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O Yoga pode ajudar na redução do Stress?

O Yoga e o Stress

O Yoga pode ajudar na redução do Stress?

Pergunte aos seus amigos, o que é o stress? Alguns dirão, nervosismo, tensão muscular, outros frio na barriga, palpitação. Eles não estão errados, mas isso são os efeitos físicos do stress; o stress mesmo começa bem antes.

Quando o cérebro entende que estamos numa situação de perigo, ele avisa ao corpo para que se proteja da ameaça. Não são apenas os humanos que se estressam, todo animal possui algum tipo de defesa em casos de risco. A sensação de medo aciona o sistema simpático ( que de simpático não tem nada, pois é o sistema responsável pela luta ou fuga, o sistema simpático é responsável pelos instintos mais primitivos de sobrevivência). Quando isso acontece, todas as sensações descritas pelas pessoas, começam a aparecer, o batimento cardíaco aumenta, os vasos sanguíneos se contraem para que menos sangue seja perdido caso haja corte, os sentidos se aguçam, as pupilas de dilatam para vermos mais detalhes, o sangue sai de órgãos como estômago ou intestinos e se desloca para o cérebro e músculos. Estamos prontos para lutar bravamente pela vida, só que como será a digestão de alguém muito estressado durante vários dias? 

O que desencadeia o stress é uma percepção subjetiva de um risco aparente. Cada pessoa, internamente identifica algum tipo de ameaça e aquilo vai afetá-la na proporção direta do seu medo. Em outras palavras, o stress começa por causa de alguma insegurança, um medo que quanto maior, maior o estado do stress.

O stress em si não é ruim, ele já salvou nossas vidas inúmeras vezes. O ponto é que há um preço a ser pago pelo corpo por todas essas alterações hormonais. Como o corpo gasta muita energia para entrar no estado de luta ou fuga, se o estado for repetido constantemente, o sistema imunológico cai, a recuperação do corpo é prejudicada e mesmo dormindo, alguém com altas taxas de cortisol, permanece cansado. No médio prazo, pode aparecer efeitos como tristeza e depressão.

A Organização Mundial de Saúde vem chamando a atenção para a gravidade de doenças relacionadas ao coração. 90% das pessoas com diabetes ou doenças cardíacas desenvolve esses sintomas por causa do estilo de vida. É uma unanimidade entre especialistas, que o maior risco de doenças cardíacas se dá em pessoas com pressão alta, altos níveis de colesterol e açúcar no sangue. Fatores relacionados às respostas do stress e má alimentação.

 

O stress quando salva nossa vida é bem vindo, o problema é quando geramos o stress em situações desnecessárias, por motivos que não valiam esse esforço luta/fuga. Passar constantemente por situações estressantes, desequilibra a vida, tira a pessoa do eixo.

 

Centenas de estudos como este, demonstram melhorias importantes relacionando meditação a redução de ansiedade e depressão. Hoje é comum praticantes procurarem o Yoga para baixar os níveis de cortisol ( um hormônio que indica um estado constante de stress),

 

Mas será que o Yoga consegue fazer isso?

A primeira definição do Yoga foi feita por Patanjali, um importante mestre de Yoga dizia que o Yoga é a suspensão das agitações mente/emoções.

Numa leitura científica, Patanjali estaria dizendo que deve-se evitar usar demais o sistema simpático (aquele que ativa fuga/luta) e que também deve-se usar o outro sistema o parasimpático, responsável pelo descanso e digestão, por reabilitar o corpo, deixando revigorado. Patanjali propõe um caminho de não agitação, não stress, caminho de equilibrio entre o vigor e a calma.

Uma pessoa estressada, sente-se de alguma maneira ameaçada, isso provoca agitação. Ela vive o medo, deixa de ser ela mesma e por isso, passa longe do estado sugerido por Patanjali. Por outro lado, a melhor forma de se ativar o sistema parassimpático, produzindo revigoramento físico e mental é a prática de Yoga.

O Yoga apresenta muitas ferramentas para atuarmos melhor nas causas do stress e suas respostas.

 

  • Contato com sua respiração – fisiologicamente uma das respostas mais imediatas do stress sobre o corpo é a alteração da respiração. Tornar a respiração lenta e profunda muda completamente o estado interno. O cérebro entende a respiração profunda como um momento de segurança e com isso diminuiu as substâncias para defesa como adrenalina e outras. 
  • Relaxamento físico – tanto as posições físicas quanto os exercícios de relaxamento possibilitam descontração muscular, liberando tensões e melhorando a circulação sanguínea.
  • Meditação – o terceiro ponto, relacionado ao quanto, nossa percepção de mundo pode mudar e o quanto isso evita o stress, precisaremos voltar a Patanjali.

No seu livro Yoga-Sutra, Patanjali trata de klêshas, obstáculos para alcançar a estabilidade YogIN. Para ele, o que dificulta a vivência constante do EU são esses 5 fatores:  

  • Ignorância;
  • Apego;
  • Aversão
  • Egotismo;
  • Medo.  

Podemos explorar os 5 klêshas em outro texto, mas agora, é o último que nos interessa – MEDO!

Nos primeiros sutras (aforismos), Patanjali diz que o YogIN só tem duas possibilidades: ou encontra sua identidade ou irá se identificar com personagens, no caso desse klêsha, um personagem tomado pelo medo (stress). Em seguida, descreve diversos sentimentos decorrentes dessa identificação com o medo, tais como angústia, infelicidade e nervosismo.

A busca do YogIN é livrar-se do que lhe afasta do EU, os klêshas que impossibilitam a estabilidade mente/psiquismo.

A palavra sânscrita satya, verdade, vem de sat, ser, existir. Então a verdade de satya não é no sentido de contar uma verdade, mas de ser verdadeiro. Essa é a maior verdade, uma verdade que gera convicção, pois você é você mesmo e isso é essencial para estar seguro. Patanjali indica satya como um passo importante na libertação do YogIN.

Entre todas as suas técnicas, pranayamas, asanas e especialmente na meditação, o que o Yoga se propõe a fazer é revelar o EU. Trazer ao praticante aquilo que ele já é, e sempre foi, mas nem sempre trouxe essa essência para o mundo. Quando há conexão com EU há esse sentimento de Satya, o verdadeiro sentimento de SER quem se verdadeiramente é.

Para saber se você tem vivido próximo ao EU, olhe para sua vida e observe se mesmo com os altos e baixos, de uma maneira geral a direção faz sentido pra você. Quando você percebe esse sentido, passa não se incomodar tanto com os obstáculos, mas aprende com eles. A vida se tona mais leve, seu EU é mais presente. Por outro lado, se fazendo a análise você notar que há um desalinhamento, que você parece estar deslocado de lugar, fazendo algo que não gosta, vivendo uma vida que não é sua, provavelmente, por diversas razões, mas o desalinhamento por si só, põe nosso psiquismo em estado de stress. 

Viver desconectado daquilo que você realmente é, gera insegurança, você pisa num terreno desconhecido, logo vê perigo a frente o tempo todo e o corpo responde com stress.

Diminuir o stress requer prática dos exercícios de Yoga, mas também uma vontade do praticante de vencer esses medos. Encará-los para conseguir distinguir dentro das sensações o que é realmente seu, o que verdadeiramente ameaça-o, o que é pura construção do psiquismo.

Meditar é trazer o EU para o eixo e depois tentar trazê-lo para o dia a dia. Encontrar sua estabilidade interna, para agir no mundo, seguro que o seu EU está fazendo o melhor.

 

   

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Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.