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Dicas de Yoga | 20 out 2020 | Daniel De Nardi

Disciplina, Determinação e Realização

Disciplina, Determinação e Realização Você nunca se questionou de onde vem a força das pessoas que passam por muitas dificuldades e que, apesar de tudo, perseveram em seus objetivos, conseguindo, com muita luta, realizá-los? Por outro lado, vemos pessoas com tudo aquilo de que precisam a seu alcance e que, apesar disso, levam uma vida sem rumo, nada realizando pela melhoria do mundo em que vivemos. Muitas vezes, a facilidade pode se tornar nosso maior inimigo e a dificuldade, nossa maior dádiva, dependendo apenas de nossas decisões. Fica claro que realizar não depende das condições iniciais, mas da vontade e da determinação daquele que se propôs a “colocar a ideia de pé” Acreditamos que essa força da determinação tem início com o autoconhecimento; na medida em que nos conhecemos mais, vamos descobrindo também qual é o nosso propósito de vida. Quando temos isso muito claro, fica mais fácil agirmos com uma convicção plena de que o sucesso virá, aconteça o que acontecer. Saber para que viemos ao mundo alimenta nossa motivação, tornando-a inabalável. Para chegar a esta descoberta tão íntima, cabe apenas a você o desenvolvimento de um autoestudo muito profundo. Pátañjali, grande mestre de Yoga indiano do século IV a.C., disse que para se conquistar algo extremamente difícil, como a meditação, é necessária “uma disciplina diligente cultivada por um longo tempo, sem interrupção e com profunda dedicação”. Também é necessário “subjugar a compulsão pelas dispersões”. Este pensamento poderia ser de um grande empresário, a respeito da construção de uma empresa; ou de um medalhista olímpico, sobre suas conquistas - mas tem mais de dois mil anos. A persistência sustentada por um longo período torna-se o maior aliado daquele que busca grandes realizações, ou seja é um ativo indispensável à conquista dos nossos sonhos. Mas, afinal, que recompensa poderia ser valiosa quando conquistada num curto espaço de tempo? “O valor das conquistas está diretamente ligado à quantidade de coisas que tivemos que abrir mão para conquistá-las”. Este pensamento, atribuído a Gandhi, complementa o de Pátañjali: a cada dia, maior é a quantidade de diferentes estímulos que recebemos; podemos fazer virtualmente o que quisermos, mas nunca conseguiremos fazer tudo o que o mundo nos oferece. Cabe a cada um, portanto, conhecer suas motivações internas e não deixar que as dispersões lhe tirem do foco da meta. Temos aqui dois pontos indispensáveis para a construção de obras grandiosas ou de realizações com grande valor pessoal: permanecermos focados por muito tempo naquilo que desejamos e não nos dispersarmos com as alternativas que o mundo oferece. A sua percepção interna é que mostrará aquilo que você quer realmente. Uma vez descoberto, será a hora de começar a lutar bravamente para transformar seu desejo em realidade.  

Flaubert
Filosofia do Yoga | 25 set 2020 | Daniel De Nardi

O aperfeiçoamento de Flaubert

O aperfeiçoamento de Flaubert Na verdade, este texto não é sobre o aperfeiçoamento de Flaubert, mas sobre a possibilidade de auto aprimoramento de cada um de nós. A devoção que a flor de lótus recebe na cultura hindu, aparecendo em muitos contos mitológicos e gravuras, se deve em boa parte ao exemplo de auto aperfeiçoamento que ela dá. Suas raízes nascem cravadas ao lodo fétido, e é desse lodo que ela extrai os elementos para externalizar uma flor colorida e perfumada. Hoje usarei a Literatura para me explicar, pois ela é um excelente analisador de fatos, pois trata daquilo que não se vê, do que não é evidente, do que não se pode medir, mas que foi captado por pessoas mais sensíveis que percebem antes as mudanças do mundo. Li livros importantes, fiz oficinas de escrita, publiquei alguns contos em meu blog, mas não me considero um profissional de Literatura. O que direi aqui é fruto dos meus estudos, especialmente porque o Marne, meu professor de literatura, amava Flaubert.   \"Madame Bovary c\'est moi\" Talvez esta seja uma das mais famosas frases saídas da boca de um escritor e quem a disse foi Gustav Flaubert. Quando Flaubert apresentou aos seus amigos as primeiras versões da sua obra-prima, Madame Bovary, eles aconselharam-no a largar a carreira de escritor.  Entretanto, o teimoso Flaubert estava convicto de que sua história valia a pena ser contada. Nas primeiras versões de Madame Bovary, Emma Bovary a personagem principal, era uma beata, uma personagem descrita de forma rasa e que pouca empatia gerava com os leitores. Após incessantes correções, Bovary tornou-se a primeira adúltera da Literatura Mundial. Entre um rascunho ridicularizado até uma obra imortalizada há uma distância quase infinita. Um nível de aprimoramento alcançável apenas aos obstinados. Flaubert era um perfeccionista, passou 5 anos procurando “le mot juste” (a palavra precisa)  para cada linha do seu livro. Passeava pelas ruas de Paris entoando frases em voz alta de Madame Bovary para analisar a métrica e o ritmo das palavras dentro do texto. Revisava incessante mente seu texto \"Hoje ganhei meu dia, escrevi mais um parágrafo.\" Anotava nas cartas que escreveu aos seus familiares. A publicação de Madame Bovary aconteceu em capítulos num jornal parisiense, durante dois meses e meio. Quando a história terminou, Flaubert teve que responder um processo por atentado ao pudor. Dispensou o advogado e escreveu sua própria defesa. Absolvido, juntou os capítulos e publicou sua primeira edição com vendas esgotadas. Madame Bovary marcou a Literatura, pois Flaubert teve a coragem de mostrar um mundo onde nada é perfeito. Onde há traições e vontades ocultas, embora no discurso a maior parte das pessoas negue. Hoje em dia isto parece até mesmo clichê, mas na França de 1857 poderia levá-lo a cadeia. \"Esta Madame Bovary não possui virtudes\" dizia uma parte da acusação. A intensidade com que Flaubert se envolveu com sua personagem foi tamanha que quando escreveu a cena em que Emma se envenena, Flaubert parou no hospital com sintomas de envenenamento. Quando perguntado quem era Emma Bovary ele respondeu com frase imortal \"Madame Bovary c\'est moi\" \"Eu sou Madame Bovary\" O que imortalizou Flaubert na História é ter dado um dos passos mais importantes da Literatura. A Literatura começa com os gregos e suas Odisséias. Shakespeare traz o drama dos Deuses para a vida real. Só que até Flaubert, havia um certo maniqueísmo na narração das histórias, uma eterna luta entre o bem e o mal, entre Hamlet X seu tio traiçoeiro, entre santos e diabos. Podemos dizer que a Literatura tinha apenas dois plano e Flaubert tridimensionalizou os personagens. Tal como a vida real, ninguém em seu conto é completamente bom e tampouco totalmente ruim. Flaubert abriu os olhos do mundo para a complexidade humana, com suas variáveis infinitas e reações inesperadas. Sim, poderia uma mulher com uma vida aparentemente perfeita trair seu marido fiel! O processo de pegar o rascunho e melhorá-lo até que se torne um livro eterno é opção de cada um. Claro que nenhum samádhi levará o Homem à perfeição. Podemos sim, polir nossas atitudes, melhorar nossas reações, viver de maneira a nos preencher do que queremos e merecemos. Isto precisará de certo esforço, quem sabe 5 anos dizendo aos ares aquilo que se quer. Para saber mais sobre conteúdo de Yoga aperte este botão Podcast com a narração desse texto.   https://soundcloud.com/yogin-cast/a-transcendencia-do-lotus

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Meditação | 30 ago 2020 | Daniel De Nardi

Meditar exige disciplina

Meditar exige disciplina Esse ano, faz 20 anos que comecei a meditar. Foi em 96 que comecei a me aventurar na experiência de aquietar a mente. Antes mesmo de começar o Yoga, já lia e fazia alguns exercícios de meditação. Foi um treinamento que valeu a pena. Me trouxe muita coisa bacana pra minha vida. Dentre elas, reduzir minha dispersão quando preciso fazer alguma tarefa que exige atenção máxima, como escrever, ler ou ver algum filme. Sinto que essa capacidade de abstração dos sentidos, como o sábio Patañjáli, pai do Yoga dizia, me ajuda a explorar melhor tudo me interessa. Uma das coisas que esse tempo de prática me ensinou, é que nosso cérebro tem um princípio de conservação de energia. Esse instinto de sobrevivência dificulta muito qualquer tipo de mudança, mesmo começar um exercício que faz bem para nós como a meditação. O cérebro não quer fazer coisas diferentes, vai resistir até onde conseguir e criará desculpas para que você não mude seus hábitos. Ele não quer gastar energia, logo prefere que você continue lendo os mesmos tipos de livros, assistindo filmes com temas parecidos e também mantendo os exercícios físicos que você está acostumado a fazer. Meditar exige disciplina Nem isso o seu cérebro quer que você mude. Ele sempre trabalha pra fazer as coisas com o mínimo gasto de energia, logo mudar é forçar o cérebro a sair da sua zona de conforto e isso faz bem para sua capacidade de adaptação. Se você já teve alguma experiência com Meditação, provavelmente achou desconfortável e se nunca teve, pode esperar por uma experiência árdua. No começo é difícil mesmo. Você luta contra instintos de preservação da sua vida (pode acontecer até mesmo de você abrir os olhos no meio do exercício com medo que algo aconteça enquanto você está de olhos fechados). A proposta da meditação é algo que desafia o cérebro a mudar. Ficar atento a uma só imagem, força seu cérebro a não dispersar a atenção, algo que ele está acostumado e adora fazer. Por isso, ele não vai facilitar a vida e tentará buscar sensações e memórias que façam você parar com o exercício, abrir os olhos e voltar a olhar para as atualizações do seu celular. Persista. Não embarque nessa necessidade de dispersão, pois ela não é tão necessária assim, especialmente enquanto você estiver meditando. Se deseja vencer, pelo menos alguma parte, dos seus turbilhões mentais, persista. Da mesma forma que cérebro rejeita a mudança, a medida que ele vai aprendendo a permanecer mais tempo focado no mesmo pensamento, a experiência da meditação transforma-se completamente. Se você já praticou corrida sabe do que estou falando, no início parece insuportável, com o tempo pode até viciar. Meditar é conseguir dar mais atenção a você mesmo. Pense se você ficasse olhando para uma flor durante 5 minutos, sem pensar em mais nada, quantas informações você teria sobre ela que você nem sabia? Agora pensa fazer 5 ou 10, ou 15 ou 20 minutos deste mesmo exercício com você mesmo. new RDStationForms(\'e-book-treinamento-yogin-de-respiracao-bdf2969b9eeaf2b1af79-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();