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OS QUATRO ESTADOS DA MENTE

OS QUATRO ESTADOS DA MENTE

O conceito de mente é geralmente usado para se referir ao instrumento do corpo que nos faz pensar e ter ideias. Sendo assim, a mente é constantemente alterada pelos nossos pensamentos, passando de um para outro. Na teoria yogin, o conceito de mente é simultaneamente mais especifico e mais compreensivo.

No yoga, a mente é entendida como operadora de quatro formas distintas, estados ou ainda quatro ferramentas: pradhána, mahat, ahankara e manas. É difícil encontrar tradução para estes termos.

Dr. Shankaranarayana Jois explica isso de forma bem elucidativa em seu livro “The Sacred Tradition of Yoga” que já indiquei aqui no blog.

Segundo ele, a primeira coisa para entender isto, que ele chama de quatro ferramentas da mente, é que o yoga envolve um processo reverso de evolução, ou de-evolução. É um processo da mente movendo-se do mundo externo para seu estado original, ou estado causal. Isto descreve a mente se movendo para dentro. Vamos agora ao estudo de cada uma dessa ferramentas.

Quando estamos acordados, manas é a parte da mente a qual experenciamos a maior parte do tempo. É o que normalmente entendemos por mente no ocidente, é o estado que nos faz lembrar das coisas e pensar no dia a dia. Manas é a ferramenta que usamos para perceber o mundo externo e que é comparada a um macaco que pula de galho em galho.

Ahankara é o estado da mente que mantem a consciência do “eu”. Ela se manifesta quando estamos concentramos e voltados para dentro. No estado de ahankara a mente opera como uma lente pela qual se vê a consciência pura.

O terceiro estado, mahat, também é conhecido como buddhi ou citta. Podemos reconhecer que estamos neste estado quando temos uma sensação de felicidade sem razão aparente, alegria sem motivo. Essa bem aventurança está sempre presente de algum modo, mas nem sempre reconhecemos isto, porque estamos ocupados operando em manas, no mundo exterior. Na jornada yogin, a mente adquire a capacidade de se tornar totalmente absorvida por esse esta de profunda satisfação. É aquela sensação de que esta “tudo certo” depois de uma prática de yoga.

O quarto e ultimo estágio é pradhána, quando a mente se torna totalmente constante. Pradhána é o estado de Realização.

Estas são as quatro maneiras distintas pela qual a mente funciona. Cada estado emerge através deste estado que, como falei, Shankaranarayana Jois chama de de-evolução, o processo da mente se mover para dentro retornando ao estado causal. Quando manas retorna ao seu estado causal, ela se funde em ahankara onde onde a consciência do eu reside. Ahankara então mergulha em mahat, onde experimenta o estado de graça, bem aventurança, desassociada do mundo externo. Finalmente, mahat mergulha em em pradhana onde a mente se torna plena e a iluminação ocorre.

Acho importante ressaltar que no estado de mahat a mente já se livra da dualidade de experimentar tudo como prazer ou dor, sucesso ou fracasso. Porque a felicidade nesse estado não é uma emoção, emoções são relacionadas com objetos exteriores. Este estado é sem pré-condições, mahat vê os objetos materiais todos iguais e experimenta um estado de graça “do nada”, é maravilhoso. Falo maravilhoso porque já tive dias e acesso este estado de santosha frequentemente depois de meditar, mas ainda não atingi a evolução de viver neste estado. Continuo na jornada.

Mayara Beckhauser

May é professora de yoga desde 2004. Economista, fala pelos cotovelos, é chorona, adora gatos, livros, comida vegana, generosidade, a insônia inspiradora que lua cheia lhe dá, escrever e incentivar pessoas a viverem de forma mais livre. Instagram: @yogalifestylebr

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    Danya Debone - 23 maio 2018

    mto bom!! obrigada!