Gratidão e Thanksgiving – Podcast #43

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Podcast de Yoga | 27 nov 2020 | Daniel De Nardi


Gratidão o que a Ciência conhece sobre seu poder

Thanksgiving, o dia da gratidão. Esse é o primeiro episódio a tratar sobre esse tema, mas ele vai além e discorre sobre comprovações do que funciona para construir felicidade.

 

 

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— Daniel De Nardi (@danieldenardi) November 24, 2017

 

 

 

 

 

Transcrição:

Gratidão e Thanksgiving –  Podcast #43

Está começando o 43º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, o seu podcast semanal a respeito de yoga e de assuntos relacionados a espiritualidade e outras buscas. Estou tentando encontrar uma frase que fique boa para este começo, mas isso não parece ser algo tão simples, se alguém tiver alguma sugestão pode escrever no comentários. Todo podcast tem uma slogan para abrir o episódio, e o meu cada dia penso em um diferente.

Hoje vamos falar sobre gratidão, que é uma palavra bastante falada e difundida pelos iogues, quem acompanha o meu trabalho sabe que eu não uso muito essa palavra, não porque eu não goste ou não a valorize, mas porque acho que tenha se transformado em um clichê e acabou modificando um conceito do qual acredito, então acabo não usando, muito embora eu já tenha escrito sobre gratidão muito antes de virar uma tendência de hashtag. O texto que vou ler agora pra vocês escrevi em 2008, quando estava nos EUA no Thanksgiving, que é um dia especial pela gratidão, um dia que surge com o intuito de gratidão. Estamos falando após o Thanksgiving que foi ontem, na quinta-feira, e hoje vamos conversar um pouquinho sobre o conceito da gratidão e sobre esse dia. O texto que escrevi em 2008 diz o seguinte:

“Hoje é dia de Thanksgiving, um dia para agradecer a tudo que temos, a data começou a ser celebrada em 08 de setembro de 1565 quando um grande almoço foi organizado de maneira colaborativa em Santo Agostino, Flórida, entre os exploradores ingleses e os nativos da América. Mesmo sabendo de todas as barbáries cometidas a posteriori, o fato de se ter reservado o dia para a consciência da gratidão foi bastante feliz. A gratidão é um dos mais nobres sentimentos humanos e é tão pouco praticado com sinceridade. Agradecemos o tempo todo por educação e não com o coração. Esse tipo de agradecimento só acontece quando estamos plenos, satisfeitos e consciente do valor das coisas. Só agradece sinceramente quem sente, vive e quem percebe com sinceridade. É preocupante o quanto reclamamos da vida e o quão pouco a valorizamos, agradecer é abrir espaço para receber mais e mais. Se recebo um presente e reclamo, é natural que quem me deu evite me presentear novamente, mas se agradeço com veracidade, a tendência é que eu receba outro presente e outro, e outro…Esse mesmo processo acontece na nossa vida, se agradecemos aos acontecimentos, aos amigos que temos, a boa relação familiar, ao sucesso no trabalho, abrimos espaço para continuar sempre.”

Saiu uma reportagem, recentemente, na revista Superinteressante, falando sobre como construir a sua felicidade, na edição de setembro de 2017, ali eles usam de pesquisas cientificas e as comprovações relacionadas a felicidade. Um desses pontos, ao todo são sete comprovados pela ciência, é a gratidão, eu poderia explorara apenas ela, mas como a reportagem tá bastante rica e ela tem uma relação muito grande com o yoga, porque a medida que a gente observando que a ciência foi descobrindo como se produz felicidade, como a gente pode viver uma vida com mais bem estar, a gente vai observando que essas coisas, algumas delas que foram comprovadas já, mais da metade delas são trabalhadas na prática do yoga. Se eu quiser forçar, posso dizer que todas elas, mas tem algumas que são bem pontuais e bem nítidas, inclusive as citadas, como a meditação. Mas sabemos que yoga e meditação são uma coisa só, vou falar um pouquinho sobre o que mais me chamou a atenção nessa reportagem que achei interessante, e o que vale a pena relacionada a felicidade sendo construída pela prática, pela filosofia de como o yoga vê o mundo.

A reportagem se chama “Felicidade, como construir a sua”, e eles vão tocar em sete pontos que foram comprovados pela ciência. Atitudes ou mudanças que se pode fazer para ter mais felicidade, mais bem estar. Eles usam bastante a pesquisa que cito aqui, uma pesquisa que foi transformada em documentário da Netflix do Happy, inclusive, eles vão citar aqui o Martin Seligman, que é quem conduz a pesquisa e o filme, então a reportagem diz que ele teve uma grande sacada, mas isso já havia ocorrido com outros psicólogos como, por exemplo, Maslov. Ele foi um dos primeiros cientistas a afirmar que a psicologia estava focando apenas em problemas e que se podia fazer um desenvolvimento através de coisas positivas. Que a gente poderia mudar aspectos da nossa personalidade a partir de aspectos positivos. Na reportagem eles falam que isso aconteceu pela primeira vez pelo Seligman, pesquisador da Universidade da Pensilvânia.

A história começou a mudar em 1998, quando Seligman, especialista em depressão, deu uma palestra na Associação Americana de Psicologia. Ele pediu para que os cientistas se preocupassem mais com as qualidade humanas e não apenas com os seus defeitos, ali eles fundaram a psicologia positiva, que seria mais ou menos isso que eu estava falando, de você trazer estímulos positivos e trabalhar com aspectos positivos para melhorar problemas. Essa ideia já vem da cultura indiana, que se você tem um ambiente escuro, não se pode tentar expulsar a escuridão, tem que se trazer coisas positivas, mais luz. Então se a sua questão é ficar doente a todo o momento, a ideia não é ir se aprofundando na doença e nos remédios para trata-la, mas observar e praticar hábitos mais saudáveis ou evitar aquilo que tá aparentemente gerando aquele tipo de doença, então isso seria a psicologia positiva voltada para uma busca de felicidade.

Então, quais foram os sete pontos que eles identificaram?

A primeira teoria que eles abordam surge de uma pesquisa do Daniel Kahneman, que é o escritor do livro “Pense rápido e devagar”. Kahneman foi Prêmio Nobel de economia, por comprovar através do livro que temos a tendência de agirmos de determinada forma, e que isso acaba gerando, muitas vezes, uma intuição. De tanta repetição feita é desenvolvida uma inteligência que não é possível mensurar, mas que pela habilidade e repetição acaba-se agindo quase que instintivamente, intuitivamente. Ele provou outras coisas, como essa questão das memórias, que é a primeira dica em relação a felicidade.

Ele fez uma experiência de medir a dor. Colocaram um paciente par medir o nível de dor, digamos que numa escala de 0 a 10, ele o mantiveram no nível 7 e no final da pesquisa eles diminuíram o nível de dor. Este paciente relatava a intensidade da dor que sentiu. Em outro paciente, o nível de dor mantido era praticamente zero, e no final eles aumentavam muito, o paciente ia de um nível quase nulo ao máximo de dor. Ao indagar o paciente, eles observaram que o segundo paciente relatava a experiência bastante dolorosa. Aqui entra a questão dos contrastes em relação a felicidade, que a gente precisa ter um contraste para que a gente perceba uma melhoria e aí sinta felicidade. Só que esses contrastes não podem acontecer o tempo todo, e isso é muito difícil, inclusive na reportagem isso fala, que se quiser manter esse estado de contaste o tempo todo seria necessário um desencadeamento de fortes (e boas) emoções, o que efetivamente é impossível. Não tem como gerar o tempo todo situações melhores, a vida vai sempre oscilar bastante porque a gente tem esse momento em que aparentemente está melhor, mas sempre se compara ao que aconteceu anteriormente. Não é necessariamente o real, depende sempre de uma comparação.

O Kahneman diz que existem dois “eu’s” o eu do presente e o do passado, esses eu’s entram em conflito porque o do presente percebe as coisas de uma forma, mas a memória é diferente do que se está vivenciando. Então existe esse conflito dentro de nós, que a gente tem sempre o eu do presente e o do passado em conflito.

É citada uma pesquisa realizada com os soldados da Segunda Guerra Mundial em que relatam como foi a experiência. Em 1946, cerca de 34% dos participante relataram que estiveram no meio do fogo cruzado e 25% confessaram te matado alguém. Quarenta anos depois os números haviam mudado, 40% disseram que haviam participado de batalhas e apenas 14% relataram que chegaram a matar. Ou seja, a passagem dos anos faz com que vida se torne mais aventura e menos perigosa, na hora, as vezes não é a melhor situação, mas as memórias que a gente vai criando, memórias positivas, não é o caso aqui da guerra, não é o caso da guerra, mas eles acabaram lembrando mais foi sobre a aventura que vivenciaram na guerra, e não das mortes. Isso é um caso extremo, mas na nossa vida a gente precisa, segunda esse primeiro ponto, geras memórias positivas, diferentes, gerar momentos que marquem a nossa vida de forma que os momentos de tristeza irão aparecer, que são esses momentos de flutuação ou de perda do status quo, sempre vão existir. E o que vai trazer o ânimo novamente, é o resgate das memórias positivas que a gente já teve. Tentar gerar movimentos, experiências diferentes são coisas que nos ajudam muito quando temos esses momentos da queda, por exemplo, eles falam sobre se investir em experiências muito mais do que em objetos, isso vai ser trazido quando se estiver num período mais pra baixo. A medida que se cria experiência, se ela tiver relevância, a gente acaba lembrando como algo positivo, mesmo que no momento tenha sido algo angustiante aquilo é lembrado de forma positiva. Investir em experiências pode manter a nossa fica com mais felicidade.

A segunda dica é sobre meditação, como uma técnica para a melhoria do foco, isso as pesquisas já mostram, porque quando estamos no presente, a gente não tem tanto a vivencia do medo, não temos a vivencia da ansiedade, a vivencia do presente faz com que a gente reduza o seu medo e, consequentemente, o estresse, a preocupação constante que hoje a vida impõe as pessoas, e a meditação tem esse poder, de nos deixar totalmente no presente e, com isso, reduzir o estresse no nosso dia-a-dia.

A terceira dica é o que eles chamam de estado de graça, essa teoria muito interessante – já a conhecia – é a teoria do Flow, uma teoria aplicada a administração, há muitos anos ela tem sido aplicada, mas agora cada vez mais pela difusão do Mindfullness. O Flow é, basicamente, o Mindfullness pra tudo, só que ele começou a ter comprovações científicas a partir de um psicólogo húngaro chamado Mihaly Csikzentmihalyi.

(Há uns anos atrás fui para a Hungria sozinho, ninguém queria ir por ser inverno. A minha vontade de ir para lá se deu por dois motivos, o primeiro pelo fato do meu escritor favorito – Sándor Márai – ser húngaro, tinha um desejo de conhecer a terra dele; o segundo, porque na abertura do filme “Budapeste”, baseado no livro do Chico Buarque, tem uma cena filmada no Rio Danúbio, isso me fascinou a ponto de querer conhecer. Li um pouco que o húngaro é a língua do diabo, por ser a mais difícil do mundo. Quando cheguei no aeroporto de lá e vi as placas e ouvi as pessoas falando fiquei realmente assustado.)

Csikzentmihalyi criou uma teoria de que o nosso cérebro consegue processar 110 bits e que quando fazemos uma atividade simples, estamos processando uma quantidade menor de bits. Se você faz uma atividade mais complexa, você vai acabar usando os 110 bits. Então se você está, por exemplo, dirigindo, é possível ouvir um podcast porque não exige totalmente da sua atenção. Agora, você não conseguiria fazer isso surfando, ali é necessário tem 100% da atenção no momento em que se está fazendo, ou qualquer outra atividade que exija 100% da atenção. As atividades que exigem uma atenção especial, geralmente atividade relacionadas a arte e ao esporte, deixam o executor tão envolvido que ele acaba entrando num estado de graça.

A prática da meditação tem o intuito de levar a esse estado porque não estaria se usando os bits para nada além da função, pegaria algo simples e daria muita importância, isso faria com que o seu cérebro, ocupando toda a sua capacidade, desenvolvesse esse estado de graça, que é muito descrito em várias áreas, não apenas na meditação. Inclusive foi realizada uma pesquisa com 8 mil pessoas ao redor do mundo (monges, montanhistas, CEO’s…), esse estado de graça, o estado de flow, tem sempre as mesmas características, é uma concentração extrema que leva ao êxtase, um senso de claridade, um feedback imediato, a perda da noção do tempo e do indivíduo, e a sensação de que se faz algo maior. Isso é, efetivamente, uma descrição de um estado meditativo. A teoria do flow sugere que a gente faça essa ocupação da nossa capacidade do cérebro em todos os momentos, ou na maior parte dos momentos da nossa vida. Isso não abre espaço para preocupação. Por exemplo, quando se está no mar surfando, não tem como pensar que não se tem dinheiro para pagar o cartão de crédito, se está 100% focado no que está acontecendo no momento e quando se mantem mais foca nas atividades menos espaço se dá para o medo, para a preocupação, se faz essa vivência plena do momento presente, o que mantem um estado de motivação.

A quarta dica eles chamam de antídoto para a tristeza, que seria uma capacidade de resiliência a suportar as dificuldades e se reabilitar por uma próxima dificuldade que vem à tona. Então seria não sofrer um baque tão grande, porque todos temos momentos na vida em que a emoção pesa, um momento mais difícil. Todo mundo já perdeu algum ente querido, perdeu algum relacionamento que gostava ou teve problemas no trabalho, isso é normal. O ponto é o quanto aquilo irá abatê-lo a ponto de você não voltar mais a vida como você quer viver, que pode desperdiçar, acabar com a vida de alguém quando ela não consegue se recuperar de uma situação emocional muito difícil. Isso não tem a ver com quantidade de dificuldade ou de dor que a pessoa está passando ou passou, mas sim com a capacidade de resiliência, de resistir aquela dor.

Falei um pouco sobre o Sándor Márai, um outro escritor de romances, o Ian McEwan, tem como base em seu trabalho justamente esse tipo de situação, em que os personagens se colocam em situações extremas e não conseguem voltar à vida normal. Um bom exemplo é o livro “Na Praia” que retrato muito isso, o quanto um impacto pode acabar com a vida de alguém se ela não tiver a capacidade de se reerguer. Tem a ver com otimismo, de a gente ver a vida de uma forma positiva, saber que os momentos difíceis vão passar e que a gente vai poder se reconstruir, apesar de todas as perdas. A diferença entre o otimista e o pessimista é o tamanho da importância que eles dão para esses momentos mais difíceis, e a gente tentar dar menos importância para o que não está acontecendo de tão bom e valorizar mais o que é importante vai melhorar a nossa vida como um todo.

Esse ponto está ligado a quinta dica que é a gratidão, o tema desse podcast, que será desdobrado em outro podcast a partir do que o Murilo Gun fala, que “gratidão não é moda e sim, tendência”. Moda é algo que passa, mas a gratidão faz com que valorizemos mais a vida, comecei lendo o meu texto que fala muito sobre isso, que ser grato faz com que as coisas venham com você. Nesse podcast do Murilo ele fala que a gratidão chegou para ficar, é uma tendência de comportamento, que não é passageiro, que marcou o nosso momento histórico, a gente está no momento de já resolver os problemas da humanidade, que a gente vai escalando nas necessidades, segundo Maslov, sendo essas necessidade fisiológicos, depois o ser humanos vai buscar um agrupamento e depois destaque nesse grupo, e dentro desse processo de evolução da sociedade como um todo, a gente está num momento em que não ´mais necessário lutar desesperada mente pela sobrevivência, algo que os nossos antepassados tiveram que fazer frequentemente. Hoje devemos ser muito gratos aos que vieram antes porque vivemos uma situação de conforto que não nos cabe outra coisa senão a gratidão aos antepassados, aqueles que sofreram para que hoje tenhamos a vida que temos.

Lendo na íntegra o que a reportagem fala:

“(…)5. Gratidão

Ela surgiu em 2015 geralmente acompanhadas com fotos de pôr do sol ou de casais apaixonados, espalhou-se pelo Instagram e Facebook até se tornar a hashtag do momento. Logo, “#gratidão” virou desculpas para ostentar situações especiais pela rede. Mas não deveria ser assim, a gratidão – aquele genuína – que sentimos por alguém que nos faz bem, é uma fonte real de felicidade, pelo menos e o que dizem as pesquisas.

Dois psicólogos da Universidade da Califórnia resolveram fazer o teste. Dividiram um grupo de participantes em três times. O primeiro, deveria escrever toda a semana frases sobre o que s deixam gratos; o segundo, sobre tristezas; e o terceiro, sobre eventos neutros, nem bons nem ruins. Depois de dez semanas, quem escreveu sobre gratidão, não estava mais otimista. Tinha feito mais exercícios e visitado menos os médicos. Faz sentido porque a gratidão funciona como um detector de coisas boas, quando começamos a agradecer pelos momentos bons da vida, e pelas coisas boas, ficamos também mais conscientes quando essas coisas acontecem de fato. Outra pesquisa mostrou que pessoas gratas apreciam mais as coisas simples do dia-a-dia, não dependem tanto de eventos extraordinários para se sentirem felizes.

O bê-á-bá da gratidão

Uma vez por mês, tire cinco minutos para escrever um e-mail para alguém que te ajudou, vale um professor inspirador, um amigo que te emprestou um dinheiro em algum momento de crise, uma ex-namorada que segurou a onda quando a sua mãe morreu…Pode parecer bobo e, talvez, você se sinta constrangido em enviá-lo, mas acredite, os efeitos do bem estar serão imediatos. Ao final do dia, anote três coisas boas que aconteceram nas últimas 24 horas, mesmo que pareçam insignificantes. Como, por exemplo o rapaz que ofereceu o lugar no ônibus para você sentar. Para incentivar o hábito, publique a lista todos os dias no Facebook, ao ver as palavras na tela, ela ficarão oficializadas e o saldo do seu dia parecerá melhor.

Quando alguém fizer algo de bom para você, detecte e formalize o agradecimento na hora, faça uma ligação curtinha, mande uma mensagem no WhatsApp ou deixe um bilhete. O seu cérebro vai se acostumar a reconhecer as pequenas alegrias do dia-a-dia.”

A sexta dica: nada e mais importante do que as pessoas. O Grand Studyé um estudo que começou a ser feito em 1938, eles se propuseram a acompanhara vida de 268 alunos da Universidade de Harvard até a morte com o objetivo de entender padrões em relação as escolhas, a felicidade, aos amigos. Hoje, dos alunos acompanhados, apenas 19 estão vivos, eles tem mais de cem anos. Um dos participantes era o John Kennedy. E o que a pesquisa acabou mostrando foi que as pessoas que tiveram menos problemas de saúde e que viveram uma vida com mais qualidade, o que ele tiveram não foi mais dinheiro ou mais fama, mas mais relações sustentáveis, saudáveis com a família e amigos de modo geral. As pessoas que tinham um casamento satisfatório, tinha isso bem mais como um valor do que o dinheiro e não obtiveram nenhum tipo de doença grave. Eles acabaram por mostrar nesta pesquisa, através do pesquisador, a conclusão de que a felicidade é amor. Então, a relação com as pessoas é muito importante para que se tenha a sustentação de um estado de felicidade.

A sétima e última dica, para fechar, fala sobre a paz, de valorizá-la, de não gerar agressões ou conflitos desnecessários. Encontrar um tipo de solução, dentro do possível, já é uma grande contribuição. Isso que já é tratado no primeiro norma ética do yoga que é o Ahimsa, que tem uma relação com a paz. O princípio da não agressão é quando você tem certeza que não será agredido, só quando se tem essa tranquilidade é que se consegue ficar num estado de paz. Jamais existiria paz com possibilidade de agressão a qualquer momento. Então, se você não agride, você sabe que o outro também não irá te agredir, aí se gera um estado de confiança.

Este é o podcast de hoje, ele começou com a música, homenageando a América, com um compositor nova iorquino Leonard Bernstein, a música é um trecho de um obra composta por ele chamada “The West Side Story”.

A evolução da música clássica acabou indo para o cinema, como vimos com o John Williams e com o Phillip Glass, e também c para os musicais, como é o caso de Bernstein. Ele foi o regente principal do Lincoln Center durante muito tempo, compôs algumas óperas e foi para a Broadway. Independendo do veículo no qual está sendo veiculado, tudo é música e se está contando uma história através dela. Claro que a ópera tem um valor de antiguidade, mas a questão de ser popular é só devido ao momento histórico, hoje é mis agradável para as pessoas absorverem um musical do que uma ópera, mas no fundo eles são uma coisa só. E se vê esse momento de fusão que não aconteceu apenas com o Bernstein, mas também com o Gershwin, que é um outro compositor que morava em Nova Iorque e que passou a compor peças para a Broadway, falamos sobre ele no episódio 9 com o Rhapsody in blue, uma música bastante famosa.

Temos aqui Leonard Bernstein com um trecho de “The West Side Story”. A história gira em torno do momento em que estava havendo uma desocupação da parte oeste de Nova Iorque, devido a construção do Lincoln Center. Bernstein conta a história de duas gangues rivais (uma de porto-riquenhos e outra de americanos) e um do líderes se apaixona pela irmão do líder da gangue rival. Uma história baseada em Romeu e Julieta uma ópera dos nossos tempos atuais. Leonard Bernstein ainda está vivo e compõe, trabalhou recentemente na composição de uma música pra um filme.

Fiquem com um pouquinho de Leonard Bernstein um trecho de “West Side Story – América”.


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Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

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Comecei a gostar da corrida, pois sempre fiz esportes, mas quando a gente fica mais velho é difícil reunir várias pessoas para jogar futebol ou outro esporte. A corrida me dava autonomia e na época vários amigos meus também começaram a correr. Não pensava em fazer Maratona porque sempre achei que fazia mal. Só que em setembro de 2005, eu já estava fazendo uma meia maratona em Buenos Ayres. Mas achava que deveria parar nessa distância. Em 2009, fiz minha primeira Maratona em Porto Alegre. Contar caso da parada. Depois continuei fazendo uma Maratona por ano, mas o Iron era algo muito distante para mim, eu havia lido aquele trecho do livro do Jim Collins que já pus aqui no podcast (POR  o trecho) mas o Iron era algo inatingível para mim. Eu não conhecia ninguém que corria meia maratona quando fiz a primeira, também não tinha nenhum amigo que havia feito maratonas em 2009 e o mesmo acontecia com o Iron. Quando você não tem uma referência próxima, não consegue imaginar que você é capaz porque você pensa que um Ironman é um atleta olímpico que só se dedica a isso. Quando comprei uma bike e decidi que iria treinar para o Iron em 2013, o que era sempre presente nos meus treinamentos era o medo. Sempre tinha medo que eu não fosse conseguir terminar. Por que um Iron man é composto de 3,8km de natação, 180km de bike e no final uma maratona de corrida de 42km. Então você nem sequer nada 3km, como vai conseguir no dia ainda sair da água e pedalar uma distância equivalente a minha casa em Sp e Maresias no litoral Norte depois disso, põe um tênis e corre até depois da Ilhabela. Foi um ano de muito esforço que produziu o resultado que descrevi um dia após a prova nesse texto.   A PROVA DE AÇO maio 26, 2014 Escrevo sob um efeito enebriante - isso realmente aconteceu? E desse jeito? O Davi já havia me falado \"o dia da prova é um dia iluminado\". Eu levava aquilo como uma figura de linguagem, pois para 99% dos que estão ali, é o dia do maior desafio de suas vidas. Mas não, ontem realmente foi um dia que levarei para eternidade (não exagero para enaltecer o texto). Antes de falar de tudo o que aconteceu ontem, penso na quantidade de coisas que não deram errado, e que somente uma delas poderia estragar tudo. Raramente paramos para pensar que quando algo dá certo, por trás, milhares de coisas não deram errado. E aqui falo de coisas bobas, simples, mas que podiam ter acabado com um sonho. Por exemplo, na quinta, estava muito frio e minha roupa de borracha não havia chegado, mesmo assim eu nadei o simulado da natação só de short, poderia ter pegado uma gripe e me debilitado, ou como aconteceu com o Davi que venceu todas as dificuldades de um ano de treino, uma inflamação na cabeça do fêmur que o impediu de correr por três meses e foi derrubado há três dias da prova por uma folha de alface mal lavada. Deitei às 9, mas o sono só chegou duas horas depois, isso era esperado e se eu dormisse conforme o planejado até às 5 da manhã tudo estaria certo. Entretanto, às 2:30 imagens da prova invadem meu sono, uma descarga de adrenalina entra no meu sangue e pronto, nem o mais poderoso dos calmantes me faria voltar para os sonhos. Revirei-me na cama até às 4:30 e decidi acordar. Comi e comi muito, conforme deve-se fazer em provas de resistência, arrumei minhas coisas, levei os special bags (sacolas de emergência com tênis extra, meia, agasalho, gel de carboidrato que são deixados em pontos estratégicos da prova) e voltei para casa para acordar meu staff (amigos e familiares que o tempo todo me apoiaram, sem os quais eu jamais conseguiria fazer uma prova tão boa). Quando o pessoal acorda, aí é alegria, todo mundo fala besteira, ri e eu até esqueço que pelo menos 11 horas de esforço me aguardam. Caminhamos juntos até a largada. A natação não me preocupava muito, pois como expus em outros textos, eu nado desde criança e os triatletas em geral não fazem isso muito bem. Larguei bem na frente, com bastante força para não ficar no tumulto das braçadas e ser cotovelado ou chutado pelos companheiros. Sai da primeira perna da natação, 2300 metros, com uma média de velocidade de 1min16segundos para cada 100 metros. Isso é forte demais. Precisava reduzir o ritmo para não quebrar. Na véspera da prova recebi uma ligação do Bruno Ramos e ele me falou algo que foi fundamental \"esquece o tempo, curta a prova\". Embora isso pareça óbvio, quando você treina de verdade, invariavelmente pensa em tempo e o que fazer para baixá-lo, mas por todo o trajeto da natação e também da bicicleta sempre me invadiam esses pensamentos - você ama fazer esporte, então faça-o enquanto você se sente bem, o tempo é para os outros, o prazer é seu. Outra coisa que fazia eu segurar o ritmo era falar para mim mesmo - isto não é uma prova de natação/ciclismo isso é um triathlon. No final da natação, entrei num estado de harmonia com as braçadas, a água e a paisagem que eu não queria que aquilo acabasse, mais ou menos o que vivenciamos na meditação do Yoga. Sai da água com 54 minutos, tendo nadado quase 400metros a mais que o trajeto oficial (pois você nunca nada em linha reta) e com um ritmo de 1min 19segundos. Aqui cometi um erro que poderia ter sido fatal. Eu havia congelado as garrafinhas que se leva na bike e a que eu ia tomar na transição, como estava um pouco frio, sai para pedalar sem absolutamente nada de água. Numa prova dessas, se você fica uma hora sem beber algo, pode ter uma desidratação que acaba com suas forças. Por sorte, a organização do evento é muito competente e a cada 10km do ciclismo haviam postos de hidratação que me abasteciam com água e Gatorade. Embora eu perdesse um tempo para pegar duas garrafas de cada vez, ali não havia opção. A medida que o gelo foi derretendo, consegui ir colocando água para dentro das garrafinhas e ficando menos dependente dos postos. Pedalei numa velocidade e num prazer que eu jamais esperava, minha média estava muito alta (33,7km/h) e depois do km 100 eu dizia para mim mesmo - isso não é uma prova de ciclismo, estou disposto a jogar essa média lá para baixo para poder chegar bem para correr. Pelo incrível que pareça, não precisei fazer isso. No km 160 eu pedalava a quase 40km/h com batimento de 140bpm. Est