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Sem Proselitismo – Podcast #39

Sem Proselitismo – Podcast #39

A coisa mais chata do mundo talvez seja alguém te obrigando a acreditar em alguma coisa que para você não faz sentido. Isso se chama proselitismo.

 

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Carlos Gomes

 

 

 

Transcrição

Sem Proselitismo – Podcast #39

Em Brasília, 19 horas. Não, esta não é a abertura da Hora do Brasil, mas a música é a mesma, a abertura da ópera “Guarani” de Carlos Gomes. Esta semana está bastante corrida porque teremos o evento Yoga Lifestyle amanhã, estou gravando este podcast na sexta. Vai ser um evento que irá movimentar muita gente do Yoga, vários professores, e vai ter uma abertura gratuita mesmo para quem não se inscreveu amanhã pode estar lá, será às 10 da manhã no espaço JK. Quem quiser pode participar, é gratuito, esta abertura vai ser com a professora Regina Shakti, e todos estão convidados e além disso terão todos os estandes que serão abertos para o público para quem quiser conhecer as lojas com todos os artigos de yoga (como japamala, mats…).

Passei esta semana montando a minha apresentação para o curso que vai falar sobre a busca que o yoga vem fazendo desde a antiguidade até os dias atuais. Falei sobre isso em outros episódios, mas efetivamente a busca continua sendo a mesma, a busca sempre foi, para os indianos, por cessar o sofrimento, por maior ou menor que ele seja a busca sempre foi reduzir se possível ou exterminar totalmente com o sofrimento humano chegando a libertação. Esse era o objetivo de todas as ciências, todas as gnoses, todas as filosofias indianas sempre tiveram esse intuito. E dentro desse intuito, eles foram chegando cada vez mais a conclusões de que esta libertação só pode acontecer a partir do indivíduo, ela não vai acontecer num grupo, numa massa, numa grande quantidade de pessoas. O hinduísmo como um todo, assim como o budismo, não tem um proselitismo, não tem a necessidade de convencer outras pessoas porque a salvação só depende de si mesmo, isso é interessante porque foram duas religiões ou formas de ver o mundo e de pensar que conviveram harmoniosamente durante muitos anos. Isso foi quebrado com a invasão muçulmana, expulsando os budistas da Índia, porque eles tinham o princípio da não agressão, o que facilitou a expulsão. Eles se esconderam nas regiões do Tibet e do Nepal e, depois, se espalharam para o resto da Ásia.

Enquanto o budismo e o hinduísmo conviveram eles tiveram momentos de harmonia e muitas trocas como, por exemplo, há muitos sinônimos de conceitos como (inint. 03:37) que é um conhecimento profundo que nos dois casos tem mesmo conceito e o mesmo nome, vários termos em sânscritos são igualmente aplicados tanto para a ideia do budismo como para a ideia do Samkhya, mas o principal é justamente isso, esta necessidade de impor as ideias, de ter um debate vencedor, de fazer a sua ideia seja a ideia de todos é o que causa grande parte das guerras, porque onde não há essa necessidade de expansão da ideologia os ambientes conseguem viver em harmonia. Quando há uma imposição de ideias melhores que, aparentemente, valem para todos, como se a salvação do mundo dependesse de que determinada ideia chegasse a todos, isso faz com que os conflitos aconteçam, porque ninguém é obrigado a aceitar a ideia de ninguém, as ideias podem ser transmitidas, mas jamais com proselitismo, com a necessidade de convencimento. Se espalha a ideia e o que você pensa e as pessoas absorvem o que acha importante, consequentemente a melhores ideia vão vencer por elas mesmas, não pela força como aconteceu em muitas guerras ou em debates com proporções desnecessárias, como a gente vê pela internet.

Então, o que eu queria deixar como mensagem primeiro é a música do maior maestro brasileiro, Carlos Gomes, que foi o único brasileiro a tocar no Teatro Scala, em Milão. Ele viveu no século XIX, entre 1836 e 1896, compôs muitas músicas, mas a que ficou famosa foi a Guarani.

Busque o seu desenvolvimento, busque a sua libertação e não fique num projeto de tentar convencer as pessoas de algo que, às vezes, nem você mesmo acredita. Faço o seu que você estará fazendo o melhor.

Espero vê-los, quem for o meu ouvinte do podcast e tiver no evento me procura lá, você irá me conhecer pelas fotos e eu vou ficar uma boa parte do tempo no estande do YogIN App, então eu gostaria de conversar, conhecer e saber a opinião de quem está ouvindo o podcast e nós nos falamos e nos conheceremos pessoalmente. Também, se quiser deixar algum comentário no post ou no Facebook, onde estiver publicado isso, a gente pode conversar, falando o que você está achando sobre o podcast, quantas vezes você ouve ou já ouviu.

E, também, raramente eu peço isso, mas é importante mesmo tanto a avaliação do podcast quanto o compartilhamento, isso dá bastante ibope pra quem está produzindo, ele acaba aparecendo mais para quem está assistindo. Então se você puder avaliar no Soundcloud ou no iTune Store, eu agradeço.

Então, até o nosso próximo episódio e com vocês, a música da “Hora do Brasil” que vocês vão ter a oportunidade de ouvir um pouco mais daquele trechinho inicial, a abertura tem quase dez minutos, vale a pena conhecer até mesmo como cultura brasileira, esta música foi tocada pelo mundo afora, até hoje é tocada fora do Brasil, é uma música que tem valor na emoção ao tocar o coração de outro ouvintes ao redor pelo mundo.

Até o próximo episódio.

Ohm Namah Shivaya!

Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.