Niyama – O Segundo Passo

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Filosofia do Yoga | 19 nov 2020 | Fernanda Magalhães


Niyama!

Continuando nosso assunto sobre os Yoga sutras de patanjali, e, passando para o segundo passo apresentado por ele, me dei conta de que já tornei tema de meus textos semanais 4 dos 5 Niyamas do Yoga.

Os Niyamas possuem grande impacto na mudança de vida do Yogin e ainda sim ficam sempre em segundo plano. Talvez por isso eu tenha, inconscientemente, querido destrinchar essa parte do yoga tão essencial para o cultivo da autodisciplina e força interior.

Quando iniciamos na jornada do Yoga, em geral, buscamos apenas um bem estar, físico ou mental e naturalmente nos conectamos com essa filosofia através da parte mais palpável, os asanas, ou posturas psico-físicas. 

Com o tempo de prática, algo nos convida a buscar mais profundidade, algo além do relaxamento físico. Nessa busca pela paz interior, nos deparamos logo com os conceitos de Yamas e Niyamas, ou, o código de ética do Yoga.

Os Yamas superficialmente aparentam ser regras de convivência em sociedade, e nós, quando acostumados com a criação religiosa, nos sentimos confortáveis com esse tipo de orientação.

 

Mas e os Niyamas?

 

O prefixo ‘Ni’  em sânscrito significa ‘para dentro’ ou ‘dentro’. Niyama, então, são ações que tomamos internamente para aperfeiçoamento próprio, ou sugestões sobre como podemos nos relacionar com nós mesmos, corpo, mente e espírito. 

Ao contrário dos Yamas, que possuem conotação negativa de proibição, abordando o que deve ser evitado pelo Yogin, os Niyamas são ações positivas que contribuem para a qualidade de sua vida, criando um ambiente saudável e permitindo alcançar nosso potencial.

Os Niyamas abordam a forma como o Yogin deve tratar a si mesmo.

Podemos também considerar os Niyamas como observâncias que assumimos para crescer na prática, pois estabelecem um ambiente interno positivo para o desenvolvimento espiritual.

 

Os 5 Niyamas são:

 

Shaucha – a limpeza ou purificação

 

Samtosha – o contentamento

 

Tapas – a autodisciplina ou esforço sobre si mesmo

 

Svadhyaya – o auto estudo, ou estudo das escrituras

 

Ishvara Pranidhana – devoção ou entrega a Deus

 

Então, enquanto os Yamas produzem resultados evidentes nas escolhas de vida de um Yogin, os Niyamas são sutis e pessoais. São ações realizadas internamente em uma busca solitária, onde não é possível receber aprovações externas, deixando claro, na minha visão, a correlação com o amor próprio e o relacionamento que criamos com nós mesmos. 

 

Nada além do desejo de progresso pessoal pode nos mover em direção a mudança interna.

 

As ações incentivadas pelos conceitos dos Niyamas são benéficas no equilíbrio de vida daquele que as aplica, somente. E é necessário um conhecimento de si mesmo para que este movimento aconteça.

 

Por alguns anos pratiquei sem conhecimento da “ordem” apresentada por patanjali nos sutras e, como grande maioria dos ocidentais, iniciei pelos Asanas, pulando os Yamas e Niyamas.

 

Foi importante para mim iniciar pela reconexão com meu corpo para então direcionar esse movimento rumo ao desenvolvimento espiritual. É nesse momento de intimidade com o próprio corpo que começamos a nos reconhecer. As lutas internas sobem à superfície e os questionamentos e condicionamentos são acolhidos para que possamos nos desidentificar com eles. Ocorre então uma integração mental e psíquica – solo fértil para os próximos passos.

 

Entendo hoje que essa ordem não necessariamente deve ser encarada como uma escada com degraus a serem subidos um a um. Os quatro primeiro passos (Yama, Niyama, Asana e Pranayama), aplicados em conjunto como prática, trazem o estado necessário para o alcance dos demais (Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi).

 

Praticar os Niyamas é uma jornada e um processo. Aplicá-los na vida não deve ser algo imposto ou sofrido para o Yogin. Deve ser algo que surge de dentro para fora, partindo de um nível de integração mente e espírito, independente de qual passo foi dado primeiramente na jornada do Yoga.

 

Se como eu, seu primeiro passo foi com Asanas, não com Yamas, e até agora você nem mesmo conhecia os niyamas, abrace a oportunidade de aplicá-los não julgando a si mesmo e ao passado. 

 

Se você quer conhecer meus artigos sobre os Niyamas, deixo abaixo os links:

 

Saucha

Santocha

Tapas

Pranidhana

 

E prometo completar a lista falando sobre Svadhyaya em breve. Até lá!

 

Om Namah Shivaya

 

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Fernanda Magalhães

Fê é carioca, pisciana, arquiteta, ambientalista e entusiasta do estilo de vida saudável. Despertou sua atenção ao corpo físico em 2001, através de consciência alimentar e atividade física regular. Apaixonada por estudar sobre o assunto, chegou a repensar sua escolha pelo curso de arquitetura. Durante esta busca, o Yoga se tornou uma ambição, alcançada somente em 2012, quando a prática se tornou rotina.  É praticante de Ashtanga Vinyasa Yoga e professora de Hatha e Ashtanga. Sempre idealista e sonhadora,  quer levar o bem viver a todos que cruzam sua jornada. Em 2016 finalmente formou-se em Yoga pelo YogginApp.

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Dicas de Yoga | 26 nov 2020 | Fernanda Magalhães
Para Incluir a Prática na sua Rotina

Para Incluir a Prática na sua Rotina Eu sempre recebo perguntas sobre como manter a prática ou como retomar após um tempo parado… Acredito que por ser praticante de Ashtanga Yoga e me beneficiar da prática diária e individual, as pessoas imaginam que eu saiba a “receita”. Digo receita por que nossa sociedade atual espera tudo pronto e fácil como se juntar ingredientes fosse fazer funcionar, quando na verdade, a mudança de hábitos é uma responsabilidade e um caminho exclusivamente seu. Sabe, eu nunca tive muitas dificuldades em ter disciplina, e provavelmente esta característica é até mesmo um defeito meu. Não se permitir falhar é um fardo grande onde não existe perfeição. Mas nessa luta para equilibrar tanta disciplina entre Tapas (autodisciplina) e Ahimsa (a não violência), eu estou aqui escrevendo para ajudar meus colegas Yogis que tem a dificuldade contrária, de criar novos hábitos, sair da zona de conforto, na intenção de dividir um pouco desse fogo transformador. A autodisciplina também faz parte dos 8 passos do Yoga descrito por Patanjali no Yoga Sutras. Tapas é um dos 5 Nyamas, as observâncias internas que o Yogi deve ter para seguir com sucesso o caminho do Yoga. Tapas é o esforço envolvido em todo processo de transformação, muitas vezes descrito como o fogo que queima as impurezas. É fazer o que deve ser feito, porque sim. Sabe quando, na infância, sua mãe te mandava fazer algo sem escapatória? Então, Tapas é sua mãe mental, que não deixa seu cérebro entrar na zona de conforto e comanda a execução do que é necessário.   “Tapas são disciplinas, na forma de votos ou decisões que negam a você mesmo alguma coisa que você gosta. Através da disciplina nasce o poder de lidar com os pequenos sofrimentos da vida diária aqui descritos como impurezas“ Gloria Arieira - O Yoga que conduz à plenitude   Certamente você usa essa autodisciplina diariamente para executar tarefas como sair para o trabalho no horário, escovar os dentes e etc. A principal dica que posso dar é que você encare sua prática como uma destas tarefas que são obrigatórias e naturalmente ela se tornará um hábito. Se você pratica em estúdio de yoga ou academia, realizar a matrícula como comprometimento inicial é muito fácil, mas ainda há o desafio de comparecer às aulas. Algumas das dicas abaixo também ajudarão quem precisa sair de casa para praticar, mas a intenção deste artigo realmente é ajudar aquelas pessoas que praticam em casa, e que enfrentam um desafio ainda maior de manter seu comprometimento mesmo distante dos olhos alheios. Então, vamos à elas:   Estabeleça um objetivo Não pratique Yoga para conseguir fazer posturas específicas. Existem atividades físicas muito mais eficientes para te ajudar a se tornar um contorcionista ou um expert em parada de mão. Se praticar pelas posturas a desistência será quase certa. Alguns dias seu corpo vai estar incrivelmente flexível e vai te dar prazer executar asanas difíceis, no outro será penoso tentar as mesmas posturas que você já está acostumado a fazer. O que vai te fazer manter a prática mesmo passando por uma fase física ruim, como durante o tratamento de uma lesão, por exemplo, é seu objetivo. Pratique com um objetivo maior e compreenda que a prática diária é um comprometimento de longa data com você mesmo e sua evolução. No início seu objetivo pode ser algo mais simples como relaxar para dormir bem, mas sua prática pode ser sua terapia, sua reza, seu auto-estudo e tudo ao mesmo tempo. Entenda o porque você quer praticar e mantenha esse foco em mente. Mantenha um horário fixo e pratique diariamente. Mesmo que por pouco tempo, comparecer em seu tapetinho todos os dias no mesmo horário estabelece um hábito. Idealmente se pratica de manhã, ao acordar, em jejum. Sim, o ótimo é inimigo do bom, e da mesma maneira que você não vai deixar de praticar se tiver somente 15 minutos livres, não deixe de praticar se seu cronograma não permite uma prática matutina.   Ajuste seu tempo de prática com suas atividades diárias e determine o melhor horário para este compromisso. Você pode ter 2hs para executar asanas 3 dias da sua semana, mas nos outros dias tudo que você consegue são 15 minutos de meditação, e tá tudo bem! Sabe aquele dia em que você jura que não consegue praticar, seja por cansaço, dor no corpo, doença ou estresse? Pratique! Talvez você se surpreenda com a sua prática neste dia, talvez você tenha um colapso emocional e traga a tona o que era preciso para se renovar energeticamente, ou talvez você desista no meio e deite no sofá. O importante é não criar expectativas de como sua prática vai se desenrolar, o foco aqui é praticar diariamente. Simplesmente faça! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Siga uma orientação precisa Não espere acordar antes do necessário para sua rotina diária e estar disposto a desenvolver uma prática do zero. Receita para o fracasso é acordar mais cedo ou chegar em casa cansado de um dia de trabalho e não estar certo do que vai fazer. Se você pretende seguir o caminho da prática em casa, e não pode assistir as aulas ao vivo do YoginApp, opte por seguir um método com séries fixas, como o Ashtanga ou utilize video aulas. Praticar por aulas gravadas traz um trabalho extra de programação do que você pretende fazer com certa antecedência. Crie uma lista com 5 aulas para a semana, por exemplo, e siga durante 1 ou 2 meses, depois renove sua lista para os próximos meses. Crie um ritual: Tome banho, acerte o nível de luz e acenda um incenso, ou qualquer outra coisa que faça você se conectar com o momento. Tomar um banho antes de praticar é realmente uma dica importante que dou para meus alunos. Retirar a energia pesada do sono ou de tudo que ocorreu durante o dia do seu corpo através de água corrente é renovador. E nunca pratique na cama ou com a mesma roupa que usou para dormir. Se puder, deixe tudo semi-pronto para o horário em que você se comprometeu, talvez seu tapete já estendido no chão e sua roupa de prática dobrada na bancada do banheiro para quando você acordar ou chegar em casa. O “cenário” funcionará como um gatilho para o seu cérebro fazendo-o lembrar da recompensa, que é como você se sente ao final da prática Pratique a presença e esqueça passado ou futuro no momento que antecede sua prática. A expectativa de sucesso ou fracasso baseada em experiências prévias ou a esperança de futuro podem contribuir para a procrastinação. Se você é daquele tipo de pessoa que vai começar na segunda, esquece. Inicie já. Sempre haverá um amanhã na sua mente para você adiar seus planos, mas seu corpo não conhece os dias de semana. Seu corpo está sempre no presente, ele não conhece esse seu amanhã, aprenda com ele. Pratique sempre como se fosse a primeira e última vez. Você conhece o plano das 24h dos alcoólicos anônimos? Ou, “só por hoje”? Trabalhe com expectativas de curto prazo e diariamente aplique a mesma meta. Se por acaso você falhar com seus compromissos em um dia, retorne no dia seguinte novamente como único, primeiro e último.   E acima de tudo, trabalhe sua auto-estima. Estar no tapetinho diariamente é uma demonstração de amor próprio. Não se esqueça de que praticamos também para nos tornarmos melhores para todos, partindo do princípio que nos tornamos primeiramente melhores para nós mesmos. Apesar de ser uma jornada solitária e desafiadora, a prática diária te torna altamente conectado consigo e independente.   Boas Práticas!  

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Dicas de Yoga | 25 nov 2020 | Fernanda Magalhães
Saucha – Limpeza Interna

Saucha Você possui rituais antes da sua prática? Como você se prepara? Sabe, uma coisa que eu sempre precisei fazer antes de praticar é escovar os dentes. Quando comecei a frequentar as aulas de Yoga, as aulas da noite se encaixavam melhor no meu cronograma, então eu ia direto do escritório onde trabalhava para a academia. Precisava chegar com tempo suficiente para me trocar e escovar os dentes. Não sei, mas de certa forma, me sentia mais limpa e confortável durante a prática. Nenhum dos meus colegas pareciam compartilhar da minha “mania”, mas fazia tanto sentido para mim que fiquei surpresa ao aprofundar meus estudos e conhecer o primeiro Niyama descrito por Patanjali no Yoga Sutras: Saucha. Os Niyamas são observâncias internas que o yogin deve ter.  Ao contrário dos Yamas, que são as observâncias externas, o compromisso em relação a todo o mundo, os niyamas trabalham um compromisso interno, com si próprio. Sendo os primeiros “passos” do Yoga nas descrições de Patanjali, os Yamas e Niyamas são considerados de extrema importância para a prática. Existe um motivo para que os Yamas e Niyamas venham antes de asanas na ordem de apresentação dos passos do Yoga. Ao trabalhar nosso corpo físico através da prática de asanas, estamos trabalhando e direcionando uma energia poderosa. Não devemos chegar ao tapete despreparados e com atitudes mentais e emocionais conflitantes com os princípios do Yoga. Saucha ou Shaucha pode ser traduzido como limpeza ou pureza, onde não só o corpo físico é considerado. Sendo o Yoga uma ferramenta para um trabalho holístico, essa limpeza se estende também para a mente e espírito se referindo a uma pureza do externo, do interno e até mesmo do ambiente. Essa limpeza mais óbvia, a do corpo, vai muito além do banho, do escovar os dentes e do lavar as mãos. Técnicas para limpeza de mucosas, algumas aparentemente estranhas para nós, chamas de Kryias são praticadas pelos Yogis mais dedicados há séculos. Alguns desses kriyas já foram incorporados no ocidente como, usar um lota com água salgada para limpar a mucosa nasal; praticar trataka para limpar os olhos; ou experimentar a respiração kapalabhati durante uma prática, mas outros requerem um pouco mais de comprometimento e alguma coragem como o varisara dhauti, onde bebe-se água morna com sal para evacuar e limpar os intestinos, ou o vamana dhauti, onde deve-se beber a água morna com sal e induzir o vômito para limpar o estômago. Ainda considerando a pureza física do nosso corpo, devemos cuidar também do que ingerimos. A escolha de alimentos saudáveis e a rejeição a drogas evita que nosso corpo tenha que lidar com substâncias tóxicas tornando a purificação através da prática física menos dolorosa e exigente. A limpeza física também está relacionada aos ambientes em que vivemos, nossas casas, locais de trabalho e especialmente o nosso local de prática. É comum neste caso fazer uma referência da organização do ambiente com a sua mente. Observe que quando seu quarto está bagunçado, geralmente suas emoções também estão. Em contrapartida, trabalhar em um ambiente organizado melhora sua produção. Ambientes claros, limpos e livres de acumulação contribuem para uma clareza mental. Esses dois tipos de purificações se chamam Bahir Shaucha (a externa) e Antah Shaucha (a interna). Antah Shaucha aborda uma limpeza energética, emocional e mental. Nossa mente quando não consciente, reage com base em impressões previamentes gravadas (impurezas), como um modo automático, em ciclos que se repetem. Você já ouviu que não se pode encher um pote que já está cheio? É preciso esvaziar-se para receber o conhecimento. Para nos livrarmos do lixo, é necessário trazer consciência para os nossos atos, deixando de agir pelo impulso da mente. Reconhecer e dominar nossas emoções e selecionar o que pensamos é o caminho para esta limpeza interna. Evitar vibrações baixas, músicas e filmes agressivos, apreciar a natureza, estar próximo de pessoas positivas são ações de purificação interna.   “E, da pureza da mente, [nasce] a satisfação da mente, a concentração, a conquista dos sentidos [e por fim] a preparação para o autoconhecimento” Yoga Sutras de Patanjali 2.41 “ Os sentidos oferecem informações sobre os objetos do mundo, então a mente responde com desejo, repulsa ou indiferença. Se a mente consegue se manter calma e satisfeita, há pureza da mente, que é o preparo necessário para o conhecimento do Eu.”  Gloria Arieira - O Yoga que Conduz à Plenitude   A meditação e a prática de asanas podem ser utilizadas para essa “faxina” interna. Tirar alguns momentos do dia para trazer consciência aos seu atos e observar seus pensamentos podem te renovar como um bom banho. A prática de asanas, além de trazerem bem estar, é uma ferramenta para purificação do nosso corpo, limpeza de canais energéticos e concentração mental.   Olhar para dentro é um trabalho difícil e normalmente doloroso. Ninguém quer olhar seu lixo interno principalmente porque, para limpar, em algum momento você vai precisar se sujar. Esse é o processo natural. Antes de encarar toda essa impureza, é importante reconhecer que você não é este lixo e não criar identificações com o que for encontrado. Na verdade, o verdadeiro Eu é aquele que está sufocado por toda essa bagunça que acumulamos.   Então deixo com vocês a mesma dica que dou aos meus alunos: antes de iniciar sua prática, tome uma banho e chegue ao seu tapete ou ao estúdio alguns instantes antes. Se você caminha até o estúdio, experimente tornar esta caminhada em uma meditação em movimento. Sobre o banho, muito mais do que retirar a sujeira material, a água corrente é capaz de renovar a energia absorvida no dia inteiro, se você pratica a noite ou mesmo aquele peso do seu sono, se você pratica de manhã. Se você não pode tomar banho, lave o rosto, as mãos, e, por que não, escove os dentes! Estes instantes logo antes do início, onde você só está “entrando no clima” podem mudar completamente a sua prática. Não só a tornam mais ritualística, como te dão um novo frescor físico e mental.   Acima de tudo que foi dito, é importante compreender que a pureza também é estar livre de julgamentos. Nada é essencialmente puro ou impuro. Não torne-se obsessivo com essa limpeza. Não julgue atitudes e pensamentos, sejam seus ou do outro como impuros. Aceitar nossa mente como ela é também é um exercício de presença. Saucha é falta de excessos, redução, simplicidade, para que possamos nos “limpar” da poluição desnecessária, do acúmulo material, mental, energético e emocional.   Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

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Dicas de Yoga | 24 nov 2020 | Ellen Lima
TRATAKA: ASANA PARA OS OLHOS, TERAPIA PARA A MENTE

TRATAKA: ASANA PARA OS OLHOS, TERAPIA PARA A MENTE Trataka é um dos seis Kriyas (técnicas de purificação interior)  que compõe os shatkarmas descritos no capítulo II do Hatha Yoga Pradipika e capitulo I do Gheranda Samhita. Do sânscrito, Trataka significa “olhar fixamente”. Tem como objetivo limpeza e purificação dos músculos e nervos ópticos através da concentração do olhar em pontos fixos ou através de movimentos específicos com os olhos. Os benefícios físicos são limpeza e tonificação dos músculos e nervos oculares, e mentalmente é um ótimo exercício que prepara para meditação, além de desenvolver maior poder de concentração e força de vontade. O Trataka pode ser feito de três maneiras diferentes: Bahiranga Trataka: exercício externo que consiste em olhar fixamente, sem piscar, para algum ponto específico até que seus olhos lacrimejem. Sentado em posição confortável estique seu braço à frente, mantenha as mãos fechadas apenas com o dedão voltado para cima e olhe fixamente para a unha. Movimente seu braço para a direita e siga o ponto focado apenas com os olhos (sem movimentar a cabeça), primeiro para os lados, depois para cima e por fim para baixo.  Logo depois inicie o movimento circular de forma bem lenta: movimente a mão para cima, para o lado e para baixo (trocar o braço para o próximo lado) e suba pelo outro lado, completando um círculo. Ao terminar esfregue suas mãos para produzir calor e em forma de concha, de maneira que não entre luz coloque sobre os olhos sem apertar, apenas para descansá-lo.   Antaranga Trataka: exercício interno que consiste na imaginação de um símbolo (normalmente o OM) ou yantra (figuras geométricas que atuam como ferramenta para concentração, contemplação ou meditação) no ajna chakra, espaço entre as sobrancelhas, com o objetivo de visualizá-lo claramente como se estivesse olhando para ele.   Artarbahiranga Trataka: este exercício combina os dois explicados acima, realizando-o de forma alternada. O mais conhecido é o da chama da vela, que consiste em fixar o olhar na chama da vela, sem piscar, até lacrimejar e depois fechar os olhos e imaginar essa mesma chama na altura do ajna chakra.   OBSERVAÇÃO: o Trataka é contra-indicado para pessoas com glaucoma e epiléticos não devem praticar o Artarbahiranga Trataka. (Swami Satyananda Saswati – Asana Pranayama Mudra Bandha) Em uma prática de Yoga onde tive o primeiro contato de Trataka, a primeira coisa que me veio à mente foi a lembrança de uma técnica psicoterápica da qual já fui paciente, chamada EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing ou Dessensibilização e Reprocessamento por meio dos Movimentos Oculares). A técnica foi desenvolvida na década de 80 por uma psicóloga americana chamada Francine Shapiro que consolidou este método após suas pesquisas com veteranos de guerra do Vietnã, que relataram que após a terapia que os ‘flashbacks’ de bombas e tiros que ecoavam na mente, não mais apareciam. A terapia consiste em analisar os padrões de sentimentos negativos do paciente, fobias, ansiedades, medos e traumas e colocá-los em uma escala de incômodo que após as sessões, será reavaliada. Uma especialista em EMDR diz que ‘\"com o EMDR criamos uma situação onde o próprio cérebro encontra um caminho de autorregulação”. “Segundo Francine Shapiro, quando o paciente combina a memória do trauma aos movimentos laterais dos olhos, ativa mecanismos cognitivos e fisiológicos que reprocessam o trauma e dessensibilizam a ferida, como sugere o nome da terapia.” A técnica parte do princípio que as lembranças dolorosas são armazenadas de maneira disfuncional no cérebro. Sabe-se que é durante o sono REM (Rey Rapid Moviment ou Movimento Ocular Rápido) que o cérebro reprocessa e arquiva as informações do que aconteceu. A técnica de psicoterapia ‘imita’, de uma forma acelerada, esse processo que acontece durante o sono REM, fazendo estimulação bilateral do cérebro através dos movimentos oculares, que segundo os especialistas na técnica “é o arranque para que o cérebro reprocesse a memória negativa”.  Nas ultimas fases da psicoterapia trabalha-se a troca de crenças e padrões  negativos por pensamentos positivos. O que mais chama a atenção é a semelhança entre uma técnica milenar do Yoga, o Trataka, com uma técnica de psicoterapia recente que vem demonstrando bastante eficácia. Permitindo enxergar o Yoga como uma ‘ferramenta antiga’, ousaria dizer, pelo seu respeitável tempo de existência, a mãe de todas as terapias que visam o bem estar do ser humano. Yoga é uma filosofia que se desenvolveu baseado no cuidado com o ser humano como um todo: mente, corpo físico e energético e espírito. O yoga tem como foco “cessar a instabilidade da mente” através dos asanas, pranayamas, meditações, kriyas. As perturbações ou distúrbios da mente que são pontos de análise da psicologia, que busca suas causas, já foram descritas antes mesmo de que a psicologia existisse como profissão. Patanjali descreveu essas perturbações nos Yoga Sutras. São as cinco principais causas de sofrimento da humanidade, chamados Kleshas. São eles: avydia (ignorância), asmita (ego), raga (atração), dvesha (aversão), abhinivesha (apego à vida ou medo da morte). Não seriam esses os mesmos focos das atuais técnicas de terapia?! Não venho de forma alguma através desse texto diminuir a importância da psicoterapia, tenho grande respeito por essa profissão, o objetivo é enaltecer a importância do Yoga para a saúde emocional dos seres humanos. Pessoas precisam sim de ajuda profissional na área da saúde, algumas estão tão perdidas que necessitam de um profissional para ajuda-las a se reencontrar e retomar o controle de sua vida, mas diante dos benefícios incontestáveis do Yoga e da semelhança entre o Trataka e do EMDR, penso em como seria bom se o Yoga fosse ensinado desde cedo às pessoas, muitos dos males da vida moderna poderiam ser evitados, as pessoas saberiam lidar melhor com suas emoções, saberiam respirar corretamente e dessa forma controlar a mente que salta de um lugar para outro de forma desordenada nesse mundo de tantas informações, saberiam silenciar os pensamentos ao invés de se desesperar com as imaginações que causam medo, ansiedade, aflições; entoariam um mantra ao invés de resmungar palavras de baixa energia, saberiam direcionar o fluxo de suas energias e usariam seus pensamentos como um aliado e não como um inimigo que sabota o tempo todo. Nos EUA algumas escolas já inseriram o Yoga na grade curricular, no Brasil algumas experimentam como projeto escolar, mas o fato é que os benefícios são inúmeros, basta colocar nos sites de pesquisa para ver a quantidade de reportagens que abordam tais benefícios, entre eles o que mais se destaca é a melhora de alunos com problemas de concentração. Introduzir o Yoga na vida das crianças pode ser a melhor maneira de criarmos uma sociedade mais saudável física e emocionalmente. Praticar Yoga, mesmo depois de adultos e com inúmeras crenças enraizadas, nos ajuda a descontruir paradigmas e refazer nosso ‘ambiente emocional’. Não sou mais paciente de psicoterapia há anos (em específico do EMDR), mas faço uma auto-terapia diária chamada YOGA e vejo hoje o Trataka de uma forma muito diferente, o vejo como minha sessão de ‘EMDR yogin’!  

pranayama respiração
Filosofia do Yoga | 23 nov 2020 | Fernanda Magalhães
O primeiro de oito passos – Yama

O primeiro de oito passos - Yama   Ainda seguindo nossa temática sobre os Yoga Sutras de Patanjali, hoje nosso texto vem trazer o primeiro passo a ser dado em direção a transformação mental. No segundo capítulo dos Sutras, Patanjali aborda o processo espiritual em oito etapas de desenvolvimento (ashtanga), onde Yama é a primeira. Yama (sanscrito) é uma palavra que deriva da raíz YAM, que significa refrear, domar, dominar. Por isso pode ser comparado com restrições, por descrever o que deve ser evitado para o crescimento espiritual. “ahiṁsāsatyāsteyabrahmacaryāparigrahāḥ yamāḥ” - Yoga Sutras de Patanjali, 2:30 Não agir com violência (ahimsā); falar a verdade (satya); não roubar (asteya); não desvirtuar a sexualidade (brahmācārya); e não praticar o apego (aparigrāha) tratam das nossas relações com o mundo..  Os domínios a serem refreados com conhecimento dos Yamas referem-se aos impulsos naturais e inerentes dos seres vivos, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação: braços, pernas, boca, órgãos sexuais e excretores. Estes instintos, se soltos e desregrados, provocam como consequência, o sofrimento. São considerados códigos de ética do Yoga por permitir que se viva em paz e harmonia com tudo que nos rodeia. Por trazer esse benefício em relação a vida em sociedade ao serem seguidos, os Yamas às vezes são confundidos com regras como as morais e religiosas. Esta comparação não reflete a verdade, pois o principal objetivo de Yama é eliminar perturbações mentais e emocionais e tornar o pensamento coerente.  Como estar com a mente centrada se há preocupações em relação às suas ações perante outro ser? Pessoas com saúde mental não encontram a paz se mentem, roubam e causam danos a outras pessoas. É preciso limitar as perturbações antes de prosseguir no caminho do controle da mente. Mas essa mudança precisa vir de uma busca voluntária e tolerante consigo mesmo. Ahimsa por exemplo, a não violência, precisa começar consigo mesmo se privando de hábitos destrutivos, pensamentos negativos e emoções reprimidas. As vezes, colocar muito esforço em uma postura de Yoga pode ser uma forma de violência.  Não é simplesmente uma forma passiva de não violência ao refrear seus impulsos, mas sim uma mudança interna refletida no exterior e na relação com o outro. Assim também acontece com todos os demais Yamas. Como falar a verdade (satya) se não a conhecemos? A “sua” verdade é real ou estabelecida pelas convenções do seu meio social?  Para não criar máscaras e assumir comportamentos hipócritas, antes precisamos praticar o autoconhecimento.  Asteya - não se apropriar do que não te pertence nasce na libertação do desejo naquilo que não é seu. Tem muita proximidade com aparigraha, o não apego. Se não há desejo pelo o que está além do essencial, não há desejo posse do que não te pertence. Bens materiais, status social, memórias, pensamentos, sensações, aversões e finalmente, outros seres vivos, o que te pertence? Revendo os conceitos do que realmente te pertence, se nessa existência tudo é passageiro, estamos todos temporariamente utilizando os objetos materiais, incluindo nosso próprio corpo?   Brahmacharya é reconhecer que a energia sexual é tão preciosa que não deve ser desperdiçada, mas sim direcionada para a criação. E isto pode não ter relação com o ato sexual. Há muitos celibatários que não praticam brahmacharya. Então para mim, os yamas são muito mais do que codigos de etica. São reflexos de uma mudança interna de desprogramação de condicionamentos resultantes de ideologias, tradições e valores impostos pela sociedade dando uma liberdade além dos preconceitos. Reflete a forma com que nos relacionamos conosco para que possamos transbordar para o outro, demonstrando essa consciência e solidariedade.  Yama é o inicio e a base da reforma interna.    Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();