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ESPORTES E A MEDITAÇÃO

Os Esportes e a Meditação

Eu estava pedalando com um amigo que me questionou – mas o fato de você fazer esses esportes de resistência não é contraditório com a filosofia de vida que você segue?

Não achei a pergunta inusitada, inusitado era o fato de lecionar Yoga há 17 anos e ninguém nunca ter me questionado isto antes.

Uma vez eu fiz esse mesmo questionamento em relação ao life style de escritores, que no imaginário coletivo sempre tem uma vida boêmia e desregrada. Poderia um escritor viver de forma saudável e disciplinada? Encontrei a resposta num livro do renomado Haruki Murakami, que descobri depois ser um exímio triatleta. Em Do que eu falo quando eu falo de corrida Murakami fala dos seus longos e repetitivos treinos e como isso o ajuda no ofício da escrita.

“Por mais mundana que uma ação possa parecer, fique nela o tempo suficiente e ela se tornará um ato contemplativo, meditativo até.”

Se você buscar no dicionário a palavra meditação, encontrará uma definição relacionada a pensar, refletir. Entretanto, meditar significa justamente o oposto, meditar é não pensar. Mas, como somos condicionados a pensar o tempo todo não conseguimos simplesmente “parar de pensar”. Para tanto, você precisa saturar a sua mente com um único pensamento até que ela pare. Quando isso acontece, a consciência pode fluir por planos mais sutis como o da intuição.

Os exercícios de meditação, são técnicas em que precisa-se repetir o mesmo som ou imagem por muito tempo até que se atinja o estado desejado. Quando você nada, pedala ou corre por horas, de alguma forma você também entra num outro estado de consciência. É interessante observar, que assim como acontece na meditação, na maior parte das vezes, o começo é mais difícil, ao longo da prática, quando você atinge esse estado, o corpo e a mente entram num fluxo de atenção contínua, é como se um escudo contra a dispersão e o cansaço tomasse conta do praticante. Você cansa muito menos e fica cada vez mais claro na sua mente onde você quer chegar.

Um praticante pouco treinado na meditação, não consegue sustentar a concentração por muito tempo, dispersa rápido e sente muito desconforto tendo vontade de parar rapidamente. O atleta pouco treinado, sempre pensa que não vai conseguir, sente mais do que cansaço, um incomodo mental quando faz treinos muito longos e muitas vezes não consegue terminá-los. Mas nos dois casos, a persistência vai tornando a prática mais prazerosa, o corpo para de brigar com a mente e a coisa flui.

Então para mim, aqui existe uma simbiose entre os esportes de endurance e a meditação, ambos vão se apoiando, ambos vão se ajudando a manter a nossa mente mais focada e isso permite mais tempo e mais performance no que quer que façamos.

 

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Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.

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    Roberta - 3 maio 2016

    Tenho meditado enquanto pratico caminhada. O meu foco (Âncora) é o como meus pés tocam o chão. Gratidão pessoas!

    • Bianca Vita

      Bianca Vita - 3 maio 2016

      Muito bom Roberta!

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    adriana44alvim - 4 jan 2018

    Concordo com você, Daniel. Acho que existe essa simbiose entre os esportes de "endurance" e a meditação, bem como existe sinergia entre a yoga e outras atividades físicas. Fazer yoga não implica excluir outras atividades físicas, até mesmo porque a yoga pode melhorar elementos que estão relacionados com basicamente todos os esportes, como a energia, coordenação, flexibilidade, equilíbrio, resistência, foco, reflexos, amplitude de movimentos e criação de novas vias neuromusculares. E quando se atinge a concentração plena na execução de um determinado movimento ou prática esportiva, a mente fica focada apenas na execução e se desliga da dor. Tudo parece natural e mais fácil. Seu cérebro entre em outro tipo de domínio ou frequência. A concentração é plena, porque se inibem os pensamentos, o corpo não mais sofre retaliações da mente, e, então, se alcança o estado meditativo.