Surya Namaskar - Saudação ao Sol

108 x Surya Namaskar – Yoga Falado #27

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Dicas de Yoga | 1 abr 2021 | Fernanda Magalhães


Entenda sobre a Saudação ao Sol, o Surya Namaskar

 

O solstício de verão no hemisfério sul é o momento onde o sol atinge sua maior declinação em latitude, chegando lá no trópico de capricórnio. Ele é o dia mais longo do ano (mais presença de sol e, como consequência, mais luz!) e marca o inicio do nosso verão. Período de grande corrente energética, é o momento de entregar o negativo ao fogo e permitir a transformação.

Sol é fogo, vida e transformação. Chegando aqui no hemisfério sul próximo ao fim do ano, o solstício de verão é um marco especial de preparação para o novo. A saudação ao sol, ou Surya Namaskar, é uma maneira de receber o dia, exercer gratidão pela vida e movimentar o prana, gerar calor, ativar nosso centro energético e ajudar na desintoxicação.

Para mim, não há nenhum outro ritual tão compatível com essa passagem. Há três anos cumpro meu ritual de renovação com 108 saudações ao sol no início do dia 21/12.

 

E por que 108?

O número 108 é muito significativo na tradição hindu e existem algumas teorias matemáticas e metafísicas para explicar este valor.

Sábios da idade Védica, através da observação a olho nu, perceberam que a distância aproximada entre o sol e a terra é de 108 vezes o diâmetro do sol e a distância média da Lua para a Terra é de cento e oito vezes o diâmetro da Lua.

108 é o dobro de 54, o numero de fonemas do alfabeto sanscrito, o idioma das escrituras clássicas e dos Vedas.

Também são 108 Upanishads, as escrituras que comentam, ou complementam os Vedas.

E, como já é conhecido na comunidade do Yoga, são 108 as contas do japamala.

Assim como a repetição dos mantras com uso do japamala, a prática de repetir 108 vezes a saudação ao sol é um convite a presença, ao exercício de Tapas e Bhakti. Não é só uma prática para exigir aptidões físicas do seu corpo. Aliás, você pode até se surpreender com a energia fornecida pela prática no lugar do cansaço esperado.

Se você nunca passou pela experiência das 108 saudações ao sol, pode estar te parecendo impossível e talvez assustador. Exige um bom punhado  de determinação mental (tapas) para levantar-se antes do sol nascer e iniciar a primeira saudação. Até mesmo antes disso, por exemplo, ao se comprometer em realizar o ritual após ler este artigo, algo é trabalhado em sua mente para que possa ser executado.

Essa disciplina é a mesma que nos leva ao tapete regularmente, faça chuva ou faça sol. Tapas não tem relação com atingir um objetivo, mas sim em se colocar disposto a realizar o caminho necessário para tal. Um caminho que exige aceitação e renúncias.

É justamente no compromisso sem expectativas que exercemos nossa devoção e entrega. É a motivação por trás do compromisso que possui o valor neste caso e não o resultado final. Especialmente se você se junta a um grupo para a realização das 108 saudações.

A energia e dedicação do todo supera sua motivação pessoal. Até porque, talvez você precise aceitar realizar somente 54, 27 ou mesmo 9 saudações ao invés de 108 por respeito ao corpo, ao seu tempo ou qualquer outro fator limitante, e perceba que não altera em nada o valor ritualístico da sua atividade.

108 são muitas vezes sim, e se você permitir a ansiedade tomar sua mente, você desiste antes mesmo de começar. Neste ponto é extremamente importante o exercício da presença executando cada saudação, uma de cada vez, como se fosse a única. Apenas respirando…

Se não há presença, não há contagem também. Um dos maiores desafios é contar o número de saudações já feitas, principalmente quando se pratica sozinho. Existem algumas técnicas para a contagem com uso do japamala, de 108 feijões crus e etc. Eu desenvolvi a minha própria que me traz mais conexão com a respiração e me exige muita presença.

Se você ficou curioso, depois me pergunte sobre isso… Mas o importante é você compreender o que funcionará para você, vale até marcar num papelzinho!

Como em qualquer prática, sugiro que estabeleça seu sankalpa, suas intenções, que reviva seu crescimento durante o ano e vivencie seu potencial para o que vem. Sempre use a tolerância com seu corpo fornecendo adaptações aos movimentos quando necessário, sem provocar dor ou encurtar sua respiração.

Se você perdeu a oportunidade de iniciar o dia de hoje com as 108 Saudações, não tem problema, ainda temos 10 dias para o novo ano. Quem sabe você não se anima de realizar seu ritual em pleno nascer do sol no último dia do ano?

Estenda seu tapetinho voltado para o leste e respire. Uma Surya Namaskar de cada vez!

Boa Pratica!

 

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Fernanda Magalhães

Fê é carioca, pisciana, arquiteta, ambientalista e entusiasta do estilo de vida saudável. Despertou sua atenção ao corpo físico em 2001, através de consciência alimentar e atividade física regular. Apaixonada por estudar sobre o assunto, chegou a repensar sua escolha pelo curso de arquitetura. Durante esta busca, o Yoga se tornou uma ambição, alcançada somente em 2012, quando a prática se tornou rotina.  É praticante de Ashtanga Vinyasa Yoga e professora de Hatha e Ashtanga. Sempre idealista e sonhadora,  quer levar o bem viver a todos que cruzam sua jornada. Em 2016 finalmente formou-se em Yoga pelo YogginApp.

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Objetos, neste caso, também são outras pessoas, ou qualquer coisa que não seja ele mesmo. Tudo que é lido e compreendido neste mundo através de seus órgãos de sentido.   Então buscamos a vida inteira pelo outro, pelo homem ou a mulher, pelo carro, pela casa, pelo filho, pelo emprego, pela estética, pela grama mais verde do vizinho… É uma busca incansável por mais e mais um pouco.   O sentimento de alegria e o reconhecimento da felicidade pode vir quando nos reunimos com o tal objeto de desejo, mas isso é passageiro, porque está relacionado com esse o desejo e não com o objeto em si. O mesmo objeto tem um valor diferente se é desejado ou se já se faz presente.   E esta busca se torna interminável, por toda a vida, desejando o amanhã. Mas assim que conseguimos nosso grande desejo, surge um novo. Reconhece o sentimento?   Tem uma frase que sempre me faz parar e refletir, você já até deve ter lido por aí nas mídias sociais: “Você se lembra de quando você queria o que você tem hoje?”   É aí que colocamos nossa felicidade para depois, quando eu tiver tal coisa. Quando eu estiver em tal lugar. Quando estiver com tal pessoa. Ah, aí sim, eu serei feliz! E a tal felicidade nunca chega. Porque ela não mora em um objeto, ela mora na ausência de desejos a estes objetos. Ao reconhecer que ela já está dentro de você pois é um ser completo, que já possui tudo que precisa.   Se você já possui tudo que precisa, seja grato! Agora! Presença!   Não digo que é fácil, afinal, somos buscadores, é nossa natureza. Mas se mudarmos nossa forma de pensar e começarmos a enxergar o que é no lugar do que queremos?   Aquilo que você pensa, onde coloca seu foco, cresce. E, se sentimentos são resultados de pensamentos, você escolhe o que quer sentir hoje. O que vai ser?   Passei um ano inteiro escrevendo diariamente no meu pote da gratidão e percebi que os dias mais difíceis de reconhecer o que havia para ser grata eram aqueles onde não houveram flutuações, distrações ou inconvenientes. Naqueles dias onde tudo correu bem, dentro da minha rotina. Não era naquele dia onde tudo deu errado, sabe como é esse dia, né? Nos dias “ruins” é ainda mais fácil encontrar razões para ser grato do que em um dia neutro. Eram nestes dias neutros que eu precisava enxergar a vida pelos olhos de Santosha para exercitar minha gratidão.   Santosha, o segundo Niyama do Yoga é o contentamento. Não é alegria exacerbada, estar sempre sorrindo, aquele estereótipo de buda feliz que parece nem perceber o estresse externo. Santosha é equilíbrio. É reencontrar a felicidade que mora dentro de você independente dos cenários externos. É se sentir completo. 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Fica cada vez mais frequente no dia a dia.   Como? new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Se ao invés de reclamar do formato do seu corpo, você olhar para todo o complexo funcionamento dos seus sistemas que te permitem estar vivo lendo este texto? Então neste caso, você escolhe no cardápio de emoções que sua mente te proporciona, entre sofrimento pela vergonha e gratidão pela vida que vibra em todo seu corpo.     E durante a sua prática de asanas, você vai reclamar da mão que não chega até o pé ou você vai agradecer por ela abraçar seus tornozelos?   Meu pote da gratidão foi um excelente instrumento para desenvolver essa visão de presença através da gratidão, mas você pode começar apenas com um caderninho mesmo. Todos os dias um motivo de gratidão. Anote, tente não repetir. Use o mesmo horário, todos os dias. Se for fazer a noite, relacione com o dia que passou e se lembre de tudo que você viveu. 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