Por que a política gera tanta briga? Podcast #87

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Podcast de Yoga | 11 out 2018 | Daniel De Nardi


Por que a política gera tanta briga.

Será que existe uma saída para haver menos discussões políticas?
Ouça o podcast e entenda melhor.

 

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Sem Proselitismo – Podcast #39

 

Sapiens – Série de Resumo do Livro

 

Transcrição parcial

POR QUE A POLÍTICA GERA BRIGAS?

 

  • Meu objetivo não é trazer uma solução para os conflitos, até porque acho que isso vai piorar nos próximos tempos. Tentarei explicar os motivos que produzem os desentendimentos que crescem visivelmente em épocas de eleições.  
  • A política é uma discussão pública que decide para onde vão os recursos do Estado. O embate de ideias é essencial nesse processo, pois é assim que
    os políticos ficam sabendo o que é prioridade para a população. As ideias que não apresentarem força são naturalmente descartadas.
    Há um pensador americano, Thomas Sowell que diz “A primeira regra da economia é entender que os recursos são escassos, a primeira regra da política é ignorar a primeira regra da economia.“
    O principal motivo dos desentendimentos é que os recursos de uma nação são sempre escassos. Por isso, cada lado vai puxar a discussão e consequentemente os recursos públicos para o que acredita.  
  • Não é simples determinar o que é direita ou esquerda na esfera política, pois aquilo que os lados defendem, muda bastante dependendo da época e da localização. Um exemplo é a luta pelo meio ambiente. Atualmente, esta é uma causa defendida internacionalmente pelos partidos de esquerda, mas isso nem sempre foi assim. Os partidos conservadores da Europa foram os primeiros a ter essa pauta e até hoje existem por toda a Europa, partidos Verdes conservadores.
  • Mises, o economista austríaco, em seu livro A Mentalidade Anti-Capitalista também fala da dificuldade para dividir grupos políticos entre direita e esquerda. Ele usava as distinções de grupos entre Conservadores X Inflacionários. Sendo os conservadores, aqueles que administram o Estado com os recursos que possuem. O foco governamental de um conservador é o indivíduo. O conservadorismo surgiu como uma proteção ao indivíduo das imposições das monarquias. Para um governo de direita, é essencial que se gaste apenas o que se tem, pois de outra forma, o governo produz inflação o que é um roubo através da dissolução da moeda. EXPLICAÇÃO DA DISSOLUÇÃO DA MOEDA.
    Um governo de direita prima por um Estado com o mínimo de tarefas possíveis. No Brasil, o governo é dono de loja de conveniência que vende chocolate e Red Bull. Será que o Governo deve ter posto de gasolina? Um governo de direita, atua na redução da carga tributária porque entende que o cidadão não pode pagar ao governo 40% do que produz.
    Os inflacionários, seriam os políticos que veem na política uma forma de fazer Revoluções, distribuindo recursos conforme o que acham mais conveniente. Na definição de Mises, a direita sempre trabalharia pela diminuição do Estado e menos intervenção estatal  enquanto a esquerda aumentaria os recursos do governo para compensar as distorções que a sociedade produziu. O problema é que um governo não sabe produzir dinheiro, capitaliza-se com o dinheiro produzido pelos cidadãos. A esquerda aumenta gastos públicos com a desculpa de ajudar aqueles que estão com dificuldade. Usam a teoria de Keynes para justificar suas ações. (EXPLICAR A TEORIA KEYNESIANA S SUAS CONSEQUÊNCIAS NA PERDA DO PODER DE COMPRA DA POPULAÇÃO)
    o Governo NÃO é capaz de RESOLVER DESIGUALDADE. Um exemplo disso é brasília. A cidade com a maior desigualdade econômica do Brasil.     
  • O início dessa divisão entre direita e esquerda acontece na Revolução Francesa. O Rei Luís XVI colocou a França numa crise econômica, pois apoiou especulações financeiras nos Estados Unidos. Esse tema foi tratado no episódio  
    O Rei convocou a Assembléia dos Estados Gerais em maio de 1789. Entre os Representantes populares de todas as partes da França todos concordavam que era necessário fazer mudanças. Do lado direito, sentaram os girondinos que acreditavam que essas mudanças deveriam acontecer aos poucos. Do lado esquerdo sentaram-se os jacobinos, que queriam reconstruir toda a sociedade. Um dos líderes desse movimento era Robespierre, um dos que pediram a condenação do rei Luís XVI, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. Em julho do mesmo ano, Robespierre criou um Comitê de Salvação Pública para perseguir os inimigos da revolução. Foi instaurado o regime do “Grande Terror” – o auge da ditadura de Robespierre.   
  • Os Estados Unidos também fez sua Revolução, mas ela mostra nitidamente a  diferença entre direita e esquerda. A Revolução Francesa colocou outro ditador no lugar com ainda mais poderes. Napoleão liderou invasão de países e matou milhões de pessoas com o intuito de levar as ideias iluministas para além de Paris. Na série Wild Wild Country (episódios 63 ao 70) falo mais sobre como a Revolução Francesa aconteceu.
    A revolução francesa foi reproduzindo por outros países europeus o que já tinha sido feito no seu território. Captura de opositores políticos e religiosos, que passavam por julgamentos no estilo de Robespierre para serem jogados em masmorras ou degolados em praça pública.
    A Revolução Americana que aconteceu 6 anos antes da francesa, em 1783, foi uma revogação ao poder centralizado do Rei Inglês, pois os moradores da colônia americana, acharam que estavam tendo um tratamento diferente dos outros moradores do reino unido. Quando os pais fundadores da America,  escreveram a Declaração dos Direitos dos Cidadãos dos Estados Unidos ( Bill of Rights) que é até hoje a Constituição dos Estados Unidos ] em 1789. O objetivo é que cada região construísse suas próprias regras. A Constituição americana foi a primeira constituição sem um monarca no poder na História e parece que deu certo.
    A Revolução Americana tratou de reduzir o poder do governo criando esse documento fundador para haver uma mínima coesão entre as colônias. Entretanto, as decisões mais importantes, ficavam a critério de cada estado. A União desses estados praticamente independentes entre si é que formava Os Estados Unidos da América.
  • Então há dois estilos de ver o papel do governo. A direita prima pelo indivíduo, pela meritocracia e pelo respeito às leis. A esquerda prioriza o coletivismo, no qual, o coletivo (algo abstrato) deve prevalecer à vontade do indivíduo.
    A direita vê o governo como um serviço a ser prestado, a esquerda como uma ferramenta para transformar a sociedade.
    Essas duas narrativas vão lutar pelo controle dos governos em formatos de partidos políticos.
  • Em uma ideologia que não haja proselitismo, os conflitos serão raros. O Hinduísmo não tem interesse em converter ninguém, pois acredita que os únicos seres merecedores da iluminação são os que nasceram nas regiões próximas ao rio indo. Nesse tipo de ideologia, onde o outro ter uma crença diferente não prejudica a comunidade, não há a necessidade de combater ideias ou impô-las para alguém.
    A política é um sistema em que o contraditório, de alguma forma, está disputando os recursos contra você.No sistema brasileiro, um voto para o outro é um voto a menos para você. Como há escassez, há embates.
    Um país mais federalista, como os Estados Unidos, há uma pequena constituição com orientações gerais e o restante são leis regionais. Então se você perde a eleição e não discorda com o candidato do seu estado, pode mudar para o estado seguinte e ter normas completamente oposta. Na administração pública brasileira isso não é possível, nosso sistema presidencialista produz leis para vigorarem em todo território nacional o que torna as disputas ainda mais acirradas.  
  • Eu me considero um liberal, no sentido clássico da palavra, que reconhece valores do conservadorismo.
    Assim como a esquerda possui várias linhas, o mesmo acontece com a direita.
    Na esquerda você tem, por exemplo, a linha Trotskista, que não foi implementada porque quando Trotsky começou a fazer críticas a Stalin foi perseguido e teve que fugir para o México. Ficou exilado por um tempo na casa deós artistas Frida Khalo e Diego Rivera e foi assassinado com uma machadada na cabeça por mandantes do governo russo. Trotsky propunha um comunismo global, enquanto Stalin preferia concentrar-se apenas na Rússia.
    Fora dos Estados Unidos, a direita se auto denomina liberal. Nos Estados Unidos houve uma troca na expressão, lá os liberais são os gastadores, como Mises os nomeou, aqueles que usam os gastos públicos para mudar a sociedade.

A direita possui valores em comum como o respeito às leis, a valorização do indivíduo, a liberdade de expressão (Milton, conservador inglês) e a redução do papel do estado na vida do cidadão.  
Dentro disso há linhas mais Conservadoras e ou mais Liberais.
Os Conservadores veem importância do governo em preservar a cultura local protegendo às fronteiras e valorizando o território nacional.
Do outro lado da direita estão os libertários, que também comungam dos ideais da direita como um estado mínimo. Esses dois grupos refutam-se mutuamente tanto como a esquerda refuta a direita.  
Os anarco-capitalistas ou libertários como também podem ser chamados, acham que não deveria existir nenhum governo. Anarco capitalistas acreditam que todo o imposto é um roubo, pois como você é obrigado a pagar, é algo compulsório e como você não tem escolha e se não pagar terá seus bens e até seu corpo apropriados pelo governo, acreditam que como o imposto é obrigatório ele é roubo.
A sociedade poderia funcionar somente com serviços prestados pela livre-iniciativa. Até mesmo a segurança, o cumprimento das leis.
Eu me situo entre os dois grupos, Não acredito numa sociedade totalmente sem governo, mas também acho que o governo atrapalha a vida das pessoas e dificulta o desenvolvimento econômico.
Acredito que existem costumes que devem ser preservados, pois foram as ideias gregas/romanas/judaico-cristãs que tornaram possíveis à ciência e o controle político a partir da liberdade de imprensa e aqui você vê a diferença entre conservadores e libertários. Para um libertário, se o mercado demonstrar que somente algumas pessoas devem ser autorizadas a se pronunciar, assim deve ser. Já um conservador vai procurar manter o sistema existente.
O lema do conservadorismo é : PROCRASTINAR. Ele aceita mudanças, mas sempre com precauções. Numa atitude moderada. A direita divide-se entre intelectuais de alto gabarito como Eric Voegelin, um dos primeiros alemães a combater o nazismo e que substituiu Max Weber como coordenador da Universidade de Munique e figuras como os rednecks, os caipiras americanos que gostam de armas e que não querem o governo interferindo na vida deles de jeito nenhum.   

  • O que me faz o optar por governos liberais é a teoria principal da Escola de Virgínia, a ideia da Public Choices.
    Uma das bases intelectuais dessa linha é a obra da filósofa russa Ayn Rand. Ayn Rand fugiu da rússia durante a revolução comunista de 1917. As empresas do seu pai foram saqueadas pelos governantes e sua família sofreu perseguições até conseguir escapar para os Estados Unidos. Na América, Ayn Rand produziu uma vasta obra, entre as quais, o único livro dela que li que é a Revolta de Atlas. Esse livro foi considerado pela biblioteca do Congresso Americano como o livro mais influente para os Estados Unidos após a Bíblia. Na sua obra, Ayn Rand mostra que o individualismo não é algo ruim, mas o responsável pela criação de todas as grandes obras humanas. Você lutar, acima de tudo por você mesmo, é louvável e acabará produzindo mais resultados palpáveis do que discursos de amor universal.
    Ayn Rand acreditava que por mais que uma pessoa negue, ela está sempre agindo prioritariamente por interesse próprio. Ela exemplifica isso com o exemplo da sobremesa: “Quando você oferece uma sobremesa à sua namorada, não é pelo prazer dela que você age, mas porque seu prazer de vê-la sentindo prazer é maior que comer a sobremesa.
    Ayn Rand combatia todo tipo de iniciativa coletivista, pois ela acreditava que por trás desse coletivismo, no fundo estava apenas os interesses de quem liderava esses projetos.   
    Na visão dos economistas da Escola de Virgínia, o empresário é visto como ganancioso e o Estado deve criar leis para conter seu instinto ganancioso. Nesse ponto, os legisladores reconhecem que a natureza humana é egoísta e que um indivíduo irá lutar prioritariamente pelos seus interesses sempre.
    Entretanto, quando o as pessoas parecem acreditar que um político muda sua natureza humana e ao se eleger torna-se um ser altruísta que apenas age pelo bem comum.
    A primeira premissa da Public Choices e que o homo politicus, não é diferente do homo economicus, que não é diferente do Homo Sapiens. Todos eles buscam em primeiro lugar melhorar sua condição de vida.
    Muitos economistas apontam as falhas de mercado, mas e as falhas de governo?
    Essas falhas que a escola de Virgínia busca apontar para que os recursos do estado sejam alocados da melhor forma possível.
    Hayeck, outro pensador liberal, alertava para o fato que não podemos depender de boa vontade para que as coisas funcionem. Nos incentivos de uma economia de mercado, pessoas ruins fazem coisas boas, no sistema político, como os incentivos são trocados, pessoas boas são quase obrigados a fazer coisas ruins.
    Numa economia de mercado você é livre para suas escolhas, enquanto nos sistemas governamentais, a maioria, acaba muitas vezes impondo à vontade à minoria. No mercado, se você gosta de tomar coca cola, poderá tanto produzir quanto consumir essa bebida mesmo que 99% das pessoas a recriminem. Num sistema governamental, um grupo organizado politicamente pode criar uma lei proibindo a produção de coca cola e acabar com o consumo da bebida numa canetada.
    Os incentivos governamentais sempre destinam-se aos grupos mais metidos na política, que no fundo não estão lá para o bem comum, mas defendendo interesses pessoais em cada movimento político.
    A diferença que existe de um político para um empresário nesse ponto, é que aquilo que é produzido por alguém é de direito da pessoa, mas o político tem acesso a riquezas que não foram produzidas por ele.  
    A única solução para conter o ímpeto dos políticos é primeiro reduzindo as funções do Estado no cotidiano das pessoas. Em seguida, uma vez que um mínimo de governo é importante,  deve-se gerir os recursos da forma mais eficiente possível. Procurando sempre considerar “aquilo que não se vê” exemplo endividamento para distribuição social. Quando um governo gastador diz que não existe limite de gastos, pois o governo precisa de dinheiro para ajudar os mais pobres, o que de fato acontece: como o governo não é capaz de produzir riquezas, ele vende títulos e paga juros em cima desses títulos, são os famosos títulos do tesouro. Quanto mais endividado um governo está, mais juros tem que pagar e quando falamos em bilhões de dólares de endividamento, você está tirando da população, só no pagamento de juros, milhões de dolares, com o pretexto de ajudar os mais pobres, mas a medida que o pagamento de juros começa a comer recursos da saúde e segurança, há quem o governo está prejudicando mais?
  • Por que nunca se falou em direita no Brasil ?
    Paulo Francis em sua entrevista no Roda Viva 1994 passa o tempo todo falando que o Lula é um corrupto que vai enganar o Brasil. Todos os jornalistas da bancada ficam revoltados. Francis era uma voz solitária, morreu porque disse que sabia de informações que os diretores da Petrobrás depositavam milhões de dólares em bancos na Suiça. Ele almoçando no Four Season com um amigo banqueiro confessou pra ele isso. O Presidente da Petrobrás processou Francis pedindo valores exorbitantes, até que ele por toda essa pressão, sofreu um ataque cardíaco no carnaval de 1997.
  • O que eu vejo como direita: busca por liberdade e independência, meritocracia, sacrifício para conquistar, busca pela verdade.
  • “Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão” – Mises, então Menos  Marx e mais Misses.
  • Música de Dmitri Shostakovich. No episódio 8 eu conto sua história como um contestador do regime comunista. Shostakovich era bem visto por Stalin, mas aos poucos começou a expressar sua oposição ao regime de forma muito sutil. Nessa música por exemplo, a maior parte do trabalho que precede o final é elaborado num tom sombrio, e incluía originalmente uma parte para metralhadora.

 

 


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Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

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Não Seja seu Próprio Guru, mas Mantenha a Semente do Discernimento Om saha navavatu, saha nau bhunaktu Saha veeryam karvaavahai Tejasvi naa vadhita mastu maa vid vishaa va hai om shanti, shanti, shanti   OM, Que sejamos protegidos, o professor e o aluno Que encontremos juntos a liberação Que possamos compreender o verdadeiro significado das escrituras Que haja luz em nosso aprendizado Que não ocorram desentendimentos entre nós OM, Paz, Paz, Paz   Essa semana foi comemorado o dia do professor aqui no Brasil e em Julho, no oriente, foi comemorado o Guru Purnima, a festividade que honra os mestres espirituais. Mas será que professor, mestre espiritual e guru tem o mesmo significado no Yoga? A figura do orientador é essencial no nosso caminho. Defendo o ponto de vista que não se pode ser autodidata no aprendizado do Yoga. 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Dicas de Yoga | 8 maio 2021 | Daniel De Nardi
Reflexões de um jovem veterano yogin

Reflexões yogin de mais de duas décadas! Eu poderia começar este texto citando Vyása ou passagens das Upanishads. Acho que você não me daria nem duas linhas. Por falar em atenção, vamos ao que interessa - os benefícios do Yoga. Podemos dizer que o mundo está corrompido por um imediatismo e que hoje em dia ninguém se dedica a algo \"pela arte\". Verdade, mas será que nossos ancestrais também não agiam pensando no retorno que seu esforço proveria? Ou - será que o mais puro dos artistas também não age por alguma vantagem pessoal? Acredito que sim, tanto a arte quanto o esporte, trabalho, são meios pelos quais agimos buscando algo em troca.   Isto não tira a nobreza da ação, pelo contrário, se algo se perdura pelos séculos é sinal que de alguma forma aquilo vem gerando benefícios aos seus praticantes. O Yoga está vivo, cinco mil anos depois de sua criação, se não tivesse importância na vida das pessoas, já teria sido perdido ao longo da História. Depois dessa breve introdução - ou seria uma defesa prévia? - posso responder:   PARA QUE SERVE O YOGA? Poderia abrir outro parêntese para falar das mil vantagens de um estado de consciência expandida que os praticantes podem alcançar quando dedicam sua vida a isto, mas no final do dia, aqueles 99% dos praticantes que fazem Yoga 2x por semana, o que eles ganham? Há incontáveis benefícios em parar 2 horas na semana para se observar mais. Diminuir um pouco o inesgotável fluxo de informações que se recebe de fora para dentro o tempo todo. Há gente que não desliga nunca. E se nos aproximássemos mais da voz da consciência, que está sempre presente e que esses turbilhões de pensamentos nos impedem de ouvir com clareza - já seria um bom motivo.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”. Madame de Stael        OS EFEITOS MAIS RELEVANTES A disciplina da mente - não é apenas o Yoga que produz esse tipo de habilidade. Se você deseja aprofundar-se em alguma atividade como estudo, esporte ou trabalho, terá que, necessariamente, repetir ações ao invés de ceder à tentação da dispersão. A vantagem que vejo no Yoga em relação às outras atividades é que há técnicas para educar a mente a fazer isto. No dia a dia, a mente quer sempre fugir da repetição. Aí está o poder - decidir de cima, como o senhor que ordena as rédeas das suas atitudes, que agora é o momento do foco e não da distração. No treinamento do ritmo respiratório, quando o praticante trava contato pela primeira vez com a contagem do tempo das fases da respiração, se dá conta que não é tão simples quanto parece repetir o mesmo tempo para inspirar, reter o ar nos pulmões, expirar e reter com os pulmões vazios. A mente, que é dispersa por natureza, não gosta de ritmos cadenciados. Ela sempre vai preferir a diversidade, as variações, é sedenta pelo seu alimento vital - as dispersões. Mas a experiência de se notar que a mente foge do ritmo e ao observar esta atitude, volta a manter a cadência respiratória, nos dá aquela sensação de missão cumprida. E este é apenas um exemplo das dezenas de técnicas do Yoga que atuam neste sentido. Aprender isso com um exercício e depois transferir para as tarefas do dia a dia é algo que a prática nos ensina. A auto-observação - este processo é tão importante dentro da prática que o Yoga Clássico possui entre seus passos iniciais, uma fase chamada de swádhyaya, ou auto-estudo. Vou dar, mais uma vez, um exemplo de técnica, pois no final, Yoga nada mais é que a prática dos exercícios desta filosofia. Quando treinamos as posições de equilíbrio com os olhos fechados, somos obrigados a observarmo-nos internamente. Sem uma percepção de como o peso está distribuído no único pé que ficou no chão, torna-se impossível manter a posição por mais de alguns segundos. Mais uma vez, a técnica ensina o praticante a permanecer no melhor caminho, observando e atuando. Unindo - disciplina da mente e auto observação - temos o melhor dos cenários na busca para se alcançar objetivos desafiadores. Para tanto, é imprescindível que nos aproximemos cada vez mais daquilo que realmente somos, estabelecendo uma ligação mais próxima com a nossa consciência, que é a mais expressiva manifestação da nossa essência. Somente quando a pessoa está intimamente conectada consigo poderá reconhecer melhor seus defeitos e transformá-los em virtudes, conhecer suas vocações para poder realizar seu pleno potencial. A conexão interna nos proporciona uma grande confiança para traçarmos metas audaciosas. Ela nos conscientiza de que só depende da nossa própria capacidade de autoaprimoramento para que alcancemos tais objetivos e o Yoga pode ajudar qualquer um nesse processo. Talvez este seja seu maior benefício. É praticar para crer.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();