmente não é feita de forma direta, mas por indução, levando a pessoa a crer que a decisão final é dela. Por exemplo, vendedores que abordam potenciais consumidores com opções pré-prontas, como “quer economizar?” Ora, quem não quer? mas talvez nem haja uma promoção, mas isso já induz a pessoa a parar e pensar que pode haver algo vantajoso ali O filtro da política A distorção ou simplificação extrema de informações é outra forma de levar as pessoas a conclusões predeterminadas. Campanhas eleitorais são craques nisso. Enquanto os partidos de situação nos fazem pensar que vivemos em um paraíso, os programas da oposição dão a impressão de que estamos às portas do inferno “Filma a cara dele!” Programas policiais também exageram nas simplificações. Segundo Laura Dauden, pesquisadora do tema, “telespectadores se sentem tranquilos ao dividir pensamentos violentos quando os identificam nesses jornais”. Por isso, o público é induzido a ter opiniões simplórias sobre questões complexas, como: “A solução para o crime é fácil, bandido bom é bandido morto” Exposição demais A força da lavagem”light” está no combo. Um único comercial de guloseima não engorda ninguém, mas ser bombardeado por isso pode comprometer a alimentação da pessoa. Outro exemplo: as coberturas sensacionalistas de quedas de avião criam a sensação de que viajar de carro é muito mais seguro, o que está longe de ser verdade Gato por lebre Propagandas trabalham com a imposição de necessidades. Muitas vezes, elas sequer remetem diretamente ao produto que vendem, mas ao preenchimento de um desejo. Ao usar belas mulheres para promover carros, a ideia é dar ao possível comprador a sensação de que a vida sexual melhoraria se ele tivesse aquele veículo Repressão pra valer Governos, claro, também fazem uso de propaganda para manipular as pessoas. Um caso extremo é a Coreia do Norte. Na escola, as crianças sabem da existência de poucas nações no mundo. E, quando sabem, muitas vezes o que aprendem é deturpado. O país ensina que a rival, Coreia do Sul, era colônia dos norte-americanos, que estupravam mulheres e matavam crianças.\"   Gravamos um podcast aprofundando esse tema. Para Ouvir Clique Abaixo! https://yoginapp.com/como-montar-uma-seita-podcast-08/     Há alguns pontos que você pode observar que irão poupar seu tempo na investigação se vale a pena seguir determinada escola de Yoga, mestre ou professor. O líder tem sempre a razão, é carismático e de autoridade inquestionável; O líder \"sabe\" o que é melhor para seus seguidores; O grupo vigia e denúncia aqueles que não seguem as orientações do líder; O agrupamento se sente superior aos demais; O time não aceita que novos membros questionem regras já determinadas; O líder tem uma vida com conforto muito superior aos seguidores e conquistou esse status apenas com esse trabalho; O líder tem fixação por repetir os ensinamentos até que saiam da boca dos seguidores de forma automática, pode até haver provas da capacidade de repetição do seguidor; Os seguidores começam a se afastar da vida social que tinham antes e conviver apenas com o novo grupo; Seguidores não aceitam evidências que discordem da opinião do líder. Desenvolve-se uma espécie de \"ciência\" seletiva; Seguidores questionam a educação que receberam das suas famílias e argumentam que as novas ideias são mais evoluidas. Gravei recentemente um podcast que mostra a construção desse tipo de grupo na visão de um clássico do cinema - CLUBE DA LUTA   https://soundcloud.com/yogin-cast/como-montar-uma-seita-podcast-08 A SuperInteressante também publicou 2011 uma matéria interessante sobre esse mesmo tema. Para ler CLIQUI AQUI  Este documentário est´   Boas reflexões!!!