A Preparação – Podcast #09

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Podcast de Yoga | 30 jan 2020 | Daniel De Nardi


Reflexões de um YogIN Contemporâneo Podcast #09

Este episódio é parte do conteúdo do novo curso do YogIN App  – o curso trata sobre o tema do medo, analisando-o segundo escrituras antigas da Índia com a Katha Upanishad e o Mahabharata.

O objetivo de abrir essa reflexão é pensarmos o quanto o medo nos paralisa e impede que expressemos nossa real Natureza.

Patañjali já havia observado isso, e não à toa coloca dois tipos de medos como impedimentos da expressão da nossa verdadeira identidade.

Dvesha = aversão (medo gerado por uma experiência dolorosa)

Abhinivesha = apego à vida ou medo da morte.

Os medos são importantes, eles nos protegem de ameaças, mas inegavelmente também dificultam muitas das nossas atitudes.

Nesse podcast, eu trouxe o exemplo de uma etapa muito importante no processo de despertar mais ousadia que é A Prepração.

Dois aventureiros profissionais, tentaram ao mesmo tempo conquistar o Polo Norte em 1911, um deles chegou um mês antes e com toda a equipe em boa saúde. O outro, apesar de ter as tecnologias de ponta e mais recursos, viu a Bandeira do outro país cravada no ponto dos 90º.

 

Links do episódio:

 

Transcrição desse episódio

 

A Preparação #9

Olá, meu nome é Daniel De Nardi e está começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje também nós tem uma música muito especial, Rhapsody in Blue, que ao final vai ser tocada aqui.

O episódio de hoje vai falar sobre preparação, a preparação para um grande desafio, a preparação pra gente vencer um obstáculo. Isso pode parecer um pouco clichê a priori, mas eu vou trazer um exemplo muito bom aqui que a gente vai conseguir comparar o quanto uma preparação pode ser boa ou não. Esse podcast está sendo gravado hoje, porque estou no meio da produção de um novo curso que vai tratar sobre Abhinivesha. Abhinivesha é uma das principais dificuldades que nós temos, segundo Patanjali, pra encontrar a nossa real identidade. E o Abhinivesha é o apego demasiado a vida ou o medo da morte, e esse medo acaba se derivando em múltiplos medos, então a ideia desse curso é trazer reflexões, referências de textos indianos, então eu estou pesquisando. A base toda desse curso é a carta Upanishad, que é um texto antigo que trata reflexões sobre os medos do ser humano, então isso está inserido no curso, junto com técnicas, com a minha experiência pessoal, está ficando um curso muito bacana. Recomendo muito para quem está gostando do podcast que estou produzindo aqui, dê uma olhada na nossa página de cursos. Eu vou deixar o link aqui na descrição, então você pode ver a descrição completa, ali vai ter o link para essa página de cursos e quem está gostando mesmo dos podcasts eu recomendo porque vai gostar dos cursos.

O podcast a gente faz aqui uma reflexão aqui sobre alguns temas, uma reflexão de quinze, vinte minutos, ás vezes, meia hora e o curso consegue desenvolver melhor, elaborar melhor esses temas, tem todas as referências que você consegue ver, tem as descrições, os links e tem um acompanhamento, depois, em grupos on line. Esse curso já está disponível, quem quiser já por ir lá dar uma olhada, as duas primeiras aulas são abertas, mais esse podcast, e ele vai sendo disponibilizado aos poucos agora, mas está muito interessante, e eu acredito mesmo que essa reflexão vai produzir em você uma vontade maior de realização, um ímpeto maior. Tentar vencer barreiras que a gente tem e que são fundamentadas em aspectos psicológicos, aspectos que precisam ser trabalhados com auto-observação e com reflexão, então, a ideia dele é trazer essa reflexão para os medos que nos impedem de ser nós mesmos, os medos que nos travam, os medos que não nos deixam a vontade na vida.

Como eu falei, eu consegui um exemplo nítido desta questão da preparação, o curso ele acaba sendo mais amplo do que isto, mas esse aspecto da preparação é parte dessa reflexão que eu vou trazer no curso. Bom, quando você pesquisa em biografias você sempre vê que há um esforço grande, o personagem principal passa por um processo de sacrifício mesmo para conquistar aqueles objetivos, mas é muito difícil a gente mensurar o quão realmente a pessoa se esforçou o quanto aquele esforço produziu aquele resultado ou não, porque você nunca tem um ponto de comparação, então você vai estudar, por exemplo um livro que ficou famoso recentemente, a história do André Agassi, daí você vê todo o esforço dele, mas você não tem exatamente alguém com o mesmo objetivo ao mesmo tempo, com condições, até que no esporte você consegue fazer essas comparações, mas são difíceis até porque, no caso do Agassi,  são várias  gerações que ele passou de jogadores, então até isso é difícil você comparar o quanto a preparação influenciou de fato os resultados ele conseguiu. Mas eu consegui um exemplo de um livro do Jim Collins, que é um pesquisador, ele faz pesquisas sobre empresas que são bem sucedidas e empresas que não são bem sucedidas. E, neste caso, no último livro dele, ele está estudando líderes e empresas que passaram por desafios muito grandes. Ele compara sempre com grandes aventuras, com expedições. O Jim Collins tem esse background que é de aventura, de analisar o quanto o esforço, a preparação, o método fez com que a expedição desse certo ou não. E nesse livro ele traz a história de dois aventureiros, esse processo de busca por aventuras era feito de maneira profissional, a ciência ia na frente, primeiro houve-se uma busca pelo Polo Norte e, conquistado, houve-se um esforço pra chegar ao Polo Sul, não era só chegar a Antártica, mas chegar no Polo sul exatamente onde você tem o centro do mundo, então essa começou a ser a grande busca, em termos de aventura, no final do século XIX ao início do século XX. E o interessante desse exemplo é que nós temos duas pessoas com o mesmo objetivo e na mesma época e com idades próximas, você consegue comparar precisamente quais foram os resultados das expedições de um e de outro, então esses dois personagens são a Roald Amundsen e Robert Scott que era um inglês.

O Robert Scott contava com toda a tecnologia de ponto porque ele era inglês e a Inglaterra tinha muito interesse nessa época em expedições, então ela colocava muito recursos nestes projetos, era muito incentivado pela coroa britânica essas expedições. Por outro lado, o Amundsen dependia basicamente dos esforços dele, ele não tinha nenhum governo patrocinado ele como o Scott tinha e os seus recursos dele eram limitados. Para começar a explicar sobre os resultados que eles tiveram, o Jim Collins neste livro, Vencedoras por opção, ele começa a falar sobre um conceito que ele chama de “Marcha da vinte milhas”, que significa você estabelecer algo que você realmente consegue fazer e repetir. Então ele dá esse exemplo porque ele fala que isso é muito presente nos líderes que conseguem mais resultados, que é você manter uma consistência de ação e não “quando tá bom você faz muito, quando está mal você faz quase nada”, mas conseguir uma consistência independentemente do ambiente em que você se encontra, então quando você pode mais você não vai porque você se preserva.

Eu vivenciei muito isso quando eu treinei triathlon para o Ironman, porque o grande ponto de treinamento pra um triathlon – eu já treinei corrida apenas, mas não acontece isso porque você treina quatro vezes por semana, consegue fazer muitos esforço na maioria dos treinos chegando ao seu limite – não pode estar constantemente trabalhando no seu limite, porque sempre tem um treino no dia seguinte de uma modalidade diferente, então você precisa se preservar. Então é muito mais importante você manter uma consistência de treino e não levar no limite pra que você não ter a queda depois, ficar lesionado ou ter overtraining, que é quando você fica desgastado demais. Esse ponto da consistência da caminhada, que são as vinte milhas, é essencial para grandes conquistas e o Jim Collins fala disso, sobre a importância da consistência, ele fala, inclusive, que a marca da mediocridade é a inconsistência crônica, é o exemplo básico do regime da segunda-feira, mas a gente pode observar isso em diferentes pontos da nossa vida. Você tem muito esforço, mas você não consegue resultado porque você colocou muito esforço, e para. Então precisa ter, para fazer uma construção grande, uma consistência de trabalho, uma repetição daquilo você criar habilidades físicas ou mentais ou emocionais, para isto é necessário repetição, consistência.

No exemplo desses dois navegadores, quando eles chegaram na Antártida, o Amundsen, que acabou chegando primeiro, ele sempre mantinha vinte milhas, de quinze a vinte milhas, porque ele sabia que se ele levasse a equipe dele ao esgotamento e naquele momento em que eles estivessem esgotados acontecesse uma tempestade de neve, poderia fazer com que a expedição acabasse. Já o Scott teve um momento muito bom inicial, andou muito e depois não conseguiu, ficou cansado e pegou uma tempestade.  A consistência ela não é só você se esforçar nos momentos difíceis, mas é você não ir a mais também nos momentos em que as coisas estão fáceis. E voltando ao exemplo de treinamento de triathlon, aí você pode observar para a meditação, para o treinamento de asana, qualquer tipo de treinamento, você pode dizer “ah hoje eu tô muito bem, vou fazer muito, muito”, mas daí no dia seguinte você tem queda de performance, então é melhor você manter consistente e ir repetindo, ganhando corpo e aumentando progressivamente. O que constrói realmente as coisas são essas marchas das vinte milhas e é essencial que a gente se pergunte “quais são as minhas vinte milhas?”,O que eu estou fazendo consistentemente na minha vida para produzir a transformação que eu quero?”,Então o que eu venho reproduzindo regularmente?”. Isso é de fato o que vai construir o que você quer, e está ligado uma outra pergunta que é: “Se eu morrer, se eu desaparecer quem é que vai sentir falta do que eu faço, ou de mim? E por que essas pessoas vão sentir falta?”. Esta pergunta está ligado ao que o hinduísmo chama de Dharma, que é a sua própria vivência essencial, o que você tem que fazer que vai te gerar a satisfação.

O sânscrito tem uma palavra chamada shraddha, que pode se traduzir por fé, mas essencialmente é aquilo que você tem certeza que quando você faz você está certo, então a própria Bhagavad-Gita tem uma passagem que diz que você é o seu shraddha, porque no fundo você é aquilo que você faz e que você tem certeza, é esse encontro da certeza que vai fazer com que você consiga manter consistente as suas vinte milhas. Se você não encontrar o seu shraddha você não vai conseguir manter consistentemente algo para impressionar os outros, é impossível isso, você só consegue manter algo consistente quando aquilo é realmente seu. No meu outro curso de aprendizado, tem uma passagem que eu falo que a disciplina tem muito mais a ver com uma boa escolha do que com “ah eu sou o Super-Homem que me supero e venço todos os obstáculos”, não, a disciplina tem muito mais a ver com “isto realmente é meu, eu sou isso”, então eu vou repetindo isso até construir aquilo que eu acredito, vai passar por dificuldades, vai passar por transformações, mas como Jim Collins falou a marca da mediocridade é  você realmente não querer expressar algo seu, ficar na média, seguir só os seus condicionamentos, seguir o que todo mundo faz, fazer várias coisas, não ter consistência na construção.

Ele começa a falar também sobre a criatividade, que também é essencial nesse processo. Só a disciplina não adianta – isso eu também eu abranjo no curso sobre aprendizado – a disciplina sem aprendizado não faz sentido, ela só faz sentido quando é a repetição vinda como aprimoramento, este aprimoramento tem a ver com criatividade e então ele cita um tipo de criatividade que é a empírica, que fez diferença no caso do Amundsen e do Scott.

A criatividade empírica é quando você faz testes com coisas que já existem, e então você faz uma grande inovação, uma grande disruptura, e não tenta fazer uma disruptura sem nenhuma base. O exemplo do Amundsen e do Scott, o primeiro valorizava o que já tinha sido descoberto e o que existia de conhecimento em relação a viver e se deslocar no frio, ele foi para o Alasca, viveu com os esquimós e, durante este tempo, ele aprendeu muitas coisas e começou a ver o que de fato funcionava. Ele observou por exemplo, que os esquimós de deslocam sempre devagar, porque a pior coisa que pode acontecer no frio é transpirar e quando isso acontece o suor congela dentro da roupa e você tem o pior cenário, o gelo diretamente na sua pele. Naquela época eles não tinham equipamentos, estamos falando de 1890 por aí. Ele descobriu, por exemplo, que eles usavam cães para se deslocar no frio, porque cães trabalham em grupo, tem habilidades de deslocamento rápido e a outra vantagem é que, se acabar a comida – infelizmente, mas em caso de vida e morte –, eles se alimentam uns dos outros, algo diferente do que o Scott acabou adotando.

O Amundsen observou tudo isso, fez esta experiência e levou para Antártica o que ele tinha aprendido, então ele teve uma criatividade empírica, acrescentou algumas melhorais ao que já existia. Já o Scott quis fazer uma disruptura total, ele criou o trenó a motor que congelou assim que chegou na Antártica e não funcionou. A segunda opção, como ele não havia feito uma preparação assim como o Amundsen, foi tentar se locomover com pôneis, porém, eles não comem carne (cavalo é um animal vegetariano) e as patas dos equinos congelavam, Scott acabou perdendo todos os pôneis e teve de seguir caminhando. Enquanto o Amundsen tinha cães puxando trenó, algo mais organizado e eficaz.

Você já começa a observar as diferenças de preparação que fizeram diferença no resultado: o Amundsen chegou trinta dias antes ao Polo Sul, foi a primeira pessoa a chegar no centro da Antártica e retornou com toda a equipe viva; já a equipe de Scott, além de ter chegado trinta dias depois, faleceu em seu retorno, tentando voltar para o barco.

Então eu vou deixar um link de uma palestra que eu encontrei disponível para download no Vimeo e que eu acabei colocando no meu canal. É uma palestra do Jim Collins sobre o livro, quem quiser assistir, infelizmente é em inglês a palestra, não sei se tem tradução, mas é bem simples, o inglês não é sofisticado, mesmo quem não é bom no inglês consegue entender, ainda mais com as referências do podcast. Uma sugestão de estudo para quem quiser se aprofundar, assim como o livro, eu vou deixar o link para quem quiser comprar. Como eu já disse eu prefiro ouvir, pra mim é muito mais rápido, você consegue otimizar o seu tempo, eu sei que esse livro tem na audible, tem disponível em audiobook em inglês, ainda não tem em português, mas é um livro que vale a pena ler. A Bhagavad-Gita fala que devemos ter um propósito muito claro, você precisa seguir o seu proposito que tenha sentido e clareza pra você, só então você consegue construir algo seu, pessoal, sem seguir tendências ou vozes e opiniões. Para isto, você precisa passar por um processo de trazer o seu melhor a tona, o que não é simples, mas o yoga como um todo tem esse intuito, trazer o que há de melhor na pessoa através de diferentes técnicas e, o que estamos fazendo aqui, reflexões, debates, pensar sobre, e não acreditar que o normal é a vida seguir algo que foi determinado. Pode ser que você realmente esteja num bom caminho e que você esteja conectado com a sua voz interior, mas pode ser que haja momentos de desconexão ou coisas que você pode aprimorar ou que você sabe que pode ser melhor. Então, para isso, a prática do yoga e essas reflexões são bem construtivas e produtivas, e o livro fica como contribuição no sentido de dar um reforço para essas perguntas que muitas vezes nos incomodam: “o que eu tô fazendo consistentemente pra construir algo que eu quero”, “o que eu tô fazendo consistentemente que tenha a ver com o meu ideal de vida, como o meu Dharma?”.

O Jim Collins faz um triângulo para explicar isso, a gente falou sobre criatividade empírica, que é você fazer os pequenos testes, ele faz uma comparação com tiros de revólver e balas de canhão, que é você dar tiros primeiro par testar, no caso do Amundsen ele foi lá, fez os testes, viu o que dava e o que não dava e, depois, você faz realmente o tiro de canhão, você vai para o objetivo maior, que foi quando ele partiu para a Antártica. Já o Scott lançou a bala de canhão, o seu primeiro plano já era algo inovador e disruptível, o trenó a motor que nunca tinha sido testado. Chegou lá, já deu uma bala de canhão, não funcionou, o trenó congelou, segunda bala de canhão que ele tinha, os pôneis, não funcionou, daí ele teve de dar tiro com o 38/32 dele que foi caminhando.

A distância que eles tinham que percorrer era de 2200 km, 2200 km é você ir de Porto Alegre a São Paulo e voltar, esta era a distância que eles tinham de percorrer com temperaturas de menos de 38°C, situações extremamente adversas e os dois na mesma época e com o mesmo objetivo, então por isso que esta pesquisa é interessante, porque ela dá um grau de comparação muito preciso.

Então ele fala desses três pontos do triangulo, a criatividade (tiros de revolver, balas de canhão), depois da paranoia produtiva (você manter a constância das 20 milhas independente das situações – no período da bonança e da dificuldade, porque o que faz a diferença é quando as coisas não vão bem – isto tem a ver com a constância na produção) e, por fim, ele fala de uma fanática disciplina. Mas fanatismo de disciplina é basicamente você seguir a sua voz e repetir o que você acredita, isso é você ser disciplinado e ele coloca esta palavra, fanática, mas com uma ênfase que é uma disciplina de quem quer realmente conquistar uma coisa que é importante pra si. Para ter esta constância você precisa estar alinhado com o seu Dharma, você precisa estar ouvindo o que realmente a contribuição que você pode dar ao mundo, se você não está conectado com isso, você não consegue esta consistência, por último, ele fala desta disciplina fanática e começa a mostrar a preparação do Amundsen e do Robert Scott.

Quando o Amundsen foi fazer a tese de mestrado dele, ele tinha de fazer uma expedição a vela na Espanha, e ele morava na Noruega, então ele foi de bicicleta de um país a outro (eram 3000 km de distância), ele não era um ciclista regular, mas tinha um intuito de navegação. Tanto o Scott quanto o Amundsen participaram de expedições para a Antártica (uma coisa é você ir até a Antártica, outra coisa é você chegar até o meio da Antártica, são duas coisas bem diferentes), ele já havia ido, sabia que era difícil e começou a preparação desde muito jovem. Logo em seguida ele começou a tentar comer carne de golfinho pra ver como o corpo dele responderia se tivesse apenas uma fonte de energia. Por que se você vai ser forte só na hora que você precisa, talvez você não tenha a força necessária, você precisa ser forte quando você não precisa. Então, as vinte milhas não são apenas quando o tempo estiver bonito e ensolarado, mas quando o estiver ruim e nublado também, essa repetição que produz a construção, que produz o que a gente precisa para vencer o desafio.

A filosofia do Amundsen era a seguinte:

“Não se espera até estar no meio de uma tempestade imprevista para se descobrir que é preciso ter mais força e resistência, ninguém espera até acontecer um naufrágio para ver se consegue comer carne crua de golfinho, não se espera até estar numa expedição rumo à Antártida para se tornar um excelente esquiador e adestrador de cães, a pessoa se prepara com intensidade o tempo inteiro, para que quando as circunstancias estiverem contra ela, consiga se abastecer em um reservatório de energia bem fundo, da mesma forma nós nos preparamos de modo que quando as circunstâncias estiverem ao nosso favor podemos realizar grandes feitos.”

Lembra das vinte mil milhas que o Amundsen dizia: “eu não posso expor o meu grupo a um desgaste muito grande num momento bom porque depois, quando vier um tempo ruim, a gente pode se prejudicar e até morrer”. Por outro lado, quando você já está conseguindo manter as coisas num momento ruim, quando surge um momento bom é que você faz a grande construção. É aquela velha história, que os grandes se preparam na crise, mas essa preparação precisa ser constante, você tem que repetir as vinte milhas para fazer uma grande conquista. Na expedição, os dois levaram bandeiras pra sinalizar, mas o Amundsen tinha uma preocupação que alguma coisa poderia dar errado, então ele ficava atento ao que poderia acontecer, isso o mantinha mais protegido. O Scott contava com toda uma tecnologia de ponta, era um cara mais relaxado, não tinha tanta atenção, e isso foi observado no plano da expedição. Por exemplo, as bandeiras, o Scott colocou uma bandeira quando saiu e depois só no posto de abastecimento, já o Amundsen colocava bandeira e sinalização a cada um quilometro, depois ele criou um raio de dez quilômetros de sinalização em volta dos pontos de abastecimento para se caso se perdessem em uma tempestade eles conseguissem voltar. Quando eles planejaram a viagem eles tinham um ideia de quanto de alimentos eles precisariam, o Amundsen levou três toneladas para uma equipe de cinco pessoas, o Scott uma tonelada para dezessete pessoas. Então você começa a ver a importância da preparação e qual foi o resultado. O Scott levou um termômetro para a viagem, que congelou e estourou, e quando você não tem termômetro num lugar desses você é perigoso porque você precisa planejar a caminhada de acordo com relação a melhor hora do dia de a temperatura, então ele ficou extremamente irritado com a situação, enquanto o Amundsen levou quatro termômetros.

Então, você pode pensar, “mas um cara teve azar e o outro teve sorte”, o autor fez uma análise em relação ao tempo, e ele foi muito similar no caso de ambos, e isso ele extrapola essa visão de sorte e azar, mostrando que esses fatores (sorte e azar) não depende de você e que muda completamente cenário, seja para o bem ou seja para o mal. Então isso ele conta como um momento de má sorte e isso acontece dentro das empresas, e com os líderes, o ponto é o quanto você estava preparado para aquilo, que é o que a gente viu que no final faz a grande diferença.

Voltando ao livro, ele mostra o quanto Scott reclamava da sorte e o Amundsen não tocava no assunto. Scott falava: “nossa sorte em relação ao tempo é ridícula” em outro registro disse: “isso é muito mais que a nossa cota de azar, quão imenso pode ser o elemento sorte”. O fato é que em 5 de dezembro de 1911, sob o sol claro que brilhava sobre a vasta planície branca, com um ligeiro vento cruzado e uma temperatura de aproximadamente -10°C, Amundsen chegou ao Polo Sul, com sua equipe, fincou a bandeira da Noruega e se desfraldou com um forte assobio e dedicou o platô ao rei do seu país, em seguida, todos recomeçaram o trabalho, ergueram uma tenda e nela amarraram uma carta ao rei norueguês na qual relataram o sucesso da missão. Amundsen, endereçou o envelope ao capitão Scott, presumindo que ele seria o próximo a chegar ao Polo, como medida de segurança, caso a sua equipe sofresse alguma adversidade e perecesse na viagem de volta. Ele não tinha como saber que Scott e sua equipe estavam puxando os seus trenós nos braços, a mais de 500 quilômetros atrás deles. Mais de um mês depois, às 18h30, em 17 de janeiro de 1912 Scott de se viu diante da bandeira da Noruega, afincada por Amundsen, no Polo Sul “tivemos um dia terrível” ele diz. Escreveu em seu diário “para a nossa decepção, um vento de 4 para 5 com uma temperatura de -35°C. Meu Deus, este lugar é medonho, é terrível demais para o trabalho que tivemos para alcança-lo, sem sermos premiados com a honra de chegar primeiro”. Naquele mesmo dia, Amundsen já havia percorrido quase 800 km na direção norte quando atingiu o seu depósito de suprimentos aos 82 graus, faltavam apenas oito dias mais fáceis da caminhada até o final da viagem. Scott, deu meia volta e também seguiu para o norte, percorreu mais mil quilômetros com a equipe puxando trenos a pé, justamente na mudança de estação o tempo piorou com ventos cada vez mais forte e temperaturas cada vez mais baixas e enquanto os suprimentos minguavam e os homens lutavam em meio a neve.  Amundsen e sua equipe, chegaram a base em boas condições em 25 de janeiro, a data exata que ele havia anotado em seu plano. Sem suprimentos, Scott desistiu em meados de março, exausto e deprimido, oito meses mais tarde um grupo de reconhecimentos britânicos encontrou o corpo de Scott e dois dos companheiro em uma barraca pequena e frágil coberta de neve a apenas quinze quilômetros do seu depósito de suprimento.

Essa é uma prova, uma demonstração da importância de passar pelo processo, pela dificuldade e estar preparado para quando a dificuldades, as adversidades aparecerem. Quando a gente quer enfrentar um grande desafio, a gente precisa de uma grande preparação e aqui a gente teve um exemplo máximo disso, que é uma preparação extrema para um caso de vida ou morte, um ambiente em que o homem nunca tinha pisado. Então ali eles colocaram todas as forças, toda a tecnologia, passaram pelos maiores sofrimentos, a gente não precisa passar por tudo isso, mas você tem que saber que algum tipo de incomodo, de dor, de frustração precisa acontecer para que você consiga construir algo diferente, se não, você se acomoda e aceita a vida como ela é, isso não é uma opção ruim, ela só não é uma opção que o yôgin que busca a sua real identidade vai seguir, porque ele está buscando externalizar o que ele tem de melhor, a sua voz real, e contribuir com o seu Dharma no mundo, fazer a sua marca, a sua contribuição no mundo.

Então o podcast fica por aqui, vou deixar vocês com uma música que é de um compositor que eu mencionei no podcast passado como um dos principais compositores do século XX, George Gershwin.

Gershwin compunha muita música jazzista, eu não sou uma pessoa muito do jazz, tenho tentado ouvir um pouco mais. O que eu tento fazer com vocês, evangelizando com música clássica, eu tenho recebido esse impacto do Damien Chazelle, do La la Land, e escutado mais jazz, mas não é um tipo de música que geralmente ouço, embora o Gershwin me agrada, ele mistura música clássica com jazz.

O interessante desta música é que ela tem muito a ver com o assunto que a gente falou hoje, no primeiro momento ela é difícil, chata e turbulenta, as coisas não fazem sentido, não cria melodia, fica tudo confuso, te incomoda e você desiste, mas quando chega em torno de 11 minutos, todos esses elementos que eram difusos começam a criar uma harmonia, leve e que vale a pena escutar, então é exatamente o que a gente viu hoje, quando a gente está no processo de treinamento, é duro, chato, vem incômodo, atrapalha, não dá certo, erra, não faz sentido treinar aquilo ou estudar aquilo, mas quando a gente chega no objetivo é como se as coisas se harmonizassem e, então, tudo se encaixa, e temos aquele momento de deleite em que valeu a pena cada sacrifício, valeu a pena cada carne de golfinho.

Uma boa semana e até o próximo podcast.

 

Reflexões de um YogIN Contemporâneo – série de podcasts Yoga pro seu dia a dia [SÉRIE DE CONTEÚDOS]

 

 

 

 


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Daniel De Nardi

4 comentários

    YogIN App rENE |

    eSSE EPISÓDIO FOI UM DOS MELHORES EM MINHA OPINIÃO. fOI UMA ÓTIMA SINTESE DE UM FATO REAL, DO LIVRO E FAZENDO UMA COMPARAÇÃO COM OS DESAFIOS QUE CADA UM ENFRENTA TODO DIA. pARABÉNS, dANIEL.

    YogIN App Bia Cossatis |

    Amei a frase: “a marca da mediocridade é a INCONSISTÊNCIA crônica!”
    é isso! Eu tenho me perguntado, desde de 2015, quem eu quero ser. E eu tenho uma imagem perfeita. Mas, a realidade é bem diferente. E o que entendo é que a distância da Bia que eu quero ser e da que eu sou, é justamente que a Bia de desejo, digamos assim, faz constantemente, e eu não. Eu faço muito hoje e nada por 1 semana. E isso traz muita frustração. E é isso, a disciplina é essa tal constância.
    Gratidão! Muita paz!

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Hoje completamos quarenta episódios com muita alegria, este podcast não nasceu de uma forma planejada, foi simplesmente, como vocês já ouviram aqui, eu sou um ouvinte contínuo de podcast, gosto muito dessa ferramenta, acho que ela tem um futuro brilhante pela frente à medida que as pessoas começarem a usar e ver o quanto se pode aprender em um momento que se perderia tempo (no trânsito, na fila...), você pode ter um conhecimento de qualidade, porque geralmente os podcasts são ricos em conteúdo e sem precisar de muito esforço, a mensagem está digerida pra você simplesmente absorver. Então, foi com essa ideia que eu gravei o primeiro da série que foi comentando o filme “La la Land” que eu tinha visto e havia me impactado bastante por essa questão da busca pessoal, da realização que é muito importante hoje em dia, trabalhar em algo, não necessariamente profissional, que faça sentido, que nos preencha. Comecei com aquele podcast e fui desenvolvendo diferentes temas relacionados ao yoga e hoje estamos com 40 episódios. Mesmo a música clássica não foi algo planejado. No primeiro episódio foi um Jazz, devido ao filme, depois eu coloquei uma música clássica, no terceiro coloquei Moon River, que é uma música cantada pelo Frank Sinatra e depois que segui com essa linha da música clássica. Não sou um estudioso de música clássica, simplesmente gosto e tenho curiosidade e conheço alguma coisa e venho trazendo essas informações pra vocês. Obviamente, o que eu mais gosto de música clássica já foi exposto nos 40 episódios, agora eu vou buscando uma curiosidade ou outra, alguma música que faça algum sentido dentro do tema. E hoje, surgiu esta música do Egberto Gismonti, um compositor brasileiro. Gismonti é famoso no meio musical, as pessoas o conhecem porque ele produziu muita música instrumental e foi produzido por uma gravadora alemã. Ele tem reconhecimento, é um músico que faz uma produção bastante reconhecida dentro e fora do Brasil. Esta música veio como sugestão do Spotify. Pra quem não sabe, o Spotify gera uma lista chamada Discovery Week que são as músicas que você mais ouviu ou músicas relacionadas ao que você está ouvindo, toda a segunda-feira a lista é atualizada. Nesta semana, por eu usar algumas músicas nas aulas de yoga, esta música veio como sugestão, que é uma música maravilhosa. Tem umas criancinhas no fundo porque ela se chama Palhaço, mas a parte instrumental é muito tocante e muito gostosa para praticar tanto os asanas quanto os pranayamas. Tem uma levada que envolve e fica como sugestão para quem quer praticar e não sabe, essa é uma música bem gostosa que você pode colocar na sua playlist. Inclusive, a gente tem no YogIN App playlist de diferentes professores, vou deixar algumas delas na descrição do episódio, mas a gente tem no perfil do YogIN App no Spotify essas diferentes listas (pra respiração, pra meditação, com as músicas que cada professor gosta). Quem quer dicas de músicas para dar aula, segue lá o nosso perfil, se chama “Músicas de Yoga – YogIN App” e você tem lá essas diferentes playlists. Essa música foi sugerida e me lembrou que era a mesma que a minha primeira professora, a Vera Edler, de Porto Alegre, usava muito em aula. Houve também a coincidência que na semana passada tivemos o Yoga Lifestyle BR e, no Rio de Janeiro, teve a Conferência Carioca de Yoga, organizada pelo Sandro Shankar, que é um professor parceiro nosso que, inclusive, tem artigo, podcast, curso aqui no YogIN App. Ele é um cara muito querido, que a gente gosta muito, que estudou música indiana a sério na própria Índia, anualmente ele vai pra lá. O Sandro organizou esse evento, infelizmente casou com o mesmo dia do Yoga Lifestyle BR, então não pude ir, era um evento que gostaria de ver porque tem, também, um outro professor que eu gosto que é o Leandro Castelo Branco que deu algumas aulas lá, assim como a minha professora Vera Edler que deu uma palestra nesta conferência. E quando a música veio, eu me lembrei de toda aquela descoberta inicial, das aulas da Vera, que sempre trabalhou a parte musical porque sempre foi ligada à música, inclusive o filho dela é músico, tem CDs gravados, inclusive com mantra e música instrumental ocidental. Então, me tocou muito, me lembrei daquele momento inicial, em que a gente começa o yoga e tem uma busca transcendental e, muitas vezes, essa mudança não é de uma forma como o aluno iniciante espera. Particularmente, comecei muito cedo, faz vinte anos que dou aula, então faz mais de vinte anos que comecei a praticar. Então pra mim a busca era muito maior, de algo mais transcendental e efetivamente as coisas que eu buscava no yoga chegaram até mim, só que de uma outra forma. A gente tem um ganho de percepção, mas isso não fica muito evidente porque se está constantemente vivendo aquilo, então se tem uma percepção, se entende o meio, consegue se adequar ao meio e isso eu acho que o Yoga nos dá esse trabalho de auto-observação, mas o que geralmente se espera pelo praticante no começo é uma mudança geral, de praticamente sair do mundo e viver em outra dimensão. Isso acaba acontecendo, mas não de forma tão evidente. Em relação aos asanas, sempre tive dificuldade no aspecto corporal, mas não posso negar que ganhei muito alongamento, flexibilidade e consciência corporal. E o mais importante de tudo é que ao longo desses vinte anos de trajetória, eu não lembro de ter ficado doente por mais de três ou quatro dias. Então, pra mim, isso tem um grande valor, eu tinha essa preocupação com a longevidade, com a saúde e isso correspondeu, durante esses anos tive uma saúde impecável, dentro do possível. E o yoga tem essa preocupação, por isso o trabalho corporal é importante. O que vale é não deixar o corporal estar acima de toda proposta de transformação que o yoga se propõe a fazer. Acontece muito em algumas linhas é prezar pela parte corporal e deixar de lado a parte meditativa. O yoga mesmo é a meditação, o asana e o pranayama são essenciais para preparar o corpo para uma boa meditação, se houver uma preparação corporal e não acontecer a meditação, tudo acaba sendo incoerente. É necessário um tempo dedicado a meditação e eu acredito que o asana seja eficiente para a preparação do corpo de forma estrutural. As articulações, por exemplo, não tem tanto importância em muitos trabalhos corporais. Porém o yoga dá bastante importância para as articulações em seu processo, embora saibamos que os asanas irão trabalhar em pontos de força, de energia que são os chacras, os pontos sensíveis do nosso corpo. Os chacras são mais importantes em áreas como a coluna e em pontos de articulação não haveria chacras tão importantes, neste contexto não haveria necessidade de dedicação à parte articular. Se a gente pensa em longevidade, a gente não pode esquecer as articulações porque elas são o elo frágil da corrente. Se observarmos pessoas mais velhas, podemos notar que, geralmente, elas tem problemas nas articulações como no quadril e no joelho, mas não há problemas nos músculos, como no quadríceps, isquiotibial, músculo do abdômen ou tórax. O que precisamos nos preocupar é com o que estiver dando mais problemas e a articulação deve ser trabalhada na prática do yoga. Momentos de trabalho articular, mexer a mobilidade do pé, trabalhar o joelho, diferentes movimentos do joelho, trabalhar a coluna...tudo isso vai gerando uma estrutura física muito importante na hora que a pessoa sentar e ter um estado de asana, como o descrito pelo próprio Patanjali como Sthira Sukham, firme e confortável. Se não tiver a articulação funcionando bem, isso vai ficar muito difícil. Então, fica a dica para quem não está fazendo esse trabalho focado, para quem está apenas trabalhando a musculatura do corpo, de não se esquecer da flexibilização do joelho, do quadril, dos pés (para desenvolver o lótus). E, por outro lado, tem a parte do alongamento e do fortalecimento que é muito importante para a longevidade, porque o músculo precisa de ter estrutura para sustentar o corpo, ele vai precisar ter força e tônus. Não hipertrofia, de transformar o corpo em algo gigante. Inclusive, a transformação do corpo não precisa ser a ênfase do yôgin, que busca algo que vai além do físico, que busca a verdadeira essência, o seu verdadeiro purusha. Então, isso vai além do corpo, embora não despreze o corpo, use o corpo como ferramenta para se chegar nisso. O fortalecimento e o alongamento são importantes, e quando a gente pensa em asana, precisamos pensar na estrutura dos três pontos que são as articulações trabalhando, o trabalho de alongamento de grandes músculos como nos asanas (inint. 14:01) ou a cobra, a serpente Bhujangasana, são asanas que irão fazer esse trabalho mais completo. Mas não se pode esquecer algumas questões de força como o guerreiro, o Chaturanga, posições que vão dar uma estrutura de força. Então os três pontos precisam ser observado quando falamos de asanas: ter a articulações com bastante mobilidade, ter o corpo alongado, não gerando tensões que isso não só impedem circulação de sangue, circulação energética como geram um desconforto, o que prejudica a meditação. E ter, também, um trabalho de força, sem nenhum exagero, sem hipertrofia, sem “morrer” nas posições, mas um trabalho que se tenha uma força de sustentação, força trabalhada com a isometria que vai dentro do músculo, essa força o yoga trabalha em seu trabalho com os asanas. Então, com essa explicação do asanas e da importância do trabalho corporal para a longevidade, finalizo esse quadragésimo episódio contando um pouco como foi a experiência no Yoga Lifestyle nesse final de semana. Foram dois dias de evento, foi algo maravilhoso, um marco na história do Yoga no Brasil porque foi um evento que juntou gente do País inteiro, muitos professores brasileiros que moram fora estavam aqui (como a Helena Rosenthal, que mora em Londres; a Liana, que mora na Austrália, a própria Mayara que mora em Miami). A gente consegui fazer um evento com pessoas do Brasil inteiro, alguns alunos vieram de Natal, de Manaus, do Paraná, do Rio grande do Sul, de Santa Catarina, do Rio de Janeiro...obviamente. Foi um encontro com vários tipos de yoga e várias práticas, uma overdose porque eram doze horas por dia em duas salas acontecendo simultaneamente. Tivemos mais de cinquenta horas de aula, se morar tudo. Mas vamos lançar algo online para quem perdeu, como as aulas eram simultâneas, muita gente teve de escolher. Eu mesmo dei aula no mesmo horário que a Liana, e queria participar da aula dela. Mas com a versão online haverá a possibilidade de poder assistir e ver todas as aulas quantas vezes quiser. Realmente foi um evento maravilhoso, muita gente passou por lá no final de semana todo, foi um evento grande com a presença do yoga, mais pra frente a gente vai avisar vocês. Por fim, gostaria de pedir uma ajuda em relação a divulgação do podcast, algo que falei na semana passada. O que você puder fazer (curtir, compartilhar) já ajuda o algoritmo a mostrar que você está gostando desse podcast. Se estiver usando iPhone, é possível ir no aplicativo da Apple e avaliar, no caso de Android, é só avaliar pelo Soundcloud. Isso faz com que o próprio sistema sugira o podcast para mais pessoas, aumento o acesso de algo que é restrito para poucas pessoas. Esse sempre foi o intuito inicial do YogIN App, dar acesso a este conhecimento que é muito especial, mas que ficou restrito às cidades grande. Como o yoga é voltado para um público específico, cidades pequenas não tinham demanda para sustentar uma escola de yoga. Yoga é muito diferente de ginástica, que é popular. No yoga, há uma quantidade menor que na ginástica, um grupo menor. O nosso trabalho no YogIN App é justamente levar as informações sobre o yoga para pessoas que não tem tanto acesso, seja físico ou financeiro, até porque damos acesso a 200 aulas por apenas R$ 29,90. Contamos com a sua colaboração, seja você praticante ou professor, para engajar neste movimento e fazer a mensagem chegar a mais gente. Então, até o próximo episódio, nos vemos no episódio 41. Agora Egberto Gismonti com a música “Palhaço”. Ohm Namah Shivaya!  

Saudação ao Sol
Vídeos de Yoga | 29 Maio 2020 | Equipe YogIN App
Como Fazer – Surya Namaskar a Saudação ao Sol

O Surya Namaskar é uma das sequências mais conhecidas do Yoga. O Surya Namaskar é conhecida como uma das séries de ásanas mais primitivas que se tem conhecimento. Podemos praticar a Saudação como uma forma de agradecer pelo dia, purificando o corpo, acalmando a mente e iluminando o espírito. O Surya Namaskar se torna uma dança quando os movimentos corporais são feitos de forma fluida e harmônica. Além de aquecer o corpo, também ajuda a preparar a pessoa para permanecer nas posturas que o exercício exige, atuando nos níveis físico, mental e emocional. Fisicamente, o Surya Namaskar desenvolve a musculatura do corpo e promove o alongamento dos músculos, desintoxica os órgãos internos e as articulações, aquece a musculatura e trabalha todo o corpo proporcionando energia. Permite manter a coluna vertebral saudável e estimula o sistema respiratório e circulatório. Nos níveis mental e emocional, trabalha no reequilíbrio dos centros de energia (chakras), ou seja, equilibra e atua nos hormônios das glândulas do corpo, acalmando assim os pensamentos. No nível espiritual, o despertar da energia interna ativa a intuição e expande a percepção de si mesmo e do mundo.  A saudação ao Sol é uma sequência de 12 posturas: 1  - Tadasana - postura da montanha Proporciona equilibrio e conexão. 2 - ardha chakrasana - meia roda Abre a energia do coração e alivia a lombar 3 - Uttanasana ou Padahastasana - postura das mãos nos pés Anteflexão da coluna, alonga as pernas e alivia o pescoço 4 - Ashwa Sanchalanasana - postura equestre Solta os quadris e abre a região a torácica 5 - Adho Mukha Svasana - cachorro olhando para baixo Irriga o cérebro, alonga as costas e fortalece os braços 6 - Chaturanga Dandasana ou variação com os joelhos no chão Fortalece braços, trabalha auto superação e auto controle. 7 - Bhujangasana - Postura da Cobra Beneficia os rins, pulmões e predispõe a estados de expansão e euforia Fecha a sequência: 8 - Adho Mukha Svasana - cachorro olhando para baixo 9 - Ashwa Sanchalanasana - postura equestre com a outra perna 10 - Uttanasana ou Padahastasana - postura das mãos nos pés 11 - Ardha Chakrasana - meia roda 12 - Tadasana - postura da montanha Assista o vídeo com a execução dos nossos professores: https://www.youtube.com/watch?v=21B9LB19f2c&feature=youtu.be     Quer saber mais sobre Asana, as posturas do Yoga? Baixe gratuitamente o livro preenchendo o formulário abaixo. new RDStationForms(\'ebook-asana-posturas-do-yoga-20927af5b3e8c03b81b9\', \'UA-68279709-2\').createForm();

detox do yoga
Filosofia do Yoga | 28 Maio 2020 | Fernanda Magalhães
Shankha Prakshalana – O Detox do Yoga

Shankha Prakshalana - O Detox do Yoga Nosso estilo de vida e consumo atual provoca em parte das pessoas uma ânsia por desintoxicação de tudo aquilo que foi adicionado ao nosso corpo devido a industrialização de nossos processos e a poluição ambiental ao longo das últimas décadas.   A velocidade da sociedade moderna foi atropelando os ritmos naturais da produção de alimentos tornando a alimentação mais um dos processos acelerados e industrializados que vivenciamos. Começamos a consumir produtos que não seriam naturalmente ingeridos pelo ser humano sem o auxílio de tecnologia.   Após anos de consumo inconsciente voltado para os industrializados e processados, temos milhares de pessoas com sensibilidade e até mesmo doenças provocadas por esta intoxicação.   E então entramos na era do detox. Dietas e suplementos com objetivo de realizar limpeza interna são a moda de quem se preocupa com a saúde hoje em dia. E sim, retirar o máximo possível de produtos químicos da alimentação, como um retorno ao mais natural é o melhor caminho para não se “intoxicar”.   Mas, mesmo com todo cuidado com o que ingerimos, nosso corpo, como qualquer máquina, precisa de limpeza periódica em nossos canais de conexão com o exterior.   O intestino é o nosso grande órgão do aparelho digestivo que precisa lidar com todo o “lixo”, tóxico ou não, sofrendo em doses homeopáticas de envenenamento que podem resultar em doenças mais graves ou desconfortos e intolerâncias alimentares.   A ciência e as pesquisas médicas têm demonstrado através de estudos recentes a importância do intestino, para a manutenção da saúde e do bem estar. Passou a ser reconhecido como um \'\'órgão inteligente\'\' chegando a ser denominado por especialistas como um \'\'segundo cérebro\'\' por sua capacidade de executar funções independentemente do Sistema Nervoso Central.   Apesar de nosso corpo ser uma máquina inteligente, a combinação de pregas e microvilosidades existentes no intestino não são limpas automaticamente. O acúmulo de matérias nessas reentrâncias é o que provoca doenças e sensibilidades.   Parece que os Yogis da antiguidade já sabiam disto...   No Hatha Yoga existem alguns procedimentos para a purificação do corpo físico que incluem a limpeza completa dos intestinos.   Os procedimentos de limpeza do Hatha Yoga removem impurezas que estão no caminho para a clareza e concentração. São divididos em seis grupos principais e chamados Shat Karma. Alguns dos métodos mais simples são, por exemplo, escovar os dentes e limpar o couro cabeludo.   Estes seis grupos de procedimentos incluem a limpeza do nariz - neti, do estômago e reto - Dhauti e Basti, exercícios abdominais, para massagem dos órgãos - nauli, exercícios para os olhos - trataka e exercício de respiração - Kapalabhati, para limpeza dos pulmões. new RDStationForms(\'e-book-yamas-e-niyamas-1f965e8db29fe9c4625b-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();     E há também, um krya de limpeza intestinal, não incluído nos Shat karmas do hatha yoga pradipika, o Shanka prakshalana que proporciona uma renovação em todo o aparelho digestivo.   Shankha, significa intestinos; Prakshalana, significa limpar completamente. Na verdade, Shankha Prakshalana não apenas limpa os intestinos, mas limpa todo o sistema digestivo, começando pela boca até o ânus. Em certos textos, Shankha Prakshalana é chamado de Varisara Dhauti.   Shankha Prakshalana é um método para desintoxicação do corpo físico a partir de uma lavagem intestinal por método não invasivo e não agressivo que consiste em ingerir água salgada morna na mesma concentração do soro fisiológico para não ser absorvida pela mucosa intestinal.   A ingestão de água salgada é seguida de uma série de movimentos para facilitar o deslocamento e a velocidade da água pelo aparelho digestivo até ser eliminada pela evacuação. A ingestão da mistura é alternada com os movimentos até que que a água eliminada pela evacuação esteja completamente limpa. O fluxo de água promove a lavagem total e profunda dos órgãos internos.   Você provavelmente irá começar a visitar o banheiro após o quinto ou sexto copo, e a partir deste ponto, intercalar as idas ao banheiro com mais ingestão de água salgada e exercícios.   Esta auto lavagem deve ser feita em jejum, ao acordar e dura, em média, de uma hora e meia a duas horas.   Após a lavagem do sistema digestivo, sugere-se que a alimentação seja leve, sem comidas cruas, processados, alimentos integrais ou laticínios. A primeira refeição deve ser realizada de 30 minutos a 1 hora após a limpeza e deve conter gordura, como azeite ou ghee, para lubrificação dos intestinos. A refeição ideal é arroz bem cozido com lentilhas e ghee para ajudar o processo digestivo a começar de novo de uma forma suave e equilibrada.   Descanse por 30 minutos após o procedimento e não faça sua prática de asanas ou outras atividades fisicamente desgastantes no dia.   O método deve ser realizado quatro vezes por ano, na mudança de estações e a primeira vez indica-se que seja orientado e supervisionado por um professor experiente.   Mas há uma versão mais leve da limpeza, Laghooprakshalana, que pode ser realizada com mais frequência, por pessoas com condições de saúde que não permitem a limpeza completa e com independência. Neste caso, apenas 6 a 8 copos de água morna com sal são ingeridos em grupos de 2 copos por sequência de movimentos. Pode ser realizado semanalmente ou com maior frequência para casos de constipação.   As orientações são similares à da limpeza completa, devendo seguir os exercícios descritos abaixo entre a ingestão dos copos de água e as idas ao banheiro. Tadasana - Entrelace as mãos, levante os braços com as palmas voltadas para cima e suba nas pontas dos pés. Em seguida, desça-os imediatamente e coloque as mãos sobre a cabeça. Repita 8 a 10 vezes.   Tiryaka tadasana - Comece em Tadasana. Estenda as mãos sobre a cabeça entrelace os dedos e volte as palmas para o céu, incline-se para a esquerda, retorne ao centro e incline-se para a direita. Continue indo da esquerda para a direita. Repita 8 a 10 vezes.   Kati Chakrasana - Possui duas formas de execução. Para a primeira fique em pé com os pés afastados e braços pendurados ao lado do corpo. Comece a balançar os braços de um lado para o outro, torcendo o corpo. Quando você girar para a direita, olhe tanto quanto puder sobre o ombro direito - depois gire para a esquerda olhando também sobre o ombro. Agora balance tão rápido que sua mão esquerda termina em seu ombro direito e a mão direita balança atrás de suas costas e toca sua cintura no lado esquerdo, e vice-versa. Seus braços devem estar tão relaxados que se movem horizontalmente para fora do corpo. Para a segunda forma, Comece também de pé com pés afastados na largura do quadril. Eleve os cotovelos na altura dos ombros e junte a ponta dos dedos do meio das mãos na frente do peito. Palmas voltadas para o peito, não tocando o corpo. Exale torcendo para a direita esticando o braço direito para trás. Olhe para seu dedão direito e tente manter o quadril voltado para a frente. Inspire voltando ao centro e exale torcendo para o lado esquerdo. Este exercício também é feito de oito a dez vezes para cada lado.   Tiryaka Bhujangasana - Deite-se de barriga para baixo com as pernas afastadas. Levante o corpo com os braços retos e torça a cabeça e o tronco para que você possa olhar por cima do ombro direito e ver o calcanhar esquerdo. Retorne ao centro e olhe por cima do ombro esquerdo para ver o calcanhar direito. Repita 8 a 10 vezes.   Udarakarshanasana - Agache-se na ponta dos pés e descanse as nádegas nos calcanhares. Mantenha os joelhos afastados e as mãos apoiadas nos joelhos. Traga o joelho esquerdo para o chão com a ajuda da mão esquerda. Volte para o centro e traga o joelho direito para o chão. Repita 8 a 10 vezes.   Outra versão ainda mais leve é apenas ingerir os copos de água morna e salgada intercalando com exercícios de contrações abdominais: nauli kriya e uddiyana bandha, no lugar dos cinco movimentos descritos.   Laghoo é recomendado para aqueles que sofrem de desordens digestivas como constipação, flatulência, acidez, indigestão e outros males digestivos.   A vantagem dessa limpeza é a recuperação do movimento peristáltico dos intestinos, sem os efeitos danosos que os laxantes causam.   Os resultados da prática se sentirão em todos os níveis do organismo: tonificação das paredes intestinais, estímulo do peristaltismo, hálito mais puro e fresco, pele mais limpa, melhora do sono, leveza, bem-estar e melhora da disposição geral.   Aproveite esta purificação para iniciar uma jornada mais equilibrada na sua alimentação com alimentos naturais utilizando a menor quantidade de processados possíveis. Cuide do seu sistema digestivo mantendo uma alimentação mais energética e sáttwica.   E lembre-se que há uma relação direta entre a saúde do intestino e o equilíbrio emocional. O intestino produz e armazena 90% da serotonina, o neurotransmissor responsável pelo bom humor e memória.   O Yoga acontece no equilíbrio entre as borboletas no estômago e o frio na barriga.   Namastê

Dicas de Yoga | 27 Maio 2020 | Daniel De Nardi
Como Fazer – Bhujangasana, a postura da Cobra

Como Fazer Bhujangasana Conhecida como postura da cobra, o bhujangasana é um dos asanas mais importantes do Yoga. Uma excelente compensação de posturas como o paschmottanasana e adho mukha. A professora Fernanda Degilio explica como executar perfeitamente essa postura no vídeo abaixo. Confira:   new RDStationForms(\'e-book-as-origens-da-meditacao-e-do-yoga-84b39b698136958eda59-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();