Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast #32

HOME > BLOG > Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast #32

Podcast de Yoga | 4 fev 2021 | Daniel De Nardi


Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast #32

A neurociência tem feito descobertas interessantes sobre como a Meditação pode modificar nosso cérebro. Entenda mais sobre essas pesquisas nesse podcast.

 

 

Links

 

Ebook Yoga

 

E-book As Origens do Yoga e da Meditação

 

Especialização em Yoga – Curso para Professores de Yoga

 

 

 

Transcrição do Podcast #32

 

Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast # 32

Desde que o YogIN App surgiu, nós sempre oferecemos e-books gratuitos, são diversos que já oferecemos e agora tem uma área no site que são esses e-books expostos para baixar aquele que você quiser. Nessa área todos os e-book estão gratuitos, mas esse livros tem um valor, inclusive estão marcados e, eventualmente, podem ser cobrados. Então, se você tiver interesse em aprender, pode ir na página e baixar os livros, poderá ir em qualquer momento oportuno.

Então, eu estou fazendo uma série chamada “Yoga e a Meditação” que será composta por cinco e-books, já publiquei três deles, e eles contam um pouco a história e a estrutura do yoga e da meditação, o primeiro deles começa com a origem do yoga e da meditação, tratando sobre as primeiras escrituras a falarem disso, depois, o segundo livro, se chama “Pra quê meditar?”, fala sobre os efeitos que a meditação produz. E agora, recentemente, acabei e publicar o terceiro livro chamado “Como se funciona a meditação” e ele fala do processo que acontece durante a nossa meditação, como é a explicação fisiológica e cientifica do processo meditativo e o que a gente pode ver também como uma explicação filosófica mais profunda da meditação, há explicações técnicas que revelam quais partes do cérebro se envolvem no processo meditativo. Se você se interessa pelo assunto, eu vou deixar na descrição os três livros para que baixe depois.

Um outro recado é que no dia 22, daqui a alguns dias, nós vamos lançar o curso de especialização para professores de yoga, então é um curso para quem já realizou uma formação e quer se aprofundar, quer mais dicas de como dar aula de como fidelizar o aluno, de como adequar a aula para o tipo de ambiente. Seja na academia, uma aula particular, na empresa, seja aula pra gestantes, ou até uma adequação para o aluno, um aluno que quer um treinamento mais forte, uma aula com mais alongamento, um aluno que tem dor nas costas…então, a gente vai trabalhando nesses diversos ambientes, nessas diversas dificuldades que o professor tem no dia-a-dia. É um curso que tem 24 horas gravadas, com sei professores do YogIN App e será lançado no dia 22 de setembro.

E, nesta semana, saiu uma entrevista no podcast Fronteiras da Ciência com a responsável pela maior pesquisa que já se fez no Brasil sobre Mindfullness, feita pela Universidade do Rio Grande do Sul. Eles estão medindo os efeitos da meditação Mindfullness sobre a ansiedade. Como eles determinam que é este tipo de meditação? Que é a meditação do yoga, e é a meditação que a gente pratica em outras técnicas não só na meditação, mas, por exemplo, quando se faz uma respiração bem feita, acaba tendo muito desses elementos ou mesmo numa postura, então o yoga como um todo vai trabalhando com pequenas meditações, para que no fina haja uma meditação focada, concentrada, com treino prévio, preparação prévia que os outros exercícios já deram. Então dentro desta pesquisa do Mindfullness, ele consideram como meditação levar a sua atenção de uma forma diferente para aquilo que foi determinado por você, esta meditação tem um foco com uma intenção. Ela vai trabalhar a sustentação da atenção, que não é algo comum, e ela busca o não julgamento, a simples observação sem julgamento. Isso, efetivamente, é a meditação do yoga, quando a gente faz um meditação a gente sempre tem o intuito de sustentar a concentração, de manter a mente mais como uma observadora, e não analisando cada um dos fatos.

Internamente, dentro do cérebro, como esse processo acontece?
Quando a gente começa a meditar, a primeira área que ativada é a frontal, que é o córtex frontal, responsável pelas nossas decisões mais deliberadas, aquelas que a gente pensa, projeta a longo prazo, aquelas decisões que a gente toma de forma mais consciente e não instintiva. O córtex pré-frontal no processo meditativo, primeiro é ativado e, aos poucos, começa a desligar a sua relação com as partes mais internas, ligados os instintos. Na entrevista, ela fala sobre a amidala e no meu livro eu falo sobre o tálamo, que são duas partes do cérebro na área mais interna chamada de área reptiliana, responsável por responder de forma instintiva aos estímulos, por exemplo, quando passa uma cobra em um ambiente, não há controle, haverá a liberação de cortisol, eriçamento na pele, dilatamento das pupilas, então há uma resposta instintiva de sobrevivência, que não necessariamente passou pelo córtex pré-frontal, não se decide ter  ou não medo da cobra, ele simplesmente existe e é mais forte e surge. Mas o que acontece é que uma cobra, um medo real, é bastante raro na vida, a maior parte dos nossos medos e daquilo que gera ansiedade, é criado dentro da nossa cabeça, não é um perigo real porque desde a origem o ser humano sobreviveu graças a sua capacidade de prever alguma catástrofe, algum perigo eminente e começar a se preparar para aquilo. Por outro lado nós usamos também muito a visão do passado, que na entrevista ela chama de “ruminar o passado”, então o ser humano fica numa questão de proteção até mesmo da sua sobrevivência, do seu cérebro, tentando pensar em algum problema que vai dar ou trazendo do passado. Esta projeção gera um nível de ansiedade grande e quem não tem muito esta parte do corte pré-frontal instintiva, então ele não vai pensar de maneira mais consciente “a chance de um avião cair é muito menor do que de eu ser atropelado na rua, isso é uma decisão mais consciente. Mas quando o medo se apodera de quem tem medo de avião, não há argumentos, ele vai para o instinto,, por esses estímulos do sistema reptiliano o mais interno, na entrevista eles falando da amídala, no livro eu falo do tálamo, mas são duas áreas responsáveis por sobrevivência, simplesmente você responder de forma instintiva a sobrevivência, mas como eu falei, essa questão da sobrevivência é essencial para a nossa vida, mas se a gente ficar o tempo inteiro com esse tipo de resposta, acaba gerando um desgaste emocional, uma ansiedade muito grande.

Então o processo de meditação desta forma faz com que as áreas mais internas sejam desligadas, e que a influencia na hora das nossas decisões seja menos pelo instinto e mais pela consciência, simplesmente observar e verificar qual é a melhor decisão a ser tomada, sem ruminar o passado – porque temos o hábito de buscar padrões, “Ah, isso já aconteceu assim, vai acontecer de novo”, na vida real não acontece, ela é algo aleatório, a gente vai buscando esses padrões, então manter uma observação e não ter uma resposta do que já foi ruminado do passado e projetado para o futuro, é uma decisão mais consciente, mais relacionada com o córtex pré-frontal que é a primeira região a ser estimulada com a meditação. Há pesquisas, inclusive, do reforço desta região por pessoas que meditam com regularidade.

Então a meditação feita desta forma, sem julgamento, com sustentação da atenção e com a intenção de reduzir a atividade da mente, vai criando um novo caminho do córtex pré-frontal para o sistema reptiliano, e esse caminho vai criando uma estrutura de uma tomada de decisão não tão determinada pelos instintos, mas mais por uma decisão consciente, e isso vai reduzindo bastante a ansiedade que, como eu falei, é um processo de ruminar o passado, de buscando padrões  e repetições, ou prevendo catástrofes  que vão acontecer. Quando você tem o seu córtex pré-frontal, a sua decisão com mais atenção, com mais plenitude, não há tanta afetação por esses instintos, então se consegue manter uma tranquilidade, afinal a vida não estará em risco e isso estará bem claro.

É mais uma prova de que a ciência está chegando, do quanto as técnicas meditativas – porque essa questão de não julgamento, sustentar a atenção sempre foi tema da literatura do yoga, sempre foi tema do trabalho como um todo do yôgin, de ele conseguir, no momento da meditação, tentar não usar aquilo que ele já tem como background, de memória e simplesmente viver o momento, estar presente e não ficar pensando no passado. A ciência chega a prova de que isto é bem efetivo para a melhoria da qualidade de vida, redução da ansiedade e para a tomada de decisões mais conscientes, então, eu fico bem feliz de isso estar acontecendo porque é uma demonstração do que a gente faz, sempre foi encarado como algo místico, sem comprovação e sem seriedade. Agora, com o desenvolvimento da neurociência, em que você consegue colocar eletrodos no cérebro e medir os efeitos quando a pessoa está meditando, esse desenvolvimento da ciência está trazendo todos os efeitos positivos que a meditação tem, não só na ansiedade, mas também na nossa vida, viver melhor, de uma forma consciente, uma forma com menos decisões baseadas em instintos de sobrevivência, porque no passado, tínhamos que viver assim, a gente tinha problemas eminentes, a qualquer momento poderia aparecer um tigre e nos matar, hoje temos problemas que são reais, mas a maior parte deles, a boa carga deles, é criado dentro da nossa cabeça.

Se você explicar para alguém o soeu problema e este analisar de forma fria, provavelmente ele não vai achar que é tão grande quanto você está ali sentindo ele, então talvez ele não seja tão grande, talvez na realidade internamente você tenha criado isso por trabalhar  nessa área reptiliana, por trazer mais os instintos, por trazer mais o medo, mas na realidade efetivamente você não tem  todo esse problema tão grande, e aí, uma decisão mais consciente, observar a situação, tentando se colocar de fora, sem julgar, vai te trazer bastante benefício nesse sendo.

A música de hoje é de Phillip Glass, como eu falei. Vou contar uma história do Phillip Glass que escrevi no meu blog há um tempo, que é bastante interessante para mostrar o quanto é importante a gente ser independente para criar aquilo que a gente realmente acredita, à medida que a gente depende de uma situação específica a gente sempre está numa situação em que não há liberdade, não há expressão total. O que o Phillip Glass queria, era criar uma nova forma de música que poderia acontecer, e que depois tomou os cinemas porque ele criou uma trilha repetitiva que acabou sendo usada em todas as trilhas sonoras que a gente vê hoje. Então o Phillip Glass, justamente com Reich, foram um dos primeiros compositores a criar um tipo de música minimalista, que se repete e que hoje é bastante usada em trilhas de filmes. Então o texto que escrevi há alguns anos sobre ele diz assim:

“Phillip Glass e Reich no início da década de 1960, começaram um movimento musical que, depois, foi chamado de minimalista, mas eles mesmos, não sabiam o que estava fazendo, simplesmente acreditavam que aquilo era a evolução da música. Como disse o escritor Alex Ross, a irradiou dos anos 1980 e1990 a ponto de ser possível ouvir em qualquer boutique de moda, em algum momento, um balbucio distante um distante, semelhante a Music for 80 musician, de Reich. Entretanto, nem toda a vanguarda não é facilmente aceita pelo mercado, e se o artista sede aquilo que as pessoas querem, jamais conseguirá emplacar o que realmente acredita, nunca fará uma inovação marcante.

Phillip Glass e Reich, há eram muito conhecidos no meio música, entretanto, as suas melodias ainda não faziam sucesso para o grande público, por isso, a única forma de preservá-las era fazer trabalhos que dessem sustento para poderem criar livremente. Assim como Reich, Glass ganhava a vida fora da academia musical, dirigindo taxi e fazendo serviços exóticos. Os dois minimalistas formaram por algum tempo uma companhia chamada Chelsea Light Moving em que trabalhavam para garantir uma renda carregando mobília para cima e para baixo nas estreitas escadarias de Nova Iorque. Glass trabalhou também como encanador e, um dia, instalou uma lavadora de pratos no apartamento do crítico de arte Robert Hughes que não conseguiu entender porque o famoso compositor do Soho estava se arrastando no chão da sua cozinha.

 


Compartilhar: Compartilhar no http://WhatsAppCompartilhar no http://FacebookCompartilhar no http://Twitter

Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

2 comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Dicas de Yoga | 11 maio 2021 | Fernanda Magalhães
Não Seja seu Próprio Guru, mas Mantenha a Semente do Discernimento

Não Seja seu Próprio Guru, mas Mantenha a Semente do Discernimento Om saha navavatu, saha nau bhunaktu Saha veeryam karvaavahai Tejasvi naa vadhita mastu maa vid vishaa va hai om shanti, shanti, shanti   OM, Que sejamos protegidos, o professor e o aluno Que encontremos juntos a liberação Que possamos compreender o verdadeiro significado das escrituras Que haja luz em nosso aprendizado Que não ocorram desentendimentos entre nós OM, Paz, Paz, Paz   Essa semana foi comemorado o dia do professor aqui no Brasil e em Julho, no oriente, foi comemorado o Guru Purnima, a festividade que honra os mestres espirituais. Mas será que professor, mestre espiritual e guru tem o mesmo significado no Yoga? A figura do orientador é essencial no nosso caminho. Defendo o ponto de vista que não se pode ser autodidata no aprendizado do Yoga. O conhecimento adquirido pela relação com os objetos pode ser absorvido e compreendido por nós com pouca ou sem orientação, mas o conhecimento do verdadeiro Ser, aquele que não se identifica com tais objetos, deve ser exposto por outro. Porque enquanto identificados com estes objetos e realizando nossa leitura de mundo através dos órgãos de sentido, permanecemos na ignorância, mantendo nossas emoções na direção de nossas vidas. São as emoções que nos impedem de acessar esse conhecimento. Este conhecimento que é vivo dentro de nós e não disponível, é revelado através da figura do guru. Guru = “dissipador das trevas” do sânscrito, gu, que significa “escuridão” e ru, “aquele que dissipa”. No hinduísmo, o termo também é traduzido como “pesado”, utilizado com o significado de “cheio de conhecimento e sabedoria”. O termo guru é utilizado na Índia contemporânea como sinônimo de guia, mestre, professor. Por este ponto de vista, qualquer pessoa que passe conhecimento, poderia ser considerado um guru. Nesta linha de pensamento, seus pais são os primeiros gurus na vida. Jonas Masetti, professor de Vedanta, diz que de acordo com a tradição védica o guru é apenas o professor que com auxílio dos Vedas revela a natureza do “eu” para os alunos. Há também quem defenda que o verdadeiro guru está dentro de nós. Mas o que existe de fato em nós, é o conhecimento da verdade, e não o guru em si. Conhecimento este que não se revela sem ajuda de um mestre, tornando essencial a busca de orientação em nosso caminho espiritual. O conhecimento do yoga é tradicionalmente passado de mestre para discípulo desde que se tem registro, através de um relacionamento duradouro onde os dois se comprometem igualmente com o crescimento espiritual. Essa transmissão direta que garante a linhagem é conhecida como Parampara - \"uma série ou sucessão ininterrupta\". Desde o guru até você. Mas como escolher e identificar um mestre? Em português, as palavras mestre e professor são aplicadas com conotação similar o que não ocorre em outras línguas, dificultando nossa compreensão nesta “hierarquia”. Na tradição do Yoga, um mestre que atingiu a iluminação e é capaz de transformar alguém pela simples presença é o verdadeiro guru. Um guru não precisa estar encarnado para inspirar e despertar a iluminação em outros. Ele é um canal claro e puro de Consciência, não contaminado pelo ego ou desejos pessoais.   Há também os mestres chamados acharyas - “aqueles que ensinam pelo exemplo”. São grandes mestres espirituais com conhecimento e prática que estão aptos a tornar o conhecimento sagrado compreensível aos estudantes. Eles são capazes de desenvolver procedimentos e metodologias para que o estudante siga ao encontro da verdade. Encaro os Acharyas como facilitadores, que são capazes de traduzir o verdadeiro conhecimento a práticas mundanas. E há todo o resto de praticantes e aspirantes a Yogi que compartilham sua própria experiência. Neste grupo, há aqueles com grande bagagem e vivência prática, mas que também não são Gurus. São professores e, acima de tudo, estudantes. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Os professores de Yoga passam o conhecimento sobre os estados mais elevados de consciência mesmo sem estarem estabelecidos nestes estados, compartilhando experiência própria e limitada. Esse conhecimento é passado a nível intelectual e através de técnicas que direcionam ao autoestudo. A figura do mestre ou professor, dentro deste caminho de Yoga, merece respeito, humildade e confiança do discípulo. E embora todos tenham sua devida importância na jornada do autoconhecimento, não podemos confundir os papéis de cada um deles. O esclarecimento da posição de cada professor ou mestre na linhagem é de extrema importância para a relação mestre-discípulo evitando expectativas irreais e decepções futuras. Muitos estudantes se encantam com o carisma de seus professores e freqüentemente entregam-se àqueles que não são iluminados. Esta confusão faz com que pessoas sigam professores acreditando serem gurus, merecedores de total entrega e devoção. É deste engano que surgem todos os escândalos relacionados à “gurus famosos”.  Um professor é um ser em auto estudo e passível ao erro, uma pessoa como você, que pode acabar encontrando-se identificado à uma emoção. Estes relacionamentos onde o ego toma o controle por diversos momentos, podem não ser fáceis. “Confiança é uma escolha. Muitos estudantes chegam a um lugar desconfortável em seu relacionamento com o professor e partem… vão em busca da resposta que querem mas perdem a lição que precisam.”  – David Garrigues Um verdadeiro mestre não precisa ser carismático e não se ajusta às necessidades do seu ego. E não é atoa que “gurus famosos” está entre aspas no parágrafo acima. Um verdadeiro guru não está sob os holofotes e nem mesmo se auto declara como um guru. Guru, mestre ou professor, todos que são comprometidos com a verdade ensinam com objetivo de tornar o discípulo independente e não buscam seguidores. O objetivo final é tornar o aluno consciente e desperto o suficiente para que faça suas próprias escolhas. Ele reconhece que é meramente um instrumento da verdade e entende que todos merecem o mesmo estatuto e respeito. Ninguém, nem um mestre iluminado, merece tratamento superior. A dependência não deve ser reforçada. A humanidade está acostumada a ser guiada desde o início dos tempos e almeja um salvador que remova o ciclo de sofrimentos como mágica. Faraós, líderes religiosos, imperadores e tantos outros exemplos nos mostram que é mais confortável aceitar uma imposição, como uma criança que precisa obedecer aos pais. Mas esse ciclo só pode ser removido por nós mesmos através de muita prática e autoestudo. O mestre ou professor surge como uma placa de orientação no meio do caminho, ele não é o caminho. Somos mestres de nossas vidas, responsáveis por nossas escolhas, pensamentos e atos. Isto nos torna conscientes que somos responsáveis pelas consequências dos mesmos, e essa é a parte assustadora para a maioria de nós. Se dedique a seus mestres e professores, busque o conhecimento através de parampara, mas não entregue seu poder de discernimento. Entregue o seu ego e a sua intuição lhe mostrará o caminho.   E não esqueçam que sem o aluno, não há professor. Obrigada aos meus alunos que me fazem professora diariamente.   Gratidão aos meus mestres.   Om Asatoma Sat Gamaya (do irreal, guie-me ao real)    

Filosofia do Yoga | 10 maio 2021 | Daniel De Nardi
Os nomes das posturas do Yoga

Os nomes das posturas do Yoga Os primeiros textos a tratar de Yoga, tal como as Upanishads e o Yoga-Sutra, falam apenas de posturas sentadas (dhyanasanas) que são usadas para respiratórios (pranayamas) e meditação (samyama). Os Nathas, criadores do Hatha Yoga foram os primeiros yogins a introduzir as posturas (asanas) que conhecemos hoje nas práticas de Yoga. Os Hatha Yogins trabalham com essas posturas com o intuito de ativar a circulação da energia (prana). Duas das primeiras posturas \"não sentadas\" que apareceram nos textos são são ambas posturas de equilíbrio com nomes em sânscrito relacionados à aves. O mayūrāsana, a “pose de pavão” pode ser vista na figura acima e também o kukkuṭāsana, a “pose de galo”. ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ No curso de Formação em Yoga do YogIN App, tratamos bastante sobre a História e Filosofia do Yoga e os alunos aprendem mais sobre o desenvolvimento e a cronologia das posturas de Yoga. Estudamos os principais nomes das posturas do Yoga com detalhes de execução e história. Saiba mais, acessando a página do curso no botão abaixo     ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

asana para ficar sarado urdva mukha
Dicas de Yoga | 9 maio 2021 | Ellen Lima
Asana para ficar sarado

Asana para ficar sarado   Diz um ditado popular que hoje em dia é necessária muita coragem para amar e demonstrar sentimentos. Eu diria além, é preciso muita sabedoria e entendimento para entender que amar e demonstrar os sentimentos são os melhores remédios para o corpo e para o espírito, não apenas uma necessidade, mas um estado natural do verdadeiro Eu, que é puro e sábio. Em tempos onde controlamos e economizamos cada vez mais nossas emoções, chorar virou sinônimo de fraqueza, dar gargalhadas altas somos taxados de escandalosos, admitir que temos medo de algo então, cruzes! Vão dizer que sou fraco, frouxo; e a vontade dizer a alguém que está com saudade? Melhor deixar passar para não parecer sentimental fora de hora. A questão é que para tudo na vida existe equilíbrio e não falo aqui de se render ao desequilíbrio emocional, que também é desastroso, falo aqui sobre repressão. Hoje em dias as pessoas reprimem suas emoções cada dia mais para se encaixar no padrão da era dos humanos super adultos, controlados e “descolados” onde, já dizia em uma música do Leoni: “a ordem é ser feliz por toda eternidade feito prisão perpétua, entre sorrisos falsos e amenidades, momentos rasos de normalidade, não me apareça aqui com sua bagagem de infelicidade”. E assim somos obrigados a estar bem, parecer normal e passar por cima do que sentimos de verdade, aquele medo que poderia ser desfeito com uma conversa é escondido nos joelhos, aquele ressentimento e aquela situação que você não digeriu se esconde no estômago, aquela dificuldade financeira se esconde na sua lombar, e a carência na parte alta das costas; a culpa? Instala-se meio das costas. Aquela vontade de falar sobre idéia que parece que ninguém vai achar legal se esconde na garganta, e aquele projeto que não sai da sua cabeça, mas toda vez que você quer colocar ele em pratica algo da errado? Você esconde a teimosia em mudar o plano, em olhar por outros ângulos, na nuca, que enrijece e dói! As lembranças difíceis do passado que você não consegue esquecer, se escondem nas suas articulações. Chega uma hora que nem a mente e nem o corpo aguentam, sucumbem em ansiedade, desespero, dores físicas e até mesmo doenças. Aí você procura algo para aliviar e ajudar a se sentir menos o peso do fardo de reprimir tudo e não deixar os sentimentos e a vida fluir. Yoga! Afinal não há um yogIN que não tenha sido ‘salvo’ por essa tal filosofia. Chega à aula de yoga e dói o peito para respirar da forma correta (que você nem sabia mais como era), afinal é difícil mesmo colocar consciência quando a sociedade nos ensina a colocar no automático para render o tempo. Na meditação então? A concentração é prova de fogo, afinal como parar de pensar se é preciso analisar todas as atitudes, cada palavra, pensamentos, sentimentos, relações?! Aí chega a hora dos asanas. Opa, aí sim, aí é domínio físico, racional, então vai ser tranquilo. Você se coloca no asana e ele está fluindo e então você começa a se entregar, porque é bom estar ali, aparentemente no controle e com a cabeça ocupada só com o asana, (na verdade você está concentrado no momento presente e aí começa o yoga) e então você começa a respirar, a estar mais entregue, começa perceber o seu corpo, onde está rígido, onde está se soltando quando expira, começa ouvir seus batimentos cardíacos, começa sentir sua respiração e então se vê alí: você com seu corpo, o silêncio de estar olhando para dentro de você e sentindo uma conexão nunca antes sentida, e vem a inexplicável vontade de chorar. Se você passou por isso, entende o que eu estou dizendo, se você engoliu o choro, perdeu o estado de yoga, perdeu a maravilhosa oportunidade de deixar que seu corpo reprocesse suas emoções escondidas. Chora! Não saia do asana (a menos que ele esteja sendo violento para seu corpo), permaneça, se entrega, deixa o asana colocar tudo no lugar, movimentar a energia da emoção que ficou presa em algum chakra, em algum órgão, algum músculo, deixa o asana fazer efeito, e o efeito do yoga não é te dar um corpo sarado, é devolver uma alma “sarada”, curada de tudo que você reprimiu; deixa o yoga te ensinar a ouvir seu corpo, suas emoções e te aprende a deixar a energia da vida fluir pelo teu corpo e para além dele. Reaprende a liberdade de sentir e de ser. Enxerga a sua verdadeira e pura essência e permaneça no verdadeiro estado de entrega e confiança no seu verdadeiro Eu, que sabe como seguir no único caminho que viemos para trilhar e que nos leva à evolução e libertação: o caminho do AMOR! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();  

Dicas de Yoga | 8 maio 2021 | Daniel De Nardi
Reflexões de um jovem veterano yogin

Reflexões yogin de mais de duas décadas! Eu poderia começar este texto citando Vyása ou passagens das Upanishads. Acho que você não me daria nem duas linhas. Por falar em atenção, vamos ao que interessa - os benefícios do Yoga. Podemos dizer que o mundo está corrompido por um imediatismo e que hoje em dia ninguém se dedica a algo \"pela arte\". Verdade, mas será que nossos ancestrais também não agiam pensando no retorno que seu esforço proveria? Ou - será que o mais puro dos artistas também não age por alguma vantagem pessoal? Acredito que sim, tanto a arte quanto o esporte, trabalho, são meios pelos quais agimos buscando algo em troca.   Isto não tira a nobreza da ação, pelo contrário, se algo se perdura pelos séculos é sinal que de alguma forma aquilo vem gerando benefícios aos seus praticantes. O Yoga está vivo, cinco mil anos depois de sua criação, se não tivesse importância na vida das pessoas, já teria sido perdido ao longo da História. Depois dessa breve introdução - ou seria uma defesa prévia? - posso responder:   PARA QUE SERVE O YOGA? Poderia abrir outro parêntese para falar das mil vantagens de um estado de consciência expandida que os praticantes podem alcançar quando dedicam sua vida a isto, mas no final do dia, aqueles 99% dos praticantes que fazem Yoga 2x por semana, o que eles ganham? Há incontáveis benefícios em parar 2 horas na semana para se observar mais. Diminuir um pouco o inesgotável fluxo de informações que se recebe de fora para dentro o tempo todo. Há gente que não desliga nunca. E se nos aproximássemos mais da voz da consciência, que está sempre presente e que esses turbilhões de pensamentos nos impedem de ouvir com clareza - já seria um bom motivo.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”. Madame de Stael        OS EFEITOS MAIS RELEVANTES A disciplina da mente - não é apenas o Yoga que produz esse tipo de habilidade. Se você deseja aprofundar-se em alguma atividade como estudo, esporte ou trabalho, terá que, necessariamente, repetir ações ao invés de ceder à tentação da dispersão. A vantagem que vejo no Yoga em relação às outras atividades é que há técnicas para educar a mente a fazer isto. No dia a dia, a mente quer sempre fugir da repetição. Aí está o poder - decidir de cima, como o senhor que ordena as rédeas das suas atitudes, que agora é o momento do foco e não da distração. No treinamento do ritmo respiratório, quando o praticante trava contato pela primeira vez com a contagem do tempo das fases da respiração, se dá conta que não é tão simples quanto parece repetir o mesmo tempo para inspirar, reter o ar nos pulmões, expirar e reter com os pulmões vazios. A mente, que é dispersa por natureza, não gosta de ritmos cadenciados. Ela sempre vai preferir a diversidade, as variações, é sedenta pelo seu alimento vital - as dispersões. Mas a experiência de se notar que a mente foge do ritmo e ao observar esta atitude, volta a manter a cadência respiratória, nos dá aquela sensação de missão cumprida. E este é apenas um exemplo das dezenas de técnicas do Yoga que atuam neste sentido. Aprender isso com um exercício e depois transferir para as tarefas do dia a dia é algo que a prática nos ensina. A auto-observação - este processo é tão importante dentro da prática que o Yoga Clássico possui entre seus passos iniciais, uma fase chamada de swádhyaya, ou auto-estudo. Vou dar, mais uma vez, um exemplo de técnica, pois no final, Yoga nada mais é que a prática dos exercícios desta filosofia. Quando treinamos as posições de equilíbrio com os olhos fechados, somos obrigados a observarmo-nos internamente. Sem uma percepção de como o peso está distribuído no único pé que ficou no chão, torna-se impossível manter a posição por mais de alguns segundos. Mais uma vez, a técnica ensina o praticante a permanecer no melhor caminho, observando e atuando. Unindo - disciplina da mente e auto observação - temos o melhor dos cenários na busca para se alcançar objetivos desafiadores. Para tanto, é imprescindível que nos aproximemos cada vez mais daquilo que realmente somos, estabelecendo uma ligação mais próxima com a nossa consciência, que é a mais expressiva manifestação da nossa essência. Somente quando a pessoa está intimamente conectada consigo poderá reconhecer melhor seus defeitos e transformá-los em virtudes, conhecer suas vocações para poder realizar seu pleno potencial. A conexão interna nos proporciona uma grande confiança para traçarmos metas audaciosas. Ela nos conscientiza de que só depende da nossa própria capacidade de autoaprimoramento para que alcancemos tais objetivos e o Yoga pode ajudar qualquer um nesse processo. Talvez este seja seu maior benefício. É praticar para crer.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();