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Que cores mentalizar

Que cores mentalizar

Por mais incrível que pareça, a visualização de cores pode interferir nas sensações.

Quando o YogIN toma conhecimento dos efeitos das cores, manipula-as conforme seus objetivos na prática. Todas as cores podem ser mentalizadas. O verde por exemplo, por ser uma cor associada à natureza, favorece a regeneração celular, saúde e longevidade.

Dentro da prática de ásana, posições psicofísicas, trabalha-se muito com o laranja quando há necessidade de estímulo e azul celeste para relaxamento.

 

Como as cores conseguem interferir nas sensações?    

Quando falamos de reações corporais como as desencadeadas por este tipo de mentalização, estamos falando de sistema nervosos autônomo, o qual responde automaticamente às situações. Reagindo muitas vezes até mesmo contra à nossa “vontade.”

Ao longo de milhares de anos, o Homem se colocou em situações em que não havia tempo para processar a melhor forma de reagir. Era preciso agir imediatamente para não perder a vida. A repetição deste tipo de situação por milhares de anos, fez com que se automatizasse determinados comportamentos para determinadas situações.

Imagine você no meio da selva.  Surge à sua frente um animal enorme. Não há tempo para pensar o que seria melhor fazer – bom esse animal não é carnívoro, então não deve estar atrás de mim, basta correr moderadamente na direção leste que ele desiste. Nada disso! O corpo gera medo, uma descarga descomunal de adrenalina e milhares de outras substâncias são jogadas na corrente sanguínea, você está pronto para lutar pela sua vida, o sangue sai dos órgãos e se desloca para os músculos e imediatamente você corre o mais rápido que pode. Este é o tipo de reação gerada pelo sistema nervoso autônomo simpático, responsável pelo que nossos ancestrais viam como fuga ou luta e que hoje chamamos de stress.

O sistema oposto ao simpático, o parassimpático, também reage de forma involuntária, sempre tentando frear a aceleração do simpático. O parassimpático é quem baixa a pressão sanguínea, reduz a euforia e relaxa.

Assim como a sensação de pânico ativa o stress, a sensação de segurança gera o relaxamento. Não conseguimos relaxar se não nos sentimos seguros.

Nossos ancestrais, foram geração após geração automatizando o comportamento – se há perigo, deve haver estímulos para a luta ou a fuga, se há segurança, pode-se descansar.

 

Como o ser humano se via 50 mil anos atrás?

Voltemos à remota época em que vivíamos nas cavernas ou em cima das árvores. Por mais que não pareça, vivemos pelo menos 50 vezes mais tempo desta maneira do que de uma forma aproximada do estilo de vida da nossa era. Nosso corpo traz muita informação que foi introjetada durante estes milhares de anos em que vivemos com poucos recursos.

O Homem olha para o lado, certamente sente desespero. Não sabe descrever verbalmente, mas consegue perceber que praticamente todos os animais são mais fortes que ele. Os predadores deslocam-se mais rápido, enxergam à noite, possuem dentes enormes e afiados e presas assassinas. Sente-se desprotegido, logo tenso, especialmente à noite.

Éramos uma das espécies mais frágeis que existia. Só sobrevivemos devido a fatores, como a proximidade dos genitores que passavam anos e até hoje passam nos dando instruções de sobrevivência. O Homem foi o animal que melhor conseguiu transformar suas dificuldades em diferenciais competitivos de sobrevivência.

Quando o sol se punha, ficávamos extremamente expostos aos perigos dos animais predadores que possuíam o diferencial da visão noturna. Noite era sinônimo de muita preocupação para nós. Este é um dos motivos pelos quais as crianças costumam ter tanto medo do escuro. Muitos desses medos atávicos continuam no nosso subconsciente.

Quando o dia clareava, víamos o céu azul. Céu azul representa mais capacidade de proteção, segurança e consequentemente relaxamento.

Por gerar sensação de segurança, o azul ativa o sistema parassimpático, responsável pela descontração. Mentalizar luz azul para uma parte do corpo enquanto você executa uma posição de alongamento é trazer a lembrança de que amanheceu e se há luz, você pode relaxar pois está menos exposto ao riscos noturnos.

Do outro lado, temos o laranja. Na paleta de cores, o laranja é uma derivação branda do vermelho. A cor vermelha tinha neste passado, associação quase imediata com o sangue. Sangue significa perigo, risco, logo sistema nervoso simpático. Inclusive um dos efeitos do stress é aumentar a capacidade de coagulação do sangue. Se há perigo, há possibilidade de sangrarmos, o corpo precisa dificultar essa saída. O vermelho desperta esse sentido de urgência, dando estímulo ao sistema simpático.

O laranja sendo um tom de vermelho atenuado, não possui essa forte ativação, mas gera estímulos, sem  o desespero. É a cor ideal para mentalizar em posições que exigem força ou maior nível de esforço. É a cor da energia, da euforia positiva, da força de vontade!

Procure usar bastante as visualizações de cores durante a prática. Quando estiver bem treinado, aproveite-as também no seu dia a dia. Aquela força extra da auto superação pode vir junto com a mentalização do laranja e o sono pode ser embalado pela descontração do azul celeste.

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Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.

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