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A ética protestante e o espírito tântrico
Filosofia do Yoga | 4 ago 2020 | Daniel De Nardi

Podcast #07 – A ética protestante e o espírito tântrico

A ética protestante e o espírito tântrico A ética protestante e o espírito tântrico será um episódio com tantas referências que só ouvindo para entender do que se trata. https://soundcloud.com/yogin-cast/a-etica-protestante-e-o-espirito-tantrico-podcast-07 Links Curso Roberto Simões - Neurofisiologia da Meditação   Livro de Max Weber - A ética protestante e o espírito do capitalismo PDF   Canal de podcast de Roberto Simões https://soundcloud.com/yoga-contempor-neo Curso Yoga, Liberdade e Aprendizado   Lenda sobre Patanjali Playlist da série de Podcasts - Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição: A ética protestante e o espírito tântrico   A Ética Protestante e o Espírito Tântrico #7 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e está começando o sétimo episódio de Reflexões de um YogIN Contemporâneo. O episódio de hoje chama-se “A Ética Protestante e o Espírito Tântrico”, deve ser um dos títulos mais complexos que já teve durante os podcasts, mas ele faz uma referência a uma obra bastante famosa que é essencial no estudo da sociologia chamada “A Ética Protestante e o Espírito Capitalista”, essa obra fez uma análise observando o quanto a ideia de protestantismo favorecia o enriquecimento das nações e, por conta disso, era a explicação pela qual os países protestantes era os mais ricos como no caso dos Estado Unidos, Alemanha, Grã-Bretanha, enfim, acabam sendo mais ricos os países protestantes. E a conclusão da obra é que no Protestantismo você não tem uma ideia clara do que irá acontecer após a morte, uma das coisas que o protestante tem como indício de que ele está num bom caminho, no caminho de Deus é que ele vai prosperando, então a prosperidade é uma demonstração de uma iluminação, de um agrado de Deus de que você está no caminho certo de Deus e isso fez com que as pessoas dessas nações, tendo essa visão, pensando e sentindo especialmente acreditando dessa forma, eles acabaram gerando um acúmulo maior de capital, diferentemente de outras culturas que não valorizam essa construção em vida, então muitas culturas projetam tudo pra depois da morte, então depois da morte é o que interessa e isso não favorece a construção aqui em vida. Eu peguei esse nome, porque nos últimos dias eu estou editando um curso novo que nós já disponibilizamos no YogIN App, então, quem adquiriu o curso vai recebendo aos poucos – a medida que a gente for terminando a edição – e é um curso de um professor que eu já acompanho a algum tempo, ele faz um podcast, uma série de podcast bastante interessante que é o Roberto Simões do Podcast Yoga Contemporâneo, se você não conhece, vale a pena ouvir lá. O que eu gosto, o que me agrada muito no trabalho do Roberto: eu acredito que a gente tem que ter um bom entendimento de diversas áreas da vida, essa questão de especialização profissional excessiva dificulta o próprio aprendizado da sua área, porque a medida que você tem mais referências e outras áreas isso vai favorecendo todo o tipo de aprendizado. No meu curso que fala sobre aprendizado, ele explica um conceito chamado Chunk, que é justamente o auxílio de diferentes aprendizados para aquilo que você está aprendendo no momento. Então, por exemplo, se você estudou ecologia, às vezes isso vai favorecer de alguma forma e te fazer aplicar à matemática e, assim, em diferente áreas. Então áreas em que você não vê conexão, à medida que você vai compreendendo, elas vão favorecendo o entendimento de qualquer coisa que você esteja aprendendo ou estudando. Essa visão ampla é importante para a gente ter uma visão mais precisa do mundo que não é dividido só em áreas profissionais ou estilos de educação, o mundo tem várias nuances, entre eles nuances políticas, históricas, sociais, então tudo isso é importante a gente tem o mínimo de entendimento. O Roberto faz um trabalho amplo nesse sentido de ter várias visões, ele é um pesquisador profundo da ciência, ele escreveu um livro que é “A Neurofisiologia da Meditação”, por outro lado, ele fez o doutorado na área da religião e, também estudou Psicologia. Então ele consegue fazer um apanhado sem misturar, “esta é a visão da ciência”, “esta é a visão da história”, “na religião, uma leitura da espiritualidade funciona desta forma...”. Aprendi bastante com o Roberto nesses últimos tempos, que ele vem produzindo esses podcast dele e venho trocando mensagens com ele, queria muito que tivesse um curso dele no YogIN App, porque é uma pessoa que agrega muito pra nós professores e praticantes, pela sua visão realista da ciência em relação a meditação, redução de estresse e essas outras questões que muitas vezes a gente se pergunta: O yoga de fato funciona pra isso? Hoje em dia ninguém menos que a ciência para validar isso. Ao mesmo tempo existe um tipo de visão que só um estudo de espiritualidade e história consegue dar, a ciência não chega a determinadas questões que o trabalho no yoga é bastante profundo então tem a questão da linguagem, que é algo que não é percebido ou medido, então a ciência não estra nessa questão da linguagem, o quanto ela e a criação de mitos influencia o nosso comportamento, por exemplo, e isso é algo que um estudo de espiritualidade, um estudo histórico se faz necessário para a compreensão. Então ele vai fazendo esse paralelo nesse curso com essas diferentes áreas, e é muito interessante pra gente ver a compreensão de todo o funcionamento do cérebro e como que este funcionamento é afetado, modificado, moldado a partir das práticas de meditação e outras técnicas do yoga. Esse trabalho que o Roberto está fazendo que é uma espécie de uma releitura do yoga é bastante tradicional na Índia, então a Índia cultiva muito a valorização do conhecimento, mas também uma valorização de uma releitura, então os comentaristas de sutras de vedas tem um papel muito importante dentro da construção do conhecimento indiano, como isso tem uma determinada escritura lá, o comentarista comenta, mas faz acréscimos de coisas que estão acontecendo no seu momento e aí aquilo é incorporado, agregado a escritura original, então esse processo de releitura no tempo atual das escrituras antigas ele é muito famoso, muito valorizado dentro da Índia. Então nós temos, por exemplo, comentários do yoga sutra que é o primeiro livro de yoga, então o Yoga Sutra é escrito por Patanjali, que não sabemos se foi uma pessoa ou um grupo, mas tem um comentarista famoso que é o Vyasadeva, e ele faz um comentário de cada sutra colocando a ideia dos sutras no tempo dele, ele foi, inclusive, nomeado escritor do Mahabharata e desse livro, só pra vocês entenderem, sai o famoso Bhagavad Gita que tem um conhecimento maior é uma parte do Mahabarata que talvez tenha sido escrito por um comentarista, então se vê a importância dos comentaristas dentro da história. Um dos textos mais conhecidos da Índia pode ter sido escrito por um comentarista, como os textos mais antigos de uma civilização a gente não tem precisão de quem escreveu aquilo, a gente tem indícios, e muitas lendas são criadas em cima daquilo. Então se você procurar, por exemplo por Patanjali, você encontra toda a história do Patanjali, a gente publicou na fan page essa semana, quem não viu vai lá e olha, tem a história de como Patanjali surgiu, como ele nasceu (eu não vou contar a história pra você ir lá e ler), mas mesmo Vyasadeva e, depois, todos os demais, vão se criando mitos em cima deles e dando, muitas vezes, textos que não eram originalmente, mas que passaram a ser parte da cultura, do conhecimento e da inteligência indiana a partir de comentários. No processo mais recente a gente tem como comentarista dos vedas e de todo o entendimento indiano o Mircea Eliade, que é muito conhecido no yoga, todo mundo que estuda yoga acaba lendo, uma hora ou outra, e ele faz justamente esse trabalho só que com uma visão mais atualizada e muito mais ocidental. Então o Mircea Eliade é um dos primeiros intelectuais aceitos pela academia, por toda a ciência europeia, então ele tem um trabalho reconhecido na Sorbonne e em outras universidades francesas e americanas, então ele fez esse papel de releitura do conhecimento indiano, foi agraciado e, hoje, é muito reconhecido no meio do Yoga. E na Índia, inclusive, muitas vezes ele transformam esses escritores, intelectuais, esses sábios em santos, você chega a ver nas lojas estátuas de Sai Baba, de Osho, de Gandhi, várias pessoas que a gente teve acesso, que a gente vê em vídeos no YouTube, essas pessoas foram transformadas em santos, então tem esse valor da pessoa que faz essa releitura do yoga. O Roberto tem feito esse trabalho, trazendo essa parte da ciência, que é muito importante para o yoga, a ciência e o yoga tem se apoiado no trabalho, a ciência tem apoiado muitas descobertas e muitas pesquisas em cima do yoga, especialmente da meditação, então o que eu queria demonstrar agora , eu queria deixar uma explicação, pra mostrar esse tipo de conexão que o Roberto faz no trabalho dele que me agrada muito e que venho aprendendo nos podcast dele, pra gente finalizar com  a explicação do título que até agora eu não expliquei o que é esse título maluco que eu fiz. Então, “A Ética Protestante e o Tântrico”, a gente entendeu até aqui “A Ética Protestante e o Espírito Capitalista”, a obra no Max Webber. Esse nome vem – o Roberto faz um explicação muito interessante sobre o surgimento do movimento tântrico dentro da Índia comparando com o movimento protestante, dentro do processo religioso dentro do ocidente. Patanjali escreve o seu livro Yoga Sutra por volta do ano 3 a.C., e na Índia com a questão das castas, quem conduzia o conhecimento, quem manuseava, quem tinha acesso aos textos, lia em sânscrito e fazia consultas e explicava, eram os brâmanes, que eram os sacerdotais que conduziam os rituais, eles detinham o conhecimento e que estava restritos aos textos e eles produziam estes que e os vedas que iam sendo acrescentados.   Então isso, ao longo de muitos anos, no século VI um determinado grupo percebeu que o mais importante não era os textos, mas sim o corpo, o que está no corpo a sensação e não o que Patanjali escreveu, então naquele momento passa-se a valorizar mais o corpo. Então ali, nesse momento histórico passa-se a valorizar mais o asana, a técnicas corporais, os pranayama, começa-se a valorizar a questão da saúde, isso não era tão expressivo no yoga, isso começa a partir do tântricos que começam a questionar essa perfeição dos textos e começam a dizer “se as coisas existem de fato elas devem existir aqui, onde eu consigo sentir, onde eu consigo tocar”. E o que isso tem a ver com o processo do outro lado, de Lutero? Até então que fazia a leitura da bíblia eram os padres, os sacerdotes da igreja Católica Apostólica Romana. A bíblia era escrita em latim, eles detinham a língua, a partir do momento em que Lutero traduz a bíblia ele faz com que o conhecimento não pertença só a eles, quem quiser estuda a bíblia e faz o que bem entender. Então, de dois lados diferentes houve uma libertação de um determinado grupo que detinha conhecimento, “isso aqui é mais valioso que tudo e só nós temos acesso” e vem um outro grupo e vem um outro grupo dizendo “olha, talvez vocês não sejam os detentores, talvez consigam pegar esse conhecimento através de uma outra fonte” e então, obviamente, começam os conflitos: na Índia, os brâmanes versus os tântricos e na igreja, os protestantes contra a igreja do Vaticano. Eu me despeço hoje por aqui, a pedidos vou fazer algumas coisas em relação as músicas, tenho recebido feedbacks em relação a isso, eu não sou um estudioso profundo, mas há algum tempo eu escuto música clássica, vou a concertos, já fui mais recorrentemente, hoje não vou tanto, mas eu sei, dentro da música clássica, algumas músicas mais populares que eu acredito que as pessoas vão gostar mais, e estou trazendo uns trechos. Vou criar no Spotify do YogIN App uma playlist com cada música que eu coloco aqui nos podcast, quem quiser vai lá, faz a pesquisa e ouve mais. As músicas sempre tem uma relação com o assunto, eu não queria explicar, mas me pediram, então eu vou falar o que a música significa, a que a gente vai ouvir hoje é um trecho do primeiro movimento do concerto para violino de Mendelssohn, que vivia uma vida prospera, o livro de Max Weber é sobre prosperidade, o “A Ética Protestante e o Espírito Capitalista” era como sobre a prosperidade surgiu. Mendelssohn tinha uma vida muito prospera ele era muito rico, diferentemente da maior parte dos artistas, ele tinha condições de fazer orquestras na casa dele, então ele fazia testes, coisas que os outros não conseguiam, a maior parte dos compositores escrevia a peça e testava na hora. Ele tinha várias doenças, quando se enchia de algum lugar viajava pra outro, Itália França, Alemanha e ia compondo nesses lugares. Mendelssohn morreu muito cedo, aos 38 anos, ele atingiu um nível de genialidade que, entre os entendidos, é considerável nível de Mozart, ele teve pouco tempo de vida, mas compôs obras famosas como a Marcha Nupcial. Então eu vou deixar aqui a que eu gosto mais, um concerto para violino, um trecho, quem gostar, procura mais lá, na playlist do YogIN App no Spotify, uma boa semana a todos! Quem quiser saber mais sobre o curso, eu vou deixar o link, as duas primeiras aulas são abertas, são gratuitas e aí você já começa a entender e ver qual é a ideia dele, qual a ideia que o Roberto tem sobre meditação, é muito interessante. A primeira aula tem cinco minutos, a segunda vinte e cinco, então você já tem meia hora de conteúdo gratuito, quem quiser pode adquirir o curso, está baratinho (R$99,00), mas só esse trecho, essa meia hora, já vale a pena, é que o curso tem cinco horas e ficou fantástico, é um conteúdo que vale a pena ser adquirido. Tá bom? Boa semana, estudem o curso e nos vemos na semana que vem Om namah shivaya!  

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Filosofia do Yoga | 11 fev 2018 | Daniel De Nardi

O QUE É O YOGA?

O QUE É O YOGA? Esta é uma pergunta (o que é o Yoga?) que muita gente faz para nós, profissionais, mesmo com a quantidade de informações que vêm saindo na mídia nos últimos anos. O Yoga deixou de ser uma moda para se tornar uma tendência, e vem provando seu valor desde muito antes que Sylvia Rank, a superstar de La Dolce Vita, obra-prima de Fellini, ao ser questionada sobre o que faz para manter o corpo em forma, responde simplesmente: Yoga. Os antigos sábios hindus gostavam de começar suas explanações definindo o que entendiam pelo assunto. Seguindo seu exemplo,  vou adotar a definição mais clássica do Yoga, feita por Pátañjali, importante mestre indiano do século III A.C. Pátañjali tem uma importância grande dentro da história desta filosofia. Foi o primeiro a escrever um livro falando somente desta prática, o famoso Yoga Sutra. O livro serve até hoje para pesquisa de yogins de todas as linhas. Escrito em forma de aforismos, frases concisas repletas de conhecimento, começa desta forma, na tradução do professor Luis Carlos Barbosa.   I - 1 Eis os postulados mais elevados do Yoga I - 2 O Yoga é o recolhimento dos meios de expressão da mente   Para Pátañjali, o Yoga é tudo aquilo que conduza o praticante a uma parada das ondas mentais, mas não no sentido de parada cerebral, mas apenas dos pensamentos para que a consciência possa fluir por uma canal mais sutil que é a intuição. A intuição ensina muito sobre nós mesmos. Quando diminui-se as influências externas (veja a definição de Patanjali), brota algo próprio. Aquilo que só você poderia produzir ou pensar, aquilo que mais te representa. A intuição só acontece quando há um contato direto do praticante com aquilo que ele verdadeiramente é. A intuição é tão falada no meio do Yoga, pois ela é o que mais aproxima o YogIN da sua essência, chamado no Yoga de purusha.   Para Pátãnjali, o que importava era esse caminho para o praticante chegar a meta e por isso os capítulos do seu livro são chamados de páda, que em sânscrito significam passos ou caminho.   LEIA AQUI SOBRE AS DEFINIÇÕES DO YOGA - O QUE É O YOGA?   Praticar Yoga é buscar estabilidade física, emocional ou mental. Em determinada parte da prática, os yogins aprendem a direcionar sua atenção para um som (mantra) em outra para a respiração (pránáyáma), depois para uma única imagem (dhyána) ou para o corpo (ásana). Esse treinamento de deslocamento da atenção para as diferentes partes é um dos mais importantes aprendizados da prática. Melhorando isso durante as aulas, conseguirá fazer o mesmo no seu trabalho, focando no que é mais importante, na leitura, conseguindo ler sem precisar voltar páginas ou mesmo numa troca de carinho tornando a experiência mais proveitosa. Yoga para mim é isso, um grande universo de descobertas, experiências e aprendizados. Um despertar da essência, um encontro consigo mesmo.   Para saber mais sobre conteúdo de Yoga aperte este botão