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Podcast de Yoga | 30 dez 2020 | Daniel De Nardi

Pedido de Silêncio – Podcast #34

Pedido de Silêncio - Podcast #34 da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Em agosto de 1952, o pianista David Tudor se aproximou do piano do Maverick Concert Hall em Woodstock, New York. Com um cronometro na mão, Tudor o acionou para tocar a obra \"peça de silêncio\" de Jonh Cage. Por 4min e 33 segundos, nenhum som foi produzido, a platéia em choque manteve o silêncio com certa indignação. Com esse gesto radical, Cage quebrou toda a estrutura convencional da música chamando a atenção para a audição interna, a auto-observação e o auto-estudo. Abriu-se também inúmeras possibilidades para a criação da música. A partitura desse concerto, deixa claro que são 4\'33\" de silêncio para qualquer instrumento ou combinação deles.     https://soundcloud.com/yogin-cast/pedido-de-silencio-podcast-34   Links   Podcast do Mapa do Universo Fronteiras da Ciência     Mapa do universo https://t.co/CEi8EMTMv8 — Daniel De Nardi (@danieldenardi) September 18, 2017     Transcrição de Pedido de Silêncio – Podcast #34 Em agosto de 1952, o pianista David Tudor se aproximou do piano do Maverick Concert Hall, de Woodstock, em Nova Iorque. Com o cronômetro na mão, Tudor o acionou para tocar a obra Peça Silenciosa de John Cage. Por quatro minutos e trinta e três segundos nenhum som foi produzido. A plateia, em choque, manteve o silêncio com certa indignação. Com esse gesto radical, Cage quebrou toda a estrutura convencional da música, chamando a atenção para a audição interna, a auto-observação e o auto estudo, abriu-se também inúmeras possibilidades para novas criações musicais. Na imagem, que demonstra a partitura desse concerto, fica bem claro: quatro minutos e trinta e três segundos de silêncio para qualquer instrumento ou combinação deles. (Silêncio) Com esse silêncio inicial, começamos o 34º de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Este texto eu escrevi há algum tempo, eu já conhecia a história desta música. Estava no MoMA, em Nova Iorque e ‘me deparei com a partitura dessa música, e agora ela é a capa deste podcast. E é muito interessante a ideia de você criar algo do nada, de você buscar aquilo que e8stá presente o tempo todo, mas que muitas vezes não é percebido. E então, esse final de semana eu fiz um curso com que é um professor de Hatha yoga, da linhagem de Natha Sampradaya uma das coisas que me chamou atenção do que ele ensinou foi a busca do silêncio, esse silêncio interno que seria a conexão. Porque, se você tirar tudo, por trás, há o silêncio. O silêncio é a única coisa que é constante, percebê-lo fará com que notemos a nós mesmos. Este conceito foi passado de algumas formas, com algumas explicações, mas a ideia central era essa busca interna pelo silêncio que é quebrado com todo o tipo de distração que geramos, sejam físicas ou mentais e sutis, mas por trás, a consciência, presença, lembrança, o silêncio, e aí me veio a lembrança deste episódio do MoMA e eu fiquei refletindo bastante sobre essa questão do silencio, inclusive pratiquei dentro das minhas meditações. Na segunda-feira, mais uma vez veio uma entrevista naquele podcast que eu gosto que é o Fronteira da Ciência, que eu trouxe recentemente, nuns dois episódios atrás o que falava sobre meditação, uma pesquisa que foi declarada lá, esse episódio falava sobre o novo mapa que existe do universo, como que hoje os cientistas definem o que é efetivamente o que existe para além do nosso planeta e por todo o universo, então como eles fazem essas mensurações e vão determinando “isso é dessa forma, aqui tem isso”, “o universo está em expansão, em retração”, o universo como um todo é composto de maior parte de uma massa negativa, algo que ainda não se sabe p que é, um buraco negro, algo que suga, pode ser simplesmente a gravidade atuando sobre esses pequenos pontos que existem. Então, numa visão macro do universo uma galáxia, por maior que seja, é micro, porque ela não representa um por cento, o universo todo é muito mais essa massa escura, negra e negativa que é o silêncio. Se você observar o silencio é uma presença, mas a gente quebra o silencio com distrações. Esses pequenos pontos de planetas e estrelas são pequenos pontos dentro do universo de massa negativa que há no cosmo. O silencio é o tempo todo presente, ele é quebrado pelo físico, pela distração, pelo movimento. E a busca pelo silêncio passaria necessariamente por uma redução disso tudo, para você perceber esse silencio que está por trás. E aí entra a prática do yoga, fazendo esta preparação para essa audição. Hoje não vou quebrar excessivamente esse silêncio e vou deixar a música do John Cage para que você possa ter um tempinho para meditar.