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IronMan e Yoga – Podcast #105

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Podcast de Yoga | 18 jan 2021 | Daniel De Nardi


Reflexoes de um yogin – Episodio 105

IronMan e Yoga – Podcast #105


Neste podcast contei como foram minhas duas provas de IronMan e como o Yoga me ajudou nessa jornada.

 

 


Transcrição

IronMan e Yoga

 

Música de hoje é trilha sonora do filme “A Vida Secreta de Walter Mitty” filme que saiu no Brasil final de 2013, início de 2014. Dirigido e estrelado pelo Ben Stiller. Walter Mitty é um personagem (sei que é a personagem, mas acho isso tão feio que prefiro falar errado) bem tímido que trabalha na parte de revelação de fotos numa revista famosa, estilo Time, chama Life. Ele é muito imaginativo e cria várias histórias na cabeça, mas nunca realiza nada.  
A Revista vai para de publicar no papel e quer fazer uma última capa comemorativa com uma foto do seu fotógrafo mais talentoso e também mais excêntrico. O fotógrafo, interpretado pelo Sean Pain, tem um estilo de vida de aventureiro, não tem celular e vive por locais remotos do mundo.

O diretor da revista diz a Walter Mitty que o fotógrafo deu uma foto a ele e essa foto é que deve ser usada na última capa da revista. Walter descobre que perdeu a foto e de alguma forma precisa encontrar o fotógrafo para recuperá-la. O filme mostra a transformação de Walter Mitty que começa a viajar para os lugares mais inusitados para encontrar o fotógrafo. Groelândia, Islandia, Himalayas.

Quem acessar o post desse episódio vai poder ver uma das minhas cenas favoritas que é quando eles se encontram.     

Esse filme eu vi no começo 2014, comecei a me questionar seriamente sobre o que nos impede de realizar as coisas, e minha conclusão é que medo, que numa nuance mais superficial torna-se preguiça. Uns 2 anos depois, eu tinha um currículo de viagens maior que o Walter Mitty.

2014 foi o ano do meu primeiro IronMan.

Comecei a correr em 2005, porque um amigo que morava comigo queria emagrecer para o verão (que belo motivo). Na época eu fazia muito asana com longa permanência, então achava que eu era super preparado fisicamente. Só que cada tipo de exercício produz um determinado tipo de resistência e a resistência cardio vascular é bem pouco aprimorada no Hatha Yoga.

Em menos de 2km tive que parar por causa daquela dor no baço. Comecei a gostar da corrida, pois sempre fiz esportes, mas quando a gente fica mais velho é difícil reunir várias pessoas para jogar futebol ou outro esporte. A corrida me dava autonomia e na época vários amigos meus também começaram a correr. Não pensava em fazer Maratona porque sempre achei que fazia mal. Só que em setembro de 2005, eu já estava fazendo uma meia maratona em Buenos Ayres. Mas achava que deveria parar nessa distância.

Em 2009, fiz minha primeira Maratona em Porto Alegre.

Contar caso da parada.

Depois continuei fazendo uma Maratona por ano, mas o Iron era algo muito distante para mim, eu havia lido aquele trecho do livro do Jim Collins que já pus aqui no podcast (POR  o trecho) mas o Iron era algo inatingível para mim. Eu não conhecia ninguém que corria meia maratona quando fiz a primeira, também não tinha nenhum amigo que havia feito maratonas em 2009 e o mesmo acontecia com o Iron. Quando você não tem uma referência próxima, não consegue imaginar que você é capaz porque você pensa que um Ironman é um atleta olímpico que só se dedica a isso.

Quando comprei uma bike e decidi que iria treinar para o Iron em 2013, o que era sempre presente nos meus treinamentos era o medo. Sempre tinha medo que eu não fosse conseguir terminar. Por que um Iron man é composto de 3,8km de natação, 180km de bike e no final uma maratona de corrida de 42km. Então você nem sequer nada 3km, como vai conseguir no dia ainda sair da água e pedalar uma distância equivalente a minha casa em Sp e Maresias no litoral Norte depois disso, põe um tênis e corre até depois da Ilhabela.

Foi um ano de muito esforço que produziu o resultado que descrevi um dia após a prova nesse texto.

 

A PROVA DE AÇO

maio 26, 2014

Escrevo sob um efeito enebriante – isso realmente aconteceu? E desse jeito?

O Davi já havia me falado “o dia da prova é um dia iluminado”. Eu levava aquilo como uma figura de linguagem, pois para 99% dos que estão ali, é o dia do maior desafio de suas vidas. Mas não, ontem realmente foi um dia que levarei para eternidade (não exagero para enaltecer o texto).

Antes de falar de tudo o que aconteceu ontem, penso na quantidade de coisas que não deram errado, e que somente uma delas poderia estragar tudo. Raramente paramos para pensar que quando algo dá certo, por trás, milhares de coisas não deram errado. E aqui falo de coisas bobas, simples, mas que podiam ter acabado com um sonho. Por exemplo, na quinta, estava muito frio e minha roupa de borracha não havia chegado, mesmo assim eu nadei o simulado da natação só de short, poderia ter pegado uma gripe e me debilitado, ou como aconteceu com o Davi que venceu todas as dificuldades de um ano de treino, uma inflamação na cabeça do fêmur que o impediu de correr por três meses e foi derrubado há três dias da prova por uma folha de alface mal lavada.

Deitei às 9, mas o sono só chegou duas horas depois, isso era esperado e se eu dormisse conforme o planejado até às 5 da manhã tudo estaria certo. Entretanto, às 2:30 imagens da prova invadem meu sono, uma descarga de adrenalina entra no meu sangue e pronto, nem o mais poderoso dos calmantes me faria voltar para os sonhos. Revirei-me na cama até às 4:30 e decidi acordar. Comi e comi muito, conforme deve-se fazer em provas de resistência, arrumei minhas coisas, levei os special bags (sacolas de emergência com tênis extra, meia, agasalho, gel de carboidrato que são deixados em pontos estratégicos da prova) e voltei para casa para acordar meu staff (amigos e familiares que o tempo todo me apoiaram, sem os quais eu jamais conseguiria fazer uma prova tão boa). Quando o pessoal acorda, aí é alegria, todo mundo fala besteira, ri e eu até esqueço que pelo menos 11 horas de esforço me aguardam. Caminhamos juntos até a largada. A natação não me preocupava muito, pois como expus em outros textos, eu nado desde criança e os triatletas em geral não fazem isso muito bem. Larguei bem na frente, com bastante força para não ficar no tumulto das braçadas e ser cotovelado ou chutado pelos companheiros. Sai da primeira perna da natação, 2300 metros, com uma média de velocidade de 1min16segundos para cada 100 metros. Isso é forte demais. Precisava reduzir o ritmo para não quebrar. Na véspera da prova recebi uma ligação do Bruno Ramos e ele me falou algo que foi fundamental “esquece o tempo, curta a prova”. Embora isso pareça óbvio, quando você treina de verdade, invariavelmente pensa em tempo e o que fazer para baixá-lo, mas por todo o trajeto da natação e também da bicicleta sempre me invadiam esses pensamentos – você ama fazer esporte, então faça-o enquanto você se sente bem, o tempo é para os outros, o prazer é seu. Outra coisa que fazia eu segurar o ritmo era falar para mim mesmo – isto não é uma prova de natação/ciclismo isso é um triathlon.

No final da natação, entrei num estado de harmonia com as braçadas, a água e a paisagem que eu não queria que aquilo acabasse, mais ou menos o que vivenciamos na meditação do Yoga.

Sai da água com 54 minutos, tendo nadado quase 400metros a mais que o trajeto oficial (pois você nunca nada em linha reta) e com um ritmo de 1min 19segundos.

Aqui cometi um erro que poderia ter sido fatal. Eu havia congelado as garrafinhas que se leva na bike e a que eu ia tomar na transição, como estava um pouco frio, sai para pedalar sem absolutamente nada de água. Numa prova dessas, se você fica uma hora sem beber algo, pode ter uma desidratação que acaba com suas forças. Por sorte, a organização do evento é muito competente e a cada 10km do ciclismo haviam postos de hidratação que me abasteciam com água e Gatorade. Embora eu perdesse um tempo para pegar duas garrafas de cada vez, ali não havia opção. A medida que o gelo foi derretendo, consegui ir colocando água para dentro das garrafinhas e ficando menos dependente dos postos. Pedalei numa velocidade e num prazer que eu jamais esperava, minha média estava muito alta (33,7km/h) e depois do km 100 eu dizia para mim mesmo – isso não é uma prova de ciclismo, estou disposto a jogar essa média lá para baixo para poder chegar bem para correr. Pelo incrível que pareça, não precisei fazer isso. No km 160 eu pedalava a quase 40km/h com batimento de 140bpm. Est


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Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

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O ganhador do prêmio Nobel de Literatura, Vargas Llosa em seu artigo Em Defesa do Romance fala exatamente disso (a citação longa, foi inevitável)   Uma pessoa que não lê, ou que lê pouco, ou que lê apenas porcarias, pode falar muito, mas dirá sempre poucas coisas, porque para se exprimir dispõe de um repertório reduzido e inadequado de vocábulos. Não se trata apenas de um limite verbal; é, a um só tempo, um limite intelectual e de horizonte imaginário, uma indigência de pensamentos e de conhecimentos, porque as ideias, os conceitos, mediante os quais nos apropriamos da realidade e dos segredos da nossa condição, não existem dissociados das palavras, por meio das quais as reconhece e define a consciência. Aprende-se a falar com precisão, com profundidade, com rigor e agudeza, graças à boa literatura, e apenas graças a ela. Nenhuma outra disciplina, nenhum outro ramo das artes, pode substituir a literatura na formação da linguagem com que as pessoas se comunicam. 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Filosofia do Yoga | 6 mar 2021 | Daniel De Nardi
O tapas de Shackleton

O tapas de Shackleton O conceito de tapas (auto-superação) acompanha o Yoga desde de seu surgimento. A auto-superação pode ter infinitas variáveis, mas um único princípio - tirar-nos do conforto, gerar incômodo para que alguma mudança aconteça. Sem incômodo não há mudança. Espera-se pelo dia que bastará tomar um único remédio e poderá comer tudo o que der vontade, sem fazer nenhum esforço físico para manter-se em forma. Ou pelo dia que que tomaremos uma pílula antes de dormir e acordaremos com dezenas de assuntos assimilados e prontos para serem colocarmos em prática. YogIN App - Studio de Yoga OnLine · A Autossuperação (tapas) de Shackleton - Podcast #95   Não duvido que a ciência possa gerar esse tipo de remédio em alguns anos, mas até agora a verdade é clara - se quiser mudar, terá que estressar as áreas importantes. Stress aqui no seu conceito de esticar, ampliar, gerar desconforto para modificações. Se quer emagrecer, ainda terá que ser como sempre foi (ou faça muito exercício ou coma pouco ou os dois juntos) mas você precisa gerar um incômodo, seja por parte da fome ou do desconforto nas pernas. Se quer aprender algo novo, saiba que a primeira reação da sua mente será convencê-lo que não vale a pena, que você está bem e não precisa perder tempo com isso que não vai te levar a nada. Se mesmo assim sua mente não convencê-lo, vai tentar levar sua atenção para coisas mais simples de resolver, como zerar suas notificações na rede social. Ela vai te incomodar. Estudos do cérebro da Universidade de Ohio mostraram que novos aprendizados começam a ser identificados pelo seu cérebro pelas mesmas áreas da dor física. Para o cérebro: mudança = dor Mundo horrível esse da mudança. Mas saber que o processo terá desconforto pode ajudá-lo quando pensar em desistir. Vamos lá! Tem a parte boa também. O desconforto, tanto para aprendizado intelectual quanto para mudanças físicas vai diminuindo com o tempo até se tornar prazer. Quem nunca correu, não consegue imaginar que alguém possa sentir prazer correndo os últimos 2km de uma maratona. Mas garanto que isso é possível, apesar das primeiras experiências da corrida serem torturantes. A minha estréia na corrida, não faz muito tempo, foi em 2005. Eu não era um sedentário, praticava Yoga regularmente e depois de 2o minutos tive que parar de tanto sentir aquela dor que dá do lado da barriga. Pensei \"tudo bem fazer isso pra perder peso, mas acordar pra correr por prazer, impossível.\" Não é apenas com a corrida que isso acontece. Todo novo aprendizado, seja ele físico ou mental, passa por desconforto. Você não lembra da sua primeira experiência com os asanas ou com a meditação. As mudanças começam a se sedimentar quando nesse momento do desconforto, que todas as variáveis apontam para o bom senso da desistência, você diz - não vou tentar mais um pouco. [caption id=\"attachment_16482\" align=\"alignright\" width=\"378\"] Essa é uma das primeiras fotos do meu Instagram. Me emocionei quando vi as fotos originais de Shackleton[/caption] Isso é tapas! Tapas é quando, mesmo consciente do desconforto, você persiste por saber que o que você realmente quer está na frente do desconforto. Tapas pode ser confundido com auto mutilação. Na Índia, há sadhus fazendo as coisas mais esdrúxulas em nome de tapas, como enrolar o pênis numa cabo de ferro para demonstrar o domínio da mente sobre o corpo. Faquirismo não é sinal de uma vida bem vivida. Está muito mais pra exibicionismo que o verdadeiro significado de mudança através da auto-superação. A História, está cheia de exemplos de pessoas que venceram situações tidas como incontornáveis auto-superando-se. Um desses exemplos para mim sempre foi o aventureiro irlandês Ernest Shackleton que teve sua vida descrita em muitos livros. Conheci a vida de Shackleton pelo Amyr Klink. Amy não é apenas o maior aventureiro brasileiro, mas um estudioso e sábio. Ontem, tive a sorte de ouvir esse podcast que conta a história da expedição de Shackleton. A certeza que tudo de ruim é capaz de passar até que se chegue onde se quer é o maior ensinamento da vida de Shackleton. Podemos tudo, só depende de quanto suportamos esse querer. De brinde, abaixo do podcast, Amyr Klink completando tudo o que eu quis dizer até aqui, sem dificuldade, não há mudança. Boas viagens!   https://open.spotify.com/episode/7Hw6D20nXCEytlPEivXDTi https://youtu.be/wFfeolX-Rrg  

Postura de Lótus
Meditação | 5 mar 2021 | Daniel De Nardi
A experiência prática da meditação

A experiência prática da Meditação Esse ano, faz 20 anos que comecei a meditar. Foi em 96 que comecei a me aventurar na experiência de aquietar a mente. Antes mesmo de começar o Yoga, já lia e fazia alguns exercícios de meditação. Foi um treinamento que valeu a pena. Me trouxe muita coisa bacana pra minha vida. Dentre elas, reduzir minha dispersão quando preciso fazer alguma tarefa que exige atenção máxima, como escrever, ler ou ver algum filme. Sinto que essa capacidade de abstração dos sentidos, como o sábio Patañjáli, pai do Yoga dizia, me ajuda a explorar melhor tudo me interessa. Uma das coisas que esse tempo de prática me ensinou, é que nosso cérebro tem um princípio de conservação de energia. Esse instinto de sobrevivência dificulta muito qualquer tipo de mudança, mesmo começar um exercício que faz bem para nós como a meditação. O cérebro não quer fazer coisas diferentes, vai resistir até onde conseguir e criará desculpas para que você não mude seus hábitos. Ele não quer gastar energia, logo prefere que você continue lendo os mesmos tipos de livros, assistindo filmes com temas parecidos e também mantendo os exercícios físicos que você está acostumado a fazer. Nem isso o seu cérebro quer que você mude. Ele sempre trabalha pra fazer as coisas com o mínimo gasto de energia, logo mudar é forçar o cérebro a sair da sua zona de conforto e isso faz bem para sua capacidade de adaptação. Se você já teve alguma experiência com Meditação, provavelmente achou desconfortável e se nunca teve, pode esperar por uma experiência árdua. No começo é difícil mesmo. Você luta contra instintos de preservação da sua vida (pode acontecer até mesmo de você abrir os olhos no meio do exercício com medo que algo aconteça enquanto você está de olhos fechados). A proposta da meditação é algo que desafia o cérebro a mudar. Ficar atento a uma só imagem, força seu cérebro a não dispersar a atenção, algo que ele está acostumado e adora fazer. Por isso, ele não vai facilitar a vida e tentará buscar sensações e memórias que façam você parar com o exercício, abrir os olhos e voltar a olhar para as atualizções do seu celular. Persista. Não embarque nessa necessidade de dispersão, pois ela não é tão necessária assim, espcialmente enquanto você estiver meditando. Se deseja vencer, pelo menos alguma parte, dos seus turbilhões mentais, persista. Da mesma forma que cérebro rejeita a mudança, a medida que ele vai aprendendo a permanecer mais tempo focado no mesmo pensamento, a experiência da meditação trasforma-se completamente. Se você já praticou corrida sabe do que estou falando, no início parece insuportável, com o tempo pode até viciar. Meditar é conseguir dar mais atenção a você mesmo. Pense se você ficasse olhando para uma flor durante 5 minutos, sem pensar em mais nada, quantas informações você teria sobre ela que você nem sabia? Agora pensa fazer 5 ou 10, ou 15 ou 20 minutos deste mesmo exercício com você mesmo. Quanto você também não sabe sobre você?