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Por que meditar parece tão difícil?


Por que meditar parece tão difícil?
Filosofia do Yoga | 24 dez 2020 | Cherrine Cardoso

Por que meditar parece tão difícil?

Meditar é difícil? Por que meditar parece tão difícil? Uma das maiores dificuldades que temos quando entendemos que Yoga não é somente uma prática física, está em aceitar que meditar é mais difícil do que ficar de ponta cabeça. Duvida? Vou te lançar um desafio bem simples, e claro, você não terá como me responder, mas a resposta virá automaticamente para você. Feche os olhos. Isso, agora mesmo. Ou pode terminar de ler esse parágrafo para saber os próximos passos. Mas em seguida, faça este breve exercício. Sente-se confortavelmente, deixe os braços relaxados e as mãos apoiadas sobre os joelhos. Agora feche os seus olhos e dê um simples comando para sua mente: pare de pensar! Só isso. Diga a ela desta forma: me dê cinco minutos sem nenhum tipo de interferência ou pensamento, depois você poderá obter todos os estímulos que desejar. Feito? Bom, agora responda a você mesmo: sua mente te obedeceu? Te deixou exatos cinco minutos sem nenhum pensamento? Se a resposta foi sim, consegui ficar este breve instante sem pensar em nada. De duas uma: ou você já é um praticamente de yoga mais assíduo ou antigo; ou está se enganando. Porque assim, do nada, simplesmente sentando e pedindo a mente este silêncio, sem ter passado por nenhum outro tipo de técnica antes, eu duvido muito que tenha dado certo. Não por não confiar em você, longe disso. Mas porque sou praticante e profa. de yoga há 15 anos e ainda hoje tenho grande dificuldade em negociar esse período de silêncio com minha mente. Se eu estiver num lugar mais silencioso ou de repente mais próxima da natureza, há chances de ser mais fácil, mas nem sempre eu venço. Há quem tenha mais pré-disposição? Sempre. Para tudo! Mas para meditar o segredo principal é treinar a mente como se você estivesse treinando o seu corpo. Quem pratica yoga, seja o tipo de vertente que for, sabe que o corpo reclama. Colocando-o em permanências longas ou apenas fazendo continuamente o súrya namáskara ele tende a reclamar. E você só vence suas reclamações com insistência, com disciplina e continuidade. Um dia dói mais que outros. Às vezes o que está te incomodando mais hoje já não incomode amanhã. E desta forma você vence suas próprias limitações e resistências. Com a mente é exatamente igual. Não à toa a maioria das modalidades de yoga conduzem o praticante a um processo de aquietamento, de identificação com o ásana sentado (aquele mesmo, com as pernas cruzadas), para depois levá-lo a estímulos diversos com pránáyámas, mantras, kríyás, ásanas de maior intensidade e solicitação, a fim de que o corpo pouco a pouco vá entrando numa sintonia, num uníssono tão perfeito, que ao final, voltando pra mesma posição sentado, haja menos desconforto e a possibilidade deste comando para a mente parar por cinco minutos (ou mais, obviamente) seja correspondido muito mais facilmente. E como eu sei se estou meditando? Este é um outro grande exercício de percepção. Já entendemos que meditar significa parar a mente dos pensamentos e de todas as informações incessantes que recebemos. Já entendemos que a prática combinada de técnicas nos levam a este objetivo e ajudam com maestria a este fim. No entanto, como saber se deu certo? Uma forma de ter certeza é sua percepção quanto ao tempo. Se você se propor a fazer um exercício de meditação pelos cinco minutos, já que falamos deste tempo, podendo ser acompanhando um som (mantra) ou focando sua atenção em algum símbolo (yantra) e a sua sensação de tempo pareceu maior. Por exemplo, os cinco minutos pareceram trinta, sua consciência se expandiu. Ou seja, as percepções que você teve durante os cinco minutos foram muito maiores e seu tempo foi melhor aproveitado. Você conseguiu acumular em cinco minutos o que as pessoas que não praticam meditação precisariam de trinta. Já se a sua percepção dos cinco minutos foi de que passaram rápido, ou seja, cinco pareceu um minuto, isso significa que sua consciência esteve em processo reduzido. Não aumentou e nem te trouxe nada de diferente, apenas uma boa sensação de quietude. O que claro, também tem o seu valor. Mas, é importante entender que se a sua percepção de tempo não aumentou, você ainda não está meditando, talvez tenha tido apenas um lapso ou uma auto-hipnose. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); E o que você quer dizer com fazer exercícios sobre som ou símbolo? Para que você consiga treinar a sua mente para este processo de aquietamento e silêncio é preciso que você faça uso de artifícios que contribuam com este objetivo. Porque apenas dizer para ela: pare de pensar, você já percebeu que é difícil! Portanto, usar algum objeto para se concentrar favorece o treinamento. Há pessoas que são mais auditivas, outras são mais visuais. Desta maneira, quando você for usar o seu objeto para seu treinamento de concentração perceba com qual tem mais facilidade. Se for com som, faça uso de alguns até definir aquele que te auxilia mais neste caminho. Pode ser o som do ÔM, ou pode ser ou som da água corrente, dos pássaros etc. Se sua facilidade é visual, use objetos reais, ou seja, foque sua atenção numa planta, numa vela, na chama de um incenso; e depois passe a imaginar o símbolo que quiser: um quadrado, um triângulo, o próprio símbolo do ÔM. No entanto, cuidado, é muito comum a mente buscar significados e atributos em ambos os casos. Por exemplo, no som, ao invés de se concentrar somente no que você definiu, a mente começa justificar o som: tá muito alto, veio o som de fundo, olha o cachorro latindo… e por aí vai. O mesmo acontece com os símbolos: a flor tá mexendo, e se ela fosse amarela, ah eu preferiria que fosse uma tulipa ao invés da rosa etc. Entendeu como meditar parece fácil, mas no fundo mesmo é ainda mais difícil do que fazer uma simples invertida sobre a cabeça? O importante é seguir, treinando, com uma intenção real daquilo que você deseja. Seja para a meditação ou para todo o resto.