Homo Deus – Resumo – parte final – Podcast #84

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Podcast de Yoga | 3 fev 2021 | Daniel De Nardi


Homo Deus.

Na 3ª parte de Homo Deus, vamos finalizar o resumo do livro. Neste episódio discutiremos a construção dessa nova espécie que vem surgindo a partir dos Sapiens, o Homo Deus.

LINKS

 

O Yoga e a Reprogramação de Condicionamentos – Podcast #47

 

 

 

 

 

Transliteração parcial

Homo Sapiens perde o Controle

 

O ser humano poderá continuar fazendo o mundo funcionar e conseguirá dar-lhe algum sentido para a vida?

Como  a tecnologia pode ameaçar o humanismo?

Que outra religião poderia substituir o humanismo?

 

CAPÍTULO 08

A bomba do tempo no laboratório

Em 2018 , a ideologia dominante é do individualismo, dos direitos humanos, a democracia e o mercado livre. A ciência no século XX gerou a estrutura para o liberalismo.

Os liberais acreditam que o indivíduo possui livre-arbítrio e que suas decisões não são deterministas. Quando o indivíduo compra ou vota, ele exerce sua liberdade.

Entretanto, a ciência tem feito descobertas que vão contra essa ideia de que o ser humano é livre quando toma decisões. O embate entre a ideia de liberdade individual e o que a ciência vem descobrindo nas pesquisas é o grande elefante no laboratório.

No século XVIII, as reações humanas eram um grande mistério, por isso, quando alguém cometia um crime, a explicação que se dava era que o indivíduo tinha feito aquilo por decisão pessoal. As pesquisas científicas começaram a demonstrar que internamente, não havia alma, nem livre arbítrio, nem sequer um eu. O que havia eram apenas genes e hormônios que seguem as mesmas leis físicas que o restante da realidade.

Hoje em dia quando alguém comete um crime, os cientistas tentam demonstrar que aquilo não foi uma decisão, mas fruto de estímulos que vem desde impulsos evolutivos, passando por construções genéticas somado a eventos aleatórios. A decisão pode ter ou não influência do aleatório, mas para a Ciência atual, nunca são livres. Quando se dispara uma carga elétrica no cérebro, pode ser algo determinista ou ter sido influenciado por algum evento externo aleatório. Nenhuma das decisões deixa margem para o livre-arbítrio.

Quando as decisões combinam estímulos deterministas com eventos aleatórios, elas passam a ser probabilistas. Isso é o oposto de liberdade.

Essa visão mostra que o poder de decisão do que tem mais desejo é igual no homem do que em outros animais. Não elegemos os desejos, a sensação que temos um poder na hora que decidimos é parte dos estímulos criados no cérebro para reforçar que existe liberdade.

Mesmo em decisões mais elaboradas, a construção que leva a decisão é gerada por pensamentos que não foram construídos deliberadamente.

A experiência de qual interruptor apertar é determinada antes e depois há a sensação de que a decisão foi pessoal. Os cientistas conseguem saber antes qual será a decisão que será tomada. Logo, não se elege algo, simplesmente se responde por um impulso e depois que vem a sensação que a decisão foi livre.

A visão da ciência é que a consciência é um continuum de sensações que altera-se com eventos aleatórios, mas não existe um EU emanando esses desejos. O que há é uma reação aos acontecimentos e a produção de uma sensação de livre-arbítrio a cada decisão. Só que as decisões não são eleitas, elas são uma cadeia que envolve estímulos e respostas determinados pela construção prévia dessa cadeia de consciência.

Yuval sugere uma experiência também propostas por Eckhart Tolle e que está em escrituras indianas, na qual você observa os pensamentos surgindo e percebe que não possui controle sobre qual será o próximo pensamento. Os pensamentos surgem espontaneamente e não é possível prever qual será o próximo pensamento.

Entretanto, ele propôe que se somos donos dos pensamentos podemos provar ficando 60 segundos sem pensar em nada. Nós meditantes sabemos que isso é possível.

Harari traz o exemplo de um experimento feito na Universidade de Estadual de Nova York no qual se instala eletrodos no cérebro de ratas e consegue-se determinar se elas irão para a esquerda ou direita, se subir numa grade ou correr na esteira. Quando questionados se não estariam mal tratando as ratas, o chefe do experimento disse que não, pois ao final eles produzem um bom tempo de estímulos de prazer. Empresas têm interesses nessas ratas, para investigar túneis, desarmar bombas e levar materiais a locais de difícil acesso.

A questão que fica é que se a rata fosse questionada pelo seu livre arbítrio ela diria “é claro que eu possuo livre arbítrio, eu decidi vir até essa grade” se sua decisão foi tomada por estímulos elétricos ou hormonais, o que muda?

Assim como as ratas, os humanos também podem passar por esse tipo de processo e inclusive extinguir memórias e reduzir ou aumentar sensações como ira, ódio e prazer.

Esse tipo de experimento já foi reproduzido com seres humanos. Um deles acontece em Israel e é patrocinado pelo governo americano para tratar soldados com casos pós-traumáticos. Instala-se eletrodos no cérebro e no coração. Quando o detector do coração recebe a informação que um estado de melancolia está começando, ele avisa os eletrodos do cérebro para que diminuam a atividade da região responsável pela liberação de substâncias que produzem essa sensação. O projeto ainda é incipiente e produz mais alardes que resultados, mas de fato, muitos soldados descrevem que a sensação de angústia que vivenciavam, simplesmente desapareceu. NUm desses casos que teve sucesso por um tempo, começou a ter fortes recaídas para a depressão. Ao procurar os técnicos para ver o que poderia estar acontecendo, descobriram que a bateria de um dos detectores estava falhando.

Ele conta também o caso da jornalista Lana Rayan que visitou um centro de treinamento do exército no qual produz-se simulação de situações de guerra em que utiliza-se estímulos cerebrais através de um capacete capaz de melhorar a concentração e diminuir a sensação de medo. A repórter conta que a primeira vez que fez a simulação e que não havia os estímulos do capacete, teve muito medo na simulação e errou quase todos os tiros. Na segunda vez, ao ativar o capacete, sentiu-se segura, via as coisas com mais clareza e nem sequer percebeu o tempo passar. Acertou todos os disparos.

Após a simulação Lana, sentiu vontade de voltar a simulação, nunca havia se sentido tão segura de si anteriormente. Se ao fazer a simulação com o capacete tinha foco absoluto e nenhuma dispersão, perguntou-se sobre o que eram aquelas vozes que a amedrontavam-na na primeira tentativa?

A conclusão é que eram vozes que misturavam traumas da infância, vergonha de amigos, instruções dos pais e professores. Lana fez um profundo questionamento de quem era o seu EU.

A ciência tem demonstrado que cada decisão que tomamos leva em conta estímulos e tendências diferentes que muitas vezes entram em contradição interna.

Experimento de Kanemman.

Parte curta 14 graus 1min

 

Parte longa outra mão com 14 graus 1m

Colocava água quente subia 15

 

Depois de 7min perguntavam qual preferiam e 80% preferiam a parte longa.  

O experimento mostra existÊncia de 2 EUS, o narrador e o experimentador.

O experimentador sabe que a opção longa não é a melhor, mas tem o EU narrador, focado no passado e futuro, esse toma muitos atalhos, e narra apenas os momento culminantes e  o os finais.

Quando EU narrador toma decisões leva em conta e lembra apenas dos momentos culminante e do final. Apaga a experiência como um todo e foca apenas no que foi mais marcante.

A ciência tem provado que o livre arbítrio não existe, mas isso não vai terminar com o liberalismo. Entretanto, todas as modificações tecnológicas irão aumentar ainda mais essa evidência da não liberdade do homem.

 

  

 

CAPÌTULO 09

A grande desconexão

Liberais consideram a democracia e o mercado livre valores essenciais, pois acreditam no valor das decisões individuais, no entanto, os próximo avanços tecnológicos mudarão alguns fatores importantes como a necessidade de humanos para executar tarefas simples ou para combater em exércitos.

O carro autônomo e o mundo interior de um taxista.

Como funciona o Watson, novo sistema de IA da IBM.

Os primeiros algoritmos usados no mercado financeiro já foi desportista, escolheu empresas que usavam algoritmo.  

Se as realidades intersubjetivas podem dominar o mundo porque os algoritmos não poderão fazer?

Dificilmente saberemos a dimensão que os algoritmos podem desejar e por isso,a espécie corre um grande risco a medida que algoritmos forem sendo programados para ignorar fatores para chegar a um resultado pré-determinado.

 

80% de probabilidade

 

Como os algoritmos conseguem analisar uma quantidade de dados instantaneamente muito maiores que qualquer pessoa, eles começam a ser considerados os melhores tomadores de decisões até mesmo para nós. Um exemplo é a lista de músicas do spotify que identifica o seu gosto. O IBM também toma as melhores decisões para questões de saúde dos pacientes.

Google pode prever epidemias pelo cruzamento de dados dos emails com as buscas.

Com o tempo o Google conseguirá criar um algoritmo que consiga tomar uma decisão por você melhor que você mesmo. Ele vai levar em conta todo o seu histórico e inclusive os níveis de dopamina e cortisol que você liberará em cada escolha.

O Facebook consegue determinar exatamente quem são os eleitores  indecisos em cada eleição.

Cortana, NOw, Siri, Alexa – estão usando algoritmos para escolher, mas há quem eles estão servindo?

A ciências biológicas têm comprovado que a forma como os homens reagem aos estímulos é exatamente igual a forma como um algoritmo é montado.

 

  

 

 CAPÌTULO 10

O Oceano da consciência

É muito provável que uma nova religião surja no Silicon Valley. O Tecnohumanismo é a construção de um novo homem, que pode experimentar diferentes estados mentais.   

Psicología positivista está crescendo.

Estamos perdendo a capacidade de observar o entorno  e de sonhar.

A criação de smartphones diminui a capacidade de apreensão do mundo, da mesma forma, o uso constante de capacetes pelos soldados do exército, pode torná-los mais indiferentes aos sentimentos das pessoas.

Poderemos controlar a intensidade das vozes internas.

 

 

CAPÌTULO 11

A Religião dos dados

O dataísmo é um sistema de crenças que vê tudo a partir dos dados gerados e coletados. Essa ideologia poderá unir todas as ciências e determinar o rumo dos acontecimentos.

Os dataistas acreditam que o homem tem capacidade de tomada de decisões muito inferiores aos sistemas, logo os dados é que determinam as decisões.

Há duas ciências que são a base do dataísmo, a informática e a biologia.  

Todos os sistemas estarão conectados para produzir os dados mais precisos. Isso de alguma forma já acontece com os preços.

A construção dos preços num mercado livre segundo Hayek e a construção dos preços no comunismo.

O  geneticista Lisenco, acreditava que o DNA adquirido numa geração, passará a próxima, isso agradava a narrativa comunista, embora não tivesse vínculo com a realidade. Então ele enviou uma parte das plantações para a Sibéria, para que se adaptassem ao frio. A teoria não funcionou e a União Soviética teve que importar comida dos Estados Unidos.

O capitalismo venceu o comunismo por ter um sistema de dados distribuído que até a invenção de supercomputadores, era melhor fazer sem centralização.

Exemplo do especialista de Gorbachov que foi a Londres.

O sistema é tão complexo que ninguém consegue o controlar. Políticos têm ficado cada vez mais longe de projetos de mudar completamente a sociedade, como foi o caso de Hitler e Stalin e tem se entendido apenas de questões burocráticas como déficit e folhas de pagamento. Isso isenta-os de debates de AI ou aquecimento global.  O fato é que dificilmente há um grupo que está controlando as diretrizes do mundo, pois não é possível atuar em todos os dados para gerar modificações em diversas áreas simultaneamente.

Uma das formas de medir a evolução segundo o dataísmo é a quantidade de processadores de dados ao longo do tempo. Mais dados, mais processamento = mais evolução.

O dataísmo começou como uma ideologia neutra, mas já se transformou numa religião que pretende determinar o que é certo ou errado. Se decidimos que o objetivo individual é a felicidade, os dados devem fluir com maior intensidade para que esse tipo de objetivo seja produzido.

Internet de todas as coisas é uma interconexão de todas as informações dos homens e do planeta, conectados e integrados além da Terra por satélites. Algo como a reconstrução de um Deus onisciente, pois terá todas as informações.

O dataísmo prevê que uma vez que tudo esteja conectado, cada movimento pode ser pre determinado, Se você tem desejo de comer ovos, será enviado uma informação para a produção do número de ovos que você deseja. O dataísmo vê como um pecado o bloqueio no fluxo de informações, pois quem não compartilha os dados, pode estar prejudicando a descoberta de alguma epidemias, por exemplo.

O que é a morte se não o momento em que não se tem acesso a mais nenhuma informação?

O dataísmo pode ser considerada a primeira religião a trazer algo novo para o debate desde que o humanismo começou a lutar pela liberdade individual, que incluia liberdade de expressão, propriedade privada e direitos humanos. Para o dataísmo, a premissa essencial, é a liberdade dos dados, pois somente assim o indivíduo poderá ser livre.

Aaron Swartz, suicidou-se com 28 anos em NY, escreveu o manifesto do fluxo de informações, levantada ideias de compartilhamento de informações.  Temos que lutar pela guerrilha de open access.

A liberdade de informações é proporcional à prosperidade dos países.

As pessoas sentem cada vez mais uma necessidade de fazer parte do fluxo de produção de informações do mundo, mesmo que isso acarrete perda de privacidade. Quanto mais informação é produzida, mais emails e notificações aparecem exigindo mais produção de informações. A produção dessas informações vai conduzindo a resolução de outros problemas e habilidades que jamais se havia pensado antes. Esse fluxo de dados, produzindo resultados imprevisíveis, é considerado pelos dataístas como a mão invisível do mercado, ou a capacidade de omnisciência de Deus.

Hoje o sentido da vida, não é mais construído internamente. O sentido é construído a partir das interações dos compartilhamentos de informações. Se estamos na índia e vemos um elefante não nos preocupamos em perceber o que sentimos ao ver o elefante se não, em pegar o telefone para compartilhar a experiência.

O dataísmo vê tudo como informações, logo é possível determinar qual experiência musical é melhor a partir de uma análise dos dados. Pode-se saber qual produz mais informações ao ser ouvida por cada indivíduo. Da mesma forma, o dataísmo consegue ver na criação musical, um algoritmo que pode ser copiado e melhorado. Esse algoritmo poderá criar músicas melhores que a dos mais talentosos compositores, o argumento que a vida subjetiva humana não pode ser comparada, será rapidamente refutada com dados que metrificam a quantidade de informações produzidas durante qualquer experiência humana. Logo, o algoritmo que compõe música pode possuir tanta informação quanto um humano, e por que isso não seria sua vida subjetiva?

Essa revolução dataísta pode levar algumas décadas ou talvez uns 2 séculos, mas a mudança de foco para o homem, também não aconteceu da noite para o dia.

Os organismos são algoritmo tem consequências práticas.

Até agora, o poder eram as informações, hoje o poder significa saber ler os dados.

  1. A ciência se converge num dogma Universal que prova que organismos são algoritmos e a vida não passa de um processamento de dados.
  2. A inteligência se desconecta da consciência.
  3. Algoritmos poderão nos conhecer melhor que nós mesmos.

QUESTIONE-SE

  1. É mentira que os organismos são algoritmos e que a vida não passa de processamento de dados?
  2. O que tem mais valor, a inteligência ou a consciência?
  3. O que acontecerá com a política e a sociedade se algoritmos que nos conhecem mais que nós mesmos controlem as ações dos homens?

 

 


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Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

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Dicas de Yoga | 8 maio 2021 | Daniel De Nardi
Reflexões de um jovem veterano yogin

Reflexões yogin de mais de duas décadas! Eu poderia começar este texto citando Vyása ou passagens das Upanishads. Acho que você não me daria nem duas linhas. Por falar em atenção, vamos ao que interessa - os benefícios do Yoga. Podemos dizer que o mundo está corrompido por um imediatismo e que hoje em dia ninguém se dedica a algo \"pela arte\". Verdade, mas será que nossos ancestrais também não agiam pensando no retorno que seu esforço proveria? Ou - será que o mais puro dos artistas também não age por alguma vantagem pessoal? Acredito que sim, tanto a arte quanto o esporte, trabalho, são meios pelos quais agimos buscando algo em troca.   Isto não tira a nobreza da ação, pelo contrário, se algo se perdura pelos séculos é sinal que de alguma forma aquilo vem gerando benefícios aos seus praticantes. O Yoga está vivo, cinco mil anos depois de sua criação, se não tivesse importância na vida das pessoas, já teria sido perdido ao longo da História. Depois dessa breve introdução - ou seria uma defesa prévia? - posso responder:   PARA QUE SERVE O YOGA? Poderia abrir outro parêntese para falar das mil vantagens de um estado de consciência expandida que os praticantes podem alcançar quando dedicam sua vida a isto, mas no final do dia, aqueles 99% dos praticantes que fazem Yoga 2x por semana, o que eles ganham? Há incontáveis benefícios em parar 2 horas na semana para se observar mais. Diminuir um pouco o inesgotável fluxo de informações que se recebe de fora para dentro o tempo todo. Há gente que não desliga nunca. E se nos aproximássemos mais da voz da consciência, que está sempre presente e que esses turbilhões de pensamentos nos impedem de ouvir com clareza - já seria um bom motivo.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”. Madame de Stael        OS EFEITOS MAIS RELEVANTES A disciplina da mente - não é apenas o Yoga que produz esse tipo de habilidade. Se você deseja aprofundar-se em alguma atividade como estudo, esporte ou trabalho, terá que, necessariamente, repetir ações ao invés de ceder à tentação da dispersão. A vantagem que vejo no Yoga em relação às outras atividades é que há técnicas para educar a mente a fazer isto. No dia a dia, a mente quer sempre fugir da repetição. Aí está o poder - decidir de cima, como o senhor que ordena as rédeas das suas atitudes, que agora é o momento do foco e não da distração. No treinamento do ritmo respiratório, quando o praticante trava contato pela primeira vez com a contagem do tempo das fases da respiração, se dá conta que não é tão simples quanto parece repetir o mesmo tempo para inspirar, reter o ar nos pulmões, expirar e reter com os pulmões vazios. A mente, que é dispersa por natureza, não gosta de ritmos cadenciados. Ela sempre vai preferir a diversidade, as variações, é sedenta pelo seu alimento vital - as dispersões. Mas a experiência de se notar que a mente foge do ritmo e ao observar esta atitude, volta a manter a cadência respiratória, nos dá aquela sensação de missão cumprida. E este é apenas um exemplo das dezenas de técnicas do Yoga que atuam neste sentido. Aprender isso com um exercício e depois transferir para as tarefas do dia a dia é algo que a prática nos ensina. A auto-observação - este processo é tão importante dentro da prática que o Yoga Clássico possui entre seus passos iniciais, uma fase chamada de swádhyaya, ou auto-estudo. Vou dar, mais uma vez, um exemplo de técnica, pois no final, Yoga nada mais é que a prática dos exercícios desta filosofia. Quando treinamos as posições de equilíbrio com os olhos fechados, somos obrigados a observarmo-nos internamente. Sem uma percepção de como o peso está distribuído no único pé que ficou no chão, torna-se impossível manter a posição por mais de alguns segundos. Mais uma vez, a técnica ensina o praticante a permanecer no melhor caminho, observando e atuando. Unindo - disciplina da mente e auto observação - temos o melhor dos cenários na busca para se alcançar objetivos desafiadores. Para tanto, é imprescindível que nos aproximemos cada vez mais daquilo que realmente somos, estabelecendo uma ligação mais próxima com a nossa consciência, que é a mais expressiva manifestação da nossa essência. Somente quando a pessoa está intimamente conectada consigo poderá reconhecer melhor seus defeitos e transformá-los em virtudes, conhecer suas vocações para poder realizar seu pleno potencial. A conexão interna nos proporciona uma grande confiança para traçarmos metas audaciosas. Ela nos conscientiza de que só depende da nossa própria capacidade de autoaprimoramento para que alcancemos tais objetivos e o Yoga pode ajudar qualquer um nesse processo. Talvez este seja seu maior benefício. É praticar para crer.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();