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Yoga para Todos
Podcast de Yoga | 26 maio 2021 | Daniel De Nardi

Yoga para Todos – Podcast

Yoga para Todo Mundo! Nosso primeiro movimento no Yoga Para Todos, foi disponibilizar conteúdos práticos, inclusive aqui no podcast para que qualquer pessoa que tivesse interesse em Yoga, pudesse praticar as técnicas ouvindo-as no celular. Também disponibilizamos gratuitamente, algumas aulas do acervo de assinaturas para o canal do YouTube, YogIN TV. Ouça o podcast Yoga para Todos clicando no botão abaixo.   Yoga para Todos A música deste episódio é do compositor mais tocado na série Reflexões de um YogIN Contemporâneo, o grande John Williams que aqui também está conduzindo a orquestra. No Violoncello, Yo-Yo Ma, considerado um dos maiores músicos da atualidade. A música é o tema do filme 7 anos no Tibet. Vamos dar uma volta para entender porque essa é a música tema do episódio: Yoga para Todos. Desde que o YogIN App surgiu, em 2015, já tínhamos a proposta de democratização do Yoga. Desde 2015, já usávamos a expressão Yoga para Todos, inclusive em hashtags como #YogaParaTodos . O Yoga no Brasil tinha um grande empecilho para o crescimento que é o fato de cidades pequenas, com menos de 100 mil de habitantes, costumam não ter escolas de Yoga por não haver densidade demográfica suficiente que justifique uma escola.   Yoga Para Todos no YogIN App Nosso primeiro movimento no Yoga Para Todos, foi disponibilizar conteúdos práticos, inclusive aqui no podcast para que qualquer pessoa que tivesse interesse em Yoga, pudesse praticar as técnicas ouvindo-as no celular. Também disponibilizamos gratuitamente, algumas aulas do acervo de assinaturas para o canal do YouTube, YogIN TV. Nossa 2ª contribuição no #YogaParaTodos foi não discriminar interessados na prática segundo a idade ou outra dificuldade física. Por mais absurdo que pareça, essa discriminação existe em algumas escolas, que apenas permitem que as pessoas que se encaixam em seu perfil de cliente possam praticar. O YogIN App sempre gravou aulas para todos os níveis de praticantes e jamais colocou o corpo como uma adversidade para a prática de Yoga. O custo das mensalidades em studios de Yoga costuma também ser proibitivo para muita gente. Em São Paulo, o custo para se fazer Yoga em um bom espaço, não fica abaixo de R$500,00. Quando o YogIN App oferece um acervo de mais de 700 aulas e aulas ao vivo todos os dias com correção dos professores, por R$49,00, menos de 10% de uma mensalidade presencial, possibilitamos que qualquer um que queira um acompanhamento personalizado na prática para evoluir mais do que fazendo aulas no YouTube, possa fazer. R$49 ou R$39 se o plano for semestral é um valor acessível a qualquer pessoa que queira estabelecer um compromisso de evolução pessoal. Para não estender ad infinitum, uma última contribuição que considero muito relevante é o fato de que muitos, eu diria a maioria, dos mais de 300 professores que formaram-se no Curso de Formação do YogIN App, fazem algum tipo de atividade aberta, oferecendo o Yoga gratuitamente a quem tem interesse em praticar em mais de 300 cidades pelo Brasil.   A popularização do Yoga na Índia O Yoga sempre foi uma prática reclusa, conhecida por poucos privilegiados. A partir do século III D.C há um movimento de popularização do conhecimento que tornou o Yoga mais acessível ao grande público. Esse movimento cultural foi posteriormente foi chamado de Tantra. Para entender como o Tantra aconteceu, podemos fazer um paralelo com a Reforma de Lutero na Igreja Cristã.  Até Lutero, somente quem lia em Latim, podia aprender com os textos sagrados. O mesmo acontecia na Índia do século III D.C. O sânscrito, língua usada para escrever os shastras, escrituras, não é a língua do povo. Por isso, somente os brâmanes, sacerdotes, casta mais alta da hierarquia social hindu, podiam estudar essas ciências como o Yoga e Sámkhya, só para citar duas delas. O movimento tântrico começou a produzir textos nas línguas locais, sejam elas hindi, tamil ou bengalês. Isso fez com que as informações se propagassem, tornando as pessoas menos dependentes do sacerdotes e das instituições. A partir do movimento tântrico, qualquer um que soubesse ler,  poderia aprender com os registros dos sábios.  No entanto, alguns conceitos, na visão dos natha, um dos grupos tântricos, deveriam ser acessados somente por quem tinha merecimento para aprender aquilo. É o caso de diversas, sadhanas, práticas tântricas, que só são ensinadas em determinado estágio do chela (discípulo).  Por isso, para proteger o conhecimento, os nathas adotam até hoje uma linguagem chamada sandhya bhasha.  Para compreender, porque os nathas usam esse tipo de linguagem iniciática para proteger e não para divulgar seus ensinamentos, sugiro que ouça o podcast #39 – Sem Proselitismo. CLIQUE AQUI PARA OUVIR O PODCAST #39 SEM PROSELITISMO Existem ideologias ou religiões que não fazem proselitismo, não querem convencer mais pessoas a aderirem às suas crenças. O próprio hinduísmo como religião segue essa lógica. Uma vez que os escolhidos, são os moradores das terras banhadas pelo rio Indu. Então, algumas tradições tentam preservar seu conhecimento para que os ensinamentos não sejam propagados, mas que também não sejam perdidos. Sandhya Bhasha Sandhya Bhasha é uma linguagem iniciática que tem o objetivo de proteger uma tradição. Essa linguagem é cifrada e só tem o entendimento quem receber instruções de algum guru pessoalmente. Além disso, o sexo era usado, pois como a cultura indiana é extremamente conservadora, evitava que muitas pessoas tivessem interesse nisso. Por isso, as expressões pênis (lingam), vagina (yoni)  ou esperma (bindu) aparecem em escrituras, mas o conceito não é de uma relação sexual, até porque os fundadores do Tantra são celibatários, mas de um encontro entre os mundos subjetivos e objetivos, sendo bindu o Atman ou alma. CLIQUE PARA OUVIR UM PODCAST EXPLICANDO A LINGUAGEM CIFRADA DOS TÂNTRICOS Dizem que os tântricos usavam essas expressões, pois como a Índia é muito conservadora na questão sexual, isso afastaria os curiosos e os deixaria constrangidos por estudarem aquele tema. No entanto, outros estudiosos, acham que usar expressões de cunho sexual para ensinar conceitos filosóficos, foi uma estratégia para expandir a divulgação, pois no final do dia, as pessoas comentavam umas com as outras as coisas polêmicas que haviam sido contadas nos textos, levando assim, a mensagem central do que as histórias queriam ensinar para frente. Meditagram Toda difusão rápida de conhecimento, precisa desses agentes da divulgação. O Porta dos Fundos, produziu um vídeo chamado Meditagram e é um meditante, encenado pelo Gregorio Duvivier que vai até o Tibet num retiro e fica o tempo todo postando fotos e falando no stories com seus seguidores. O vídeo é engraçado e vou deixar o link na descrição do podcast para quem quiser ver. E a conclusão mais óbvia é que esse meditante, que vou chamar de Greg, é um fake, está ali só para fazer um personagem e blablabla. No entanto, eu acho que mesmo que alguém possa estar fazendo um papel deslocado, como o Greg, de alguma forma, ele está chamando a atenção para a Meditação que pode ser visto como algo sério e provado que funciona. Greg parecer mesmo um bobo, mas mesmo atrapalhado, pode despertar o interesse de algum seguidor que não prestaria a atenção, pelo menos inicialmente, na opinião de um meditador sábio, mas foi as brincadeiras de Greg que despertaram seu interesse para pesquisar algo mais sério.  Se você quiser entender melhor como esses agentes de propagação de algum movimento são essenciais para o crescimento, sugiro o livro O ponto da virada como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença, de Malcolm Gladwell e você entenderá que sem agentes, mesmo que inconscientes do processo, não há grandes transformações. 7 anos no Tibet No sketch do Porta dos Fundos, Greg fala \"daquele filme do Brad Pitt\" que no caso é 7 Anos no Tibet, um clássico do cinema que pode ser visto no Netflix, o link está na descrição Sete Anos no Tibete é um livro de viagem autobiográfico escrito pelo autor e alpinista austríaco Heinrich Harrer baseado em sua experiência real no Tibete entre 1944 e 1951, durante a II Guerra e o período intercalar antes do exército comunista chinês de invadir o Tibete em 1950. Heinrich Harrer (Brad Pitt), o mais famoso alpinista austríaco, tentou algo quase impossível: escalar o Nanga Parbat, o 9º pico mais alto do mundo entre 1943-1950 em que a recém-nascida República Popular da China propôs \"libertar\" o Tibete. A pequena nação protestou dizendo que já era livre, porém, com base no argumento de que o território tibetano era controlado por imperialistas internacionais, a China enviou o seu exército e o pequeno contingente militar tibetano não resistiu. O Dalai Lama, líder secular e espiritual do país, então com 15 anos de idade, pediu - em vão - ajuda às Nações Unidas.  Egocêntrico e, visando somente a glória pessoal, Heinrich viajou para o outro lado do mundo deixando sua mulher grávida e um casamento em crise. Ele não conseguiu o feito, mas quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha ele foi considerado inimigo, por estar em domínio inglês. Feito prisioneiro de guerra, ele fugiu após várias tentativas junto com Peter Aufschnaiter, outro alpinista, se tornando os únicos estrangeiros na sagrada cidade de Lhasa, Tibet. Lá a vida de Heinrich mudaria radicalmente, pois no tempo em que passou no Tibet se tornou um pessoa generosa além de se tornar confidente do Dalai Lama. Assista o filme: uma lição de espiritualidade.    Recados Queria dar boas vindas a todos os novos alunos que aproveitaram a oportunidade da Black Friday. Convido vocês a comparecerem nas minhas aulas ao vivo e também a dos outros professores. Agora que se inscreveu, tem que praticar ! Quem tem interesse no Curso de Formação de Professores de Yoga, estamos com uma lista de interessados que vão receber um condição especial para fazer o curso. Colocando seu nome na lista, você será avisado da melhor forma de pagamento, com maior desconto que vamos oferecer em qualquer outra campanha, quem deixa o nome na lista, realmente vai receber a promoção com o menor valor possível. Se o seu objetivo é conhecer profundamente o Yoga e receber um certificado para poder dar aulas profissionalmente, deixe seu email no 1º link da descrição. Até o próximo episódio! Namastê! LINKS   Lista de Espera para o Curso de Formação Aulas YogIN App Série de 108 episódios - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts Filme 7 anos no Tibet -  Sem proselitismo - Podcast  A Desculpa de Prem Baba - Podcast explicando a linguagem iniciática dos Nathas, Sandhya Bhasha -  Meditagram - Filme do Porta dos Fundos -  Ponto de Virada - Livro -  Perfil do Instagram da série de Podcasts -  Playlist com as músicas da série Canal do YouTube do YogIN App, YogIN Cast https://youtu.be/9YcGvpbqJn0

Podcast de Yoga | 15 maio 2021 | Daniel De Nardi

Como Shiva se tornou o patrono do Yoga

Shiva, o criador do Yoga! Nesse podcast faremos um passeio pelas história e mitologia da Índia para entender como Shiva se tornou o ícone dos yogins. Shiva é uma figura mitológica, de um sadhu retirante, que vive em constante estado expandido de consciência meditando nas cavernas dos Himalayas.   Links   Podcast - O início do Yoga   https://yoginapp.com/o-inicio-yoga-podcast-24   Podcast sobre o início do Yoga no Ocidente    https://yoginapp.com/o-oriente-encontra-o-ocidente-o-inicio-yoga-por-aqui-podcast-13/#axzz4xx0wEix4   Dinastia Gupta   https://youtu.be/Qj0aPz1GFew   Perfil no Spotfy Jonh Willians   https://open.spotify.com/artist/3dRfiJ2650SZu6GbydcHNb     Trilha sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo    https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição Como Shiva Tornou-se o Patrono do Yoga?   Agora você está ouvindo John Williams, compositor da trilha sonora de “E.T.”. Como Shiva se tornou o patrono do yoga? Essa não é um pergunta tão fácil como parece, para respondê-la vou ter que dar uma volta na história indiana, e quem não acompanhou outros episódios sobre história, recomendo que veja, por exemplo, “O Início do Yoga” que é o episódio 15, se eu não me engano, e “A História do Yoga no Ocidente”, que é o episódio 13. Vou deixar os links aqui, mas vou tentar responder esta pergunta, para isso, vou precisar fazer um retorno às origens do yoga. Nas origens do yoga, nos primeiros textos que começam a mencionar o yoga como um processo de busca e um processo meditativo, o yoga está relacionado a Brahma que é a figura criadora, o que já existia antes do mundo ter se manifestado. Esta é a visão que o hinduísmo tem, ele acredita que esta é a essência de todo o ser humano, o que está por trás. E não efetivamente aquilo que a gente manifesta ou percebe. Brahma vem de Brah, que significa crescimento, inchaço. Os brâmanes, que foram os primeiros escritores dos vedas e a casta que dominava os escritos das antigas escrituras e dos rituais eram, no início, pastores. Então, era através do pastoreio que os pais ensinavam os filhos sobre os rituais e sobre os textos. Os brâmanes sempre tiveram ligados a engorda do gado, do rebanho. O termo Brahma, vem de brâmane que é a engorda do gado, que é um inchaço, um aumento. E o que isso tem a ver na busca do yoga? O aumento da percepção do que se vê, então Brahma seria a consciência por trás da observação, e o crescimento disso seria efetivamente a busca do yoga e o caminho para a libertação. A palavra Shiv significa amanhã, o que está para acontecer, o que será maior do que hoje.  Que tem uma relação com esse processo de crescimento e de engorda da palavra Brah, que dá origem a palavra Brahma. Então, você vê que o próprio significado das palavras já está relacionado. Shiva, já falei em alguns episódios, pode ser traduzido como benigno. Esta esperança pelo amanhã é algo otimista, é algo do bem, algo que a gente espera um crescimento, uma melhoria. Shiva é este aspecto, é o benigno, é aquilo que é bom. A primeira Upanishad que cita Shiva como um aspecto alheio, como um personagem à parte é a Sweswassathara Upanishad, ela cita Shiva como sendo Rudra, um aspecto de Brahma. Na concepção filosófica, Brahma é o conceito da observação, e entra nos textos como quem cria. Assim como na cultura ocidental em que Deus quer punir aqueles que não seguem um caminho acontece também nos textos védicos. Existia também aspectos de Brahma, que era Rudra, raivoso. Shiva deriva de Rudra, então, Brahma é Rudra e Rudra é Shiva. O aspecto raivoso é sempre relacionado a rochas, a fogo, ligada sempre a força e ao vigor da natureza, muitas vezes, de certa forma, prejudicando o ser humano. Shiva seria o benigno porque dentro de nós, essa percepção por trás, que observa o mundo quando é maior, ela se torna benigna, então Shiva dentro de si é benigno, Shiva fora ou Rudra é prejudicial. Isto está relacionado ao controle dos sentidos. Então, aquilo que está fora vai te afetar, quando traz pra dentro se está no caminho da observação do mundo manifestado. Se está no caminho de Brahma ou de Shiva, nesse aspecto se torna uma coisa só. Nesse momento Shiva se torna o patrono do yoga, nessa visão de que no fundo, ele era a mesma coisa que Brahma, que é essa observação da manifestação que todos possuem dentro de si, que se faz crescer a observação cada vez mais e se distanciar deste mundo manifestado, da parte ruim de Shiva, da parte externa, e aí você vai se aproximando da sua essência. Mas se efetivamente é a mesma coisa, porque o nome foi mudado? O movimento tântrico que eu mencionei há dois episódios, é um movimento que trouxe a cultura para a população, mas não só a questão de democratizar a cultura. Por exemplo, você a Reforma Protestante, dentro da Igreja Católica, havia um texto escrito em latim acessível apenas para os padres que estudavam aquela língua. Lutero traduz para o alemão, então ele dá acesso à população de ler e fazer sua própria interpretação do texto. Isto já foi revolucionário. No caso do movimento tântrico, que começa da dinastia rupta, a partir do século III d.C., esse movimento não levou apenas a cultura numa língua que o povo poderia acessar, mas o próprio povo pôde produzir algo. O movimento do Tantra é bem semelhante com o movimento da internet. Antes da internet, para se produzir algo, era necessário escrever um livro ou ser um articulista num jornal. O que era bem difícil e poucas pessoas conseguiam. A internet possibilitou que todos pudessem produzir conteúdo, esse podcast é uma prova disso, antes da internet ele seria impossível de ser realizado, levando em consideração o assunto que nem todos se interessam, apenas um grupo específico e especial de pessoas, talvez não tivesse tanta atenção na grande mídia, mas é um assunto que eu, particularmente, gostaria de ter mais acesso. O Tantra possibilitou que um cidadão comum, porque antes isso era proibido pelas castas e pelos costumes, fosse reconhecido como um sábio e escrevesse textos que valorizasse a sua visão da sua escola. As escolas tântricas cresceram muito durante este período dos Nathas porque eles apoiavam muito essa disseminação da cultura para o povo. O movimento Natha, por ser fortalecer dentro do Tantra, é um movimento contrário aos brâmanes porque eles, os brâmanes, começaram a acumular muito poder e quando uma pessoa acumula muito poder nas mãos acaba prejudicando outras pessoas. Então houve uma revolta com o sistema de castas que privilegiava os brâmanes, e começou a se produzir os textos sagrados pelos sábios tântricos. Os tântricos não queriam ter a imagem vinculada aos brâmanes, então eles fizeram uma mudança de nomenclatura para chamar essa percepção da manifestação de Shiva e não mais de Brahma. Então, a partir desse momento, Shiva começa a ser esta imagem, surge textos como os Puranas que são textos que contavam a história sobre Shiva. Shiva que era um conceito ligado a Brahma começa a ganhar aspectos físicos fazendo com que esse conceito fosse levado para as pessoas, o conceito da observação crescer dentro do observado. Essa mensagem de Shiva é a mensagem do yoga. Quando a gente senta para meditar, até mesmo quando a gente trabalha com um único pensamento, o intuito é que a gente pare de se identificar diretamente com o pensamento e comece a se afastar, não somente pela ótica do pensamento, mas pela ótica do observador. Que por trás, o primordial, seria Brahma e num outro momento histórico, como a gente entende agora, seria Shiva. Então esse crescimento dessa consciência que observa seria o crescimento de Shiva, o crescimento benigno dentro de nós. Esta foi a explicação de como Shiva se tronou o patrono do yoga. A música que vamos ouvir hoje é a trilha do filme “E.T.”. Quem compôs essa música, como disse no início, é o John Williams, que pra mim é um dos maiores compositores da era moderna porque a partir de um determinado momento a composição da música instrumental se voltou totalmente para o cinema, seja numa forma minimalista, como Phillip Glass, como de uma forma mais elaborada como é o caso do John Williams e outros compositores de trilha sonora. Williams faz essa música muito melodiosa e que marca muito, muitos conhecem a música dele, mas provavelmente não sabem que ele é. Isto, porque ele produziu trilha de diversos filmes dirigidos elo Steven Spielberg, ele tem um trabalho riquíssimo. Vou deixar no Spotify uma playlist com as músicas dele, todas a gente conhece. O meu conselho para quem for a um concerto pela primeira vez é que vá para ouvir uma música mais amistosa, não Mahler, por exemplo, que segue uma linha mais sofisticada e difícil. Músicas que você já conhece como trilhas de filmes ou versões de músicas brasileiras são mais agradáveis para ir se acostumando a este tipo de música, depois você vai buscando músicas mais elaboradas. A segunda opção, é buscar nomes como Mozart, Haagen, músicas mais agradáveis, caso não encontre, busque no Spotify procure músicas de concerto e vai ouvindo para identificar as partes da música que te agrada e aquelas que não. Geralmente as pessoas falam que não gostam de música clássica, mas sequer foram a um concerto ou conheciam a música. É impossível ir a um show, independente do gênero, e se apaixonar na primeira vez. O gosto pela música vem pelo hábito de ouvi-la, o gosto não surge do nada, é muito difícil de acontecer, é até mais fácil com músicas mais simples como hits, música pop, que não exige tanta elaboração. A música clássica exige um certo treinamento, mas, como eu disse em episódio passados, quando você marca e fica presente, você começa a gostar, naturalmente começa a gostar, quando não é mais estranho para os ouvidos. A minha sugestão é que se ouça mais, aqui no podcast tem a trilha sonora, tem muita música boa, músicas clássicas conhecidas. Se você quer ouvir a este tipo de música, treine mais os ouvidos para ampliar os gostos musicais. Uma analogia que pode ser feita em relação ao filme “E.T.” e a essa ideia de Shiva que é algo que se busca e que se está dentro de nós, é que no filme quando o ET surge vindo de fora acaba representando para aquele menino um conceito de perfeição, algo que vem externamente demonstrar aquela perfeição, ele demostra uma lealdade a amizede, um cuidado com as pessoas. A imagem de Shiva desenvolvida nos textos dos Puranas, querem mostrar que, apesar de Shiva ter a representação dessa observação da consciência, Shiva é perfeito em si mesmo e ele está dentro de cada um, então a ideia do Tantra é essa perfeição que está dentro de nós. No filme, o ET era algo externo, mas representava o que estava dentro do ser humano também, o memo acontece com a imagem de Shiva, ela é a perfeição que está dentro de cada um. Como Brahma nessa primeira pulsão de consciência é perfeita por ela mesma e ela é a nossa verdadeira essência, o Tantra parte do pressuposto de que já somos perfeitos em essência, o trabalho é a descoberta dessa perfeição que está dentro de nós. Isso acontece muito no filme e é só uma figura, o ET é uma figura que nos lembra o que é humano e que a gente pode efetivamente produzir realizar e ser. Fiquem aí com John Williams e a trilha sonora de “E.T.”.    

Filosofia do Yoga | 27 abr 2021 | Daniel De Nardi

Yoga e Saúde – Podcast #11

Podcast Yoga e Saúde e entenda como. No dia 7 de abril, é comemorado em todo o mundo o dia Mundial da Saúde e gravamos este podcast especialmente para esse dia Atualmente, o Yoga é reconhecidamente um sistema que aprimora a saúde dos seus praticantes e dezenas de pesquisas já comprovaram isso. Nem sempre foi assim. Essa relação de cuidado do corpo e observação da saúde não fazia parte do Yoga em suas escrituras iniciais. O cuidado com a saúde começa a fazer parte das observações dos yogins a partir do movimento tantrico. O tantrismo surge na Índia por volta do século VII como um movimento de protesto contra o poder que os brahmanes detinham, pois eram os únicos com acesso às escrituras. Os tântricos começaram a questionar essa infalibilidade dos Shastras (escrituras) e difundir que o que realmente importava não era o que estava escrito nas escrituras, mas o que se percebia. O que o corpo manifestava, pois o que acontece de verdade, acontece no corpo. O movimento tântrico é fruto de uma misturas de várias linhas de pensamento que também ganhavam força na Índia neste período conhecido com renascimento indiano. Entre as linhas de pensamento estavam o budismo e jayanismo, dois sistemas que questionavam a divisão da sociedade em castas. Os tântricas absorveram muito destas culturas e também emprestaram maneiras de entendimento a esses sistemas. Outro sistema que influenciou muito o movimento tântrico foi a medicina ayurvédica. Como o corpo era sagrado e o local onde as coisas verdadeiramente aconteciam, nada mais lógico do que cuidar desse templo pessoal. Junto com os ensinamentos da medicina ayurvedica o movimento tantrico começa a usar posturas do Yoga e dá origem ao Hatha Yoga. A visão de que o corpo é um identificador de conflitos internos é fruto desse movimento. Para o Yoga, quando por exemplo agimos em dissonância com a consciência, desequilibramos  e o corpo demonstra isso em forma de uma doença. As doenças são por tanto produzidas por nós a partir de conflitos entre o que sabemos que é o certo a ser feito e aquilo que queremos fazer. A saúde torna-se um excelente termômetro se estamos vivendo uma vida de acordo com nossa verdadeira natureza. Não trata-se de cuidados excessivos, pois isso também é fruto de desequilíbrio. Cuidar da saúde é muito mais auto-observação das escolhas que tomar 3 sucos verdes ao dia. Claro que devemos  ponderar casos em que não como a pessoa ter gerado esse tipo de desequilíbrio para gerar doenças graves, e aí entra o fator imponderável da Natureza ou pode-se acreditar em outras coisas. O que podemos comemorar nesse dia mundial da saúde é que o Yoga tem ajudado muita gente a viver uma vida mais saudável. O Yoga ensina exercícios saudáveis e promove a saúde em todos os seus praticantes. Seus exercícios ativam orgãos profundos e ajudam na melhora do funcionamento do corpo como um todo. Yoga é tudo de bom para a saúde. Outro ponto que também podemos comemorar é que o Yoga ensina seus praticantes a estarem mais atentos ao que fazem, especialmente diante de decisões. As decisões corretas conduzem a um corpo saudável e isso o Yoga também pode nos ajudar.     Links do Podcast     Playlist da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição do podcast   Yoga e Saúde #11 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, esta é a serenata de cordas de Tchaikovsky e está começando o 11º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nós vamos falar sobre yoga e saúde. Hoje, dia 7 de abril, é o dia mundial da saúde. Quando você fala para alguém que está fazendo yoga, muitas vezes ela pode falar “ah, também preciso porque não estou muito bem da saúde”. Qual seria a relação do yoga com a saúde? Qual seria a visão que o yoga tem em relação a essa parte importante, uma vez que todo mundo considera o yoga como uma prática que faz bem? Primeiro a gente tem que separar os pontos e saber se de fato faz bem à saúde. Isso é comprovado em intermináveis pesquisas científicas, e uma das coisas que é detectado nas pesquisas, com pessoas que praticam yoga, é que a prática faz com que você diminua o nível de Cortisol. O que seria o cortisol? A gente uma liberação dessa substância para executar as tarefas diárias, pra ter realmente força pra lutar pela vida, a vida de ninguém é fácil, a vida é uma luta, uma força de potências e isso faz com que a gente precise ter energia e o cortisol produz, digamos, essa agressividade. A medida que você tem uma liberação maior que o natural a sua força torna-se maior também, mas é aquela coisa “não há almoço grátis”, sempre que você tira de um lado, você perde do outro, não há como produzir só vantagens. Nesse caso, a liberação de cortisol faz com que pessoa tenha mais disposição nos momentos de luta, mas por outro lado, abaixa o sistema imunológico. O sistema imunológico é responsável por defender o no nosso corpo contra as ações das bactérias, dos vírus, das doenças e das infecções. Então a gente tem um sistema que determina o nosso nível de saúde, se você tem um sistema bem resistente, não é qualquer doença que irá te afetar e, comprovadamente como eu falei, o yoga baixando o cortisol faz com que haja uma melhoria no sistema imunológico, então os yôgins são pessoas mais saudáveis que a média porque a prática auxilia na redução da liberação de cortisol, consequentemente na redução do estresse e por conta disso, um reforço no sistema imunológico, então a pessoa fica menos doente. Mas a gente precisa observar que saúde pela definição da Organização Mundial de Saúde não é apenas você não ter doença, mas viver com uma sensação de bem estar. E mais uma vez a gente a prática trabalhando neste sentido, é óbvio que quando temos tensões relacionadas ao dia-a-dia, que são naturais e fazem parte do dia de qualquer pessoa, ela podem não gerar doenças, podem atrapalhar a nossa vida. A OMS coloca a sensação, o bem estar como parte da saúde e quando você trabalha o relaxamento e aumenta o bem estar, acaba tendo mais saúde na visão da organização. O yoga acaba reforçando a nossa saúde, faz bem, é saudável, e não produz efeitos colaterais como outros exercícios produzem, ele faz bem esse papel de fazer com o que o praticante usufrua da prática por muitos anos. Há determinados esportes e atividades que são limitados a idade, mas o yoga tem como filosofia que o praticante o leve para o resto da vida, como um estilo, que independentemente de onde estiver, o praticante consiga realizar os seus asanas, as suas posturas, uma respiração para acalmar, fazer um relaxamento, meditar e, além disso, usar a filosofia em seu dia-a-dia. Então o yoga tem essa proposta de longevidade, mas não é uma prática apenas para jovens, melhora a nossa saúde (além do cortisol, há a compressão dos órgãos por meio dos asanas que estimula a circulação sanguínea). Então você vê esse outro ponto de melhoria, o yoga vai desfazendo as tensões não só nos órgãos como no corpo todo, a tensão muscular dificulta a circulação sanguínea, ela dificulta a levada de nutrientes para a região, no primeiro momento gera desconforto, dor, é desagradável e a longo prazo pode gerar algum tipo de doença. O yoga pode ser praticado por mais velhos e pelos mais jovens que querem ter um corpo mais saudável. Não é ser obcecado em relação ao próprio corpo, até porque isso é um desequilíbrio, o ponto bom da saúde é quando você não precisa se preocupar com ela, toma decisões coerentes com o que sente e isso não causa danos a sua saúde, à medida que for aparecendo sinais de desequilíbrio   você observa qual é a relação disso com os seus hábitos, mais pra frente a gente vai ver que a gente acaba desenvolvendo no nosso corpo desequilíbrio e, consequentemente, doenças. Mas será que o yoga sempre teve relacionado a saúde? Originalmente não, a saúde acaba sendo uma consequência pelo bem estar, claro que você pode fazer pensado na saúde, as técnicas são maravilhosas, elas tem milhares de benefícios que podem ser usados em aspectos específicos para quem está precisando, não tem como descartar a capacidade de relaxamento que o yoga pode produzir. Mas a proposta do yoga é da revelação do eu, de a gente chegar no que já somos, mas não descobrimos, a busca de uma voz verdadeira que te acompanha, mas que você boicota, é o processo de você trazer a voz e as ações condizentes com essa voz para a sua vida fazendo com que ela se torne plena e melhor. Então, originalmente, a saúde não aparecia nos textos, não há associação ou orientação nos Vedas e Upanishads, tem alguma coisa pra saúde generalizada, o yoga era voltado a espiritualidade, ao equilíbrio mental. Começa-se a associar yoga e saúde a partir de um movimento surgido na Índia a partir do século V d.C., o Tantra. O que é o Tantra? É um conjunto de textos produzidos por sábios e deram origem ao movimento filosófico. Um grupo de pessoas que estavam descontentes com determinados comportamentos da sociedade. Os líderes e sábios que começaram a criar textos próprios e debates para questionar o status quo. Os tântricos questionavam as escrituras que passaram a ser escritas na Índia desde 3500 a.C. com o Rigveda tem um grande valor para o indiano, quem domina a capacidade de interpretar e de reproduzir rituais que as escrituras citam é o brâmane, que é o sacerdote que transmite para as pessoas os mantras e conhecimentos – os tântricos passam a questionar a infalibilidade dos textos, “será que realmente tudo que e gente está vivendo foi dito há 3000 anos?”, eles questionaram e trouxeram para o corpo o valor das coisas. O tantra é esse movimento, não existe movimento tântrico antes, nenhuma escritura relacionada ao tantra antes dos tantras. Esses sábios começam a juntar o conhecimento deles com outras áreas que estava ganhando relevância na Índia naquele momento, havia, pelo menos, dois sistemas que combatiam o sistema de castas. Nas castas você nasce em determinado grupo social e pertence a ele até o fim da vida, hoje este sistema é contra a lei. Os budistas que estavam crescendo na época questionavam o sistema de castas assim como os jayamistas, estes são dois movimentos indianos internos surgidos do hinduísmo e que criam sua própria linha filosófica. O tantra conversava com as outras linhas de pensamento que questionavam o status quo da sociedade, ele assume ideias do budismo e do jayamismo e empresta conceitos que os sábios debatiam. Junto a isso, soma-se ao estudo da medicina ayurvédica que ganhava bastante força. Como os tântricos acreditavam no valor do corpo ele absorvem conceitos e técnicas do ayurveda e começam a observar a saúde de maneira mais plena. Dessa influência (do tantra se juntando ao ayurveda e com o budismo) nasce o Hatha Yoga, que é uma pratica do yoga que trabalha muito a parte dos asanas, todo o foco em auto-observação surge por conta de uma valorização do corpo, o corpo é visto como a biografia humana, se há um desequilíbrio em outras áreas isso se reflete no nosso corpo e há sempre uma relação, que você pode observar, entre as nossas atitudes e as nossas decisões. Esse trabalho de percepção também é voltado para a melhoria da saúde, a medida que você é mais consciente da suas ações, você toma decisões de acordo com as necessidades do seu corpo, não se alimenta de forma desenfreada por exemplo, fica atento ao nível da sua fome. O corpo mostra a dissonância da voz interna, se você apenas a voz do corpo e da mente, acaba ignorando a voz interna, gerando um desequilíbrio. Se você é viciado em um alimento que não te faz bem, com o tempo você vai apresentando um desequilíbrio e o corpo pode desenvolver uma doença. Assim como o medo, em que você enrijece a sua postura, e pode acabar desenvolvendo um trauma para a coluna ou algo mais grave. Para esse entendimento do yoga tudo passa pelo indivíduo, que tem a saúde plena, mas que desequilibra conforme as decisões dissonantes ao eu. O processo da saúde é um bom demonstrativo se você está a caminho dessa voz interna, quando a gente está bem ou feliz é porque a gente está seguindo aquilo que realmente é verdadeiro em nós. Se você seguir a voz dos outros, ou a vontades alheias sem se atentar a voz interna o yoga vai ensinando que esta atitude tem consequências para saúde. A prática dos asanas, assim como dos pranayama, também produz saúde, além da meditação que abaixa o cortisol, aumenta o sistema imunológico e faz com que a gente viva uma vida mais saudável, que é um bom indicativo de uma vida mais plena. Serenata de corda pra Tchaikovisky, dessa música eu não conheço nenhuma história especial, mas é uma música que eu acho bonita. Tchaikovisky teve uma vida muito difícil, ele não gostava de compor balé, mas compôs os balés mais bonitos, vivia em uma época de muita discriminação. Tinha uma grande paixão pela mãe, era homossexual, e a obra dele é uma descrição dessa dor, mas ao mesmo tempo algo puro e belo como uma dança, e essa música expressa muito bem isso, eu vou deixar apenas um movimento aqui, mas vale a pena você ouvir a música inteira. Ele faz movimentos muito parecidos ao de Mozart, algo que você pode ver se ouvir a música inteira. Até a próxima semana. Ohm Namah Shivaya! https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Podcast de Yoga | 11 set 2018 | Daniel De Nardi

Conversa sobre Tantra com Pedro Franco e Mayara Beckhauser

Conversa sobre Tantra com Pedro Franco e Mayara Beckhauser - Podcast #31 O 31º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo será diferente por vários motivos, mas o principal é que essa é a primeira entrevista da série. O entrevistado será Pedro Franco, yogin e fundador da Premananda Yoga School. Pedro é um dos professores do Curso de Formação do YogIN App. Ele vai conversar com a May Beckhauser sobre um tema polêmico entre os yogins, o Tantra. Bons estudos! Links   Como fazer um review do YogIN App - https://youtu.be/uP0PKfRLr6A https://youtu.be/uP0PKfRLr6A   Documentário sobre Dinastia Gupta - https://youtu.be/j0kLX2aPgo8 https://youtu.be/j0kLX2aPgo8   https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/ Transcrição do Podcast #31   Uma Conversa Sobre Tantra – Podcast #31 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 31º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje a gente vai ter algumas coisas diferentes dentro da série, a primeira delas é que eu vou pedir um review, então a gente nunca faz este tipo de solicitação aqui, nunca havia pedido um review aqui, mas tem duas coisas: primeiro não dá para negar que é importante pra nós para o aplicativo ser bem colocado e isso depende de como o aplicativo está sendo visto, então se as pessoas estão gostando, isso é um ótimo indicativo para a gente aparecer, quando a pessoa busca seja no Google Play ou na Apple Store yoga ou meditação, a gente aparecer lá. Isto é muito importante pra gente, fazer com que o YogIN App seja mais conhecido para quem tem interesse, mas isso depende, obviamente, de a gente ter um bom serviço para quem está usando; o segundo ponto que é importante para nós é efetivamente saber a opinião dos usuários, saber se as pessoas estão gostando ou não, a primeira dica vai ser esta, eu gravei um vídeo simples explicando como fazer um review, a segunda delas é que hoje não vai ter uma explicação em cima da parte musical, como sempre faço, porque o episódio de hoje é um pouco mais longo, mas começa com uma música sendo tocada pelo entrevistado, que é o Pedro, e esse é o terceiro ponto, terá uma entrevista da Mayara com o Pedro Franco, esta entrevista era parte e ainda é uma das aulas dos nosso curso de formação, então é uma entrevista muito rica e com muito conteúdo para quem quer estudar mais este movimento do tantra. Vou apenas fazer uma introdução ao assunto porque ainda não tratei aqui por uma questão cronológica, mas a gente está começando agora a chegar – se formos seguir uma linha do podcast – no movimento tântrico. Quando se fala de tantra, pode-se ter o Nath sampradaya, que é um movimento do Nathas que era um grupo que dizem que Patanjali era um desses membros, então, o yoga como um todo, tanto a parte de Patanjali, é fruto desse grupo que são os Nathas que depois deram origem ao Hatha Yoga, mas historicamente tem mais indício de que o tantra tenha surgido um pouco mais pra frente e começa a ganhar corpo a partir da dinastia Gupta, que já falei aqui em alguns episódios, e esta dinastia trouxe uma coisa muito boa para a Índia que foi a popularização da cultura. Então, até aquele momento, a dinastia Gupta começa a se desenvolver no século II e III, eles era hindus e favoreciam a liberdade de expressão, de religião, então muitas culturas se integraram durante este período, o próprio budismo, o jhayanismo, yoga, então tudo foi fomentando uma cultura que, a partir daquele momento, todo mundo começou a poder produzir conhecimento, cultura. Até então, a cultura indiana era produzida pelos Brâmanes, e o movimento do tantra é libertador neste sentido, de todos poderem produzir cultura, então nisto entra a parte da música – o Pedro vai fazer uma introdução com a música, vocês vão ouvir, não é nada muito elaborado, mas a música faz parte do movimento tântrico. O tantra não foi algo pontual, ele é um movimento como qualquer outro, assim como o Iluminismo influenciou as artes, a política, a ciência...e o tantra surge como um movimento de liberdade, de todos os indivíduos alcançarem a libertação, e isso vai abrindo um campo muito fértil para uma investigação do corpo, e aí começa a surgir as primeiras técnicas de asanas e as técnicas do Hatha yoga que surgem neste movimento do yoga, um movimento de liberdade, que todos podiam atingir a libertação e que o poder estava no corpo, no próprio indivíduo. Até aquele momento, era valorizado muito as escrituras, mas a partir dos séculos II e III começam a construir textos dizendo que o corpo era essencial para a libertação, para que a busca espiritual se efetivasse era necessário algum tipo de desenvolvimento na parte corporal e, a partir desse movimento, surge várias linhas e várias visões do Tantra. Mas o Tantra não está relacionado ao sexo como é vendido no ocidente, isso é uma parte pequena, porém não existe técnicas de sexo de várias horas, não é por aí, o sexo entra como um processo de observação, de reeducação, como todos que eles faziam, com o intuito de libertação, isso faz parte do Tantra, o Pedro vai falar sobre isso. Não vou estender muito a explicação porque a ideia de hoje é de ver as ideias da Mayara e do Pedro Franco, que é um professor muito importante aqui no Brasil, há diversos professores que fazem a formação com ele, ele é um dos professores convidados da nossa formação, ele dá esta aula e mais uma outra e também tem aula dele no YogIN App, quem quiser é só acessar, procurar pelo professor e terá um aula dele, é curta, porém é interessante para conhecer o trabalho dele. Fiquem agora com o Pedro Franco e com a Mayara, em um podcast de entrevista, que é o primeiro de entrevista da série “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, mas eu tenho a intenção de fazer outras entrevistas, inclusive esta semana eu faria com uma especialista em mitologia. Não deu certo, mas vamos gravar várias entrevistas e trazer outras opiniões a respeito do yoga, para que aprendam, conheçam mais e saibam o quanto é vasto o conhecimento do yoga, que não é apenas sentar, fazer um alongamento, uma meditação e acabou, o yoga é fruto de um conhecimento que vem há cinco mil anos ganhando corpo na Índia e a gente faz parte deste movimento à medida que a gente estuda, pratica e gosta desta forma de entender o mundo, dessas ideias que nos ajudam a entender melhor. Boa entrevista pra você e nos vemos na semana que vem. Namastê!   Mayara: Namastê Pedro! Pedro: Namastê! M: Deixe eu apresentar, Pedro Franco, pra quem já é praticante de yoga, já é um estudante sério, nem precisa de apresentação, o Pedro da aula há quantos anos? P: 24 anos. M: 24 anos. Uma honra, sintam-se muito honrados que o Pedro está dando esta super aula na nossa formação como professor convidado, e o tema de hoje é Tantra. Vamos começar falando, Pedro, fazendo as perguntas mais básicas que é: O que é Tantra? P: Tantra, traduzindo para o sânscrito, literalmente, significa instrumento para expansão, mas também significa os textos desta cultura Tantra. Quando você fala “Isto é um Tantra” é também um texto esta cultura Tantra, que faz parte do hinduísmo, mas não se fechou ao hinduísmo, o movimento tântrico se expandiu também na Ásia para outras culturas como o Budismo, e é uma forma de filosofia de vida na qual o dono de casa, a pessoa comum tem esse caminho como espiritual, não necessariamente precisa virar um monge ou um celibatário para ser um praticante do Tantra. M: Isso é muito legal, né Pedro?! Porque eu recebo muitas perguntas de pessoas que falam como se concilia a jornada espiritual e evolutiva com o dia-a-dia de pagar conta, de viver e do mundo material, né? Mas eu falo, isso faz parte, a gente também tem matéria no nosso corpo, a gente vive neste mundo. Então fala um pouco mais sobre colocar o Tantra como um caminho de vida sem, necessariamente virar um monge, virar um desapegado e morar numa montanha. P: Este mesmo quest, esta mesma questão que você está levantando também aconteceu com o movimento cultural na Índia, que originou o Tantra. Até então, até o século III, IV desta Era, a forma de yoga praticada e disseminada era a forma clássica de Patanjali, na qual o corpo é um obstáculo, é entendido como um obstáculo para o caminho espiritual, então as práticas eram focadas em suprimir o sensorial do corpo para se alcançar o... M: Os prazeres, né? P: ...os prazeres e tudo ligado ao sensorial para se alcançar o samádi que é a iluminação. E o Tantra, veio do movimento do Shaivismo da Kashmira, que é um movimento dos seguidores de Shiva como consciência, não Shiva como um deus azul, numa forma humana, mas entendendo Shiva como uma forma cósmica, universal, não antropomórfica como a gente também conhece Shiva, como tem referências de Shiva. Esta forma de Shaivismo veio como o não dualismo, como a forma central do Shaivismo, que, até então, era completamente dual a cultura hindu, na qual o yoga também é parte, um dos Darshanas, especialmente... M: Eles tiveram esta aula dos darshanas... P: ...esta parte do yoga de Patanjali, mas até então, as pessoas rezavam, invocavam Shiva como algo separado, ou Krishina ou qualquer outra forma divina como algo separado do indivíduo. E aí o Shaivismo vem e ensina que se você chama Shiva, você chama o que você é, que é a sua essência... M: Uma divindade também... P: Que é consciência manifesta da forma humana. E aí o tantrismo veio desta forma de pensamento, que não se encaixa dentro da forma tradicional hindu. Então, o tantrismo foi marginalizado neste sentido, porque não se encaixava dentro dos moldes patriarcais e nem classicistas do sistema de casta da Índia. Começou a abrir o caminho espiritual para todas as castas e também para os sem castas. O sistema clássico védico abraça essa visão de casta, e o tantrismo veio, como o budismo também – são movimentos mais ou menos contemporâneos, especialmente o budismo tântrico, aconteceu concomitante ao tantrismo do hinduísmo, então foi um momento de revolução, tá? Eles tem coisas em comum... M: É uma ruptura, né? Mas, por outro lado, eu já ouvi que depois de Patanjali, por volta do século III, quase houve um resgate do tantrismo, que o Tantra... P: Isto é uma teoria que o De Rose levanta e que não há provas arqueológicas como textos, por exemplo, documentos que mostrem isso. M: Que mostrem que o Tantra já era mais antigo. P: Existem sim...há sinais arqueológicos de pessoas que tinham uma forma de ritualística similar ao tantrismo dessa época (século IV e V), mas não há nada escrito como “Este é um movimento tântrico”, essas práticas não existem. Existem sinais de organização, de civilização, de cidades... M: Homem Jodário, quando eles cavam que acham, né? P: Exatamente, mas não tem nenhum texto, nenhum autor dessa época. Então como eu trabalho de uma forma alinhada com comprovação acadêmica, pesquisas, prefiro dize o que é de fato... M: Era uma dúvida até minha que eu estava te perguntando, muito legal. P: Tem sinais...na verdade, essas culturas influenciaram, assim como o yoga clássico foi fundamental e influenciou o Tantra. O yoga clássico ensina o caminho da meditação, o caminho para a meditação com a prática central, o Tantra também, mas o Tantra criou tecnologias que fazem a transição, que criam um ponte para se chegar a meditação, porque muita gente, a maior parte... M: Quais seriam essas ponte? P: ...a maior parte das pessoas não tem a mente preparada para sentar e meditar, não foram educadas mentalmente, emocionalmente para entrar neste estado de paz, de presença, então o Tantra trouxe estas tecnologias – técnicas tântricas – que a gente chama de yoga hoje em dia, tudo o que é yoga, na realidade hoje em dia na maior parte, se não for meditação, veio do Tantra, mas as pessoas perderam essa raiz, essa referência, mas as práticas em si para se chegar a meditação. No Tantra a gente classifica as práticas como Prática de Shiva, Pratica de Shakti. Prática de natureza de Shiva, meditação. Práticas de natureza de Shakti, tudo o que mexe com a energia. Yoga asana, pranayama, mudra, kriya. O que quer que seja que você faça e que esteja trabalhando nesta dimensão de Shakti, de energia vital, de vida, é prática de Shakti.  Então, aí criou-se as escolas de Shaktismo, apesar de continuar a ter essa visão não dual de Shiva e Shakti juntos, elas foram classificadas como escola de Shaktismo, de Shaktas, porque eles focam, focavam – porque hoje em dia nós focamos – nos trabalhos de energia ao invés de focar só na meditação. A gente faz todo um trabalho de preparação física usando os yoga asanas, abrindo os meridianos, fazendo pranayama para equilibrar a bioenergia do corpo e despertar o que a gente chama de Kundalini, que também é um tema bem vasto pra se discutir, só para esclarecer, para se chegar no Shiva, que somos nós... M: Sim. P: ...Então, o Tantra se baseia nisso e tem várias escolas, existiram várias escolas e o que a gente tem de documentação acadêmica relacionada a essas escolas, são nove escolas, que vão do lado mais esquerdo, mais subversivo, mais marginalizado, mais feminino até o lado mais masculino, direito, mais estruturado no sistema de castas também. A mão direita do Tantra, na realidade não é só similar com a cultura védica e com a organização social, cultural, como é propriamente isso, eles estão juntos. Tem cordão Brâmane, que são os sacerdotes dessas linhagens, tem toda essa forma védica cultural usando o Tantra e usando as prática de Shakti também, mas de um forma mais simbólica, dizendo assim. As práticas de mão esquerda são práticas literais, tanto simbolicamente como literalmente levam a gente para o mesmo ponto. E o que é maravilhoso do Tantra é que não exclui, não se exclui nenhum perfil, não se exclui nenhuma pessoa, nenhuma classe, então se você é mais da direita, um neoliberal, você tem o braço direito do Tantra e se você é um esquerdista, um real esquerdista, um Shaktista, feminista, você vai para a mão esquerda. E você tem um caminho para chegar no mesmo ponto no final, seja na direita ou na esquerda são só as pontes, a forma de navegar é que difere, mas o fim em si é o mesmo, é Shiva. E Shiva, novamente, não como um deus antropomórfico azul, nem só como destruidor, transformador que recita o universo, mas também como consciência do que nós somos. O Shiva do tantrismo é o estado de identificação, de reconhecimento do ser. E aí também se assemelha muito com o Vedanta, no sentido deste trazer o conceito de Shiva como bramam, esse conceito do infinito, da consciência com outro nome. Mas vou fazer um paralelo pra vocês entenderem um pouco mais... M: Sim, até também esse conceito que é muito bonito, que até se quiserem um dia darem uma pesquisada pelo YouTube, de Shiva e Shakti como criação do universo, como se no início tudo fosse Shiva, e Shakti fosse a energia criadora que, vamos dizer, você é a energia que proporcionou o Big Bem, como se fosse misturar um lado espiritualista com uma coisa cientifica, a explosão do Big Bem, que seria essa junção de Shiva e Shakti numa coisa só. P: Na verdade, o que eu estou falando sobre as práticas, isso é um microcosmo do macro. O Shaivismo veio desta visão do Big Bem, não é da visão de Shiva antropomórfico, é o Shiva como consciência que origina o universo, Shiva e Shakti – como você me perguntou sobre o Tantra, não parei tanto para falar sobre o Shaivismo que é esse movimento que justamente fala sobre o macrocosmo e traz para o indivíduo, nós somos a consciência e não precisamos rezar pra fora para encontrar o que está dentro, basicamente isso, e o que está fora, nesse sentido, é essa criação de Shiva e Shakti. O tantrismo pegou esse conhecimento, desse macrocosmo do universo e desenvolveu práticas, técnicas, para trazer essa experiência para o indivíduo sem necessidade de intermediário. Sim, existem professores, existem gurus na linha de tantrismo, de Tantra? Existem, mas o verdadeiros gurus e professores ensinam os alunos a serem autônomos, a caminharem com as próprias pernas, a não serem dependentes. Tem toda a questão cultural da Índia, que é respeito, que também influenciou o movimento tântrico ao professor ao guru, que a te ensina, que compartilha o caminho, mas os professores que eu mais admiro são aqueles que... M: Quem empoderam... P: ...que empoderam os alunos e liberam eles até da dependência do próprio professor. M: Concordo completamente. P: E aí o Tantra trabalha com isso, trabalha basicamente, principalmente, com as práticas de natureza de Shakti, porque são práticas dinâmicas para se chegar ao estado de meditação de Shiva. Dentro dessas práticas de Shakti como já mencionei, yoga asana, pranayama, mudra, kriya..., são todas práticas que vão nos levar a este estado de ser simplesmente. Mas também tem a questão de você estar – uma vez que você acorda, desperta para esse estado – fazendo a sua meditação dinâmica, no ato de comer, no ato de caminhar... M: Estar presente, né? No sentido de estar presente... P: ...de estar presente em tudo quando você se identifica, se reconhece como Shiva, e eu estou usando esse nome Shiva, mas não quero que vocês se prendam ao nome, eu uso o termo como consciência puramente. Então se identificando com a consciência, estando presente, você entra num estado dinâmico de meditação. Assim como também a parte sexual, a parte sexual é uma parte que é importante, porque trabalha com a parte criativa, é o ponto energético em que a energia criativa se manifesta originalmente, então tem uma importância a se trabalhar, mas não é a única forma de se pratica Tantra, não é a única forma de se desenvolver o Tantra como o ocidente de certa forma entendeu por conta de um praticante no século XIX que trouxe essa ideia para ocidente, até então muita gente tem essa ideia equivocada. M: Eu ia te fazer essa pergunta, de onde que vem essa analogia, falou de Tantra a pessoa tem essa conotação sexual? P: Por conta desse Bernard, eu me esqueci o sobrenome dele, mas é um americano que trouxe para São Francisco no final do século XIX o Kama Sutra, ensinando técnicas do Kama Sutra como Tantra. Ele entendeu que fazia parte do Tantra, mas o que ele trouxe por uma questão de identificação dele, de necessidade dele e também de sentir que era uma necessidade da nossa cultura que é de se trabalhar a sexualidade, trazer essa forma prática, desenvolver e educar a sexualidade com essas tecnologias, mas ele limitou, só isso. E o Tantra é um universo vasto, é um lifestyle, é um estilo de vida, em qual engloba, também, como você lida com a sexualidade, é um estilo de vida no qual o aprimorar é o carro chefe de tudo. Então, você quer aprimorar como o seu corpo físico funciona, você quer aprimorar como o teu corpo físico funciona, você quer aprimorar como a sua energia flui, você quer aprimorar como os seus órgão funcionam, você quer aprimoram como a tua mente funciona, você quer aprimorar como a sua vida sexual funciona, entendendo essa energia sexual como um ponto de energia criativa, que vai se desdobrar em outras formas, devemos sim trabalhar. M: Claro! P: E aí a questão... M: E essa visão e tão bonita, né? Pra ter se tornado...às vezes ter gente que coloca tão feio...né? ... P: Aí é um problema nosso cultural, social, de trauma, de repressão... M: Sociedade reprimida, né? P: Reprimida, traumatizada. Então eu vejo que sim, as práticas sexuais não só são importantes, mas são uma necessidade para a nossa sociedade e cultura que estão traumatizadas, porque traz a cura, mas tudo depende de como você trabalha com essa energia, de qual é a sua intenção. Muita gente acaba virando o lado da moeda, da repressão, do trauma, acaba virando um abusador, e isso é muito comum, você vira nessa moeda, ao invés de se liberar da dualidade daquele trauma, você só enfatiza a dualidade do lado contrário da moeda, então muitas pessoas que acabaram trabalhando com o sexo de forma tântrica, ele acabaram virando abusador pela atração pelo poder que isso traz. Poder sobre ao outros, poder sobre essa energia, e isso gera apego, isso gera aprisionamento, isso gera mais sofrimento, né? Então a gente tem que ter muito discernimento. M: Sim. Mas a questão da intenção, e eu já falei em algumas aulas minhas também, SanKalpa muda tudo, a intenção que você coloca para determinada técnica é isso, é o jogo da moeda, se coloca essa vontade de poder, o que vai acontecer é o que você falou de abusador, agora você coloca...dominar a si mesmo é tão mais importante do que dominar aos outros, é um poder tão maior, mas é a tua intenção. P: O SanKalpa, a intenção, permeia tudo no Tantra, essa atitude, esse reconhecimento da consciência, a gente precisa exercitar a mente para tal, a gente não foi educado e programado para isto. Então o SanKalpa é a prática mental de estar se colocando receptivo para este estado de Shiva de consciência de presença. E eu vejo que o desafio hoje em dia, além dessas questões todas que a gente está levantando, é que a gente tem tanta distração, a gente tem tanta desculpa para não estar presente, as coisas são tão programadas para nos tirar da presença, do estado de presença, então eu vejo que o Tantra na realidade, assim como ele evoluiu – ele vem evoluindo, não nasceu pronto, ele veio do Shaivismo e aí foi desenvolvendo prática e técnicas de acordo com as necessidades daquela época. M: De cada época. P: De cada época, de cada tribo, de cada cultura, de cada braço do Tantra. M: Como acontece com o Yoga também, né? Tem gente que critica... P: E como se desenvolveu e foi evoluindo até se transformar em Hatha Yoga. Então, o que a gente conhece como Hatha Yoga é o que sobrou do Tantra. M: Ah é? P: É, porque devido as invasões na Índia, especialmente a invasão mulçumana na Índia, eles são patriarcais e não aceitavam o Shaktismo, que é uma visão de ser louvador da deusa, as escolas de... M: Tem o culto a Grande Mãe, né? P: O culto a Grande Mãe que na verdade são vários cultos, há diferentes aspectos [inint. 28:08] dessa nova escola, né? A gente fala o culto da Grande Mãe como a mais famosa, mas tem várias escolas que, inclusive tem algumas que a gente nem consiga ter acesso a elas porque destruíram completamente esta cultura. Então eu e mais uma meia dúzia de escolers no mundo, a gente tem como Dharma pesquisar, estudar e compartilhar este conhecimento e desmistificar. O Tantra, por ter sofrido perseguição e destruição quase que completa dessa cultura, assim como o budismo também – porque o budismo trazia liberdade para o indivíduo, o Moksha, que no Tantra também traz dentro da escola, da atitude, como uma forma a se seguir, que é a liberação, o budismo também fazia isso só que de uma outra forma. Então pra quem quer o poder sobre um indivíduo, a libertação não interessa, e a forma como eles lidaram com esta cruzada também com o Shaktismo era desmembrando os praticantes, os adeptos do Tantra. Se fosse era pego estudando, ensinando, praticando formas tântricas de yoga, eles amarravam você em dois elefantes, os membros direitos num elefante, os membros esquerdos em outro, e separavam você. Então a cultura foi destruída. E todos os textos que eles achavam, destruição, queimaram os textos, então o que sobrou, na realidade, era o que não estava nas rotas de comércio. Graças a lugares mais ermos que tântricos acabaram fugindo e se escondendo que a gente pode ter acesso a esse conhecimento na atualidade, fazer esses estudos e conectar essa essência e ter um entendimento dessa cultura, criar uma ponte com as necessidades dessa contemporaneidade que a gente vive, das nossas necessidades do dia de hoje, como a gente vai desenvolver a prática hoje em dia. Então o Hatha yoga... M: Isso que eu ia falar, puxa de novo Hatha Yoga. P: O Hatha Yoga faz parte desse processo, então hoje em dia as pessoas praticam várias formas de yoga que vieram do Hatha Yoga, o Hatha yoga é como se fosse o começo das escolas, o que se originou. Na verdade o Hatha Yoga é o que sobrou do Tantra, das práticas de Shakti, das práticas... M: De mexer com a energia. P: De mexer com a energia, inclusive você vê no texto mais referência de Hatha Yoga que é o Hatha Yoga Pradipika, ele fala muito sobre Kundalini e Shakti, mas ele fala muito sobre Raja Yoga e Patanjali. E quando se começa a estudar a história do yoga, e a cronologia da história você vê que sim, teve a influência do yoga clássico no Tantra e no Hatha Yoga, mas você vê que esta influência foi enfatizada no Hatha Yoga porque tem alinhamento com uma visão patriarcal e dualista versus o louvor a mãe, a deusa, a Kali, a Lakshmi e de uma forma não dual. M: E tanto que no Yoga Sutra, no sutras de Patanjali, ele nem fala sobre asana, ele fala de quatro asanas pra meditação e só. P: Sthira Yoga Asana, Sthira Sukham Asanam, que é: o asana deve ser confortável, firme e confortável e sentar para meditar. M: Ele não se aprofunda em nenhum asana como o Hatha Yoga Pradipika que em forma de sutras também coloca, é... P: Eu não quero também que as pessoas me mal compreendam, e que eu esteja falando que o yoga clássico não é bom, é ótimo, na realidade ele fez parte do que influenciou o movimento do Tantra, mas ele é anterior, e o que eles faziam anteriormente é uma prática austera de meditar três anos na caverna, de ficar doze anos numa perna, que é um estilo de vida que, de repente, essas formas de prática faziam mais sentido, o corpo era tratado como um obstáculo a ser transcendido, na visão tântrica entendeu-se que trabalhar com o corpo como um veículo, como um templo, traz diferentes resultados e também ajudar a chegar na mesma meditação que se chega praticando yoga clássico. M: Talvez até mais rápido, né? P: Eu prefiro até nem falar se é melhor, se é pior, se é mais rápido e cada um tira a sua... M: Mas talvez para o nosso estilo de vida de hoje em dia... P: Eu sou completamente suspeito... M: ...o yoga clássico não se encaixaria para um estilo de vida hoje em dia. P: Totalmente não se encaixa, mas a gente tem na nossa cultura algo que a gente se identifica que é “o que é mais tradicional é melhor”, “ah o clássico, isso é clássico, isso é tradicional”. M: Sim P: Então, quando a gente coloca esses termos, esses prefixos quando a gente comunica, a gente dá mais valor, dá mais credibilidade. E o Tantra, na realidade, não tem esses prefixos porque é um movimento que foi marginal, foi marginalizado, foi revolucionário e até hoje não é muito bem aceito na Índia, porque a Índia, onde o hinduísmo é berço, acata o sistema de castas... M: E ela é muito patriarcal, né? P: Muito patriarcal e muito repressora, então assim, o yoga clássico de Patanjali é aceito porque se encaixa naquela cultura, mas o tantrismo não é mais, já foi. No movimento do Shaivismo até os tempos do Hatha Yoga, o tantrismo e o budismo imperaram na Índia, até que invasão mulçumana, e a própria cultura védica patriarcal, suprimiu, empurrou pra fora, destruiu. Então se você vai pra Índia hoje em dia e pergunta sobre o Tantra – hoje em dia está mudando um pouco porque está voltando do ocidente pra lá o conhecimento tântrico, fazendo um caminho inverso – as pessoas que são nativas de lá não falam, tem medo de falar mesmo que saibam onde é que é, porque ainda é marginalizado, ficou tão forte isso lá. Então hoje em dia é até mais fácil você achar vivências, retiros, conhecimentos do Tantra na Califórnia, nos Estados Unidos, do que na própria Índia, especialmente que na Califórnia se tem uma concentração maior de professores que seguem esse pensamento. Assim como eu e essa meia dúzia de escolers, a gente tem vários alunos que estão seguindo essa forma de pensar, essa linha de pensamento e como aplicar essas técnicas alinhadas com essas formas de pensamento. M: Tem algum grande nome atual do Tantra na Índia de algum guru ou não? P: O último nome, assim, grande de Tantra foi Osho. Ele também, da forma dele – assim como todos os tântricos que são grandes professores, pegam o conhecimento que foi adquirido, desenvolvido ao longo dos séculos e eles expressam, manifestam, compartilham de uma forma a se adequar as necessidades da atualidade. Então Osho fez isso brilhantemente e de uma forma, também, bem polêmica. M: É, eu adoro os livros do Osho, mas eu, por exemplo, não iria para o retiro dele, pra Ashram. P: Nem eu, mas por exemplo os alunos dele, que estudaram com ele, hoje em dia estudam comigo, muitos deles. Então eles tem uma escola, um centro no Brasil, que é a Escola de Mistérios do Osho, que o Osho os mandou pessoalmente para o Brasil para construir uma escola de mistérios, que é o braço que trabalha com os estudos xamânicos, que o Osho fez isso maravilhosamente bem, como um sistema... M: Seria direita ou esquerda esse Tantra. P: Na realidade, o Osho é mais da esquerda, mas ele entendeu também que não se pode excluir pra ser tântrico, então ele criou vários braços. “Ah, então você está precisando de mais de meditação, você vai nesta escola de meditação”, “Se está precisando mais de um trabalho de catarse, você vai fazer as meditações de Kundalini”, “Se você está precisando de um trabalho sexual, você vai fazer um trabalho sexual do Tantra”, “ Se está precisando de xamanismo, você vai ter o trabalho de xamanismo”, “Está precisando trabalhar com artes criativas,  vai pintar, vai dançar, vai cantar...”, então ele criou  essas várias formas e direcionava, “como você escolhe um mantra” para o aluno, ele escolhia a combinação do que cada um precisava para se trabalhar e treinou pessoas para fazer o mesmo. Então os professores que seguem a visão do Osho... M:  E escreveu muito, né? P: E escreveu muito e na realidade eu até gosto mais do material literário, do que ele escreveu, do que realmente as práticas em si. Mas isso é uma perspectiva minha de prática. Mas o que acontece, por exemplo, com Osho, os alunos dele, a partir do momento em que ele se foi, saiu da forma física, eles continuaram praticando o que aprenderam e tendo ele como professor. Recentemente eu entrei em contato com essa Egrégora, com essa Kula, como a gente fala no Tantra, e eles começaram a praticar comigo e abriram o centro deles para fazer o meu retiro. Então o meu principal retiro no Brasil é no centro do Osho, é numa escola de mistérios o Osho... M: Que bacana! P: Chamada Osho Lua. M: Sim, que é na Chapada... P: Que é na Chapada do Veadeiros. M: Muito bacana! P: E que a gente faz uma combinação lá de tantrismo com xamanismo. É uma fazenda de plantas medicinais, a gente faz uma jornada opcional xamânica pra quem quer, pra quem precisa, a gente tem uma avaliação prévia pra se alinhar com as técnicas de Shakti, de Shaktismo da energia, que a gente trabalha como uma forma comum no Tantra. M: Sim e quais seriam...as linhagens modernas hoje em dia, então são tântricas? As modernas linhagens que vieram do Hatha Yoga. P: Vamos combinar, até quem não coloca o seu yoga como tântrico hoje em dia, é...a influência que mais...mesmo que as pessoas não denominem o que elas ensinam como Tantra Yoga, quando você está trabalhando com asanas que não sejam só de meditação, está fazendo Trikonasana, está fazendo Hanumanasana, está fazendo Viparitasana, está fazendo Vasisthasana...qualquer asana que não seja sentar para meditar, são asanas de origem tântrica. Então se você faz essas formas de yoga asana, que não sejam só sentar pra meditar, você está fazendo Tantra Yoga, mesmo que você não... M: Eu adoro essa visão, a primeira vez que ouvi isso, foi você me dizendo acho que numa conversa pelo telefone, a gente falando sobre isso e eu falei “faz total sentido”. Porque sentir o seu corpo durante um asana, usar o seu corpo como um veículo, é tântrico. P: Mas aí eu vou fazer um parênteses, a gente já tocou nesse assunto, pra ficar bem claro para as pessoas se educarem e entenderem sobre o assunto. Por essa questão das invasões, da repressão, da destruição da cultura tântrica, essas práticas começaram a ser alinhadas com o yoga clássico de Patanjali e o Adwaita Vedanta, que é um dos dashanas que é a visão ortodoxa do hinduísmo, que é o final dos vedas, que difere do Tantra. Apesar de se colocar como não dualista, uma filosofia não dual – Adwaita é não dual – ela se baseia diferentemente do Tantra que tem Shiva e Shakti juntos, que nunca se separam e estão sempre juntos, estão sempre juntos, na visão do Adwaita Vedanta original, antes de sofrer uma influência tântrica, o Bramam, que é o absoluto, que é masculino, que é o infinito, que é o sem forma e Maia que é aquilo que é mensurável. Então Maia, traduzindo diretamente do sânscrito, é aquilo que se pode mensurar, que tem começo, que tem fim. Por esse entendimento, que Bramam é o infinito e que Maia é aquilo que é mensurável, eles denominaram Maia como ilusão, porque um dia acaba, então é ilusão. E de certa forma, alguns professores, alguns praticantes, ao invés de pegar esse conceito e integrar, separa. Ao invés de fazer desta pratica, desta visão, uma forma de incorporar o não dualismo, eles criam o dualismo porque... M: Que é excludente, né? P: Ah não, isso é Maia, isso é ilusão. Então tudo o que é mensurável...a vida é mensurável, então a vida é ilusão? Então, você vê que tem muita gente hoje dia fazendo praticas tântricas e tendo o Vedanta – fazendo asanas que não sejam pra meditar, que é Vasisthasana, Sirsasana, parada de cabeça, equilíbrio sobre o braço, tudo isso e alinhando com o Vedanta como filosofia. Que é lindo, o Vedanta tem as Upanishads, que é um conhecimento riquíssimo da metafísica do universo, desta ponte na direção do infinito, mas as práticas, as técnicas mais ricas, mais precisas, mais eficientes, neste sentido, são tântricas. Então o que se vê hoje em dia são pessoas pegando técnicas afiadíssimas de Tantra, porque tem uma falta de conhecimento e de acesso a esse conhecimento histórico e pegam o Vedanta porque é ortodoxo, é tradicional, tem o cordão brâmane, né? Classicista... M: Então você acha que o Tantra, numa corrente filosófica mais alinhada com o Samkhya? P: O Samkhya, na realidade, foi o que originou tudo isso, se a gente for pegar o que tem de textos, os textos mais antigos que originaram todas as culturas, o Samkhya está lá. Se você for nos Vedas, se for no Bahgavhda-gita tem sempre menção dos Samkhya. A terminologia do Samkhya e até mesmo, chamando o nome de Kapila que é o criador do Samkhya, que desenvolveu um sistema, um diagrama explicando o universo, como elementos. Samkhya Tattva, que significa como enumerar o universo em elementos, entendendo o universo em elementos, do mais sutil ao mais denso, e depois desenvolveram as práticas do yoga, eles pegaram esse conhecimento e aplicaram a prática dentro deste conhecimento, como fazer agora o caminho do elemento mais denso para o mais sutil, como criar a ascendência desse processo... M: Maravilhoso isso... P: Esse é o Yoga Clássico, de Patanjali. Já o Tantra pegou isso e revolucionou, pegou a mesma base que é o Samkhya, mas sentiu que faltava alguns elementos, o Samkhya trabalha com 25 Tattvas, adicionou mais 11 pra trabalhar com as pontes no nível espiritual, no sentido do grande Shiva, da grande consciência, transcendendo o individual, porque o Samkhya trabalha no nível individual. E o tantrismo que veio com o não dualismo, que veio com essa intenção de levar o indivíduo para o caminho espiritual e trazer espiritualidade para o indivíduo entender o que é uma mão dupla. Que a gente tem que ascender e descender, isso é um pulsação cósmica que não cessa enquanto a gente vive, então a gente quer alinhar, como tântrico, esse trabalho da energia de Shakti com essa pulsação cósmica, e manipular, obviamente, quando precisa, quando tem necessidade de mudar padrões  disfuncionais de energia, mudar direcionamentos de energia para trabalhar com a Shakti, para aprimorar a ascendência, assim como para aprimorar a descendência, dependendo de cada indivíduo, da necessidade de cada praticante, você aplica de uma determinada forma específica. M: Então, deixa eu entender porque agora isso é novo pra mim. O Tantra não tem a ascendência, tem a ida e a volta... P: Ele tem os dois, a ascendência e a descendência. Isso a gente denomina nas escolas de Shaktismo como Spanda Shakti, que é a pulsação cósmica, que é Shiva e Shakti juntos são um coração, o coração cósmicos pulsando. E essas pulsações são denominadas Spanda Shakti, são vibrações, ela sobem e descem. A gente está aqui descendendo, consciência desceu, então o yoga clássico entendeu que a gente precisava subir, só subir. Sai do corpo. Sai desse corpo! (Risos) Que é um obstáculo, que você pensa que te pertence, mas não tem pertence, então o yoga clássico segue esse pensamento, de transcender pela ascendência, dos Tattvas pra chegar em Purusha. Já o tantrismo entende que é importante fazer isso também, é importante, é central, mas a gente tem o descer também, a descendente, o incorporar, que é trazer para o corpo a consciência. M: Sensacional isso, é muito bom... P: Posso sugerir duas formas práticas de Tantra, muito simples, que na verdade são de incorporamento, mas são mentais de incorporamento... M: É, eu ia perguntar como...a minha última pergunta ia ser como que seriam uma prática tradicional tântrica, Tantra e Yoga. P: Eu vou colocar uma bem simples, relacionada a esta questão do incorporamento, para você obter não dualidade, que é a questão cerne do Tantra, a gente pratica para isso, né...? M: Tá, então vamos lá! A gente falou de Tantra, a gente falou de Samkhya, a gente falo de Yoga. Como que seria o Tantra Yoga? Como seria uma prática de Tantra Yoga clássica, não confundir com o Yoga Clássico, mas a tradicional? P: Então, a tradicional são várias escolas, que compartilham dessa questão de mexer com a energia, e tem muito trabalho mental, a mente é muito usada também. E aí, também a mente nas visões anteriores também é tida como obstáculo. M: Não, mas o Raja Yoga, por exemplo? P: Para o Raja Yoga, a mente é um desafio, é um macaco louco... M: A ser dominada, né... P: ...a ser dominada, como controlar o macaco louco da mente, tem essas descrições que vem anteriormente ao Tantra, mas, na realidade, se você depois for ver até no Hatha Yoga Pradipika que é um texto já te Hatha Yoga, quando você vai no capítulo de pranayama tem lá “A mente é senhor dos sentidos, mas a inspiração é senhor da mente”. Então quando você começa a trabalhar dessa forma, e vamos abrir aí só porque é bem conciso, então a gente pode ficar...como é que é aí? “A mente é o que está gerenciando os sentidos e está sendo levada pelos sentidos”, então como é que você quer controlar a mente pela mente se você está sendo levado pelos sentidos, aí sim vira um macaco louco que é aquela coisa de “Eu quero meditar, mas eu não consigo meditar, mas eu quero meditar...” e não chega em lugar nenhum e não medita. Então, “A mente é a senhora dos sentidos, mas a respiração é senhor da mente” e eu pessoalmente prefiro sempre traduzir na minha mente “a respiração é SENHORA dos sentidos e da mente”, então trabalhar com a respiração é uma forma de você estar educando a sua mente, porque qualquer disfunção mental ou emocional que a gente tenha, nesse complexo mental/emocional, afeta como a gente respira, e aí quando a gente equilibra, traz algum pranayama que traz equilíbrio de respiração, de prana, de Shakti, de energia vital, a mente se equilibra também. Então a meditação é um estado, ela não é uma prática. A prática da natureza de Shiva que a gente chama meditação, na realidade você não faz nada, você só é. Mas para chegar nesse “só é” a mente tem que estar preparada, tem eu estar educada. E o pranayama é o primeiro passo para você fazer isso, então não precisa ser... M: É uma prática tântrica trabalha muito com o pranayama. P: Trabalha muito...é totalmente focada no pranayama. Não só no pranayama, mas o pranayama é central para você fazer esse processo de reeducação da mente e de reconhecimento do ser, de abrir a mente pra se reconhecer como ser. Daí eu queria sugerir para quem quer se aventurar nesse processo de se aprimorar, se aprofundar na meditação, de antes de meditar, sentar e fazer um pranayama, que seja do mais simples pranayama yogue, respiração completa. Faça uma contagem que seja proporcional, para inspirar, para expirar, pode adicionar a retenção, mas o mais importante é você criar um equilíbrio e uma qualidade que você tire transições abruptas da sua respiração. Então quando você vai lapidando a sua respiração você entra em meditação sem perceber. M: Sim, é engraçado essa respiração, que você falou das mudanças abruptas, porque hoje em dia é o contrário, né? As pessoas fazem [inspira rápido e profundamente] como se isso fosse relaxar, né? Ou dar um suspiro, é bom, é gostoso também, você relaxa, deixa ir... P: Catarse é importante também, mas a gente precisa... M: ...sim, mas a [inint. 50:07], o matra ali da respiração é o que vai induzir pra meditação e para acalmar. P: Acho assim, que as pessoas estão precisando sim de catarse, porque pra quebrar um padrão num sentido, tem que se quebrar nos outros sentidos, no sentido contrário, mas depois a gente tem que ter um trabalho de reeducação para não ficar na dualidade. Senão fica de um extremo para o outro. E o pranayama faz isso, faz esse processo, essa transição para educar a mente, para entrar num estado de meditação. E quando eu falo a mente, eu até falo o complexo mente emocional, mas eles estão juntos, não tem como separar a mente do emocional, e isso é uma outra questão que as visões anteriores de yoga não tem muita descrição sobre isso, veem a emoção como um problema. Já dentro do Tantra a emoção na realidade não é um problema, e pode ser uma solução ao invés de se entender como um problema. A emoção, nessa visão não dual, tântrica, ela é apenas uma sinalização. Ela faz parte da mente como um mecanismo de sinalização. Então, você está se sentindo deprimido? É porque tem alguma coisa errada ali. O que que você está fazendo para se sentir deprimido, dentro do seu lifestyle. M: Investiga, né? P: Então o que as pessoas fazem hoje em dia, elas se identificam com a depressão, se afirmam deprimidos. Então, ao invés de se afirmar como Shiva, como Shakti, “eu sou deprimido”, e aí, vão ao médico e o médico diagnostica “você é deprimido, você está deprimido” patologicamente, tem que tomar medicação, e aí apaga esse mecanismo, pela medicação, que estava tentando te dizer algo pra você mudar na sua vida, mas porque tomou a pílula e calou a sinalização, você continua fazendo aquilo que causou... M: E repetindo os mesmos padrões, né? P: ...a mesma coisa, e se perde. Então assim, o entendimento não dual das emoções você não quer reprimir nem a depressão, você quer entender... M: Você acolhe pra... P: Pra se entender, pra se estudar, pra evoluir, para aprender. Esta é uma atitude tântrica não dual perante as emoções, entendendo as emoções de uma forma não dual. Agora, do jeito que a gente vive hoje, do jeito que as coisas são, a gente está o tempo inteiro sendo levado pelas emoções de uma forma negativa, pela dualidade. Então, eu queria também sugerir uma outra prática que é bem simples, e que ajuda a gente a estar nessa não dualidade, então estar sempre quando você está interagindo, consigo mesmo na prática, com pessoas no seu dia-a-dia, no trabalho, com a família...quando você for s comunicar com alguém, trazer a sua atenção pra região da base posterior ao seu coração, então quando você vai falar alguma coisa, vai interagir, vibra dali, vibra daquele lugar. Porque quando você se conecta ali, você está se conectando com o teu eixo da devata, que é a sua identificação cósmica, que leva você à se reconhecer como uma entidade cósmica e ver o outro como entidade cósmica, o que alimenta no outro uma receptividade pra tal reconhecimento como consciência e desperta compaixão nas suas atitudes, na sua ação. Quando você está vibrando aqui, você não consegue não ter compaixão, quando você pratica dessa forma. Então, a prática é bem simples, mas é uma prática poderosíssima que vai te levar nessa atitude não dual do tantrismo, e que é uma necessidade que a gente tem hoje em dia, brutal, pelos problemas que a gente vive. A gente tem que vibrar mais no coração. M: Que lindo, então isso do Tantra, só pra gente encerrar, o Tantra...finaliza com isso, de que é um estilo de vida que não é tântrico fazendo asana, você será tântrico ao se relacionar com o mundo, né? Ao ver o divino no outro, ao ver o divino em você, em cada ser, então você começa a ter compaixão por cada ser, uma formiguinha que passou, um outro animal... P: É a conexão com a natureza... M: É, essa conexão, o Tantra tem muita conexão com a natureza, né? P: O Shaktismo vem dessa coisa da conexão com a Mãe Natureza e as várias formas que a Mãe Natureza se manifesta, as Devas, as Yoguines, as Dakinis...na realidade, são braços da natureza que se expressam como deusas, como formas femininas de entendimento da existência, mas nada mais é que a natureza em si mesmo, mas foi o entendimento daquela cultura, dessa forma de simbolizar o cosmo em natureza, codificar para que a gente pudesse se identificar, se reconhecer. M: Muito legal. Então, Ohm Namah Shivaya! P: Ohm Namah Shivaya! M: Espero que tenham gostado, porque eu adorei essa prática. P: Namastê! M: Namastê!