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Vídeos de Yoga | 29 mar 2021 | Daniel De Nardi

E-Motion é o novo What bleep do we know?

E-Motion é o novo What bleep do we know? Quem não acompanha documentários relacionados a desenvolvimento pessoal pode não entender o título deste post, mas vamos lá. O primeiro blockbuster a tratar de habilidades humanas \"não reconhecidas pela ciência\" foi um documentário de 2006 chamado -  O Segredo. A boa produção apresentando assuntos como mentalização e gratidão, vendeu milhões de DVDs e até hoje, livros da série permanecem no topo de listas dos mais vendidos. Acredito que tudo que venda bem, de alguma forma está ajudando as pessoas. Afinal, ninguém compra um livro por obrigação. Seu sucesso não é fruto do acaso, O Segredo tem muitos pontos interessantes, mas também algumas lacunas. Leio sobre mentalização desde que comecei o Yoga. Já fiz experiências que comprovaram o poder desta técnica (se quiser reproduzir, pegue dois copos, mesma quantidade de algodão e 5 grãos de feijão em cada, num escreva cresça e mentalize ele crescendo todos os dias, no outro não faça nada). Tenho dezenas de fotos dos meus alunos com os feijões do copo de cresça enormes e os outros ainda sementes. Só que a mentalização apenas não muda o rumo da vida de ninguém. Pra algo de fato acontecer também é preciso Ação. Modificações internas, crescimento e aprendizados. O filme fala muito de mentalização e pouco de transformação interna e sem isso nada muda. Posso mentalizar durante uma década 8 horas por dia que vou ganhar uma partida de tênis do Roger Federer, mas se eu não jogar muito, não aprender a modificar meu entendimento tanto físico quanto mental do jogo, minha chance de ganhar um único game é praticamente zero. Em seguida, o sucesso foi de Quem Somos Nós? (What bleep do we know?), apesar do documentário ser anterior (2004), só ficou conhecido no Brasil depois do sucesso de O Segredo. Quem Somos Nós? apresenta relações entre física quântica e ensinamentos ancestrais. Uma das teorias é a de que a cada milionésimo de segundo, podemos decidir como faremos a leitura de tudo o que acontece conosco e inclusive modificar a realidade material em torno de nós.  A física quântica é uma ciência recente e subjetiva. É cheia de contradições e polêmicas. Albert Einstein por exemplo, se interessou muito por ela no início das pesquisas quânticas, mas depois negou seu valor até o final de vida. Dizendo que era um equívoco. Amit Go Swami, é um dos cientista deste documentário. PhD em Física Quântica pela Universidade de Calcutá, Índia, ex-professor da Universidade de Oregon nos EUA, foi banido do meio acadêmico por suas colocações filosóficas especialmente a respeito do papel da consciência no mundo físico. Suas pesquisas de laboratório tentam deixar cada vez mais evidente, algo que a antiga filosofia naturalista de seu país chamada Sámkhya já havia descoberto por empirismo há pelo menos 4000 anos. A consciência que cada um possui dentro de si, e que o Yoga chama de Purusha é o que permite as manifestações materiais se realizarem. [caption id=\"attachment_15904\" align=\"alignleft\" width=\"268\"] Amit Go Swami, escritor de diversos livros sobre física quântica e filosofia.[/caption] A ciência ainda não conseguiu tirar conclusões precisas a respeito da consciência. É um tema difícil de ser mensurado e por isso contradiz os princípios da ciência atual. E quem se aventura por esse caminho, pode acabar como Amit, excluido do meio científico.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”.  Madame de Stael    Apesar de ser extremamente elaborada, a teoria quântica também tem suas lacunas.  Segundo sua ideologia apresentado no filme, estamos o tempo todo, escolhendo, de forma consciente ou não, qual a estrutura do mundo se apresentará para nós. A luz pode ser tanto partícula (fóton) quanto uma onda, dependendo apenas de como decidimos vê-la. Caso a coloquemos em uma câmara de condensação a luz se torna matéria (fóton) e quando acendemos a lâmpada do quarto ela é onda. O que será a luz? Depende apenas da sua decisão. Acabamos vendo o mundo sempre da mesma forma pois somos ensinados a ver as coisas dentro de padrões. Não conseguimos mentalmente conceber que o sólido pode instantaneamente se tornar líquido, e que isso dependa apenas de uma reorganização da matéria diretamente relacionada com a consciência. Neste contexto, nosso livre-arbítrio seria pleno. O que impede isso segundo a teoria de Quem Somos Nós? é que desde que nascemos, somos condicionados a entender o sólido como sólido e o líquido como líquido. Vemos o mundo de forma previsível, é bem mais seguro e nos poupa de ter que decidir a todo momento. Os problemas da teoria quântica começam a aparecer em casos cotidianos como uma simples parada num sinal de trânsito. Se tenho livre-arbítrio pleno, posso decidir sobre a matéria que me rodeia e escolher que o sinal vermelho, se torne verde em determinado momento, mas como a matéria a minha frente irá se comportar se outra pessoa decidir que o sinal deve ficar vermelho?      Esses dias, a Liana Linhares me apresentou E-Motion, quem tem tudo para ser o blockbuster da vez do nosso meio. Psicólogos, PhDs, nutricionista e outros profissionais discutem a interferência que o inconsciente, com seus comportamentos condicionados e traumas, produz no corpo e como isso está diretamente ligado à nossa saúde e bem-estar. Gostei bastante da narrativa, especialmente por explicarem de forma mais científica diversos conceitos do Sámkhya Yoga e Hatha Yoga. Tal como a vibração das emoções influenciando o corpo físico   https://www.youtube.com/watch?v=zyN7JwAyl84   E-motion trata da importância de reconhecermos nossos condicionamentos para sermos mais livres nas escolhas. O Yoga desde sua origem tratou o tema da liberdade como seu foco principal e percebeu que para isso é imprescindível a observação atenta à questão dos condicionamentos. \"A Índia aplicou-se com rigor inigualável à análise dos diversos condicionamentos do ser humano. Apressemo-nos a acrescentar que ela o fez, não para chegar  a uma explicação precisa e coerente do homem (como, por exemplo, na Europa do século XIX, quando se acreditava possível explicar o homem através do seu condicionamentos hereditário ou social), mas para saber até onde se estendiam as zonas condicionadas do ser humano e ver se existe algo além desses condicionamento hereditário ou social), mas para saber até onde se estendiam as zonas condicionadas do ser humano e ver se existe algo além desses condicionamentos. É por esta razão que, bem antes da psicologia profunda, os sábios e ascetas indianos foram levados a explorar zonas obscuras do inconsciente. Eles haviam constatado que os condicionamentos fisiológicos, sociais, culturais, religiosos, eram relativamente fáceis de serem delimitados, e, em consequência, controlados; os grandes obstáculos para a vida ascéticas,  e contemplativa surgiam da atividade do insconsciente, dos samskáras e dos vásanas, impressões ou resíduos, latências que constituem aquilo que a psicologia profunda designa como conteúdo e estrutura do insconsciente. Por outro lado, não é esta antecipação pragmática de certas técnicas psicológicas modernas que é valiosa, mas sua utilização para o \"descondicionamento\" do homem. Pois, para a Índia o conhecimento dos sistemas de \"condicionamento\" não podia ter seu fim nele mesmo; o importante não era conhecê-los, mas dominá-los, trabalhava-se sobre os conteúdos do inconsciente para \"queimá-los\".\" Mircea Eliade, Yoga Imortalidade e Liberdade.   Os YogINs do período da Renascença Indiana (século VII D. C.) trocaram muita informação com budistas, jainistas e médicos ayurvêdicos e começaram a entender que poderiam usar o corpo para o trabalho de \"descondicionamento\" de comportamentos. Tudo o que sentimos e o que pensamos de alguma forma é absorvido pelo corpo, logo o corpo é uma ferramenta de aprendizado de informações do nosso insconsciente. O Yoga explora essa ferramenta ao máximo a partir do Hatha Yoga, especialmente com as posturas (asanas) e respiratórios (pranayama). O Kulārnava Tantra (I:18) deixa isso bem claro: Sem o corpo, como realizar o [supremo] objetivo humano? Portanto, depois de adquirir uma morada corpórea, o ser deve realizar ações meritórias (puṇya). E a Śiva Saṁhitā (II:1-5) reafirma a mesma ideia: Neste corpo, o monte Meru [a coluna vertebral] está rodeado por sete ilhas: há rios, mares, campos e senhores dos campos. Há ṛṣis e sábios, e nele estão todas as estrelas e planetas. Há peregrinações sagradas, templos e deidades nos templos. O sol e a lua, agentes da criação e da destruição, movem-se nele. O espaço, o ar, o fogo, a água e a terra também se encontram aqui. Todos os seres que existem no mundo estão igualmente no corpo. Rodeando o monte Meru, fazem suas tarefas. Aquele que sabe disto é um yogi. Não há dúvida sobre isto. Os YogINs entenderam que o corpo é um mapa muito preciso do que acontece em nosso psiquismo. Atentar aos sinais do corpo é uma forma brilhante de entender a si mesmo. Quando tomamos decisões contrárias ao que sabemos ser certo, o corpo vai apresentando sinais e se esse tipo de decisão persiste, pode-se gerar doenças graves. O filme mostra um exemplo de um rapaz que passa por uma situação de stress e começa a ter sintomas como dor de cabeça. Ao invés de perceber aquele sinal do corpo e tentar entender o que está acontecendo com suas emoções, ele toma a atitude mais fácil de tomar um comprimido para dor de cabeça. O comprimido, inibe os sinais neurais que o sistema nervoso central estava enviando. Ele corta o sinal do corpo e assim que a dor passar, provavelmente vai repetir o comportamento maléfico. A prática do Yoga é o momento em que você para pra observar essas incoerências comportamentais que temos no dia a dia e que de alguma forma, são absorvidas pelo corpo. A dor nunca é à toa, ela tem uma causa que pode ser um hábito errado, uma emoção pesada ou um pensamento destrutivo. Não podemos ignorar isso, a dor é um sinal preciosíssimo para nosso bem-estar, é um aviso que algo está em desequilíbrio e precisa ser revisto. Temos a sorte de que isso tem sido comprovado pela ciência e psicologias modernas que estão usando técnicas YogINs como respiratórios e meditação para melhorar as relações corpo/mente. Realmente, parar pra se observar e sentir-se melhor, ajustando comportamentos para uma vida mais equilibrada é uma oportunidade que o Yoga nos dá todos os dias quando sentamos no mat. Boas práticas!   Se quiser receber semanalmente conteúdos como esse clique no botão          

Podcast de Yoga | 7 jan 2021 | Daniel De Nardi

O Yoga e a Reprogramação de Condicionamentos – Podcast #47

O Yoga e a Reprogramação de Condicionamentos - Podcast #47   Nesse podcast falaremos sobre a proposta do Yoga para agir com menos condicionamento e mais liberdade e autenticidade.       LINKS   Série de podcast gravada na Índia   https://yoginapp.com/diariodeumyoginpelaindia/#   Podcast sobre sentidos https://yoginapp.com/ilusao-dos-sentidos-podcast-45/   Livro Mindset     Resumo do livro Mindset Livro ???? sobre reprogramação de condicionamento. @ResumoCast https://t.co/E83O1QiteE — Daniel De Nardi (@danieldenardi) December 22, 2017 Cânone substantivo masculino 1. mús tipo de composição polifônica em que uma melodia é contrapontada a si mesma. 2. mús peça de canto coral em que as várias partes repetem a parte inicial, em tempos diferentes. 3. norma, princípio geral do qual se inferem regras particulares. 4. p.ext. maneira de agir; modelo, padrão. 5. p.met. lista, catálogo, coletânea. 6. dir.can decreto, conceito, regra concernente à fé, à disciplina religiosa. 7. p.met. dir.can conjunto dos livros considerados de inspiração divina. 8. litur.cat uma das partes em que se divide a Santa Missa. Play list da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Transcrição: O yoga e a reprogramação de Condicionamento – Podcast #47 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 47º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Você está ouvindo Cânone. Você já deve ter ouvido esta música antes, ela é muito conhecida, uma das mais conhecidas da música clássica. Apesar disso o seu compositor, Johann Pachelbel, fez pouca coisa expressiva além dessa música. Uma música simples que vai se repetindo, e ganha uma melodia belíssima, que se repete, como um cânone, algo que tenha que ser seguido. É uma música que me agrada, eu gosto muito, já a conheço a algum tempo, porque é uma música que a gente escuta muito como tema de filmes, na televisão, em todos os lugares. Esta é uma música bastante usada deste compositor. Este episódio era para ser o que eu gravei na semana passada com o meu irmão sobre yoga e surf. Quem acompanhou nas redes sociais, a gente fez uma gravação que ficou muito boa, foram mais de quarenta minutos trazendo insights sobre as relações de surf e yoga, sobre a atitude de iogue, só que quando fui transferir o arquivo para o computador acabei perdendo toda a gravação. O meu irmão tá indo viajar, vai voltar dentro de alguns dias, e a gente vai tentar regravar, só não acho que vamos conseguir chegar aos insights e a qualidade do que foi gravado, mas talvez seja melhor, quem sabe...Não tenho nada registrado, apenas na memória, me lembro de algumas perguntas que fiz, então com isso vou conseguir trazer o assunto que ficou muito interessante, mas o que foi, foi. Nunca me preocupei muito com registros, até a minha viagem para a Índia, em 2015, eu nunca havia levado uma câmera fotográfica numa viagem, tirava fotos apenas com o celular. A partir desta viagem, que eu gravei uma série de podcasts chamada “Diário de um iogue”, em que eu conto cada parte da viagem, a partir daí comecei a ver o valor que há no registro. De a gente registrar seja por voz ou por imagem os momentos que são importantes para a nossa vida. Falamos no episódio passado sobre os sentidos, do quanto eles nos engano e de como eles não são a real expressão da nossa verdadeira natureza, mas os sentidos constrói um valor para a vida, a partir das coisas que a gente percebe do mundo que a gente vai dando uma direção para a nossa vida e construindo. Então, reviver momentos que foram importantes, que foram marcantes é uma construção da nossa identidade, então é algo que vale a pena.  A viagem para Índia fez com que eu tivesse interesse por registrar em imagens e áudios. Não por uma neurose, tem gente que vive pelo registro. Acho que o registro tem que ser a consequência de se ter vivido um momento importante, um momento que vale a pena ser registrado. Há um tempo atrás eu havia dito sobre um projeto, acabei até por dar a data de estreia, que acabei não cumprindo, mas isso vai sair, chamado “Yoga Falado”. A ideia desse projeto consiste em gravar em áudio os mais de 500 artigos que temos disponibilizados no YogIN App. Nós vamos começar este processo em 2018, ainda sem previsão de datas, para que não haja descumprimentos. É algo que quero fazer e que acho relevante porque ler um texto é algo que demanda muito tempo, muita atenção, uma exclusividade que nem sempre as pessoas tem. Ouvindo, podemos interagir com outras atividades como, por exemplo, dirigir, lavar louça, arrumando o quarto, na academia ou correndo. Não terá a mesma qualidade de uma leitura, até porque a leitura exige um foco maior, mas a mensagem é passada de ambas as formas. Eu mesmo estudo muito em áudio (audiobooks ou podcasts) e pra mim é um tipo de informação que fica, ela realmente é assimilada. Reconheça que quando leio assimilo mais, mas tem determinados assunto que eu gostaria de aprender, mas que não conseguiria parar um tempo e fazer exclusivamente isso, por exemplo, astronomia. Eventualmente escuto um podcast sobre o assunto, mas nunca vou parar a minha rotina para ler um livro de mil páginas sobre astronomia. Então o yoga, talvez, não seja o interesse maior neste momento para você. Ou talvez você seja professor e precise ler o artigo para se aprofundar. Ou, ainda, talvez você se interesse por yoga como eu me interesso por academia ou como um exercício complementar, tudo isso é válido, não podemos exigir uma atenção plena, cada pessoa tem a sua vocação para se dedicar exclusivamente a uma atividade, o yoga tem interesse e é nesse caso que a parte gravada, o áudio, irá ajudar na compreensão. Então a gente vai fazer este projeto e hoje vou fazer uma pequena experiência aqui. Recentemente ouvi um podcast que é um resumo sobre o livro Mindset, a ideia do livro (vou disponibilizar tanto o link do livro quanto o do podcast) é que nós temos uma programação que foi injetada quando éramos crianças. De como devemos reagir a uma agressão, de como devemos ficar quando terminam um namoro com a gente, existe uma programação que é a junção de várias influências, seja dos nossos amigos mais próximos, seja da nossa família, dos nosso professores, e aquilo tudo vai fazer com que agimos de uma determinada forma. Mas essa maneira de agir nem sempre expressa o que de fato queremos no momento ou o que é a nossa verdadeira natureza. Muitas vezes essa maneira de expressar só é o reflexo do que se aprendeu. Por exemplo, no meu caso, o meu pai como muito rápido e eu sempre sentava na frente dele, isso fez com que eu tivesse uma tendência a me alimentar rapidamente. Existem vários desses padrões que absorvi, que faço muitas vezes involuntariamente. O livro (Mindset) tem como proposta se fazer uma reprogramação, verificar determinados pontos da vida e fazer uma reprogramação sobre eles. Não é algo fácil, ´mas é algo que se você se observar alguns tipos de comportamentos pontuais você conseguirá mudar. Você pode ver que determinado comportamento ou postura que tenha não te agrada e quando você tiver dentro da situação você poderá alterá-la a partir da consciência sobre aquele ato. Efetivamente no momento em que agimos há um segundo de lucidez, há um segundo em que a gente pode mudar de atitude e descondicionar. Existem experiências, algo que falei bastante no episódio passado, em que pesquisadores fazem uma série de perguntas para as pessoas e, dependendo de como é a reação dos neurônios daquela pessoa eles já sabem como ela vai responder. “Na década de 1980, o neurocientista Benjamin Libet fez um experimento mostrando como as decisões racionais ocorrem segundos depois de processos neurais inconscientes se ativarem, descoberta que colocou em xeque nossa capacidade de livre-arbítrio. De lá para cá, munidos de aparelhos de ressonância magnética, outros cientistas analisaram cérebros de voluntários e comprovaram a hipótese de Libet. Eles constataram que, quando uma pessoa faz uma escolha consciente, como apertar um botão, o inconsciente dela já decidiu. A atividade cerebral ligada àquela decisão começa até 10 segundos antes de você ter como verbalizar aquela decisão.” Eles colocam a foto da Malu Mader e de um Gorila, então eles perguntam “Quem é a mais bonita?” você responder que é a Malu Mader, daí eles já sabem qual é a região do seu cérebro que ativa. Em outro momento eles fazem o mesmo experimento, só que no ato da resposta trocam a foto da Malu Mader pelo do gorila, então você tenta justificar a escolha, mas no fundo a decisão já havia sido tomada, independente da coerência, só que você justifica de uma forma elaborada mentalmente. Mas uma nova pesquisa demonstrou que: “(...) Pesquisas recentes têm questionado a soberania do inconsciente. Em alguma medida, seríamos capazes de “vetar” uma escolha tomada pelo lado oculto da mente. Foi o que mostrou uma experiência do neurocientista John-Dylan Haynes, do Centro Bernstein de Neurociência, em Berlim. O cientista monitorou o cérebro de voluntários enquanto eles disputavam um jogo contra um computador (um game bem simples, de apertar um botão). O computador conseguia detectar que a pessoa ia apertar o botão, vários segundos antes de ela efetivamente apertar. A máquina tinha tempo de reagir a isso e, em tese, ganhar 100% das partidas. Mas não foi isso o que aconteceu. Os voluntários foram capazes de interceptar, e cancelar, a ordem de apertar o botão que havia sido emitida pelo inconsciente e, com isso, driblar o computador e vencer o jogo. ‘Nosso estudo mostra que a liberdade é muito menos limitada do que se pensava. No entanto, há um ponto de não retorno no processo de tomada de decisão, em que cancelar o movimento não é mais possível’, disse Haynes. Ou seja: o inconsciente está no comando, mas existe uma janela dentro da qual é possível manobrá-lo. Mesmo quando não der, não é o fim do mundo. Consciência e inconsciente, afinal, são partes da mesmíssima coisa.” Embora este condicionamento seja a coisa mais automática e mais forte, aquilo que a gente vai efetivamente responder, existe um segundo de lucidez antes, existe um segundo em que você pode mudar a atitude e mudar o seu comportamento, reprogramar a sua reação para determinadas áreas que você não está satisfeito hoje com o tipo de reação. Então esse livro é recente, acho que deve ter cerca de cinco ou dez anos, mas esse tipo de pesquisa dos condicionamentos já vem sendo trabalhado na Índia, o conceito de sâmskara e de vasanah sempre fez parte do hinduísmo, sempre fez parte da inteligência indiana, porque o que eles acabavam vendo é que se a gente só responde a uma tendência natural do comportamento, nós nunca teremos a libertação, não iremos sair desse condicionamento, vamos apenas reproduzir a vontade dos desejos e da mente e nunca conseguir fazer algo superior como, por exemplo, descansar a mente. Se a mente está condicionada a sempre pensar, você não vai conseguir simplesmente pará-la, vai precisar descondicioná-la. O descondicionamento é parte do processo de desenvolvimento indiano, à medida que você tem mais consciência e toma cada decisão com mais presença, com mais relação com a sua verdadeira natureza. E então eu escrevi um artigo há algum tempo chamado “Yoga e a Capacidade de Auto Reprogramação”. Vou ler ele. Não sei ainda como vai ser, exatamente, o modelo do Yoga Falado, aceito sugestões – se posta apenas o artigo ou se faço comentários...Embora as pessoas prefiram com comentário, acredito que ele possa induzir a uma análise do texto, como hoje estou lendo para o podcast, farei alguns comentários para finalizar. “YOGA E A CAPACIDADE DA AUTO REPROGRAMAÇÃO Patanjali, considerado o pai do Yoga, termina suas explicações escritas ensinando Kaivalya (liberdade absoluta), objetivo final do YogIN. Mas como as técnicas e os ensinamentos do Yoga, que foram evoluindo desde Patanjali podem ajudar o praticante em seu objetivo de libertação? O pensamento indiano sempre esteve muito atento a questão dos condicionamentos (vasanas) e como desfazer esses condicionamentos para se aproximar da essência (purusha). A maior parte desses condicionamentos são desenvolvidos durante a juventude. Comportamentos aprendidos a partir de observação e repetidos por puro hábito e adaptação. Imagine um programa de computador que fica sendo programado durante 10 anos e quando a tecla “Enter” é acionada, o programa entra num loop apenas repetindo funções programadas. Exagero sim, mas vale a questão do quanto temos de livre arbítrio. O YogIN parte numa aventura investigativa do que realmente é seu purusha, o seu eu, e o que lhe foi programado de fora. O Yoga pode ser comparado a um aprendizado de um tipo de programação. A programação em que nos foi colocado condicionamentos comportamentais. Se você vai usar um programa no seu computador e não conhece programação, pode apenas seguir os comandos pré-programados. Mas se você conhece a forma como os softwares são desenvolvidos (open source software que são aqueles em que o código fonte é aberto para todo mundo mexer – se não entendeu essa parte pense num Windows que todo mundo pode mexer), esse tipo de programa, open source, pode ser alterado por qualquer um. Precisa conhecer os padrões usados e como eles se repetem. Pode, assim, montar um novo programa em cima do que recebeu. O Yoga é uma forma de reprogramar o comportamento mais de acordo com as direções da consciência. Patanjali fala desse tipo de “reprogramação” no Yoga-Sutra, no versículo 3. ‘A serenidade da mente é conquistada com a amizade com os felizes, compaixão com os infelizes.’ O que se sabe, sente ou pensa pode ser reprogramado. Construir novos padrões de comportamentos dependem de auto-observação, uma habilidade bastante treinada na prática do Yoga. Numa época chamada de Renascimento do Yoga (século VII), os tântricos começaram a experimentar no corpo o direcionamento de sensações. Entenderam que se conseguissem dominar vontades, dominariam a instabilidade da mente e estariam livres para a revelação do EU. Asanas, as técnicas corporais do yoga, e os pranayamas, os respiratórios, são exemplos de exercícios que ensinam o YogIN a conduzir suas sensações. Num determinado treinamento respiratório o praticante inspira e quando sente vontade de soltar o ar, segura mais um pouco, treinando sua mente a atender a comandos pessoais. Quando o praticante deita-se em shavasana (postura de relaxamento) entra num estado de menos interferência dos sentidos externos. Pode relaxar o corpo e direcionar sua atenção para um padrão comportamental. Como há menos interferência dos sentidos (pratyahara) o YogIN observa melhor como o condicionamento foi construído e reprograma-se para agir diferentemente na próxima oportunidade. Durante este período, o conceito de Kundalini ganhou bastante visibilidade na literatura do Yoga. Como uma poderosa energia criadora parece-se muito com o conceito de Eros da psicologia. Ambas associadas a instintos e criação artística. Os YogINs não se contentam apenas em estimular a Kundalini, mas domá-la e conduzir esta energia para o caminho espiritual. O sexo tântrico, tão alardeado no Ocidente, nada mais é que uma continuação desse objetivo de conduzir ações, desejos e pensamentos. O loop dos condicionamentos dificulta qualquer mudança de rumo. Mudar condicionamentos é uma habilidade que as técnicas do Yoga estimulam. A prática do Yoga, desperta vontade de mudar hábitos. É até engraçado, pois ninguém nos obriga a isso, mas quando percebemos, estamos escolhendo alimentos mais saudáveis no supermercado. A prática desperta uma vontade de fazer coisas diferentes que você nem sabia que gostava, ou que sempre soube mas acabou nunca agindo para isso. A prática do Yoga vai nos dizendo muito mais sobre nós mesmos. Faz parte do objetivo de revelar o Eu, trazê-lo para o dia a dia, para a vida. Parar um tempo para observar a respiração é uma forma de contato com as emoções. A respiração influencia as emoções e vice-versa. Aquietar as emoções e observá-las é um dos objetivos da prática. Como cada praticante vai conduzir o aprendizado da observação é algo totalmente pessoal, mas o Yoga te dá a chave para um estado. Um estado de aquietamento e relaxamento que permite uma observação melhor de si mesmo. O Yoga ensina a observar padrões comportamentais para reconstrui-los conforme aspirações pessoais. Reprogramar-se para ser o que você sabe que pode ser.” Então aqui nós finalizamos este episódio. A minha dica é que você use esta técnica de reprogramação na sua vida, isso não é algo complexo, você vai simplesmente nos próximos dias, antes de dormir ou num estado de relaxamento durante a sua prática de yoga, escolher um único hábito e visualizá-lo. Em seguida irá visualizá-lo novamente, mas mudando a sua atitude diante dele, trocando a resposta do condicionamento, agindo de forma mais condizente com aquilo que você verdadeiramente é e não com o que foi programado nos seus comportamentos. Até a próxima, Ohm Namah Shivaya!  

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Filosofia do Yoga | 15 mar 2020 | Daniel De Nardi

Yoga e a capacidade da Auto Reprogramação

Yoga e a capacidade da Auto Reprogramação Patanjali, considerado o pai do Yoga, termina suas explicações escritas ensinando Kaivalya (liberdade absoluta), objetivo final do YogIN. Mas como as técnicas e os ensinamentos do Yoga, que foram evoluindo desde Patanjali podem ajudar o praticante em seu objetivo? O pensamento indiano sempre esteve muito atento a questão dos condicionamentos (vasanas) e como desfazer esses condicionamentos para se aproximar da essência (purusha). A maior parte desses condicionamentos são desenvolvidos durante a juventude. Comportamentos aprendidos a partir de observação e repetidos por puro hábito e adaptação. Imagine um programa de computador que fica sendo programado durante 10 anos e quando o Enter é dado, o programa entra num loop apenas repetindo funções programadas. Exagero sim, mas vale a questão do quanto temos de livre arbítrio. O YogIN parte numa aventura investigativa do que realmente é seu (purusha) e o que lhe foi \"programado\". O Yoga pode ser comparado a um aprendizado de um tipo de programação. O processo de condicionamento dos comportamentos. Se você vai usar um programa no seu computador e não conhece programação, pode apenas seguir os comandos pré-programados. Mas se você conhece a forma como os softwares são desenvolvidos (open source software, se não entendeu essa parte pense num Windows que todo mundo pode mexer) pode alterá-los. Precisa conhecer os padrões usados e como eles se repetem. Pode montar um novo programa em cima do que recebeu. O Yoga é uma forma de reprogramar o comportamento mais de acordo com as direções da consciência. Patanjali fala desse tipo de \"reprogramação\" no I, 33 do Yoga-Sutra. \"A serenidade da mente é conquistada com a amizade com os felizes, compaixão com os infelizes.\" O que se sabe, sente ou pensa por ser reprogramado. Construir novos padrões de comportamentos dependem de auto-observação, uma habilidade bastante treinada na prática do Yoga. Numa época chamada de Renascimento do Yoga (século VII),  os tântricos  começaram a experimentar no corpo o direcionamento de sensações. Entenderam que se conseguissem dominar vontades, dominariam a instabilidade da mente e estariam livres para a revelação do EU (purusha). Asanas e pranayamas,  são exemplos de exercícios que ensinam o YogIN a conduzir suas sensações. Num determinado treinamento respiratório o praticante inspira e quando sente vontade de soltar o ar, segura mais um pouco, treinando sua mente a atender a comandos pessoais. Quando o praticante deita-se em shavasana (postura de relaxamento) entra num estado de menos interferência dos sentidos externos. Pode relaxar o corpo e direcionar sua atenção para um padrão comportamental. Como há menos interferência dos sentidos (pratyahara) o YogIN observa melhor como o condicionamento foi construído e reprograma-se para agir diferentemente na próxima oportunidade. Durante este período, o conceito de kundalini ganhou bastante visibilidade na literatura do Yoga. O conceito de kundalini como uma poderosa energia criadora parece-se muito com o conceito de Eros da psicologia. Ambas associadas a instintos e criação artística. Os YogINs não se contentam apenas em estimular a Kundalini, mas domá-la conduzir esta energia para o caminho espiritual. O sexo tântrico, tão alardeado no Ocidente, nada mais é que uma continuação desse objetivo de conduzir ações, desejos e pensamentos. O loop dos condicionamentos dificulta qualquer mudança de rumo. Mudar condicionamentos é uma habilidade que as técnicas do Yoga estimulam demais. A prática do Yoga, desperta vontade de mudar hábitos. É até engraçado, pois ninguém nos obriga a isso, mas quando percebemos, estamos escolhendo alimentos mais saudáveis no supermercado. A prática desperta uma vontade de fazer coisas diferentes que você nem sabia que gostava, ou que sempre soube mas acabou nunca agindo pra isso. A prática do Yoga vai nos dizendo muito mais sobre nós mesmos. Faz parte do objetivo de revelar o Eu, trazê-lo para o dia a dia, para a vida. Parar um tempo para observar a respiração é uma forma de contato com as emoções. A respiração influencia as emoções e vice-versa. Aquietar as emoções e observa-las é um dos objetivos da prática. Como cada praticante vai conduzir o aprendizado da observação é algo totalmente pessoal, mas o Yoga te dá a chave para um estado. Um estado de aquietamento e relaxamento que permite uma melhor observação de si mesmo. O Yoga ensina a observar padrões comportamentais para reconstrui-los conforme aspirações pessoais. Reprogramar-se para ser o que você sabe que pode ser.    new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();