Brand

Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast #32

Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast #32

A neurociência tem feito descobertas interessantes sobre como a Meditação pode modificar nosso cérebro. Entenda mais sobre essas pesquisas nesse podcast.

 

 

Links

 

Ebook Yoga

 

E-book As Origens do Yoga e da Meditação

 

Especialização em Yoga – Curso para Professores de Yoga

Baixe o aplicativo do YogIN App e experimente 14 dias free

 

 

 

Transcrição do Podcast #32

 

Meditação, Ansiedade e Ciência – Podcast # 32

Desde que o YogIN App surgiu, nós sempre oferecemos e-books gratuitos, são diversos que já oferecemos e agora tem uma área no site que são esses e-books expostos para baixar aquele que você quiser. Nessa área todos os e-book estão gratuitos, mas esse livros tem um valor, inclusive estão marcados e, eventualmente, podem ser cobrados. Então, se você tiver interesse em aprender, pode ir na página e baixar os livros, poderá ir em qualquer momento oportuno.

Então, eu estou fazendo uma série chamada “Yoga e a Meditação” que será composta por cinco e-books, já publiquei três deles, e eles contam um pouco a história e a estrutura do yoga e da meditação, o primeiro deles começa com a origem do yoga e da meditação, tratando sobre as primeiras escrituras a falarem disso, depois, o segundo livro, se chama “Pra quê meditar?”, fala sobre os efeitos que a meditação produz. E agora, recentemente, acabei e publicar o terceiro livro chamado “Como se funciona a meditação” e ele fala do processo que acontece durante a nossa meditação, como é a explicação fisiológica e cientifica do processo meditativo e o que a gente pode ver também como uma explicação filosófica mais profunda da meditação, há explicações técnicas que revelam quais partes do cérebro se envolvem no processo meditativo. Se você se interessa pelo assunto, eu vou deixar na descrição os três livros para que baixe depois.

Um outro recado é que no dia 22, daqui a alguns dias, nós vamos lançar o curso de especialização para professores de yoga, então é um curso para quem já realizou uma formação e quer se aprofundar, quer mais dicas de como dar aula de como fidelizar o aluno, de como adequar a aula para o tipo de ambiente. Seja na academia, uma aula particular, na empresa, seja aula pra gestantes, ou até uma adequação para o aluno, um aluno que quer um treinamento mais forte, uma aula com mais alongamento, um aluno que tem dor nas costas…então, a gente vai trabalhando nesses diversos ambientes, nessas diversas dificuldades que o professor tem no dia-a-dia. É um curso que tem 24 horas gravadas, com sei professores do YogIN App e será lançado no dia 22 de setembro.

E, nesta semana, saiu uma entrevista no podcast Fronteiras da Ciência com a responsável pela maior pesquisa que já se fez no Brasil sobre Mindfullness, feita pela Universidade do Rio Grande do Sul. Eles estão medindo os efeitos da meditação Mindfullness sobre a ansiedade. Como eles determinam que é este tipo de meditação? Que é a meditação do yoga, e é a meditação que a gente pratica em outras técnicas não só na meditação, mas, por exemplo, quando se faz uma respiração bem feita, acaba tendo muito desses elementos ou mesmo numa postura, então o yoga como um todo vai trabalhando com pequenas meditações, para que no fina haja uma meditação focada, concentrada, com treino prévio, preparação prévia que os outros exercícios já deram. Então dentro desta pesquisa do Mindfullness, ele consideram como meditação levar a sua atenção de uma forma diferente para aquilo que foi determinado por você, esta meditação tem um foco com uma intenção. Ela vai trabalhar a sustentação da atenção, que não é algo comum, e ela busca o não julgamento, a simples observação sem julgamento. Isso, efetivamente, é a meditação do yoga, quando a gente faz um meditação a gente sempre tem o intuito de sustentar a concentração, de manter a mente mais como uma observadora, e não analisando cada um dos fatos.

Internamente, dentro do cérebro, como esse processo acontece?
Quando a gente começa a meditar, a primeira área que ativada é a frontal, que é o córtex frontal, responsável pelas nossas decisões mais deliberadas, aquelas que a gente pensa, projeta a longo prazo, aquelas decisões que a gente toma de forma mais consciente e não instintiva. O córtex pré-frontal no processo meditativo, primeiro é ativado e, aos poucos, começa a desligar a sua relação com as partes mais internas, ligados os instintos. Na entrevista, ela fala sobre a amidala e no meu livro eu falo sobre o tálamo, que são duas partes do cérebro na área mais interna chamada de área reptiliana, responsável por responder de forma instintiva aos estímulos, por exemplo, quando passa uma cobra em um ambiente, não há controle, haverá a liberação de cortisol, eriçamento na pele, dilatamento das pupilas, então há uma resposta instintiva de sobrevivência, que não necessariamente passou pelo córtex pré-frontal, não se decide ter  ou não medo da cobra, ele simplesmente existe e é mais forte e surge. Mas o que acontece é que uma cobra, um medo real, é bastante raro na vida, a maior parte dos nossos medos e daquilo que gera ansiedade, é criado dentro da nossa cabeça, não é um perigo real porque desde a origem o ser humano sobreviveu graças a sua capacidade de prever alguma catástrofe, algum perigo eminente e começar a se preparar para aquilo. Por outro lado nós usamos também muito a visão do passado, que na entrevista ela chama de “ruminar o passado”, então o ser humano fica numa questão de proteção até mesmo da sua sobrevivência, do seu cérebro, tentando pensar em algum problema que vai dar ou trazendo do passado. Esta projeção gera um nível de ansiedade grande e quem não tem muito esta parte do corte pré-frontal instintiva, então ele não vai pensar de maneira mais consciente “a chance de um avião cair é muito menor do que de eu ser atropelado na rua, isso é uma decisão mais consciente. Mas quando o medo se apodera de quem tem medo de avião, não há argumentos, ele vai para o instinto,, por esses estímulos do sistema reptiliano o mais interno, na entrevista eles falando da amídala, no livro eu falo do tálamo, mas são duas áreas responsáveis por sobrevivência, simplesmente você responder de forma instintiva a sobrevivência, mas como eu falei, essa questão da sobrevivência é essencial para a nossa vida, mas se a gente ficar o tempo inteiro com esse tipo de resposta, acaba gerando um desgaste emocional, uma ansiedade muito grande.

Então o processo de meditação desta forma faz com que as áreas mais internas sejam desligadas, e que a influencia na hora das nossas decisões seja menos pelo instinto e mais pela consciência, simplesmente observar e verificar qual é a melhor decisão a ser tomada, sem ruminar o passado – porque temos o hábito de buscar padrões, “Ah, isso já aconteceu assim, vai acontecer de novo”, na vida real não acontece, ela é algo aleatório, a gente vai buscando esses padrões, então manter uma observação e não ter uma resposta do que já foi ruminado do passado e projetado para o futuro, é uma decisão mais consciente, mais relacionada com o córtex pré-frontal que é a primeira região a ser estimulada com a meditação. Há pesquisas, inclusive, do reforço desta região por pessoas que meditam com regularidade.

Então a meditação feita desta forma, sem julgamento, com sustentação da atenção e com a intenção de reduzir a atividade da mente, vai criando um novo caminho do córtex pré-frontal para o sistema reptiliano, e esse caminho vai criando uma estrutura de uma tomada de decisão não tão determinada pelos instintos, mas mais por uma decisão consciente, e isso vai reduzindo bastante a ansiedade que, como eu falei, é um processo de ruminar o passado, de buscando padrões  e repetições, ou prevendo catástrofes  que vão acontecer. Quando você tem o seu córtex pré-frontal, a sua decisão com mais atenção, com mais plenitude, não há tanta afetação por esses instintos, então se consegue manter uma tranquilidade, afinal a vida não estará em risco e isso estará bem claro.

É mais uma prova de que a ciência está chegando, do quanto as técnicas meditativas – porque essa questão de não julgamento, sustentar a atenção sempre foi tema da literatura do yoga, sempre foi tema do trabalho como um todo do yôgin, de ele conseguir, no momento da meditação, tentar não usar aquilo que ele já tem como background, de memória e simplesmente viver o momento, estar presente e não ficar pensando no passado. A ciência chega a prova de que isto é bem efetivo para a melhoria da qualidade de vida, redução da ansiedade e para a tomada de decisões mais conscientes, então, eu fico bem feliz de isso estar acontecendo porque é uma demonstração do que a gente faz, sempre foi encarado como algo místico, sem comprovação e sem seriedade. Agora, com o desenvolvimento da neurociência, em que você consegue colocar eletrodos no cérebro e medir os efeitos quando a pessoa está meditando, esse desenvolvimento da ciência está trazendo todos os efeitos positivos que a meditação tem, não só na ansiedade, mas também na nossa vida, viver melhor, de uma forma consciente, uma forma com menos decisões baseadas em instintos de sobrevivência, porque no passado, tínhamos que viver assim, a gente tinha problemas eminentes, a qualquer momento poderia aparecer um tigre e nos matar, hoje temos problemas que são reais, mas a maior parte deles, a boa carga deles, é criado dentro da nossa cabeça.

Se você explicar para alguém o soeu problema e este analisar de forma fria, provavelmente ele não vai achar que é tão grande quanto você está ali sentindo ele, então talvez ele não seja tão grande, talvez na realidade internamente você tenha criado isso por trabalhar  nessa área reptiliana, por trazer mais os instintos, por trazer mais o medo, mas na realidade efetivamente você não tem  todo esse problema tão grande, e aí, uma decisão mais consciente, observar a situação, tentando se colocar de fora, sem julgar, vai te trazer bastante benefício nesse sendo.

A música de hoje é de Phillip Glass, como eu falei. Vou contar uma história do Phillip Glass que escrevi no meu blog há um tempo, que é bastante interessante para mostrar o quanto é importante a gente ser independente para criar aquilo que a gente realmente acredita, à medida que a gente depende de uma situação específica a gente sempre está numa situação em que não há liberdade, não há expressão total. O que o Phillip Glass queria, era criar uma nova forma de música que poderia acontecer, e que depois tomou os cinemas porque ele criou uma trilha repetitiva que acabou sendo usada em todas as trilhas sonoras que a gente vê hoje. Então o Phillip Glass, justamente com Reich, foram um dos primeiros compositores a criar um tipo de música minimalista, que se repete e que hoje é bastante usada em trilhas de filmes. Então o texto que escrevi há alguns anos sobre ele diz assim:

“Phillip Glass e Reich no início da década de 1960, começaram um movimento musical que, depois, foi chamado de minimalista, mas eles mesmos, não sabiam o que estava fazendo, simplesmente acreditavam que aquilo era a evolução da música. Como disse o escritor Alex Ross, a irradiou dos anos 1980 e1990 a ponto de ser possível ouvir em qualquer boutique de moda, em algum momento, um balbucio distante um distante, semelhante a Music for 80 musician, de Reich. Entretanto, nem toda a vanguarda não é facilmente aceita pelo mercado, e se o artista sede aquilo que as pessoas querem, jamais conseguirá emplacar o que realmente acredita, nunca fará uma inovação marcante.

Phillip Glass e Reich, há eram muito conhecidos no meio música, entretanto, as suas melodias ainda não faziam sucesso para o grande público, por isso, a única forma de preservá-las era fazer trabalhos que dessem sustento para poderem criar livremente. Assim como Reich, Glass ganhava a vida fora da academia musical, dirigindo taxi e fazendo serviços exóticos. Os dois minimalistas formaram por algum tempo uma companhia chamada Chelsea Light Moving em que trabalhavam para garantir uma renda carregando mobília para cima e para baixo nas estreitas escadarias de Nova Iorque. Glass trabalhou também como encanador e, um dia, instalou uma lavadora de pratos no apartamento do crítico de arte Robert Hughes que não conseguiu entender porque o famoso compositor do Soho estava se arrastando no chão da sua cozinha.

 

Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.

  • Avatar

    Tiago Del Rio - 18 set 2018

    oI dANIEl! não encontrei o LINK DO podcast Fronteiras da Ciência sobre Mindfullness. POR GENTILIEZA, TEM COMO COMPARTILHAR O LINK AQUI? OBRIGADO!

  • Daniel De Nardi

    Daniel De Nardi - 18 set 2018

    Olá Tiago. OBrigado por avisa, já inclui no post, mas se quiser ir direto pode usar aqui também https://podtail.com/podcast/fronteiras-da-ciencia/frontdaciencia-t08e27-atencao-plena-mindfulne/