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Filosofia do Yoga | 11 mar 2020 | Daniel De Nardi

Mentalização e Crescimento – Podcast #06

Reflexões de um YogIN Episódio #06 Mentalização é o assunto do 6o episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo. A mentalização pode produzir auto-engano naqueles que acreditam que mentalizar resolve todos os problemas. Sem transformação, não adianta mentalizar. Entenda mais no podcast.   https://soundcloud.com/yogin-cast/mentalizacao-e-crescimento-podcast-06   Links Podcast sobre Perdas e Preconceitos   https://soundcloud.com/yogin-cast/raiam-santos-e-paulo-coelho-perdas-e-preconceitos-podcast-04-reflexoes-de-um-yogin   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Aprenda a fazer o Óculos de papelão do Google   Ou compre por R$14     YouTube 360   Transcrição do Podcast #06   Mentalização e Crescimento #6 Está começando o sexto episódio de Reflexões de um YogIN Contemporâneo. Hoje vamos mentalizar pra crescer, quem ouviu o episódio quatro dessa série que eu falo sobre preconceito e estereótipos, eu explico o quanto a gente pré-julgar uma determinada ideia, uma determinada pessoa o quanto isso dificulta a nossa real percepção daquilo, a verdadeira essência daquilo que a gente está analisando. Então há muita perda nesse sentido porque você já acha que sabe, então você já imagina alguma coisa e daí isso acaba gerando uma real dificuldade de uma real analise. Isso a gente faz, todo mundo passa por esse processo, mas esse processo de discernimento que é muito tratado no yoga que é o viveka, você discernir o verdadeiro o irreal, o ilusório e o essencial, tudo isso é um processo que o yôgin vai descobrindo e percebendo ao longo da sua jornada. Como eu também tenho preconceitos em relação a determinados temas, eu tinha preconceito em falar sobre mentalização, embora mentalização tenha feito parte da minha vida desde que eu comecei a praticar yoga, então antes de entrar no yoga eu comecei a estudar um pouco sobre mentalização, e isso foi uma coisa que eu apliquei durante a minha vida toda e sempre deu muito certo, mas a partir daquele movimento que teve com o filme O Segredo eu criei uma certa barreira, eu até mesmo tinha um curso de mentalização que eu parei de ministrar porque eu achava que tinha ficado muito forçada a ideia de O Segredo que era uma deia de que você simplesmente mentaliza e as coisas acontecem e o processo não é esse, a mentalização acabou sendo vista dessa forma e disso para o charlatanismo é um passo. Por que eu não acredito nesse processo da mentalização? A mentalização por ela mesma não faz diferença alguma, ela só vai fazer diferença a medida que haja, com ela, um processo de transformação, então eu já dei um exemplo em outro texto, que eu falo sobre mentalização, eu falava sobre o porquê das cores, por que cada cor é usada (o verde, o amarelo, o azul e por aí vai...), mas o exemplo da mentalização que é muito nítido é se você marcar uma partida de tênis contra um jogador, (Rafael) Nadal. E o Nadal não vai fazer qualquer mentalização, e você vai ficar todos os dias mentalizando, dez horas por dia fazendo esse exercício e tal, você que tem alguma chance, apesar de mentalizar muito mais, o cara nem lembra que tem o jogo contra você daqui a um ano, por exemplo, você fica mentalizando por um ano, você acha que tem alguma chance de dar certo a sua vitória? Com certeza não. Então se a mentalização não contribui para um processo de atitude de mudança comportamental ela não vai fazer diferença e por isso eu criei uma certa resistência pra falar desse assunto, porque eu só vejo a mentalização útil dessa maneira, quando ela gera um tipo de ação. Então tendo dito esse que é um ponto inicial, essencial de entendimento, vamos elaborar um pouco mais o processo. Quando a gente fecha os olhos e começa a imaginar uma determinada cena, é claro que não é exatamente a mesma sensação que é gerada, mas a gente pode se aproximar de determinadas situações que a gente pode vir a viver ou que a gente já viveu, a gente consegue fazer esse resgate a partir da memória, gerando em nosso cérebro as mesmas conexões neurais que foram feitas naquele momento e revivendo aquele momento, sempre há uma perda, porque nada se compara em termos de sensação ao real. Mas a gente pode se aproximar muito daquilo e a mentalização pode ser um processo de preparo para uma eventual situação difícil que você vai vir a enfrentar. Então, por exemplo, você ensaiar antes, digamos que você seja atriz, e você tem que se apresentar publicamente, você tem receio daquela estreia. Se você faz mentalmente esse processo, e junto com ele vem o seu estudo, a sua dedicação, a sua disciplina de decorar o texto, de fazer a melhor interpretação possível, mas a mentalização pode te ajudar a não ficar tão nervosa no momento da apresentação em que a coisa for acontecer porque você já ensaiou mentalmente isso. Não vai ser igual, como eu falei, a experiência vivida ela é incomparável, mas o processo de mentalização pode ajudar nesse preparo. E essa questão do quanto a gente pode sentir só com a mentalização ou só com a visualização agora está muito evidente com essa questão dos óculos tridimensionais. Pra quem nunca fez essa experiência, de usar óculos tridimensionais, eu vou deixar um link aqui, dá a experiência de uma forma mais simples do que vocês imaginam. A gente nos óculos tridimensionais, nesses óculos de realidade ampliada, ou realidade virtual, a gente pensa num sistema muito complexo como aqueles que o Mark Zuckerberg usa e que eles estão desenvolvendo no Facebook e outras empresas, mas existe um outro modelo feito pelo Google que é muito simples, de papelão, e com esse modelo você compra (vou deixar o link do Submarino para quem quiser, deve custar em torno de 50 reais) e acessa um canal do YouTube chamado YouTube 360 (também vou deixar um link) e lá nesse canal tem um botãozinho que imita os óculos do Google com dois visores e você pode colocar os óculos, fones de ouvido, você pode encaixar o seu celular na frente dos óculos e faz uma experiência com vários vídeos que tem lá. Tem vídeos de paraquedas, surfando...e você vê o quanto essa nossa capacidade, o quanto a gente pode replicar uma sensação sem estar realmente vivendo a realidade que a gente entende ser a única, mas a gente pode ter uma realidade em diferentes níveis, como essa realidade mental que a gente vai criar através da mentalização ou uma realidade ajudada por aparelhos como é o caso desses óculos que trabalham com ampliação de realidade, realidade virtual. O que eu queria dizer com isso, que o processo de ensaio mental ele pode ser muito eficaz pra quem tem um momento importante que vai enfrentar ou pra quem quer uma realização, daí a gente vai entrar num discurso parecido com o segredo, que nesse sentido eu acho que o filme tem agregar que é exemplificar muito essa questão de a gente criar imagens mentais e de como isso é poderoso. Você pode criar uma versão mística, uma visão sem explicação de que as coisas se atraem no universo, mas você pode ter outra visão que é de fato as coisas que são mais importantes, que estão mais presentes na nossa mente, na nossa visualização, os nossos sentidos vão dar mais atenção praquilo. Então, por exemplo, se você gosta de fusca e compra um fusca, aquilo começa a ter uma importância maior interna pra você, ter um valor pessoal pra você, e você vai acabar vendo mais isso em outras pessoas e achando pessoas que tem esse mesmo gosto que você. “Não tem essa coisa do universo? Ah, que triste”, não necessariamente, porque o processo é o mesmo, o processo é você criara uma ideia que vai te atrair, que vai te auxiliar uma realização, se você tem uma capacidade de mentalizar aquilo com constância é sinal de que isso tem um valor intrínseco pra você, se você tem uma capacidade de mentalizar e ver que aquilo é importante e aí entra aquilo que falei desde o início, colocar de alguma forma algo em prática, fazer algum tipo de modificação comportamental, passar por algum tipo de desconforto, sem isso você não vai alcançar, mas se você passar por esse processo e utilizar também a visualização, daí sim a mentalização pode produzir frutos reais, realizações, concretizações e ajudar muito porque você vai ficar com os seus sentidos mais apurados praquilo que você considerou importante pra você e você vai ter mais ímpeto quando você ver as oportunidades na sua frente, terá mais ímpeto para atuar sobre elas, por que estará mais presente na sua mente. Eu vou deixar como lição pra quem quiser realizar uma experiência sobre o nosso poder de visualização e de mentalização é a experiência do feijão que é bastante conhecida, muita gente faz e eu fiz recentemente com o filho de um amigo meu, e aí eu fui ensinando todo o processo de como a nossa mente realmente pode fazer a diferença em um ser externo, que no caso é uma planta, então internamente com o nosso corpo, no funcionamento dos nossos órgãos ou nas nossas realizações pessoais, o quanto a capacidade de visualização tem força e tem poder. Então a experiência é bem simples: você vai pegar dos copos plásticos, vai pegar uma quantidade mínima de algodão, vai colocar esse algodão no fundo igualmente e vai colocar cinco grãos de feijão em cada copo. Em um você vai escrever “cresça”, em outro você não vai escrever nada, e aí você vai deixar no mesmo lugar com a mesma temperatura, mesma iluminação, mesma quantidade de água, mas aquele que você escreveu você vai mentalizar “cresça, cresça, cresça...”, distante, quando você estiver no seu trabalho, em outros momentos. É um teste pra você ver a sua experiência pessoal, a sua capacidade de modificar o meio externo, e aí depois de uma semana você já vai começar a ver a diferença nos dois copos. Pode ser que não de resultado e você pode replicar, se quiser deixar foto da experiência nos comentários a gente vai ficar bem feliz, se não der certo eu também fico feliz porque é uma experiência e como experiência a gente tem que coletar uma grande quantidade de pessoas fazendo. Mas, não é pela experiência em si, eu já fiz isso várias vezes com os meus alunos, eu tenho registros, fotos e tudo mais, então é uma experiência pra você, acho que vale pra você ver. E agora eu reencontrei o filho do meu amigo, no final do carnaval, e a gente foi surfar junto e o menino ficava falando assim “agora eu mentalizo a onda, mentalizo, mentalizo!”, então eu acho que foi muito legal, que valeu a pena, eu queria compartilhar com vocês e gostaria muito que você fizesse a experiência pra ver a sua capacidade de alterar o mundo vendo a sua plantinha crescer mais a partir do seu poder interno do se poder pessoal. Tá bom? Uma boa semana e até o próximo Reflexões de um YogIN Contemporâneo! Om namah shivaya!

Podcast de Yoga | 14 mar 2020 | Daniel De Nardi

O Processo – Podcast #71

O Processo - Podcast #71 O Yoga ensina que somos perfeitos em nós mesmo. Se isso é verdade, pra que serve pranayama, asana e todos os conceitos? A perfeição em si mesmo é uma verdade, mas não uma verdade completa. Entenda melhor no 71º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo.   LINKS Inscrição grátis para as 3 primeiras aulas do Curso de Formação de Yoga   Audiobok - O Yoga do Autoconhecimento   https://yoginapp.com/curso/audiobook-o-yoga-do-autoconhecimento/   Pedido de Silêncio - Podcast #34   https://yoginapp.com/pedido-de-silencio-podcast-34   Aphex Twin -autor da musica tema desse podcast   Playlist da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa

Podcast de Yoga | 26 mar 2020 | Daniel De Nardi

Milagre nas Cavernas – Podcast #90

Reflexões de um YogIN - Episódio 90. Milagre dos Andes é um livro escrito por um dos sobreviventes da tragédia em que um avião com um time de Rugby uruguaio caiu nos Andes chilenos em 1972. O livro conta os detalhes de como parte do grupo conseguiu sobreviver durante 72 dias de total isolamento no meio de montanhas nevadas. No livro, Parado conta também como sua vida e de outros integrantes se desenrolaram a partir daquele acontecimento. Recentemente, aconteceu uma fatalidade parecida, mas nessa por sorte todos conseguiram sobreviver. O caso do time de futebol e do técnico que ficaram presos em cavernas na Tailândia foi mundialmente noticiado. Na época, não achei certo explorar o acontecimento, pois foi bastante divulgado que o técnico do time era praticante de meditação e ensinou a técnica para todos os meninos que declararam depois que aquilo foi essencial para manter a lucidez num momento tão difícil. Este podcast vai tratar de algo que aconteceu após os meninos terem saído da caverna em que eles passaram por um processo de retiro espiritual para purificação. Links Livro Milagre nos Andes Podcast #71 O Processo, fala da obra do compositor Aphex Twin  https://yoginapp.com/o-processo-podcast-71/ Voo Força Aérea Uruguaia 571 Reportagem da BBC sobre a cerimônia (com vídeo) Reportagem no Globo.com sobre o retiro espiritual dos meninos das cavernas tailandesas  Instagram da série Reflexões de um YogIN  http://yoginapp.com/planos/ Playlist com as músicas da série      

Podcast de Yoga | 9 abr 2020 | Daniel De Nardi

Ioga Brasileira, Yoga e Política – Podcast #44

Ioga Brasileira, Yoga e Política - Podcast #44 O canal Porta dos Fundos, produziu um vídeo chamado Ioga Brasileira que mostra uma aula de Yoga na qual a professora usa as técnicas para falar de política. O vídeo brinca com a ideia de que até numa aula de Yoga onde as pessoas vão para relaxar, fala-se o tempo todo de política. Em muitos momentos da sua história, o Yoga associou-se ou modificou-se conforme acontecimentos políticos. Entenda como isso aconteceu no #44 º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo. Bons estudos e Namastê!     https://soundcloud.com/yogin-cast/ioga-brasileira-yoga-e-politica-podcast-44 LINKS   Vídeo Ioga Brasileira do Porta dos Fundos https://youtu.be/VP20IU4Hl_c   Podcast que fala de Varanasi, a cidade mais antiga da Índia   https://yoginapp.com/narrativas-internas-ariana-na-india-podcast-22   Kumbha Mela - maior reunião de pessoas no mundo acontece em Varanasi, a cidade que os hindus vão para serem cremados   https://yoginapp.com/kumbha-mela-o-maior-agrupamento-de-gente-da-historia-do-planeta-terra   Episódio que fala-se de Debussy, o impressionista da música clássica   https://yoginapp.com/por-um-yoga-menos-esquizofrenico   Audiobook sobre As Origens do Yoga   https://yoginapp.com/curso/como-funciona-meditacao-audiobook/   Sobre Ady Shankaracharya Geroge Orwel A Revolta dos Bichos - Filme Dublado  https://youtu.be/2ygQBkmMfqY Trilha Sonora da Série Reflexões de um YogIN https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Transcrição: Ioga Brasileira, Yoga e Política – Podcast #44   O meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 44º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito de yoga e espiritualidade. Você está ouvindo a música do francês Camille Saint-Saëns, O Carnaval dos Animais. O canal do YouTube Porta dos Fundos publicou recentemente um vídeo chamado Ioga Brasileira, este vídeo é um sketch que apresenta uma aula de yoga em que a professora fica falando muito sobre política e, nesse caso, falando mal do PT. (Trecho do vídeo) É como se a prática do yoga fosse o momento para se extirpar a maldade que o PT fez nesses treze anos de poder, depois mostra o outro lado também, falando que o PSDB esqueceu o povo, aquela dualidade política que é bem tradicional nos discursos e que é apresentada o yoga como um ambiente em que não poderia haver este tipo de politização, até mesmo nesses ambientes existe este tipo de politização. O vídeo é engraçadinho, não é muito engraçado, mas ele traz um tema importante em relação a história do yoga como um todo eu é essa relação do yoga com a política. Ao longo dos anos, como o yoga sempre foi uma linha de pensamento e de práticas que não eram da cultura tradicional, ele sempre foi um coisa mais underground, ele foi permeado por disputas políticas e por ambientes em que a política também se envolvia. A gente pode citar muitos casos aqui, mas o primeiro deles é que embora haja citações do yoga no Rigveda, o yoga passa a ganhar estrutura mesmo nas Upanishads, então os vedas são textos mais antigos do hinduísmo, com mais de cinco mil anos, e com mais ou menos três mil nos começaram a surgir as primeira Upanishads, que são textos que, de alguma forma, reinterpreta o que é dito nos vedas e de alguma forma, também, contestam isso. As Upanishads começaram a crescer como um movimento de contestação e o yoga se reforça dentro delas. Então, esse já é um primeiro momento em que a prática e a filosofia do yoga estão ligadas a um movimento político. O segundo momento, que a gente viu aqui em alguns episódios falando sobre o tantra, é que o yoga se envolveu muito no processo do movimento Gupta, do movimento tântrico, de expansão da cultura. Foi no processo de valorização do corpo que o próprio Hatha yoga começou a ter mais força e o yoga começou a ser mais conhecido. Aqui a gente está vendo dois movimentos em que o yoga está relacionado à política e está relacionado a uma parte de contestação do stablishment. O primeiro momento são as Upanishads, que reforçam de ideia do yoga que já elaboram o yoga como uma técnica, um processo de diminuir a agitação mental, e as Upanishads contestam os vedas. Do outro lado, temos mais ou menos no século III d.C. um outro movimento, que é o movimento do tantra, que cresce muito a partir desta época e que também reforça o yoga. Inclusive, uma valorização do corpo no sentido de um expressão e de uma manifestação divina, o nosso corpo tem tudo que existe de mais perfeito no universo. Essa era a visão do Tantra, o Yoga também se aliou a essa visão e já são dois momentos bem marcantes para a história do yoga como um todo e para a história da Índia. E agora nós vamos falar de um terceiro movimento, político também e ideológico, que aconteceu na Índia, que foi o Adshan Karashaya, ele é considerado o maior reformador recente do hinduísmo. E quando se fala em recente, estamos falando do ano de 788 da nossa era, e ele morreu em 820 d.C., vivendo apenas 32 anos e morrendo na cidade de [inint 6:06], que é uma cidade nos Himalaias. Provavelmente ele morreu de frio ou de fome fazendo peregrinações. Então essa época, final do século VIII, em torno de 780 e início do século IX na Índia, o país começou a enfraquecer a visão do hinduísmo, que havia sido bastante reforçada pela dinastia Gupta, no século III, mas ela começa a enfraquecer a partir da queda deste império, mais ou menos em 700 d.C. e com a entrada dos muçulmanos, que passam a invadir e impor sua cultura. Além disso, o próprio budismo estava muito forte nesta época, e o jhaianismo. O hinduísmo, nesta época de Adisham Karashaya, não tinha muita força, mas existiam pesquisadores, estudiosos e sábios chamado Mi mansas, ele realizavam estudos e difundiam ideias contidas nos primeiros textos do yoga, além de manter o conceito do hinduísmo presente na sociedade, porque ela tinha perdido muito a força, como falei, os textos do budismo, do jhayanismo e do islamismo estavam ganhando mais força. O que Shankarashaya fez foi usar a força desse mi mansas e organizar em vários grupos, sistematizando o que seria o hinduísmo. Então, ele criou o Vedanta (que significa “depois dos vedas”) e as Upanishads foram escritas depois dos vedas. A gente pode, então, dizer que existe três momentos do Vedanta. O Vedanta como estudo das próprias Upanishads é o primeiro momento, o segundo é o da reorganização e integração do yoga por Schankaracharya, e aqui temos o yoga fundido a movimentos políticos e de caráter ideológico. Schankaracharya é um personagem bastante contestado, os tântricos costumam criticá-lo muito porque ele pôs essa visão do hinduísmo de uma forma muito bruta, muitas vezes impondo por meio de guerras. Por outro lado ele fez esse trabalho de valorizar todas as culturas hindus locais, então o que ele fez foi que toda a forma, toda a manifestação de divindade de Schankaracharya passou a ser válida dentro do hinduísmo. Existiam muitos deuses (deus Surya, que é o sol; Ganesha, o deus Krishina), e o que Schankaracharya fez foi mostrar que todas as divindades poderiam ser reconhecidas e que tudo teria o seu valor e seria uma representação da divindade suprema, verdadeira. Isso foi bom para a valorização de cada cultura local, cada pessoa teve a liberdade de escolher aquilo que ela achava mais importante em termos de espiritualidade. Por outro ado, Schankaracharya deu um reforço no sentido de que isso não havia no movimento tântrico e não tem nas Upanishads que é a desvalorização do corpo, ver o corpo como um empecilho para a elevação espiritual. Isso ficou muito marcante nesse segundo momento do Vedanta e hoje em dia acaba sendo diluído. Essa parte de mortização do corpo, se for um Vedanta mais tradicional, ele irá manter, como por exemplo aqueles rituais ou aqueles retirantes que ficam muito tempo com a mão para o alto, é uma forma de dizer que o corpo não tem valor. Mas o vir para o ocidente, não foi bem visto este tipo de pensamento, então houve uma atenuação deste Vedanta, hoje não há essa visão de que o corpo nos impede de uma vida mais espiritual. O yoga, assim como o hinduísmo era um assunto que havia caído em desuso, Schankaracharya trouxe ele à tona quando classificou o yoga como uma das visões importantes que se poderia entender o universo ou entender o hinduísmo. Schankaracharya era um retirante, ele era um Saniássin que são pessoas que abrem mão dos seus bens materiais para seguir uma vida de peregrinação e de busca espiritual. Eles visitam locais e divulgam as suas ideias recebendo contribuições para viverem, isso é muito comum na Índia e começou a ser ainda mais valorizado a partir de Schankaracharya. Ele começou a valorizar esses retirantes, esses “homens santos”. Há sempre muitos charlatães, quando se vê um Sadhu, existe a ideia de que ele é uma ser iluminado, mas não, nem sempre, às vezes é o modo de vida dele, em outros ele abriu mesmo mão de um padrão social para fazer esta busca que é vista como algo correto e produtivo. Nem todos abrem mão dos bens, mas muitos praticam o saniassem (abrir mão do bem material por algo maior). Existe uma passagem conhecida na vida de Schankaracharya em que estava em Varanasi – a  cidade mais antiga da Índia, que foi um centro de cultura e de proliferação das culturas do hinduísmo, dos vedas e das próprias Upanishads, então é um ambiente que pra Índia tem muito valor, lá acontece muitos eventos como o Kumbamela (que é um encontro e Sadhu de toda a Índia) – e um Tchandala   (nome dado ao indivíduo pertencente ao grupo de casta indiana responsável pelo cuidado com cadáveres, considerado o mais baixo na linhagem de castas) caminhou para perto dele que olhou com certo asco e, por mais que ele tentasse afastar o Tchandala, este se aproximava mais (quem estiver acompanhando o podcast pelo YogIN App, conseguirá ver um trecho de um filme que tem exatamente esta cena) e o questiona dizendo que se, na visão de Schankaracharya, todo o ser tem uma divindade, no fundo, todos são iguais. Schankaracharya reconhece esse argumento, afinal a sua ideia era valorizar todos os deuses e a todos os indivíduos como seres independentes que tinham dento de si a divindade. A partir do argumento deste Tchandala, Schankaracharya o reverencia tocando em seus pés com a testa (símbolo de que reconhecimento e igualdade), um ato que evidencia o fato de que todos os seres são iguais. A música que nós começamos o podcast de hoje é do Camille Saint-Saëns que começou a compor muito cedo, nasceu em 1835 e morreu em 1921, teve uma vida longa. Ele foi um grande estudioso da música, da história da música. No início do ´século XX começou a ter movimentos culturais nas França que Camilli não quis participar, dentre eles o movimento Impressionista, que é um movimento liderado especialmente pelo Debussy e o movimento (que eu não gosto) Dodecafonismo, que quebra a estrutura natural que a gente tem e usa uma outra estrutura nem sempre agradável aos ouvidos, tendo como objetivo produzir angústia, desconforto, não é um tipo de música que me agrada, muito menos a Sensei. Camille Sensei continuou a compor músicas mais românticas, com expressão, como movimento, com melodia, uma música agradável. Como conservador, Sensei acreditava que a mudança na música deveria ser aos poucos, que cada um iria trazendo algo um pouco mais elaborado. Ele foi professor de um outro músico chamado Faurret que foi o professor de Ravel, então o Bolero de Ravel, de certa forma, é um desdobramento do estilo de Sensei. Ele tem músicas belíssimas, nem todas são famosas, mas a mais conhecida é esta que vamos ouvir, chamada “O Carnaval dos animais”. Esta música lembra um livro bastante conhecido no meio para falar sobre política que é a “Revolução dos Bichos”, de George Orwell (de 1945). Orwell escreveu, também o clássico “1984”, uma analogia ao controle que o governo poderia ter. A “Revolução dos Bichos” é um livro bastante interessante porque ele mostra de uma forma muito simples o que se passa no meio político. A história é de uma fazenda em que todos os animais passam a ser explorados pelo dono. Um dia eles fazem uma reunião, liderada pelos porcos, que eram considerados os animais mais inteligentes, que mostram o descontentamento com o Sr. Jones (o fazendeiro). Eles decidem expulsar Jones da fazenda e, na ausência de outra liderança para cuidar da fazenda, ela passaria a ser cuidada pelos porcos que lideraram a reunião e era os mais inteligentes. Inicialmente todos ficam felizes, criam sete normas e decidem que cada um iria trabalhar em pró do grupo. Os porcos passaram a acreditar, que pelo fato de estarem no poder, precisavam comer melhor, afinal a inteligência dele acabava exigindo isso. Eles começaram a adaptar as normas, não era permitido beber, mas como se consideravam os mais inteligentes, adaptaram esta norma também. Assim, ele foram manipulando as próprias regras e começam a exercer um poder sobre os outros animais através de ameaças. As coisas vão se agravando e fugindo do controle e o final do livro mostra que poder assola a qualquer um, mesmo a um oprimido. O ponto aqui é que sempre quando alguém tiver poder na política, ele não será um abnegado, agindo pelo bem da humanidade, o que a gente tem que esperar é que a pessoa vai agir de maneira totalmente individualista, sendo assim a melhor forma de resolver esta questão é dar menos poder ao governo. Como, no caso do livro, cada bicho decidir a quantidade necessária de comida para si, não os porcos ou o Sr. Jones. Porque quem estiver no poder vai se aproveitar para o benefício próprio e como no governo todo mundo paga, não é justo que a pessoa ganhe benefícios sem o mérito dela, simplesmente porque ela está em uma posição privilegiada, assim como os porcos podiam manipular as leis os políticos fazem manobras que a gente não consegue entender por não estar lá dentro. Uma boa audição! Com vocês, “O Carnaval dos Animais”. Uma novidade, a partir da semana que vem vai entrar no ar um novo podcast chamado “Yoga Falado”, com textos que escrevemos para facilitar para quem não tem tempo para ler. Caso você tenha sugestão de textos para que a gente lei, pode deixar nos comentários. Hariom  

liberdade disruptiva
Filosofia do Yoga | 1 jul 2020 | Daniel De Nardi

Liberdade Disruptiva – Podcast #16

Liberdade Disruptiva - Reflexões de um YogIN Contemporâneo. O episódio de hoje falará de tecnologias disruptivas e a constante busca pela liberdade expressa desde os pri.meiros textos que falam de Yoga. Como tudo isso vai se encontrar você acompanha no podcast - Liberdade Disruptiva. https://soundcloud.com/yogin-cast/liberdade-desruptiva-podcast-16   Links   https://yoginapp.com/podcast-07-etica-protestante-e-o-espirito-tantrico/   Independência do Judiciário  O Sistema Judicial Hindupor P. B. Mukharji, juiz na Corte Suprema de Calcutta, Referência bibliográfica: THE RAMAKRISHNA MISSION INSTITUTE OF CULTURE. The Cultural Heritage of India. Calcutta, 1970. 5 v. (Inglês) (Vol 2, cap. 26, pág 434 a 439) \"A independência do judiciário era uma das características mais destacadas do sistema judicial hindu. Mesmo nos dias da monarquia hindu, a administração de justiça sempre se manteve separada do Executivo. Era uma regra independente tanto na forma quanto no espírito. O sistema judicial hindu foi o primeiro a perceber e reconhecer a importância da separação do judiciário do executivo, e deu a esse princípio fundamental uma definição e formulação prática. O caso de “Anathapindika contra Jeta”, relatado no Vinaya-Pitaka, é uma brilhante ilustração deste princípio. Nesse processo, um príncipe e um cidadão comum submetem seu caso à corte de justiça, e a corte decidiu contra o príncipe. O príncipe aceitou tal decisão como uma questão de competência à qual ele estava sujeito. A evolução do princípio de separação do judiciário em relação ao executivo foi em grande medida resultado da concepção hindu de que a lei se aplica também ao soberano. A lei, na jurisprudência hindu estava acima do soberano. Ela era o dharma.\"   Tripitaka e a distribuição do poder da informação sobre Budha. https://t.co/IjySW0RFEH — Daniel De Nardi (@danieldenardi) May 8, 2017 Trilha Sonora da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Artigo da Harvard Business Review sobre Blockchains A verdade sobre os Block Chains - Harvard Business Review - Abril de 2017. https://t.co/BwuAT9Ywie — Daniel De Nardi (@danieldenardi) May 8, 2017   The Truth About Blockchain Conheça o Blog do YogIN App Transcrição do Podcast - Liberdade Disruptiva Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 16º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito de assuntos contemporâneos com uma visão voltada para a inteligência da cultura indiana, desde os seus princípios até o dia de hoje. A nossa ideia é sempre fazer uma análise com algum tipo de conteúdo relacionado ao yoga, com a cultura sânscrita, com o hinduísmo, de alguma forma relacionar os assuntos cotidianos com essas filosofias. E hoje o nome do podcast é Liberdade Disruptiva. Como eu disse no episódio anterior é importante sempre a gente dar o conceito. Parte da filosofia é explicar conceitos, deixá-los mais inteligíveis a todas as pessoas. Disruptiva é uma palavra usada bastante no ramo da tecnologia, mas nem todo mundo sabe o que é, mas significa quebrar comportamentos padrões. Hoje se fala muito sobre tecnologia disruptiva, que é o caso do Uber. Existe uma forma de pegar transporte público, especialmente taxi, e a tecnologia do Uber, através do aplicativo e a conciliação de todos os sistemas dos carros, foi diruptiva, quebrou um padrão de mercado para se pegar um taxi. E a liberdade é o tema central do yoga desde os seus primórdios, o próprio yoga sutra de Patanjali(..) as pessoas falam que a meta do yoga é o Samádi, ele é o estado que propicia a kaivalya, que é a liberdade, a libertação. Que liberdade é essa que o yôgin busca e que está escrita no Yoga Sutra de Patanjali? É a liberdade para fazer o que ele bem entende, acordar tarde e gastar o que não tem, fazer tudo o que ele sempre quis? Não, é a liberdade de você conseguir expressar a sua real natureza. A liberdade que o yoga busca é que sem nenhum impedimento você consiga expressar o que tiver de verdadeiro. A busca pela verdade de cada um é parte do yoga e isso é considerado um estado de liberdade, de libertação (kaivalya). Inclusive o Yoga Sutra é dividido em quatro blocos ou capítulos e o último é tratando de kaivalya, da liberdade e o Samádi é o estado que irá ajudar nessa busca pela libertação proposta por Patanjali. Então o podcast chama Liberdade Disruptiva e ele irá abordar tanto da parte filosófica da liberdade quanto o que estiver relacionado a tecnologia, então nós temos o podcast 7 que fala sobre o tantra e que mostra o movimento tântrico como um movimento de busca e liberdade e, depois deu origem ao Hatha Yoga, o yoga de alguma forma sempre esteve relacionado com assuntos de liberdade, em diferentes maneira de expressar a liberdade. Isso e a própria proposta do yoga é de liberdade como vimos na palavra kaivalya que é descrita como objetivo último do yoga. Pra gente começar a nossa análise, vamos começar a entender dois momentos dos primeiros textos a ser compostos na Índia, que são os Vedas. Há dois momentos dos Vedas que são os primeiros livros que começam a compilar a sabedoria indiana, os debates e tudo que havia de inteligência naquela região e pode-se datar o início do primeiro veda, que é o Rigveda, em 3400 a.C., então temos escrituras com mais de 5000 de existência. Essas escrituras começam a ser construídas e passa a ter dois momentos, o primeiro, chamado de Karma kanda e o segundo momento chamado de Brahma kanda. E aí, a gente vai ver o início dessa busca de liberdade. O Karma kanda é a primeira parte dos vedas e é muito relacionado, ele tem muitas descrições de rituais que era muito presente e se valorizava muito a capacidade do próprio Brahma de conduzir os rituais, de ele ser uma espécie de elo entre o que se buscava e a forma como se busca. O Brahma, o sacerdote, tinha um poder muito forte e todos os primeiros vedas sãos escritos neste formato, com grande poder para os brâmanes e uma grande valorização dos rituais. O segundo momento que é chamado Brahma kanda, que é do final da construção do Rigveda e começo da construção das primeiras Upanishads, tem uma diferenciação com o que acontecia Karma kanda. Então vamos entender a política da Índia para saber o que dá fato significa a mudança de um momento para outro. No primeiro momento, os brâmanes, que são detentores do conhecimento e dos textos antigos, era pastore, então havia uma troca que existia da seguinte forma: eles chegavam em determinado local e faiam uma troca com a pessoa local, essa troca consistia em poder deixar o gado pastando e em troca eles faziam rituais que davam avalia de que a região pertencia a pessoa ou ao grupo de pessoas com quem estava mantendo contato. Então, a propriedade privada era determinada pelo próprio brâmane detentor desses rituais, que era a validação da propriedade privada. Como os brâmanes estavam num posto em que eles determinavam de quem era as propriedades, os rituais demoravam, as vezes mais de três anos, mas após o ritual o proprietário poderia ter a certeza de que determinada terra pertencia a ele. Só que com o tempo a sociedade indiana passou a se organizar e a criar regras que não necessitassem do poder dos brâmanes, houve um questionamento, quando se começa a construir as primeiras Upanishads, por volta de 1900 a.C. E isso começou a ir para todas as esferas, inclusive na política, existem textos que mostram que nessa época houve um julgamento ocorrido por meio de uma denúncia feita por um indivíduo contra um rei ou um príncipe (vou deixar o trecho deste julgamento que aparece nas escrituras indianas) que assumiu o erro. Isso ocorre nesse momento em começou a se questionar o poder dos brâmanes e o indivíduo comum passa a ter mais poder. Então vem a diferença entre Karma kanda, o primeiro momento da sabedoria hindu, e Brahma kanda, o primeiro é mais fortalecido nos rituais e o Brahma kanda traz o poder para o indivíduo. As Upanishads começas a deixar claro que o conhecimento dos vedas é importante, mas que o maior conhecimento de todos é o que está´ no nosso coração. Então tira o poder que as escrituras tinham e levam para o indivíduo, para o poder que cada um possui independentemente de um ritual ou de um a situação específica. Tudo dentro das organizações da sociedade tem a ver com convenção, como no primeiro momento em que o brâmane designava de quem era a propriedade, isso era uma convenção. Com o tempo, as pessoas começaram a ver que poderiam ter outras convenções como regras escritas que quem as cumprisse teria mérito, então começou a se estabelecer um código civil que mantem uma autonomia entre judiciário e executivo. Quem estuda direito, vê o romano como o primeiro povo a distinguir o judiciário do executivo, mas isso aconteceu na Índia há muito tempo antes. Só que antes eles acreditavam nos rituais, na força evocada pelos brâmanes, e quando eles passam a não acreditar mais isso passa-se a se formar o Estado que é uma instituição que aparece para cuidar para que as regras fossem cumpridas e respeitadas. O que acabou acontecendo não só na Índia como no mundo todo (porque essa estrutura de estado acabou sendo muito parecida em várias partes do mundo, estabelece-se determinadas regras e alguém precisava controlar isso de maneira isenta, mas como sabemos o ser humano não é um ser isento em nada que ele faz) o estado ganhou um poder tamanho e começou a prejudicar e interferir na vida da pessoa, então esse trabalho que era feito pelo brâmanes  agora pelo Estado começou a diminuir a liberdade de cada indivíduo, porque a partir do momento em que o Estado tem muito poder ele pode controlar o indivíduo pela sua própria vontade. O grande problema é que o estado que foi criado para observar o que está certo passa a interferir e prejudicar a vida de todos. Como o Estado pode fazer isso de fato? Digamos que um país tenha determinado dinheiro e que todos tenham trabalhado para a produção dele, o Estado que foi criado para cuidar desse dinheiro, de repente imprime mais dinheiro e, quando isso acontece, ele fica com mais dinheiro enquanto o que era da sociedade se dilui, acaba valendo mesmo. Quando se imprime mais dinheiro ele perde o valor por uma óbvia matemática. Então essa é uma das formas que o Estado prejudica, além disso ele coloca mais dinheiro no mercado, o que aumenta a inflação. O Estado começou a controlar algo, a exercer um papel na sociedade que hoje em dia chega ao limite de estar insuportável, as pessoas não aguentam mais o poder que um político tem na mão de com uma caneta acabar como seu trabalho ou tirar dinheiro diretamente de você como o caso eu que citei. Isso está chegando em um ponto que está insustentável, e o que a gente consegue vislumbrar para um primeiro momento é que se a gente diminuir a interferência do Estado na nossa vida será melhor para cada um, porque podemos tomar decisões de acordo com a nossa vontade e aí a gente volta de alguma forma a Patanjali, a gente está mis livre, a gente pode agir de forma mais livre e não tendo que se submeter a regras impostas pelo Estado. Tudo o que a gente vai estabelecendo dentro do Estado tem a ver com convenção, até mesmo a data de hoje, você acha que hoje é que dia? Não sei que dia você está lendo isto, mas digamos que seja dia 15 de maio, só que você quer que hoje seja dia 18 de maio. Isso pode acontecer? Pode, se você conseguir a convencer todas as pessoas que de fato é melhor ou o correto é o dia que você quer e elas acreditarem a mudança acaba acontecendo porque essas questões das regras são convenções que se estabelecem em determinados momentos e passa a ser validado como verdade, então muitas vezes a gente pensa nisso de uma forma muito concreta, mas é totalmente abstrato, pessoas que tiveram uma ideia e aplicaram, muitas vezes ele fazem coisas erradas, mas tudo é questão de convenção, como atualmente que para que uma lei passe a entrar em vigor ela deve passar pela Câmara, do Senado, for sancionada pelo presidente. É uma convenção que todos aceitam e passa a ser tido como verdade. A mudanças das convenções vai transformando a forma como o mundo se comporta, está começando agora a um movimento pra tirar esse poder todo de regulamento e transferir para os indivíduos e isso se dará especialmente por uma mudança de convenção. Quando Buda morreu, a primeira ação de um dos discípulos mais próximos dele foi de analisar qual eram os principais ensinamentos de Buda, eles estabeleceram quais era e a partir daí criaram hinos, cantavam e repetiam para que a ideia central fosse preservada. Se acreditava que a repetição levaria ao aprendizado e manteria a palavra de Buda viva, mesmo quando o grupo de discípulos estava apartado, a mensagem principal deveria estar presente e quando eles se encontravam ajustavam possíveis modificações. O que acontecia era que a responsabilidade de se manter a ideia de Buda foi espalhado por vários de seus discípulos e demorou de 200 a 300 para que o primeiro livro com os ensinamentos fossem reunidos e escritos, o primeiro momento da mensagem de Buda é totalmente oral, apenas posteriormente passa a ser construído e compilado em um livro bastante conhecido na cultura budista chamado Tripitaka, criado a partir das convenções dos discípulos em cima do pensamento de Buda. Uso esse exemplo porque essa questão de dissipar a responsabilidade é a convenção que está mais se mudando no mundo. E começa a partir de 2008 com uma tecnologia chamada Blockchain, para falar sobre teremos de dar um passo pra trás e a gente vai ter que entender um pouco melhor como se formou a internet e como esta ferramenta pode ajudar na maneira nos comportamos, trabalhamos e nos relacionamos, quantos anos pra frente eu não sei, tudo vai depender de um momento de convenção, mas adotar o Blockchain não é tão simples quanto o Uber e ele não é uma tecnologia disruptiva, mas de base. Então para entender o que é uma tecnologia de base eu vou tentar se o mais simples possível e eu acredito que eu m não sabe vai conseguir entender. A internet surgiu a partir de experimentos do exército americano para transmitir uma determinada informação gráfica, com palavras, de um ponto para o outro, muito próximo do que era o telefone, só que mais sofisticado por que o número de dados enviados poderia ser maior. A partir do momento em que conseguiu se estabelecer o envio de mensagens as próprias empresa começaram a criar estruturas de redes internas para que esse tipo de mensagem começasse a circular dentro delas.  Então havia um investimento financeiro para que o desenvolvimento das redes acontecessem de maneira rápida, porque haveria um aumento de produtividade com elas. A partir daí, houve o protocolo to TCP IP, que é o que muda completamente a estrutura de rede inicial. Esse primeiro protocolo determina que certos códigos não fossem enviado diretamente destinatário, eles iriam para uma rede não controlada por ninguém e qualquer pessoa tendo a permissão para acessar a informação exatamente como ela foi enviada, não existe mais um ser controlador que controla as informações como acontecia no telefone (que para ter uma ligação realizada precisava da ajuda de uma telefonista estatal), hoje não ocorre isso porque a internet é livre, então você manda a informação para o espaço e o computador que tiver permissão poderá ler a mensagem. A internet abriu o fluxo de informações, a gente começou a ter fluxo de informações rápidas e fáceis, mas ainda existe algumas coisas que tem um intermediário, como por exemplo, os contratos que são intermediados pelo governo.  O blockchain vai quebrar isso. De que forma? Você já usou Google Drive dou Dropbox, esses sistemas de rede? Eles funcionam da seguinte forma: um determinado arquivo de Word ou Excel que é salvo na nuvem e compartilhado com outras pessoas, se elas tiverem acesso ao arquivo ele poderá ser editado que se atualizará para todos que acessarem. Esse sistema dissipa a informação, assim como o blockchain, só que em relação aos contratos. O blockchain é uma espécie de Google Drive só que fica hospedado e você estabelece com alguém algum tipo de contrato que ficará numa espécie de nuvem que é um sistema inteiramente criptografado, nunca foi burlado, então não tem como sofrer invasões. Então digamos que nós dois façamos um contrato, podemos fazer o acordo via blockchain, ele será espalhado por toda a internet, reconhecerá as nossas assinaturas e poderá ser editado desde que haja a assinatura de ambos. Isso já está sendo feito em alguns escritórios de advocacia, dentro d algumas empresas que usam internamente, como no início da internet. Hoje esse sistema já existe, porém de maneira interna, quando ganhar a massa e se transformar numa convenção(...) claro que isso vai mudar, e é preciso ter cuidado com as mudanças e o meu objetivo com este podcast é dar um pouco mais de lucidez no sentido de assuntos, se você não tiver informação nenhuma, não vai conseguir nem decidir o que e melhor e quanto mais a gente tiver o debate aberto e as pessoas sendo esclarecidas sobre o assunto,  será melhor porque terá uma participação maior da sociedade opinando sobre ele. Todos assuntos relacionados a tecnologia não tem como serem evitados, não há como impedir o avanço de escolhas genéticas ou a robótica, inteligência artificial...não tem como. O que a gente pode fazer é se munir de informações e cobrar dos governantes porque a gente entende, tem uma opinião formado sobre assuntos. Então a tecnologia não é mais coisa de nerd, e é comportamento e certamente após o Blockchain isso vai ficar muito maior. Fala-se em décadas de implementação, para você não se assustar, mas estas previsões relacionadas à tecnologia ninguém consegue acertar. Um exemplo disso é a bitcoin, que é uma moeda independente que não tem governo controlando, inclusive o Blockchain foi criado pela Bitcoin, para validar as transações desta moeda e toda a vez que há um momento de turbulência, uma possível guerra, a saída do Brexit o valor da bitcoin aumenta no mercado. Se estourar alguma guerra talvez as pessoas migrem para a tecnologia, porque é um sistema autônomo, não depende de governo. Aparentemente é um lugar livre e ele será se cada vez mais a gente conseguir construir opinião e informação para gerar convenções mais convenientes para nós e não deixar na mão de quem souber de tecnologia que vão decidir o que é convenção para todo mundo. Então a gente tem uma massa crítica para opinar como, por exemplo, neste caso do Blockchain é fundamental para que o poder seja dissolvido no momento de uma decisão que afeta a todos. O Blockchain está nesse primeiro momento, de acesso interno pelas empresas, e o segundo momento será como aconteceu com a Internet, porque quando a internet se tronou popular ela já tinha uma estrutura interna nas empresas. O Que está acontecendo agora é que as pessoas estão aprendendo e se habituando a esses contratos internos e o próximo passo vai ser a diminuição drástica da interferência do governo em todo e qualquer contrato, seja de compra e venda, seja de trabalho. Uma das coisas que se consegue no Blockchain é usar linguagem de programação, então você vai começar a programar um tipo de empresa em que você não vai precisar absolutamente de ninguém porque tudo será programado e automatizado. Aí você me diz:” que horror, você não vai ter mais contato com ninguém no mundo?” Não, muito pelo contrário, você vai conseguir automatizar uma forma que precisa de pessoas, hoje se você precisa de pessoas há a burocracia do governo. A partir do momento em que você tem um sistema automática de contrato direto para determinados acordos de trabalho, haverá mais liberdade para se fazer o que se bem entender, não vai depender do governo aceitar as regras estabelecidas entre as duas partes, fora que o custo irá baixar bastante. Até a questão da propriedade provada, quem garante é o Estado, mas a partir do momento em que a gente tiver um sistema como o Blockchain muito firme por que eu vou precisar dizer para o estado detalhes da transação de venda do meu apartamento se interessa apenas ao comprador? A informação já estará na nuvem, todos saberão que eu negociei com a pessoa, terá a minha assinatura, então não haverá a necessidade de um intermediário, livremente se poderá negociar com quem quiser, não precisa pagar por isso e terá segurança até maior, ninguém poderá tomar a sua propriedade porque o contrato estará lá, na nuvem no Google Drive bem seguro independentemente do governo ou do país, assim como hoje é muito difícil bloquear a internet, se você tem o espaço que as pessoas podem inserir informações, ninguém pode controlar  isso. A partir do momento em que a gente tiver um espaço em que os acordos entre as pessoas são válidos dentro de um espaço virtual, a gente vai precisar bem mesmo do governo, as coisas serão muito mais azeitadas e a gente vai acabar tendo muito mais liberdade. A música de hoje é Sagração da Primavera, uma obra de Stravinsky, um compositor russo que h=chegou na França ou menos na década de 20 e causou uma grande revolução, inclusive a primeira apresentação desta música é considerada como um momento marcante em Paris, da década de 20, um momento em que reuniu praticamente todos os intelectuais, o pessoal de literatura dizem que tanto Proust quanto James Joyce estavam no mesmo ambiente. Foi um momento em que as pessoas se revoltara é uma música difícil, que incomoda. Uma música difícil, mas altamente disruptiva.

yoga quanto tempo - Padmasana
Dicas de Yoga | 5 jul 2020 | Equipe YogIN App

Quanto tempo o yoga demora para “fazer efeito”?

Yoga: quanto tempo os efeitos aparecem. A grande maioria das pessoas começa a praticar yoga por recomendação médica ou por iniciativa própria para resolver algum incômodo. Seja por um problema de coluna, auxílio na recuperação de uma lesão, insônia, ansiedade, depressão. Essas pessoas tem um interesse imediato em saber se a prática de Yoga em quanto tempo resolverá seu problema.. A verdade é que muitos chegam aos estúdios com um objetivo definido, o que, como tudo na vida, tem um lado bom e um lado ruim. Ao mesmo tempo em que essa definição estimula o praticante a persistir nas aulas, ela também gera uma ansiedade. SE PREFERIR, PODE OUVIR ESSE TEXTO CLICANDO NA IMAGEM ABAIXO   Ouça também via:   A imagem estereotipada dos professores e praticantes avançados começa a tomar conta do imaginário, e o recém-chegado nessa longa jornada yogin se deixa levar pelo fim. O aluno com hérnia de disco fica rezando pelo dia em que ele vai poder executar ustrasana (postura do camelo) completamente; aquele que está se recuperando de uma lesão no pulso sonha em tirar uma foto em bakasana (postura do corvo); o insone fica horas acordado pensando em quando terá uma noite de descanso tranquila e reparadora; e o ansioso desenvolve mais uma ansiedade para se livrar da ânsia diária. Não se pode culpar ninguém por esses comportamentos, o estilo de vida atual exige resultados, e eles precisam ser rápidos, pois “tempo é dinheiro”. Isso acaba fazendo o aluno esquecer que o mais importante no yoga é o caminho percorrido e o que se aprende nele. Não é à toa que esta frase, de autor desconhecido, se popularizou na internet: “Yoga is not about touching your toes, it’s about what you learn on the way down.” / “Yoga não é apenas tocar os dedos dos pés, e sim o que você aprende no caminho até eles.” (tradução livre). Todos sabem claramente porquê iniciaram a prática de yoga, mas, quando esse motivo deixa de ser buscado cegamente, a razão pela qual se continua a desenrolar o tapete semana a semana pode ser completamente outra. Durante uma aula, os inúmeros asanas promovem grandes movimentações de prana (energia) no organismo, trabalham vários chakras (círculos de energia espalhados pelo corpo) e até nos coloca em posições nunca antes experimentadas. Todos esses elementos acabam trazendo à tona diversas emoções e nos levam a iniciar uma reflexão profunda sobre pensamentos e ações. Ao conhecer o yoga além dos asanas (yamas, niyamas, pranayamas, prathyahara, dharana, dhyana, samadhi) cada novidade diária já se torna um objetivo alcançado, sem ao menos tê-lo traçado.   Baixe o Ebook - As Origens da Meditação e do Yoga   Se meu corpo não permite ustrasana, eu aprendo a me ouvir, busco os benefícios da gomukasana (postura da cara de vaca) e até me surpreendo com o que o paschimottanasana (postura da pinça) me faz sentir. Se o pulso me impede de postar uma foto em bakasana, eu começo a diminuir meu ego e vaidade e sinto o contentamento em janushirshasana. Se eu perco o sono em sua busca, me lembro dos exercícios de respiração para acalmar a mente e, além dele, muitas coisas novas vêm. Se eu não vejo a hora de ser menos ansioso, me convido diariamente à meditação para me tornar um observador de mim mesmo e entender a razão pela qual a ansiedade me domina. E então? A preocupação ainda é quanto tempo o yoga demora para fazer efeito? Os efeitos começam na primeira aula e não terminam nunca, é só ter a serenidade de aproveitá-los, assim com o professor Hermógenes traduziu perfeitamente em seu mantra “entrego, confio, aceito e agradeço.”   Pratique Yoga Online quando quiser e Onde Estiver O mais importante é praticar, a hora que der. Nem que sejam nossas aulas de 15 minutos da plataforma. Temos aulas de diferentes objetivos e com tempos que podem ser escolhidos por você no filtro das Aulas. Em aulas que vão de 5 a 60 minutos, você poderá alongar, espreguiçar, respirar, meditar e começar o dia com afirmações positivas. Tempo não é desculpa para não praticar com o YogIN App, pois você faz de casa e a hora que melhor se encaixar no seu dia. CLIQUE AQUI PARA CONHECER NOSSAS ASSINATURAS new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();  

yogincast maior podcast de yoga do brasil
Filosofia do Yoga | 9 jul 2020 | Equipe YogIN App

YogIN Cast, o maior Podcast de Yoga do Brasil

Podcast de Yoga do YogIN App O YogIN Cast é o podcast de Yoga com mais acessos no Brasil. Em 2018, foram mais de Meio Milhão de audições de yogins de todas as partes do mundo (mais de 50 países). Se você ainda não conhece o nosso canal de podcast de Yoga, está perdendo uma oportunidade única de aprendizado. Sugerimos que acesse-o nas suas diferentes plataformas. O conteúdo é inteiramente gratuito e você encontra desde exercícios de relaxamento e meditação até conteúdos com teoria e História do Yoga. O podcast pode ser acessado de diferentes plataformas. Escolha a que mais se adequar ao seu estilo.   Como Acessar o YogIN Cast SoundCloud :    Spotify:   App nativo do IOS :    App nativo Android :      No YogIN Cast você encontra diferentes programas de podcasts. Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo com #108 episódios: https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts   Yoga Falado, episódios a respeito da prática do Yoga    Se você nunca acessou um podcast e quer aprender, assista aqui :   Podcast de Yoga com Exercícios Relaxamentos Nessa Playlist você pode fazer exercícios de Relaxamento gravados pelos professores do YogIN App https://soundcloud.com/yogin-cast/sets/s-rie-de-relaxamentos-e   Podcast de Yoga de Meditação Nessa Playlist você pode fazer exercícios de Meditação gravados pelos professores do YogIN App https://soundcloud.com/yogin-cast/sets/medita-o-iniciantes   Para saber mais sobre Podcasts e como aprender com essa ferramenta incrível, deixe seu e-mail no formulário abaixo que enviaremos informações exclusivas para você aprender mais ao invés de perder tempo. O podcast pode mudar nossa forma de aprender e nos dar uma oportunidade de aprender enquanto fazemos coisas que tomam o nosso tempo. É possível outvir podcast enquanto dirige, caminha, lava-louça, espera numa fila e tantos outros momentos que muitas vezes não nos acrescentam nada. Aproveite para aprender mais pelos Podcasts selecionados que enviaremos para você por email. Tenho certeza que se você gosta de aprender sobre os assuntos com mais profundidade, a ferramenta do podcast vai mudar sua experiência de aprendizado. Diversos alunos do YogIN App relatam que aprenderam a ouvir podcast através do nosso canal e que isso acabou sendo determinante para o aprendizado de outras áreas que eles tinham interesse em se desenvolver. new RDStationForms(\'formulario-post-podcast-de-yoga-yogin-cast-bba7f2bbdebc139495df\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Podcast de Yoga | 12 ago 2020 | Daniel De Nardi

Como Shiva se tornou o patrono do Yoga?

Como Shiva se tornou o patrono do Yoga? Podcast #41 Nesse podcast faremos um passeio pelas história e mitologia da Índia para entender como Shiva se tornou o ícone dos yogins. Shiva é uma figura mitológica, de um sadhu retirante, que vive em constante estado expandido de consciência meditando nas cavernas dos Himalayas, ouça o podcast para entender como a figura de Shiva foi construída.   https://soundcloud.com/yogin-cast/como-shiva-tornou-se-o-patrono-do-yoga-podcast-41   Links   Podcast - O início do Yoga   https://yoginapp.com/o-inicio-yoga-podcast-24   Podcast sobre o início do Yoga no Ocidente    https://yoginapp.com/o-oriente-encontra-o-ocidente-o-inicio-yoga-por-aqui-podcast-13/#axzz4xx0wEix4   Dinastia Gupta   https://youtu.be/Qj0aPz1GFew   Perfil no Spotfy Jonh Willians   https://open.spotify.com/artist/3dRfiJ2650SZu6GbydcHNb     Trilha sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo    https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição   Como Shiva Tornou-se o Patrono do Yoga? – Podcast #41 Agora você está ouvindo John Williams, compositor da trilha sonora de “E.T.”. Como Shiva se tornou o patrono do yoga? Essa não é um pergunta tão fácil como parece, para respondê-la vou ter que dar uma volta na história indiana, e quem não acompanhou outros episódios sobre história, recomendo que veja, por exemplo, “O Início do Yoga” que é o episódio 15, se eu não me engano, e “A História do Yoga no Ocidente”, que é o episódio 13. Vou deixar os links aqui, mas vou tentar responder esta pergunta, para isso, vou precisar fazer um retorno às origens do yoga. Nas origens do yoga, nos primeiros textos que começam a mencionar o yoga como um processo de busca e um processo meditativo, o yoga está relacionado a Brahma que é a figura criadora, o que já existia antes do mundo ter se manifestado. Esta é a visão que o hinduísmo tem, ele acredita que esta é a essência de todo o ser humano, o que está por trás. E não efetivamente aquilo que a gente manifesta ou percebe. Brahma vem de Brah, que significa crescimento, inchaço. Os brâmanes, que foram os primeiros escritores dos vedas e a casta que dominava os escritos das antigas escrituras e dos rituais eram, no início, pastores. Então, era através do pastoreio que os pais ensinavam os filhos sobre os rituais e sobre os textos. Os brâmanes sempre tiveram ligados a engorda do gado, do rebanho. O termo Brahma, vem de brâmane que é a engorda do gado, que é um inchaço, um aumento. E o que isso tem a ver na busca do yoga? O aumento da percepção do que se vê, então Brahma seria a consciência por trás da observação, e o crescimento disso seria efetivamente a busca do yoga e o caminho para a libertação. A palavra Shiv significa amanhã, o que está para acontecer, o que será maior do que hoje.  Que tem uma relação com esse processo de crescimento e de engorda da palavra Brah, que dá origem a palavra Brahma. Então, você vê que o próprio significado das palavras já está relacionado. Shiva, já falei em alguns episódios, pode ser traduzido como benigno. Esta esperança pelo amanhã é algo otimista, é algo do bem, algo que a gente espera um crescimento, uma melhoria. Shiva é este aspecto, é o benigno, é aquilo que é bom. A primeira Upanishad que cita Shiva como um aspecto alheio, como um personagem à parte é a Sweswassathara Upanishad, ela cita Shiva como sendo Rudra, um aspecto de Brahma. Na concepção filosófica, Brahma é o conceito da observação, e entra nos textos como quem cria. Assim como na cultura ocidental em que Deus quer punir aqueles que não seguem um caminho acontece também nos textos védicos. Existia também aspectos de Brahma, que era Rudra, raivoso. Shiva deriva de Rudra, então, Brahma é Rudra e Rudra é Shiva. O aspecto raivoso é sempre relacionado a rochas, a fogo, ligada sempre a força e ao vigor da natureza, muitas vezes, de certa forma, prejudicando o ser humano. Shiva seria o benigno porque dentro de nós, essa percepção por trás, que observa o mundo quando é maior, ela se torna benigna, então Shiva dentro de si é benigno, Shiva fora ou Rudra é prejudicial. Isto está relacionado ao controle dos sentidos. Então, aquilo que está fora vai te afetar, quando traz pra dentro se está no caminho da observação do mundo manifestado. Se está no caminho de Brahma ou de Shiva, nesse aspecto se torna uma coisa só. Nesse momento Shiva se torna o patrono do yoga, nessa visão de que no fundo, ele era a mesma coisa que Brahma, que é essa observação da manifestação que todos possuem dentro de si, que se faz crescer a observação cada vez mais e se distanciar deste mundo manifestado, da parte ruim de Shiva, da parte externa, e aí você vai se aproximando da sua essência. Mas se efetivamente é a mesma coisa, porque o nome foi mudado? O movimento tântrico que eu mencionei há dois episódios, é um movimento que trouxe a cultura para a população, mas não só a questão de democratizar a cultura. Por exemplo, você a Reforma Protestante, dentro da Igreja Católica, havia um texto escrito em latim acessível apenas para os padres que estudavam aquela língua. Lutero traduz para o alemão, então ele dá acesso à população de ler e fazer sua própria interpretação do texto. Isto já foi revolucionário. No caso do movimento tântrico, que começa da dinastia rupta, a partir do século III d.C., esse movimento não levou apenas a cultura numa língua que o povo poderia acessar, mas o próprio povo pôde produzir algo. O movimento do Tantra é bem semelhante com o movimento da internet. Antes da internet, para se produzir algo, era necessário escrever um livro ou ser um articulista num jornal. O que era bem difícil e poucas pessoas conseguiam. A internet possibilitou que todos pudessem produzir conteúdo, esse podcast é uma prova disso, antes da internet ele seria impossível de ser realizado, levando em consideração o assunto que nem todos se interessam, apenas um grupo específico e especial de pessoas, talvez não tivesse tanta atenção na grande mídia, mas é um assunto que eu, particularmente, gostaria de ter mais acesso. O Tantra possibilitou que um cidadão comum, porque antes isso era proibido pelas castas e pelos costumes, fosse reconhecido como um sábio e escrevesse textos que valorizasse a sua visão da sua escola. As escolas tântricas cresceram muito durante este período dos Nathas porque eles apoiavam muito essa disseminação da cultura para o povo. O movimento Natha, por ser fortalecer dentro do Tantra, é um movimento contrário aos brâmanes porque eles, os brâmanes, começaram a acumular muito poder e quando uma pessoa acumula muito poder nas mãos acaba prejudicando outras pessoas. Então houve uma revolta com o sistema de castas que privilegiava os brâmanes, e começou a se produzir os textos sagrados pelos sábios tântricos. Os tântricos não queriam ter a imagem vinculada aos brâmanes, então eles fizeram uma mudança de nomenclatura para chamar essa percepção da manifestação de Shiva e não mais de Brahma. Então, a partir desse momento, Shiva começa a ser esta imagem, surge textos como os Puranas que são textos que contavam a história sobre Shiva. Shiva que era um conceito ligado a Brahma começa a ganhar aspectos físicos fazendo com que esse conceito fosse levado para as pessoas, o conceito da observação crescer dentro do observado. Essa mensagem de Shiva é a mensagem do yoga. Quando a gente senta para meditar, até mesmo quando a gente trabalha com um único pensamento, o intuito é que a gente pare de se identificar diretamente com o pensamento e comece a se afastar, não somente pela ótica do pensamento, mas pela ótica do observador. Que por trás, o primordial, seria Brahma e num outro momento histórico, como a gente entende agora, seria Shiva. Então esse crescimento dessa consciência que observa seria o crescimento de Shiva, o crescimento benigno dentro de nós. Esta foi a explicação de como Shiva se tronou o patrono do yoga. A música que vamos ouvir hoje é a trilha do filme “E.T.”. Quem compôs essa música, como disse no início, é o John Williams, que pra mim é um dos maiores compositores da era moderna porque a partir de um determinado momento a composição da música instrumental se voltou totalmente para o cinema, seja numa forma minimalista, como Phillip Glass, como de uma forma mais elaborada como é o caso do John Williams e outros compositores de trilha sonora. Williams faz essa música muito melodiosa e que marca muito, muitos conhecem a música dele, mas provavelmente não sabem que ele é. Isto, porque ele produziu trilha de diversos filmes dirigidos elo Steven Spielberg, ele tem um trabalho riquíssimo. Vou deixar no Spotify uma playlist com as músicas dele, todas a gente conhece. O meu conselho para quem for a um concerto pela primeira vez é que vá para ouvir uma música mais amistosa, não Mahler, por exemplo, que segue uma linha mais sofisticada e difícil. Músicas que você já conhece como trilhas de filmes ou versões de músicas brasileiras são mais agradáveis para ir se acostumando a este tipo de música, depois você vai buscando músicas mais elaboradas. A segunda opção, é buscar nomes como Mozart, Haagen, músicas mais agradáveis, caso não encontre, busque no Spotify procure músicas de concerto e vai ouvindo para identificar as partes da música que te agrada e aquelas que não. Geralmente as pessoas falam que não gostam de música clássica, mas sequer foram a um concerto ou conheciam a música. É impossível ir a um show, independente do gênero, e se apaixonar na primeira vez. O gosto pela música vem pelo hábito de ouvi-la, o gosto não surge do nada, é muito difícil de acontecer, é até mais fácil com músicas mais simples como hits, música pop, que não exige tanta elaboração. A música clássica exige um certo treinamento, mas, como eu disse em episódio passados, quando você marca e fica presente, você começa a gostar, naturalmente começa a gostar, quando não é mais estranho para os ouvidos. A minha sugestão é que se ouça mais, aqui no podcast tem a trilha sonora, tem muita música boa, músicas clássicas conhecidas. Se você quer ouvir a este tipo de música, treine mais os ouvidos para ampliar os gostos musicais. Uma analogia que pode ser feita em relação ao filme “E.T.” e a essa ideia de Shiva que é algo que se busca e que se está dentro de nós, é que no filme quando o ET surge vindo de fora acaba representando para aquele menino um conceito de perfeição, algo que vem externamente demonstrar aquela perfeição, ele demostra uma lealdade a amizede, um cuidado com as pessoas. A imagem de Shiva desenvolvida nos textos dos Puranas, querem mostrar que, apesar de Shiva ter a representação dessa observação da consciência, Shiva é perfeito em si mesmo e ele está dentro de cada um, então a ideia do Tantra é essa perfeição que está dentro de nós. No filme, o ET era algo externo, mas representava o que estava dentro do ser humano também, o memo acontece com a imagem de Shiva, ela é a perfeição que está dentro de cada um. Como Brahma nessa primeira pulsão de consciência é perfeita por ela mesma e ela é a nossa verdadeira essência, o Tantra parte do pressuposto de que já somos perfeitos em essência, o trabalho é a descoberta dessa perfeição que está dentro de nós. Isso acontece muito no filme e é só uma figura, o ET é uma figura que nos lembra o que é humano e que a gente pode efetivamente produzir realizar e ser. Fiquem aí com John Williams e a trilha sonora de “E.T.”.  

o cérebro boicotando o EU
Filosofia do Yoga | 16 ago 2020 | Daniel De Nardi

O cérebro boicotando o EU – podcast #03

O cérebro boicotando o EU! Entenda como o cérebro boicota o EU nesse é o 3° episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo que estou subindo semanalmente no canal de podcast do YogIN App Hoje falo sobre como a principal função do cérebro dificulta a percepção da voz interna e quais os conflitos daí decorrentes. https://soundcloud.com/yogin-cast/cerebro-boicotando-o-eu-podcast-03-reflexoes-de-um-yogin-contemporeneo Links Meu curso Yoga, Liberdade e Aprendizado que trata desse tema   canal de podcast do YogIN App https://soundcloud.com/yogin-cast   Podcast citado sobre Realização do EU https://soundcloud.com/yogin-cast/la-la-land-e-a-realizacao-do-eu-reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-podcast-01   PDF - Yoga Sutra de Patanjali traduzido por Carlos Eduardo Barbosa   Página de planos de aulas do YogIN App   Aula Aberta de Yoga para iniciantes https://www.youtube.com/watch?v=fgzKdilzZCI&t=6s Playlist de Meditação https://soundcloud.com/yogin-cast/sets/medita-o-iniciantes   Mandukya Upanishad - PDF em português   Bons estudos!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Transcrição do podcast- Cérebro Boicotando o Eu - #03 Cérebro Boicotando o Eu - #03 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e estamos começando mais um Reflexões de um Yogin Contemporâneo” Esse é o terceiro episódio dessa série que eu gravo e o objetivo dela é sempre trazer fatos ou descobertas recentes que acontecem no nosso dia a dia, trazer e analisar pra uma visão do conhecimento do yoga, seja um conhecimento mais recente ou seja o conhecimento de textos antigos como os shastras, os textos mais antigos do hinduísmo. Hoje nós vamos falar sobre o funcionamento do cérebro e o boicote ao eu. Bom, pra começar essa explicação a gente vai ter que primeiro relembrar um conceito que nós vimos no podcast nº 1, quem não assistiu vale muito a pena que fala sobre o filme La la Land e a realização pessoal. Então lá eu falava de um texto antigo, uma Upanishad chamada Mandukya Upanishad, então a Mandukya fala sobre três eu’s: o eu do corpo, o eu da mente e o eu do coração. O eu do corpo é responsável por captar as informações que estão no mundo e trazer essas informações internamente, fazer uma boa captação, um bom funcionamento dos sentidos; já o eu da mente é responsável por escolher se ele vai seguir esses impulsos dos sentidos ou se a mente vai deixar e ouvir, de fato, a voz do coração. Então o grande conflito que existe é que a gente muitas vezes vai por essa voz da mente e não segue a nossa real voz, a voz da consciência mais interna, mais pura, que é chamada nos textos antigos de voz do coração. Essa voz não é no coração no sentido de emoção, aquela coisa dramática. Não, é o coração como centro da espiritualidade humana. Então, os textos antigos, os Shastras, especialmente o que a gente chama de cultura sânscrita é toda cultura produzida e escrita nessa língua. A cultura sânscrita considera essa região do coração, não especificamente físico, mas essa região do coração como um local de aconchego, um local pro qual a gente deve levar a nossa atenção algumas vezes ao dia, parar e meditar em cima desse local porque ali está a nossa verdadeira voz, ali está a nossa real natureza e o trabalho do yoga é trazer essa real natureza para o nosso dia a dia. E por que a gente simplesmente não faz isso? A gente não faz isso justamente por um boicote da mente. Mas a mente está ai para no ajudar e está nos atrapalhando é isso? É mais ou menos por aí. Então agora a gente vai deixar um pouco de lado a análise de Upanishad e vamos ver o que a ciência entende hoje pela mente ou entende mais especificamente pelo órgão cérebro que aí vai envolver as funções de mente nas quais essa Mandukya Upanishad fala que são os fluxos dos pensamentos, a nossa agitação interna. O nosso cérebro foi sendo formado ao longo dos milhares de anos, e a gente pode colocar aí cem mil anos de formação do cérebro humano como ele é hoje e ao longo desses cem mil anos, geração após geração, o que foi mais valioso para o cérebro, quem sobreviveu e conseguiu passar adiante os seus genes foram os cérebro das pessoas que conseguiram lutar mais pela sobrevivência, então a sobrevivência é vista na natureza como um bem e o cérebro, de alguma, forma acaba premiando isso. O nosso cérebro recebe todo o tipo de estímulo para trabalhar com a sobrevivência, para garantir a sobrevivência humana. E o que é a sobrevivência para o cérebro? Para o cérebro a melhor situação é, se ele busca a sobrevicência, o mínimo de desgaste possível e o máximo de energia acumulada. Quando você faz isso, quando você acumula energia, quando você guarda e não gasta energia, o cérebro vai te premiar praquilo. Por isso que os alimentos mais gordurosos e com mais carboidratos contém uma quantidade calórica e energética maior, eles produzem uma quantidade de prazer maior, porque é o seu cérebro trabalhando na função da sobrevivência, dizendo pro corpo, esse alimento é bom. Não necessariamente esse é o melhor alimento para o funcionamento do corpo, para a saúde, para essa voz interna não necessariamente o chocolate é o melhor alimento, às vezes vai precisar ser, mas nem sempre porque o cérebro pensa sempre no sentido de sobrevivência, mas o eu pensa no sentido de observação e de seguir a coisa mais certa praquela pessoa, então o cérebro vem estimulando olha coma chocolate eu vou te dar uma recompensa e internamente tem a voz dizendo “olha talvez esse não seja o melhor alimento agora”. E você vive constantemente este conflito, lindando e seguindo ora essa necessidade de sobrevivência, que aí ela vai se estender para outras atitudes como, por exemplo, dormir. A gente muito prazer em dormir porque essa é a função do cérebro de preservar energia, um outro ponto também, as relações sexuais. Então como o objetivo é sobrevivência, quando a gente trabalha por conta da espécie nesse sentido, da sobrevivência, o cérebro também nos dá um estímulo. Nós ficamos recebendo esse estímulo, a mente fica “vou seguir o eu do corpo, eu vou seguir as minhas vontades, eu vou seguir a opinião externa para não passar vergonha”. A mente ela tem que decidir em seguir essa voz do corpo, dessas necessidades, ou seguir a voz do coração. E a gente vive esse conflito, e se você não está escutando a voz do coração e está constantemente só atuando para trabalhar com a voz da mente e do corpo, você começa a gerar uma quantidade de conflitos. E aí nós voltamos mais uma vez a Patanjali, a gente sempre tem que falar dele quando fala de yoga, porque Patanjali identifica da onde vem, quando acontece essa má utilização da mente. Primeiro ele fala da ignorância, você desconhecer que você tem essa voz interna mais profunda, que você deve ouvi-la que você deve externa-la, que você deve realmente ir atrás da sua real natureza. Depois Patanjali fala em apego, o apego vem do desejo, vem do sentido, mostrando pra você que é um prazer e que vale a pena você repetir aquilo. Então o desejo pra mente é um prazer, o prazer é o reflexo de que você fez algo no sentido da preservação. Depois Patanjali fala da aversão, aversão é você sentir medo e não agir naquele sentido. Então é o medo que te afasta de uma atitude que muitas vezes a voz do coração está te enviado. Depois ele fala do medo da morte que aí vem em toda essa função do cérebro e do egoísmo, do egotismo. O ego muito grande impede a observação do eu, por uma questão óbvia, então ele não vai analisar a voz interna, vai seguir mais o que os outros estão pensando, vou parecer isso, vou parecer aquilo. Então, é justamente nesses conflitos que a gente vai tomando decisões erradas. Ou a gente vai não seguindo a voz do coração, indo instintivamente seguindo a voz da mente e isso vai gerando conflitos ou decisões erradas. Isso é uma coisa bem subjetiva que a gente falou, mas eu vou dar um exemplo bem prático disso pra que você entenda e observe que você está cometendo isso também muitas vezes na sua vida: Eu ando de moto em São Paulo, que é uma cidade bastante movimentada, todo mundo fala, e eu sei que moto é algo perigoso, mas eu tenho a minha velocidade, que eu me sinto seguro. Se eu estou entre os carros eu sei que uma determinada velocidade é boa pra mim, eu estou seguro, se acontecer algo eu vou conseguir evitar e quando eu ando assim eu estou muito bem. Quando começam a vir outros motorista atrás de mim, outros motociclistas e começa a buzinar, a pressionar, eu começo a acelerar mais. Eu começo a agir, não por conta do que é a minha observação, mas “o que eles vão pensar que eu tô andando devagar” ou “eu devia estar andando mais rápido, como eles”, começam a vir esses pensamentos que são bobos, mas que são primitivos porque eles buscam uma aceitação do grupo e aí eu não ajo de acordo com o que eu sei que é o mais correto pra mim, a medida que eu vou agindo com essas informações externas, que não é algo meu, que é algo externo, eu vou gerando essas incoerências internas que vão me gerando angústia, desconforto. Com isso eu tenho aquela pressão, eu estou agindo em cima da pressão a chance de eu errar é ainda maior.   Uma outra observação que também tem a ver com o que a gente tá falando sobre o coração, é porque o coração avisa, eu fico nervoso, então o meu coração acelera, então de fato eu estou saindo um pouco de mim, eu estou saindo da minha real voz, da minha observação profunda, interna, pra agir de acordo com o que outras pessoas acham que eu devo fazer que é correto, e não com o que eu sei que é o correto. O mais certo nessa situação é, no caso, eu ir para o lado, ficar tranquilo, deixar todo mundo passar, não me importar e não me afetar com a opinião dos outros porque eu sei o que é melhor pra mim, eu sei qual é a velocidade que eu posso e qual é a velocidade segura pra mim. Esse foi um exemplo simples, mas em diferentes pontos da nossa vida a gente acaba não seguindo a voz do coração por uma ignorância, por não ouvi-la por medo, medo da morte ou o que quer eu seja, ou medo do que o cérebro avisa, por um apego, então você tem muito prazer em uma determinada coisa e aquilo ali distorce a sua real vontade, você tem tanto prazer que a vontade toma conta do eu, ela não deixa a voz do eu vir à tona, o medo também, então internamente você sabe que tem de fazer alguma coisa, mas você é paralisado pelo medo. E, por fim, o egotismo, que é um ego muito grande, uma valorização muito grande pessoal, essa valorização conflita com a busca interna, com a busca da consciência. Pra deixar claro, essa função da preservação do cérebro ela não é errada e não é possível a gente viver constantemente fazendo todas as coisas da voz do coração, mas a gente tem que buscar essa voz com uma constância cada vez maior. Por que que não é possível? Porque muitas vezes a gente tem de fato que viver e agir pela sobrevivência, as vezes a gente vai ter que fazer algo que gere um conflito porque é necessário pra gente viver melhor ou para estabelecer um determinado relacionamento que você ache importante, mas esse conflito vai acontecer. A sobrevivência, o cérebro tendo uma funcionalidade de sobrevivência é essencial pra preservação da nossa espécie e pra nossa vida. Mas o tempo todo, esse é o ponto, se você está o tempo todo agindo pela sobrevivência, se você está o tempo todo agindo em relação a sua aparência, no que você vai pareceu para os outros, se você está o tempo todo em busca de prazer e não em busca de uma satisfação de uma realização a chance de você erra é bastante grande. Como o yoga se propõe a ajudar nesse processo? O yoga é um momento em que você tem paz, de observação. “Ah, mas eu tenho esse momento de paz quando eu tô correndo”, tem, de fato, é inegável que qualquer processo em que você fique sozinho ou que você repita algo durante muito tempo você vai começar a ter uma redução dessa agitação de emoções de pensamentos e vai começar a fazer uma observação mais interna. Agora, é inegável que isso é mais fácil com o corpo parado, então a gente viu que justamente o eu do corpo atrapalha, impede ou dificulta a observação do eu do coração. Então se o corpo está muito agitado ele dificulta essa auto observação, por isso a prática ela vai trabalhar bastante a estabilização do corpo pra gente criar, no corpo, um assento da mente, pra mente deixar vir à tona a voz do coração. Então é isso que o yoga se propõe e consegue realizar com suas mais diferentes técnicas, se você não conhece a prática eu sugiro que faça, eu vou deixar aqui o link de uma aula pra iniciantes, pra quem ainda nunca fez, é uma aula no YouTube que a gente tem e é uma das aulas que nós temos disponível nos planos do YogIN App, então essa aula é aberta pra você virem como funcionam as aulas, a qualidade das aulas e tudo o mais, e aí quem quiser, pode fazer no YouTube. Quem quiser mais aulas, aí conhece os planos do nosso site, mas temos playlist pra meditação e respiratórias para quem quiser praticar por podcast ou pelo nosso canal no YouTube, o YogIN TV. Eu me despeço por aqui, espero que tenha conseguido gerar uma reflexão, um despertar pra esse eu do coração e que durante essa semana você faça a sua observação e veja se de fato você está seguindo o eu do coração ou você vem seguindo vozes externas, situações externas, medo ou prazer, e está gerando um conflito interno. Quanto mais a gente segue a voz do coração, maior a nossa probabilidade de acerto.

yoga na netflix
Podcast de Yoga | 19 ago 2020 | Daniel De Nardi

Documentário ON YOGA agora no Netflix

YOGA na Netflix. Quem não conseguiu assistir ao documentário ON Yoga do diretor brasileiro Heitor Dalila falando sobre Yoga, agora pode ver pelo NetFlix. Heitor conta a história do fotógrafo Michael O\'Neil, que durante mais de dez anos foi à Índia aprender e fotografar mestres de Yoga. Gravei um podcast com o que achei do filme, se quiser ouvir antes de assistir o documentário, clique no link abaixo. Bons estudos! YogIN App - Escola de Yoga OnLine · On Yoga, Arquitetura Da Paz - Comentários Do Filme - Podcast #42     https://yoginapp.com/on-yoga-arquitetura-da-paz-critica-do-filme