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Problemas Reais – Podcast #36

Problemas Reais – Podcast #36

 

Nesse episódio falaremos das diferenças entre os problemas reais e os que existem apenas na nossa cabeça.

 

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Schubert

 

 

TRANSCRIÇÃO

 

Problemas reais – Podcast #36

Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 36º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito de yoga e da busca pela nossa verdadeira natureza. Agora você está ouvindo “Sinfonia Inacabada” ou “Sinfonia Incompleta” de Schubert.

Conforme eu falei no episódio passado, sobre arte, em que a arte vai sendo construída em cima de uma tradição e ela depende de esforço, depende do desenvolvimento de técnica pra daí sim expressar a verdadeira natureza daquele artista. Haydn e Mozart estudaram os seus antepassados, estudaram, por exemplo, Bach. E depois, os seguinte a Mozart e Haydn, estudaram eles também, caso de Schubert.

Schubert viveu boa parte da sua vida na mesma cidade que Mozart viveu, Viena, que naquele momento histórico (final do século XVIII), Mozart morre em 1791 e Schubert nasce em 1797. Então, Schubert também estudou muito Mozart, ele apreciava bastante Mozart e ele foi um momento de transição da música de Mozart para a música de Beethoven. Schubert também conheceu Beethoven, ambos reconheceram a genialidade que o outro tinha e se admiravam. O ponto é que quando há momentos de dificuldade, quando a gente passa por momentos de perigo real, como a gente passava anteriormente vivendo na selva e quando a gente estava em situação de perigo, a gente não reflete realmente a nossa verdadeira essência, a gente vai lutando desesperadamente e pra sobreviver àquele momento. E tem que ser assim porque se não for, quando existir um perigo real se não lutar para sobreviver e ficar só tentando observar e tentando meditar sobre o que está acontecendo, não haverá sobrevivência. O perigo real exige uma necessidade de ação real.

O ponto é que a maior parte dos perigos que a gente coloca na nossa cabeça pra funcionar, não são perigos reais, são perigos que a gente cria na nossa cabeça. Você fica com aquela pré-ocupação, é uma preocupação anterior a algo que vai acontecer, e fica remoendo aquilo dentro do seu cérebro, sempre achando que o perigo e iminente e vai te afetar a vida. Mas se parar realmente para pensar, os perigos reais que vão afetar a sua vida são muito raros, como sempre foram. E hoje em dia, ainda mais, se comparado aos nossos antepassados que viveram há dez, quinze, trinta mil anos atrás, eles viviam no meio da floresta. Eles tinham perigos reais mais constante que nós temos, hoje boa parte dos perigos e das ameaças que nos incomodam e nos deixam remoendo pensamentos, fazem parte de uma criação de um perigo ideológico, que não se reflete na prática.

Então, essa mensagem de hoje é nesse sentido, do quanto a gente dá atenção grande, projeta enormemente um perigo que muitas vezes não é tão grande quanto ele é realmente. Só que a nossa mente tem essa capacidade porque ela entra num processo de proteção, de busca pela sobrevivência dos instintos e ela passa a atuar especificamente nesse drive, nesse sentido de sobrevivência, só que nem sempre eles são perigos de sobrevivência. Muitas vezes, são pequenas coisas que merecem uma ação, mas que não mereciam uma grande preocupação.

E a dica aqui é uma observação, sempre que a sua mente entrar nessa linha de desespero ou de pensar muito em escassez, faça uma reflexão se o perigo é real ou se é apenas uma criação da mente. Mantendo uma ação sobre aquilo que precisa ser feito, não necessariamente com preocupação, você vai fazendo os ajustes que são importantes, mas não deixe que a projeção do perigo tome conta das suas atitudes.

Fico por aqui lembrando que nos dias 28 e 29 de outubro teremos aqui em São Paulo o Yoga Lifestyle BR, o maior evento de yoga do Brasil. Um evento que está sendo liderado pela Mayara e que vai contar com a presença de grandes personalidades do yoga (vou deixar o link aqui para quem quiser consultar a programação). Terá a presença do Pedro Franco, da Monja Cohen, a Liana, que vem da Austrália e diversos professores qualificados, então vai ser um grande evento. Para a inscrição, é o mesmo link, quem quiser pode usar um cupom de desconto com o meu nome, então quando você entrar no link é só digitar “Daniel” e, assim você terá um desconto de 10% no evento.

A música, “Sinfonia Inacabada”, é porque Schubert passou durante a sua vida diversos momentos de muita dificuldades, dificuldade real como a financeira. Em boa parte da sua vida ele foi bancado pelos seus amigos, que acreditavam no talento dele, mas ele em vida não foi reconhecido, só houve reconhecimento após a sua morte. Ele sempre compôs, passou a vida inteira realmente exercendo a arte dele e teve problemas reais. Pode-se pensar que não acabar uma sinfonia é um problema real, mas no fundo acabou não sendo porque a Sinfonia Inacabada é a maior obra dele conhecida no mundo.

Uma boa semana, nos vemos na semana que vem.

Ohm Namah Shivaya!

Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.