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Os tipos de yoga


No Bhagavad-Gita, Krishna discursa sobre quatro tipos de Yoga: Karma, Jñana, Rája e Bhakti no diálogo com Arjuna.
Estas seriam as linhagens mais antigas e de Raja teriam vindo as outras.

Porém, comumente são citados oito estilos como principais, apesar de hoje em dia haver centenas, talvez milhares de “tipos” de Yoga.

Todos os outros nomes que você sentiu falta nessa imagem, são estilos modernos e quase todos derivados do Hatha, como detalharei a seguir.
O que aconteceu é que foram surgindo práticas mais modernas para se adaptar ao estilo de vida de cada época.
Vamos começar nosso estudo pelos tradicionais.

Bhakti Yoga

É o Yoga da devoção. Utiliza bastante mantras e meditação para chegar ao autoconhecimento.
Pode ser praticado através da devoção ao Divino, divindades ou ao Mestre.
No ocidente esse movimento foi popularizado pelo movimento Hare Krishna.

Mantra Yoga

O Yoga do som. Estuda as vocalizações dos sons e ultra sons, ou mantras propriamente ditos.

O mantra é um som sagrado e pode ser entoado de forma repetida, melódica (Kirtans) ou então mentalmente.

Raja Yoga

É o Yoga Clássico, também conhecido como Yoga de Patañtali.
Dividido em oito partes:
Yama – refreamento, princípios morais e éticos
Niyama – observâncias interna
Asana – posturas psico-físicas
Pranayama – domínio da respiração
Pratyahara – abstração dos sentidos
Dharana – concentração
Dhyana – meditação
Samadhi – o estado de plena consciência e auto-realização; libertação

Laya Yoga

O foco é no desenvolvimento dos chakras, despertar da Kundalini (leia a definição dessa energia em Kundalini Yoga). Gorakshnata foi quem desenvolveu esse estilo, onde o foco é no desenvolvimento interior, grande ênfase na meditação e pranayama.

Karma Yoga

É o Yoga da Ação. A palavra Karma é derivada da raiz sânscrita KRI, cuja tradução é agir, fazer. Tomada em sentido literal, Karma significa ação, e refere-se a todas as ações, tanto as mentais como as físicas. Nesta linha do yoga estão contidos os ensinamentos de que o trabalho de cada indivíduo deve ser feito com amor, sem egoísmo e isto significa executar a ação que lhe cabe com perfeição, por amor à coisa em si e desapego aos frutos de seus atos. É a ação desinteressada.

Quando falo que o Yoga pode ser praticado de muitas formas é porque ele realmente não é só ficar de cabeça para baixo. A caridade pode ser considerada uma forma de Karma Yoga. Mas se for fazendo invertida que leve a pessoa ao autoconhecimento e libertação, tudo certo também. Não existe caminho certo, existe o seu jeito de caminhar.

Jnana Yoga

Yoga do conhecimento.

A palavra Jñana, derivada da raiz sânscrita Jna, significa conhecimento, discernimento. Em alguns textos aparece como o Yoga do conhecimento absoluto.

Utiliza basicamente meditação.

Tantra Yoga

Talvez seja o mais distorcido, tadinho.
Tantra significa literalmente tecido, urdidura; pode ser traduzido como ‘espargir o conhecimento’ ou ‘a maneira certa de se fazer qualquer coisa’, tratado, autoridade, estender, multiplicar.
Tantra Yoga estimula a expansão mental do praticante rumo a camadas
mais sutis da mente. A sua filosofia guia e acelera essa expansão dentro de uma visão
universalista, para o benefício da sociedade e de todos os seres.
É um prática sensorial conhecida como culto à Grande Mãe, despertar da força criadora. Nada a ver com essa imagem sexual que construíram no ocidente.

Hatha Yoga

Hatha significa força, seria o Yoga Vigoroso, mas a palavra também pode ser dividida e interpretada pela divisão de suas sílabas Ha (sol) e Tha (lua), cujo significado é atribuído à busca do equilíbrio das forças solar e lunar, masculina e feminina.

É o estilo que busca o autoconhecimento através das posturas físicas.

Pela internet é comum encontrar a informação que este estilo foi criado por Svatmarama.

Porém, Svatmarama foi apenas um compilador da obra do Hatha Yoga em seu “Hatha Yoga Pradipika”, assim como Patañtali fez com os ensinamentos do Yoga. Se não fosse assim como o Raja Yoga poderia ser citado no Gita se Patanjali nasceu séculos depois desta obra.

Svatmara cita no Pradipika, sua obra do século XV, Matsyendra como o fundador do Hatha Vidya, a ciência do Hatha Yoga. A história de Shiva e Matsyendra é muito legal e eu conto em um outro post.

Agora vamos aos modernos, em que 99% são variações deste último. Note que mesmo sistemas que alguns consideram antigos, como o Kriya Yoga, algo do século XVIII é super contemporâneo para uma filosofia de 5 mil anos.

Power

Derivação moderna do Hatha.
Foi popularizado por ser o estilo mais encontrado nas academias de ginástica.
É uma prática vigorosa focada nos asanas, sem uma sequência fixa e com sucessão rápida dos movimentos.
Com uma prática intensa muitas vezes é mais fácil relaxar no shavasana e até auxiliar na chegada mais rápida para meditação.

Ashtanga

No final da década de 1930, um importante mestre de Yoga chamado Krishnamacharya e seu discípulo Pattabhi Jois encontraram na biblioteca da Universidade de Calcutá um antigo manuscrito sobre técnicas de Hatha Yoga aplicadas em seis séries específicas de posturas. Este tratado também trazia referências sobre sequências posturais de Saudações ao Sol, com detalhes de ritmo respiratório – o que é conhecido como vinyasa.

Partindo desta pesquisa, o discípulo Pattabhi Jois desenvolveu seu sistema de Yoga conhecido como Ashtanga Vinyasa. Este sistema de Yoga é uma variação de Hatha Yoga, com séries fixas. Tal sistema se popularizou rapidamente pelos Estados Unidos durante a década de 1990 e ganhou adeptos ao redor do mundo, principalmente Europa e Brasil. O sucesso de deve ao estilo forte e dinâmico da prática das posturas unidas ao ritmo acentuado da respiração – que muito se assemelha ao ritmo de vida moderno das grandes cidades. A técnica tem suas bases na sequência de Saudação ao Sol, uma das mais antigas do Yoga.

Iyengar

B.K.S Iyengar teve o mesmo mestre de Jois, Krishnamacharya. Inclusive foram alunos dele no mesmo período em Mysore.
A prática de Iyengar tem ênfase no alinhamento e precisão das posturas (asanas) e controle da respiração (pranayama).
Usualmente este estilo costuma ter uma permanência maior nas posições que outros estilos de Yoga e utilizar cintos, faixas, blocos tornando possível as posições para pessoas de todas as idades e biotipos.

Integral

Desenvolvido por Sri Aurobindo. Chama-se Purna Yoga em sânscrito.
O “Yoga supramental” de Aurobindo gira em torno da transformação da vida terrestre, o desapego do ego em busca da transcendência espiritual.
Segundo Aurobindo, a supermente é o motor da evolução, que ele compreende como um progresso contínuo rumo a formas de consciência cada vez mais elevadas.
Gosto muito do seu livro “The Divine Life” em que ele fala que os tipos de Yoga anteriores (os 7 que iniciei esse post) eram caracterizados pela “renúncia do asceta”. Para este autor, não tem porque opor a vida material à espiritualidade. Ele não negou o ascetismo, apenas contextualizou para o mundo não dual, de uma coisa ou outra.

Swásthya

Codificado pelo Mestre DeRose, entitula-se o Yoga Antigo.

A prática padrão é divida em oito partes chamada de Ashtanga Sadhana. É uma prática bem completa com mudrá (gestos ancestrais), púja (retribuição de energia), mantra (vocalização de sons), pranayama (captação, expansão e domínio da bioenergia), asana (posturas), yoganidra (relaxamento guiado) e samyama (concentração e meditação).

Na parte de ásanas tem ênfase na permanência máxima nas posições e repetição mínima.

Kundalini

É derivada do Laya Yoga.
Prática com ênfase no despertar da Kundalini, poderosa energia localizada na base na coluna representado por uma serpente enrolada três vezes e meia no primeiro chakra.
Alguns autores afirmam que não há samadhi (a meta do Yoga) sem o despertar dessa energia.
Na Índia, esse método tem uma forte ligação com o sikhismo, a religião do amor, em que os praticantes usam o turbante na cabeça.
Combina com quem quer uma aula mais filosófica e menos intensa.

Kriya Yoga

Kriya em sânscrito significa atividade.
Desenvolvido por Lahiri Mahayasa e amplamente divulgado por Paramahansa Yogananda através de seu livro “autobiografia de um iogue”.
Consiste em três niyamas: tapas (auto-superação), swadhyaya (auto-estudo) e íshwara pranidhana (auto-entrega).
Swami Sivananda tem um excelente livro chamado: Tantra Yoga, Náda Yoga e Kriyá Yoga, em que aborda esse método de forma menos misteriosa.
É uma linhagem espiritualista.

Birkram

Este método consiste em uma série de 26 posturas clássicas de Hatha Yoga repetidas duas vezes. A aula é dividida nas posturas feitas em pé e deitadas. A primeira dura 60 minutos e a segunda 30.

É praticada em uma sala aquecida e úmida, por isso, popularizou-se com o nome de Hot Yoga.

 

Procurei fazer um post bem completo mas ainda assim não abordei todos pois basta você rearranjar algumas linhagens, por exemplo, Bhakti Yoga, Mantra Yoga e Hatha Yoga e chamar de BMH Yoga e tem-se um novo estilo.
O que importa não é o rótulo. Importa como você sai de uma prática, se for se sentindo bem, pronto!, achou seu estilo.
Segundo Patanjali, Yoga é a supressão das instabilidade da mente. Como você chegará até lá, se for por meio da devoção, cânticos ou posturas, não importa. Isso é uma questão de identifição. A sua personalidade será seu guia para a melhor maneira de você trilhar o caminho do autoconhecimento.

Muitas vezes o que conta é a identificação com o professor, a aula de uma mesma linhagem ministrado por outro professor pode ser completamente diferente.
Então, não avalie todo um Universo por alguma experiência que você teve em uma única aula. Yoga é para todos, basta você encontrar o que se encaixa a você.

E nós queremos ajudar você a encontrar o seu.

 

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Mayara Beckhauser

May é professora de yoga desde 2004. Economista, fala pelos cotovelos, é chorona, adora gatos, livros, comida vegana, generosidade, a insônia inspiradora que lua cheia lhe dá, escrever e incentivar pessoas a viverem de forma mais livre. Instagram: @yogalifestylebr

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    Silvia Martins - 8 fev 2017

    adoreiii

    • Daniel De Nardi

      Daniel De Nardi - 8 fev 2017

      Que bom que você gostou Martins!

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    Rafael - 9 out 2017

    Namastê! gostei muito do conteúdo e gostaria de saber se está publicado em alguma revista ou artigo.

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    Monica Kestener - 11 jan 2018

    Muito bom Daniel...vou continuar a ler.....semore...gratidão

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    paula - 11 jan 2018

    Adorei!!! legal para compartilhar com amigos que tem dúvidas sobre os diversos tipos e métodos. porém percebi que no swasthya comenta-se oito partes mas, na descrição é colocado apenas sete. ou estou enganada?!!

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    Marcos - 13 jan 2018

    Estava interessante até aparecer mestre derose... bom, bola pra frente.

    • Daniel De Nardi

      Daniel De Nardi - 15 jan 2018

      concordo !

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    Flavia Assaife - 15 jan 2018

    gostei muito