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Filosofia do Yoga | 22 ago 2021 | Daniel De Nardi

Quais asanas estimulam o chakra do coração?

Quais técnicas do Yoga podem estimular so chakras - Descobertas da neurociência mostram que estímulos corporais modificam a estrutura do cérebro. Sim, dependendo do que sentimos mudamos o formato do órgão dentro da nossa cabeça. Quando aprendemos algo novo por exemplo, o cérebro modifica sua estrutura física para conectar os neurônios necessários na assimilação do novo conhecimento. Pode acreditar, isto está acontecendo com você agora mesmo enquanto você lê e pensa sobre esse texto. Do lado YogIN, essas investigações começaram antes, durante o período chamado de Renascimento Indiano, no séc. X d.c. Explorar o corpo era a palavra de ordem deste movimento cultural que tinha como objetivo dar mais liberdade aos indivíduos. O sistema de castas mantinha o poder nas mãos dos brahmanes, os sacerdotes que conduzem os rituais e ensinam as escrituras sagradas. Estes pregavam que a única forma de realização pessoal seria seguir exatamente o que está escrito nos Vedas e nas outras escrituras importantes. Só que um grupo de YogINs começou a questionar essa infalibilidade das escrituras. Começaram a investigar o que o corpo, em suas diferentes formas de manifestação, tem a dizer em relação às verdades de cada um. Para eles, o corpo seria o local onde estariam nossas respostas Isso incomodou os brahmanes que perderam poder à medida em que as pessoas entendiam que sentindo mais o corpo poderiam saber mais sobre elas mesmas e não ouvindo os rituais. Estas definições do corpo humano vão além do que se pode ver ou tocar. Os YogINs elaboraram explicações minuciosas de conceitos como prana, chakras e nadis. Escreveram sobre esses assuntos durante séculos até que no séc. XIX, intelectuais ocidentais como o pesquisador Sir John Woodroffe traduziram os principais deles para o inglês. Nesta época, assuntos relacionados ao Yoga eram vistos como religiosos ou filosóficos e não eram verificados por pesquisas científicas. Hoje em dia, a precisão das ferramentas de mensuração e das pesquisas tem aproximado cada vez mais as visões de corpo humano segundo os antigos indianos e o que a ciência sabe sobre nós. Muitas das comprovações podem ser encontradas no livro A  Moderna Ciência do Yoga do jornalista americano Willian Broad. Desprezar as observações feitas por toda a Índia ao longo de séculos é pensar que o conhecimento só passou a ser válido depois da criação dos métodos científicos propostos por Descartes no século XVII. Muita verdade foi relatada nesses textos, obviamente com linguagens diferentes e menos precisão que um artigo de Harvard, mas nem por isso menos valioso.   Chakras possuem estreita relação com partes importantes do nosso corpo Quando falo de importância, me refiro a quantidade de neurônios presentes na região. Possuímos neurônios espalhados pelo corpo todo; e claro, as partes que contem mais neurônios têm mais sensibilidade que as que possuem poucas terminações nervosas. Uma terminação nervosa é um acúmulo de neurônios, como se fosse um cabo formado por esse tipo de célula. Os neurônios são responsáveis por transmitir comandos de reação ao corpo. Quanto mais elaborada é a função de uma parte do corpo, mais neurônios precisará para cumprir seu papel. O cérebro é a região do corpo que mais concentra esse tipo de célula, mas também há grande quantidade deles no abdômen por causa das funções relacionadas a digestão e também ao longo da coluna. Para deixar claro, se alguém bater com bastante força a perna, a maior probabilidade é que tenha problemas apenas nessa região. Agora se a pessoa se ferir com violência em qualquer parte da coluna, corre risco de perder todos os movimentos voluntários do corpo. Regiões com grande quantidade de terminações nervosas, são as partes mais caras ao corpo. Voltando para o Oriente, os YogINs fizeram grandes descobertas de sensações relacionadas aos 6 principais chakras. Todos eles, localizados ao longo da coluna em pontos com grande quantidade de terminações nervosas. Se pensarmos de forma totalmente científica e começarmos a percorrer o corpo dos pés em direção a cabeça, qual é o primeiro ponto onde encontramos uma grande quantidade de neurônios ? No joelho? NÃO!!!!! Resposta correta = períneo; região situada entre o anus e os órgão genitais. Mesmo local em que os textos descrevem o primeiro chakra: muládhara (mula = raiz). Esta é uma parte do corpo que canaliza muitas dessas terminações nervosas para dentro da coluna, afetando diretamente o sistema nervoso central. É uma região muito sensível e essencial para o funcionamento dos órgãos genitais e de funções como o movimento das pernas. O Hatha Yoga Pradipika, importante tratado do Yoga do Renascimento Indiano, fala de um canal central no campo energético chamado sushumna. Dele brotam os principais chakras. A medula espinal é considerada um centro de transmissão de informações que recebe e transmite mensagens do cérebro para as partes periféricas e delas para o cérebro. Até mesmo as informações de estímulos involuntários como a digestão ou o piscar dos olhos, passam pela coluna. Nossa coluna funciona como um grande chip que distribui informação por aqueles canaizinhos que  partem para a borda. Tanto na visão anatômica científica quanto na visão de um corpo sutil, a parte central do corpo é essencial para o funcionamento de todo o resto. O sistema nervoso central precisa estar funcionando bem, com seus comandos sendo atendidos, para que a pessoa desempenhe suas funções, especialmente aquelas relacionadas a sensações ou pensamentos elaborados. Na visão YogIN, o canal central sushumna, tem que estar desobstruído para que uma energia situada na base da coluna chamada kundaliní seja despertada. Kundaliní é descrita como uma serpente adormecida ou como uma chama congelada. Refere-se ao potencial humano, oprimido por falta de autoconhecimento. Para que esse potencial seja despertado, tanto as funções do sistema nervoso central devem estar funcionando perfeitamente quanto na visão indiana, a sushumna deve estar desobstruídas. Há muitos outros casos em que essas duas formas de entender o corpo humano se assemelham. Por exemplo na relação entre amígdalas e o vishuddha chakra. A região da garganta é conhecida por inflamar em estados de stress quando o corpo dá respostas a algum perigo eminente. O vishuddha é relacionado aos pensamentos e como externalizá-los (voz). A ciência sabe que pensamento acelerado é um dos efeitos de altos níveis de stress. A proposta do Yoga com suas diferentes técnicas é canalizar prana (bioenergia) para os chakras. O direcionamento da atenção para uma parte do corpo, pode ampliar a circulação sanguínea naquela região. Se você não acredita, comprove com um experimento que está ao alcance das suas mãos. Ele também demonstrará a capacidade que você possui de interferir no seu corpo e que provavelmente não usa.  Olhe para as palmas das suas mãos. Se conseguir fotografe-as. Mantenha durante 5 minutos, sem nenhuma interrupção (sem Whatsapp até), toda sua atenção apenas em uma delas. Observe se não há diferença nas sensações das mãos e na cor delas. A mão que recebe mais atenção costuma aumentar a circulação de sangue. E o que isso tem a ver com os chakras? A concentração de sangue é usada no nosso corpo como um recurso para modificações. Quando uma parte do corpo começa a dar sinais de fraqueza, o corpo envia sangue como um mecanismo de resposta ao problema. Junto com o sangue, irão todos os nutrientes que o corpo possui para tentar resolver o problema. Mas não apenas quando estamos doentes o corpo usa sua capacidade de concentração sanguínea. Quando fazemos exercícios e precisamos melhorar o desempenho de algum músculo, ele também direciona mais sangue para a região trabalhada. A concentração de sangue contribui para diversos tipos de mudanças que vão desde o ganho de resistência, passando pela regeneração celular, oxigenação das células até a cura. O Yoga atua de diferentes forma para estimular os centros de força Mentalização (manaskriya) - o direcionamento de atenção para diferentes partes do corpo é parte do treinamento YogIN em qualquer tipo de prática (sadhana). Compressões de glândulas (bandhas) - compreensões estimulam a circulação do sangue (aqui você também pode fazer um teste simplesmente apertando sua mão com força por alguns segundos) esses movimentos de contração atuam em regiões com grande quantidade de neurônios. Períneo estimulado pelo mula bandha, e o plexo solar, que é região do abdômen onde há milhões de terminações nervosas por causa da digestão (manipura chakra); Posturas (asanas) - através do alongamento forçamos o corpo a direcionar sangue às partes mais trabalhadas. E finalmente respondendo a pergunta do título -  Quais asanas estimulam o chakra do coração? Portanto, não apenas o asana, mas toda técnica que estimule o fluxo de consciência/sangue/prana vai estimular o funcionamento de uma parte sensível e por isso mesmo, importante ao funcionamento do corpo. Mentalização, bandhas e asanas que atuam estimulando a região do coração ou do anahata chakra vão ajudar a trazer à tona informações que estão ali presentes e que podem ser muito úteis ao seu desenvolvimento pessoal. Boas práticas e muito amor! Quer saber mais sobre os Asanas, posturas do Yoga, baixe o livroi gratuitamente new RDStationForms(\'ebook-asana-posturas-do-yoga-20927af5b3e8c03b81b9\', \'UA-68279709-2\').createForm();

o nome sirshasana - Sirsasana
Filosofia do Yoga | 7 jul 2021 | Daniel De Nardi

O Nome Sirshasana – Invertida Sobre a Cabeça

Entenda o nome sirshasana - postura mais excêntrica do Yoga, a invertida sobre a cabeça. Referindo-se a postura de invertida sobre a cabeça não aparece em nenhuma escritura antiga o que sugere duas hipótese, uma é que a posição seria uma técnica iniciática, ensinada apenas aos yogins avançados que passavam pelas provas do treinamento. Outra possibilidade é que a postura tenha sido criada em tempos recentes. No entanto, a cabeça é uma região com muitos significados na Cultura Yogin.  Esta parte representa o topo do corpo, o que existe de mais elevado na manifestação física. Atualmente, a Ciência reconhece o cérebro humano como a mais complexa manifestação física que temos conhecimento. Na Índia, o cume das montanhas é considerado um local sagrado, onde os grandes sábios se encontram. Segundo a mitologia Shiva, o criador do Yoga, habita o cume do monte Kailash, nos Himalayas. Ainda hoje, yogins ascetas isolam-se nas montanhas para períodos de intensificação de suas práticas. Por ser o local dos sábios, a cabeça representa a sabedoria. É também a sede dos chakras superiores, entre eles o ajña, na região do intercílio. Ajna, significa comando. Este chakra representa o comandante, aquele que tem a melhor visão das situações e que consegue agir com mais sabedoria. O ájña é o chakra que aceita o comando interno.  A posição invertida dá ao yogin, a possibilidade de ver sob outro ponto de vista. Enxergando tudo de cabeça para baixo, podemos encontrar soluções para situações aparentemente impossíveis de serem desvendadas com a visão normal das coisas. Ver o mundo ao contrário, mesmo que seja por alguns minutos pode fazer muito bem para a sua sabedoria. Experimente!   obs: esta foto foi tirada nos Himalaias, a cordilheira mais alta do mundo.   Saiba mais sobre as posturas do Yoga, os asanas! new RDStationForms(\'ebook-asana-posturas-do-yoga-20927af5b3e8c03b81b9\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Podcast de Yoga | 1 jul 2021 | Daniel De Nardi

Liberdade de Expressão – Podcast #29

Liberdade de Expressão - Podcast #29 Liberdade de expressão é um assunto bem mais complexo do que eu conseguia imaginar. https://soundcloud.com/yogin-cast/liberdade-de-expressao-podcast-29 Links Página de Ebooks gratuitos do YogIN App https://yoginapp.com/ebook-yoga/ Grupo do Facebook - Conhecendo o Yoga a Fundo Paganini Trilha Sonora da série, Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Liberdade e expressão – Podcast #29 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, essa é Hilary Hahn interpretando uma música de Paganini. Esse é o 29º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Acho que dentro de todos os episódios, eu sempre acabei concluindo o tema trazido, hoje não irei concluir, o tema ficará aberto para reflexão de cada um. É sobre a liberdade de expressão. Este tema é bem delicado e atual, por conta dos acontecimentos que ocorreram nos Estados Unidos recentemente, em Charlottesville, onde ouve um embate de dois grupos supremacistas (negros e brancos) defendendo a ideia de que existe uma raça superior. O triste episódio ocorrido no EUA é de um nível tribal, como se o ser humano não tivesse compreendido nada no decorrer do tempo, sendo que como é possível determinar uma raça superior por uma questão geográfica? Por ter nascido em determinado local se seria superior? Isso vai contra tudo o que a ciência tem descoberto e que a filosofia ou as religiões acabam observando também, a gente vê no caso do yoga que o Purusha, que é a essência, está dentro de cada um, então não teria como existir uma raça superior, uma vez que todo mundo tem dentro de si, não é distinto de acordo com o local e época de nascimento. Essa essência está dentro de cada um e é o papel de cada um deixar vir, trazer, despertar. Esse assunto, que acabou criando esse embate nos EUA, é fruto de uma outra discussão que é a liberdade de expressão. Como eu disse, a liberdade de expressão é um assunto muito delicado, é necessário um estímulo dela, há uma vantagem nos ambientes em que a liberdade de expressão é possível ser explorada e, então, surgem ideias novas, surgem soluções diferentes, isso é muito visto nos locais que são abertos para as ideias em que há o desenvolvimento da sociedade muito maior do que nos locais em que todas as ideias novas são castradas e obstruídas, ficando atrás em relação ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Por outro lado, a liberdade de expressão nos dá acesso a ideias como a de grupos extremistas como o nazismo ou qualquer outo grupo que de intitule superior racialmente. Usando como pretexto a liberdade de expressão, fala-se sobre o nazismo ou qualquer outro grupo excludente. No Brasil e em outros países, como a Alemanha, isto é proibido, não se pode criar grupos nazistas, enquanto nos EUA pode. Há leis diferentes de acordo com o entendimento de cada país com a questão. Nos EUA se parte do pressuposto de que o debate pode ocorrer desde que ele não se torne em uma ação prejudicial a alguém, no caso, como vimos, teve mortes e isso é em uma escala macro, com consequências enormes. Numa escala micro, o debate e a liberdade de expressão está em várias áreas da nossa vida. Recentemente a gente teve um caso bastante interessante com o nosso grupo de yoga no Facebook, um grupo de discussão chamado “Conhecendo o Yoga a fundo”, sempre foi um grupo em que as pessoas expuseram as ideias, havia alguma discordância, mas existia uma harmonia no grupo, até qganadosue dois integrantes o grupo começaram a atacar e falar de forma mais agressiva, alegando que os participantes do grupo estavam sendo enganados e que eles detinham a verdade sobre o que era o yoga verdadeiro. A gente tem uma dificuldade em relação ao yoga porque diferentemente de outras regiões, como Roma e Grécia que se preocupavam em data, no yoga e no hinduísmo como um todo não há essa preocupação, os textos não possuem datações. E naquela discussão do grupo no Facebook, um dos participantes se diz ser de uma tradição que antecede o yoga de Patanjali, a dos Nathas, então, segundo ele, quem teria a verdade seria os Nathas, no extremo do conhecimento acaba-se chegando num limite de fé, como neste caso. Porque se há uma história que foi contada, que seria primeiro os Vedas, depois as Upanishads, depois o começo do Tantra no século III ou IV e que vai se desenvolvendo de acordo com a dinastia Gupta. Os detentores da tradição Natha dizem que ela é anterior a Patanjali, que o que Patanjali escreveu seria consequência dessa sabedoria e aí há essa postura de um dos participantes de se colocar como alguém que sabe de algo e os outros como os ludibriados. É um pouco complicado porque, como eu falei, se restringe apenas uma visão e temos que respeitar, mas cada um deve olhar pra si e ver o que mais faz sentido dentro deste quebra-cabeça, dentro das evidências mais fortes que conseguimos construir uma verdade. Não vi totalmente o debate, como chegaram algumas reclamações acabei dando uma olhada e identifiquei esse ponto limítrofe que esbarra na fé, mas isso não acontece somente na parte histórica, mas na ciência também. O fato de eu não ter participado do debate é pelo fato de eu estar escrevendo o terceiro livro de uma série de cinco que irei publicar, este livro trata de um assunto que acaba se aproximando dessa discussão, uma ala da ciência que tenta provar que os pensamentos são apenas reflexos de uma série e estímulos anteriores no cérebro. Então a gente tem uma ideia que surge, um pensamento, que acaba gerando uma descarga ou influenciando o cérebro. Esta área da ciência, chamada de Fisicalismo, tenta provar o contrário, que no fundo tudo é consequência de estímulos cerebrais, que não temos o controle sobre esses estímulos, o que a gente tem é apenas uma justificativa consciente, o que a gente faz é uma decisão a priori com impulsos nervosos e liberações endócrinas. É um assunto bastante delicado, mas que se esbarra na questão da fé ou de reconhecimento de evidências, então existe de fato uma consciência que seria o que comanda ou simplesmente é uma enganação do tipo de estimulo que os pensamentos geram que nos dão a impressão de que a gente percebe algo antes, mas no fundo tudo acontece no nosso cérebro, sem nenhum livre arbítrio efetivo nosso. Então chega nesse ponto que é a fé, uma questão de opinião baseada numa crença, porque como se saber qual tradição veio antes ou como saber se existe tal percepção por trás, vai sendo da evidência de cada um. O ponto é que se deve liberar a discussão sobre os diferentes assuntos, tem que estimular, mas daí vem o outro lado porque na vida a gente nunca tem o ganho dos dois lados. Estamos passando agora pela era da comunicação, dos smartphones, que é interessante, a gente fala com todo mundo a na hora que em entende, mas há de convir que o mundo como um todo está ficando aparentemente mais “retardado”, com todos concentrados em seus aparelhos. Então sempre tem um lado que ganha, outro que perde. No caso da liberdade de expressão temos risco no que aconteceu nos Estados Unidos e no nosso grupo o que acaba acontecendo é que pode-se até criar fakes para mostrar ter receber apoio, e quando há pessoas te apoiando já é muita coisa. O que é complicado porque o interesse de quem faz isso pode ser financeiro, comercial. O fato é que esta pessoa teria mais tempo para trabalhar e desenvolver as ideias, o que acaba desestimulando as pessoas que se dispunham a fazer um debate mais tranquilo, que passam a se sentir desmotivadas pelo tipo de comportamento agressivo de um integrante. É uma situação delicada, o que fazer? Censurar, retirar a pessoa do grupo? Ou não, vai tentar fazer com que ela se adeque, mas enfim...Como eu disse no início, este episódio não terá uma conclusão, apenas um ponto de vista e como a liberdade de expressão tem as duas facetas e como, no geral, as duas tem em todas as coisas da nossa vida, as mudanças sempre trazem os dois lado, sempre uma ambivalência, um ganha e um perde, é isso que eu quero dizer. Pra finalizar vou deixar a música completa do Paganini, quem estiver assistindo pelo App conseguirá ver as imagens da violinista Hilary Hahn tocando Paganini que foi um violinista e compositor do século XVIII (1772 a 1840), ele tinha um virtuosismo, tocava acima dos outros, de uma forma que ninguém conseguia tocar, por esta razão foi considerado ter pacto com o diabo. Vou deixar com vocês a Caprice 24 que, em sua época, era o único que consegui tocar, mesmo não sendo uma das músicas mais lindas é das mais difíceis de tocar.  

Filosofia do Yoga | 29 jun 2021 | Daniel De Nardi

Como o Yoga pode ajudar você a aprender

Como o Yoga pode ajudar você a aprender - Para falar de aprendizado temos que entender o princípio básico de funcionamento do cérebro, que explorei melhor nesse outro artigo, o cérebro humano foi projetado para a sobrevivência. Sendo assim o que rege suas decisões é o princípio de conservação de energia. O cérebro trabalha incansavelmente para fazer as coisas com o mínimo de esforço possível. Toda mudança significa readaptação, logo desgaste. Como o cérebro não quer desperdiçar energia, luta contra as mudança, produzindo estímulos que prejudicam a mudança na forma como fazemos as coisas. Esse princípio de preservar a energia e evitar novos aprendizados não é ruim, ele foi necessário para nossa perpetuação como espécie, especialmente quando passávamos constantemente por situações de perigo. Não podíamos aprender uma nova técnica a cada vez que nos deparássemos com um animal predador. Não dava nem para pensar, usávamos sempre o que funcionou. Inventar moda podia custar a vida. Continuamos precisando de padrões, sem eles a vida congela. Se você tentar uma nova forma de amarrar o cadarço cada vez que tiver que por um tênis, sua vida se tornará um estorvo. Só que de vez em quando, pode tentar amarrar diferente, não vai fazer mal. O condicionamento de manter padrões aprendidos e confirmados como eficientes é atávico. Para o cérebro, há pelo menos 100.000 anos continua funcionando a mesma fórmula: [ mudança = gasto de energia] [Plano de ação = produzir hormônios que estimulem análises mostrando que a mudança não vale mesmo a pena. Medo pode ajudar aqui também. Que fique claro - em time que está ganhando não se mexe.] {Conclusão: Estamos vivos, PRA QUE MUDAR????} new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Até 10 anos de idade (pode passar um pouco), o cérebro humano mantém-se extremamente propenso ao aprendizado. O mundo é uma novidade e precisamos aprender a habitá-lo. Todos os estímulos que uma criança nessa fase inicial recebe, serão determinantes para seus hábitos como adulto. O que é apresentado à criança começa a definir os caminhos no cérebro que serão revisitados ao longo da sua vida adulta. Criamos trilhas para facilitar nosso vida, temos trilhas para estímulos corporais, forma de se relacionar com as pessoas, para gostos de música ou comida. O exemplo clássico de Mozart é somente entre os milhares de gênios que tiveram uma infância repleta de estímulos nas áreas que depois despontaram. Com esses estímulos da infância o cérebro já começa a entender que não precisa mais muita coisa para se manter vivo. Aquilo que aprendeu já serve para sobreviver. Logo, qualquer coisa a mais representa gasto energético e ele tentará impedir. É como se ele tivesse já traçado suas trilhas e já sabe como chegar nos lugares que precisa. Toda vez que começamos a aprender algo novo, a primeira reação do cérebro é tentar convencê-lo de que aquilo não vai servir para nada. Desnecessário. Não há porque aprender algo novo se você já sabe se virar na vida. Borá fazer o que funciona. Devido aos estímulos iniciais tendemos a seguir essas mesmas trilhas, elas são seguras, funcionam e não geram desconforto. Novos horizontes de aprendizados demandam gasto energético e o cérebro não gosta disso. Se você gosta de filme de ação, quando começa a ver um filme de diálogos, acha a situação absolutamente inútil e desnecessária. Que Coisa Chata!!! Em 30 minutos você já dormiu ou saiu da sala. Vou chamar esses atalhos da infância de trilhas de 10 anos. Elas não são criadas apenas nas nossas habilidades mentais, mas também nas questões emocionais e corporais. O tipo de estímulo corporal que você teve nas trilhas de 10 anos é o que o cérebro entendeu que é o melhor a se fazer, mesmo que o esporte gere um monte de lesões, você continuará achando que é a melhor atividade do mundo. Atividades corporais que geram tipos de habilidades que você não está habituado a fazer são excelentes para tirar o cérebro de sua zona de conforto e começar a jogá-lo em situações que precisa se readaptar. O ásana, é um excelente exercício para forçar o cérebro a sair de sua zona de conforto. Para aprender a sair das trilhas de 10 anos você ter que forçar  sua readaptação. Isto será importante não apenas para favorecer sua capacidade de aprendizado como fará você segurar melhor a barra em situações difíceis que todos passamos. Quem não passou dificuldade até os 10 anos, deve começar a pensar em formas de incomodar um pouco o seu cérebro. Fará bem para sua vida. Quem passou, não se iluda, se perder o treino, não continuará sabendo se readaptar. mexa ele também para manter-se em forma. O cérebro precisa sair da sua zona de conforto para se manter capaz de se readaptar, se ele não for estimulado a se readaptar ficará acomodado e isso sim é perigoso, pois além de dificultar novos aprendizados, qualquer situação de stress real como relacionamentos ou saúde podem levar um cérebro acomodado à tragédia. Crianças que passam por dificuldades na infância e conseguem se adaptar tem mais tendência à felicidade. O cérebro reclama menos, aprendeu a se virar. Passou por poucas e boas e o que acontecer a parti de agora é lucro. Lugares pobres como Índia, Indonésia, Peru parecem concentram mais pessoas felizes que os desenvolvidos países europeus. Nada contra a civilidade, mas não há como negar que facilidades prejudicam o psiquismo das pessoas. Não precisamos ir longe, basta olhar para as partes mais pobres do Brasil e constatar essa relação de:   Necessidade de se adaptar   X   Reclamar menos e aproveitar mais a vida. E o que dizer de jovens mimados que passam o tempo todo reclamando de coisas inexpressivas? Podemos gerar essas necessidades de readaptação forçando o cérebro a se ajustar à situações desconhecidas. Você pode fazer isso se forçando para aprender uma língua por exemplo (onde usarei italiano?) X (se você pensar esse aprendizado novo apenas como um treino de capacidade de readaptação do cérebro que interferirá diretamente na sua felicidade, será que não vale a pena aprender italiano? De quebra pode assistir La Traviata sem precisar olhar para o letreiro.) Assistir filmes que você sabe que não gosta, experimente iranianos, japoneses, indianos. Na parte emocional é complicado gerar esse tipo de desconforto. Não posso ligar para você e dizer que seu chefe vai demiti-lo amanhã. Não será legal e talvez você bloqueie nas redes sociais. Agora garanto que se você vem se forçando a se readaptar a situações desconhecidas, você passará melhor por uma situação real de demissão ou qualquer outro stress emocional. Experiências de desconforto corporal podem ensinar ao cérebro o funcionamento da readaptação. Que tal conhecer um tipo de arte que você nunca ouviu falar ou ler revistas que nunca lê? Tal como um músculo, a medida que você vai treinando seu cérebro a aprender sobre assuntos diversos, ele começa a reclamar menos de cada novo aprendizado, tal como um músculo está mais maleável e já sabe que não vai morrer por gastar um pouco mais de energia. Mircea Eliade, falava no Yoga como uma técnica de transcender a condição humana. O que seria mais insuportável para o órgão dos comandos que parar de dar ordens? Talvez a meditação seja a tarefa que ele vai lutar mais para não fazer, mas imagina a capacidade de flexibilidade e consequentemente de aprendizado que ela pode te dar?   aaaaaaaa não vai dar...... vou morrerrrrrrrr.... não tudo menos parar os pensamentos, aprendo italiano,isso não.....      

Filosofia do Yoga | 2 jun 2021 | Daniel De Nardi

Resumo da Tese de Doutorado sobre Yoga Contemporâneo do Doutor Roberto Simões

  Fiz um resumo da incrível pesquisa feita pelo Doutor Roberto Simões sobre os desígnios do Yoga no Brasil. Recomendo o estudo da pesquisa completa no podcast Yoga Contemporâneo. https://soundcloud.com/yogin-cast/resumo-da-tese-de-doutorado-sobre-yoga-de-roberto-simoes Para saber mais sobre conteúdo de Yoga aperte este botão  

medtidacao ganges
Meditação | 20 maio 2021 | Daniel De Nardi

Meditação – uma reeducação cerebral

Reeduque sua Mente! Conheci Richard Dawkins em 2009. Ele veio à Paraty falar na Flip, principal festa literária brasileira. Dawkins é biólogo e escritor. Um ativista da ciência que prefere ser conhecido como um \"poeta da realidade\". Na palestra, falou principalmente na teoria contida em seu livro O Gene Egoísta.  Resumidamente, Dawkins mostra provas que somos apenas um veículo de genes. Os genes nos usam para sobreviverem e serem levados às próximas gerações. Grande parte (há quem diga que absolutamente tudo) do que fazemos tem no fundo o objetivo de preservar nosso DNA e repassá-lo aos nossos filhos. Os genes humanos que vem sendo preservados, desde que começamos a usar ferramentas e nos destacar de outras espécies, são dos indivíduos que conseguiram antecipar ou remediar melhor as situações de perigo. Viveram mais e se reproduziram à beça, espalhando seus genes pelo mundo. Reeduque sua Mente! Infelizmente, nosso cérebro não foi construído para a felicidade ou para libertação dos condicionamentos. A verdade é que desde a pré-história, ele vem sendo moldado com um único objetivo - sobreviver. No entendimento do cérebro, a melhor situação possível é aquela que o manterá vivo por mais tempo - repouso e um bom estoque de comida calórica. Condicionamos o sistema nervoso a enviar estímulos de prazer toda vez que agimos a favor da sobrevivência. Agora você entende porque é tão difícil acordar cedo e tão gostoso não sair da cama e voltar a dormir de manhã, é o seu cérebro dizendo faça a coisa certa descanse que te recompensarei. Toda vez que fazemos algo que o cérebro entende como um sinal de preservação ele nos premia liberando substâncias que geram prazer como a dopamina ou serotonina. E tal como macaquinhos de laboratórios que fazem malabarismo por algumas gotas de suco de laranja, fazemos das tripas coração para repetir a ação e sermos agraciados com mais uma dosezinha de serotonina.   Você conhece alguém viciado em salada, falei salada, não regime? E quantas pessoas você conhece (pode se incluir na conta) que não resistem ao chocolate? Alimentos gordurosos ou com altos níveis calóricos são entendidos pelo cérebro como mais estoque para a sobrevivência. Logo, se ingeridos, o indivíduo será recompensado com liberação daqueles já falados e tão desejados estímulos do prazer. Por essa lógica você também entende o vício em adrenalina. Em perigo, o corpo usa todos os recursos para tentar sair da situação. O pânico é um recurso pela vida. Um dos efeitos da adrenalina é diminuir o sangue nos órgão e aumentá-lo nas pernas e braços para que com isso você tenha mais chance lutando ou correndo. Quando o cérebro entende que você conseguiu sobreviver aquela quase morte, ele te diz em forma de estímulos neurais, você conseguiu sobreviver, quando acontecer de novo aja dessa forma, tome aqui uma bomba de dopamina.   Tem vezes que a gente está triste e chuta o balde na comida Quando algo nos abala emocionalmente, o cérebro identifica a queda de energia e providencia imediatamente estímulos para que se adquira mais estoque de alimentos e se reduza o gasto energético = chocolate, cama e isolamento.   A reeducação  O amigo de Dawkins, Lawrence Krauss, é físico e defende em O Universo a partir do Nada a criação do mundo sem nenhuma interferência (teoria que se parece muito com as ideias do Sámkhya, a mais antiga filosofia indiana) ele argumenta que uma das coisas mais incríveis de ser humano é que apesar do cérebro ter sido projetado desta forma, apenas para nos defender dos perigos da vida, ele pode sim criar coisas fantásticas como uma Teoria da Gravidade e depois vencê-la fazendo um objeto voar por kilômetros. O homem não nasceu para entender as estrelas, mas apesar disso já chegou à Lua e tecnologicamente, há bilhões de planetas. As linhas mais modernas de nutrição já começaram a entender que boa parte da dificuldade na boa alimentação está em desprogramar o cérebro para essa \"necessidade\" de manter os estoques de gordura e calorias sempre alto. Este tipo de atitude foi essencial quando vivíamos nas cavernas ou florestas e nunca sabíamos quando teríamos a próxima refeição. Só que essa urgência por comer o máximo e nesse instante, não faz mais sentido nos dias de hoje que temos qualquer tipo de alimento ao toque de um dedo no celular. Vencer condicionamentos atávicos é uma luta árdua, estamos falando de necessidades vitais, que estão armazenadas em áreas profundas do cérebro como o sistema nervoso autônomo responsável pelos instintos primitivos de sobrevivência. Quando olhamos para um copo de milk-shake, a primeira informação que processamos é a do cortex pré-frontal, área da consciência que se diferencia nos homens em relação aos outros animais. Essa parte do cérebro deixa bem claro para nós - milkshake engorda e faz mal para saúde. Só que não é difícil ignorá-la para começar a ouvir o que tem a dizer o sistema nervoso autônomo que lá do fundo do cérebro anuncia - milk-shake = sobrevivência, se você comer te darei um banho de prazer. Tomar a melhor decisão dependerá de altas doses de consciência e determinação no momento do ato. O cortex pré-frontal pode sim comandar nossa atitude quando vamos decidir entre um chocolate ou a fruta. Temos que deixar claro ao nosso cérebro (e aos nossos instintos) que hoje em dia, não há mais tanto risco para escassez de comida, não há mais necessidade de estocar, a guerra acabou! E a meditação? Esse processo de comportamento baseado em estímulos para se repetir condicionamentos ancestrais, também está acontecendo no âmbito dos pensamentos. Quem sobrevivia mais - o Homo Sapiens agitado que olhava para os lados o tempo todo e chegava ao ponto de respirar mais fundo apenas para tentar identificar mudanças no aroma e prever um ataque selvagem ou aquele que ficava apenas olhando para o tronco das árvores? Certamente os que ficavam olhando para tudo e pensando o tempo todo nos perigos foram os que mais sobreviveram, em outras palavras, os dispersos venceram. Só que assim como acontece com a alimentação, será que hoje em dia ser disperso ainda é um diferencial? Assim como o alimento não vai acabar amanhã, provavelmente um tigre não irá atacá-lo enquanto você estiver dormindo. Manter os sensores alertas e uma atenção permanente contra os perigos não é mais uma vantagem que valha a pena ser cultivada. Não foram os dispersos que criaram a Teoria da Relatividade ou o carro elétrico. Neste momento histórico, a diferenciação está do outro lado. Quem consegue se manter focado num único objetivo pelo tempo necessário até ele dar certo é que se diferencia dos demais. O foco, que a história do nosso cérebro não gosta, é hoje a grande arma da sobrevivência e do sucesso tanto pessoal (auto-observação) quanto profissional. Meditar é um processo duro porque você precisa reeducar a mente e lutar contra 100.000 anos de recompensas sendo dadas às dispersões e nunca ao foco. Manter a mente concentrada, no começo pode até doer, mas assim como com a alimentação você terá que usar mais seu cortex pré-frontal e quando aquela vontade que dá de parar o exercício e mandar um whatsapp para um amigo, ali, você terá que ser mais forte que o seu condicionamento primata e dizer: Eu não quero o milk-shake, prefiro a atenção mantida.   Saiba sobre como e quando a Meditação surgiu! new RDStationForms(\'e-book-as-origens-da-meditacao-e-do-yoga-84b39b698136958eda59-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 27 abr 2021 | Daniel De Nardi

Yoga e Saúde – Podcast #11

Podcast Yoga e Saúde e entenda como. No dia 7 de abril, é comemorado em todo o mundo o dia Mundial da Saúde e gravamos este podcast especialmente para esse dia Atualmente, o Yoga é reconhecidamente um sistema que aprimora a saúde dos seus praticantes e dezenas de pesquisas já comprovaram isso. Nem sempre foi assim. Essa relação de cuidado do corpo e observação da saúde não fazia parte do Yoga em suas escrituras iniciais. O cuidado com a saúde começa a fazer parte das observações dos yogins a partir do movimento tantrico. O tantrismo surge na Índia por volta do século VII como um movimento de protesto contra o poder que os brahmanes detinham, pois eram os únicos com acesso às escrituras. Os tântricos começaram a questionar essa infalibilidade dos Shastras (escrituras) e difundir que o que realmente importava não era o que estava escrito nas escrituras, mas o que se percebia. O que o corpo manifestava, pois o que acontece de verdade, acontece no corpo. O movimento tântrico é fruto de uma misturas de várias linhas de pensamento que também ganhavam força na Índia neste período conhecido com renascimento indiano. Entre as linhas de pensamento estavam o budismo e jayanismo, dois sistemas que questionavam a divisão da sociedade em castas. Os tântricas absorveram muito destas culturas e também emprestaram maneiras de entendimento a esses sistemas. Outro sistema que influenciou muito o movimento tântrico foi a medicina ayurvédica. Como o corpo era sagrado e o local onde as coisas verdadeiramente aconteciam, nada mais lógico do que cuidar desse templo pessoal. Junto com os ensinamentos da medicina ayurvedica o movimento tantrico começa a usar posturas do Yoga e dá origem ao Hatha Yoga. A visão de que o corpo é um identificador de conflitos internos é fruto desse movimento. Para o Yoga, quando por exemplo agimos em dissonância com a consciência, desequilibramos  e o corpo demonstra isso em forma de uma doença. As doenças são por tanto produzidas por nós a partir de conflitos entre o que sabemos que é o certo a ser feito e aquilo que queremos fazer. A saúde torna-se um excelente termômetro se estamos vivendo uma vida de acordo com nossa verdadeira natureza. Não trata-se de cuidados excessivos, pois isso também é fruto de desequilíbrio. Cuidar da saúde é muito mais auto-observação das escolhas que tomar 3 sucos verdes ao dia. Claro que devemos  ponderar casos em que não como a pessoa ter gerado esse tipo de desequilíbrio para gerar doenças graves, e aí entra o fator imponderável da Natureza ou pode-se acreditar em outras coisas. O que podemos comemorar nesse dia mundial da saúde é que o Yoga tem ajudado muita gente a viver uma vida mais saudável. O Yoga ensina exercícios saudáveis e promove a saúde em todos os seus praticantes. Seus exercícios ativam orgãos profundos e ajudam na melhora do funcionamento do corpo como um todo. Yoga é tudo de bom para a saúde. Outro ponto que também podemos comemorar é que o Yoga ensina seus praticantes a estarem mais atentos ao que fazem, especialmente diante de decisões. As decisões corretas conduzem a um corpo saudável e isso o Yoga também pode nos ajudar.     Links do Podcast     Playlist da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição do podcast   Yoga e Saúde #11 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, esta é a serenata de cordas de Tchaikovsky e está começando o 11º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nós vamos falar sobre yoga e saúde. Hoje, dia 7 de abril, é o dia mundial da saúde. Quando você fala para alguém que está fazendo yoga, muitas vezes ela pode falar “ah, também preciso porque não estou muito bem da saúde”. Qual seria a relação do yoga com a saúde? Qual seria a visão que o yoga tem em relação a essa parte importante, uma vez que todo mundo considera o yoga como uma prática que faz bem? Primeiro a gente tem que separar os pontos e saber se de fato faz bem à saúde. Isso é comprovado em intermináveis pesquisas científicas, e uma das coisas que é detectado nas pesquisas, com pessoas que praticam yoga, é que a prática faz com que você diminua o nível de Cortisol. O que seria o cortisol? A gente uma liberação dessa substância para executar as tarefas diárias, pra ter realmente força pra lutar pela vida, a vida de ninguém é fácil, a vida é uma luta, uma força de potências e isso faz com que a gente precise ter energia e o cortisol produz, digamos, essa agressividade. A medida que você tem uma liberação maior que o natural a sua força torna-se maior também, mas é aquela coisa “não há almoço grátis”, sempre que você tira de um lado, você perde do outro, não há como produzir só vantagens. Nesse caso, a liberação de cortisol faz com que pessoa tenha mais disposição nos momentos de luta, mas por outro lado, abaixa o sistema imunológico. O sistema imunológico é responsável por defender o no nosso corpo contra as ações das bactérias, dos vírus, das doenças e das infecções. Então a gente tem um sistema que determina o nosso nível de saúde, se você tem um sistema bem resistente, não é qualquer doença que irá te afetar e, comprovadamente como eu falei, o yoga baixando o cortisol faz com que haja uma melhoria no sistema imunológico, então os yôgins são pessoas mais saudáveis que a média porque a prática auxilia na redução da liberação de cortisol, consequentemente na redução do estresse e por conta disso, um reforço no sistema imunológico, então a pessoa fica menos doente. Mas a gente precisa observar que saúde pela definição da Organização Mundial de Saúde não é apenas você não ter doença, mas viver com uma sensação de bem estar. E mais uma vez a gente a prática trabalhando neste sentido, é óbvio que quando temos tensões relacionadas ao dia-a-dia, que são naturais e fazem parte do dia de qualquer pessoa, ela podem não gerar doenças, podem atrapalhar a nossa vida. A OMS coloca a sensação, o bem estar como parte da saúde e quando você trabalha o relaxamento e aumenta o bem estar, acaba tendo mais saúde na visão da organização. O yoga acaba reforçando a nossa saúde, faz bem, é saudável, e não produz efeitos colaterais como outros exercícios produzem, ele faz bem esse papel de fazer com o que o praticante usufrua da prática por muitos anos. Há determinados esportes e atividades que são limitados a idade, mas o yoga tem como filosofia que o praticante o leve para o resto da vida, como um estilo, que independentemente de onde estiver, o praticante consiga realizar os seus asanas, as suas posturas, uma respiração para acalmar, fazer um relaxamento, meditar e, além disso, usar a filosofia em seu dia-a-dia. Então o yoga tem essa proposta de longevidade, mas não é uma prática apenas para jovens, melhora a nossa saúde (além do cortisol, há a compressão dos órgãos por meio dos asanas que estimula a circulação sanguínea). Então você vê esse outro ponto de melhoria, o yoga vai desfazendo as tensões não só nos órgãos como no corpo todo, a tensão muscular dificulta a circulação sanguínea, ela dificulta a levada de nutrientes para a região, no primeiro momento gera desconforto, dor, é desagradável e a longo prazo pode gerar algum tipo de doença. O yoga pode ser praticado por mais velhos e pelos mais jovens que querem ter um corpo mais saudável. Não é ser obcecado em relação ao próprio corpo, até porque isso é um desequilíbrio, o ponto bom da saúde é quando você não precisa se preocupar com ela, toma decisões coerentes com o que sente e isso não causa danos a sua saúde, à medida que for aparecendo sinais de desequilíbrio   você observa qual é a relação disso com os seus hábitos, mais pra frente a gente vai ver que a gente acaba desenvolvendo no nosso corpo desequilíbrio e, consequentemente, doenças. Mas será que o yoga sempre teve relacionado a saúde? Originalmente não, a saúde acaba sendo uma consequência pelo bem estar, claro que você pode fazer pensado na saúde, as técnicas são maravilhosas, elas tem milhares de benefícios que podem ser usados em aspectos específicos para quem está precisando, não tem como descartar a capacidade de relaxamento que o yoga pode produzir. Mas a proposta do yoga é da revelação do eu, de a gente chegar no que já somos, mas não descobrimos, a busca de uma voz verdadeira que te acompanha, mas que você boicota, é o processo de você trazer a voz e as ações condizentes com essa voz para a sua vida fazendo com que ela se torne plena e melhor. Então, originalmente, a saúde não aparecia nos textos, não há associação ou orientação nos Vedas e Upanishads, tem alguma coisa pra saúde generalizada, o yoga era voltado a espiritualidade, ao equilíbrio mental. Começa-se a associar yoga e saúde a partir de um movimento surgido na Índia a partir do século V d.C., o Tantra. O que é o Tantra? É um conjunto de textos produzidos por sábios e deram origem ao movimento filosófico. Um grupo de pessoas que estavam descontentes com determinados comportamentos da sociedade. Os líderes e sábios que começaram a criar textos próprios e debates para questionar o status quo. Os tântricos questionavam as escrituras que passaram a ser escritas na Índia desde 3500 a.C. com o Rigveda tem um grande valor para o indiano, quem domina a capacidade de interpretar e de reproduzir rituais que as escrituras citam é o brâmane, que é o sacerdote que transmite para as pessoas os mantras e conhecimentos – os tântricos passam a questionar a infalibilidade dos textos, “será que realmente tudo que e gente está vivendo foi dito há 3000 anos?”, eles questionaram e trouxeram para o corpo o valor das coisas. O tantra é esse movimento, não existe movimento tântrico antes, nenhuma escritura relacionada ao tantra antes dos tantras. Esses sábios começam a juntar o conhecimento deles com outras áreas que estava ganhando relevância na Índia naquele momento, havia, pelo menos, dois sistemas que combatiam o sistema de castas. Nas castas você nasce em determinado grupo social e pertence a ele até o fim da vida, hoje este sistema é contra a lei. Os budistas que estavam crescendo na época questionavam o sistema de castas assim como os jayamistas, estes são dois movimentos indianos internos surgidos do hinduísmo e que criam sua própria linha filosófica. O tantra conversava com as outras linhas de pensamento que questionavam o status quo da sociedade, ele assume ideias do budismo e do jayamismo e empresta conceitos que os sábios debatiam. Junto a isso, soma-se ao estudo da medicina ayurvédica que ganhava bastante força. Como os tântricos acreditavam no valor do corpo ele absorvem conceitos e técnicas do ayurveda e começam a observar a saúde de maneira mais plena. Dessa influência (do tantra se juntando ao ayurveda e com o budismo) nasce o Hatha Yoga, que é uma pratica do yoga que trabalha muito a parte dos asanas, todo o foco em auto-observação surge por conta de uma valorização do corpo, o corpo é visto como a biografia humana, se há um desequilíbrio em outras áreas isso se reflete no nosso corpo e há sempre uma relação, que você pode observar, entre as nossas atitudes e as nossas decisões. Esse trabalho de percepção também é voltado para a melhoria da saúde, a medida que você é mais consciente da suas ações, você toma decisões de acordo com as necessidades do seu corpo, não se alimenta de forma desenfreada por exemplo, fica atento ao nível da sua fome. O corpo mostra a dissonância da voz interna, se você apenas a voz do corpo e da mente, acaba ignorando a voz interna, gerando um desequilíbrio. Se você é viciado em um alimento que não te faz bem, com o tempo você vai apresentando um desequilíbrio e o corpo pode desenvolver uma doença. Assim como o medo, em que você enrijece a sua postura, e pode acabar desenvolvendo um trauma para a coluna ou algo mais grave. Para esse entendimento do yoga tudo passa pelo indivíduo, que tem a saúde plena, mas que desequilibra conforme as decisões dissonantes ao eu. O processo da saúde é um bom demonstrativo se você está a caminho dessa voz interna, quando a gente está bem ou feliz é porque a gente está seguindo aquilo que realmente é verdadeiro em nós. Se você seguir a voz dos outros, ou a vontades alheias sem se atentar a voz interna o yoga vai ensinando que esta atitude tem consequências para saúde. A prática dos asanas, assim como dos pranayama, também produz saúde, além da meditação que abaixa o cortisol, aumenta o sistema imunológico e faz com que a gente viva uma vida mais saudável, que é um bom indicativo de uma vida mais plena. Serenata de corda pra Tchaikovisky, dessa música eu não conheço nenhuma história especial, mas é uma música que eu acho bonita. Tchaikovisky teve uma vida muito difícil, ele não gostava de compor balé, mas compôs os balés mais bonitos, vivia em uma época de muita discriminação. Tinha uma grande paixão pela mãe, era homossexual, e a obra dele é uma descrição dessa dor, mas ao mesmo tempo algo puro e belo como uma dança, e essa música expressa muito bem isso, eu vou deixar apenas um movimento aqui, mas vale a pena você ouvir a música inteira. Ele faz movimentos muito parecidos ao de Mozart, algo que você pode ver se ouvir a música inteira. Até a próxima semana. Ohm Namah Shivaya! https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

gloria
Filosofia do Yoga | 26 abr 2021 | Daniel De Nardi

O Perigo da Glória

Como a vida de um historiador romeno influenciou o Yoga Comecei a revirar meus livros para preparar um curso de meditação. Fui atrás de um dos meus escritores favoritos - Mircea Eliade, me encanta sua profundidade, sua intelectualidade e sua história - Eliade, para quem não sabe e está com preguiça de procurar na Wikipédia foi um intelectual romeno especializado em história das religiões, filosofia e Yoga. Sim, ele foi um exímio praticante e um ardente admirador da prática milenar indiana. Aos vinte e poucos anos ele já era aficionado pela cultura indiana e queria conhecê-la in loco, então escreveu para um maharája indiano pedindo um mecenato para estudar sânscrito e hinduísmo o maháraja aceitou e Eliade passou alguns anos estudando por lá. Nesta experiência que conheceu o Yoga. Mas desta vez, foi sua carreira como romancista que me chamou a atenção. Eu pesquisava um livro de entrevistas - A provação do labirinto - que é quase uma biografia e ali Claude-Henri Rocquet o pergunta: - Por onde havemos de começar? Pela glória? new RDStationForms(\'e-book-yamas-e-niyamas-1f965e8db29fe9c4625b-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); - Sim, pela glória, pois me ensinou muito. É agradável, mas não é nada de extraordinário. Apresentei Maitreyi (Noites de Bengali) a um concurso de romances inéditos. Obtive o primeiro prêmio. Tratava-se, simultaneamente, de um romance de amor e de um romance exótico. O livro teve um enorme sucesso, inesperado, que surpreendeu o editor e a mim mesmo. Teve numerosas reedições. E, aos vinte e seis anos, tornei-me, célebre: os jornais falavam de mim, reconheciam-me na rua, etc. É uma experiência que foi muito importante, pois conheci muito jovem o que quer dizer ser glorioso, ser admirado... É agradável, mas não é nada de extraordinário. Então, para o resto da minha vida, deixei de ser tentado por isso. Ora, isso trata-se de uma tentação que penso ser natural a todos os artistas, a todos os escritores: cada autor espera ter um grande sucesso, ser reconhecido e admirado pela massa dos leitores... Eu tive isso bastante jovem, esse sucesso, fiquei bastante feliz, e isso ajudou-me a escrever romances que não eram feitos para o sucesso. Essa citação de Mircea Eliade não nos ensina apenas sobre o sucesso nas artes ou na literatura, mas sobre qualquer tipo de sucesso, e ele é tentador mesmo. E se o profissional não tiver uma cabeça boa como teve Eliade e se viciar no sucesso, seu destino a gente sabe qual é. Dharma e Yoga - a busca do proposito from YogIN App on Vimeo. Mas voltando à literatura, tenho que citar mais uma vez a frase do Pondé que cabe como uma luva aqui \"o caráter de alguém que escreve é medido pela ausência de desejo de agradar a quem lê.\" Digo mais, a preocupação com agradar o público praticamente impede a perpetuação da obra. E pode haver maior glória que essa? A perpetuação de um legado, buscado desde a o tempo que os faraós erguiam pirâmides e que talvez seja o mais nobre objetivo humano. Será que Marcel Proust se tornaria eterno se pensasse no sucesso de Em busca do tempo perdido? E seu contemporâneo James Joyce com Ulisses? A história está cheia desses exemplos e há todos os dias milhares de pessoas caindo na armadilha do sucesso sem levar em conta a sabedoria do tempo. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

meditacao profunda
Podcast de Yoga | 25 abr 2021 | Daniel De Nardi

O que é vivenciado em um estado de meditação profunda – Podcast #12

Reflexões de um YogIN Contemporâneo - episódio 12 Em 1861, o escritor e crítico de arte Baudelaire, ao assistir a estréia de Tannhauser de Richard Wagner em Paris ficou tão fascinado que escreveu um livro para tentar explicar o estado de consciência que tinha vivenciado aquela noite. \"A partir [...] do primeiro concerto, fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares. [...]. Minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado, entrava, sem dúvida, muito do que Weber e Beethoven já me haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu me achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associadas a uma rara delícia. Resolvi me informar do porquê e transformar minha volúpia em conhecimento [...].\" No podcast de hoje, vamos refletir sobre o que seria um estado de meditação profunda e como ele pode ajudar o yogin na expressão da sua verdadeira identidade. Os estados da mente comentados no podcast Links   Trilha Sonora da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo Novo Curso - Refletindo sobre os medos que nos travam Yoga-Sutra - Tradução Carlos Eduardo Barbosa Livro do Baudelaire - Tanhauser em Paris Quora - site de perguntas e respostas de tudo  Minha resposta sobre Meditação no Quora  Curso do Dr. Roberto Simões - Neurofisiologia da Meditação  Transcrição do Podcast   Estado de Meditação Profunda #12   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi essa música é “Tannhauser” uma música de Richard Wagner, está começando o 12º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. No final do século XIX, mais precisamente em 1861, Baudelaire, que era um famoso poeta, já havia escrito livros e peças de teatro, vocês já devem ter ouvido falar dele, o livro mais famoso dele se chama “Flores do Mal”. Ele era um agitador cultural, um dia ele foi a uma casa de ópera, em Paris, para assistir à estreia da ópera de Richard Wagner. Wagner já era uma pessoa muito polemica na época por levar a estrutura da ópera a outro patamar, antes de Wagner a música era essencial e havia uma produção modesta, mas não era algo cinematográfico, Wagner faz o primeiro movimento do cinema (no sentido de superprodução) como entendemos hoje, ele era detalhista e queria que cada detalhe fosse executado com o máximo de perfeição, então ele fez com que várias frentes da arte se encontrassem na ópera (figurino, artes plásticas, dança, artes cênicas), mostrando que a ópera era a única que conseguiria unir todas as artes. O que não é mentira, só tenho apenas um contraponto, se você vai a ópera o enredo precisa ser simplificado porque a música faz parte, assim como nos musicais, tem muito tempo de música, que se repete. Mas tanto os musicais quanto a ópera trazem o que há de humano, uma expressão com a música que é um catalisador de emoções, a história fica simplificada, mas a música amplia a experiência, quem já foi em musicais ou em ópera sabe do que estou falando.   Baudelaire era um artista das artes em geral, e era um crítico de arte, ele entra pra ver a ópera de Wagner e fica muito tocado, entra em um estado diferenciado de consciência, quando sai da ópera, se sente obrigado a defender a obra de Wagner que era bastante atacado na época. Baudelaire escreve para Wagner, que é sempre seco e não dá muita abertura pra ele, eles se encontram e não há uma interação, não há a necessidade de querer contribuir para o livro que Baudelaire escreve a seu respeito, é um livro bem curto chamado “Baudelaire, Richard Wagner e Tannhauser de Paris” e conta a incompreensão que Wagner passou, a dificuldade que ele teve de mostrar que estava mudando a cara da ópera, hoje você pode achar óbvio, mas na época ele recebeu diversas críticas, além de não ser uma pessoa fácil, era megalomaníaco e perfeccionista, mas Baudelaire tenta escrever o livro para reparar esta imagem de Wagner. O interessante é que Wagner tinha muito claro qual era o papel dele, as críticas não tinham relevância porque ele sabia que o que estava construindo era a sua verdade e fazia sentido, havia uma importância histórica para a arte. Baudelaire tenta ser o defensor de Wagner diante da crítica francesa, porém não teve tanta ajuda para tal. E essa posição de Baudelaire surge por querer entender o que de fato sentiu ao assistir a ópera de Wagner, Tannhauser em Paris. Neste livro que eu mencionei, tem uma passagem que ele diz: “A partir do primeiro concerto fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares, minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado entrava sem dúvida muito do que Weber e Beethoven já haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associada a uma rara delícia, resolvi me informar do porquê e transformar a minha volúpia em conhecimento.” Baudelaire queria explicar a sensação, o que ele havia vivenciado, então, ele faz por meio da sua habilidade: a crítica de arte. Além de escrever peças de teatro e livros, ele também era um crítico de arte, ele une o entendimento pessoal ao intelectual. Daí tem que ler o livro para saber se ele teve êxito em seu intento ou não. A nossa ideia hoje aqui é tentar entender o estado de meditação a partir do que temos de experiência e de literatura relacionada a meditação.  Literatura sobre meditação é praticamente infinita nos dias de hoje, especialmente a partir do momento em que “Mindfullness” ganhou notoriedade porque, até então, a meditação era assunto de uma pesquisa ou outra, porém não havia um sistema acadêmico, científico, com uma proposta (eles chamam de protocolo – quando existe um sistema de pesquisa envolvendo o alvo do estudo, no caso, a meditação), quando o Mindfullness foi registrado como um método, as pesquisas cientificas sobre a meditação cresceram muito, pois se havia uma campo amplo de pesquisa. Mas a meditação vai além, pois tem pontos que a ciência atualmente não consegue tocar e, ai você pode acreditar nisso ou não, muito disso está ligado a questão da consciência. A ciência, academicamente, não reconhece a consciência humana como algo existente, porque há um pressuposto que o objeto e estudo precisa ser medido, palpável. Então, a voz da consciência é fácil ser negada, porém você não pode negar que ela está internamente, pode ser uma criação mental, a gente pode trabalhar com essa hipótese, os cientista tentam provar que a consciência nada mais é que uma maneira sofisticada de a gente justificar as nossas decisões, que não existe e que tudo é puramente físico. Particularmente eu não concordo com esta afirmação, acredito que de fato exista essa consciência que o Sankhya chama de Púrusha e que Patanjali vai expressar muito como aquele que vê. O que nós vamos fazer é tentar entender um pouquinho – não vamos nos aprofundar totalmente no assunto – o que seria o estado que Baudelaire entrou, um estado que não precisa ser gerado a partir de um exercício de meditação, o estado em si pode ser gerado a partir de qualquer tipo de repetição, a partir de qualquer exercício que te faça concentrar com o máximo de atenção durante um bom tempo, claro que a meditação tem essa proposta e isso contribui muito; é a mesma coisa – por exemplo – você pode emagrecer caminhando durante o dia ao invés de usar tanto o transporte, mas é mais fácil se tiver um exercício focado para o emagrecimento, como uma corrida de 30 ou 40 minutos, isto teria um efeito maior. E é o mesmo caso, você pode entrar num estado diferenciado de consciência, um estado meditativo em qualquer atividade, inclusive ouvindo esse podcast (embora aqui tenha um pouco mais de agitação mental), algo que prenda a sua atenção fixamente. Isso pode te levar a um estado diferenciado, de meditação e independe se é yoga, se é tai chi, se é olhar e admirar um quadro, não importa, o que importa é que você estabilizou a sua mente e agora a gente vai entender o processo que acontece e como o yoga se enquadra dentro desse processo. Essa minha análise começou com uma resposta que eu dei em um site chamado “Quora”, um site de perguntas e respostas, há uma votação e a melhor resposta é votada e fica em destaque. Mais ou menos como funciona no Yahoo, mas é uma comunidade e tem muitos expert, eu já fiz perguntas sobre a NASA, por exemplo, e quem me respondeu foi um engenheiro da SpaceX, que é uma empresa grande de engenharia espacial. Você faz perguntas e solicita para que os eventuais especialistas da área respondam, geralmente eu respondo as perguntas do no site para treinar o meu inglês, que não é muito bom, mas faço como um exercício e contribuo com a área de yoga e meditação que é o que eu sei e que estudei. E lá tinha uma pergunta mais ou menos assim: “O que seria ou o que se vivenciaria num estado de meditação profunda?”. Pra gente entender meditação, essa questão do vedor e da consciência, a gente precisa ir ao texto mais clássico do yoga que pé o Yoga Sutra. Eu cito recorrentemente ele aqui, sempre deixo um PDF de uma tradução que eu gosto muito, a do Carlos Eduardo Barbosa, um estudioso de sânscrito e de cultura hindu, e ele traduz do original do devanagari, ele domina o sânscrito e o devanagari, a leitura do yoga sutra dele é muito coerente porque o sutra é chamado de aforismo, mas o aforismo é uma frase que se resolve por ela mesma, é uma sentença de verdade que não tem muito o que negar, por exemplo: a agressão a outros seres humanos não faz bem à sociedade. É um aforismo, não tem como negar, a agressão é um ponto desnecessário, é um caso extremo e não faz bem à sociedade como um todo. Agora o sutra não é um livro de frases, inclusive o próprio termo sutra significa cordão, o sistema de sutras é de ligação, um sutra é continuidade do anterior, tanto que a sugestão é lê-lo de uma só vez, a estrutura do yoga sutra precisa ter uma coerência, não é simplesmente uma tradução você entender a palavra, se não há coerência, não é uma tradução boa. A tradução do Carlos é compreensível e o importante é que ele faz comentários nos sutras mais relevantes, chamando a atenção para o que for mais importante. Eu vou deixar o PDF, quem quiser baixar e ler, acho que vale bastante a pena, vou ler os primeiros sutras traduzidos pelo Carlos, lembrando que o yoga sutra é o primeiro livro a ser escrito sobre o yoga, a primeira frase diz: “Eis os postulados mais elevados do yoga” Eu não vou ampliar a explicação, mas esse “atha” (atha yoga shasana) é um tipo de recurso que era usado na época em que o yoga sutra foi criado, nesta época começou a haver uma série de compilações de vários outros textos, então os sábios se reuniam para compilar os textos de acordo com o assunto a ser tratado (por exemplo na área jurídica, na literatura ou no yoga). Patanjali acaba determinando quais textos seriam de maior valor e elevação para a compilação do yoga (Atha Yoga Shasana). A segunda frase é a famosa “yoga chita vritti nirodha”, que diz “yoga é a redução da atividade mental”. Vamos voltar ao yoga sutra para entendê-lo melhor, Patanjali começa dizendo o que é o mais importante do yoga “Atha yoga shasana” (Eis os postulados mais elevados), na primeira frase ele fala “quer chegar ao estado de yoga, quer entender o yoga, quer saber sobre o yoga, então diminua a atividade da sua mente”. E para que isso? Porque “aquele que vê, o percebedor, se manifesta na sua natureza mais autentica”. Esses três sutras já explicam o que é o yoga e o que é a meditação. A meditação é um processo pelo qual você consegue diminuir a agitação mental para trazer a voz da consciência, para trazer esse vedor, trazer a real natureza dele, a natureza mais autêntica. Esse é o processo elo qual o yôgin deve buscar, então a meditação é muito diferente de você estar num estado e de repente “bum!” – e isso muita gente busca como algo totalmente transcendental –, “entrei no estado de samâdhi, resolvi todas as equações da vida, descobri o mundo, tive um momento de êxtase, de luz, de felicidade, de plenitude, agora eu sou sábio”. Este tipo de pensamento é tão ingênuo e infantil, se você parar para analisar isso não faz sentido com a proposta do yoga e com o que Patanjali e os demais falam. Quando você diminui a atividade da mente você não vai ter uma revelação do universo, você chegar num momento para que informações internas e pessoais suas sejam reveladas, para que a sua verdade venha à tona a sua verdade não a dos outros, o que for sucesso pra você, não para o outro. Estas verdades surgem no processo da meditação. Quando a gente pensa nos estados da mente (você já deve ter ouvido falar em alfa, beta, teta, delta...é interessante a gente entender porque faz sentido dentro da proposta de meditação de Patanjali), a ciência classifica a mente em três estados segundo os níveis de hertz detectados, atividades do pensamento. O Estado Beta: 14 a 21 ciclos por segundo, esse é o estado de vigília e de autopercepção dos sentidos, é um estado em que a gente está muito alerta, pensa no estresse, que é o oposto do estado meditativo porque é um estado em que você tem o máximo de atividade da mente, muita percepção dos sentidos, uma percepção mais aguçada pode te defender de uma ameaça, então o corpo se coloca em estado de defesa, de sobrevivência, o oposto de você ouvir a sua voz interna, a sua voz da consciência (aí entra um ponto que é, nesse patamar  não existe certo ou errado, o estado é o que depende do momento, se você ficar no estado de tranquilidade você não vai conseguir viver em sociedade, assim como um estado de excitação e de euforia traz um cansaço mental, ansiedade, depressão, você impede que haja um fluxo mental tranquilo e que os pensamentos se tornem profundos); o Estado Alfa: de 7 a 14 ciclos por segundo, aqui se começa um outro estado de consciência, há espaço para a informação pessoal de cada indivíduo (vamos pensar nessa onda como o mar, quando está agitado você não consegue ver nada, não há percepção das coisas, no estado alfa existe um movimento mais suave e um espaço para que as ideias surjam tranquilamente); o Estado Teta: de 4 a 7 ciclos, um estado de relaxamento total e meditação, nesse estado vem a informação de forma verdadeira (já deve ter acontecido com você antes de dormir ter alguma ideia verdadeira e profunda e não conseguir resgatá-la depois, ali você estava em estado de Teta, quase entrando e Delta, há a liberação de um espaço na mente para que este tipo de informação apareça); o Estado Delta: de 0 a 4 ciclos, que é o sono profundo e que não há mais consciência do que está acontecendo. No dia a dia não tem como informações profundas virem, a gente está preso a informações imediatas, do ambiente, a meditação possibilita justamente um estado próximo a “quase dormindo”, em que as ondas mentais estão com menor frequência e, e segundo o sutra, o yoga é a diminuição do estado mental e faz sentido com a análise que a ciência tem sobre as frequências mentais. O que você deve buscar e perceber num estado de meditação profunda não é a resolução do mundo, nem um “orgasmo transcendental”, é um percepção própria que o ajudará a encontrar a sua própria verdade. Como Patanjali falou “aquele vê se manifesta na sua natureza mais autêntica”, pense nisso, realize a sua meditação pensando em um autoaprendizado, um autoestudo, não pensando em se tornar um mestre iluminado que levará a verdade ao mundo, pense na sua própria verdade, o que na sua vida te faz expressar o que há de melhor em você, quando você copia alguém não existe verdade, e a meditação nos possibilita isso. Essa é a proposta que, no meu ponto de vista, que é mais coerente com a meditação exposta por Patanjali, do que algo transcendental que é vendido por pessoas “iluminadas”. Iluminado pra mim é aquela pessoa que acorda de manhã feliz com a vida que tem, sabe as adversidades, mas vive o que é verdadeiro. Essa pessoa que vai manter um estado, que vai ter quedas e ascensões, mas que a constância é algo que tem verdade, com sentido, que o faz acordar de manhã, cuidar da sua família e criar um mundo melhor, um entorno melhor. Uma ótima semana, no vemos no próximo podcast.

Podcast de Yoga | 24 abr 2021 | Daniel De Nardi

A Preparação – Podcast #09

Reflexões de um YogIN Contemporâneo Podcast #09 Este episódio é parte do conteúdo do novo curso do YogIN App  - o curso trata sobre o tema do medo, analisando-o segundo escrituras antigas da Índia com a Katha Upanishad e o Mahabharata. O objetivo de abrir essa reflexão é pensarmos o quanto o medo nos paralisa e impede que expressemos nossa real Natureza. Patañjali já havia observado isso, e não à toa coloca dois tipos de medos como impedimentos da expressão da nossa verdadeira identidade. Dvesha = aversão (medo gerado por uma experiência dolorosa) Abhinivesha = apego à vida ou medo da morte. Os medos são importantes, eles nos protegem de ameaças, mas inegavelmente também dificultam muitas das nossas atitudes. Nesse podcast, eu trouxe o exemplo de uma etapa muito importante no processo de despertar mais ousadia que é A Prepração. Dois aventureiros profissionais, tentaram ao mesmo tempo conquistar o Polo Norte em 1911, um deles chegou um mês antes e com toda a equipe em boa saúde. O outro, apesar de ter as tecnologias de ponta e mais recursos, viu a Bandeira do outro país cravada no ponto dos 90º.   Links do episódio: Curso online - Refletindo sobre os Medos que nos travam - Dvesha e Abhinivesha Página de cursos do YogIN App Curso Yoga, Aprendizado e Liberdade Livro Vencedoras por Opção de Jim Collins Audiobook do livro Great By Choice (inglês) Palestra Jim Collins (inglês) Audiobook Bhagavad Gita (inglês) Ideograma dos Vencedores por Opção Trilha Sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Bastidores da preparação do Curso   Transcrição desse episódio   A Preparação #9 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e está começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje também nós tem uma música muito especial, Rhapsody in Blue, que ao final vai ser tocada aqui. O episódio de hoje vai falar sobre preparação, a preparação para um grande desafio, a preparação pra gente vencer um obstáculo. Isso pode parecer um pouco clichê a priori, mas eu vou trazer um exemplo muito bom aqui que a gente vai conseguir comparar o quanto uma preparação pode ser boa ou não. Esse podcast está sendo gravado hoje, porque estou no meio da produção de um novo curso que vai tratar sobre Abhinivesha. Abhinivesha é uma das principais dificuldades que nós temos, segundo Patanjali, pra encontrar a nossa real identidade. E o Abhinivesha é o apego demasiado a vida ou o medo da morte, e esse medo acaba se derivando em múltiplos medos, então a ideia desse curso é trazer reflexões, referências de textos indianos, então eu estou pesquisando. A base toda desse curso é a carta Upanishad, que é um texto antigo que trata reflexões sobre os medos do ser humano, então isso está inserido no curso, junto com técnicas, com a minha experiência pessoal, está ficando um curso muito bacana. Recomendo muito para quem está gostando do podcast que estou produzindo aqui, dê uma olhada na nossa página de cursos. Eu vou deixar o link aqui na descrição, então você pode ver a descrição completa, ali vai ter o link para essa página de cursos e quem está gostando mesmo dos podcasts eu recomendo porque vai gostar dos cursos. O podcast a gente faz aqui uma reflexão aqui sobre alguns temas, uma reflexão de quinze, vinte minutos, ás vezes, meia hora e o curso consegue desenvolver melhor, elaborar melhor esses temas, tem todas as referências que você consegue ver, tem as descrições, os links e tem um acompanhamento, depois, em grupos on line. Esse curso já está disponível, quem quiser já por ir lá dar uma olhada, as duas primeiras aulas são abertas, mais esse podcast, e ele vai sendo disponibilizado aos poucos agora, mas está muito interessante, e eu acredito mesmo que essa reflexão vai produzir em você uma vontade maior de realização, um ímpeto maior. Tentar vencer barreiras que a gente tem e que são fundamentadas em aspectos psicológicos, aspectos que precisam ser trabalhados com auto-observação e com reflexão, então, a ideia dele é trazer essa reflexão para os medos que nos impedem de ser nós mesmos, os medos que nos travam, os medos que não nos deixam a vontade na vida. Como eu falei, eu consegui um exemplo nítido desta questão da preparação, o curso ele acaba sendo mais amplo do que isto, mas esse aspecto da preparação é parte dessa reflexão que eu vou trazer no curso. Bom, quando você pesquisa em biografias você sempre vê que há um esforço grande, o personagem principal passa por um processo de sacrifício mesmo para conquistar aqueles objetivos, mas é muito difícil a gente mensurar o quão realmente a pessoa se esforçou o quanto aquele esforço produziu aquele resultado ou não, porque você nunca tem um ponto de comparação, então você vai estudar, por exemplo um livro que ficou famoso recentemente, a história do André Agassi, daí você vê todo o esforço dele, mas você não tem exatamente alguém com o mesmo objetivo ao mesmo tempo, com condições, até que no esporte você consegue fazer essas comparações, mas são difíceis até porque, no caso do Agassi,  são várias  gerações que ele passou de jogadores, então até isso é difícil você comparar o quanto a preparação influenciou de fato os resultados ele conseguiu. Mas eu consegui um exemplo de um livro do Jim Collins, que é um pesquisador, ele faz pesquisas sobre empresas que são bem sucedidas e empresas que não são bem sucedidas. E, neste caso, no último livro dele, ele está estudando líderes e empresas que passaram por desafios muito grandes. Ele compara sempre com grandes aventuras, com expedições. O Jim Collins tem esse background que é de aventura, de analisar o quanto o esforço, a preparação, o método fez com que a expedição desse certo ou não. E nesse livro ele traz a história de dois aventureiros, esse processo de busca por aventuras era feito de maneira profissional, a ciência ia na frente, primeiro houve-se uma busca pelo Polo Norte e, conquistado, houve-se um esforço pra chegar ao Polo Sul, não era só chegar a Antártica, mas chegar no Polo sul exatamente onde você tem o centro do mundo, então essa começou a ser a grande busca, em termos de aventura, no final do século XIX ao início do século XX. E o interessante desse exemplo é que nós temos duas pessoas com o mesmo objetivo e na mesma época e com idades próximas, você consegue comparar precisamente quais foram os resultados das expedições de um e de outro, então esses dois personagens são a Roald Amundsen e Robert Scott que era um inglês. O Robert Scott contava com toda a tecnologia de ponto porque ele era inglês e a Inglaterra tinha muito interesse nessa época em expedições, então ela colocava muito recursos nestes projetos, era muito incentivado pela coroa britânica essas expedições. Por outro lado, o Amundsen dependia basicamente dos esforços dele, ele não tinha nenhum governo patrocinado ele como o Scott tinha e os seus recursos dele eram limitados. Para começar a explicar sobre os resultados que eles tiveram, o Jim Collins neste livro, Vencedoras por opção, ele começa a falar sobre um conceito que ele chama de “Marcha da vinte milhas”, que significa você estabelecer algo que você realmente consegue fazer e repetir. Então ele dá esse exemplo porque ele fala que isso é muito presente nos líderes que conseguem mais resultados, que é você manter uma consistência de ação e não “quando tá bom você faz muito, quando está mal você faz quase nada”, mas conseguir uma consistência independentemente do ambiente em que você se encontra, então quando você pode mais você não vai porque você se preserva. Eu vivenciei muito isso quando eu treinei triathlon para o Ironman, porque o grande ponto de treinamento pra um triathlon – eu já treinei corrida apenas, mas não acontece isso porque você treina quatro vezes por semana, consegue fazer muitos esforço na maioria dos treinos chegando ao seu limite – não pode estar constantemente trabalhando no seu limite, porque sempre tem um treino no dia seguinte de uma modalidade diferente, então você precisa se preservar. Então é muito mais importante você manter uma consistência de treino e não levar no limite pra que você não ter a queda depois, ficar lesionado ou ter overtraining, que é quando você fica desgastado demais. Esse ponto da consistência da caminhada, que são as vinte milhas, é essencial para grandes conquistas e o Jim Collins fala disso, sobre a importância da consistência, ele fala, inclusive, que a marca da mediocridade é a inconsistência crônica, é o exemplo básico do regime da segunda-feira, mas a gente pode observar isso em diferentes pontos da nossa vida. Você tem muito esforço, mas você não consegue resultado porque você colocou muito esforço, e para. Então precisa ter, para fazer uma construção grande, uma consistência de trabalho, uma repetição daquilo você criar habilidades físicas ou mentais ou emocionais, para isto é necessário repetição, consistência. No exemplo desses dois navegadores, quando eles chegaram na Antártida, o Amundsen, que acabou chegando primeiro, ele sempre mantinha vinte milhas, de quinze a vinte milhas, porque ele sabia que se ele levasse a equipe dele ao esgotamento e naquele momento em que eles estivessem esgotados acontecesse uma tempestade de neve, poderia fazer com que a expedição acabasse. Já o Scott teve um momento muito bom inicial, andou muito e depois não conseguiu, ficou cansado e pegou uma tempestade.  A consistência ela não é só você se esforçar nos momentos difíceis, mas é você não ir a mais também nos momentos em que as coisas estão fáceis. E voltando ao exemplo de treinamento de triathlon, aí você pode observar para a meditação, para o treinamento de asana, qualquer tipo de treinamento, você pode dizer “ah hoje eu tô muito bem, vou fazer muito, muito”, mas daí no dia seguinte você tem queda de performance, então é melhor você manter consistente e ir repetindo, ganhando corpo e aumentando progressivamente. O que constrói realmente as coisas são essas marchas das vinte milhas e é essencial que a gente se pergunte “quais são as minhas vinte milhas?”, “O que eu estou fazendo consistentemente na minha vida para produzir a transformação que eu quero?”, “Então o que eu venho reproduzindo regularmente?”. Isso é de fato o que vai construir o que você quer, e está ligado uma outra pergunta que é: “Se eu morrer, se eu desaparecer quem é que vai sentir falta do que eu faço, ou de mim? E por que essas pessoas vão sentir falta?”. Esta pergunta está ligado ao que o hinduísmo chama de Dharma, que é a sua própria vivência essencial, o que você tem que fazer que vai te gerar a satisfação. O sânscrito tem uma palavra chamada shraddha, que pode se traduzir por fé, mas essencialmente é aquilo que você tem certeza que quando você faz você está certo, então a própria Bhagavad-Gita tem uma passagem que diz que você é o seu shraddha, porque no fundo você é aquilo que você faz e que você tem certeza, é esse encontro da certeza que vai fazer com que você consiga manter consistente as suas vinte milhas. Se você não encontrar o seu shraddha você não vai conseguir manter consistentemente algo para impressionar os outros, é impossível isso, você só consegue manter algo consistente quando aquilo é realmente seu. No meu outro curso de aprendizado, tem uma passagem que eu falo que a disciplina tem muito mais a ver com uma boa escolha do que com “ah eu sou o Super-Homem que me supero e venço todos os obstáculos”, não, a disciplina tem muito mais a ver com “isto realmente é meu, eu sou isso”, então eu vou repetindo isso até construir aquilo que eu acredito, vai passar por dificuldades, vai passar por transformações, mas como Jim Collins falou a marca da mediocridade é  você realmente não querer expressar algo seu, ficar na média, seguir só os seus condicionamentos, seguir o que todo mundo faz, fazer várias coisas, não ter consistência na construção. Ele começa a falar também sobre a criatividade, que também é essencial nesse processo. Só a disciplina não adianta – isso eu também eu abranjo no curso sobre aprendizado – a disciplina sem aprendizado não faz sentido, ela só faz sentido quando é a repetição vinda como aprimoramento, este aprimoramento tem a ver com criatividade e então ele cita um tipo de criatividade que é a empírica, que fez diferença no caso do Amundsen e do Scott. A criatividade empírica é quando você faz testes com coisas que já existem, e então você faz uma grande inovação, uma grande disruptura, e não tenta fazer uma disruptura sem nenhuma base. O exemplo do Amundsen e do Scott, o primeiro valorizava o que já tinha sido descoberto e o que existia de conhecimento em relação a viver e se deslocar no frio, ele foi para o Alasca, viveu com os esquimós e, durante este tempo, ele aprendeu muitas coisas e começou a ver o que de fato funcionava. Ele observou por exemplo, que os esquimós de deslocam sempre devagar, porque a pior coisa que pode acontecer no frio é transpirar e quando isso acontece o suor congela dentro da roupa e você tem o pior cenário, o gelo diretamente na sua pele. Naquela época eles não tinham equipamentos, estamos falando de 1890 por aí. Ele descobriu, por exemplo, que eles usavam cães para se deslocar no frio, porque cães trabalham em grupo, tem habilidades de deslocamento rápido e a outra vantagem é que, se acabar a comida – infelizmente, mas em caso de vida e morte –, eles se alimentam uns dos outros, algo diferente do que o Scott acabou adotando. O Amundsen observou tudo isso, fez esta experiência e levou para Antártica o que ele tinha aprendido, então ele teve uma criatividade empírica, acrescentou algumas melhorais ao que já existia. Já o Scott quis fazer uma disruptura total, ele criou o trenó a motor que congelou assim que chegou na Antártica e não funcionou. A segunda opção, como ele não havia feito uma preparação assim como o Amundsen, foi tentar se locomover com pôneis, porém, eles não comem carne (cavalo é um animal vegetariano) e as patas dos equinos congelavam, Scott acabou perdendo todos os pôneis e teve de seguir caminhando. Enquanto o Amundsen tinha cães puxando trenó, algo mais organizado e eficaz. Você já começa a observar as diferenças de preparação que fizeram diferença no resultado: o Amundsen chegou trinta dias antes ao Polo Sul, foi a primeira pessoa a chegar no centro da Antártica e retornou com toda a equipe viva; já a equipe de Scott, além de ter chegado trinta dias depois, faleceu em seu retorno, tentando voltar para o barco. Então eu vou deixar um link de uma palestra que eu encontrei disponível para download no Vimeo e que eu acabei colocando no meu canal. É uma palestra do Jim Collins sobre o livro, quem quiser assistir, infelizmente é em inglês a palestra, não sei se tem tradução, mas é bem simples, o inglês não é sofisticado, mesmo quem não é bom no inglês consegue entender, ainda mais com as referências do podcast. Uma sugestão de estudo para quem quiser se aprofundar, assim como o livro, eu vou deixar o link para quem quiser comprar. Como eu já disse eu prefiro ouvir, pra mim é muito mais rápido, você consegue otimizar o seu tempo, eu sei que esse livro tem na audible, tem disponível em audiobook em inglês, ainda não tem em português, mas é um livro que vale a pena ler. A Bhagavad-Gita fala que devemos ter um propósito muito claro, você precisa seguir o seu proposito que tenha sentido e clareza pra você, só então você consegue construir algo seu, pessoal, sem seguir tendências ou vozes e opiniões. Para isto, você precisa passar por um processo de trazer o seu melhor a tona, o que não é simples, mas o yoga como um todo tem esse intuito, trazer o que há de melhor na pessoa através de diferentes técnicas e, o que estamos fazendo aqui, reflexões, debates, pensar sobre, e não acreditar que o normal é a vida seguir algo que foi determinado. Pode ser que você realmente esteja num bom caminho e que você esteja conectado com a sua voz interior, mas pode ser que haja momentos de desconexão ou coisas que você pode aprimorar ou que você sabe que pode ser melhor. Então, para isso, a prática do yoga e essas reflexões são bem construtivas e produtivas, e o livro fica como contribuição no sentido de dar um reforço para essas perguntas que muitas vezes nos incomodam: “o que eu tô fazendo consistentemente pra construir algo que eu quero”, “o que eu tô fazendo consistentemente que tenha a ver com o meu ideal de vida, como o meu Dharma?”. O Jim Collins faz um triângulo para explicar isso, a gente falou sobre criatividade empírica, que é você fazer os pequenos testes, ele faz uma comparação com tiros de revólver e balas de canhão, que é você dar tiros primeiro par testar, no caso do Amundsen ele foi lá, fez os testes, viu o que dava e o que não dava e, depois, você faz realmente o tiro de canhão, você vai para o objetivo maior, que foi quando ele partiu para a Antártica. Já o Scott lançou a bala de canhão, o seu primeiro plano já era algo inovador e disruptível, o trenó a motor que nunca tinha sido testado. Chegou lá, já deu uma bala de canhão, não funcionou, o trenó congelou, segunda bala de canhão que ele tinha, os pôneis, não funcionou, daí ele teve de dar tiro com o 38/32 dele que foi caminhando. A distância que eles tinham que percorrer era de 2200 km, 2200 km é você ir de Porto Alegre a São Paulo e voltar, esta era a distância que eles tinham de percorrer com temperaturas de menos de 38°C, situações extremamente adversas e os dois na mesma época e com o mesmo objetivo, então por isso que esta pesquisa é interessante, porque ela dá um grau de comparação muito preciso. Então ele fala desses três pontos do triangulo, a criatividade (tiros de revolver, balas de canhão), depois da paranoia produtiva (você manter a constância das 20 milhas independente das situações – no período da bonança e da dificuldade, porque o que faz a diferença é quando as coisas não vão bem – isto tem a ver com a constância na produção) e, por fim, ele fala de uma fanática disciplina. Mas fanatismo de disciplina é basicamente você seguir a sua voz e repetir o que você acredita, isso é você ser disciplinado e ele coloca esta palavra, fanática, mas com uma ênfase que é uma disciplina de quem quer realmente conquistar uma coisa que é importante pra si. Para ter esta constância você precisa estar alinhado com o seu Dharma, você precisa estar ouvindo o que realmente a contribuição que você pode dar ao mundo, se você não está conectado com isso, você não consegue esta consistência, por último, ele fala desta disciplina fanática e começa a mostrar a preparação do Amundsen e do Robert Scott. Quando o Amundsen foi fazer a tese de mestrado dele, ele tinha de fazer uma expedição a vela na Espanha, e ele morava na Noruega, então ele foi de bicicleta de um país a outro (eram 3000 km de distância), ele não era um ciclista regular, mas tinha um intuito de navegação. Tanto o Scott quanto o Amundsen participaram de expedições para a Antártica (uma coisa é você ir até a Antártica, outra coisa é você chegar até o meio da Antártica, são duas coisas bem diferentes), ele já havia ido, sabia que era difícil e começou a preparação desde muito jovem. Logo em seguida ele começou a tentar comer carne de golfinho pra ver como o corpo dele responderia se tivesse apenas uma fonte de energia. Por que se você vai ser forte só na hora que você precisa, talvez você não tenha a força necessária, você precisa ser forte quando você não precisa. Então, as vinte milhas não são apenas quando o tempo estiver bonito e ensolarado, mas quando o estiver ruim e nublado também, essa repetição que produz a construção, que produz o que a gente precisa para vencer o desafio. A filosofia do Amundsen era a seguinte: “Não se espera até estar no meio de uma tempestade imprevista para se descobrir que é preciso ter mais força e resistência, ninguém espera até acontecer um naufrágio para ver se consegue comer carne crua de golfinho, não se espera até estar numa expedição rumo à Antártida para se tornar um excelente esquiador e adestrador de cães, a pessoa se prepara com intensidade o tempo inteiro, para que quando as circunstancias estiverem contra ela, consiga se abastecer em um reservatório de energia bem fundo, da mesma forma nós nos preparamos de modo que quando as circunstâncias estiverem ao nosso favor podemos realizar grandes feitos.” Lembra das vinte mil milhas que o Amundsen dizia: “eu não posso expor o meu grupo a um desgaste muito grande num momento bom porque depois, quando vier um tempo ruim, a gente pode se prejudicar e até morrer”. Por outro lado, quando você já está conseguindo manter as coisas num momento ruim, quando surge um momento bom é que você faz a grande construção. É aquela velha história, que os grandes se preparam na crise, mas essa preparação precisa ser constante, você tem que repetir as vinte milhas para fazer uma grande conquista. Na expedição, os dois levaram bandeiras pra sinalizar, mas o Amundsen tinha uma preocupação que alguma coisa poderia dar errado, então ele ficava atento ao que poderia acontecer, isso o mantinha mais protegido. O Scott contava com toda uma tecnologia de ponta, era um cara mais relaxado, não tinha tanta atenção, e isso foi observado no plano da expedição. Por exemplo, as bandeiras, o Scott colocou uma bandeira quando saiu e depois só no posto de abastecimento, já o Amundsen colocava bandeira e sinalização a cada um quilometro, depois ele criou um raio de dez quilômetros de sinalização em volta dos pontos de abastecimento para se caso se perdessem em uma tempestade eles conseguissem voltar. Quando eles planejaram a viagem eles tinham um ideia de quanto de alimentos eles precisariam, o Amundsen levou três toneladas para uma equipe de cinco pessoas, o Scott uma tonelada para dezessete pessoas. Então você começa a ver a importância da preparação e qual foi o resultado. O Scott levou um termômetro para a viagem, que congelou e estourou, e quando você não tem termômetro num lugar desses você é perigoso porque você precisa planejar a caminhada de acordo com relação a melhor hora do dia de a temperatura, então ele ficou extremamente irritado com a situação, enquanto o Amundsen levou quatro termômetros. Então, você pode pensar, “mas um cara teve azar e o outro teve sorte”, o autor fez uma análise em relação ao tempo, e ele foi muito similar no caso de ambos, e isso ele extrapola essa visão de sorte e azar, mostrando que esses fatores (sorte e azar) não depende de você e que muda completamente cenário, seja para o bem ou seja para o mal. Então isso ele conta como um momento de má sorte e isso acontece dentro das empresas, e com os líderes, o ponto é o quanto você estava preparado para aquilo, que é o que a gente viu que no final faz a grande diferença. Voltando ao livro, ele mostra o quanto Scott reclamava da sorte e o Amundsen não tocava no assunto. Scott falava: “nossa sorte em relação ao tempo é ridícula” em outro registro disse: “isso é muito mais que a nossa cota de azar, quão imenso pode ser o elemento sorte”. O fato é que em 5 de dezembro de 1911, sob o sol claro que brilhava sobre a vasta planície branca, com um ligeiro vento cruzado e uma temperatura de aproximadamente -10°C, Amundsen chegou ao Polo Sul, com sua equipe, fincou a bandeira da Noruega e se desfraldou com um forte assobio e dedicou o platô ao rei do seu país, em seguida, todos recomeçaram o trabalho, ergueram uma tenda e nela amarraram uma carta ao rei norueguês na qual relataram o sucesso da missão. Amundsen, endereçou o envelope ao capitão Scott, presumindo que ele seria o próximo a chegar ao Polo, como medida de segurança, caso a sua equipe sofresse alguma adversidade e perecesse na viagem de volta. Ele não tinha como saber que Scott e sua equipe estavam puxando os seus trenós nos braços, a mais de 500 quilômetros atrás deles. Mais de um mês depois, às 18h30, em 17 de janeiro de 1912 Scott de se viu diante da bandeira da Noruega, afincada por Amundsen, no Polo Sul “tivemos um dia terrível” ele diz. Escreveu em seu diário “para a nossa decepção, um vento de 4 para 5 com uma temperatura de -35°C. Meu Deus, este lugar é medonho, é terrível demais para o trabalho que tivemos para alcança-lo, sem sermos premiados com a honra de chegar primeiro”. Naquele mesmo dia, Amundsen já havia percorrido quase 800 km na direção norte quando atingiu o seu depósito de suprimentos aos 82 graus, faltavam apenas oito dias mais fáceis da caminhada até o final da viagem. Scott, deu meia volta e também seguiu para o norte, percorreu mais mil quilômetros com a equipe puxando trenos a pé, justamente na mudança de estação o tempo piorou com ventos cada vez mais forte e temperaturas cada vez mais baixas e enquanto os suprimentos minguavam e os homens lutavam em meio a neve.  Amundsen e sua equipe, chegaram a base em boas condições em 25 de janeiro, a data exata que ele havia anotado em seu plano. Sem suprimentos, Scott desistiu em meados de março, exausto e deprimido, oito meses mais tarde um grupo de reconhecimentos britânicos encontrou o corpo de Scott e dois dos companheiro em uma barraca pequena e frágil coberta de neve a apenas quinze quilômetros do seu depósito de suprimento. Essa é uma prova, uma demonstração da importância de passar pelo processo, pela dificuldade e estar preparado para quando a dificuldades, as adversidades aparecerem. Quando a gente quer enfrentar um grande desafio, a gente precisa de uma grande preparação e aqui a gente teve um exemplo máximo disso, que é uma preparação extrema para um caso de vida ou morte, um ambiente em que o homem nunca tinha pisado. Então ali eles colocaram todas as forças, toda a tecnologia, passaram pelos maiores sofrimentos, a gente não precisa passar por tudo isso, mas você tem que saber que algum tipo de incomodo, de dor, de frustração precisa acontecer para que você consiga construir algo diferente, se não, você se acomoda e aceita a vida como ela é, isso não é uma opção ruim, ela só não é uma opção que o yôgin que busca a sua real identidade vai seguir, porque ele está buscando externalizar o que ele tem de melhor, a sua voz real, e contribuir com o seu Dharma no mundo, fazer a sua marca, a sua contribuição no mundo. Então o podcast fica por aqui, vou deixar vocês com uma música que é de um compositor que eu mencionei no podcast passado como um dos principais compositores do século XX, George Gershwin. Gershwin compunha muita música jazzista, eu não sou uma pessoa muito do jazz, tenho tentado ouvir um pouco mais. O que eu tento fazer com vocês, evangelizando com música clássica, eu tenho recebido esse impacto do Damien Chazelle, do La la Land, e escutado mais jazz, mas não é um tipo de música que geralmente ouço, embora o Gershwin me agrada, ele mistura música clássica com jazz. O interessante desta música é que ela tem muito a ver com o assunto que a gente falou hoje, no primeiro momento ela é difícil, chata e turbulenta, as coisas não fazem sentido, não cria melodia, fica tudo confuso, te incomoda e você desiste, mas quando chega em torno de 11 minutos, todos esses elementos que eram difusos começam a criar uma harmonia, leve e que vale a pena escutar, então é exatamente o que a gente viu hoje, quando a gente está no processo de treinamento, é duro, chato, vem incômodo, atrapalha, não dá certo, erra, não faz sentido treinar aquilo ou estudar aquilo, mas quando a gente chega no objetivo é como se as coisas se harmonizassem e, então, tudo se encaixa, e temos aquele momento de deleite em que valeu a pena cada sacrifício, valeu a pena cada carne de golfinho. Uma boa semana e até o próximo podcast.   https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia/#axzz4qgdXngzX        

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