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reflexões de um yogin contemporaneo


yoga-e-ironman - podcast 19
Filosofia do Yoga | 15 fev 2021 | Daniel De Nardi

IronMan e Yoga – Podcast #19

Quais as relações entre IronMan e Yoga ? O primeiro livro escrito sobre Yoga, fala de conceitos como a disciplina (abhyasa) e vairagya (desapego, no sentido de abrir mão do que não é importante). Esse podcast apresenta um caso prático desse treinamento com a preparação para uma prova de grande resistência como o IronMan. https://soundcloud.com/yogin-cast/yoga-e-ironman-podcast-19 Links do podcast #19 Carruagens de Fogo, filme completo A Preparação - Podcast #9, fala de Jim Collins, o escritor do livro lido no início do podcast Livro lido no início do podcast Empresas feitas para vencer: Por que algumas empresas alcançam a excelência... e outras não https://t.co/Am3zgDEYnw — Daniel De Nardi (@danieldenardi) June 1, 2017 Podcast com a trilha sonora do cinema, Nino Rota https://yoginapp.com/duvidando-eu-alheio-podcast-17/ Artigo para o Blog do YogIN App, mostrando algo que falo no podcast em que tudo é uma questão para onde você vai canalizar sua atenção Relato do primeiro Ironman, 2014 Textos do meu blog sobre o IronMan PDF Yoga-Sutra, tradução Carlos Eduardo Barbosa Neste texto eu falo sobre a largado do IronMan e a utilização da respiração para diminuir a tensão https://yoginapp.com/yoga-e-ansiedade   Texto sobre o processo meditativo em longos períodos de treinos https://yoginapp.com/esportes-e-meditacao/ 1492 - trilha sonora do filme new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Trilha sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia/   Transcrição do Podcast   Yoga e Ironman #19 “Isso me lembra uma experiência pessoal em minha própria família, que busca uma diferença básica entre a bravata e a compreensão. A minha mulher, Joanne, começou a participar de maratonas e triatlos no início da década de 1980, à medida que acumulava experiência, tempos de trilhas, revezamentos de natação, resultados de corrida, ela começava a sentir o ímpeto do sucesso. Um dia, ela entrou numa corrida com várias das melhores triatletas do mundo e, apesar de um desempenho fraco na natação em que ela saiu da água muitas posições atrás das principais nadadoras, e de ter de empurrar um bicicleta pesada e pouco aerodinâmica na subida de um morro alto, conseguiu cruzar a linha de chegada entre as dez primeiras. Algumas semanas mais tarde, na mesa do café, Joanne desviou o olhar do seu jornal e comentou calma e tranquilamente: ‘acho que eu poderia vencer o Ironman’. O Ironman, o campeonato mundial de triatlos envolve 3800 metros de natação em mar aberto, 180km de ciclismo e tudo isso culminando com uma maratona de 42km na costa de Kona, no Havaí, região quente e galvanizada por lavas. ‘É claro que eu teria de sair do emprego, recusar as propostas de pós-graduação (ela havia sido admitida em pós-graduação em várias das melhores universidades) e me comprometer em tempo integral, mas...’. Suas palavras não denotavam bravata, publicidade, agitação ou pedida de socorro, ela não estava tentando me convencer, ela simplesmente observou que o que havia compreendido era um fato, uma verdade tão chocante quanto afirmar que as paredes estavam pintadas de branco. Ela tinha paixão, tinha a genética e se vencia corridas, tinha o modelo também, a meta de vencer o Ironman fluiu para a compreensão inicial do conceito de porco espinho que apresento agora neste livro. Então, ela decidiu que sim, que iria disputar o Ironman. Deixou o emprego, desistiu da pós-graduação, ela vendeu as fábricas, mas me manteve dentro do barco, e três anos mais tarde, no dia quente de outubro de 1985, ela cruzou a linha de chegado do Ironman do Havaí em primeiro lugar, Campeã Mundial. Joanne decidiu que iria vencer o Ironman, ela não sabia se iria se tornar a melhor triatleta do mundo, mas ela entendeu que podia, que aquilo estava dentro das possibilidades, que ela não estava vivendo uma ilusão. E esta distinção fez toda a diferença. É uma distinção que todos aqueles que desejam transformar algo bom em algo excelente e precisam captar, e aqueles que fracassam no projeto de se tornarem excelentes, em geral, nunca conseguem perceber.” Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e estamos começando o 19º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Então eu acabei de ler um livro de um escritor que eu gosto, ele faz pesquisas relacionadas a empresa, mas que são muito aplicáveis a nós seres humanos, porque empresas nada mais são do que grupos organizados com um objetivo em comum. Ele traz muitas reflexões interessantes, o nome dele é Jim Collins (eu também usei um outro livro dele no episódio nove, sobre preparação, que a gente leu e comentou), aqui ele está falando sobre vocação, buscar e batalhar por algo que faz sentido, que é a algo realmente importante pra você. Acabei de voltar de Florianópolis, a minha voz está um pouco rouca, agora está bem melhor, mas na segunda-feira estava bem ruim, fui acompanhar dois amigos meus que participaram da prova do Ironman. Sempre quando eu volto dessa prova ela me traz muitas reflexões porque eu passei por esse processo, fiz o Ironman em 2014/2015. Tem muita gente que me pergunta como cheguei ao Ironman, como eu realizei esse grande projeto. De fato, exige um nível bastante grande de dedicação e de saber que algo é importante, ninguém consegue construir ou fazer um Ironman se não tiver um significado pessoal. Pode até ser exibicionismo, mas aquele exibicionismo precisa ser muito importante para a pessoa a ponto de ela treinar em um nível pesado para se isto, sendo que ela poderia fazer outras coisas que conseguir se exibir mais. Mas, então, é necessário uma questão pessoal envolvida. Acredito que tudo isso vem com o plano das ideias, vem a partir daquilo que a gente consome em termos de conteúdo que vão criando os nossos pensamentos e os nossos pensamentos e as nossas ideias. Essa foi a primeira vez que eu li e comecei a visualizar uma prova de Ironman e vi que poderia ser alcançado por pessoas comuns, porque ela não era uma profissional, era a esposa do escritor que competia, mas que em determinado momento se propôs a ser excelente em algo, fazer algo muito importante, como essa prova. No meu caso também começou no plano das ideias porque eu já ouvia falar quando ele foi para Florianópolis, que foi a família de um amigo meu quem trouxe a competição da Bahia para Florianópolis e, a partir daí ela passou a ser realizada anualmente na cidade. Uma vez eu conversei com o organizador da prova, o Galvão, ele me mostrou uns vídeos, mas era algo muito distante da realidade, algo que eu não conseguia vislumbrar, até sentia vontade pelo desafio, mas não conseguia imaginar. Depois, eu não lembrava mais o contato que tive com o Galvão. Em 2005 eu comecei a correr com um amigo meu que morava comigo na época, que já tinha corrido e me estimulou, fiz alguns amigos, mas não pensava em participar de nenhuma competição, já achava uma maratona algo muito distante, eu me sentia bem correndo 10, 12, 15 quilômetros no máximo. Acabei fazendo a minha primeira maratona em Porto Alegre, em 2010, continuei os meus treinos, e decidi que eu queria fazer um Iron. Então eu consegui completar um Ironman em 2014. Pra mim, o que é mais valioso dessa reflexão é o que o Iron trouxe de fato pra minha vida, o que aquilo construiu em mim. Por que não é totalmente distante, o processo de conseguir terminar um Ironman bem (tem pessoas que se matam, se arrastam a provar inteira o que não é interessante, acho que deve ter uma preparação para fazer o que se tem predisposição, o processo de treinamento é o mais valioso e não terminar a prova em si), não é distante da proposta de Patanjali. Como que funciona o treinamento para realizar uma prova como essa? Como o próprio Jim Collins cita no livro, a prova consiste em 3800 metros de natação, na hora você acaba fazendo mais de quatro quilômetros. 180 quilômetros de bicicleta, para quem conhece Florianópolis é a distância de ir e voltar do aeroporto duas vezes, para quem mora em São Paulo, é a mesma distância de ir e voltar de Maresias e depois, no final há uma corrida de 42 quilômetros. Para construir isso, é necessário uma modificação no corpo para que o corpo resista a longos períodos de exercício sem interrupção, é um processo de transformação, é preciso repetir muito para que o corpo entenda que uma mudança estrutural é necessária. Isso se dá passo a passo. O processo do Ironman ensina isso, que se você quer algo grande, como fazer a prova abaixo de 11 horas, por exemplo, é preciso uma construção diária e não no momento da realização da prova. Acordar a noite praticamente todos os dias da semana pra treinar, treinar durante a semana duas modalidades várias vezes e aos finais de semana treinar de forma prolongada, como aos finais de semana, geralmente, os competidores não trabalham, eles conseguem se dedicar e fazer treinamentos longos. Não pode sair à noite na sexta ou no sábado, porque haverá treinos longos no dia seguinte. Para conseguir isso é preciso ter muito claro o que se quer, saber que terá de abrir mão de muita coisa para conseguir algo maior, algo que escolheu. Isso está escrito no Yoga Sutra, de Patanjali, e agora eu vou citar mais uma vez a tradução do Carlos Eduardo Barbosa, ele fala sobre disciplina, isso é interessante no Ironman, todos tem condições de terminar a prova, tudo é uma questão de decisão pessoal. Claro que uma pessoa que nunca praticou esporte terá mais dificuldade e irá demorar mais, tanto no treinamento ou na prova. Mas é acessível a todos, é uma questão de decisão, dedicação em um ano totalmente focado. Fazendo isso, qualquer pessoa tem acesso, não são todos que chegarão entre os primeiros, não são todos que que irão conseguir uma vaga para o mundial (em Kona), porque está ligado a vocação, mas terminar a prova, que é o principal objetivo, está acessível a todos, o que determina de fato é a disciplina. No terceiro sutra Patanjali fala sobre dois conceitos que são base para o yoga que são Abhyasa e Vairagya. Abhyasa é a disciplina, você repetir algo até atingir a excelência. Vairagya é o desapego, para que saiba o que é importante pra você para que consiga abrir mão do que for irrelevante. Se quer terminar a prova bem é necessário fazer um desapego do que não for importante. Na frase doze Patanjali começa a falar sobre o recolhimento, no caso dele é o recolhimento das atividades da mente para que se encontre a essência, nesse caso do esporte é de se recolher para cumprir o que acha importante. “Seu recolhimento, ou seja o Nirodha, advém da disciplina e do desapego, a disciplina é o esforço em se manter nele”, você escolher e repetir, neste caso ele fala sobre se manter no recolhimento. Então ele fala sobre o processo meditativo, quando você se recolhe, escolher sustentar a atenção, esse é o primeiro conceito que é Abhyasa. Abhyasa e Vairagya são essenciais dentro do processo do yoga. “O desapego é o sinal da vontade perfeita daquele que está indiferente aos objetos já vistos ou dos quais se ouviu falar”, então o desapego é saber o que se quer, saber o que é importante pra si e seguir o rumo porque essa é a vontade. Em decorrência a isso, do desapego, é a indiferença as qualidades matérias nas quais a essência se revela, então quando você abre mão dessas tentações de sentidos, você traz algo muito seu, a sua vontade verdadeira. E, então, você tem um conhecimento intenso que ele chama de Samprajñãta, que surge a partir de suposição, avaliação, sensação de realidade. Então voltando ao texto, o Jim Collins fala que a esposa não quis convencer, dar um discurso, ela simplesmente percebeu que aquilo era importante pra ela, “Suas palavras não denotavam bravata, publicidade, agitação ou pedido de socorro, ela não estava tentando me convencer, ela simplesmente observou que o que havia compreendido era um fato, uma verdade tão chocante quanto afirmar que as paredes estavam pintadas de branco.”, então esse conhecimento intenso, é o 17 de Patanjali, surge a partir de suposição, de avaliação, de sensação de realidade. Então ela não estava viajando num sonho absurdo, ela estava conectada com a realidade e percepção da própria individualidade, conhecendo as limitações e as potencialidades dela ela percebeu que poderia ser campeã. Assim, como no meu caso, eu comecei a construir a partir do momento em que eu vi que no plano das ideias era viável, depois eu fui aumentando a minha carga de treino, em seguida eu percebi que era possível terminar um Ironman, mas pra isso houve todo esse processo de abrir mão daquilo que não era importante pra mim, ou que eu tinha decidido de fato abrir mão, para algo maior. Trazendo para Patanjali, para meditação, é entrar na meditação e saber que todos os pensamentos que vem naquele momentos são estão relacionados aos sentidos e não a essência, se você se ligar a ele vai continuar mantendo a mente no funcionamento dela, não vai trazer algo diferente ou a essência, vai continuar fazendo as conexões já conhecidas. Lembre-se sempre, repetir, sustentar a disciplina ou a Abhyasa e por outro lado é o Vairagya, o desapego do que não for importante. Então, escolha bem os seus objetivos, siga na trilha sempre com Abhyasa e Vairagya. A música é Carruagens de Fogo, que é um filme lindíssimo, todos devem conhecer essa música, mas o filme em si(...) eu vou deixar aqui o trailer do YouTube, é sobre uma competição, a Olimpíadas de Paris de 1924. Ele ganhou o Oscar de melhor filme em 1981 e a música ganhou, também, de melhor trilha sonora. Aqui a gente mais um exemplo assim como vimos no episódio 17, que é o Nino Rota que compõe para o cinema. Aqui é Vangelis que também compor trilhas para o cinema como no caso dessa música e do famoso filme 1942.

encontro com um mestre
Podcast de Yoga | 25 out 2020 | Daniel De Nardi

Encontro com um Mestre – Podcast #18

Encontro com um Mestre - Podcast #18 No podcast de hoje, conto como foi meu encontro com um mestre, o líder de um dos mosteiro mais antigos da Índia. O que ele disse? O que me recomendou? Saiba mais no 18 episódio da  série Reflexões de um YogIN Contemporâneo    https://soundcloud.com/yogin-cast/encontro-com-um-mestre-podcast-18 Os recibos de doações dos Ashrams! [caption id=\"attachment_85301\" align=\"alignnone\" width=\"512\"] Na Índia é comum darem um recibo quando você faz uma doação ao Ashram.[/caption] Links Série de Podcasts da viagem à Índia - Diário de um YogIN   Episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo com a música Pastoral de Beethoven https://soundcloud.com/yogin-cast/o-tempo-podcast-05   Quem foi Mircea Eliade? Shri Kailash Ashram, o Ashram mais antigo de Rishikesh Shivananda Ashram Rishikesh, a cidade do Yoga Fotos da Viagem pros Himalayas  Playlist da Série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Série Completa - Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição do Podcast   Encontro com um mestre #18 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 18º episódio de Reflexões de um YogIN Contemporâneo. Em 2015, no final do ano, fui para Índia e gravei uma série de episódios em que eu contava o que acontecia na minha viagem. Sempre, ao final de cada dia eu gravava um podcast e tentava enviar no mesmo dia para os meus alunos acompanharem a viagem conforme ela acontecia. A Índia certamente é um lugar que nos abre a visão para vários aspectos, primeiro a cultura é muito sedimentada por ser ancestral, por ser muito antiga e você tem uma valorização dos costumes, diversidade, riqueza sobre os mitos, Índia dá muito valor aos significados. Por outro lado a pobreza, que não é tão massacrante como as pessoas dizem. A pobreza é inegável, mas não era algo que chegava a me incomodar a ponto de não querer voltar, acho que a pobreza faz parte da Índia porque ela é assim, um país diverso que tem desde a cultura mais rica até lugares com pessoas bastante pobres. Mas esta pobreza não é tanto em relação a fome, mas por escassez de trabalho, é um país muito populoso, tem mais de um bilhão de habitantes e é menor que o Brasil, então a gente tem esses contrastes. Aconteceu uma experiência muito interessante, eu fui em algum ashram e eu pensei que deveria pesquisar qual ashram que o Mircea Eliade estudou. Então eu comecei a pesquisar (pra quem não sabe Mircea Eliade é um pesquisador de yoga muito famoso, escreveu um livro chamado “Yoga, Imortalidade e Liberdade” que é leitura obrigatória de estudiosos e professores de yoga, ele tem outras obras sobre o yoga, mas ele pesquisava a espiritualidade como um todo, sobre outras filosofias, religiões. Um intelectual romeno bastante lido no final do século XX) e ele viveu por um tempo na cidade de Rishikesh, que era a que eu estava visitando e eu são baia qual era o ashram e descobri que era o mesmo que os Beatles tinham visitado e era o mais antigo da região. Então isso tinha um significado muito grande porque, inclusive, o próprio Sivananda (mestre de yoga que criou um mosteiro de yoga em Rishikesh) estabeleceu o ashram na cidade. Rishikesh é uma cidade conhecida como a capital mundial do yoga, acreditava-se que ali era o lugar ideal para meditação uma vez que ela é a primeira cidade que recebe o degelo dos Himalaias, há outros povoados menores, mas a única com estrutura de cidade é Rishikesh que fica a noroeste da Índia. É um lugar muito bonito, que vale a pena conhecer mesmo quem não tem interesse no yoga, só pela cultura local, pela beleza da natureza, você tem os Himalaias em torno da cidade, o rio Ganges passando no meio e tem duas pontes nesse rio e as coisas acontecem próximas das pontes, onde tem mais centros de yoga, centros Hare Krishina, centros de estudo de Vedanta, então há toda essa parte da espiritualidade junto com o comércio local e com um aspecto de cidade de esportes radicais, porque como tem o degelo do Himalaia eles fazem rafting e outros esportes. Isso eu conto mais na série de podcasts, quem quiser saber mais eu vou deixar o link aqui. O assunto de hoje é sobre um dos episódios que aconteceu, quando eu fui ao ashram que é o mais antigo da cidade e, certamente, do País. Na Índia, é comum fazer doações pelas aulas recebidas; como eu tinha interesse em filmar ou gravar, ter uma entrevista com o chefe do ashram, expliquei para o primeiro monge que estava fazendo um documentário a respeito da cidade, que eu estava gravando, filmando, tirando fotos e gravando em áudio algumas coisas, perguntei se eu poderia ter uma conversa com o líder do ashram. Esse senhorzinho saiu e, depois de um tempo, voltou dizendo que eu poderia falar com o líder. Fiquei muito feliz porque por mais que se faça aula e trave contato com professores e mestres de Vedanta, receber o atendimento de um monge que está no mais alto grau daquele estabelecimento me senti bastante honrado, sentei com ele e começamos a conversar. Havia ali uma situação que havia um grande respeito da minha parte por ele ser um estudioso de uma área que também me interessa, eu poderia ter visto ele como o meu mestre. Depois de uns vinte minutos de conversa ele me perguntou o que eu faria depois na viagem. Disse que faria uma trilha, conhecer as montanhas e fazer uma escalada nos Himalaias. Esse mestre deu uma “dura” dizendo que eu estava indo para essa aventura para “aparecer” e não por uma questão minha. Se eu fosse convicto dessa relação entre mestre e discípulo, quando o mestre vê a luz e direciona o discípulo nos caminhos em que este deve caminhar provavelmente eu cancelaria o restante da minha viagem à medida que recebi uma orientação de um dos monges mais importantes da região. Na hora eu me questionei sobre isso, a orientação gerou reflexões em mim, e eu fiz a viagem acabei nem lembrando mais sobre o ocorrido. Recentemente, fiz uma revisão sobre a minha decisão e ficou claro pra mim até agora que em momento algum a escolha daquela viagem foi baseada em opiniões alheias, até porque eu não conhecia ninguém que escalava, não tinha alguém que poderia admirar o fato de eu fazer algo que era meu, que tinha que passar. Conheci lugares fantásticos, fiquei longos dias em silêncio, me relacionei com a natureza da Índia e com os indianos durante cinco dias, ás vezes dormindo na mesma barraca que eles. Isso pra mim foi um turning point dentro da minha vida e foi essencial, eu vi que aquele momento expressou muito de mim, tinha sentido pra mim. E qual é a conclusão deste podcast? Um mestre, um professor pode te dar uma orientação no sentido de dar alguns caminhos, o que irá pesquisar e referências para que você conheça também outras coisas. Mas quando você toma decisões, especialmente como aquela, elas precisam ser tomadas com calma, com a mente tranquila. No momento em que você está ali conectado a você mesmo, neste momento que chegamos a nossa verdadeira essência, nos momentos de tranquilidade a gente conhece a nossa real natureza e a prática da meditação e do yoga conseguem fazer esse aquietamento da mente para que você traga o que há de mais seu. Hoje eu tenho certeza que a minha decisão não foi baseada em outras pessoas, aquela viagem foi efetivamente uma decisão que veio do meu coração e que se eu tivesse seguido a orientação de um mestre mais evoluído que eu, numa visão bastante comum no yoga que estabelece um padrão de evolução entre as pessoas, o que eu não considero muito correto, mas eu teria desfeito essa viagem, seguido o que ele disse e hoje eu teria uma certa frustração porque eu tinha um grande objetivo. Como ele pode dar uma orientação sem conhecer a minha história de vida? A gente conversou por trinta minutos, então é muito precipitado, ele não conhece o meu histórico, não é possível dar uma orientação para um caminho a seguir, isto eu vou encontrar no meu momento de paz espiritual, quando eu não estiver preocupado com o que alguém vai achar da minha decisão ou no momento em que eu estiver estressado por alguma situação, esse momentos tem muita influência dos sentidos e não vão trazer a verdadeira essência, mas quando você está com a mente calma, seja produzida por um estado meditativo ou no seu dia-a-dia, aquele momento pode ter certeza, que você está decidindo coisas importantes muito mais próximas da sua real natureza. A música, vocês já devem ter reconhecido, é a 5ª sinfonia de Beethoven, uma das músicas clássicas mais conhecidas do mundo. Só para contextualizá-la, Beethoven via o movimento de Napoleão Bonaparte como um movimento de libertação de toda a Europa. Ele compôs a sinfonia como uma forma de dar boas-vindas a Napoleão quando este se aproximava da Alemanha com o intuito de libertar os alemães. No final, o que acabou acontecendo e o que acontece sempre na história da humanidade, é que uma pessoa com excessivo poder e controle sobre outras pessoa, obviamente só causará destruição e barbáries, não vai fazer um bem para a população como um todo. Depois do que aconteceu, Beethoven se decepcionou muito e compôs uma outra sinfonia, a Pastoral, que vimos no podcast nº5 (e eu vou deixar um link na descrição). Beethoven se recolheu para a natureza, se voltou ao campo (daí o nome da Sinfonia), ele estava decepcionado com o avanço das indústrias, com o movimento revolucionário de Napoleão que tinha como objetivo apenas dar poder para ele e para o seu grupo. Ele compôs esta sinfonia, de nº6, que eu inclusive prefiro, e até coloquei antes na série, me identifico muito mais com ela do que com a 5ª sinfonia, embora ela seja uma das composições mais bonitas da história e não só o primeiro movimento, eu vou deixa-lo na nossa playlist, mas quem puder ouvir os outros movimentos, o segundo movimento é mais calmo vale a pena para conhecer esta obra do Beethoven que é importantíssima para a cultura mundial. Até o próximo podcast!

Podcasts de yoga
Filosofia do Yoga | 10 out 2020 | Daniel De Nardi

Reflexões de um YogIN Contemporâneo – série de podcasts Yoga pro seu dia a dia

Podcasts de Yoga para o seu dia a dia. O YogIN App tem uma série de podcasts semanais que trazem os ensinamentos do Yoga analisados numa visão contemporânea. Se você não sabe como acessar um podcast, nós fizemos um vídeo que vai ajudar o entendimento. O podcast nos ajuda a não perder tempo e aprender enquanto estamos no trânsito ou eu outra espera inútil. Experimente acessar nosso canal e conhecer melhor a série Reflexões de um YogIN Contemporâneo.  

Reflexões de um YogIN
Podcast de Yoga | 18 mar 2020 | Daniel De Nardi

Ouvindo o bobo da corte – Podcast #14

Reflexões de um YogIN Contemporâneo - episódio #14 Neste episódio vamos falar sobre auto-estudo e isso passa por feedbacks sinceros e abertura para ouvir, os outros e a voz do coração. E o bobo? O bobo é um personagem de Rei Lear, obra de Shakespeare na qual, para mudar, o rei tem que ouvi-lo. Entenda o que está por trás disso tudo e como o Yoga entra nessa história. Aproveite o Podcast!   Links Rei Lear filmado em 1910 e pintado a mão Álbum Completo de Romeu e Julieta de Prokofiev  https://open.spotify.com/album/63jpiok5Vr3InKw0a1mPbE Playlist da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Mostra de Cinema de São Paulo Imagem Janela Johari Curso sobre Medos que nos Travam https://yoginapp.com/curso/refletindo-sobre-os-medos-que-nos-travam-dvesha-abhinivesha/ Rei Lear ` Filme Rei Lear gravado 1899, um dos filmes mais antigos da História https://vimeo.com/161213926       Transcrição do Podcast   Ouvindo o Bobo da Corte #14   A música é de Prokofiev, ela se chama Romeu e Julieta porque hoje nós vamos falar de Shakespeare. Por que é importante a gente estudar e entender, pelo menos ter uma base, do que foi construído em termos de literatura antiga e a construção de textos antigos? É difícil, hoje a gente arranjar tempo pra ler grandes obras como as de Shakespeare e de outros autores clássicos, é importante a gente valorizar essas obras, quando você tem um contato mais próximo com elas você percebe que, no fundo, elas estão abordando aspectos humanos que a sociedade de hoje, com todo o sistema de tecnologia, está passando pelos mesmos problemas que foram retratados nas obras clássicas. Então os clássicos podem te dar mais profundidade sobre determinadas questões, no sentido de ter sido abordado de outra maneira. Shakespeare, por exemplo, é difícil de ler, eu nunca li nenhuma obra dele, já vi peças e já li críticos falando sobre, mas acabei assistindo no teatro. A primeira obra de Shakespeare que vi foi no cinema foi Rei Lear – aqui em São Paulo tem um evento anual chamado Mostra de Cinema, em que se concentra em duas ou três semanas filmes do mundo todo, passando em diversas salas, quase por 24 horas sem parar, a cidade fica praticamente respirando cinema, ali você vê muita coisa ruim, obviamente, mas muita coisa boa e muitas coisas inusitadas –, o filme foi filmado no século XIX, para a exibição pintaram a película e remasterizaram. O filme tinha efeitos especiais bem precários e foi apresentado ao som de uma orquestra tocando ao vivo (uma pequena orquestra de câmara, cinco músicos, dois violoncelos, um violino, violão também, não lembro ao certo) juntamente com o filme na sala de cinema. Foi uma experiência interessante, a história não deu pra captar totalmente, mas a experiência em si foi bem interessante. O nosso objetivo não é fazer uma análise profunda de Shakespeare, até porque eu não seria capaz disso, tampouco de Rei Lear, porém a obra traz um componente importante para a nossa discussão. Como eu disse anteriormente, alguns assuntos de hoje já foram tratados em outras épocas, Rei Lear foi escrito por volta de 1600, portanto é uma obra muito antiga, e trata de um rei tentando comprar o amor das filhas dele, isso é algo que já acontecia, acontece nos tempos de hoje e continuará acontecendo. Além de ser um debate de como a gente lida e quais as consequências disso, no caso dele tudo não acabou muito bem. O elemento que é importante nesta obra para o nosso debate é que ele leva um golpe das filhas dele, sai do reino e permanece apenas com o Bobo da Corte ao seu lado e mais um outro personagem. O ponto principal é o papel do Bobo, que não é só na obra de Shakespeare que ele está presente, esse personagem é muito presente na Idade Média, na época dos grandes reinados porque o rei era muito protegido dos feedbacks devido a sua posição social, o seu status impedia de saber a verdade, principalmente em relação aos erros que cometia, então, quem trazia a verdade é o Bobo da Corte que com ludicidade trazia as verdades necessárias para o rei (até porque a figura do rei sempre foi bajulada, além das conspirações criadas contra ele). O humor, de fato, é uma forma de trazer a verdade, de a gente aliviar um pouco a dor da verdade, que não é agradável de receber, a verdade é muito importante, o yôgin precisa saber lidar com a verdade porque só com ela a gente consegue construir algo sólido, você não consegue construir algo baseado na mentira, na enganação e no próprio escudo da Índia está la “Satyameva Jayate” (A verdade no final triunfará) uma frase da Mandukya Upanishad que está no brasão da Índia. É importante ter essa busca pela verdade e o humor é uma forma de a gente deixa-lo mais suave, uma forma de a gente encarar e receber o feedback, mas não levar só para o lado da brincadeira, isso é importante também, não se ofender e receber o feedback de uma maneira leve, mas se modificar com aquilo, pegar aquela informação e fazer ela gerar algum tipo de construção, ter algum valor para a sua vida, porque apesar de ter sido uma brincadeira, é aquela história: toda a brincadeira tem um fundo de verdade. Falamos do feedback, dessa questão lúdica do Bobo da Corte, mas na Índia existia um papel que era o Kavi, que era o poeta – o poeta era um Reesh, que é aquele que ouvia – e os poetas que começaram a escrever os primeiros Vedas, o poeta era visto como um grande sábio, porque ele deixava vir à tona a voz do coração, ele não era preocupado com o que os outros iam pensar ou com uma lógica perfeita do que ia dizer, mas ele estava preocupado em expressar a voz do coração. Ele chegava a esse status de Kavi, de poeta, nascendo numa família de Kavi, sabendo expressar essa voz interna, ou passando pelo ritual do Soma, ritual este que era associado ao yoga, no sentido de ter a intenção de pegar a energia dos vegetais a realizar uma ascensão, esse mesmo movimento de ascensão da mente era a busca do yoga desde as primeiras Upanishads, então o yoga está relacionado ao Soma, está relacionado ao ritual de ascensão da mente, e o Kavi era alcançado neste estado, quando você acalmava a mente e deixava a voz interna vir à tona. Então você vê que a gente tem maneiras de receber informações internas ou desconhecidas por diferentes fontes. O humor, já citado, é um excelente ventilador de informação e feedback, e também essa voz que você atinge nos momentos em que a mente se aquieta. Quando a mente parava que o Kavi começava a recitar os seus poemas. E sobre essa questão de feedback, a gente vai entender, um sistema já moderno, contemporâneo, este estudo é de 1955, chamado de Janela Johari. Alguns aqui já devem conhecer, quando eu vi esse conceito eu achei bastante interessante, pensei que era algo inspirado no Japão, tem Mata Hari que é a espiã da primeira Guerra, mas tem esse nome devido aos criadores Joseph Luft e Harrington Ingham, e eles tiveram a brilhante ideia de dar esse nome, Johari. É uma ideia sobre o nosso conhecimento pessoal, e aqui entra um ponto muito importante dentro do yoga, porque o yoga é um processo de autoconhecimento, de estudo para a gente expressar aquilo que a gente tem de melhor, para expressar isso você tem que treinar, repetir a habilidade para que saia algo puramente seu. Como no caso da escrita, se eu chegar em você e falar “escreva agora o melhor texto da sua vida”, mas você não está habituado com a escrita como você vai conseguir expressar o seu melhor texto? Para isto é necessário que você passe por um treino de escrita, estudar e copiar outras pessoas, assimilar outras referências até que saia uma escrita realmente sua. Pra você expressar algo seu você precisa repetir muito e para que você repita muito, tem que ser algo que você goste. Então, por isso que o Dharma é muito ligado com a nossa vocação, como a gente vai encontrar o nosso Dharma, como a gente vai encontra a nossa vocação? A mente, quando se aquieta, vai dando voz interna, vai dando voz que o Kavi ouvia, o poeta. Então essa voz vai nos dizendo verdades sobre nós mesmos, habilidades, e vai nos guiando para aquilo que é mais importante, aqui que nós temos que fazer. Então o Dharma ele é um conceito no sentido de aquilo que tem que ser feito, aquilo que tem que ser feito por você Quando é a sua própria Dharma. Então, quando você reconhece a sua Dharma, e a quietude da mente ajuda nisso, você vai repetindo, pegando referências que você gosta, repetindo, copiando, melhorando, trazendo algo seu, modificando e este aprimoramento com muita repetição é que faz nascer algo puramente seu, que você diga “aqui está o meu melhor em termos te termos de texto”, no começo você não consegue, mas para repetir muito tem que ser algo relacionado a sua vocação. E você pode observar esta questão do Dharma, no sentido de quanto você aguenta fazer esse esforço, o quanto você aguenta fazer aquele tipo de tarefa, não é todo mundo que tem a mesma resistência para todas as tarefas, cada pessoa tem uma capacidade de suportar uma tarefa em diferentes graus, e isso já é uma boa avaliação de uma busca do que é importante realizar, o que eu te daria satisfação, sentido de vida, o que é importante você cumprir como a sua missão pessoal. O yoga como esse processo de trazer o melhor de nós mesmos, ele tem de passar por um estudo de si, por uma repetição e uma observação constante e repetida, de “no fundo, o que sobra?” e esse é um questionamento do Rei Lear, ele passa por situações, perde o que tinha e o que sobrou do Rei Lear, quando você descobre o que de fato é você fica mais fácil você expressar a sua Dharma, que é a sua própria vocação, algo que só você pode fazer. Mas para você se tornar bom, precisa passar por um processo de autoavaliação e de avaliação externa, para conseguir isso você precisa passar por um processo de feedback, de aprimoramento, que são essenciais para a gente externalizar o nosso eu, para a gente trazer a voz do poeta, pra gente expressar o que um pessoa falaria brincando o que a gente não quer saber. Para fazer este tipo de autoavaliação é que o Joseph e o Harrington criaram este quadra, a janela Johari, que seria uma janela, com quatro vidros. Então pensa numa janela nesta forma, e pensa no lado esquerdo superior da janela, é o primeiro quadrante: o conhecido, aquilo que você sabe de você mesmo, e que as pessoas sabem e que, numa primeira interação, você expressa aquilo que é de conhecimento comum; o segundo quadrante é o quadrante cego, que as pessoas estão vendo, mas você não, eles brincam que é o quadrante do mau hálito, porque quem tem geralmente não sabe, mas todos ao redor percebem aquilo – essa informação vem muito através do Bobo da Corte, pela brincadeira, de você mesmo se ridicularizar e brincar com você mesmo para trazer aquilo que você sabe que não são o seu melhor, o que te incomoda, deixar vir por meio do humor através de você mesmo ou por meio da interação social, se você for muito fechado pra isto, o seu quadrante dois será grande e as pessoas não terão abertura para chegar e falar com você, às vezes você estará passando vergonha, mas ninguém vai te alertar, é importante você aceitar o humor e outras formas de feedback, para diminuir o que é cego pra você, para diminuir este quadrado que não é estático, ele vai se modificando de acordo com a sua interação social, a ideia é você ter o máximo de transparência com você mesmo – ; o quadrante 3 é o quadrante oculto, são as coisas que você sabe, mas as outras pessoas não, esse quadrante pode ser desde habilidades que você domina e que muitas vezes você não tem coragem de manifestar, ou pode ser coisa que você não quer que as pessoas saibam, de fato todo mundo tem segredos que são da ordem privada  e não deseja compartilhar, e isso é a escolha de cada um, mas há coisas que você tem medo de manifestar, mas te traria benefícios, isso está na parte do oculto e está relacionado ao medo de você levá-lo ao quadrante 1, que é o quadrante sobre o conhecido, então essa transição não precisa acontecer de uma vez, se tem algo que você quer expressar, você pode fazer isso aos poucos, eu falo sobre isso no meu curso sobre medo (vou deixar o link aqui embaixo), sobre esses testes para deixar o que é importante acontecer; e, por fim, vem o quadrante 4, que é o quadrante do desconhecido, tanto pra você quanto para as pessoas, que também é uma área que você não precisa trazer o tempo todo “vou tomar droga trazer tudo o que está inconsciente”, como vai ficar depois a sua psique, o quadrante 4 não é “ deixa vir tudo e tal, vou passar por m experiência, sete dias numa montanha sem falar com ninguém, praticando oito horas de meditação por dia” não é por aí, as coisas tem o seu tempo, a informação interna precisa vir aos poucos, se ela vem de uma vez ela pode causa traumas que nem sempre são benéficos, então é mais importante a gente passar por esse processo de autoconhecimento gradualmente. O quadrante 3, que é o quadrante oculto, das coisas que você tem em potencial e não quer revelar, é a voz do poeta, do coração, é aquilo que você sabe que pode fazer, essa voz vindo à tona é a parte da busca yoga, que é a parte da realização do svadhama, então lide bem com o Bobo da Corte, lide bem com a sua voz de poeta, a voz que muitas vezes não faz sentido lógico, mas que é uma certeza sua, uma certeza que você sabe que vai cumprir, é uma certeza de vida. Uma boa semana e até o próximo podcast. Obs.: Eu ia colocar isso no final, mas no final da conversa em que o Lear fala com o Bobo, ele abriu-se e disse “Então me diz bobo, onde foi que eu errei” e aí vem a frase mais famosa desta obra que é “O que você errou Lear, foi ter ficado velho, antes de ficar sábio”.   https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia