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podcast de yoga


Filosofia do Yoga | 5 jan 2022 | Equipe YogIN App

YogIN Cast, o maior Podcast de Yoga do Brasil

Podcast de Yoga do YogIN App O YogIN Cast é o podcast de Yoga com mais acessos no Brasil. Em 2018, foram mais de Meio Milhão de audições de yogins de todas as partes do mundo (mais de 50 países). Se você ainda não conhece o nosso canal de podcast de Yoga, está perdendo uma oportunidade única de aprendizado. Sugerimos que acesse-o nas suas diferentes plataformas. O conteúdo é inteiramente gratuito e você encontra desde exercícios de relaxamento e meditação até conteúdos com teoria e História do Yoga. O podcast pode ser acessado de diferentes plataformas. Escolha a que mais se adequar ao seu estilo.   Como Acessar o YogIN Cast SoundCloud :    Spotify:   App nativo do IOS :    App nativo Android :      No YogIN Cast você encontra diferentes programas de podcasts. Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo com #108 episódios: https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts   Yoga Falado, episódios a respeito da prática do Yoga    Se você nunca acessou um podcast e quer aprender, assista aqui :   Podcast de Yoga com Exercícios Relaxamentos Nessa Playlist você pode fazer exercícios de Relaxamento gravados pelos professores do YogIN App https://soundcloud.com/yogin-cast/sets/s-rie-de-relaxamentos-e   Podcast de Yoga de Meditação Nessa Playlist você pode fazer exercícios de Meditação gravados pelos professores do YogIN App https://soundcloud.com/yogin-cast/sets/medita-o-iniciantes   Para saber mais sobre Podcasts e como aprender com essa ferramenta incrível, deixe seu e-mail no formulário abaixo que enviaremos informações exclusivas para você aprender mais ao invés de perder tempo. O podcast pode mudar nossa forma de aprender e nos dar uma oportunidade de aprender enquanto fazemos coisas que tomam o nosso tempo. É possível outvir podcast enquanto dirige, caminha, lava-louça, espera numa fila e tantos outros momentos que muitas vezes não nos acrescentam nada. Aproveite para aprender mais pelos Podcasts selecionados que enviaremos para você por email. Tenho certeza que se você gosta de aprender sobre os assuntos com mais profundidade, a ferramenta do podcast vai mudar sua experiência de aprendizado. Diversos alunos do YogIN App relatam que aprenderam a ouvir podcast através do nosso canal e que isso acabou sendo determinante para o aprendizado de outras áreas que eles tinham interesse em se desenvolver. new RDStationForms(\'formulario-post-podcast-de-yoga-yogin-cast-bba7f2bbdebc139495df\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 27 jun 2021 | Daniel De Nardi

O Oriente encontra o Ocidente, o início do Yoga por aqui – Podcast #13

Como o Yoga começou por aqui - Podcast #13 No podcast de hoje vamos entender quando o Yoga chega ao ocidente trazido pela influência de um violinista. O desconhecido no mundo do Yoga e famoso no mundo da música Yehudi Menuhin, primeiro aluno ocidental de B.K.S. Iyengar. A primeira aparição do Yoga no ocidente acontece em 1893 na Conferência Internacional das Religiões em Chicago. Vivekanada, o yogin que primeiro falou sobre o Yoga no ocidente foi homenageado com o nome dessa rua na cidade onde a conferência aconteceu. Depois disso, as ideias do Yoga não criaram raízes no pensamento ocidental. A prática de Yoga começa a ganhar força apenas na década de 50 quando o violinista Yehudi conhece Iyengar e começa a traze-lo regularmente para palestrar no ocidente. Primeiro na Suíça em 1952 e depois em várias cidades americanas, onde funda escolas e começa a difusão do Yoga no Ocidente. Iyengar conheceu Menuhin em 1952 em Bombaim, Índia. Menuhin estudou com Krishnamurti que recomendou que Iyengar ensinasse Yoga ao violinista. Quando se encontraram, Menuhin disse que estava muito cansado e que não ia poder ficar muito tempo com o professor. Iyengar lhe ensinou uma invertida e o músico executou. Menuhin adorou a técnica e ficou praticando por mais uma hora com Iyengar. Menuhin começou a perceber que o Yoga melhorava sua performance na música. Tornou-se um yogin disciplinado e estudioso. Manteve contato com Iyengar por toda a vida dedicando seu mais famoso livro - Light on Yoga ao seu aluno Äo meu melhor professor de violino.\"B.K.S. Iyengar.             Links Álbum gravado por Yehudi e Ravi Shankar - West Meets East Curso de Formação do YogIN App https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores Trilha Sonora da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo Praça de Chicago onde há uma ruela homenageando Vivekananda   Documentário sobre Menuhin Yehudian https://youtu.be/sMTFMVvzHfQ Curso de Mantra com Sandro Shankar - Audiobookm de Iyengar B.K.S. Iyengar O que Iyengar pensa da evolução do Yoga https://youtu.be/mv4SkZVGxU8 Iyengar foi homenageado na página do Goolge em seu \"97\" aniversário https://youtu.be/Jot8PoRASh0   https://yoginapp.com/aulas/hatha-yoga-com-props/   Yoga com Props com Mariel Gunsch Aulas YogIN App Apresentação da aula de Yoga com Props no YouTube https://youtu.be/4DwvplhcYJg   Planos de assinatura de aulas de Yoga online Boas reflexões e até o próximo Reflexões de um YogIN Contemporâneo. Transcrição do Podcast   O Oriente Encontra o Ocidente, O Início do Yoga por Aqui #13 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e hoje é o dia em que a gente vai unir a música clássica com o nascimento do yoga no ocidente ou a vinda do yoga para o ocidente. No curso de formação do YogIN App, nós temos uma aula bem extensa que explica detalhadamente qual é o contexto histórico tanto na índia quanto no ocidente quando o yoga passa a ser difundido e praticado e reconhecido. Hoje a gente vai falar um trecho desta história porque vamos comentar sobre quem canta esta música com Ravi Shankar, é um violinista chamado Yehudi Menuhin, podemos considerá-lo o padrinho do yoga no ocidente. Oficialmente o yoga chega ao ocidente em 1893, na Conferência Internacional da Religiões, um grande mestre de yoga indiano chamado Vivekananda é convidado para falar sobre o yoga e o hinduísmo e ali se pode dizer que o yoga foi explicado como conceito pela primeira vez no ocidente, em Chicago. Inclusive, na praça principal da cidade, onde tem alargada da maratona de Chicago, tem uma ruela chamada Vivekananda way, em homenagem ao mestre, por ter trazido o yoga ao ocidente. Mas após a palestra o assunto não fica presente, não cria raiz, tanto que passa-se muitos anos e demora para que se tenha uma escola de yoga por aqui. Fala-se que em 1940 abriu a primeira escola de yoga, de uma russa em Cuba, porém não foi nada expressivo. O yoga começa de fato ser conhecido no ocidente a partir desse violinista, o Yehudi que eu já mencionei. Yehudi Menuhin não é muito conhecido como popstar, mas dentro do meio da música clássica ele é bastante reconhecido, ele foi um dos maiores violinistas do mundo de sua época, ele nasceu em 1916 e morreu em 1999, e ele era um prodígio desde o início de sua carreira ele tocava de forma magnifica, começou muito cedo e tinha muita habilidade para aquilo. E ele esgotou os recursos da música ocidental e começou a pesquisar os padrões orientais, ele começou a observar que a Índia não seguia o mesmo padrão de notas musicais e ritmos, e passou a estudar a música inicialmente indiana, mas você fizer um estudo profundo sobre a música indiana (e a gente tem um outro curso de mantra do Sandro Shankara que pesquisa a música indiana clássica) vem junto muitos conceitos do hinduísmo não é só a música pura. E, a partir dali, Menuhin começa a travar contato com a inteligência indiana, filosofia, modo de viver, especulações sobre a vida, então ele começou a estudar um autor famoso no ocidente chamado Krishnamurti que recomendou a ele que conhecesse o Iyengar e praticasse yoga. Um dia Menuhin estava na Índia e chamou o Iyengar para fazer algumas posições pra ele (esta história é conhecida ela, inclusive, está na página do Iyengar), ele estava muito cansado e, então, o Iyengar chegou lá e disse que ensinaria um exercício que iria melhorar o cansaço dele, pediu para que ele levantasse as pernas, provavelmente pediu para que ele fizesse um sarvangasana – uma invertida sobre os ombros – , Menuhin gostou daquilo, sentiu os efeitos e ficou mais de uma hora praticando com Iyengar. Depois passou a chamá-lo porque sentiu-se muito bem, assim tornou-se um exímio praticante. Em 1952 ele chama Iyengar para ir a Suíça para dar uma palestra, foi aí que o yoga começou, realmente, a criar raiz no ocidente.  Depois Iyengar vai para os EUA e começa a fundar as primeiras escolas de yoga, então o yoga funda-se realmente como uma estrutura, como uma marca indiana no ocidente, a partir desse movimento desses dois importantes ícones da cultura do yoga e foi esse acaso que fez com que o yoga fosse difundido, porque ele ganha corpo no ocidente com o Iyengar que, inclusive em 2004, entrou para a lista da revista Times como um dos cem homens mais importantes do mundo, ele chegou a um patamar que nenhum outro mestre de yoga chegou, e talvez chegue, ele foi mundialmente reconhecido e quando você vê entrevistas ou estuda a obra dele (eu sempre falo da audible, que tem muitos livros dele para quem gosta de ouvir, mas que gosta e ler tem a obra toda traduzida para o português) percebe que e não era a intenção dele ficar conhecido no mundo todo, tanto que ele ficou morando na cidade dele a vida toda. Ele era um difusor, ele sobre levar a mensagem do yoga com um aspecto terapêutico, mostrando fato os efeitos que prática fazia nos praticantes e adequando a pratica como um estilo de vida para a vida inteira. Ele inclui props que são aquele bloquinhos e também faixas. Se você for muito tradicionalista você vai dizer “ah, imagina, na antiguidade não se praticava com bloco e nem com faixas” mas e daí? Na antiguidade se dormia na pedra, então vamos dormir também? Isso não faz sentido, o yoga é um filosofia que venceu ao tempo justamente pela sua adequação, ele não ficou preso a dogmas inflexíveis, e foi mantendo o centro essa busca por uma paz interna, por uma sensação de auto-observação mais precisa, o yoga manteve isso apesar das técnicas irem mudando ao longo do tempo e isso se preservou e isso é o que se tem de mais valioso no yoga, agora, “não vou usar o props porque os primeiros praticantes não tinham” isso eu acho uma besteira muito grande, eu uso e me ajuda muito na prática, assim como as faixas, determinadas posições você não consegue realizar (como alcançar o pé ou levantar a perna)  e você não vai usar a faixa porque é um tradicionalista, mas se usasse conseguiria realizar a posição, relaxando o músculo sem fazer força, qual é a escolha mais inteligente? Então o Iyengar trouxe esses materiais e a adequação do yoga como um estilo de vida para as pessoas praticarem ao longo dos anos, inclusive ele era um crítico dos altos, no Ashtanga ele dizia “como é que você vai saltar aos 80 anos?”. A prática dele tem esse objetivo, ficar a vida inteira praticando (como ele, existe imagens dele bem velhinho praticando) porque ele usou desse método, se o yoga é uma prática que desenvolve longevidade, precisa ser uma prática que você consiga levar para a longevidade, então o estilo de yoga do Iyengar faz esse trabalho. A gente tem uma aula de yoga com props da professora Mariel, eu vou deixar o link pra quem for aluno e quiser praticar, pra quem não for aluno eu vou deixar uma apresentação dessa aula que a gente tem o YouTube e também o link das nossas aulas, pra você ver quantas aulas o YogIN App tem disponível. A gente mais de cem aulas e o aluno pode escolher por diferentes períodos e estilos, você poderá fazer uma triagem de acordo com as suas necessidades, praticar quantas vezes quiser, salvar nos favoritos, então você poderá acessar facilmente essa aula e fazer tudo isso pelo aplicativo ou pelo site. Quem não conhece e quer conhecer aproveita que a gente está por um período, que eu não sei quanto tempo irá durar, para baixar o aplicativo e tem trinta dias grátis para experimentar, pode cancelar antes dos trinta dias, sem custo. Uma oportunidade para você que não pratica yoga começar. A ideia não é substituir a aula presencial, algumas pessoas não tem a possibilidade de frequentar aulas de yoga, às vezes não tem na cidade delas, então para ela seria interessante. Quem  faz em uma escola pode conciliar, aulas online tem essa vantagem de a gente fazer na hora que a gente quiser ou nos momentos em que não tem aula, hoje, por exemplo, eu estou gravando numa sexta-feira de feriado e muitas escolas podem estar fechadas e quando o aluno quiser praticar ele tem a opção do yoga on line, pode fazer um plano simples, tem planos a partir de R$29,00 e escolher um plano pra você ter como um plano B. E pra quem faz regularmente e só tem essa opção, eu sugiro que faça um plano que vocês consigam interagir com os professores (é uma opção, você pode continuar com a aula gravada), o plano Premium a gente consegue interagir e vê-los durante a prática. Então eu encerro por aqui, esse foi mais um Reflexões de um YogIN Contemporâneo, e eu vou deixar o link do álbum que eles gravaram do Menuhin com Ravi Shankar que começa a ligação do yoga com o ocidente, vou deixar o álbum pra quem quiser ouvir. Até o próximo podcast. Om Namah Shivaya!     https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia

Yoga para Todos
Podcast de Yoga | 26 maio 2021 | Daniel De Nardi

Yoga para Todos – Podcast

Yoga para Todo Mundo! Nosso primeiro movimento no Yoga Para Todos, foi disponibilizar conteúdos práticos, inclusive aqui no podcast para que qualquer pessoa que tivesse interesse em Yoga, pudesse praticar as técnicas ouvindo-as no celular. Também disponibilizamos gratuitamente, algumas aulas do acervo de assinaturas para o canal do YouTube, YogIN TV. Ouça o podcast Yoga para Todos clicando no botão abaixo.   Yoga para Todos A música deste episódio é do compositor mais tocado na série Reflexões de um YogIN Contemporâneo, o grande John Williams que aqui também está conduzindo a orquestra. No Violoncello, Yo-Yo Ma, considerado um dos maiores músicos da atualidade. A música é o tema do filme 7 anos no Tibet. Vamos dar uma volta para entender porque essa é a música tema do episódio: Yoga para Todos. Desde que o YogIN App surgiu, em 2015, já tínhamos a proposta de democratização do Yoga. Desde 2015, já usávamos a expressão Yoga para Todos, inclusive em hashtags como #YogaParaTodos . O Yoga no Brasil tinha um grande empecilho para o crescimento que é o fato de cidades pequenas, com menos de 100 mil de habitantes, costumam não ter escolas de Yoga por não haver densidade demográfica suficiente que justifique uma escola.   Yoga Para Todos no YogIN App Nosso primeiro movimento no Yoga Para Todos, foi disponibilizar conteúdos práticos, inclusive aqui no podcast para que qualquer pessoa que tivesse interesse em Yoga, pudesse praticar as técnicas ouvindo-as no celular. Também disponibilizamos gratuitamente, algumas aulas do acervo de assinaturas para o canal do YouTube, YogIN TV. Nossa 2ª contribuição no #YogaParaTodos foi não discriminar interessados na prática segundo a idade ou outra dificuldade física. Por mais absurdo que pareça, essa discriminação existe em algumas escolas, que apenas permitem que as pessoas que se encaixam em seu perfil de cliente possam praticar. O YogIN App sempre gravou aulas para todos os níveis de praticantes e jamais colocou o corpo como uma adversidade para a prática de Yoga. O custo das mensalidades em studios de Yoga costuma também ser proibitivo para muita gente. Em São Paulo, o custo para se fazer Yoga em um bom espaço, não fica abaixo de R$500,00. Quando o YogIN App oferece um acervo de mais de 700 aulas e aulas ao vivo todos os dias com correção dos professores, por R$49,00, menos de 10% de uma mensalidade presencial, possibilitamos que qualquer um que queira um acompanhamento personalizado na prática para evoluir mais do que fazendo aulas no YouTube, possa fazer. R$49 ou R$39 se o plano for semestral é um valor acessível a qualquer pessoa que queira estabelecer um compromisso de evolução pessoal. Para não estender ad infinitum, uma última contribuição que considero muito relevante é o fato de que muitos, eu diria a maioria, dos mais de 300 professores que formaram-se no Curso de Formação do YogIN App, fazem algum tipo de atividade aberta, oferecendo o Yoga gratuitamente a quem tem interesse em praticar em mais de 300 cidades pelo Brasil.   A popularização do Yoga na Índia O Yoga sempre foi uma prática reclusa, conhecida por poucos privilegiados. A partir do século III D.C há um movimento de popularização do conhecimento que tornou o Yoga mais acessível ao grande público. Esse movimento cultural foi posteriormente foi chamado de Tantra. Para entender como o Tantra aconteceu, podemos fazer um paralelo com a Reforma de Lutero na Igreja Cristã.  Até Lutero, somente quem lia em Latim, podia aprender com os textos sagrados. O mesmo acontecia na Índia do século III D.C. O sânscrito, língua usada para escrever os shastras, escrituras, não é a língua do povo. Por isso, somente os brâmanes, sacerdotes, casta mais alta da hierarquia social hindu, podiam estudar essas ciências como o Yoga e Sámkhya, só para citar duas delas. O movimento tântrico começou a produzir textos nas línguas locais, sejam elas hindi, tamil ou bengalês. Isso fez com que as informações se propagassem, tornando as pessoas menos dependentes do sacerdotes e das instituições. A partir do movimento tântrico, qualquer um que soubesse ler,  poderia aprender com os registros dos sábios.  No entanto, alguns conceitos, na visão dos natha, um dos grupos tântricos, deveriam ser acessados somente por quem tinha merecimento para aprender aquilo. É o caso de diversas, sadhanas, práticas tântricas, que só são ensinadas em determinado estágio do chela (discípulo).  Por isso, para proteger o conhecimento, os nathas adotam até hoje uma linguagem chamada sandhya bhasha.  Para compreender, porque os nathas usam esse tipo de linguagem iniciática para proteger e não para divulgar seus ensinamentos, sugiro que ouça o podcast #39 – Sem Proselitismo. CLIQUE AQUI PARA OUVIR O PODCAST #39 SEM PROSELITISMO Existem ideologias ou religiões que não fazem proselitismo, não querem convencer mais pessoas a aderirem às suas crenças. O próprio hinduísmo como religião segue essa lógica. Uma vez que os escolhidos, são os moradores das terras banhadas pelo rio Indu. Então, algumas tradições tentam preservar seu conhecimento para que os ensinamentos não sejam propagados, mas que também não sejam perdidos. Sandhya Bhasha Sandhya Bhasha é uma linguagem iniciática que tem o objetivo de proteger uma tradição. Essa linguagem é cifrada e só tem o entendimento quem receber instruções de algum guru pessoalmente. Além disso, o sexo era usado, pois como a cultura indiana é extremamente conservadora, evitava que muitas pessoas tivessem interesse nisso. Por isso, as expressões pênis (lingam), vagina (yoni)  ou esperma (bindu) aparecem em escrituras, mas o conceito não é de uma relação sexual, até porque os fundadores do Tantra são celibatários, mas de um encontro entre os mundos subjetivos e objetivos, sendo bindu o Atman ou alma. CLIQUE PARA OUVIR UM PODCAST EXPLICANDO A LINGUAGEM CIFRADA DOS TÂNTRICOS Dizem que os tântricos usavam essas expressões, pois como a Índia é muito conservadora na questão sexual, isso afastaria os curiosos e os deixaria constrangidos por estudarem aquele tema. No entanto, outros estudiosos, acham que usar expressões de cunho sexual para ensinar conceitos filosóficos, foi uma estratégia para expandir a divulgação, pois no final do dia, as pessoas comentavam umas com as outras as coisas polêmicas que haviam sido contadas nos textos, levando assim, a mensagem central do que as histórias queriam ensinar para frente. Meditagram Toda difusão rápida de conhecimento, precisa desses agentes da divulgação. O Porta dos Fundos, produziu um vídeo chamado Meditagram e é um meditante, encenado pelo Gregorio Duvivier que vai até o Tibet num retiro e fica o tempo todo postando fotos e falando no stories com seus seguidores. O vídeo é engraçado e vou deixar o link na descrição do podcast para quem quiser ver. E a conclusão mais óbvia é que esse meditante, que vou chamar de Greg, é um fake, está ali só para fazer um personagem e blablabla. No entanto, eu acho que mesmo que alguém possa estar fazendo um papel deslocado, como o Greg, de alguma forma, ele está chamando a atenção para a Meditação que pode ser visto como algo sério e provado que funciona. Greg parecer mesmo um bobo, mas mesmo atrapalhado, pode despertar o interesse de algum seguidor que não prestaria a atenção, pelo menos inicialmente, na opinião de um meditador sábio, mas foi as brincadeiras de Greg que despertaram seu interesse para pesquisar algo mais sério.  Se você quiser entender melhor como esses agentes de propagação de algum movimento são essenciais para o crescimento, sugiro o livro O ponto da virada como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença, de Malcolm Gladwell e você entenderá que sem agentes, mesmo que inconscientes do processo, não há grandes transformações. 7 anos no Tibet No sketch do Porta dos Fundos, Greg fala \"daquele filme do Brad Pitt\" que no caso é 7 Anos no Tibet, um clássico do cinema que pode ser visto no Netflix, o link está na descrição Sete Anos no Tibete é um livro de viagem autobiográfico escrito pelo autor e alpinista austríaco Heinrich Harrer baseado em sua experiência real no Tibete entre 1944 e 1951, durante a II Guerra e o período intercalar antes do exército comunista chinês de invadir o Tibete em 1950. Heinrich Harrer (Brad Pitt), o mais famoso alpinista austríaco, tentou algo quase impossível: escalar o Nanga Parbat, o 9º pico mais alto do mundo entre 1943-1950 em que a recém-nascida República Popular da China propôs \"libertar\" o Tibete. A pequena nação protestou dizendo que já era livre, porém, com base no argumento de que o território tibetano era controlado por imperialistas internacionais, a China enviou o seu exército e o pequeno contingente militar tibetano não resistiu. O Dalai Lama, líder secular e espiritual do país, então com 15 anos de idade, pediu - em vão - ajuda às Nações Unidas.  Egocêntrico e, visando somente a glória pessoal, Heinrich viajou para o outro lado do mundo deixando sua mulher grávida e um casamento em crise. Ele não conseguiu o feito, mas quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha ele foi considerado inimigo, por estar em domínio inglês. Feito prisioneiro de guerra, ele fugiu após várias tentativas junto com Peter Aufschnaiter, outro alpinista, se tornando os únicos estrangeiros na sagrada cidade de Lhasa, Tibet. Lá a vida de Heinrich mudaria radicalmente, pois no tempo em que passou no Tibet se tornou um pessoa generosa além de se tornar confidente do Dalai Lama. Assista o filme: uma lição de espiritualidade.    Recados Queria dar boas vindas a todos os novos alunos que aproveitaram a oportunidade da Black Friday. Convido vocês a comparecerem nas minhas aulas ao vivo e também a dos outros professores. Agora que se inscreveu, tem que praticar ! Quem tem interesse no Curso de Formação de Professores de Yoga, estamos com uma lista de interessados que vão receber um condição especial para fazer o curso. Colocando seu nome na lista, você será avisado da melhor forma de pagamento, com maior desconto que vamos oferecer em qualquer outra campanha, quem deixa o nome na lista, realmente vai receber a promoção com o menor valor possível. Se o seu objetivo é conhecer profundamente o Yoga e receber um certificado para poder dar aulas profissionalmente, deixe seu email no 1º link da descrição. Até o próximo episódio! Namastê! LINKS   Lista de Espera para o Curso de Formação Aulas YogIN App Série de 108 episódios - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts Filme 7 anos no Tibet -  Sem proselitismo - Podcast  A Desculpa de Prem Baba - Podcast explicando a linguagem iniciática dos Nathas, Sandhya Bhasha -  Meditagram - Filme do Porta dos Fundos -  Ponto de Virada - Livro -  Perfil do Instagram da série de Podcasts -  Playlist com as músicas da série Canal do YouTube do YogIN App, YogIN Cast https://youtu.be/9YcGvpbqJn0

Podcast de Yoga | 10 maio 2021 | Daniel De Nardi

Como acessar um podcast?

Como acessar um podcast? Sou declaradamente um fã de podcasts. Só que quando uso alguma referência e digo que ouvi isso num podcast, o interlocutor costuma me olhar com cara de interrogação. Já tentei resolver isso gravando um podcast pra falar como usar um podcast. Não funcionou bem, porque as pessoas já não ouviam podcasts então como iam ouvir um podcast que fala como acessar podcasts. O podcast pode ser acessado também pelo desktop com um click em um link (você pode testar com o de cima). Só que a boa utilidade dele, pelo menos para mim é usá-lo no celular. Assim posso ouvi-los no trânsito ou quando tenho que esperar. Na minha segunda tentativa como evangelizador de podcasts fiz esse vídeo que vai mostrar - como acessar um podcast do seu celular. Pra quem quer otimizar seu tempo e aprender sobre os assuntos que interessam, assista o vídeo e bons estudos!   Links Podcast sobre o que é um podcast Texto sobre Podcast  

Filosofia do Yoga | 27 abr 2021 | Daniel De Nardi

Yoga e Saúde – Podcast #11

Podcast Yoga e Saúde e entenda como. No dia 7 de abril, é comemorado em todo o mundo o dia Mundial da Saúde e gravamos este podcast especialmente para esse dia Atualmente, o Yoga é reconhecidamente um sistema que aprimora a saúde dos seus praticantes e dezenas de pesquisas já comprovaram isso. Nem sempre foi assim. Essa relação de cuidado do corpo e observação da saúde não fazia parte do Yoga em suas escrituras iniciais. O cuidado com a saúde começa a fazer parte das observações dos yogins a partir do movimento tantrico. O tantrismo surge na Índia por volta do século VII como um movimento de protesto contra o poder que os brahmanes detinham, pois eram os únicos com acesso às escrituras. Os tântricos começaram a questionar essa infalibilidade dos Shastras (escrituras) e difundir que o que realmente importava não era o que estava escrito nas escrituras, mas o que se percebia. O que o corpo manifestava, pois o que acontece de verdade, acontece no corpo. O movimento tântrico é fruto de uma misturas de várias linhas de pensamento que também ganhavam força na Índia neste período conhecido com renascimento indiano. Entre as linhas de pensamento estavam o budismo e jayanismo, dois sistemas que questionavam a divisão da sociedade em castas. Os tântricas absorveram muito destas culturas e também emprestaram maneiras de entendimento a esses sistemas. Outro sistema que influenciou muito o movimento tântrico foi a medicina ayurvédica. Como o corpo era sagrado e o local onde as coisas verdadeiramente aconteciam, nada mais lógico do que cuidar desse templo pessoal. Junto com os ensinamentos da medicina ayurvedica o movimento tantrico começa a usar posturas do Yoga e dá origem ao Hatha Yoga. A visão de que o corpo é um identificador de conflitos internos é fruto desse movimento. Para o Yoga, quando por exemplo agimos em dissonância com a consciência, desequilibramos  e o corpo demonstra isso em forma de uma doença. As doenças são por tanto produzidas por nós a partir de conflitos entre o que sabemos que é o certo a ser feito e aquilo que queremos fazer. A saúde torna-se um excelente termômetro se estamos vivendo uma vida de acordo com nossa verdadeira natureza. Não trata-se de cuidados excessivos, pois isso também é fruto de desequilíbrio. Cuidar da saúde é muito mais auto-observação das escolhas que tomar 3 sucos verdes ao dia. Claro que devemos  ponderar casos em que não como a pessoa ter gerado esse tipo de desequilíbrio para gerar doenças graves, e aí entra o fator imponderável da Natureza ou pode-se acreditar em outras coisas. O que podemos comemorar nesse dia mundial da saúde é que o Yoga tem ajudado muita gente a viver uma vida mais saudável. O Yoga ensina exercícios saudáveis e promove a saúde em todos os seus praticantes. Seus exercícios ativam orgãos profundos e ajudam na melhora do funcionamento do corpo como um todo. Yoga é tudo de bom para a saúde. Outro ponto que também podemos comemorar é que o Yoga ensina seus praticantes a estarem mais atentos ao que fazem, especialmente diante de decisões. As decisões corretas conduzem a um corpo saudável e isso o Yoga também pode nos ajudar.     Links do Podcast     Playlist da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição do podcast   Yoga e Saúde #11 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, esta é a serenata de cordas de Tchaikovsky e está começando o 11º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nós vamos falar sobre yoga e saúde. Hoje, dia 7 de abril, é o dia mundial da saúde. Quando você fala para alguém que está fazendo yoga, muitas vezes ela pode falar “ah, também preciso porque não estou muito bem da saúde”. Qual seria a relação do yoga com a saúde? Qual seria a visão que o yoga tem em relação a essa parte importante, uma vez que todo mundo considera o yoga como uma prática que faz bem? Primeiro a gente tem que separar os pontos e saber se de fato faz bem à saúde. Isso é comprovado em intermináveis pesquisas científicas, e uma das coisas que é detectado nas pesquisas, com pessoas que praticam yoga, é que a prática faz com que você diminua o nível de Cortisol. O que seria o cortisol? A gente uma liberação dessa substância para executar as tarefas diárias, pra ter realmente força pra lutar pela vida, a vida de ninguém é fácil, a vida é uma luta, uma força de potências e isso faz com que a gente precise ter energia e o cortisol produz, digamos, essa agressividade. A medida que você tem uma liberação maior que o natural a sua força torna-se maior também, mas é aquela coisa “não há almoço grátis”, sempre que você tira de um lado, você perde do outro, não há como produzir só vantagens. Nesse caso, a liberação de cortisol faz com que pessoa tenha mais disposição nos momentos de luta, mas por outro lado, abaixa o sistema imunológico. O sistema imunológico é responsável por defender o no nosso corpo contra as ações das bactérias, dos vírus, das doenças e das infecções. Então a gente tem um sistema que determina o nosso nível de saúde, se você tem um sistema bem resistente, não é qualquer doença que irá te afetar e, comprovadamente como eu falei, o yoga baixando o cortisol faz com que haja uma melhoria no sistema imunológico, então os yôgins são pessoas mais saudáveis que a média porque a prática auxilia na redução da liberação de cortisol, consequentemente na redução do estresse e por conta disso, um reforço no sistema imunológico, então a pessoa fica menos doente. Mas a gente precisa observar que saúde pela definição da Organização Mundial de Saúde não é apenas você não ter doença, mas viver com uma sensação de bem estar. E mais uma vez a gente a prática trabalhando neste sentido, é óbvio que quando temos tensões relacionadas ao dia-a-dia, que são naturais e fazem parte do dia de qualquer pessoa, ela podem não gerar doenças, podem atrapalhar a nossa vida. A OMS coloca a sensação, o bem estar como parte da saúde e quando você trabalha o relaxamento e aumenta o bem estar, acaba tendo mais saúde na visão da organização. O yoga acaba reforçando a nossa saúde, faz bem, é saudável, e não produz efeitos colaterais como outros exercícios produzem, ele faz bem esse papel de fazer com o que o praticante usufrua da prática por muitos anos. Há determinados esportes e atividades que são limitados a idade, mas o yoga tem como filosofia que o praticante o leve para o resto da vida, como um estilo, que independentemente de onde estiver, o praticante consiga realizar os seus asanas, as suas posturas, uma respiração para acalmar, fazer um relaxamento, meditar e, além disso, usar a filosofia em seu dia-a-dia. Então o yoga tem essa proposta de longevidade, mas não é uma prática apenas para jovens, melhora a nossa saúde (além do cortisol, há a compressão dos órgãos por meio dos asanas que estimula a circulação sanguínea). Então você vê esse outro ponto de melhoria, o yoga vai desfazendo as tensões não só nos órgãos como no corpo todo, a tensão muscular dificulta a circulação sanguínea, ela dificulta a levada de nutrientes para a região, no primeiro momento gera desconforto, dor, é desagradável e a longo prazo pode gerar algum tipo de doença. O yoga pode ser praticado por mais velhos e pelos mais jovens que querem ter um corpo mais saudável. Não é ser obcecado em relação ao próprio corpo, até porque isso é um desequilíbrio, o ponto bom da saúde é quando você não precisa se preocupar com ela, toma decisões coerentes com o que sente e isso não causa danos a sua saúde, à medida que for aparecendo sinais de desequilíbrio   você observa qual é a relação disso com os seus hábitos, mais pra frente a gente vai ver que a gente acaba desenvolvendo no nosso corpo desequilíbrio e, consequentemente, doenças. Mas será que o yoga sempre teve relacionado a saúde? Originalmente não, a saúde acaba sendo uma consequência pelo bem estar, claro que você pode fazer pensado na saúde, as técnicas são maravilhosas, elas tem milhares de benefícios que podem ser usados em aspectos específicos para quem está precisando, não tem como descartar a capacidade de relaxamento que o yoga pode produzir. Mas a proposta do yoga é da revelação do eu, de a gente chegar no que já somos, mas não descobrimos, a busca de uma voz verdadeira que te acompanha, mas que você boicota, é o processo de você trazer a voz e as ações condizentes com essa voz para a sua vida fazendo com que ela se torne plena e melhor. Então, originalmente, a saúde não aparecia nos textos, não há associação ou orientação nos Vedas e Upanishads, tem alguma coisa pra saúde generalizada, o yoga era voltado a espiritualidade, ao equilíbrio mental. Começa-se a associar yoga e saúde a partir de um movimento surgido na Índia a partir do século V d.C., o Tantra. O que é o Tantra? É um conjunto de textos produzidos por sábios e deram origem ao movimento filosófico. Um grupo de pessoas que estavam descontentes com determinados comportamentos da sociedade. Os líderes e sábios que começaram a criar textos próprios e debates para questionar o status quo. Os tântricos questionavam as escrituras que passaram a ser escritas na Índia desde 3500 a.C. com o Rigveda tem um grande valor para o indiano, quem domina a capacidade de interpretar e de reproduzir rituais que as escrituras citam é o brâmane, que é o sacerdote que transmite para as pessoas os mantras e conhecimentos – os tântricos passam a questionar a infalibilidade dos textos, “será que realmente tudo que e gente está vivendo foi dito há 3000 anos?”, eles questionaram e trouxeram para o corpo o valor das coisas. O tantra é esse movimento, não existe movimento tântrico antes, nenhuma escritura relacionada ao tantra antes dos tantras. Esses sábios começam a juntar o conhecimento deles com outras áreas que estava ganhando relevância na Índia naquele momento, havia, pelo menos, dois sistemas que combatiam o sistema de castas. Nas castas você nasce em determinado grupo social e pertence a ele até o fim da vida, hoje este sistema é contra a lei. Os budistas que estavam crescendo na época questionavam o sistema de castas assim como os jayamistas, estes são dois movimentos indianos internos surgidos do hinduísmo e que criam sua própria linha filosófica. O tantra conversava com as outras linhas de pensamento que questionavam o status quo da sociedade, ele assume ideias do budismo e do jayamismo e empresta conceitos que os sábios debatiam. Junto a isso, soma-se ao estudo da medicina ayurvédica que ganhava bastante força. Como os tântricos acreditavam no valor do corpo ele absorvem conceitos e técnicas do ayurveda e começam a observar a saúde de maneira mais plena. Dessa influência (do tantra se juntando ao ayurveda e com o budismo) nasce o Hatha Yoga, que é uma pratica do yoga que trabalha muito a parte dos asanas, todo o foco em auto-observação surge por conta de uma valorização do corpo, o corpo é visto como a biografia humana, se há um desequilíbrio em outras áreas isso se reflete no nosso corpo e há sempre uma relação, que você pode observar, entre as nossas atitudes e as nossas decisões. Esse trabalho de percepção também é voltado para a melhoria da saúde, a medida que você é mais consciente da suas ações, você toma decisões de acordo com as necessidades do seu corpo, não se alimenta de forma desenfreada por exemplo, fica atento ao nível da sua fome. O corpo mostra a dissonância da voz interna, se você apenas a voz do corpo e da mente, acaba ignorando a voz interna, gerando um desequilíbrio. Se você é viciado em um alimento que não te faz bem, com o tempo você vai apresentando um desequilíbrio e o corpo pode desenvolver uma doença. Assim como o medo, em que você enrijece a sua postura, e pode acabar desenvolvendo um trauma para a coluna ou algo mais grave. Para esse entendimento do yoga tudo passa pelo indivíduo, que tem a saúde plena, mas que desequilibra conforme as decisões dissonantes ao eu. O processo da saúde é um bom demonstrativo se você está a caminho dessa voz interna, quando a gente está bem ou feliz é porque a gente está seguindo aquilo que realmente é verdadeiro em nós. Se você seguir a voz dos outros, ou a vontades alheias sem se atentar a voz interna o yoga vai ensinando que esta atitude tem consequências para saúde. A prática dos asanas, assim como dos pranayama, também produz saúde, além da meditação que abaixa o cortisol, aumenta o sistema imunológico e faz com que a gente viva uma vida mais saudável, que é um bom indicativo de uma vida mais plena. Serenata de corda pra Tchaikovisky, dessa música eu não conheço nenhuma história especial, mas é uma música que eu acho bonita. Tchaikovisky teve uma vida muito difícil, ele não gostava de compor balé, mas compôs os balés mais bonitos, vivia em uma época de muita discriminação. Tinha uma grande paixão pela mãe, era homossexual, e a obra dele é uma descrição dessa dor, mas ao mesmo tempo algo puro e belo como uma dança, e essa música expressa muito bem isso, eu vou deixar apenas um movimento aqui, mas vale a pena você ouvir a música inteira. Ele faz movimentos muito parecidos ao de Mozart, algo que você pode ver se ouvir a música inteira. Até a próxima semana. Ohm Namah Shivaya! https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

meditacao profunda
Podcast de Yoga | 25 abr 2021 | Daniel De Nardi

O que é vivenciado em um estado de meditação profunda – Podcast #12

Reflexões de um YogIN Contemporâneo - episódio 12 Em 1861, o escritor e crítico de arte Baudelaire, ao assistir a estréia de Tannhauser de Richard Wagner em Paris ficou tão fascinado que escreveu um livro para tentar explicar o estado de consciência que tinha vivenciado aquela noite. \"A partir [...] do primeiro concerto, fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares. [...]. Minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado, entrava, sem dúvida, muito do que Weber e Beethoven já me haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu me achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associadas a uma rara delícia. Resolvi me informar do porquê e transformar minha volúpia em conhecimento [...].\" No podcast de hoje, vamos refletir sobre o que seria um estado de meditação profunda e como ele pode ajudar o yogin na expressão da sua verdadeira identidade. Os estados da mente comentados no podcast Links   Trilha Sonora da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo Novo Curso - Refletindo sobre os medos que nos travam Yoga-Sutra - Tradução Carlos Eduardo Barbosa Livro do Baudelaire - Tanhauser em Paris Quora - site de perguntas e respostas de tudo  Minha resposta sobre Meditação no Quora  Curso do Dr. Roberto Simões - Neurofisiologia da Meditação  Transcrição do Podcast   Estado de Meditação Profunda #12   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi essa música é “Tannhauser” uma música de Richard Wagner, está começando o 12º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. No final do século XIX, mais precisamente em 1861, Baudelaire, que era um famoso poeta, já havia escrito livros e peças de teatro, vocês já devem ter ouvido falar dele, o livro mais famoso dele se chama “Flores do Mal”. Ele era um agitador cultural, um dia ele foi a uma casa de ópera, em Paris, para assistir à estreia da ópera de Richard Wagner. Wagner já era uma pessoa muito polemica na época por levar a estrutura da ópera a outro patamar, antes de Wagner a música era essencial e havia uma produção modesta, mas não era algo cinematográfico, Wagner faz o primeiro movimento do cinema (no sentido de superprodução) como entendemos hoje, ele era detalhista e queria que cada detalhe fosse executado com o máximo de perfeição, então ele fez com que várias frentes da arte se encontrassem na ópera (figurino, artes plásticas, dança, artes cênicas), mostrando que a ópera era a única que conseguiria unir todas as artes. O que não é mentira, só tenho apenas um contraponto, se você vai a ópera o enredo precisa ser simplificado porque a música faz parte, assim como nos musicais, tem muito tempo de música, que se repete. Mas tanto os musicais quanto a ópera trazem o que há de humano, uma expressão com a música que é um catalisador de emoções, a história fica simplificada, mas a música amplia a experiência, quem já foi em musicais ou em ópera sabe do que estou falando.   Baudelaire era um artista das artes em geral, e era um crítico de arte, ele entra pra ver a ópera de Wagner e fica muito tocado, entra em um estado diferenciado de consciência, quando sai da ópera, se sente obrigado a defender a obra de Wagner que era bastante atacado na época. Baudelaire escreve para Wagner, que é sempre seco e não dá muita abertura pra ele, eles se encontram e não há uma interação, não há a necessidade de querer contribuir para o livro que Baudelaire escreve a seu respeito, é um livro bem curto chamado “Baudelaire, Richard Wagner e Tannhauser de Paris” e conta a incompreensão que Wagner passou, a dificuldade que ele teve de mostrar que estava mudando a cara da ópera, hoje você pode achar óbvio, mas na época ele recebeu diversas críticas, além de não ser uma pessoa fácil, era megalomaníaco e perfeccionista, mas Baudelaire tenta escrever o livro para reparar esta imagem de Wagner. O interessante é que Wagner tinha muito claro qual era o papel dele, as críticas não tinham relevância porque ele sabia que o que estava construindo era a sua verdade e fazia sentido, havia uma importância histórica para a arte. Baudelaire tenta ser o defensor de Wagner diante da crítica francesa, porém não teve tanta ajuda para tal. E essa posição de Baudelaire surge por querer entender o que de fato sentiu ao assistir a ópera de Wagner, Tannhauser em Paris. Neste livro que eu mencionei, tem uma passagem que ele diz: “A partir do primeiro concerto fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares, minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado entrava sem dúvida muito do que Weber e Beethoven já haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associada a uma rara delícia, resolvi me informar do porquê e transformar a minha volúpia em conhecimento.” Baudelaire queria explicar a sensação, o que ele havia vivenciado, então, ele faz por meio da sua habilidade: a crítica de arte. Além de escrever peças de teatro e livros, ele também era um crítico de arte, ele une o entendimento pessoal ao intelectual. Daí tem que ler o livro para saber se ele teve êxito em seu intento ou não. A nossa ideia hoje aqui é tentar entender o estado de meditação a partir do que temos de experiência e de literatura relacionada a meditação.  Literatura sobre meditação é praticamente infinita nos dias de hoje, especialmente a partir do momento em que “Mindfullness” ganhou notoriedade porque, até então, a meditação era assunto de uma pesquisa ou outra, porém não havia um sistema acadêmico, científico, com uma proposta (eles chamam de protocolo – quando existe um sistema de pesquisa envolvendo o alvo do estudo, no caso, a meditação), quando o Mindfullness foi registrado como um método, as pesquisas cientificas sobre a meditação cresceram muito, pois se havia uma campo amplo de pesquisa. Mas a meditação vai além, pois tem pontos que a ciência atualmente não consegue tocar e, ai você pode acreditar nisso ou não, muito disso está ligado a questão da consciência. A ciência, academicamente, não reconhece a consciência humana como algo existente, porque há um pressuposto que o objeto e estudo precisa ser medido, palpável. Então, a voz da consciência é fácil ser negada, porém você não pode negar que ela está internamente, pode ser uma criação mental, a gente pode trabalhar com essa hipótese, os cientista tentam provar que a consciência nada mais é que uma maneira sofisticada de a gente justificar as nossas decisões, que não existe e que tudo é puramente físico. Particularmente eu não concordo com esta afirmação, acredito que de fato exista essa consciência que o Sankhya chama de Púrusha e que Patanjali vai expressar muito como aquele que vê. O que nós vamos fazer é tentar entender um pouquinho – não vamos nos aprofundar totalmente no assunto – o que seria o estado que Baudelaire entrou, um estado que não precisa ser gerado a partir de um exercício de meditação, o estado em si pode ser gerado a partir de qualquer tipo de repetição, a partir de qualquer exercício que te faça concentrar com o máximo de atenção durante um bom tempo, claro que a meditação tem essa proposta e isso contribui muito; é a mesma coisa – por exemplo – você pode emagrecer caminhando durante o dia ao invés de usar tanto o transporte, mas é mais fácil se tiver um exercício focado para o emagrecimento, como uma corrida de 30 ou 40 minutos, isto teria um efeito maior. E é o mesmo caso, você pode entrar num estado diferenciado de consciência, um estado meditativo em qualquer atividade, inclusive ouvindo esse podcast (embora aqui tenha um pouco mais de agitação mental), algo que prenda a sua atenção fixamente. Isso pode te levar a um estado diferenciado, de meditação e independe se é yoga, se é tai chi, se é olhar e admirar um quadro, não importa, o que importa é que você estabilizou a sua mente e agora a gente vai entender o processo que acontece e como o yoga se enquadra dentro desse processo. Essa minha análise começou com uma resposta que eu dei em um site chamado “Quora”, um site de perguntas e respostas, há uma votação e a melhor resposta é votada e fica em destaque. Mais ou menos como funciona no Yahoo, mas é uma comunidade e tem muitos expert, eu já fiz perguntas sobre a NASA, por exemplo, e quem me respondeu foi um engenheiro da SpaceX, que é uma empresa grande de engenharia espacial. Você faz perguntas e solicita para que os eventuais especialistas da área respondam, geralmente eu respondo as perguntas do no site para treinar o meu inglês, que não é muito bom, mas faço como um exercício e contribuo com a área de yoga e meditação que é o que eu sei e que estudei. E lá tinha uma pergunta mais ou menos assim: “O que seria ou o que se vivenciaria num estado de meditação profunda?”. Pra gente entender meditação, essa questão do vedor e da consciência, a gente precisa ir ao texto mais clássico do yoga que pé o Yoga Sutra. Eu cito recorrentemente ele aqui, sempre deixo um PDF de uma tradução que eu gosto muito, a do Carlos Eduardo Barbosa, um estudioso de sânscrito e de cultura hindu, e ele traduz do original do devanagari, ele domina o sânscrito e o devanagari, a leitura do yoga sutra dele é muito coerente porque o sutra é chamado de aforismo, mas o aforismo é uma frase que se resolve por ela mesma, é uma sentença de verdade que não tem muito o que negar, por exemplo: a agressão a outros seres humanos não faz bem à sociedade. É um aforismo, não tem como negar, a agressão é um ponto desnecessário, é um caso extremo e não faz bem à sociedade como um todo. Agora o sutra não é um livro de frases, inclusive o próprio termo sutra significa cordão, o sistema de sutras é de ligação, um sutra é continuidade do anterior, tanto que a sugestão é lê-lo de uma só vez, a estrutura do yoga sutra precisa ter uma coerência, não é simplesmente uma tradução você entender a palavra, se não há coerência, não é uma tradução boa. A tradução do Carlos é compreensível e o importante é que ele faz comentários nos sutras mais relevantes, chamando a atenção para o que for mais importante. Eu vou deixar o PDF, quem quiser baixar e ler, acho que vale bastante a pena, vou ler os primeiros sutras traduzidos pelo Carlos, lembrando que o yoga sutra é o primeiro livro a ser escrito sobre o yoga, a primeira frase diz: “Eis os postulados mais elevados do yoga” Eu não vou ampliar a explicação, mas esse “atha” (atha yoga shasana) é um tipo de recurso que era usado na época em que o yoga sutra foi criado, nesta época começou a haver uma série de compilações de vários outros textos, então os sábios se reuniam para compilar os textos de acordo com o assunto a ser tratado (por exemplo na área jurídica, na literatura ou no yoga). Patanjali acaba determinando quais textos seriam de maior valor e elevação para a compilação do yoga (Atha Yoga Shasana). A segunda frase é a famosa “yoga chita vritti nirodha”, que diz “yoga é a redução da atividade mental”. Vamos voltar ao yoga sutra para entendê-lo melhor, Patanjali começa dizendo o que é o mais importante do yoga “Atha yoga shasana” (Eis os postulados mais elevados), na primeira frase ele fala “quer chegar ao estado de yoga, quer entender o yoga, quer saber sobre o yoga, então diminua a atividade da sua mente”. E para que isso? Porque “aquele que vê, o percebedor, se manifesta na sua natureza mais autentica”. Esses três sutras já explicam o que é o yoga e o que é a meditação. A meditação é um processo pelo qual você consegue diminuir a agitação mental para trazer a voz da consciência, para trazer esse vedor, trazer a real natureza dele, a natureza mais autêntica. Esse é o processo elo qual o yôgin deve buscar, então a meditação é muito diferente de você estar num estado e de repente “bum!” – e isso muita gente busca como algo totalmente transcendental –, “entrei no estado de samâdhi, resolvi todas as equações da vida, descobri o mundo, tive um momento de êxtase, de luz, de felicidade, de plenitude, agora eu sou sábio”. Este tipo de pensamento é tão ingênuo e infantil, se você parar para analisar isso não faz sentido com a proposta do yoga e com o que Patanjali e os demais falam. Quando você diminui a atividade da mente você não vai ter uma revelação do universo, você chegar num momento para que informações internas e pessoais suas sejam reveladas, para que a sua verdade venha à tona a sua verdade não a dos outros, o que for sucesso pra você, não para o outro. Estas verdades surgem no processo da meditação. Quando a gente pensa nos estados da mente (você já deve ter ouvido falar em alfa, beta, teta, delta...é interessante a gente entender porque faz sentido dentro da proposta de meditação de Patanjali), a ciência classifica a mente em três estados segundo os níveis de hertz detectados, atividades do pensamento. O Estado Beta: 14 a 21 ciclos por segundo, esse é o estado de vigília e de autopercepção dos sentidos, é um estado em que a gente está muito alerta, pensa no estresse, que é o oposto do estado meditativo porque é um estado em que você tem o máximo de atividade da mente, muita percepção dos sentidos, uma percepção mais aguçada pode te defender de uma ameaça, então o corpo se coloca em estado de defesa, de sobrevivência, o oposto de você ouvir a sua voz interna, a sua voz da consciência (aí entra um ponto que é, nesse patamar  não existe certo ou errado, o estado é o que depende do momento, se você ficar no estado de tranquilidade você não vai conseguir viver em sociedade, assim como um estado de excitação e de euforia traz um cansaço mental, ansiedade, depressão, você impede que haja um fluxo mental tranquilo e que os pensamentos se tornem profundos); o Estado Alfa: de 7 a 14 ciclos por segundo, aqui se começa um outro estado de consciência, há espaço para a informação pessoal de cada indivíduo (vamos pensar nessa onda como o mar, quando está agitado você não consegue ver nada, não há percepção das coisas, no estado alfa existe um movimento mais suave e um espaço para que as ideias surjam tranquilamente); o Estado Teta: de 4 a 7 ciclos, um estado de relaxamento total e meditação, nesse estado vem a informação de forma verdadeira (já deve ter acontecido com você antes de dormir ter alguma ideia verdadeira e profunda e não conseguir resgatá-la depois, ali você estava em estado de Teta, quase entrando e Delta, há a liberação de um espaço na mente para que este tipo de informação apareça); o Estado Delta: de 0 a 4 ciclos, que é o sono profundo e que não há mais consciência do que está acontecendo. No dia a dia não tem como informações profundas virem, a gente está preso a informações imediatas, do ambiente, a meditação possibilita justamente um estado próximo a “quase dormindo”, em que as ondas mentais estão com menor frequência e, e segundo o sutra, o yoga é a diminuição do estado mental e faz sentido com a análise que a ciência tem sobre as frequências mentais. O que você deve buscar e perceber num estado de meditação profunda não é a resolução do mundo, nem um “orgasmo transcendental”, é um percepção própria que o ajudará a encontrar a sua própria verdade. Como Patanjali falou “aquele vê se manifesta na sua natureza mais autêntica”, pense nisso, realize a sua meditação pensando em um autoaprendizado, um autoestudo, não pensando em se tornar um mestre iluminado que levará a verdade ao mundo, pense na sua própria verdade, o que na sua vida te faz expressar o que há de melhor em você, quando você copia alguém não existe verdade, e a meditação nos possibilita isso. Essa é a proposta que, no meu ponto de vista, que é mais coerente com a meditação exposta por Patanjali, do que algo transcendental que é vendido por pessoas “iluminadas”. Iluminado pra mim é aquela pessoa que acorda de manhã feliz com a vida que tem, sabe as adversidades, mas vive o que é verdadeiro. Essa pessoa que vai manter um estado, que vai ter quedas e ascensões, mas que a constância é algo que tem verdade, com sentido, que o faz acordar de manhã, cuidar da sua família e criar um mundo melhor, um entorno melhor. Uma ótima semana, no vemos no próximo podcast.

Podcast de Yoga | 24 abr 2021 | Daniel De Nardi

A Preparação – Podcast #09

Reflexões de um YogIN Contemporâneo Podcast #09 Este episódio é parte do conteúdo do novo curso do YogIN App  - o curso trata sobre o tema do medo, analisando-o segundo escrituras antigas da Índia com a Katha Upanishad e o Mahabharata. O objetivo de abrir essa reflexão é pensarmos o quanto o medo nos paralisa e impede que expressemos nossa real Natureza. Patañjali já havia observado isso, e não à toa coloca dois tipos de medos como impedimentos da expressão da nossa verdadeira identidade. Dvesha = aversão (medo gerado por uma experiência dolorosa) Abhinivesha = apego à vida ou medo da morte. Os medos são importantes, eles nos protegem de ameaças, mas inegavelmente também dificultam muitas das nossas atitudes. Nesse podcast, eu trouxe o exemplo de uma etapa muito importante no processo de despertar mais ousadia que é A Prepração. Dois aventureiros profissionais, tentaram ao mesmo tempo conquistar o Polo Norte em 1911, um deles chegou um mês antes e com toda a equipe em boa saúde. O outro, apesar de ter as tecnologias de ponta e mais recursos, viu a Bandeira do outro país cravada no ponto dos 90º.   Links do episódio: Curso online - Refletindo sobre os Medos que nos travam - Dvesha e Abhinivesha Página de cursos do YogIN App Curso Yoga, Aprendizado e Liberdade Livro Vencedoras por Opção de Jim Collins Audiobook do livro Great By Choice (inglês) Palestra Jim Collins (inglês) Audiobook Bhagavad Gita (inglês) Ideograma dos Vencedores por Opção Trilha Sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Bastidores da preparação do Curso   Transcrição desse episódio   A Preparação #9 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e está começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje também nós tem uma música muito especial, Rhapsody in Blue, que ao final vai ser tocada aqui. O episódio de hoje vai falar sobre preparação, a preparação para um grande desafio, a preparação pra gente vencer um obstáculo. Isso pode parecer um pouco clichê a priori, mas eu vou trazer um exemplo muito bom aqui que a gente vai conseguir comparar o quanto uma preparação pode ser boa ou não. Esse podcast está sendo gravado hoje, porque estou no meio da produção de um novo curso que vai tratar sobre Abhinivesha. Abhinivesha é uma das principais dificuldades que nós temos, segundo Patanjali, pra encontrar a nossa real identidade. E o Abhinivesha é o apego demasiado a vida ou o medo da morte, e esse medo acaba se derivando em múltiplos medos, então a ideia desse curso é trazer reflexões, referências de textos indianos, então eu estou pesquisando. A base toda desse curso é a carta Upanishad, que é um texto antigo que trata reflexões sobre os medos do ser humano, então isso está inserido no curso, junto com técnicas, com a minha experiência pessoal, está ficando um curso muito bacana. Recomendo muito para quem está gostando do podcast que estou produzindo aqui, dê uma olhada na nossa página de cursos. Eu vou deixar o link aqui na descrição, então você pode ver a descrição completa, ali vai ter o link para essa página de cursos e quem está gostando mesmo dos podcasts eu recomendo porque vai gostar dos cursos. O podcast a gente faz aqui uma reflexão aqui sobre alguns temas, uma reflexão de quinze, vinte minutos, ás vezes, meia hora e o curso consegue desenvolver melhor, elaborar melhor esses temas, tem todas as referências que você consegue ver, tem as descrições, os links e tem um acompanhamento, depois, em grupos on line. Esse curso já está disponível, quem quiser já por ir lá dar uma olhada, as duas primeiras aulas são abertas, mais esse podcast, e ele vai sendo disponibilizado aos poucos agora, mas está muito interessante, e eu acredito mesmo que essa reflexão vai produzir em você uma vontade maior de realização, um ímpeto maior. Tentar vencer barreiras que a gente tem e que são fundamentadas em aspectos psicológicos, aspectos que precisam ser trabalhados com auto-observação e com reflexão, então, a ideia dele é trazer essa reflexão para os medos que nos impedem de ser nós mesmos, os medos que nos travam, os medos que não nos deixam a vontade na vida. Como eu falei, eu consegui um exemplo nítido desta questão da preparação, o curso ele acaba sendo mais amplo do que isto, mas esse aspecto da preparação é parte dessa reflexão que eu vou trazer no curso. Bom, quando você pesquisa em biografias você sempre vê que há um esforço grande, o personagem principal passa por um processo de sacrifício mesmo para conquistar aqueles objetivos, mas é muito difícil a gente mensurar o quão realmente a pessoa se esforçou o quanto aquele esforço produziu aquele resultado ou não, porque você nunca tem um ponto de comparação, então você vai estudar, por exemplo um livro que ficou famoso recentemente, a história do André Agassi, daí você vê todo o esforço dele, mas você não tem exatamente alguém com o mesmo objetivo ao mesmo tempo, com condições, até que no esporte você consegue fazer essas comparações, mas são difíceis até porque, no caso do Agassi,  são várias  gerações que ele passou de jogadores, então até isso é difícil você comparar o quanto a preparação influenciou de fato os resultados ele conseguiu. Mas eu consegui um exemplo de um livro do Jim Collins, que é um pesquisador, ele faz pesquisas sobre empresas que são bem sucedidas e empresas que não são bem sucedidas. E, neste caso, no último livro dele, ele está estudando líderes e empresas que passaram por desafios muito grandes. Ele compara sempre com grandes aventuras, com expedições. O Jim Collins tem esse background que é de aventura, de analisar o quanto o esforço, a preparação, o método fez com que a expedição desse certo ou não. E nesse livro ele traz a história de dois aventureiros, esse processo de busca por aventuras era feito de maneira profissional, a ciência ia na frente, primeiro houve-se uma busca pelo Polo Norte e, conquistado, houve-se um esforço pra chegar ao Polo Sul, não era só chegar a Antártica, mas chegar no Polo sul exatamente onde você tem o centro do mundo, então essa começou a ser a grande busca, em termos de aventura, no final do século XIX ao início do século XX. E o interessante desse exemplo é que nós temos duas pessoas com o mesmo objetivo e na mesma época e com idades próximas, você consegue comparar precisamente quais foram os resultados das expedições de um e de outro, então esses dois personagens são a Roald Amundsen e Robert Scott que era um inglês. O Robert Scott contava com toda a tecnologia de ponto porque ele era inglês e a Inglaterra tinha muito interesse nessa época em expedições, então ela colocava muito recursos nestes projetos, era muito incentivado pela coroa britânica essas expedições. Por outro lado, o Amundsen dependia basicamente dos esforços dele, ele não tinha nenhum governo patrocinado ele como o Scott tinha e os seus recursos dele eram limitados. Para começar a explicar sobre os resultados que eles tiveram, o Jim Collins neste livro, Vencedoras por opção, ele começa a falar sobre um conceito que ele chama de “Marcha da vinte milhas”, que significa você estabelecer algo que você realmente consegue fazer e repetir. Então ele dá esse exemplo porque ele fala que isso é muito presente nos líderes que conseguem mais resultados, que é você manter uma consistência de ação e não “quando tá bom você faz muito, quando está mal você faz quase nada”, mas conseguir uma consistência independentemente do ambiente em que você se encontra, então quando você pode mais você não vai porque você se preserva. Eu vivenciei muito isso quando eu treinei triathlon para o Ironman, porque o grande ponto de treinamento pra um triathlon – eu já treinei corrida apenas, mas não acontece isso porque você treina quatro vezes por semana, consegue fazer muitos esforço na maioria dos treinos chegando ao seu limite – não pode estar constantemente trabalhando no seu limite, porque sempre tem um treino no dia seguinte de uma modalidade diferente, então você precisa se preservar. Então é muito mais importante você manter uma consistência de treino e não levar no limite pra que você não ter a queda depois, ficar lesionado ou ter overtraining, que é quando você fica desgastado demais. Esse ponto da consistência da caminhada, que são as vinte milhas, é essencial para grandes conquistas e o Jim Collins fala disso, sobre a importância da consistência, ele fala, inclusive, que a marca da mediocridade é a inconsistência crônica, é o exemplo básico do regime da segunda-feira, mas a gente pode observar isso em diferentes pontos da nossa vida. Você tem muito esforço, mas você não consegue resultado porque você colocou muito esforço, e para. Então precisa ter, para fazer uma construção grande, uma consistência de trabalho, uma repetição daquilo você criar habilidades físicas ou mentais ou emocionais, para isto é necessário repetição, consistência. No exemplo desses dois navegadores, quando eles chegaram na Antártida, o Amundsen, que acabou chegando primeiro, ele sempre mantinha vinte milhas, de quinze a vinte milhas, porque ele sabia que se ele levasse a equipe dele ao esgotamento e naquele momento em que eles estivessem esgotados acontecesse uma tempestade de neve, poderia fazer com que a expedição acabasse. Já o Scott teve um momento muito bom inicial, andou muito e depois não conseguiu, ficou cansado e pegou uma tempestade.  A consistência ela não é só você se esforçar nos momentos difíceis, mas é você não ir a mais também nos momentos em que as coisas estão fáceis. E voltando ao exemplo de treinamento de triathlon, aí você pode observar para a meditação, para o treinamento de asana, qualquer tipo de treinamento, você pode dizer “ah hoje eu tô muito bem, vou fazer muito, muito”, mas daí no dia seguinte você tem queda de performance, então é melhor você manter consistente e ir repetindo, ganhando corpo e aumentando progressivamente. O que constrói realmente as coisas são essas marchas das vinte milhas e é essencial que a gente se pergunte “quais são as minhas vinte milhas?”, “O que eu estou fazendo consistentemente na minha vida para produzir a transformação que eu quero?”, “Então o que eu venho reproduzindo regularmente?”. Isso é de fato o que vai construir o que você quer, e está ligado uma outra pergunta que é: “Se eu morrer, se eu desaparecer quem é que vai sentir falta do que eu faço, ou de mim? E por que essas pessoas vão sentir falta?”. Esta pergunta está ligado ao que o hinduísmo chama de Dharma, que é a sua própria vivência essencial, o que você tem que fazer que vai te gerar a satisfação. O sânscrito tem uma palavra chamada shraddha, que pode se traduzir por fé, mas essencialmente é aquilo que você tem certeza que quando você faz você está certo, então a própria Bhagavad-Gita tem uma passagem que diz que você é o seu shraddha, porque no fundo você é aquilo que você faz e que você tem certeza, é esse encontro da certeza que vai fazer com que você consiga manter consistente as suas vinte milhas. Se você não encontrar o seu shraddha você não vai conseguir manter consistentemente algo para impressionar os outros, é impossível isso, você só consegue manter algo consistente quando aquilo é realmente seu. No meu outro curso de aprendizado, tem uma passagem que eu falo que a disciplina tem muito mais a ver com uma boa escolha do que com “ah eu sou o Super-Homem que me supero e venço todos os obstáculos”, não, a disciplina tem muito mais a ver com “isto realmente é meu, eu sou isso”, então eu vou repetindo isso até construir aquilo que eu acredito, vai passar por dificuldades, vai passar por transformações, mas como Jim Collins falou a marca da mediocridade é  você realmente não querer expressar algo seu, ficar na média, seguir só os seus condicionamentos, seguir o que todo mundo faz, fazer várias coisas, não ter consistência na construção. Ele começa a falar também sobre a criatividade, que também é essencial nesse processo. Só a disciplina não adianta – isso eu também eu abranjo no curso sobre aprendizado – a disciplina sem aprendizado não faz sentido, ela só faz sentido quando é a repetição vinda como aprimoramento, este aprimoramento tem a ver com criatividade e então ele cita um tipo de criatividade que é a empírica, que fez diferença no caso do Amundsen e do Scott. A criatividade empírica é quando você faz testes com coisas que já existem, e então você faz uma grande inovação, uma grande disruptura, e não tenta fazer uma disruptura sem nenhuma base. O exemplo do Amundsen e do Scott, o primeiro valorizava o que já tinha sido descoberto e o que existia de conhecimento em relação a viver e se deslocar no frio, ele foi para o Alasca, viveu com os esquimós e, durante este tempo, ele aprendeu muitas coisas e começou a ver o que de fato funcionava. Ele observou por exemplo, que os esquimós de deslocam sempre devagar, porque a pior coisa que pode acontecer no frio é transpirar e quando isso acontece o suor congela dentro da roupa e você tem o pior cenário, o gelo diretamente na sua pele. Naquela época eles não tinham equipamentos, estamos falando de 1890 por aí. Ele descobriu, por exemplo, que eles usavam cães para se deslocar no frio, porque cães trabalham em grupo, tem habilidades de deslocamento rápido e a outra vantagem é que, se acabar a comida – infelizmente, mas em caso de vida e morte –, eles se alimentam uns dos outros, algo diferente do que o Scott acabou adotando. O Amundsen observou tudo isso, fez esta experiência e levou para Antártica o que ele tinha aprendido, então ele teve uma criatividade empírica, acrescentou algumas melhorais ao que já existia. Já o Scott quis fazer uma disruptura total, ele criou o trenó a motor que congelou assim que chegou na Antártica e não funcionou. A segunda opção, como ele não havia feito uma preparação assim como o Amundsen, foi tentar se locomover com pôneis, porém, eles não comem carne (cavalo é um animal vegetariano) e as patas dos equinos congelavam, Scott acabou perdendo todos os pôneis e teve de seguir caminhando. Enquanto o Amundsen tinha cães puxando trenó, algo mais organizado e eficaz. Você já começa a observar as diferenças de preparação que fizeram diferença no resultado: o Amundsen chegou trinta dias antes ao Polo Sul, foi a primeira pessoa a chegar no centro da Antártica e retornou com toda a equipe viva; já a equipe de Scott, além de ter chegado trinta dias depois, faleceu em seu retorno, tentando voltar para o barco. Então eu vou deixar um link de uma palestra que eu encontrei disponível para download no Vimeo e que eu acabei colocando no meu canal. É uma palestra do Jim Collins sobre o livro, quem quiser assistir, infelizmente é em inglês a palestra, não sei se tem tradução, mas é bem simples, o inglês não é sofisticado, mesmo quem não é bom no inglês consegue entender, ainda mais com as referências do podcast. Uma sugestão de estudo para quem quiser se aprofundar, assim como o livro, eu vou deixar o link para quem quiser comprar. Como eu já disse eu prefiro ouvir, pra mim é muito mais rápido, você consegue otimizar o seu tempo, eu sei que esse livro tem na audible, tem disponível em audiobook em inglês, ainda não tem em português, mas é um livro que vale a pena ler. A Bhagavad-Gita fala que devemos ter um propósito muito claro, você precisa seguir o seu proposito que tenha sentido e clareza pra você, só então você consegue construir algo seu, pessoal, sem seguir tendências ou vozes e opiniões. Para isto, você precisa passar por um processo de trazer o seu melhor a tona, o que não é simples, mas o yoga como um todo tem esse intuito, trazer o que há de melhor na pessoa através de diferentes técnicas e, o que estamos fazendo aqui, reflexões, debates, pensar sobre, e não acreditar que o normal é a vida seguir algo que foi determinado. Pode ser que você realmente esteja num bom caminho e que você esteja conectado com a sua voz interior, mas pode ser que haja momentos de desconexão ou coisas que você pode aprimorar ou que você sabe que pode ser melhor. Então, para isso, a prática do yoga e essas reflexões são bem construtivas e produtivas, e o livro fica como contribuição no sentido de dar um reforço para essas perguntas que muitas vezes nos incomodam: “o que eu tô fazendo consistentemente pra construir algo que eu quero”, “o que eu tô fazendo consistentemente que tenha a ver com o meu ideal de vida, como o meu Dharma?”. O Jim Collins faz um triângulo para explicar isso, a gente falou sobre criatividade empírica, que é você fazer os pequenos testes, ele faz uma comparação com tiros de revólver e balas de canhão, que é você dar tiros primeiro par testar, no caso do Amundsen ele foi lá, fez os testes, viu o que dava e o que não dava e, depois, você faz realmente o tiro de canhão, você vai para o objetivo maior, que foi quando ele partiu para a Antártica. Já o Scott lançou a bala de canhão, o seu primeiro plano já era algo inovador e disruptível, o trenó a motor que nunca tinha sido testado. Chegou lá, já deu uma bala de canhão, não funcionou, o trenó congelou, segunda bala de canhão que ele tinha, os pôneis, não funcionou, daí ele teve de dar tiro com o 38/32 dele que foi caminhando. A distância que eles tinham que percorrer era de 2200 km, 2200 km é você ir de Porto Alegre a São Paulo e voltar, esta era a distância que eles tinham de percorrer com temperaturas de menos de 38°C, situações extremamente adversas e os dois na mesma época e com o mesmo objetivo, então por isso que esta pesquisa é interessante, porque ela dá um grau de comparação muito preciso. Então ele fala desses três pontos do triangulo, a criatividade (tiros de revolver, balas de canhão), depois da paranoia produtiva (você manter a constância das 20 milhas independente das situações – no período da bonança e da dificuldade, porque o que faz a diferença é quando as coisas não vão bem – isto tem a ver com a constância na produção) e, por fim, ele fala de uma fanática disciplina. Mas fanatismo de disciplina é basicamente você seguir a sua voz e repetir o que você acredita, isso é você ser disciplinado e ele coloca esta palavra, fanática, mas com uma ênfase que é uma disciplina de quem quer realmente conquistar uma coisa que é importante pra si. Para ter esta constância você precisa estar alinhado com o seu Dharma, você precisa estar ouvindo o que realmente a contribuição que você pode dar ao mundo, se você não está conectado com isso, você não consegue esta consistência, por último, ele fala desta disciplina fanática e começa a mostrar a preparação do Amundsen e do Robert Scott. Quando o Amundsen foi fazer a tese de mestrado dele, ele tinha de fazer uma expedição a vela na Espanha, e ele morava na Noruega, então ele foi de bicicleta de um país a outro (eram 3000 km de distância), ele não era um ciclista regular, mas tinha um intuito de navegação. Tanto o Scott quanto o Amundsen participaram de expedições para a Antártica (uma coisa é você ir até a Antártica, outra coisa é você chegar até o meio da Antártica, são duas coisas bem diferentes), ele já havia ido, sabia que era difícil e começou a preparação desde muito jovem. Logo em seguida ele começou a tentar comer carne de golfinho pra ver como o corpo dele responderia se tivesse apenas uma fonte de energia. Por que se você vai ser forte só na hora que você precisa, talvez você não tenha a força necessária, você precisa ser forte quando você não precisa. Então, as vinte milhas não são apenas quando o tempo estiver bonito e ensolarado, mas quando o estiver ruim e nublado também, essa repetição que produz a construção, que produz o que a gente precisa para vencer o desafio. A filosofia do Amundsen era a seguinte: “Não se espera até estar no meio de uma tempestade imprevista para se descobrir que é preciso ter mais força e resistência, ninguém espera até acontecer um naufrágio para ver se consegue comer carne crua de golfinho, não se espera até estar numa expedição rumo à Antártida para se tornar um excelente esquiador e adestrador de cães, a pessoa se prepara com intensidade o tempo inteiro, para que quando as circunstancias estiverem contra ela, consiga se abastecer em um reservatório de energia bem fundo, da mesma forma nós nos preparamos de modo que quando as circunstâncias estiverem ao nosso favor podemos realizar grandes feitos.” Lembra das vinte mil milhas que o Amundsen dizia: “eu não posso expor o meu grupo a um desgaste muito grande num momento bom porque depois, quando vier um tempo ruim, a gente pode se prejudicar e até morrer”. Por outro lado, quando você já está conseguindo manter as coisas num momento ruim, quando surge um momento bom é que você faz a grande construção. É aquela velha história, que os grandes se preparam na crise, mas essa preparação precisa ser constante, você tem que repetir as vinte milhas para fazer uma grande conquista. Na expedição, os dois levaram bandeiras pra sinalizar, mas o Amundsen tinha uma preocupação que alguma coisa poderia dar errado, então ele ficava atento ao que poderia acontecer, isso o mantinha mais protegido. O Scott contava com toda uma tecnologia de ponta, era um cara mais relaxado, não tinha tanta atenção, e isso foi observado no plano da expedição. Por exemplo, as bandeiras, o Scott colocou uma bandeira quando saiu e depois só no posto de abastecimento, já o Amundsen colocava bandeira e sinalização a cada um quilometro, depois ele criou um raio de dez quilômetros de sinalização em volta dos pontos de abastecimento para se caso se perdessem em uma tempestade eles conseguissem voltar. Quando eles planejaram a viagem eles tinham um ideia de quanto de alimentos eles precisariam, o Amundsen levou três toneladas para uma equipe de cinco pessoas, o Scott uma tonelada para dezessete pessoas. Então você começa a ver a importância da preparação e qual foi o resultado. O Scott levou um termômetro para a viagem, que congelou e estourou, e quando você não tem termômetro num lugar desses você é perigoso porque você precisa planejar a caminhada de acordo com relação a melhor hora do dia de a temperatura, então ele ficou extremamente irritado com a situação, enquanto o Amundsen levou quatro termômetros. Então, você pode pensar, “mas um cara teve azar e o outro teve sorte”, o autor fez uma análise em relação ao tempo, e ele foi muito similar no caso de ambos, e isso ele extrapola essa visão de sorte e azar, mostrando que esses fatores (sorte e azar) não depende de você e que muda completamente cenário, seja para o bem ou seja para o mal. Então isso ele conta como um momento de má sorte e isso acontece dentro das empresas, e com os líderes, o ponto é o quanto você estava preparado para aquilo, que é o que a gente viu que no final faz a grande diferença. Voltando ao livro, ele mostra o quanto Scott reclamava da sorte e o Amundsen não tocava no assunto. Scott falava: “nossa sorte em relação ao tempo é ridícula” em outro registro disse: “isso é muito mais que a nossa cota de azar, quão imenso pode ser o elemento sorte”. O fato é que em 5 de dezembro de 1911, sob o sol claro que brilhava sobre a vasta planície branca, com um ligeiro vento cruzado e uma temperatura de aproximadamente -10°C, Amundsen chegou ao Polo Sul, com sua equipe, fincou a bandeira da Noruega e se desfraldou com um forte assobio e dedicou o platô ao rei do seu país, em seguida, todos recomeçaram o trabalho, ergueram uma tenda e nela amarraram uma carta ao rei norueguês na qual relataram o sucesso da missão. Amundsen, endereçou o envelope ao capitão Scott, presumindo que ele seria o próximo a chegar ao Polo, como medida de segurança, caso a sua equipe sofresse alguma adversidade e perecesse na viagem de volta. Ele não tinha como saber que Scott e sua equipe estavam puxando os seus trenós nos braços, a mais de 500 quilômetros atrás deles. Mais de um mês depois, às 18h30, em 17 de janeiro de 1912 Scott de se viu diante da bandeira da Noruega, afincada por Amundsen, no Polo Sul “tivemos um dia terrível” ele diz. Escreveu em seu diário “para a nossa decepção, um vento de 4 para 5 com uma temperatura de -35°C. Meu Deus, este lugar é medonho, é terrível demais para o trabalho que tivemos para alcança-lo, sem sermos premiados com a honra de chegar primeiro”. Naquele mesmo dia, Amundsen já havia percorrido quase 800 km na direção norte quando atingiu o seu depósito de suprimentos aos 82 graus, faltavam apenas oito dias mais fáceis da caminhada até o final da viagem. Scott, deu meia volta e também seguiu para o norte, percorreu mais mil quilômetros com a equipe puxando trenos a pé, justamente na mudança de estação o tempo piorou com ventos cada vez mais forte e temperaturas cada vez mais baixas e enquanto os suprimentos minguavam e os homens lutavam em meio a neve.  Amundsen e sua equipe, chegaram a base em boas condições em 25 de janeiro, a data exata que ele havia anotado em seu plano. Sem suprimentos, Scott desistiu em meados de março, exausto e deprimido, oito meses mais tarde um grupo de reconhecimentos britânicos encontrou o corpo de Scott e dois dos companheiro em uma barraca pequena e frágil coberta de neve a apenas quinze quilômetros do seu depósito de suprimento. Essa é uma prova, uma demonstração da importância de passar pelo processo, pela dificuldade e estar preparado para quando a dificuldades, as adversidades aparecerem. Quando a gente quer enfrentar um grande desafio, a gente precisa de uma grande preparação e aqui a gente teve um exemplo máximo disso, que é uma preparação extrema para um caso de vida ou morte, um ambiente em que o homem nunca tinha pisado. Então ali eles colocaram todas as forças, toda a tecnologia, passaram pelos maiores sofrimentos, a gente não precisa passar por tudo isso, mas você tem que saber que algum tipo de incomodo, de dor, de frustração precisa acontecer para que você consiga construir algo diferente, se não, você se acomoda e aceita a vida como ela é, isso não é uma opção ruim, ela só não é uma opção que o yôgin que busca a sua real identidade vai seguir, porque ele está buscando externalizar o que ele tem de melhor, a sua voz real, e contribuir com o seu Dharma no mundo, fazer a sua marca, a sua contribuição no mundo. Então o podcast fica por aqui, vou deixar vocês com uma música que é de um compositor que eu mencionei no podcast passado como um dos principais compositores do século XX, George Gershwin. Gershwin compunha muita música jazzista, eu não sou uma pessoa muito do jazz, tenho tentado ouvir um pouco mais. O que eu tento fazer com vocês, evangelizando com música clássica, eu tenho recebido esse impacto do Damien Chazelle, do La la Land, e escutado mais jazz, mas não é um tipo de música que geralmente ouço, embora o Gershwin me agrada, ele mistura música clássica com jazz. O interessante desta música é que ela tem muito a ver com o assunto que a gente falou hoje, no primeiro momento ela é difícil, chata e turbulenta, as coisas não fazem sentido, não cria melodia, fica tudo confuso, te incomoda e você desiste, mas quando chega em torno de 11 minutos, todos esses elementos que eram difusos começam a criar uma harmonia, leve e que vale a pena escutar, então é exatamente o que a gente viu hoje, quando a gente está no processo de treinamento, é duro, chato, vem incômodo, atrapalha, não dá certo, erra, não faz sentido treinar aquilo ou estudar aquilo, mas quando a gente chega no objetivo é como se as coisas se harmonizassem e, então, tudo se encaixa, e temos aquele momento de deleite em que valeu a pena cada sacrifício, valeu a pena cada carne de golfinho. Uma boa semana e até o próximo podcast.   https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia/#axzz4qgdXngzX        

Vontade de potencia podcast
Filosofia do Yoga | 31 mar 2021 | Daniel De Nardi

Vontade de Potência – Podcast #10

Vontade de Potência - Reflexões de um YogIN Contemporâneo - Episódio 10 Neste episódio trata-se de um conceito nietiano de Vontade de Potência que pode ter sido inspirado nas primeiras Upanishads. Saiba mais Links mencionados no podcast   2001 Uma Odisséia no Espaço cena de abertura música Assim Falou Zarathustra https://youtu.be/ypEaGQb6dJk   2001 Uma Odisséia no Espaço - música Danúbio Azul     https://www.youtube.com/watch?v=_SpqdoJYfV8   Episódio 03 - que fala dos 3 Eus Página de Cursos do YogIN App https://yoginapp.com/cursos-de-yoga/   Curso de Aprofundamento em Yoga https://yoginapp.com/curso/aprofundamento-yoga/   Playlist da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo PODCAST SOBRE NIETZSCHE  Transcrição do podcast   Vontade de Potência #10 Com esta música maravilhosa nós começamos o décimo episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje nós vamos começar pela música que é “Assim falou Zaratustra”, é uma música feita por Richard Strauss, talvez vocês já o conheçam por “Danúbio Azul”, que é uma outra música bastante famosa, mas esta ficou bem conhecida especialmente no cinema como trilha sonora do filme “2001 – Uma Odisseia no Espaço” que também tem um outra música do Strauss, que tem aquela cena clássica do início de um macaco batendo com um osso em uma pedra, e então essa música explode cortando, depois, para uma nave espacial. É uma música bastante repetida na tevê e a gente se habituou com essa música, então para nós é bastante marcante. Ela é baseada em um livro do Nietzsche de mesmo nome e a história é de um sábio que se retira e depois volta trazendo revelações para a comunidade. A cena do Kubrick também é bem emblemática, um macaco faz experiências, se destaca, e dele corta para o universo. Então, desse macaco audacioso surge uma nave espacial. Nietzsche é bastante conhecido por ter feito um rompimento com ideias que estavam presentes na filosofia como um todo e também um corte com os dogmas relacionados a religião, então ele foi disruptivo, questionou o idealismo do Platão (que tinha o mundo das ideia e o mundo real não conectados, um dia a gente atingiria o mundo das ideias) isso influenciou praticamente todas as religiões que tem uma ideia dualista de transcendência. Platão via dessa forma e Nietzsche rompe com isso, assim como outros pensadores como Spinoza, voltar o momento para o agora e não para o futuro, a existência para o momento presente. Algo que já nos aproxima do yoga, que de fato, é quando você está presenciando a prática, um pranayama é quando você está presente naquele momento, quando você está com o seu máximo. Um asana é diferente de um alongamento que, assim como a respiração, gera benefícios para a saúde, mas o yoga é você estar com a consciência presente no momento, e para isso a gente treina através da prática. Mas voltando, porque existe muito essa relação do pensamento nietzschiano, Nietzsche tinha como influencia Schopenhauer, e tanto um quanto o outro eles se voltavam a uma ciência chamada filologia, que trabalhava com as linguagens, com a tradução de textos antigos. Então eles traduziram do sânscrito para o alemão, então Schopenhauer bebeu muito em fontes védicas, em fontes indianas, tinha o hábito de ler as Upanishads antes de dormir, tem uma declaração dele que diz que “em todo o mundo não há estudo assim tão benéfico e tão elevado quanto aquelas das Upanishads, elas tem sido consolo para a minha vida e elas irão consolar a minha morte”. Ele era um estudioso de Upanishads e Nietzsche declarou que a pessoa que mais influenciou ele foi Schopenhauer, ele foi um discípulo, mas desenvolveu a sua própria linha de pensamento, apesar da influência. Nietzsche teve contato com o Budismo também, o que fica caracterizado é justamente essa influência desse grupo de textos indiano que são as Upanishads, porque Nietzsche fez esse rompimento com o sistema mais presente na filosofia e na religião, e as Upanishads fazem um trabalho parecido, só que três mil anos antes. Nietzsche tem um conceito que é central dentro do trabalho dele que é a vontade de potência, a potência sempre quer se expandir, se manifestar e por que isso não acontece? Porque existe forças antagônicas, forças reativas a potência que vão obstruí-la, essas forças são de todas as espécies. Por exemplo, você que jogar badminton, mas você mora no Brasil, então isso já é uma dificuldade, é uma força reativa a sua vontade de potência, outra força reativa a nossa potência são as outras pessoas dizendo “isso não dá, aquilo não dá”. Mas a principal, a mais forte, a que mais nos impede de expressar a nossa real potência é o medo, e quando você consegue vencer esse medo,  todas essas barreiras, colocar e expressar a sua máxima potência no momento presente, no agora (porque pra ele só existia a vida quando ela era agora, que é um pensamento muito parecido com o do yoga desde o início), Nietzsche dizia que quando você conseguia concentrar toda a sua potência em uma ação você tinha o estado de arte, que era um estado pessoal seu porque você colocava a sua potência, toda a sua foça, e quando você conseguia isso, você se tornava o que ele chamava de Super-Homem. Super-Homem é aquela pessoa que não depende de fatores externos, que não depende de rituais, ou de um guru, apenas dele mesmo para expressar a sua potência sem medo, então esse estado de arte é para todas as ações humanas com potência, a gente pode atingir esse estado desde que a gente tenha concentração, foco. Ele acreditava que esses movimentos eram transitórios, então você tinha aquele momento de máxima atenção, que você expressava a sua potência, e você tinha que tentar trabalhar pra isso, mas vinham forças para tentar te retirar desse estado. E agora a gente começa a analisar a visão indiana, onde Schopenhauer, que foi o professor de Nietzsche, bebeu e leu muito. Você tem um movimento muito importante da cultura hindu que é a escrita das Upanishads, que surgem depois dos vedas, então a Índia teve duas civilizações crescendo simultaneamente, a civilização do Vale do Indo que é bastante conhecida, e uma outra civilização que vem de Varanasi e vai também naquela direção de Urakanda, mas passando por Déli. Há registros dos Vedas, Rigveda e nos primeiros escritos que são de 3400 a.C. há muito ritual, uma valorização do ritual, os brâmanes que era os detentores dos rituais tinham muito poder, mas com o passar do tempo, a Índia foi se organizando, se desenvolvendo até mesmo num sistema jurídico consistente, que era independente do rei (então, o sistema jurídico independente na Índia surgiu bem antes do Romano), e naquele período a Índia começou a fazer um processo de valorização do indivíduo, de tirar o valor do ritual, o poder do ritual e trazer para o indivíduo. Isso é muito retratado nas Upanishads, tem uma Upanishad chamada Mundaka Upanhishad, Mundaka significa careca e tem este nome pelo fato dos brâmanes terem muito cabelo, e os novos poetas e escritores queriam se diferenciar daquele grupo, então na Mundaka Upanishad há passagens que diz que o conhecimento  dos Vedas são importantes, mas o conhecimento do coração, que vem de Brahma, é mais importante, o poder do indivíduo que está do coração, o poder da consciência, não uma ordem externa, de um “ser mais evoluído”, que podia ser os brâmanes ou qualquer outra pessoa, a Mundaka Upanishad é um texto de 1220 a.C. Trazendo mais uma vez o exemplo das Upanishads, a gente tem mais uma demonstração na Shvetashvatara Upanhishad, no momento em que ela diz com essas palavras “com os três aspectos do eu(...)” (uma breve explicação dos aspectos já comentados no episódio três: corpo - a expressão dos sentidos; mente – filtro entre a consciência e as demandas do corpo e o coração – a consciência) como algo natural, porque já foi explicado em outras Upanishads e era um conceito bastante conhecido. Shvetashvatara que é uma Upanishad que começa a trazer muita informação do yoga, e ela fala mais uma vez de você trazer a potência pra você. “Com os três aspectos do eu elevados, alinhado para o alto, tendo estabilizado o corpo da mesma maneira, tendo colocado sentidos com a mente no coração, com a barca de brama, que é esse eu interno, o conhecedor poderá cruzar todas as correntezas mais aterrorizantes”. E essas forças antagônicas que a gente viu de Nietzsche um pouco antes, são forças que nos impedem de revelar o nosso eu de expressar a nossa máxima potência, e isso é algo que a gente vai trazendo aos poucos. Muitas vezes as pessoas tem a ideia de que em uma meditação elas vão se iluminar e todo o universo se revelará para ela, não essa expressão de potência, esse conhecimento do eu, você vem trazendo aos poucos, a mente quando assenta ela facilita esta expressão e isso e tratado, inclusive, nos vedas e ainda mais nas Upanishads, a gente viu aqui na Shvetashvatara, ele fala “colocando os sentidos com a mente no coração”, então volta todos os sentidos para o coração. Tem uma outra Upanishad, que é a Katha Upanishad, que fala mais sobre os sentidos, “a cidade de onze portas, o corpo pertence a um comandante cujo a inteligência não está distorcida, tendo governado ele não sofre e é livre, foi libertado, esse comandante é brama”. Então, quando a voz de brama, que é a nossa voz interna, ela vem à tona, o comandante fica livre, você expressa, na verdade, essa máxima potência, o que o yoga chama de Moksha que é a libertação, quando é a pura voz interna sendo expressada. Nós ficamos por aqui, espero que tenham gostado. É sempre importante a gente pedir compartilhamento e divulgação porque é isso que faz a mensagem chegar a mais pessoas, eu sei que é chato, eu também acompanho vários canais de podcast e vídeos, sempre há essa solicitação, eu sei que é uma coisa inconveniente, mas isso faz muita diferença. Se realmente impactou, se você está gostando, eu peço para que você divulgue para os seus amigos para a gente fazer um movimento pela consciência, que é o trabalho que a gente faz no yoga. Além disso eu vou deixar o link na descrição da nossa página de cursos, que está crescendo a cada dia, tem agora mais de dez cursos, inclusive saiu um novo curso que vai ser sensacional. A gente vai coletar alguns vídeos, não todos, da formação que a gente já dá pelo YogIN App, é a terceira formação que a gente faz, então a gente coletou alguns vídeos num conteúdo mais condensado, e aí a pessoa vai poder fazer o curso intensivo que são vários módulos, com vários professores e que está disponível na nossa página de cursos. Eu espero você semana que vem, nós teremos mais podcast, pensem na sua potência. Om Namah Shivaya!   https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia/#axzz4qgdXngzX

Como montar uma seita
Podcast de Yoga | 25 mar 2021 | Daniel De Nardi

Como montar uma Seita – Podcast #08

Como montar uma Seita - Podcast #08 Esse podcast vai falar sobre o perigo de sistemas coletivistas usando como exemplo o maravilhoso filme com Edward Norton e Brad Pitt - Clube da Luta.   Links Podcast falando de Chuck Palaniuk Playlist da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  Meu curso - Yoga, Aprendizado e Liberdade Namastê!   Transcrição do Podcast #08 Como montar uma seita #08 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e estamos começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, o episódio de hoje vai falar em como montar uma seita. A busca do yoga é sempre uma busca por uma identidade pessoal, a busca por você encontra a sua real natureza e conseguir, de alguma forma, levar isso pro mundo, trazer isso à tona, externalizar aquilo que você tem apenas seu, e tem uma coisa que pode atrapalhar bastante o yôgin nesse objetivo que são ideias coletivistas, você seguir demais uma ideia que não é sua, uma ideia que é de um grupo, ou é formada por alguém e ditada como sendo de um grupo, isso vai automaticamente dificultar você expressar a sua real natureza, a gente vai entender bastante isso que esse é o sistema básico de funcionamento de uma seita, que é você ter ideias coletivista, ideias que aparentemente valem para todo mundo. E no yoga isso é muito presente, existem várias seitas dentro do yoga, grupos que utilizam essa busca das pessoas por um conhecimento diferenciado, e esses mestres ditos avançados, evoluídos acabam gerando uma espécie de doutrina muito particular que nem sempre tem a ver com a identidade de seus participantes. Então como funciona a construção de uma seita ou de qualquer outro grupo coletivista? Acaba-se assinando com algo que aparente é muito bom, existe a necessidade de naquele momento você resolver um problema bastante grande. No caso do yoga, fala-se muito dessa busca por uma vida melhor, de iluminação. De fato o yoga pode conduzir a isso, ele pode gerar nos seus praticantes um bem estar e uma busca e uma vida melhor. Só que isso não necessariamente vai passar por um processo coletivista, algum líder acena com essa resolução de um problema bastante difícil, começa a colocar a mensagem dele pessoal, junto com as técnicas do yoga porque o yoga por ele mesmo já vai produzir isso, ele não precisa da condução de um mestre tão direcionada assim, a prática em si já vai despertando no praticante essa busca de identidade, ele já vai sacando a partir da execução das técnicas o que de fato ali ele está buscando, o que de fato ele é, o que é melhor nele e o que precisa ser mais trabalhado. Pra gente deslocar um pouquinho e tentar entender melhor como esse movimento coletivista acontece, não no yoga, mas em outras áreas, a gente tem nitidamente isso acontecendo na área política, Então fala-se assim “eu vou resolver o problema dos pobres” e aí as pessoas acreditam nisso sem questionar aquela ideia e acabam tendo que seguir as outras coisas que esse líder queria e na verdade esse objetivo não era resolver o problema dos pobres, era um poder pessoal, riqueza pessoal, ele não estava preocupado com a resolução daquele problema.  Então se você tem um problema bastante utópico é mais fácil você vender uma ideia que as pessoas vão acreditar, a mudança ela vai acontecer de um pra um: o professor dando aula para um aluno e o aluno praticando. A mudança não acontece de maneira coletivista, o yoga não tem essa proposta de mudar todas as pessoas, é a pessoa praticando e ela vivenciando a sua própria mudança pessoal. Ela descobrindo a partir da meditação do estado de relaxamento, descobrindo a sua verdadeira natureza e, de alguma forma, externalizando isso. Esse é o processo do yoga, que não é uma pessoa mudando toda a comunidade, é a pessoa buscando a sua própria real natureza. Aí vem um outro ponto, que é dentro da cultura do Sankhya que é a cultura naturalista do yoga, você tem que externalizar essa consciência mais pura, você tem que coloca-la pra fora porque, dessa forma, você está fazendo o melhor uso, melhor proveito da sua vida. Quando você obstrui essa real natureza de ir pra fora você está prejudicando o andamento do mundo, uma rápida explicação, simplificando o sistema do Sankhya. Então na política isso também acontece e isso é muito perigoso, a individualidade não pode ser construída a partir da ideia de uma outra pessoa, ela precisa ser construída a partir de muitas referências que acabam construindo algo que ninguém consegue juntar, porque você tem muitas referências. A partir do momento que você segue uma única ideal coletivista eu faz todo o sentido pra você em todas as áreas da sua vida, a probabilidade de isso estar errado é muito grande porque como eu falei nós somos feitos de referências, se você sempre ouve os meus podcast concorda com tudo que eu falo, tem algo errado não pode estar certo. Eu faço construções a partir do que eu vivi e você não pode pegar tudo o que eu estou falando e achar que descobriu a forma de ser, a forma de ser você tem que construir a partir da sua vivência pessoal, do seu estudo, da sua busca por mais conhecimento, por entendimento próprio e por entendimento das coisas que o rodeiam. Então o ponto é que você tem que ouvir o que estou falando e falar “até entendo o porquê ele está falando sobre isso mas não concordo porque eu tenho um outro ponto de vista”, não ficar um chato questionando tudo, mas se você aceita tudo o que o seu guru está falando, tudo o que ele fala é verdade, não pode porque aquilo pode ser verdade só para ele mesmo, não pode ser mais verdade para outras pessoas. E aí como é que você vai ser essa construção, se ninguém pode te dizer? A construção ela tem que ser pessoal e precisa ser gerada a partir de, como eu falei, de diversas referências, de diversas influências e estudos e que alguns vão fazer sentido para a sua forma de ver o mundo, outros não. Mas se você segue uma única linha coletivista que te fala tudo, isso pode ter uma grande probabilidade de erro, não faz sentido todas as ideias de alguém serem totalmente de acordo com as suas, o mínimo de raciocínio a gente já pode entender sobre isso. Pra deixar uma ilustração mais clara exatamente do que a gente está falando aqui, eu poderia contar a história antes pra depois trazer o conceito, mas eu preferi falar do conceito porque agora a gente tem mais referência para analisar melhor a história. Aí tem um outro ponto, também, que quem não assistiu a esse filme e quer ver pela primeira vez, pode parar o podcast agora e ouvir depois, a partir desse momento, porque agora a gente contar toda a história do Clube da Luta, que é um filme muito famoso, vou falar detalhes sobre ele. Então se você quiser assistir o Clube da Luta pela primeira vez sem saber da história, pare o podcast agora, se você já viu esse filme, eu sugiro que ouça mesmo assim por que a gente vai ver pontos que você não tenha percebido e, também, se mesmo que você tenha visto é interessante depois dessa análise você rever o filme porque é um filme brilhante, com sacadas brilhantes que nos ensina muito sobre a vida, de como a gente segue coisas que não são nossas. O Clube da Luta é um filme bastante famoso no mundo do cinema, ele é muito respeitado como um filme que fez várias inovações, mas no Brasil, especialmente no cinema, ele não fez sucesso porque quando ele foi lançado teve um tiroteio no Shopping Morumbi, não sei exatamente a data, (talvez em 2000) mas naquele ano teve um tiroteio durante a exibição de filme e atirou e matou várias pessoas, uma tragédia aqui em São Paulo. Isso acabou afastando as pessoas desse filme, eu mesmo, depois de ver o atentando eu não vi, só vi depois em DVD. Mas desde a primeira vez que assisti ele já entrou na lista dos meus filmes preferidos, vi como uma ideia brilhante porque foi um filme que quando eu terminei eu pensei “quem de fato sou eu?” eu poderia dizer que foi o filme que mais gerou esse tipo de questionamento, de impacto em que foi qual é a minha real construção? Apesar de eu ser bem novo na época, eu lembro que aquilo reverberou, eu fui dormir com a sensação de quando o filme terminou, porque ele termina com um impacto muito grande, o final é muito forte. Esse filme é adaptado de um livro de um escritor americano chamado Chuck Palahniuk, ele é bem reverenciado no mundo literário, os escritores gostam muito da obra dele. Eu vou deixar um podcast como referência que é sobre um outro assunto que é a Jornada do Herói, que eu estou estudando agora par um outro curso que eu estou produzindo e, nesse podcast, eles falam sobre o obra do Palahniuk porque é uma obra que contradiz a linha do herói. Mas voltando ao Clube da Luta, o filme foi escrito por esse escritor brilhante, e filmado pelo David Fincher, de Seven, ele produziu também o filme sobre o Facebook, O Curioso caso de Benjamim Button, ele é o diretor d House of Cards, então é um diretor que na época o Seven já tinha saído, então ele já tinha uma certa fama, nunca ganhou o Oscar, mas é um diretor super famoso e tem uma obra que mostra muita construção e vale a pena ser vista. O filme começa, a primeira cena, pra quem não lembra exatamente, eu assisti agora recentemente na casa da minha tia, ela disse que nunca tinha assistido e eu fiquei com uma certa inveja, porque eu queria estar assistindo ao Clube da Luta pela primeira vez, depois que eu vi pela primeira vez eu alguns trechos do filme, mas não tinha assistido ao filme inteiro pela primeira vez. Como é um filme de memória e de mudança de personalidade, ele só fica interessante quando você vê pela primeira vez, como no caso de Os Suspeitos ou daquele outro do menino que vê os mortos, sãos filmes que quando você vê pela segunda vez ele ficam mais interessantes, porque você passa a entender a perspectiva de um outro ponto de vista agora que você já sabe o final. Então vale a pena assistir, eu indico muito, porque o filme é de uma sabedoria para o nosso envolvimento com o grupo e entendimento de ideias coletivistas fantástico. A primeira cena do filme é ele nos prédios, a noite, e ele está preparando para explodir os prédios e ai ele fala isso tudo aconteceu por causa da Marla, aí você se pergunta por que pela Marla? Bom, aí começa a história desde o começo, ele era um rapaz que tinha sido abandonado pelo pai, ele não demonstrava mas isso afetava muito ele, e ele era muito consumista, ele queria ter todas as coisas de lojas famosas, ele era um cara super metódico, super certinho, mas ele não ia até o ponto daquela dor dele, ele não investigava aquela dor daquela vida extremamente vazia e ele tentava resolver isso a partir de remédios porque ele não conseguia dormir, então ele tinha essa aflição. Só que quando ele retornou ao médico, este passou a negar os remédios, dizendo que não havia motivo para prescrição, à medida que ele não tinha dor, pelo contrário, tinha um emprego estável e coisas maravilhosas que todo mundo quer e se ele queria saber, de fato, quem tinha dor de verdade, poderia a ir uma reunião de homens com câncer de próstata. Ele vai por curiosidade, e ali tem outras pessoas que se confessam em exercícios, se abraçam e externalizam o que estão sentindo. Então ele entra numa catarse emocional, e põem pra fora toda a angústia, ele se libera, deixa vir à tona um pouco aquela dor e dorme como nunca tivesse dormido, então ele conclui que a solução para dormir é ir a esses encontros e chorar compulsivamente. Então ele começa a ir ao todo tipo de encontro, homens câncer, caras que não tem grana, viciados em sexo, ele passa a ir a esses encontros para chorar e poder dormir. Só que aparece uma menina, que é o arquétipo da maluca, a Marla, que acabou sendo namorada dele, quando ela chega aos encontros ele percebe que ela é uma farsa, exatamente igual a ele, e isso o deixa constrangido e ele não consegue mais colocar pra fora as angústias dele porque é como se alguém tivesse vendo a farsa. Ele não está colocando de forma legitima, ele está mascarando com um outro sofrimento e deixando a dor vir à tona. A Marla obstrui isso, o que o deixa maluco porque ele passa a não ir mais aos encontros e passa a não dormir mais uma vez. Quando a gente dorme, a gente dá um tempo para o nosso consciente se reorganizar e a gente dá também uma possibilidade de receber informações do nosso inconsciente, essa informação não pode vir a tona, de uma só vez, as informações do consciente devem ser trabalhadas e sendo liberadas gradualmente. No podcast passado eu falei sobre o curso do Roberto que eu estava editando, e eu vou fazer uma referência ao curso dele porque ele conta uma passagem muito interessante lá que é sobre esse retiros de um final de semana, e ele fala que o problema disso é justamente porque funciona ficar um tempo externalizando aquilo, botando pra fora, fazendo dança, liberando, fazendo uma hora de respiração, duras horas de meditação, coisa que você nunca fez antes e , de alguma forma, você traz coisas do inconsciente. Ok! Isso é bom e a gente não pode reprimir essa informação que a gente tem no subconsciente, mas a forma de a gente trazer, sem nenhum filtro, sem nada, ela pode ser bem prejudicial. Então você tem esse caso, de utilização de drogas, as drogas mais alucinógenas pode deixar a psiquê confusa e a pessoa a partir disso ter problemas psicológicos porque vem muita informação de uma vez só. Aí ele fala desses encontros, que informação de uma vez só, e que muitas pessoas acabam tendo consequências desastrosas porque veio muita coisa e, as vezes, ela não queria e o Roberto menciona no curso que o próprio Freud no final da vida falou que “tem coisas que é melhor deixar ali”. No filme, quando você já conhece a história, quando você vê a segunda vez, você começa a entender que quando você não dorme, você começa a trazer muita informação do subconsciente e começa a confundir a sua psiquê. O sono é a parte muito importante para a saúde mental, porque você dorme você reorganiza os seus pensamentos, você libera esse tipo de informação que tem que vir de forma filtrada, você não recebe tudo de uma vez. O narrador na verdade não tem nome – o personagem do Edward Norton é o narrador –, então ele começa a trazer tanta informação dentro do psiquismo dele que ele passa a ser outra pessoa, Tyler Durden, que é o personagem do Brad Pitt, um cara justamente o oposto dele. Então ele sempre tem diálogos em que o Tyler fala “Eu sou o que você queria ser”, então ele coloca todas as “podreiras” que o narrador, de repente, queria fazer: ele trabalha como garçom e faz xixi no prato dos ricos; ele recorta frames, corta na película um pênis, para as pessoas receberem aquele tipo de mensagem sem filtro, porque aquilo é tão rápido que ninguém vê, ele faz todo o tipo de coisa fora do padrão social que eventualmente o narrador queria fazer, mas que ele não conseguia por pra fora e aí ele acabava sendo uma outra pessoa que é o “certinho”. De fato o Tyler é a personalidade real dele ou ele é aquele cara certinho, porque o Tyler traz vários tipos de problemas pra ele, ele sendo dessa forma traz vários tipos de problemas que começam justamente nesse período que ele não tá conseguindo dormir e o Tyler toma conta dele e funda um clube de luta, a ideia do clube era lutar, colocar a sua energia pra fora, ninguém estava ali para se matar ou se machucar, as pessoas estava ali para externalizar as suas angústias, as suas tensões na forma da luta. E aí aquilo passa a ser muito bom para todo mundo que passa pela experiência que passa a ter gratidão pelo fundador, pelo Tyler, e aí dentro do movimento deixava as pessoas mais descontraídas, vivendo uma vida melhor (ele fala, inclusive que como ele passava por dificuldade na luta, o dia a dia do trabalho dele era muito simples porque a luta era difícil) e deram muita voz pra ele, Tyler. Aí surge as ideias coletivistas, porque o Tyler a partir do momento que ele libera a tensão das pessoas, elas passam a admirá-lo e a segui-lo mais ativos no clube da luta, passaram a seguir todas a ideias dele e ele tinha ideias absolutamente malucas. Ele fundou uma seita na casa dele e as pessoas ficavam trabalhando lá e produzindo sabões (ele sabia a fórmula do sabão – eles roubavam gordura das pessoas e produziam um sabão de melhor qualidade) com isso eles começaram a ter mais dinheiro e poder fazer essas loucuras do Tyler cada vez mais, chegando ao ponto de planejar a destruição de todo o sistema financeiro do mundo porque eles queriam destruir as máquinas e os prédios das principais operadoras de cartão e daí aquilo iria dar um bug no mundo. Com essa ideia por trás que ele tinha, que estava resolvendo a vida das pessoas, elas começaram a aceitar tudo o eu ele dizia sem nenhum tipo de questionamento. Então, o grupo tinha algo de repetição, eles repetiam ideias sem questionar, qualquer coisa que o Tyler dizia virava um mantra que ficava sendo repetido pelas pessoas lá de dentro como se fosse a maior verdade, todos falavam aquela mesma verdade e elas eram as verdades do próprio Tyler e aí você começa a perceber que projetos coletivistas sempre partem do objetivo do líder. Chega um momento que o Tyler quer ser demitido do trabalho e ele sabe que para isso acontecer ele precisa apanhar do chefe dele, mas ele sabe que isso não vai acontecer, então chega o ao grupo e diz a ele que todos precisam arranjar uma briga (no filme a ideia é interessante, ele fala de como as pessoas evitam brigas e isso é muito bacana porque as pessoas entendem que ninguém merece ser agredido, então faz-se um pacto por alguns direitos que são de todos, por exemplo, cumprir coisas de um contrato, falar a verdade, isso é um pacto social, todos aceitam e é um direito de todo mundo, isso não é um da ideia coletivista, é um direito de todo o ser humano: não ser agredido, cumprir as suas promessas e seus acordos, não roubar e ser roubado – existem direitos que são naturais, mas existem ideias que não são de todos que esses movimentos coletivistas acabam empurrando como algo bom pra todo mundo) então como o Tyler precisava ser demitido ele inventou isso, todos tentam arranjar uma briga, aí ele vai até o chefe e ele vai até o chefe e se automutila, começa a se dar soco e tudo o mais, mas era uma vontade dele e ele  transfere para o grupo. E chega um momento que o narrador percebe o que está fazendo, especialmente quando um amigo morre, o primeiro amigo que ele chora abraçado, não me lembro o nome dele agora, mas é um obeso, que fazia fisiculturismo e ficou com peitos enormes devido ao uso de anabolizantes, este foi um dos primeiros caras que começou a trabalhar na seita do sabão, ele toma um tiro. E o personagem do Edward Norton chega e vê as pessoas trabalhando e fazendo algo normal, empacotando o cara porque ele está morto, e ele fala “cara, o que eu vocês estão fazendo?”, eles respondem “ele estava participando de uma operação e morreu”, “mas ele é um ser humano” porque ele está se dando conta de que aquele inconsciente dele, que era o Tyler, estava fazendo. Então, como eu falei, botar tudo pra fora não é necessariamente uma coisa boa, mas a vida que ele vivia, angustiante de “certinho”, seguindo todas as normas da sociedade também não é, ele tinha que ter referencias diferentes pra essa construção pessoal do significado de vida. Eles mataram o cara, ele tomou um tiro de um policial, na verdade eles estavam botando ele num saco pra enterrar na casa e ele falou “isso não pode, ele era meu amigo” e eles falam pra ele “ninguém tem nome nas operações, senhor”, então você vê que esses processos coletivista não dá valor para o indivíduo, se de fato os coletivistas querem apoiar as minorias, como eles dizem, eles deveriam apoiar a menor minoria que é o indivíduo, se você tem os seus direitos naturais preservados, você não precisa de um outro direito, se você tem o direito à vida, o direito a sua felicidade pessoal, o direito aos seus bens, você não precisa de outros movimentos te protegendo, aqueles direitos bem protegidos eles já são suficientes para a sua felicidade, mas aqueles movimentos coletivistas falam “não vamos ter isso, aquilo mais”, a busca tem de ser da pessoa, ela que tem de busca o seu espaço , ela não pode dar pra outro essa possibilidade de construção, tanto de mérito quanto de satisfação pessoal, e ali e começa a perceber que esse movimento coletivista estava dando problemas, estava morrendo gente e as pessoas estavam tratando como algo normal, ele falava, não esse cara tem nome sim, o nome dele é John D, por exemplo, não me lembro o nome dele agora. E aí você vê que esse sistema de crenças simplifica as coisas, então os membros do clube não pararam pra pensar e falar “morreu um cara, será que isso não significa alguma coisa?”. Não, eles pegam e falam “na morte, os componentes passam a ter nome” e começam a repetir o nome dele como um mantra e ficam repetindo como se fosse uma verdade e se fosse algo inquestionável. Como eu disse a verdade só é inquestionável pra cada um, vindo do outro ela é em parte verdade ou não, a gente tem que aceitar que sempre as coisas podem estar erradas, se a gente parte desse pressuposto que é um pressuposto cientifico, as coisas podem estar erradas, eu estou provando cientificamente, mas pode estar errado, assim como eu estou falando tudo isso aqui, mas pode estar errado, porque pode ser que todos os seus valores casem realmente com o grupo, isso pode acontecer, pensa que a probabilidade é muito pequena, porque cada pessoa constrói a sua vida e seus valores pessoas, vai gostar de determinadas pessoas ou não, tem um grupo que tem determinado comportamento, a cara é perfeita alinha certinho com você, pode ser,  mas isso também tem chance de estar errado. Então como eu estou falando aqui que a construção tem que ser de diferentes referências eu posso estar errado nisso porque pode ser que você tem uma única referência a vida inteira e vive bem, sempre tem uma possibilidade de erro, a gente que aceitar isso e por isso que vale a pena refletir pensando no outro lado. No caso do Clube da Luta ele agia de duas formas, a própria Marla: ele tinha um desejo sexual por ela ele transava muito com ela quando ele era o Tyler, com vinha a vontade do inconsciente, aquele tesão, quando o sexo acabava ele voltava a ser o narrador, o Edward Norton e ele nem queria falar com ela, como um não sabia do outro, ele só acabava sabendo no final, ele não entendia quando ela tratava ele mal, para ele, ele estava sendo ele mesmo, que não tinha nenhuma relação com ela, mas pra Marla ele era o Tyler, com quem acabara de transar loucamente. Ele era duas pessoas em dois momentos diferentes. Então o Edward Norton começa a se conscientizar do processo todo, e vai atrás e descobre que fez operações em várias cidades, então quando ele achava que ele estava dormindo ele estava nas operações em vária cidades como Tyler Durden, ele tenta desfazer as coisas que o Tyler fez, mas as pessoas não deixam, não aceitam a mudança de ideia “não cara, você mesmo falou que ia mudar de ideia, mas não pode mudar de ideia, então a gente vai cortar o seu saco”, ele dá mesmo essa real pra eles. Então a pergunta que fica no final é: será que o Tyler é a real natureza do narrador, será que o Tyler é de fato o que o Edward Norton deveria ser? Eu acho que não, porque quando, no final, ele dá um tiro na boca o Tyler morre, o que demonstra que o Tyler não era ele, sua real identidade, porque se não essa identidade que ficaria, ela sobreviveria. E quem fica é um cara mais equilibrado, um cara que deixou algumas coisas virem à tona e também não seguiram totalmente o sistema, só que aí é tarde, ele já se deu um tiro na cabeça e a obra está construída assim, na verdade a grande merda (a palavra certa é essa) oi feita e os prédios acabam caindo, uma loucura dele porque ele era tão contra o sistema porque a vida dele era baseada naquilo, ele simplesmente  seguia o sistema, então ele criou uma revolta grande em cima disso e ele quis destruí-lo. Só que o sistema era ruim pra ele porque ele via o sistema de forma equivocada, o sistema não era ruim pra todo mundo, ele não tinha o direito de romper e querer destruir totalmente o sistema e usar um monte de pessoas dentro da sua ideia de revolução porque ele não gostava do sistema, porque ele não se adequava ao que estava imperando e que era bom pra muita gente, o sistema que dava liberdade de consumo para um monte de gente. Então aí fica essa questão, vejam o filme, a minha dica é essa e pra finalizar, agora eu comecei a comentar sobre as músicas, essa música como eu tinha planejado essa música para esse podcast eu já até deixei na playlist do podcast, então quem quiser ir lá consultar, é só ir lá, é a última música chamada Leningrado e porque eu escolhi essa música? Ela é de um compositor bastante conhecido no meio musical chamado Shostakovich, ele foi muito grande na época dele, mas ele foi um cara que ficou muito tempo preso no regime comunista, ele não conseguiu sair como outros (Prokofiev; Rachmaninoff; Stravinski, que foi pra França), ele ficou preso no sistema, mas ele ficou ali lutando contra esse sistema que era coletivista que entendia que todos os indivíduos serviam para o estado, um estado que ia resolver o problema das diferenças sociais e tudo o mais, e o Shostakovich ficou preso lá e tentando lutar com isso com a sua música. Leningrado foi bastante criticado na época, porque ela arrebatava as plateias, por onde ela passava ela levava um monte de gente para os concertos, ela fez um renascimento da música porque a música estava num período chato, experimentais com músicas atonais e, por conta disso, por Shostakovich fazer muito sucesso e tocar o público, o povão, na época ele foi considerado um charlatão porque não estava seguindo essa tendência revolucionaria de músicas atonais e tudo o mais. Mas, hoje em dia, tem pesquisadores como Leandro Oliveira, que é um grande pesquisador de música erudita, que considera o Shostakovich o maior e mais influente compositor do século XX, e é um período que tem bastante talento a gente tem o Mahler, tem o Strauss, tem o Sibelius, o Stavinski, que eu mencionei antes, tem o Gershwin, que é um americano que fazia música com jazz e música clássica, então tem muita gente boa e ele considera Shostakovich o melhor porque, de fato, ele tem uma obra forte, e essa música foi feita com o intuito de movimentar o povo mesmo, de fazer uma marcha para a libertação ela, inclusive foi chamada de “O Grito de Libertação” e o Shostakovich deixou uma palavra sobre essa música, ele deixou escrito o seguinte: “A peça não deve ser entendida contra as forças opressoras alemãs, mas contra todas as forças opressoras do mundo”” A música se chama Leningrado que também é um campo de batalha muito grande da Segunda Guerra e agora vou deixar com você o que é mais importante que é ouvi-la. Uma boa semana a todos, a atividade desta semana é assisti ao filme, pensar com a sua própria cabeça e tomar suas decisões, se quiser deixar algum comentário sobre o que você achou do filme, deixe o seu comentário aqui.

Podcast de Yoga | 1 nov 2020 | Daniel De Nardi

Aprendizados – Podcast #20

Aprendizados - Podcast #20 - Reflexões de um YogIN Contemporâneo No 20º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo, falo sobre a importância da habilidade de aprender para a realização do Dharma, que é o propósito de vida de cada um. https://soundcloud.com/yogin-cast/aprendizados-podcast-20 Links  Dharma e Yoga - A busca do propósito https://youtu.be/H6uD6jMPtsI?list=PL3Y5CFIJsp-zNlhOw9t2Tdf1ECwPz_lzs   Curso  https://yoginapp.com/curso/yoga-aprendizado-e-liberdade/ Debate sobre o Futuro do Trabalho  https://youtu.be/vPd91hzDQr4    Nelson Freire, após me dar uma bronca por o ter cumprimentado forte demais Página de cursos de Yoga no YogIN App https://yoginapp.com/curso-yoga    Playlist da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Série de Podcasts - Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição Podcast   Aprendizados Podcast #20 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, estamos começando o 20º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo” que traz assuntos do nosso cotidiano sendo interpretados por uma visão, uma cultura ancestral da Índia. Hoje o assunto é “aprendizado”, desde que eu comecei a profundar os meus estudos no yoga, especialmente após o lançamento do YogIN APP, comecei a produzir uma quantidade bastante grande de conteúdo para o site, isso foi tema de um curso que eu lancei este ano chamado “Yoga, aprendizado e liberdade”, a minha ideia por trás do curso foi trazer conceitos e coisas que eu mesmo aplicava o aprendizado, e o que  o aprendizado tem a ver com tudo isso que a gente está falando, sobre yoga e sobre esses assuntos que a gente discuti aqui no site? O yoga tem como um dos objetivos a realização do Dharma, a realização daquilo que só você pode cumprir, aquilo que é o seu papel no universo. O yoga acredita muito nessa visão do Dharma e isso é muito importante pra que a pessoa se realize ela precisa fazer um ofício que a realize, não precisa ser algo relacionado ao financeiro, mas ela tem que agir no mundo de forma coerente com a sua essência interna e assim, essa parte de realização do Dharma é parte da realização pessoal. Então eu vi que uma das grandes dificuldades da realização plena do Dharma era a capacidade que a gente tinha de aprender, à medida que a gente aprende mais a gente conseguiria colocar no nosso ofício aquilo que de fato somos, a gente conseguiria expressar melhor que somos a medida que se tem mais aprendizados em diversas áreas ou na área específica que você está atuando. Então eu montei esse curso, que é dividido em diferente módulos e que traz ideias e conceitos sobre a questão do aprendizado que eu acho essencial, não no sentido da modernidade, porque esse é um tema a que a gente traz sempre no podcast, o aprendizado está sedo cada vez valorizado, mais pelo valor pessoal e pelo desejo em aprender. No curso eu explico que no primeiro momento a mente tem uma resistência ao aprendizado, mas na medida que o tempo passa ela, tudo se torna mais prazeroso e habitual. A realização desse Dharma depende de uma expressão interna, de coisas que te agregaram na vida e se você tem o universo interno mais rico, um universo subjetivo, tudo torna-se mais fácil de expressar e de desenvolver a própria singularidade. Hoje eu estava ouvindo um podcast que eu gosto bastante (vou deixar o link), nesse podcast especificamente eles falavam sobre trabalhos no futuro, como vai funcionar, esse é um assunto bastante discutido na tecnologia, tem alguns pontos que eu discordo deles, mas, o geral, a ideia é muito boa. Uma das coisas que eles que debatem sobre o aprendizado, fazendo mais ou menos essa reflexão que estou fazendo aqui, do quanto o aprendizado será essencial para a realização da nossa vida. E o quanto você tem uma massa maior a gente vai conseguir disseminar o conhecimento. Aí tem dois pontos: o primeiro não é mais a questão do acesso, tem muita gente com acesso à internet, mas que só usa o básico. O ponto não é só o acesso, é você ter um estímulo para o aprendizado, as pessoas não sabem que hoje você tem cursos de diversas áreas que você pode fazer online, isso com diversas coisa, inclusive com o yoga. Então, além das aulas regulares de yoga, a gente tem uma página com diversos cursos. E esse tipo de aprendizado você pode buscar em diferentes áreas, o que eu estou querendo dizer é que deve a ver ume estímulo a aprendizado, não apenas ao social, a internet tem que ser uma ferramenta de crescimento pessoal e o crescimento relacionado ao Dharma passa pelo aprendizado. Então o primeiro ponto é disseminar, eu sou um viciado por cursos pela internet, se alguém tivesse me dito que daria para aprender pela internet eu teria começado muito tempo antes. Há conteúdos pagos que avaliam se o indivíduo está, de fato, apreendendo tudo o que é ensinado, o conteúdo pago vale para esses casos, se você está interessado em determinado assunto, você verá um leque de informações maior sobre ele no canal/site do professor que estiver lecionando sobre ele. Por que o MEC não reúne todos os arquivos que as pessoas devem aprender e coloque no YouTube? Acho realmente válido, mas o MEC determinando o que é conhecimento não sei se é muito valioso, claro que a proposta é que o conhecimento chegue a áreas inacessíveis, como acontecia antes com programas como Telecurso 2000, isso já está acontecendo, talvez não com o MEC, mas com outras áreas. O segundo ponto, que mudou muito também a minha capacidade de aprendizado é o inglês, que nunca foi um aprendizado fácil pra mim, eu sempre tive um inglês meia boca, mas hoje ele tem o que é mais importante pra mim. O meu nível de inglês não me permite escrever um livro todo no idioma, ou até mesmo realizar uma palestra, mas ele me permite entender o que está registrado em inglês, o que muda completamente. A gente fala que tem muita coisa na internet, não sei se você tentou pesquisar trechos de livros que você já leu, se você leu em português é muito difícil, a não ser que seja um Best seller, é muito difícil encontrar algo pela internet. Mas em inglês a opção é muito maior e mesmo grande empresas como o Google e a Amazon estão transformando tudo o que for off-line em online, então o acesso é maior. Assim como os audiobooks, que é um aprendizado que utilizo muito. Por que o conteúdo de um audiobook tem vantagem? Apesar dos saudosismos em relação ao livro físico, no meu ponto de vista, é a mensagem que se tira do conteúdo, o que você vai absorver do que está sendo dito. Não tenho apego ao papel, quando comecei a ler pelo Kindle eu percebi que era muito mais fácil, porque consigo sublinhar, marcar, se eu tiver lendo em inglês ao tocar na palavra já consigo ver a tradução, o Kindle te da todas as possibilidades, inclusive o ajuste da luz, algo que no livro físico não há. Então eu diminui a compra de livros físicos, comecei a utilizar o Kindle e agora estou ouvindo audiobook porque um livro de 500 páginas eu demoro, em média, um mês para ler, este mesmo livro terá cerca de 9 horas no audiobook ou até menos, dependendo da velocidade. Daí você me diz “Ah, você não absorve”, tem como absorver sim, depende do treinamento, começa a ouvir o meu podcast na velocidade 2, verá que é possível absorver e, depois, não terá paciência para ouvir na velocidade normal e quando o assunto é complexo, dá para voltar e ouvir novamente. Essa e outras dicas eu dou no meu curso, ele tem uma linha de pensamento mais ampla que isso e eu dou essas dicas. Queria finalizar deixando uma obra do Johann Sebastian Bach, que são os Concertos de Brandenburgo. No início você ouviu “Jesus, alegria dos Homens”, tocada pelo Nelson Freire que é um dos pianistas mais reconhecidos internacionalmente, faz concertos regularmente no Brasil. Tenho uma história interessante que na primeira vez que eu vi o Nelson Freire foi na Sala São Paulo com uma amiga minha, a Bel. E no Intervalo ele esperou para cumprimentar as pessoas, fui cumprimentá-lo e ele quando apertei a mão dele ele tirou a mão e me alertou que não poderia se cumprimentar um pianista apertando a mão fortemente, me lembrei disso porque como estamos falando sobre aprendizado fica aí uma dica, se você for cumprimentar um pianista, faço mão de bobo, se não ele ficará bravo. Vou deixar o Bah por que ele é considerado um grande aprendizado pra todos os grandes mestres da música clássica, Mozart amava, copiou e tocou Bach, Beethoven tocou Bah, hoje outro músicos tocam Bach. Com certeza o próprio Bach tinha as suas referências e que o levaram a ser considerado o compositor dos anjos, se os anjos produzissem algum tipo de música seria a do Johann Sebastian Bach, que fica aqui com vocês para finalizarmos esse podcast. Até a próxima semana. Ohm Namah Shivaya!