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Pratyahara para uma Mente Mais Leve e Forte Pratyahara para uma Mente Mais Leve e Forte

Pratyahara para uma Mente Mais Leve e Forte

Na nossa série sobre o ashtanga yoga de patanjali, chegamos a parte onde se faz o elo entre o externo e o interno – pratyahara, o quinto membro é a abstração dos sentidos, onde o praticante é levado à parte mais sutil da prática de yoga, caminhando para a meditação.

As últimas quatro partes são vistas como o Yoga externo, aquele que se relaciona mais com o nosso contato com o mundo e podem ser observados de fora.

Pratyahara é uma ação individual e sutil. A palavra pratyahara deriva do sânscrito prati – contra ou fora, e ahara – qualquer coisa levada de fora para dentro, ou comida.

Quando chegamos a uma aula de yoga, normalmente, o primeiro convite realizado é que deixemos o mundo externo “lá fora”. Conectamos com o corpo físico e descobrimos este espaço completo dentro de nós que não depende de nada externo.

Isso não é uma coisa que acontece na primeira aula, para a maioria das pessoas. Nossa conexão com o externo é tão estimulada ao longo de nossa vida que às vezes é difícil de encontrar o caminho até esse lugar. É preciso criar espaço através de prática de asanas e pranayama para que pratyahara chegue e te mostre que ele está lá.

 


 

O fluxo constante de informações que recebemos são percebidos pelos nossos cinco sentidos. São estes sentidos, determinados pelos instintos que, normalmente dizem o que a mente deve fazer. Sem controlá-los, seremos escravos deles.

E qual o objetivo dos nossos instintos? Sobrevivência.

Alimentando nossos instintos através de nossos sentidos estamos estimulando nosso sistema nervoso simpático a trabalhar por nossa sobrevivência. Lutar, fugir ou até mesmo evitar a escassez de alimento. Todas reações automáticas, não conscientes e que geram estresse. 

Conforme nos tornamos conscientes, uma das ações que geralmente colocamos em prática é começar a selecionar o que comemos. Mas nosso alimento não é apenas comida. Nos alimenta também toda a informação recebida através de nossos relacionamentos, dos noticiários, da internet e etc. Aceitamos passivamente as impressões sensoriais causadas por estes estímulos.

Excesso de químicos na comida faz mal a nosso organismo assim como o excesso de estímulos sensoriais faz mal a nossa mente. E como o corpo se beneficia do jejum, a mente se beneficia de Pratyahara.

Pratyahara é parte da purificação. 

Ok, não é fácil. Podemos começar a trabalhar pratyahara com algumas técnicas como a combinação de Drishti (o ponto focal) com o som produzido na respiração tipo Ujjayi, onde o som e a visão direcionados bloqueiam estímulos externos concentrando somente na respiração. Ou durante o relaxamento final (savasana) levanto toda a atenção para a audição e amortecendo os demais sentidos.

O Yoni Mudra é um gesto bem significativo em direção a pratyahara. Nele os principais órgãos receptores dos sentidos; olhos, ouvidos, narinas e boca; são bloqueados com os dedos das mãos permitindo que a energia se volte para dentro.

mudras yoga

As técnicas variadas são instrumentos para que possamos aprender a retirar-nos de informações externas e possamos ouvir os sons internos. 

Se o barulho externo te impede de meditar ou se concentrar em sua prática, é sinal que você está precisando exercitar seu pratyahara. Sem isto não há meditação. Sem meditação não há yoga.

Você anda se alimentando de que?

Fernanda Magalhães

Fê é carioca, pisciana, arquiteta, ambientalista e entusiasta do estilo de vida saudável. Despertou sua atenção ao corpo físico em 2001, através de consciência alimentar e atividade física regular. Apaixonada por estudar sobre o assunto, chegou a repensar sua escolha pelo curso de arquitetura. Durante esta busca, o Yoga se tornou uma ambição, alcançada somente em 2012, quando a prática se tornou rotina.  É praticante de Ashtanga Vinyasa Yoga e professora de Hatha e Ashtanga. Sempre idealista e sonhadora,  quer levar o bem viver a todos que cruzam sua jornada. Em 2016 finalmente formou-se em Yoga pelo YogginApp.