Blog

meditação


Filosofia do Yoga | 29 nov 2020 | Adri Borges

Mantenha o foco

\"Mantenha o foco não em onde quer chegar mais até onde pode ir...\"   Segundo Iyengar, a maioria das pessoas ao se alongar, simplesmente se estica até o ponto que deseja alcançar. Automaticamente me lembrei do Padangusthasana . Quando realizamos esta postura, queremos de qualquer forma, segurar os dedões dos pés, não é mesmo? Segundo ele, esquecemos de nos estender e expandir a partir do ponto onde se está.  A extensão deve produzir sensibilidade e a sensação de criar espaços em todas as direções. A hiperextensão ocorre, quando se perde contato com o centro, com o núcleo divino. O ego quer simplesmente esticar-se para poder alcançar aos mãos no chão em vez de alongar-se gradualmente desde o centro. Ele completa dizendo que, cada movimento deve ser uma arte ,da qual o Eu é o único espectador. o importantes é manter a  atenção dentro, não fora, sem se preocupar com o que os outros vêem, mais sim com o que o Eu vê. “Não se fixe em quanto gostaria de se alongar mas em alongar-se corretamente.Mantenha o foco não em onde quer chegar mais até onde pode ir com a extensão dinâmica.” A extensão não deve ser nem demais e nem de menos. Se uma coisa se estica demais, outra se estica de menos. Se a hiperextensão vem de  um ego inflado, a extensão insuficiente vem da falta de confiança. Ambas estão erradas. Alongue-se sempre a partir da fonte, do centro, do fundamento de cada asana. Essa é a arte da extensão dinâmica. Não é o yoga que causa lesões; é o jeito de prática-lo que as provoca. Se o espaço momentâneo se torna estreito, significa que você está se machucando. No asana correto não há estreiteza. Mesmo que o seu corpo esteja retesado, você precisa criar espaço. A propósito, deixo aqui registrado o passo a passo na íntegra de como executar o Padangusthasana   Pada significa pé. Angustha é o dedão do pé. Está postura é feita estando de pé e segurando os dedões. Fique de pé em tadasana . Afaste as pernas cerca de 30 centímetros. Expire incline-se para frente e segure os dedões dos pés entre o polegar e o dedo indicador e médio de modo que as palmas das mãos fiquem de frente uma para outra. Segure-os firmemente (foto 43). Mantenha a cabeça erguida, alongue o diafragma em direção ao tórax e deixe as costas o mais côncavas possível.Em vez de esticar-se para baixo a partir dos ombros flexione à frente a partir da região pélvica a fim de obter a concavidade das costas desde o cóccix. Mantenha as pernas rijas sem perder a firmeza nos joelhos e nos deões dos pés. Alongue também escápulas. Faça uma ou duas respirações nesta posição. Agora expire e traga a cabeça entre os joelhos firmando os joelhos e puxando os dedões sem tirá-los do chão (foto 44). Permaneça nesta postura por cerca de 20 segundos respirando normalmente. Inspire vá para a posição do item 2 (foto 43) solte os dedões dos pés e eleve-se.Retorne para tadasana. Os órgãos abdominais são tonificados e as secreções digestivas aumentam enquanto fígado e o baço são ativados. Pessoas que sofrem de sensação de inchaço no abdômen ou de problemas gástricos obterão benefícios com a prática desta postura. Inclua essa postura em suas práticas, Bons estudos,   Namastê |Adri Borges. Bibliografia utilizada: Luz sobre o Yoga B.K.S.Iyengar Luz na Vida B.K.S.Iyengar new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Urdva Dhanurasana
Dicas de Yoga | 28 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Disciplina é Liberdade

Disciplina é Liberdade! Te parece estranho ouvir que a disciplina pode te levar a liberdade? Talvez porque você tenha comprado a ideia de que a liberdade é fazer tudo que tem vontade, não é? Comer o que quer, ir onde tem vontade, só fazer o que gosta. Você já parou para pensar as consequências disso? Na vida real, não existem ações sem consequências. Se você tem um objetivo, precisa fazer escolhas e abrir mão de alguns prazeres momentâneos em nome de algo maior. Patanjali parece já ter percebido isso, há séculos atrás, quando compilou o primeiro grande tratado de Yoga e descreveu o caminho para liberdade em 8 passos, ou o Ashtanga Yoga. No Yoga sutras, Samadhi é considerado o objetivo do Yoga e são apresentados alguns passos que devem ser seguidos para se chegar lá. Samadhi é a libertação do ego, a absorção em purusha, o degrau mais alto dos oito. Para chegar em Samadhi, Patanjali descreve passos que determinam limites e exigem disciplina. Na verdade, o caminho para Samadhi, ou, o Yoga, começa com disciplina. Os dois primeiros passos, inclusive, são aqueles que te ajudam a construir a estrutura, a base para o caminho. São aqueles que ninguém vê, mas que se fazem fundamentais na jornada. Estes passos estabelecem limites, controles e restrições para que seu comportamento interno, consigo mesmo e no relacionamento com os demais, seja ajustado de forma a te direcionar corretamente até a libertação. Segundo Patanjali, nossa mente conturbada, agitada e indisciplinada é impura, nos impedindo de ver a verdade. Como o lago que quando com ondulações não fornece um reflexo nítido. A proposta do Ashtanga Yoga é a correção da mente através desta disciplina para que estejamos prontos para aplicar os passos práticos. Em ordem, os passos do Ashtanga Yoga são: Yama - O controle dos impulsos naturais que se manifestam através de nossos órgãos de ação Niyama - As disciplinas ou observâncias internas que o Yogi deve seguir. Asana - As posturas psicofisicas Pranayama - O controle do prana através de respiração consciente Partyahara - A Abstração dos sentidos Dharana - A concentração Dhyana - A meditação Samadhi - A libertação Yama e Niyama preparam o praticante a lidar consigo mesmo e estar pronto a aplicar asana e pranayama, que por sua vez, equilibram o fluxo da energia no organismo, e o preparam para as técnicas que seguem. Por exemplo, como sentar em meditação para trabalhar os próximos passos se seu quadril é tão rígido que não permite relaxar com a coluna alongada? Até este ponto, as etapas sugeridas por patanjali preparam o corpo fortalecendo o sistema nervoso e melhorando a qualidade da respiração e o emocional controlando pensamentos e atitudes para que o Yogin possa chegar a etapa central que fica entre as esferas de trabalho externo e interno do caminho - Pratyahara. Pratyahara é a transição entre o corpo (asana e pranayama) e a mente (dharana). Esta abstração dos sentidos tem o objetivo de te levar de fora para dentro. ignorar a influência dos objetos internos te deixa absorto na sua mente para Dharana. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   A partir daqui tudo acontece internamente e os três próximos passos são chamados de Samyama e acontecem consecutivamente, como um sendo o aprofundamento do outro. Em Dharana, seu trabalho é se concentrar em um ponto só, limitando a atividade da consciência. Em Dhyana, o objeto de concentração ocupa sua atenção parando o fluxo de pensamentos para então chegar em Samadhi e a união com o objeto e o ato de meditar se concretizar. Em Samadhi, o contemplador é absorvido na consciência universal, livre do ego. Como qualquer caminho, o início é sempre mais difícil. É necessário fazer as alterações de comportamento e renúncias (Yamas e Niyamas), a aplicação de práticas que tornem possível trilhar o caminho desejado, (Asana, Pranayama e Pratyahara), para então começar um processo progressivo e mais fluido na direção correta (Samyama) até o objetivo final. O caminho tem sempre a mesma estrutura básica, não importando seu objetivo. O grande impulso para a disciplina é saber qual o caminho você quer trilhar. A verdadeira liberdade está em seguir tudo que você escolheu. A vida sem limites e disciplina não te faz livre, te faz escravo dos desejos e dos sentidos. Se você quer correr uma meia maratona não vai poder sair com os amigos toda noite e beber, se você quer ter um diploma universitário vai abrir mão de muitos programas e até oportunidades durante o período de estudo. Controlar o passageiro visando o objetivo maior. Assim é, no Yoga e na vida. O domínio de si é instrumento para a liberdade. Não importando se seu objetivo é a libertação espiritual ou qualquer outro na vida material, a disciplina e o autocontrole são instrumentos para manter o caminho claro. A liberdade exige disciplina até que não haja mais necessidade de esforço em abrir mão do que não te leva ao seu caminho. Se você segue seu interior, seu desejo íntimo, nada mais é sacrifício, é feito com coração, com verdade. E então você é livre.    

Dicas de Yoga | 26 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Para Incluir a Prática na sua Rotina

Para Incluir a Prática na sua Rotina Eu sempre recebo perguntas sobre como manter a prática ou como retomar após um tempo parado… Acredito que por ser praticante de Ashtanga Yoga e me beneficiar da prática diária e individual, as pessoas imaginam que eu saiba a “receita”. Digo receita por que nossa sociedade atual espera tudo pronto e fácil como se juntar ingredientes fosse fazer funcionar, quando na verdade, a mudança de hábitos é uma responsabilidade e um caminho exclusivamente seu. Sabe, eu nunca tive muitas dificuldades em ter disciplina, e provavelmente esta característica é até mesmo um defeito meu. Não se permitir falhar é um fardo grande onde não existe perfeição. Mas nessa luta para equilibrar tanta disciplina entre Tapas (autodisciplina) e Ahimsa (a não violência), eu estou aqui escrevendo para ajudar meus colegas Yogis que tem a dificuldade contrária, de criar novos hábitos, sair da zona de conforto, na intenção de dividir um pouco desse fogo transformador. A autodisciplina também faz parte dos 8 passos do Yoga descrito por Patanjali no Yoga Sutras. Tapas é um dos 5 Nyamas, as observâncias internas que o Yogi deve ter para seguir com sucesso o caminho do Yoga. Tapas é o esforço envolvido em todo processo de transformação, muitas vezes descrito como o fogo que queima as impurezas. É fazer o que deve ser feito, porque sim. Sabe quando, na infância, sua mãe te mandava fazer algo sem escapatória? Então, Tapas é sua mãe mental, que não deixa seu cérebro entrar na zona de conforto e comanda a execução do que é necessário.   “Tapas são disciplinas, na forma de votos ou decisões que negam a você mesmo alguma coisa que você gosta. Através da disciplina nasce o poder de lidar com os pequenos sofrimentos da vida diária aqui descritos como impurezas“ Gloria Arieira - O Yoga que conduz à plenitude   Certamente você usa essa autodisciplina diariamente para executar tarefas como sair para o trabalho no horário, escovar os dentes e etc. A principal dica que posso dar é que você encare sua prática como uma destas tarefas que são obrigatórias e naturalmente ela se tornará um hábito. Se você pratica em estúdio de yoga ou academia, realizar a matrícula como comprometimento inicial é muito fácil, mas ainda há o desafio de comparecer às aulas. Algumas das dicas abaixo também ajudarão quem precisa sair de casa para praticar, mas a intenção deste artigo realmente é ajudar aquelas pessoas que praticam em casa, e que enfrentam um desafio ainda maior de manter seu comprometimento mesmo distante dos olhos alheios. Então, vamos à elas:   Estabeleça um objetivo Não pratique Yoga para conseguir fazer posturas específicas. Existem atividades físicas muito mais eficientes para te ajudar a se tornar um contorcionista ou um expert em parada de mão. Se praticar pelas posturas a desistência será quase certa. Alguns dias seu corpo vai estar incrivelmente flexível e vai te dar prazer executar asanas difíceis, no outro será penoso tentar as mesmas posturas que você já está acostumado a fazer. O que vai te fazer manter a prática mesmo passando por uma fase física ruim, como durante o tratamento de uma lesão, por exemplo, é seu objetivo. Pratique com um objetivo maior e compreenda que a prática diária é um comprometimento de longa data com você mesmo e sua evolução. No início seu objetivo pode ser algo mais simples como relaxar para dormir bem, mas sua prática pode ser sua terapia, sua reza, seu auto-estudo e tudo ao mesmo tempo. Entenda o porque você quer praticar e mantenha esse foco em mente. Mantenha um horário fixo e pratique diariamente. Mesmo que por pouco tempo, comparecer em seu tapetinho todos os dias no mesmo horário estabelece um hábito. Idealmente se pratica de manhã, ao acordar, em jejum. Sim, o ótimo é inimigo do bom, e da mesma maneira que você não vai deixar de praticar se tiver somente 15 minutos livres, não deixe de praticar se seu cronograma não permite uma prática matutina.   Ajuste seu tempo de prática com suas atividades diárias e determine o melhor horário para este compromisso. Você pode ter 2hs para executar asanas 3 dias da sua semana, mas nos outros dias tudo que você consegue são 15 minutos de meditação, e tá tudo bem! Sabe aquele dia em que você jura que não consegue praticar, seja por cansaço, dor no corpo, doença ou estresse? Pratique! Talvez você se surpreenda com a sua prática neste dia, talvez você tenha um colapso emocional e traga a tona o que era preciso para se renovar energeticamente, ou talvez você desista no meio e deite no sofá. O importante é não criar expectativas de como sua prática vai se desenrolar, o foco aqui é praticar diariamente. Simplesmente faça! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Siga uma orientação precisa Não espere acordar antes do necessário para sua rotina diária e estar disposto a desenvolver uma prática do zero. Receita para o fracasso é acordar mais cedo ou chegar em casa cansado de um dia de trabalho e não estar certo do que vai fazer. Se você pretende seguir o caminho da prática em casa, e não pode assistir as aulas ao vivo do YoginApp, opte por seguir um método com séries fixas, como o Ashtanga ou utilize video aulas. Praticar por aulas gravadas traz um trabalho extra de programação do que você pretende fazer com certa antecedência. Crie uma lista com 5 aulas para a semana, por exemplo, e siga durante 1 ou 2 meses, depois renove sua lista para os próximos meses. Crie um ritual: Tome banho, acerte o nível de luz e acenda um incenso, ou qualquer outra coisa que faça você se conectar com o momento. Tomar um banho antes de praticar é realmente uma dica importante que dou para meus alunos. Retirar a energia pesada do sono ou de tudo que ocorreu durante o dia do seu corpo através de água corrente é renovador. E nunca pratique na cama ou com a mesma roupa que usou para dormir. Se puder, deixe tudo semi-pronto para o horário em que você se comprometeu, talvez seu tapete já estendido no chão e sua roupa de prática dobrada na bancada do banheiro para quando você acordar ou chegar em casa. O “cenário” funcionará como um gatilho para o seu cérebro fazendo-o lembrar da recompensa, que é como você se sente ao final da prática Pratique a presença e esqueça passado ou futuro no momento que antecede sua prática. A expectativa de sucesso ou fracasso baseada em experiências prévias ou a esperança de futuro podem contribuir para a procrastinação. Se você é daquele tipo de pessoa que vai começar na segunda, esquece. Inicie já. Sempre haverá um amanhã na sua mente para você adiar seus planos, mas seu corpo não conhece os dias de semana. Seu corpo está sempre no presente, ele não conhece esse seu amanhã, aprenda com ele. Pratique sempre como se fosse a primeira e última vez. Você conhece o plano das 24h dos alcoólicos anônimos? Ou, “só por hoje”? Trabalhe com expectativas de curto prazo e diariamente aplique a mesma meta. Se por acaso você falhar com seus compromissos em um dia, retorne no dia seguinte novamente como único, primeiro e último.   E acima de tudo, trabalhe sua auto-estima. Estar no tapetinho diariamente é uma demonstração de amor próprio. Não se esqueça de que praticamos também para nos tornarmos melhores para todos, partindo do princípio que nos tornamos primeiramente melhores para nós mesmos. Apesar de ser uma jornada solitária e desafiadora, a prática diária te torna altamente conectado consigo e independente.   Boas Práticas!  

Dicas de Yoga | 24 nov 2020 | Ellen Lima

Trataka: Asanas para os Olhos, Terapia para Mente

TRATAKA: ASANA PARA OS OLHOS, TERAPIA PARA A MENTE Trataka é um dos seis Kriyas (técnicas de purificação interior)  que compõe os shatkarmas descritos no capítulo II do Hatha Yoga Pradipika e capitulo I do Gheranda Samhita. Do sânscrito, Trataka significa “olhar fixamente”. Tem como objetivo limpeza e purificação dos músculos e nervos ópticos através da concentração do olhar em pontos fixos ou através de movimentos específicos com os olhos. Os benefícios físicos são limpeza e tonificação dos músculos e nervos oculares, e mentalmente é um ótimo exercício que prepara para meditação, além de desenvolver maior poder de concentração e força de vontade. O Trataka pode ser feito de três maneiras diferentes: Bahiranga Trataka: exercício externo que consiste em olhar fixamente, sem piscar, para algum ponto específico até que seus olhos lacrimejem. Sentado em posição confortável estique seu braço à frente, mantenha as mãos fechadas apenas com o dedão voltado para cima e olhe fixamente para a unha. Movimente seu braço para a direita e siga o ponto focado apenas com os olhos (sem movimentar a cabeça), primeiro para os lados, depois para cima e por fim para baixo.  Logo depois inicie o movimento circular de forma bem lenta: movimente a mão para cima, para o lado e para baixo (trocar o braço para o próximo lado) e suba pelo outro lado, completando um círculo. Ao terminar esfregue suas mãos para produzir calor e em forma de concha, de maneira que não entre luz coloque sobre os olhos sem apertar, apenas para descansá-lo.   Antaranga Trataka: exercício interno que consiste na imaginação de um símbolo (normalmente o OM) ou yantra (figuras geométricas que atuam como ferramenta para concentração, contemplação ou meditação) no ajna chakra, espaço entre as sobrancelhas, com o objetivo de visualizá-lo claramente como se estivesse olhando para ele.   Artarbahiranga Trataka: este exercício combina os dois explicados acima, realizando-o de forma alternada. O mais conhecido é o da chama da vela, que consiste em fixar o olhar na chama da vela, sem piscar, até lacrimejar e depois fechar os olhos e imaginar essa mesma chama na altura do ajna chakra.   OBSERVAÇÃO: o Trataka é contra-indicado para pessoas com glaucoma e epiléticos não devem praticar o Artarbahiranga Trataka. (Swami Satyananda Saswati – Asana Pranayama Mudra Bandha) Em uma prática de Yoga onde tive o primeiro contato de Trataka, a primeira coisa que me veio à mente foi a lembrança de uma técnica psicoterápica da qual já fui paciente, chamada EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing ou Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares). A técnica foi desenvolvida na década de 80 por uma psicóloga americana chamada Francine Shapiro que consolidou este método após suas pesquisas com veteranos de guerra do Vietnã, que relataram que após a terapia que os ‘flashbacks’ de bombas e tiros que ecoavam na mente, não mais apareciam. A terapia consiste em analisar os padrões de sentimentos negativos do paciente, fobias, ansiedades, medos e traumas e colocá-los em uma escala de incômodo que após as sessões, será reavaliada. Uma especialista em EMDR diz que ‘\"com o EMDR criamos uma situação onde o próprio cérebro encontra um caminho de autorregulação”. “Segundo Francine Shapiro, quando o paciente combina a memória do trauma aos movimentos laterais dos olhos, ativa mecanismos cognitivos e fisiológicos que reprocessam o trauma e dessensibilizam a ferida, como sugere o nome da terapia.” A técnica parte do princípio que as lembranças dolorosas são armazenadas de maneira disfuncional no cérebro. Sabe-se que é durante o sono REM (Rey Rapid Moviment ou Movimento Ocular Rápido) que o cérebro reprocessa e arquiva as informações do que aconteceu. A técnica de psicoterapia ‘imita’, de uma forma acelerada, esse processo que acontece durante o sono REM, fazendo estimulação bilateral do cérebro através dos movimentos oculares, que segundo os especialistas na técnica “é o arranque para que o cérebro reprocesse a memória negativa”.  Nas ultimas fases da psicoterapia trabalha-se a troca de crenças e padrões  negativos por pensamentos positivos. O que mais chama a atenção é a semelhança entre uma técnica milenar do Yoga, o Trataka, com uma técnica de psicoterapia recente que vem demonstrando bastante eficácia. Permitindo enxergar o Yoga como uma ‘ferramenta antiga’, ousaria dizer, pelo seu respeitável tempo de existência, a mãe de todas as terapias que visam o bem estar do ser humano. Yoga é uma filosofia que se desenvolveu baseado no cuidado com o ser humano como um todo: mente, corpo físico e energético e espírito. O yoga tem como foco “cessar a instabilidade da mente” através dos asanas, pranayamas, meditações, kriyas. As perturbações ou distúrbios da mente que são pontos de análise da psicologia, que busca suas causas, já foram descritas antes mesmo de que a psicologia existisse como profissão. Patanjali descreveu essas perturbações nos Yoga Sutras. São as cinco principais causas de sofrimento da humanidade, chamados Kleshas. São eles: avydia (ignorância), asmita (ego), raga (atração), dvesha (aversão), abhinivesha (apego à vida ou medo da morte). Não seriam esses os mesmos focos das atuais técnicas de terapia?! Não venho de forma alguma através desse texto diminuir a importância da psicoterapia, tenho grande respeito por essa profissão, o objetivo é enaltecer a importância do Yoga para a saúde emocional dos seres humanos. Pessoas precisam sim de ajuda profissional na área da saúde, algumas estão tão perdidas que necessitam de um profissional para ajuda-las a se reencontrar e retomar o controle de sua vida, mas diante dos benefícios incontestáveis do Yoga e da semelhança entre o Trataka e do EMDR, penso em como seria bom se o Yoga fosse ensinado desde cedo às pessoas, muitos dos males da vida moderna poderiam ser evitados, as pessoas saberiam lidar melhor com suas emoções, saberiam respirar corretamente e dessa forma controlar a mente que salta de um lugar para outro de forma desordenada nesse mundo de tantas informações, saberiam silenciar os pensamentos ao invés de se desesperar com as imaginações que causam medo, ansiedade, aflições; entoariam um mantra ao invés de resmungar palavras de baixa energia, saberiam direcionar o fluxo de suas energias e usariam seus pensamentos como um aliado e não como um inimigo que sabota o tempo todo. Nos EUA algumas escolas já inseriram o Yoga na grade curricular, no Brasil algumas experimentam como projeto escolar, mas o fato é que os benefícios são inúmeros, basta colocar nos sites de pesquisa para ver a quantidade de reportagens que abordam tais benefícios, entre eles o que mais se destaca é a melhora de alunos com problemas de concentração. Introduzir o Yoga na vida das crianças pode ser a melhor maneira de criarmos uma sociedade mais saudável física e emocionalmente. Praticar Yoga, mesmo depois de adultos e com inúmeras crenças enraizadas, nos ajuda a descontruir paradigmas e refazer nosso ‘ambiente emocional’. Não sou mais paciente de psicoterapia há anos (em específico do EMDR), mas faço uma auto-terapia diária chamada YOGA e vejo hoje o Trataka de uma forma muito diferente, o vejo como minha sessão de ‘EMDR yogin’!  

Respiração Ujjayi
Dicas de Yoga | 16 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Yoga é para Ansiedade?

Yoga é para Ansiedade? Você certamente já ouviu anunciar uma aula de Yoga para ansiedade ou foi, ou conhece alguém que foi, direcionado para o Yoga como tratamento coadjuvante para ansiedade, não é mesmo?   Quantas pessoas chegam a sala para a primeira prática de Yoga e dizem: eu vim porque preciso relaxar.   E por que será que não simplesmente deitam em seus sofás ao invés de suar copiosamente durante uma ou uma hora e meia? Não seria mais relaxante não fazer nada?   A grande questão é que estas pessoas não estão cansadas somente fisicamente, estão cansadas de suas próprias mentes, ou, da falta de controle sobre elas. A mente comanda a nossa vida ao invés de ser comandada por nós quando estamos inconscientes, e isso é exaustivo.   Ansiedade, medo e preocupação são essenciais para a sobrevivência e evolução da nossa espécie. Não conseguir dormir direito na noite anterior a prova, olhar o celular toda hora aguardando uma resposta importante ou sentir o coração pulsar mais rápido antes de falar em público são aquelas ansiedades pontuais e comuns a quase todos durante a vida.   O grande problema é que acabamos nos identificando com essas emoções passageiras e transformando-as em sofrimento. É como se essa identificação fosse o alimento para os pensamentos que se multiplicam e perdem o controle. A mente cria uma realidade paralela ao agora enquanto vislumbra um futuro e nós nos permitimos nos envolver completamente com este devaneio, podendo chegar a expressar fisicamente esse descontrole através de batimentos cardíacos acelerados, visão turva, falta de ar, tontura, sudorese excessiva, formigamentos e etc.   Se você nunca teve uma crise de pânico, se considere sortudo pois, segundo a OMS (organização mundial da saúde), 33% da população mundial sofre de ansiedade e 4% é diagnosticada com sindrome do panico, fazendo com que as doenças mentais sejam consideradas o mal do século.   Se são o mal do século, como podem ser tratadas com aplicação de uma filosofia milenar? Como pode existir esse “Yoga para ansiedade”?   O Yoga exercita a presença através do controle dos vrittis “Yogash chitta vritti nirodhah” - Yoga é o controle das flutuações da mente.   Nos Sutras de Patanjali, são descritos 5 tipos de Vrittis: pramana, os meios de conhecimento válido; viparyaya, o erro; vikalpa, a fantasia; nidra, o sono e smrtayah, a memória.   “Vrttayah pancatayyah klistaklistah” - “estas modificações da mente são de cinco tipos; são causadoras de sofrimento e não causadoras de sofrimento” Gloria Arieira, O Yoga que Conduz à Plenitude.   Vamos nos concentrar no terceiro tipo de Vritti, a fantasia ou Vikalpa. Essa fantasia é algo criado na nossa mente sem a presença de um objeto. É como quando alguém te fala de outra pessoa e quando você finalmente a conhece ela não tem nenhuma relação com a imagem mental que você havia feito dela. A imagem mental não é real é Vikalpa.   Assim funciona a nossa mente com ansiedade, criando diversas imagens mentais, fantasias. A mente está hiperativa, turbulenta, descontrolada. Não é possível enxergar a realidade com discernimento. Identificados com nossos pensamentos, crenças, medos, condicionamentos e sentimentos acreditamos em uma realidade fantasiosa e sofremos. E se… eu ficar sozinho, perder o emprego, ficar doente? E se…   O objetivo da prática de Yoga é cortar esse “e se” trazendo a conexão mente-corpo de volta. Sendo a ansiedade o excesso de futuro, trazer a mente para o agora se torna remédio. Mesmo que sua mente viaje entre lembranças e expectativas, o seu corpo está no agora. Não há outro tempo onde seu corpo possa estar.   Nos sutras de Patanjali são apresentados caminhos para o controle destes movimentos mentais e no I:12 é dito que “ o controle daqueles movimentos da mente se dá pela repetição e pelo desapego”. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   A prática de asanas exige que você esteja conectado ao presente, ao corpo, sem esperar nada da próxima postura ou até mesmo da próxima respiração (desapego). Se você luta contra seu corpo, você se machuca e tudo se torna mais difícil. As lesões acontecem quando você realiza asanas sem Yoga, porque a mente não está conectada ao corpo, está no futuro, buscando desempenho.   “Você observa o que é sem preferência pelo que surge. Se o pânico estiver presente, você observa que o pânico está presente. Se a felicidade está presente, Você observa que a felicidade está presente. Mas você não luta contra o negativo e não se apega ao positivo. Você simplesmente permanece na experiência conforme ela se desdobra. Você aprende a estar totalmente presente.” - Kino MacGregor   Além de tudo, a prática de ásanas ajuda a alongar e liberar a tensão muscular provocada pela ansiedade e junto com a meditação são ferramentas aplicadas ao nível físico que exercitam a atenção no momento presente, quebrando a elaboração das fantasias mentais.   Os exercícios respiratórios são outra ferramenta de controle mental que trabalha também o prana. Reduzindo a velocidade da respiração e a tornando consciente, reduzimos a velocidade da atividade mental e dos pensamentos descontrolados, permitindo que a calma nos abrace.   A disciplina do Yoga (repetição) te torna forte para comandar sua mente e controlar os desvios da realidade. Com a experiência da presença, é desenvolvida uma percepção antecipada de que estamos em estado de inconsciência.   Eu tive minha primeira crise de ansiedade há alguns meses. Coração acelerado, falta de ar, tontura. Me disseram que eu estava pálida e parecia que eu ia parar de respirar. Há alguns anos atrás, poderia ter entrado em desespero, mas eu respirei, e só soube que tudo não aquilo passava de uma identificação minha com os vrittis por causa do Yoga. Se eu reconheço a minha mente como um animal selvagem a ser domado, posso escolher doma-lo. Mesmo que às vezes esse instinto selvagem possa dar o ar da graça. Sim, não nos tornamos invencíveis quando praticamos, apenas ganhamos conhecimento para o controle destas turbulências naturais da mente.     Já existem diversos estudos comprovando que o Yoga é eficaz no alívio da ansiedade. Mas não existe esse tal Yoga para ansiedade. Yoga é presença e “qualquer Yoga” que você faça, vai te dar as ferramentas para trabalhar os pontos deficientes dos seus processos mentais que desencadeiam a ansiedade.   O Yoga nos ensina quem realmente somos. Não somos emoções, pensamentos e lembranças, portanto, podemos dominá-los.   Apenas respire.  

Yoga e experiencia
Filosofia do Yoga | 14 nov 2020 | Daniel De Nardi

Yoga é experiência

Yoga é experiência O título pode ter diferentes interpretações. De um lado, experiência no sentido de tempo de prática, um dos fatores mais importantes para quem busca estados de meditação. Praticar com constância durante um longo período de tempo é condição sine qua non para a evolução de qualquer atividade. É o que no alpinismo chamam de volume de montanha. Se você não fez várias montanhas de 6000 metros, dificilmente alcançará o Everest. Estados de meditação também dependem de progressivas conquistas e isto só conseguimos com o treinamento de alguns anos. A mesma frase pode ter o significado de vivenciar - o Yoga acontece da pele para dentro. Quando o YogIN App vê um ginasta olímpico se apresentando no solo, sabe, que apesar do atleta atingir níveis muito superiores ao dele em termos de performance de alongamento e força, o atleta não está necessariamente praticando Yoga. O Yoga é experiência. O Yoga não acontece quando você toca a testa no joelho. O Yoga acontece quando você se sente tocando a testa no joelho. Naquele momento, se você estiver praticando Yoga verdadeiramente, estará percebendo sua respiração, mentalizando descontração para os músculos, vivendo profundamente a experiência - fazendo Yoga. Assim como não basta tocar a testa nos joelhos, tampouco adianta simplesmente fechar os olhos e ficar pensando no que está acontecendo longe do mat. O Yoga exige atenção. Como vimos acima, ele não existe sem um direcionamento de foco. Pode ser um exercício de alongamento ou uma técnica de respiração muito eficaz, mas não é Yoga. Para que a experiência da prática aconteça, você precisar se esforçar para manter-se dentro, introspecção e atenção direcionada é o que produz a experiência do Yoga. Quando feitas por um longo período de tempo, temos o título do artigo com duplo sentido.  

Filosofia do Yoga | 11 nov 2020 | Adri Borges

Você sabe o que é DHARANA?

Você sabe o que é DHARANA? DHARANA em Sânscrito significa CONCENTRAR. A CONCENTRAÇÃO é um dos pré-requisitos para a MEDITAÇÃO. Ela é uma das partes do Yoga, citadas por Patanjali, em o Yoga Sutras. DHARANA concentração, DHYANA a meditação e SAMADHI a absorção, são conjuntamente chamados de Samyama. Os 3 constituem o processo natural de meditação. A CONCENTRAÇÃO é o ato de fixar a mente em algum lugar. Segundo Gloria Arieira, não se trata somente de fixá-la em um ponto, mas de estabilizá- la em algum assunto como exercício. A mente pode focar um ponto, como o ponto entre as sobrancelhas, o coração, ou o topo da cabeça. Através deste exercício de firmar a mente, ela pode aprender a se libertar da agitação. O exercício de concentração, disciplina a mente, possibilitando a meditação como diz Sri Krsna no verso 6.26 da Bhagavadgita: “Seja qual for a razão pela qual a mente inconstante e sempre em movimento se disperse, que a pessoa afastando a mente dessa razão, traga-a de volta sob seu controle.” CONCENTRAR é um estado da mente e significa que a mente está focada em um único ponto. Em geral nossa mente está sempre se movendo e quando ela se move é desafiador pensar apenas em um assunto. Concentrar é ser capaz de esquecer o mundo à volta e colocar toda a sua consciência em uma única coisa. Segundo Osho a CONCENTRAÇÃO é a restrição da sua consciência. Quanto mais restrita ela se torna mais poderosa ela será. Para se concentrar é necessário esforço. A concentração não é natural para a mente. É natural da mente se dispersar. Segundo Iyengar, em Luz sobre o Yoga, DHARANA é quando o indivíduo está totalmente concentrado e um único ponto ou tarefa que o absorve completamente. Ele completa dizendo que é preciso pacificar a mente para atingir esse estado de completa absorção. A mente é um instrumento que classifica, julga e coordena as impressões do mundo exterior assim como as que surgem dentro do indivíduo. Uma das mais poderosas técnicas utilizadas nas práticas de Yoga para ajudar a mente a se concentrar é a RESPIRAÇÃO CONSCIENTE – PRANAYAMA. Leve toda a sua atenção para a sua respiração. Apenas observe a entrada e saída de ar através de suas narinas. Coloque uma mesma contagem mental para sua inspiração e sua expiração. Leve toda a sua atenção para a sua contagem mental. Quando levamos nossa atenção para nossa respiração, há um cessar das oscilações da mente nos permitindo assim estar em nosso momento presente. Outra técnica utilizada para a CONCENTRAÇÃO é a repetição de mantras que pode ser tanto mental ou por meio da vocalização. O OM é o som sagrado e primordial que nos conecta ao divino. A vocalização através de repetições ajuda no cessar das oscilações da mente mantendo-a concentrada induzindo assim a um estado meditativo. Sua vibração sonora produz efeitos também no corpo físico e energético Nas escrituras sagradas da Índia, a recomendação é vocalizar OM 11 X diariamente. Esta prática traz vitalidade,poder e proteção. Sente-se com suas pernas cruzadas, coluna ereta, queixo paralelo ao solo e mentalmente repita o mantra OM. Experimente também, sentar-se com a pernas cruzadas, mantendo seu olhar fixo à chama de uma vela. Esta exercício de limpeza do globo ocular (kriya) denominado TRATAKA , também é uma ótima maneira para você praticar a CONCENTRAÇÃO. Coloque uma vela à sua frente e mantenha seu olhar fixo à chama da vela por alguns minutos. É importante você colocar a vela em um posicionamento onde seu queixo permaneça paralelo ao solo e sua coluna alinhada. Feche seus olhos e continue mesmo que mentalmente visualizando a chama da vela entre suas sobrancelhas.   Clique aqui e assista agora uma Aula Restaurativa. Boa Prática.

Dicas de Yoga | 8 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Padangusthasana

Padangusthasana   Quem já fez minha aula sabe que Padangusthasana está incluída em 99% das vezes. Não só por usar como base o conhecimento proveniente do Ashtanga Yoga, mas também por considerá-la uma postura ao mesmo tempo fácil e intensa. Assim como ocorre na prática do ashtanga (Padangusthasana é a primeira postura da série fundamental) costumo colocá-la no início da prática para “acordar o corpo. Segundo Lino Miele, junto com Padahastasana, Padangusthasana possui um papel importante para o início do processo de purificação. Padangusthasana é uma flexão em pé para a frente. O nome é derivado do sânscrito pada= pé, angustha= dedão do pé, sendo a postura segurando o dedão do pé. A postura trabalha especialmente dois chakras, o Ajna Chakra (o terceiro olho) e o Swadhisthana (o Chakra sacral ou sexual), trabalhando sabedoria, intuição e emoções inconscientes. A posição mais baixa da cabeça ajuda a irrigação sanguínea da área e facilita a concentração, equilibrando mente e corpo, sendo um excelente asana de preparação para meditação. Para executar a postura: Inicie de pé, em tadasana. Afaste os pés na largura de seus quadris, ou com aproximadamente 15cm entre eles. Mantenha os pés paralelos, com Arcos elevados e dedos ativos. Contraia o quadríceps, subindo a patela dos joelhos. Mantendo esta atividade nas pernas, incline-se para a frente a partir do quadril, mantendo as costas alongadas, o máximo que for possível. Enganche os dedões dos pés com os dedos indicador e médio das mãos. Se precisar dobrar os joelhos para chegar aos dedões, faça, mantendo a coluna alongada, como se quisesse colar o abdome nas coxas. As vezes, é útil realizar uma inspiração alongando ainda mais a coluna e esticando os braços, já com os dedos em gancho, criando espaço antes de descer na exalação. Desça o tronco como se quisesse deitar nas suas coxas e levar o topo de sua cabeça entre os pés no chão. Libere os isquiotibiais fazendo uma leve espiral para dentro nas pernas. Ative seu uddiyana bandha para criar mais espaço na coluna e aproximar mais o abdômen das coxas. Verifique se seu peso está bem distribuído nos pés e traga seu quadril para o alinhamento dos tornozelos. Ao descer, dobre os cotovelos e puxe o gancho entre mãos e pés. Relaxe os ombros e mantenha o espaço no pescoço. Se seus isquiotibiais estão encurtados, não curve a coluna para tentar descer mais a cabeça. Mantenha sua base da coluna bem alinhada e ísquios apontados para trás. Mantenha a postura por, no mínimo 5 respirações e siga para padahastasana, ou suba na inspiração com a coluna ainda alongada. Padangusthasana trabalha os órgãos internos do abdômen, estimula fígado e rins, alonga isquiotibiais e panturrilha, fortalece coxas, melhora a digestão e alivia dores de cabeça e insônia. Evite a postura se sentir dores nas costas ou pescoço ao executar. Padangusthasana apesar de simples é capaz de alongar diversos músculos do seu corpo trabalhando ele por completo. Entre as ações de puxar e empurrar, a tensão pode ser aliviada, tornando a postura relaxante e prazerosa. As flexões para a frente em geral estão relacionadas a nossa capacidade de se entregar e confiar. Aprendendo a confiar que há uma inteligência que mantém tudo em ordem, mesmo que não pareça a nossos olhos. Entregue-se a Pagangusthasa!   Boa prática!   new RDStationForms(\'e-book-treinamento-yogin-de-respiracao-bdf2969b9eeaf2b1af79-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();    

Filosofia do Yoga | 7 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Muladhara

Muladhara No artigo passado falamos sobre a relação entre as posturas de pé e o chakra básico, o muladhara chakra. O chakra básico, sendo o primeiro da fila, está mais conectado ao material, à terra e nossas necessidades de sobrevivência. Se nosso objetivo no yoga é crescimento espiritual, tendemos muito a valorizar os chakras superiores, que estariam ligados à iluminação, dando pouca atenção aos chakras inferiores. Mas calma, vamos passar rapidamente por alguns conceitos sobre os chakras para compreender a importância da nossa raiz. Chakras são os vórtices circulares de energia espalhados por todo nosso corpo energético. Sete deles, são os mais importantes e estão posicionados em sete pontos diferentes ao longo da coluna vertebral. Eles são carregados e recarregados através do contato com a corrente de energia cósmica na atmosfera ou Prana. Então, considerando o alinhamento dos sete principais chakras na coluna é como se possuíssemos um tubo que permite a energia subir e descer do topo da cabeça a base do assoalho pélvico. Podemos considerar que somos como flores, nos voltamos a luz pelo topo, mas nos alimentamos da terra a partir da base. Essa conexão entre nossa raiz e a luz é feita nesse “tubo de energia”. Nosso nosso tubo energético “entope” ocasionalmente por causa de questões emocionais, causando problemas físicos ou mentais. Estes problemas podem se apresentar na forma de fechamentos emocionais e físicos. Como os ombros para frente e para baixo de quem está deprimido e sentindo-se só, “protegendo” seu chakra cardíaco. Ou com a hiperatividade de um chakra laríngeo, por exemplo, que faz uma pessoa falar demais deixando-a com dificuldade de ouvir o outro. Podemos cuidar para manter livre o fluxo de energia através do equilíbrio entre os sete chakras através da prática de asanas, pranayama e meditação. Nosso chakra raiz, que fica na base da coluna, simboliza nosso relacionamento com a terra e com o material, influenciando nossa vitalidade, paixão, vontade de viver e instinto de sobrevivência. Está relacionado com nossos sentimentos mais básicos e primários e instintos primitivos. Ele traz a necessidade do pensamento lógico e da ordem em nossas vidas. Há também uma relação deste chakra com nossas estruturas de sustentação, pés, pernas, quadril, coluna, ossos e músculos. Por isso, um muladhara chakra desequilibrado gera insegurança.   Nosso primeiro chakra carrega registros de nossos ancestrais e praticamente todos experimentamos desequilíbrio neste chakra iniciando a existência a partir de memórias de guerra, fome e desastres naturais. Passando de geração a geração padrões inconscientes. O mais instintivo de todos os chakras, é o que inicia a reação de fuga frente a uma ameaça. Quando em desequilíbrio, gera a resposta de reação a ameaças não reais, incluindo as reações aos padrões inconscientes herdados de gerações anteriores e grupos sociais onde estamos inseridos. Pessoas com mente inquieta possuem dificuldade de “aterrar”, necessitando de estímulos para este chakra. Como dito no texto da semana passada, vivem mais na mente do que no corpo gerando dificuldade de materializar as ideias.   Clique abaixo e conheça o Curso - Práticas para os Chakras       Muita atividade no muladhara provoca agressividade e materialismo, muito apego ao corpo e dificuldade de conectar com a sensibilidade. Mudanças, que simbolicamente tiram nossas raízes, podem gerar o desequilíbrio do muladhara. Não só mudanças físicas de residência, cidade ou país, mas também demissões, alterações na constituição da família ou no corpo provocam a sensação de insegurança típica do desequilíbrio energético do chakra básico. Neste desequilíbrio nasce o medo e, as vezes, o apego. A necessidade de se sentir seguro através de um objeto exterior ao próprio corpo é a prova da falta de confiança de que tudo que precisa será fornecido a você através de suas próprias raízes. Este objeto pode ser dinheiro, um emprego estável, um cônjuge ou nossos pais. Qualquer coisa onde podemos segurar e criar a falsa sensação de que estamos salvos ali. O grande propósito deste chakra, é nos desafiar a praticar o desapego e vencer os medos. Para toda transformação há necessidade de estabelecer base firme e permitir florescer. As posturas que trabalham nossos pés, pernas e base da coluna nos trazem a sensação de estar em casa em nosso próprio corpo desenvolvendo coragem de enfrentar os desafios. Os sete chakras são importantes e, equilibrar um chakra pode provocar mudanças em outro chakra, mas antes de tentar trabalhar nossos chakras superiores, é importante equilibrar o raiz primeiro. Sem este chakra equilibrado, não temos a estabilidade e a segurança necessária para a transformação.   Namaste!   new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();      

Por que meditar a noite ?
Meditação | 21 out 2020 | Daniel De Nardi

Por que meditar à noite?

Por que meditar à noite? Eu gosto da ciência e meditar tem sido uma ação muito investigada por ela ultimamente. Muitos efeitos do Yoga a ciência ainda não consegue atingir, por outro lado, tudo o que conseguir provar cientificamente em termos de efeitos da prática, acho válido para o praticante. Hoje tive um dia pesado, sim nós YogINs também temos preocupações. No final da tarde, daria uma aula para uma aluna antiga. Quando cheguei, meu estado emocional estava tão agitado que ela perguntou se eu tinha vindo correndo. Quando começou a prática, lembrei de todas as pesquisas que venho fazendo a respeito de meditação. Lembrava até dos resultados da redução dos níveis de cortisol (substância que ativa o estado de stress) e das divisōes de frequências do eletroencefalograma.     Naquele momento, decidi por o Yoga à prova - me dedicaria com a concentração de um YogIN às técnicas e observaria se as pesquisas são de fato verdadeiras conseguindo de fato alterar meu estado de consciência. Começamos com um longo aquietamento. Depois pránáyáma alternado para reduzir o estado emocional. Fechei os olhos, embarquei na experiência, falava apenas os insights que a prática ia me proporcionando. Quando iniciamos os ásanas, fizemos poucas posições com longas permanências de cerca de cinco minutos em cada. Ali não estava dando uma aula formal, tampouco, buscava performance, meu foco era a experiência do ásana. Ao final da meditação, meu estado era de uma serenidade tamanha que pensei que nenhuma droga conseguiria produzir aquilo em mim. O Yoga venceu a aposta!   Por que meditar à noite? Dentro do cérebro há uma região bastante escondida chamada hipotálamo. O hipotálamo é responsável por manter o corpo em equilíbrio (homeostase). Quando a pressão aumenta, ele envia substâncias para baixar, entre estas substâncias  está o temido cortisol. O cortisol não é uma substância ruim. Como dá para ver pelo gráfico, é liberado todos os os dia em diferentes quantidades ao longo das horas. O cortisol é a substância responsável por estimular os instintos de luta ou fuga precisando produzir grandes mudanças tanto no psiquismo quanto no corpo. Por isso, o problema está quando passamos a liberá-lo constantemente por longo período de tempo. Quando estamos estressados, jogamos doses cavalares de cortisol no corpo, gerando diversas modificações como por exemplo, aumentar a circulação sanguínea nos músculos e diminuir nos órgãos. Num estado natural, o corpo começa a liberar cortisol logo cedo e atinge o ápice da liberação às 8 da manhã. Num organismo saudável, a liberação de cortisol vai diminuindo até a noite para podermos relaxar mais o corpo e descansar. Manter a liberação alta de cortisol pode ser bastante prejudicial à saúde além dificultar a qualidade do sono. Meditar proporciona ferramentas para atuarmos fisiologicamente no corpo. Meditar estimula o sistema para-simpático, contrário ao simpático que gera o stress. Meditar faz os níveis de cortisol baixar conforme as pesquisas de Rinad Minvallev, um fisiologista da Universidade de São Petersburgo que chegaram a detectar até 33% de redução com a prática do Yoga.  Meditar a noite é o momento ideal para fazer seu organismo se reorganizar biologicamente, baixando o cortisol e preparando-se para uma noite de descanso profundo. Namaste!! Clicando na imagem abaixo você pode entender como o Yoga/Meditação podem ajudar a sua intuição. https://yoginapp.com/como-o-yoga-pode-ajudar-na-sua-intuicao/ Assine o Canal do YogIN App no YouTube Clicando AQUI   Boas práticas!

1 2 3 10