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La La Land e a Realização do EU – Podcast #01

La La Land e a Realização do EU – Podcast #01

 

O que o filme mais falado do momento tem a ver com o Yoga?

Começo hoje um projeto antigo de produzir um conteúdo semanal que tenha significado pessoal.

Esta série de podcast que se chamará Reflexões de um YogIN trará relações da vida contemporânea com a sabedoria registrada nos shastras (textos clássicos da cultura sânscrita).

Como o YogIN pode aplicar a sabedoria do Yoga na sua vida cotidiana. Meu objetivo é trazer assuntos contemporâneos e analisá-los pela ótica do conhecimento YogIN.

Neste primeiro episódio, trago a reflexão sobre o filme que está dando o que falar em 2017.

La la Land foi o maior ganhador do Globo de Ouro e já teve 14 indicações ao Oscar

Só que a pergunta ainda não foi respondida.

O que o filme mais falado do momento tem a ver com o Yoga?

Ouça o podcast e descubra!!

 

ESSE PODCAST CONTÉM SPOILERS DO FILME

 

 

links

 

 

Transcrição do Podcast

La la Land e a Realização do eu #01

 

Olá, pra quem não me conhece, meu nome é Daniel De Nardi e eu sou um dos fundadores do YogIN App, responsável pelo conteúdo do YogIN App.

Criei esta sessão do podcast que via se chamar Reflexões de um YogIN Contemporâneo, a ideia desse podcast é que ele seja semanal e ele vai trazer como nos dias de hoje a gente consegue aplicar a prática do yoga nessa vida cotidiana, no dia a dia de ter que pagar conta, de ter que trabalhar, de como a filosofia do yoga estaria funcionado juntamente com o cotidiano de pessoas comuns, normais que trabalham que pagam conta, que vivem uma vida normal que não são yôgins isolados no meio da montanha, ou yôgins  que viveram em tempos remotos. A ideia é trazer um pouco da cultura que vou chamar de dentro desse podcast de sânscrita. Por que sânscrita? A cultura sânscrita é mais do que a cultura hindu, porque vem antes do hinduísmo e envolve toda aquela região não só na Índia, mas do Paquistão, do Nepal, então tudo o que foi produzido em termos de conteúdo e até hoje esses conteúdos sãos escritos em sânscrito, então a ideia é trazer essa cultura, que tipo de informação que essa cultura sânscrita produziu e o que seria relevante para nós que vivemos um dia a dia em cidades agitada, onde quer que seja. Então, Reflexões de um Yôgin Contemporâneo vai ser essa a nossa temática, sempre trazendo assuntos cotidianos para dentro da experiência com o yoga. Eu sou uma pessoa viciada em podcast, falo viciada obviamente de brincadeira, mas desde que eu descobri, acerca de dois anos eu venho ouvindo regularmente porque eu acho que é um sistema de conhecimento, de transmissão de conhecimento espetacular,  o vídeo e essa a minha série poderia, deveria ser em vídeo, eu não tenho nenhum problema em ser filmado eu até tenho uma certa facilidade na frente das câmeras por que já dei várias entrevistas quando era mais novo em relação ao yoga, mas eu não me motivo vendo uma câmera, não é algo que me agrada, mas por outro lado a transmissão de conhecimento me agrada muito, e hoje quando eu parei para escrever pra começar a pensar num primeiro episódio que ia fazer desse podcast, eu pensei especialmente em escrever eu comecei escrevendo sobre esse filme que a gente vai falar hoje, porque quando um filme me impacta muito ou alguma situação ou alguma reflexão eu venho fazendo eu sinto umas necessidade de passar aquela informação ou de registrar aquela informação até pra minha própria pesquisa por que eu sei que aquele é um momento muito especial da reflexão ou algo que eu apliquei e funcionou e aquele momento pode ser perdido e se eu registrar aquilo pode ser usado tanto pra mim quanto para as outras pessoas. O que eu quero dizer com isso, o que acho é que o mais importante é a informação aquilo que vai te fazer viver melhor, é aquilo que vai te ajudar de alguma forma pratica isso é o que vale, e não aparecer na frente de uma câmera e tudo mais, como eu vejo a informação mais importante do que essa aparição eu acredito que o podcast é mais útil que os vídeos. O vídeo eu acho necessário quando realmente a expressão é importante. Então, por exemplo, a gente vai falar de um filme hoje, se você ouvisse um filme, ouvisse a história, eu já ouvi alguns áudio books também de romances, não é a mesma coisa, ali se perde mesmo porque o visual interfere, mas o que a gente vai falar hoje se você me visse falando isso não ia mudar o ais importante é a mensagem, a reflexão que eu estou querendo trazer aqui pra vocês. Este podcast vai trazer muito do que eu dou aulas regulares de yoga, diariamente, e boa parte da minha aula, além das técnicas, além da meditação tudo, são as reflexão s que eu consigo gerar junto com os meus alunos e aí não só eu introduzindo determinadas reflexões mas e também recebendo feedbacks e imputs porque é por aí que a gente cresce. A pessoa mais sábia ela sabe que consegue tirar conhecimento de determinadas situações e que tudo é importante no sentido de aprendizado, então essa maturação de reflexões que eu faço nas aulas que eu faço com os meus alunos eu quero trazer nesse podcast semanal aqui o suco disso, o que a gente tirou de extrato, o que deu pra dar uma depurada uma aprofundada no que for mais importante e trazer aqui pra vocês reflexões mais pura, mais direta já tendo passado por várias outras reflexões com outras pessoas e com outras opiniões. Além dessas reflexões tem o estudo diário que eu faço de yoga, então o yoga não é apenas a prática, a gente fala muito da prática e a prática é realmente importante, mas o aprofundamento do estudo do yoga é essencial pro caminho do praticante porque quando a gente começa a estudar, o estudo é uma lembrança, se a gente tiver trazendo o yoga para o dia a dia. Quando a gente estuda yoga a gente fica com aquela informação vibrante na cabeça e nas situações diária a gente traz aquele tipo de informação para lidar com o dia a dia, vamos ver o exemplo da concentração, que seria a coisa mais óbvia: a pratica de yoga é uma pratica de extremo treinamento de concentração, você tem que direcionar o foco ora pra uma coisa, ora pra outra, mas chega o momento que você tem de levar isso para o seu dia a dia senão não teve valor, porque o que adianta eu ali durante a pratica superconcentrado, mas eu não consigo ler duas páginas de um livro, então essa transferência do que a gente treina num extremo, na pratica ela tem que ser transferida para o dia a dia, então isso é muito importante, então vem a importância de a gente fazer estudos e leituras constantes do yoga pra se de fato querermos ver o yoga ser praticado no dia a dia.

Tenho estudado um curso de um professor chamado Carlos Eduardo Barbosa, e o Carlos traz muita informação diretamente dessa cultura sânscrita, diretamente da fonte deles que são Vedas, Upanishads, Puranas, textos antigos da cultura sânscrita que o tempo inteiro são trazidos pra reflexões, como referência. Não é algo que ele inventa, tira da cachola, mas sempre trazendo o texto que está sendo estudado e em cima disso cria-se uma reflexão.

O texto que eu vou apresentar hoje pra vocês, o contexto do texto é uma Upanishad e esse texto também foi me apresentado pelo Carlos. O que são as Upanishads? Os textos mais antigos da cultura são os vedas, eles são os primeiros textos a serem escritos dentro do hinduísmo, o hinduísmo reconhece os Vedas como a sua verdade suprema, digamos assim, assim como existe textos clássicos para outras filosofias e outras religiões, então os vedas tem uma grande importância. Então dentro dos Vedas se dividem em vários grupos de textos e ao final tem as Upanishads que são uma espécie de comentário dos Vedas ou aquele tipo de informação aplicado no dia a dia, mais ou menos o que a gente está fazendo aqui. Upanishad significa sentar-se junto, porque era o momento em que aqueles que estavam transmitindo conhecimento finalizavam e falavam “bom, agora vamos ver o que a gente tirou dessa informação dos vedas” e iam passando reflexões em cima daquilo ou os próprios brâmanes escreviam ou os alunos deles escreviam aqueles textos e aí isso acabou ficando como textos muito importantes até hoje, muito revistos na cultura hindu. Então, a gente vai falar de uma Upanishad específica, chamada Mandukya Upanishad e ela tem um sentido de realização de três eu’s que a gente tem no nosso corpo e a gente realizar o nosso eu mais importante, o mais verdadeiro que é o eu do coração (dentro do yoga há sempre uma busca pela verdade, o que é realmente você, o que é realmente a sua vontade e o que é a influência externa, a gente vive esse conflito, o mundo espera de nós uma coisa, a gente se coloca em determinadas situações em determinados papéis, mas internamente a gente tem uma voz eu vai dizendo muitas vezes o oposto ou coisas diferentes daqui que está se buscando fora), essa Upanishad traz a reflexão no sentido de que há uma interferência externa, e isso é revelado pelos outros eu’s, o eu da mente o eu do corpo, mas há aquele ponto que é o eu do coração que onde vem a voz verdadeira e, segundo a cultura sânscrita quando a gente ouve essa verdadeira voz, que seria a voz da consciência, a voz do eu, a gente não erra. Então a busca do yôgin é sempre uma busca de buscar uma verdadeira mensagem essa verdadeira informação, observação da consciência e transportá-la para a vida como um todo, transportá-la para o cotidiano, a vida, a gente expressar o eu que vem do eu do coração que não é um eu influenciado por influências externas é um eu mais puro, o que de mais verdadeiro você tem dentro de você. E pra expressar esse contexto de busca para realização desse eu, eu vou utilizar hoje como exemplo um filme, que está sendo falado no momento pela quantidade de indicações ao Oscar, o filme La la Land.

Pra quem já assistiu ao filme, vai consegui acompanhar melhor o que eu vou falar, quem não assistiu, mas pretende assistir, saiba que haverá spoilers que é quando a gente revela informações do filme mais pra frente, então esses spoilers podem atrapalhar quem não gosta de saber antes o que vai acontecer, enfim. Interrompe aqui a audição, vê o filme e depois volta aqui. Quem não se importa em saber, ou quem já viu, a gente vai comentar bastante a situação do filme que tem a ver com essa busca Mandukia Upanishad fala, essa busca da realização do eu, a gente vai usar o filme como um exemplo desse processo que é a busca do yoga, no fundo o que o yôgin busca é trazer esse eu e revelar esse eu pro mundo, no sentido de ser mais aquilo que realmente a consciência emana  de informação e de observação, falando, então de La la Land, primeiro é importante ressaltar que o diretor, Damien Chazelle – de quem a gente deve começar a prestar atenção, é algo pra quem a gente deve direcionar a nossa atenção porque certamente é um diretor muito expressivo e que vai fazer muito sucesso – Chazelle ele já tinha sido o diretor e o roteirista de Whiplash, pra quem não lembro este foi o filme que concorreu com mais chances no Oscar contra Birdman, acabou perdendo, era um filme que contava a história de um estudante de música que queria se tornar o maior musico de jazz de todos os tempos comparado aos grandes mestres do jazz como Miles Davis, Duke Ellignton e os outros grandes mestres do Jazz. Eu não sou um ouvinte de jazz, mas a cultura do jazz e essa busca – e especialmente Whiplash trouxe isso pra mim – eu acho que ela é muito interessante, o jazz tem muitos aspectos interessantes, como o filme La la Land mostra, ele explica o jazz como uma construção comunitária em eu cada um vai fazendo o que é importante pra si e no final há uma harmonia generalizada, isso tem muito a ver com ideia que o hinduísmo tem em relação a Dharma, que existe um Dharma, um objetivo de cada pessoa e que se cada pessoa cumprir verdadeiramente, o mundo como um todo estará harmonizado, ele está cumprindo o seu papel ele está andando porque todo mundo está expressando a maior verdade, que vem de dentro, então ele demostra essa reflexão com o jazz no momento em que ele vai apresentando os diferentes músicos para a Mia, que é a personagem interpretada pela Emma Stone, o Ryan Gosling ele vai apresentando e falando um pouco nessa individualidade e que ao mesmo tempo em conjunto se transforma em uma grande harmonia, então é interessante a gente observar essa relação também com o hinduísmo, com o conceito de Dharma.

E o Whiplash é um filme maravilhoso de uma busca, uma perfeição por conta de um propósito. O menino tinha certeza de que tinha de fazer aquilo, ele segui, ia ao limite daquilo, e o filme também traz essa reflexão de realização pessoal. E eu tinha gostado tanto de Whiplash que eu inclusive escrevi sobre ele, por conta do que eu falei anteriormente, dessa necessidade de você marcar um momento histórico ou de um momento seu, de uma reflexão que tinha de acontecer naquele momento, então Whiplash me toco muito eu escrevi sobre ele, vou deixar o link do texto que eu fiz quando o filme surgiu. O interessante é que Damien Chazelle, ele já era um estudioso de cinema, e ele estava fazendo Harvard e já tinha a ideia de La la Land e apresentou essa ideia para alguns produtores e os caras falaram “você tá louco, musical, nada a ver” e, como acontece no filme em que aparece cenas que a menina vai ser submetida a testes, ela é atriz, e aquilo representa tudo na vida dela, e as pessoas que estão vendo, analisando não estão nem aí, porque é mais uma candidata mais uma ali, do tipo “apresenta e tchau”. O Chazelle passou por isso, ele apresentou essa ideia que acabou se realizando num projeto fantástico, mas no momento os caras “mais um aí querendo tirar uma ideia que não tem nada a ver” e não aprovaram, aí ele veio e trouxe a proposta do Whiplash que era uma proposta menos arrojada, mas mesmo assim os produtores não aceitaram a ideia. Então ele falou “tá bom”, deu um passo mais pra trás, fez um curta metragem, esse curta metragem fez bastante sucesso ele acabou conseguindo ser conhecido e promovido, bancou essa produção, bancou Whiplash que, pros filmes da época, era um filme com um custo baixíssimo, mas apesar disso fez bastante sucesso, quase ganhou o Oscar e foi evidenciado por toda a mídia e aí que ele ganhou força para montar o projeto dele, que era o inicial, esse filme atual, La la Land. Pra quem não assistiu, tá ouvindo aqui, vale a pena assistir ao filme. Eu particularmente gostei mais do Whiplash, mas o La la Land traz reflexões e trás, é como se fechasse a conta   como se o ponto da realização pessoal ele estivesse ali mostrando os dois lados, que um é o lado da obsessão por ser de fato o melhor, pra marcar a história que é o caso do Whiplash e o outro ponto é o que ele apresenta nesse filme que também é uma visão muito interessante que é essa realização interna não precisa ser necessariamente mundialmente conhecida, a realização não é uma competição na qual poucos sortudos tem a chance de conseguir, a realização pessoal não é uma soma zero, em que eu vou disputar com você uma partida, se eu me realizar mais, você se realizou menos. Não, a realização pessoal independe do sucesso, ela é, como o próprio nome diz, algo pessoal, e esse filme mostra muito bem isso por que os atores, os personagens não eram os melhores, mas eles tinham uma busca pessoal que era a realização de um objetivo que cada um tem o seu. No caso o Sebastian que era o músico ele queria construir um espaço em que o jazz fosse verdadeiro, como ele acreditava que o jazz devia ser, e aquilo era a realização dele, não deixar o jazz, como ele acreditava que ele era, morrer e ser difundido, e ela era ser uma atriz famosa, de Hollywood, como existe milhares em Los Angeles buscando o sonho. Damien faz esses dois casos da realização, os filmes acabam sendo, como eu disse, conclusivos um ao outro.

Esse podcast, especialmente, a parte de detalhes do filme, eu me inspirei no RapaduraCast que é um podcast de quase duas horas gravados por especialistas em cinema, eu não sou especialista em cinema, eu entendo de yoga, mas não de cinema, de cinema eu sou um curioso, um estudioso, um admirador da arte do cinema. Então, quem quiser pode ouvir o podcast completo do La la Land vou deixar também o link aqui embaixo pra vocês.

A informação da relação do yoga com o filme, a gente busca o primeiro texto de yoga que é um texto que deve ser estudado por todos os praticantes e estudiosos de yoga, que é o yoga sutra, vou deixar também, uma tradução do yoga sutra do próprio Carlos Eduardo, muito boa a tradução ele é um super estudioso de sânscrito, vou deixar a tradução do livro dele pra quem não leu. Mas Patanjali que foi o primeiro escritor de yoga, a primeira pessoa que registrou uma obra só de yoga, ele fala muito sobre essa busca da identidade, e nas primeira frase do livro Patanjali deixa claro que ou você busca a sua verdadeira identidade ou você vai viver uma vida de outras pessoas, uma vida que não é sua, uma vida confusa que vai te gerar algum tipo de angustia e daí ele vai classificando as angustias, os medo. A obra é bastante ampla, quem quiser se aprofundar tem muito material sobre Patanjali na internet, mas o ponto aqui é essa confusão do que entre o que é o verdadeiro eu e o que a sociedade espera, isso é mostrado muito claramente em dois momentos especiais. Primeiro quando o Sebastian ouve a mãe da Mia questionando se era possível ele sustentar a Mia, eles conseguirem vier uma vida de conforto. Aquilo gera um conflito que Patanjali já alertava e que toda a cultura sânscrita vem trabalhando, que é eu vou fazer o que é importante, o que aparentemente os outros esperam ou que o meu medo impõe ou eu vou fazer aquilo que é a minha realização pessoal. Então no caso do filme fica muito claro que ele tem um medo que a Mia vá largar ele por que ele não é o que a mãe dela espera, então ele acaba seguindo um papel que não é dele, o próprio personagem ele acaba criando um personagem que não é dele, no fundo a Mia tanto fez como tanto faz. Teria dinheiro ou não, teria segurança. E ela relembra ele o tempo inteiro durante o filme que ele deve buscar o sonho dele, que é essa casa de Jazz, mas ele entra nessa confusão que é uma confusão já tratada nos textos da cultura sânscrita que e a confusão do medo interferindo na verdade pessoal de cada um E ele consegue um relativo sucesso como muita gente que busca papeis, criar personagens na vida, conseguem sucesso também, mas o ponto é como está internamente a sensação Patanjali fala dos kleshas das angustias das pessoas quando vivem esses papéis. Ryan Gosling, que é o ator, mostra muito bem isso no momento em que ele, no show em que se apresenta, aquele show pra todo mundo era absurdamente um sucesso, o que poderia ser mais sucesso do que o cara cantando para um plateia enlouquecida, ganhando dinheiro e sendo famoso, só que ele estava fazendo uma coisa que não tinha a ver com ele, não era a dele aquilo, então apesar de ele estar ali, ele conseguiu um sucesso que a sociedade acha que é o sucesso, mas pra ele não fazia sentido, agora esse sucesso não queria dizer que não faça sentido pra todo mundo, aparente mente o cantor da banda buscava, ou o cantor não, mas talvez um outro ali, mas a gente não pode julgar achando que quem faz sucesso faz um personagem, não necessariamente, talvez seja daquela pessoa. Assim como a Mia, buscava um sucesso como atriz e ela conseguiu ao final do filme, então não é “você faz sucesso, então, você faz um personagem”, não, é o que é pra cada pessoa. No caso do Sebastian não era a dele o sucesso, não era a dele ficar sendo ovacionado, mas ficar produzindo um tipo de música que ele não acreditava que fosse a verdadeira música que tinha valor pro mundo, ou pelo menos pra ele. Então ele entra nessa confusão, nessa angustia, começa a ficar atrapalhado, angustiado e ele acaba não conseguindo seguir essa linha e acaba buscando o que era realmente dele. Quando a gente está, de fato, seguindo essa vocação verdadeira, vão ocorrer momentos em que vai haver decepção. No caso do filme aquele momento em que a Mia vai, faz toda a produção de uma obra de teatro dela, escreve, se dedica, aluga um teatro e quando ela apresenta tem meia dúzia de pessoas, aquilo ali é uma situação muito dura, ela passou por muitas dificuldades, mas quando você tá buscando essa realização do eu o externo não pode ter tanta influência, porque você está buscando o seu, quem realmente está buscando a verdadeira realização pessoal tem eu se preocupar menos com o meio e mais com o quanto aquilo está afetando, seguir fazendo, seguir realizando, seguir correndo atrás do objetivo. No caso dela, fica evidente que essa busca incessante pelo objetivo que fez com que nessa meia dúzia que estava na apresentação, uma delas fosse a diretora que chamou ela. Então, é esse estar na ação do objetivo que faz você chegar num objetivo maior, não é ficar sendo famoso aqui que uma hora vai chegar meu bar, não, tem que estar agindo de acordo com eu, então ela estava agindo de acordo com o que era a vocação dela, no caso da Mia, daí surgiu em cima disso a oportunidade. E como eu já mencionei, mas eu vou ressaltar trazendo uma outra cena, a realização não significa necessariamente você está sendo maior, significa você estar agindo de acordo com aquilo que você sabe que é bom e é como você consegue contribuir para a humanidade, é esse tipo de investigação, de audição que o yôgin faz durante a sua prática, então quando a gente para o corpo, a respiração, quando a gente leva a nossa atenção para um determinado ponto por um tempo, o que nós estamos fazendo é dando uma oportunidade para que a nossa voz interna seja ouvida e ser, depois de ouvida, colocada em prática. A prática do yoga ela vai contribuir muito para essa audição, para essa conexão, pra você não estar agindo o que aparentemente é melhor para os outros, mas pra você seguir aquilo que é a sua verdadeira natureza, para fazer isso você não precisa ser o melhor e o filme mostra muito bem isso, até mesmo quando eles interpretam, então tanto tocar o piano foi o Ryan Gosling que tocou, e a Emma Stone também não sabia dançar, ela fez curso de sapateado ele fez curso de piano, mas eles não são cantores excelente, eles não são os melhores dançarinos, mas aquilo ali tinha a ver, no caso do filme, tinha a ver com a proposta do filme, e eles cantando mesmo sendo imperfeito tem mais a ver com a vocação do que você colocar o melhor. Então, nesse caso do filme, o objetivo era a realização do que você considera melhor, então eles não eram os melhores cantores, mas eles foram atrás e no final ficou muito claro, apesar do final triste porque eles não acabam juntos, o final é feliz, aparentemente triste, mas no fundo ele é feliz, porque os dois conquistaram os objetivos maiores, os dois conquistaram a realização, eles estavam de fato no final do filme no momento de realização eles estavam de fato expressando o que eles eram, ela tinha esse objetivo de ser famosa, ela tinha esse objetivo da família e ele tinha aquela paixão pelo local do jazz puro ele fala até do frango como algo original do jazz, que aquilo devia ter no espaço dele e tal.  O final é muito feliz, o final é a realização, porque pra realização algumas coisas você vai ter de abrir mão, o objetivo maior, no todo, eles acabam sendo pequenos, eles não ficarem juntos, pro filme, foi algo secundário.

Pra finalizar, como eu falei, muito da inspiração desse podcast veio do RapaduraCast, das minha reflexões com o Carlos e, também, do que eu venho estudando e conversando com os meus alunos, eu vou deixar no final uma das mensagens do Rapadura Cast que eu achei que foi a maior forte, a mais impactante e que tem tudo a ver aqui com o que a gente falou até agora, vou deixar o final do podcast com essa mensagem bonita, e eu me despeço aqui, espero que semana que vem estejamos novamente juntos refletindo sobre o yoga no mundo contemporâneo.

“Vou pedir uma permissão aqui também pra eu falar sobre isso, sobre a mensagem do filme mesmo, complementar isso que você tá falando, agora eu não vou falar com o Jura nem o Cica, agora eu vou falar com você, ouvinte, você mesmo que agora tá olhando pro lado aí como se não fosse contigo, é contigo mesmo que eu estou falando, você que tá ouvindo isso no busão, no seu trabalho, na faculdade, no seu carro, no seu sofá, na tua cama, onde você tiver, o que eu quero saber de você é o seguinte: você, hoje, tem a vida que você imaginava que ia ter na tua idade? E daqui a dez anos, que vida você imagina pra você? E mais do que isso, o que eu você anda fazendo em direção a vida que você sonhou pra você. É que nem o Juras falou, a gente sabe, a gente sabe a realidade é dura, a vida é foda. E pode ser que hoje você não seja a pessoa que você sonhou que seria há dez anos atrás e ainda sim isso não vai querer dizer que você não tenho se esforçado pra se a melhor pessoa que você pôde, que você pode ser. Como, também, pode ser, que anos atrás você tivesse energia, mas faltasse uma experiência, assim como pode ser o oposto, pode ser que hoje você tenha experiência, mas te falte energia necessária que você tinha antes pra buscar aquele sonho que só você sabe qual é. A questão é todos nós nascemos de uma história e todos nós vamos nos tornar uma quando a gente morrer, então o que eu estou te perguntando, cara, é que tipo de história você quer que seja contada sobre você? A resposta disso a gente não pode dizer, ela é sua pra você mesmo. Você e a única pessoa que pode decidir se você está fazendo o suficiente para ser a pessoa que você sonhou ser, o melhor do dia de hoje aqui enquanto você está compartilhando esse momento que a gente. É que pra gente, aqui desse lado, não importa se você tem a vida que você queria ou a vida que você gostaria de ter. O Einstein já dizia que a imaginação é mais importante que o conhecimento, ele estava certo brother, por que sempre vai ter esse lugar no abstrato, no seus sonhos, na sua imaginação, é esse que é o princípio do RPG, da literatura dos vídeo games de um show de música, até mesmo do RapaduraCast, é pra isso, pra te levar para um momento, te levar para um lugar que é só seu, então não deia de viver isso cara, por favor, nunca deixa de viver isso, quando a realidade estiver pesando, quando você achar que precisa de um momento de descanso em um mundo que seja apenas seus, o que a gente pode dizer aqui é seja bem-vindo ao mundo da lua, seja bem-vindo ao mundo espetacular do cinema, seja bem-vindo a La la Land.

Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.

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    Ângela - 4 fev 2018

    muito bem, abra o envelope 1!!