Como montar uma seita

Como montar uma Seita – Podcast #08

HOME > BLOG > Como montar uma Seita – Podcast #08

Podcast de Yoga | 25 mar 2021 | Daniel De Nardi


Como montar uma Seita – Podcast #08

Esse podcast vai falar sobre o perigo de sistemas coletivistas usando como exemplo o maravilhoso filme com Edward Norton e Brad Pitt – Clube da Luta.

 

Links

Namastê!

 

Transcrição do Podcast #08

Como montar uma seita #08


Olá, meu nome é Daniel De Nardi e estamos começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, o episódio de hoje vai falar em como montar uma seita.

A busca do yoga é sempre uma busca por uma identidade pessoal, a busca por você encontra a sua real natureza e conseguir, de alguma forma, levar isso pro mundo, trazer isso à tona, externalizar aquilo que você tem apenas seu, e tem uma coisa que pode atrapalhar bastante o yôgin nesse objetivo que são ideias coletivistas, você seguir demais uma ideia que não é sua, uma ideia que é de um grupo, ou é formada por alguém e ditada como sendo de um grupo, isso vai automaticamente dificultar você expressar a sua real natureza, a gente vai entender bastante isso que esse é o sistema básico de funcionamento de uma seita, que é você ter ideias coletivista, ideias que aparentemente valem para todo mundo. E no yoga isso é muito presente, existem várias seitas dentro do yoga, grupos que utilizam essa busca das pessoas por um conhecimento diferenciado, e esses mestres ditos avançados, evoluídos acabam gerando uma espécie de doutrina muito particular que nem sempre tem a ver com a identidade de seus participantes.

Então como funciona a construção de uma seita ou de qualquer outro grupo coletivista?

Acaba-se assinando com algo que aparente é muito bom, existe a necessidade de naquele momento você resolver um problema bastante grande. No caso do yoga, fala-se muito dessa busca por uma vida melhor, de iluminação. De fato o yoga pode conduzir a isso, ele pode gerar nos seus praticantes um bem estar e uma busca e uma vida melhor. Só que isso não necessariamente vai passar por um processo coletivista, algum líder acena com essa resolução de um problema bastante difícil, começa a colocar a mensagem dele pessoal, junto com as técnicas do yoga porque o yoga por ele mesmo já vai produzir isso, ele não precisa da condução de um mestre tão direcionada assim, a prática em si já vai despertando no praticante essa busca de identidade, ele já vai sacando a partir da execução das técnicas o que de fato ali ele está buscando, o que de fato ele é, o que é melhor nele e o que precisa ser mais trabalhado.

Pra gente deslocar um pouquinho e tentar entender melhor como esse movimento coletivista acontece, não no yoga, mas em outras áreas, a gente tem nitidamente isso acontecendo na área política, Então fala-se assim “eu vou resolver o problema dos pobres” e aí as pessoas acreditam nisso sem questionar aquela ideia e acabam tendo que seguir as outras coisas que esse líder queria e na verdade esse objetivo não era resolver o problema dos pobres, era um poder pessoal, riqueza pessoal, ele não estava preocupado com a resolução daquele problema.  Então se você tem um problema bastante utópico é mais fácil você vender uma ideia que as pessoas vão acreditar, a mudança ela vai acontecer de um pra um: o professor dando aula para um aluno e o aluno praticando. A mudança não acontece de maneira coletivista, o yoga não tem essa proposta de mudar todas as pessoas, é a pessoa praticando e ela vivenciando a sua própria mudança pessoal. Ela descobrindo a partir da meditação do estado de relaxamento, descobrindo a sua verdadeira natureza e, de alguma forma, externalizando isso. Esse é o processo do yoga, que não é uma pessoa mudando toda a comunidade, é a pessoa buscando a sua própria real natureza. Aí vem um outro ponto, que é dentro da cultura do Sankhya que é a cultura naturalista do yoga, você tem que externalizar essa consciência mais pura, você tem que coloca-la pra fora porque, dessa forma, você está fazendo o melhor uso, melhor proveito da sua vida. Quando você obstrui essa real natureza de ir pra fora você está prejudicando o andamento do mundo, uma rápida explicação, simplificando o sistema do Sankhya.

Então na política isso também acontece e isso é muito perigoso, a individualidade não pode ser construída a partir da ideia de uma outra pessoa, ela precisa ser construída a partir de muitas referências que acabam construindo algo que ninguém consegue juntar, porque você tem muitas referências. A partir do momento que você segue uma única ideal coletivista eu faz todo o sentido pra você em todas as áreas da sua vida, a probabilidade de isso estar errado é muito grande porque como eu falei nós somos feitos de referências, se você sempre ouve os meus podcast concorda com tudo que eu falo, tem algo errado não pode estar certo. Eu faço construções a partir do que eu vivi e você não pode pegar tudo o que eu estou falando e achar que descobriu a forma de ser, a forma de ser você tem que construir a partir da sua vivência pessoal, do seu estudo, da sua busca por mais conhecimento, por entendimento próprio e por entendimento das coisas que o rodeiam. Então o ponto é que você tem que ouvir o que estou falando e falar “até entendo o porquê ele está falando sobre isso mas não concordo porque eu tenho um outro ponto de vista”, não ficar um chato questionando tudo, mas se você aceita tudo o que o seu guru está falando, tudo o que ele fala é verdade, não pode porque aquilo pode ser verdade só para ele mesmo, não pode ser mais verdade para outras pessoas. E aí como é que você vai ser essa construção, se ninguém pode te dizer? A construção ela tem que ser pessoal e precisa ser gerada a partir de, como eu falei, de diversas referências, de diversas influências e estudos e que alguns vão fazer sentido para a sua forma de ver o mundo, outros não. Mas se você segue uma única linha coletivista que te fala tudo, isso pode ter uma grande probabilidade de erro, não faz sentido todas as ideias de alguém serem totalmente de acordo com as suas, o mínimo de raciocínio a gente já pode entender sobre isso.

Pra deixar uma ilustração mais clara exatamente do que a gente está falando aqui, eu poderia contar a história antes pra depois trazer o conceito, mas eu preferi falar do conceito porque agora a gente tem mais referência para analisar melhor a história. Aí tem um outro ponto, também, que quem não assistiu a esse filme e quer ver pela primeira vez, pode parar o podcast agora e ouvir depois, a partir desse momento, porque agora a gente contar toda a história do Clube da Luta, que é um filme muito famoso, vou falar detalhes sobre ele. Então se você quiser assistir o Clube da Luta pela primeira vez sem saber da história, pare o podcast agora, se você já viu esse filme, eu sugiro que ouça mesmo assim por que a gente vai ver pontos que você não tenha percebido e, também, se mesmo que você tenha visto é interessante depois dessa análise você rever o filme porque é um filme brilhante, com sacadas brilhantes que nos ensina muito sobre a vida, de como a gente segue coisas que não são nossas.

O Clube da Luta é um filme bastante famoso no mundo do cinema, ele é muito respeitado como um filme que fez várias inovações, mas no Brasil, especialmente no cinema, ele não fez sucesso porque quando ele foi lançado teve um tiroteio no Shopping Morumbi, não sei exatamente a data, (talvez em 2000) mas naquele ano teve um tiroteio durante a exibição de filme e atirou e matou várias pessoas, uma tragédia aqui em São Paulo. Isso acabou afastando as pessoas desse filme, eu mesmo, depois de ver o atentando eu não vi, só vi depois em DVD. Mas desde a primeira vez que assisti ele já entrou na lista dos meus filmes preferidos, vi como uma ideia brilhante porque foi um filme que quando eu terminei eu pensei “quem de fato sou eu?” eu poderia dizer que foi o filme que mais gerou esse tipo de questionamento, de impacto em que foi qual é a minha real construção? Apesar de eu ser bem novo na época, eu lembro que aquilo reverberou, eu fui dormir com a sensação de quando o filme terminou, porque ele termina com um impacto muito grande, o final é muito forte. Esse filme é adaptado de um livro de um escritor americano chamado Chuck Palahniuk, ele é bem reverenciado no mundo literário, os escritores gostam muito da obra dele. Eu vou deixar um podcast como referência que é sobre um outro assunto que é a Jornada do Herói, que eu estou estudando agora par um outro curso que eu estou produzindo e, nesse podcast, eles falam sobre o obra do Palahniuk porque é uma obra que contradiz a linha do herói.

Mas voltando ao Clube da Luta, o filme foi escrito por esse escritor brilhante, e filmado pelo David Fincher, de Seven, ele produziu também o filme sobre o Facebook, O Curioso caso de Benjamim Button, ele é o diretor d House of Cards, então é um diretor que na época o Seven já tinha saído, então ele já tinha uma certa fama, nunca ganhou o Oscar, mas é um diretor super famoso e tem uma obra que mostra muita construção e vale a pena ser vista.

O filme começa, a primeira cena, pra quem não lembra exatamente, eu assisti agora recentemente na casa da minha tia, ela disse que nunca tinha assistido e eu fiquei com uma certa inveja, porque eu queria estar assistindo ao Clube da Luta pela primeira vez, depois que eu vi pela primeira vez eu alguns trechos do filme, mas não tinha assistido ao filme inteiro pela primeira vez. Como é um filme de memória e de mudança de personalidade, ele só fica interessante quando você vê pela primeira vez, como no caso de Os Suspeitos ou daquele outro do menino que vê os mortos, sãos filmes que quando você vê pela segunda vez ele ficam mais interessantes, porque você passa a entender a perspectiva de um outro ponto de vista agora que você já sabe o final. Então vale a pena assistir, eu indico muito, porque o filme é de uma sabedoria para o nosso envolvimento com o grupo e entendimento de ideias coletivistas fantástico.

A primeira cena do filme é ele nos prédios, a noite, e ele está preparando para explodir os prédios e ai ele fala isso tudo aconteceu por causa da Marla, aí você se pergunta por que pela Marla? Bom, aí começa a história desde o começo, ele era um rapaz que tinha sido abandonado pelo pai, ele não demonstrava mas isso afetava muito ele, e ele era muito consumista, ele queria ter todas as coisas de lojas famosas, ele era um cara super metódico, super certinho, mas ele não ia até o ponto daquela dor dele, ele não investigava aquela dor daquela vida extremamente vazia e ele tentava resolver isso a partir de remédios porque ele não conseguia dormir, então ele tinha essa aflição. Só que quando ele retornou ao médico, este passou a negar os remédios, dizendo que não havia motivo para prescrição, à medida que ele não tinha dor, pelo contrário, tinha um emprego estável e coisas maravilhosas que todo mundo quer e se ele queria saber, de fato, quem tinha dor de verdade, poderia a ir uma reunião de homens com câncer de próstata. Ele vai por curiosidade, e ali tem outras pessoas que se confessam em exercícios, se abraçam e externalizam o que estão sentindo. Então ele entra numa catarse emocional, e põem pra fora toda a angústia, ele se libera, deixa vir à tona um pouco aquela dor e dorme como nunca tivesse dormido, então ele conclui que a solução para dormir é ir a esses encontros e chorar compulsivamente. Então ele começa a ir ao todo tipo de encontro, homens câncer, caras que não tem grana, viciados em sexo, ele passa a ir a esses encontros para chorar e poder dormir. Só que aparece uma menina, que é o arquétipo da maluca, a Marla, que acabou sendo namorada dele, quando ela chega aos encontros ele percebe que ela é uma farsa, exatamente igual a ele, e isso o deixa constrangido e ele não consegue mais colocar pra fora as angústias dele porque é como se alguém tivesse vendo a farsa. Ele não está colocando de forma legitima, ele está mascarando com um outro sofrimento e deixando a dor vir à tona. A Marla obstrui isso, o que o deixa maluco porque ele passa a não ir mais aos encontros e passa a não dormir mais uma vez.

Quando a gente dorme, a gente dá um tempo para o nosso consciente se reorganizar e a gente dá também uma possibilidade de receber informações do nosso inconsciente, essa informação não pode vir a tona, de uma só vez, as informações do consciente devem ser trabalhadas e sendo liberadas gradualmente. No podcast passado eu falei sobre o curso do Roberto que eu estava editando, e eu vou fazer uma referência ao curso dele porque ele conta uma passagem muito interessante lá que é sobre esse retiros de um final de semana, e ele fala que o problema disso é justamente porque funciona ficar um tempo externalizando aquilo, botando pra fora, fazendo dança, liberando, fazendo uma hora de respiração, duras horas de meditação, coisa que você nunca fez antes e , de alguma forma, você traz coisas do inconsciente. Ok! Isso é bom e a gente não pode reprimir essa informação que a gente tem no subconsciente, mas a forma de a gente trazer, sem nenhum filtro, sem nada, ela pode ser bem prejudicial. Então você tem esse caso, de utilização de drogas, as drogas mais alucinógenas pode deixar a psiquê confusa e a pessoa a partir disso ter problemas psicológicos porque vem muita informação de uma vez só. Aí ele fala desses encontros, que informação de uma vez só, e que muitas pessoas acabam tendo consequências desastrosas porque veio muita coisa e, as vezes, ela não queria e o Roberto menciona no curso que o próprio Freud no final da vida falou que “tem coisas que é melhor deixar ali”.

No filme, quando você já conhece a história, quando você vê a segunda vez, você começa a entender que quando você não dorme, você começa a trazer muita informação do subconsciente e começa a confundir a sua psiquê. O sono é a parte muito importante para a saúde mental, porque você dorme você reorganiza os seus pensamentos, você libera esse tipo de informação que tem que vir de forma filtrada, você não recebe tudo de uma vez. O narrador na verdade não tem nome – o personagem do Edward Norton é o narrador –, então ele começa a trazer tanta informação dentro do psiquismo dele que ele passa a ser outra pessoa, Tyler Durden, que é o personagem do Brad Pitt, um cara justamente o oposto dele. Então ele sempre tem diálogos em que o Tyler fala “Eu sou o que você queria ser”, então ele coloca todas as “podreiras” que o narrador, de repente, queria fazer: ele trabalha como garçom e faz xixi no prato dos ricos; ele recorta frames, corta na película um pênis, para as pessoas receberem aquele tipo de mensagem sem filtro, porque aquilo é tão rápido que ninguém vê, ele faz todo o tipo de coisa fora do padrão social que eventualmente o narrador queria fazer, mas que ele não conseguia por pra fora e aí ele acabava sendo uma outra pessoa que é o “certinho”. De fato o Tyler é a personalidade real dele ou ele é aquele cara certinho, porque o Tyler traz vários tipos de problemas pra ele, ele sendo dessa forma traz vários tipos de problemas que começam justamente nesse período que ele não tá conseguindo dormir e o Tyler toma conta dele e funda um clube de luta, a ideia do clube era lutar, colocar a sua energia pra fora, ninguém estava ali para se matar ou se machucar, as pessoas estava ali para externalizar as suas angústias, as suas tensões na forma da luta. E aí aquilo passa a ser muito bom para todo mundo que passa pela experiência que passa a ter gratidão pelo fundador, pelo Tyler, e aí dentro do movimento deixava as pessoas mais descontraídas, vivendo uma vida melhor (ele fala, inclusive que como ele passava por dificuldade na luta, o dia a dia do trabalho dele era muito simples porque a luta era difícil) e deram muita voz pra ele, Tyler. Aí surge as ideias coletivistas, porque o Tyler a partir do momento que ele libera a tensão das pessoas, elas passam a admirá-lo e a segui-lo mais ativos no clube da luta, passaram a seguir todas a ideias dele e ele tinha ideias absolutamente malucas. Ele fundou uma seita na casa dele e as pessoas ficavam trabalhando lá e produzindo sabões (ele sabia a fórmula do sabão – eles roubavam gordura das pessoas e produziam um sabão de melhor qualidade) com isso eles começaram a ter mais dinheiro e poder fazer essas loucuras do Tyler cada vez mais, chegando ao ponto de planejar a destruição de todo o sistema financeiro do mundo porque eles queriam destruir as máquinas e os prédios das principais operadoras de cartão e daí aquilo iria dar um bug no mundo.

Com essa ideia por trás que ele tinha, que estava resolvendo a vida das pessoas, elas começaram a aceitar tudo o eu ele dizia sem nenhum tipo de questionamento. Então, o grupo tinha algo de repetição, eles repetiam ideias sem questionar, qualquer coisa que o Tyler dizia virava um mantra que ficava sendo repetido pelas pessoas lá de dentro como se fosse a maior verdade, todos falavam aquela mesma verdade e elas eram as verdades do próprio Tyler e aí você começa a perceber que projetos coletivistas sempre partem do objetivo do líder. Chega um momento que o Tyler quer ser demitido do trabalho e ele sabe que para isso acontecer ele precisa apanhar do chefe dele, mas ele sabe que isso não vai acontecer, então chega o ao grupo e diz a ele que todos precisam arranjar uma briga (no filme a ideia é interessante, ele fala de como as pessoas evitam brigas e isso é muito bacana porque as pessoas entendem que ninguém merece ser agredido, então faz-se um pacto por alguns direitos que são de todos, por exemplo, cumprir coisas de um contrato, falar a verdade, isso é um pacto social, todos aceitam e é um direito de todo mundo, isso não é um da ideia coletivista, é um direito de todo o ser humano: não ser agredido, cumprir as suas promessas e seus acordos, não roubar e ser roubado – existem direitos que são naturais, mas existem ideias que não são de todos que esses movimentos coletivistas acabam empurrando como algo bom pra todo mundo) então como o Tyler precisava ser demitido ele inventou isso, todos tentam arranjar uma briga, aí ele vai até o chefe e ele vai até o chefe e se automutila, começa a se dar soco e tudo o mais, mas era uma vontade dele e ele  transfere para o grupo. E chega um momento que o narrador percebe o que está fazendo, especialmente quando um amigo morre, o primeiro amigo que ele chora abraçado, não me lembro o nome dele agora, mas é um obeso, que fazia fisiculturismo e ficou com peitos enormes devido ao uso de anabolizantes, este foi um dos primeiros caras que começou a trabalhar na seita do sabão, ele toma um tiro. E o personagem do Edward Norton chega e vê as pessoas trabalhando e fazendo algo normal, empacotando o cara porque ele está morto, e ele fala “cara, o que eu vocês estão fazendo?”, eles respondem “ele estava participando de uma operação e morreu”, “mas ele é um ser humano” porque ele está se dando conta de que aquele inconsciente dele, que era o Tyler, estava fazendo. Então, como eu falei, botar tudo pra fora não é necessariamente uma coisa boa, mas a vida que ele vivia, angustiante de “certinho”, seguindo todas as normas da sociedade também não é, ele tinha que ter referencias diferentes pra essa construção pessoal do significado de vida.

Eles mataram o cara, ele tomou um tiro de um policial, na verdade eles estavam botando ele num saco pra enterrar na casa e ele falou “isso não pode, ele era meu amigo” e eles falam pra ele “ninguém tem nome nas operações, senhor”, então você vê que esses processos coletivista não dá valor para o indivíduo, se de fato os coletivistas querem apoiar as minorias, como eles dizem, eles deveriam apoiar a menor minoria que é o indivíduo, se você tem os seus direitos naturais preservados, você não precisa de um outro direito, se você tem o direito à vida, o direito a sua felicidade pessoal, o direito aos seus bens, você não precisa de outros movimentos te protegendo, aqueles direitos bem protegidos eles já são suficientes para a sua felicidade, mas aqueles movimentos coletivistas falam “não vamos ter isso, aquilo mais”, a busca tem de ser da pessoa, ela que tem de busca o seu espaço , ela não pode dar pra outro essa possibilidade de construção, tanto de mérito quanto de satisfação pessoal, e ali e começa a perceber que esse movimento coletivista estava dando problemas, estava morrendo gente e as pessoas estavam tratando como algo normal, ele falava, não esse cara tem nome sim, o nome dele é John D, por exemplo, não me lembro o nome dele agora. E aí você vê que esse sistema de crenças simplifica as coisas, então os membros do clube não pararam pra pensar e falar “morreu um cara, será que isso não significa alguma coisa?”. Não, eles pegam e falam “na morte, os componentes passam a ter nome” e começam a repetir o nome dele como um mantra e ficam repetindo como se fosse uma verdade e se fosse algo inquestionável. Como eu disse a verdade só é inquestionável pra cada um, vindo do outro ela é em parte verdade ou não, a gente tem que aceitar que sempre as coisas podem estar erradas, se a gente parte desse pressuposto que é um pressuposto cientifico, as coisas podem estar erradas, eu estou provando cientificamente, mas pode estar errado, assim como eu estou falando tudo isso aqui, mas pode estar errado, porque pode ser que todos os seus valores casem realmente com o grupo, isso pode acontecer, pensa que a probabilidade é muito pequena, porque cada pessoa constrói a sua vida e seus valores pessoas, vai gostar de determinadas pessoas ou não, tem um grupo que tem determinado comportamento, a cara é perfeita alinha certinho com você, pode ser,  mas isso também tem chance de estar errado. Então como eu estou falando aqui que a construção tem que ser de diferentes referências eu posso estar errado nisso porque pode ser que você tem uma única referência a vida inteira e vive bem, sempre tem uma possibilidade de erro, a gente que aceitar isso e por isso que vale a pena refletir pensando no outro lado. No caso do Clube da Luta ele agia de duas formas, a própria Marla: ele tinha um desejo sexual por ela ele transava muito com ela quando ele era o Tyler, com vinha a vontade do inconsciente, aquele tesão, quando o sexo acabava ele voltava a ser o narrador, o Edward Norton e ele nem queria falar com ela, como um não sabia do outro, ele só acabava sabendo no final, ele não entendia quando ela tratava ele mal, para ele, ele estava sendo ele mesmo, que não tinha nenhuma relação com ela, mas pra Marla ele era o Tyler, com quem acabara de transar loucamente. Ele era duas pessoas em dois momentos diferentes.

Então o Edward Norton começa a se conscientizar do processo todo, e vai atrás e descobre que fez operações em várias cidades, então quando ele achava que ele estava dormindo ele estava nas operações em vária cidades como Tyler Durden, ele tenta desfazer as coisas que o Tyler fez, mas as pessoas não deixam, não aceitam a mudança de ideia “não cara, você mesmo falou que ia mudar de ideia, mas não pode mudar de ideia, então a gente vai cortar o seu saco”, ele dá mesmo essa real pra eles.

Então a pergunta que fica no final é: será que o Tyler é a real natureza do narrador, será que o Tyler é de fato o que o Edward Norton deveria ser?

Eu acho que não, porque quando, no final, ele dá um tiro na boca o Tyler morre, o que demonstra que o Tyler não era ele, sua real identidade, porque se não essa identidade que ficaria, ela sobreviveria. E quem fica é um cara mais equilibrado, um cara que deixou algumas coisas virem à tona e também não seguiram totalmente o sistema, só que aí é tarde, ele já se deu um tiro na cabeça e a obra está construída assim, na verdade a grande merda (a palavra certa é essa) oi feita e os prédios acabam caindo, uma loucura dele porque ele era tão contra o sistema porque a vida dele era baseada naquilo, ele simplesmente  seguia o sistema, então ele criou uma revolta grande em cima disso e ele quis destruí-lo. Só que o sistema era ruim pra ele porque ele via o sistema de forma equivocada, o sistema não era ruim pra todo mundo, ele não tinha o direito de romper e querer destruir totalmente o sistema e usar um monte de pessoas dentro da sua ideia de revolução porque ele não gostava do sistema, porque ele não se adequava ao que estava imperando e que era bom pra muita gente, o sistema que dava liberdade de consumo para um monte de gente. Então aí fica essa questão, vejam o filme, a minha dica é essa e pra finalizar, agora eu comecei a comentar sobre as músicas, essa música como eu tinha planejado essa música para esse podcast eu já até deixei na playlist do podcast, então quem quiser ir lá consultar, é só ir lá, é a última música chamada Leningrado e porque eu escolhi essa música? Ela é de um compositor bastante conhecido no meio musical chamado Shostakovich, ele foi muito grande na época dele, mas ele foi um cara que ficou muito tempo preso no regime comunista, ele não conseguiu sair como outros (Prokofiev; Rachmaninoff; Stravinski, que foi pra França), ele ficou preso no sistema, mas ele ficou ali lutando contra esse sistema que era coletivista que entendia que todos os indivíduos serviam para o estado, um estado que ia resolver o problema das diferenças sociais e tudo o mais, e o Shostakovich ficou preso lá e tentando lutar com isso com a sua música. Leningrado foi bastante criticado na época, porque ela arrebatava as plateias, por onde ela passava ela levava um monte de gente para os concertos, ela fez um renascimento da música porque a música estava num período chato, experimentais com músicas atonais e, por conta disso, por Shostakovich fazer muito sucesso e tocar o público, o povão, na época ele foi considerado um charlatão porque não estava seguindo essa tendência revolucionaria de músicas atonais e tudo o mais. Mas, hoje em dia, tem pesquisadores como Leandro Oliveira, que é um grande pesquisador de música erudita, que considera o Shostakovich o maior e mais influente compositor do século XX, e é um período que tem bastante talento a gente tem o Mahler, tem o Strauss, tem o Sibelius, o Stavinski, que eu mencionei antes, tem o Gershwin, que é um americano que fazia música com jazz e música clássica, então tem muita gente boa e ele considera Shostakovich o melhor porque, de fato, ele tem uma obra forte, e essa música foi feita com o intuito de movimentar o povo mesmo, de fazer uma marcha para a libertação ela, inclusive foi chamada de “O Grito de Libertação” e o Shostakovich deixou uma palavra sobre essa música, ele deixou escrito o seguinte:

“A peça não deve ser entendida contra as forças opressoras alemãs, mas contra todas as forças opressoras do mundo””

A música se chama Leningrado que também é um campo de batalha muito grande da Segunda Guerra e agora vou deixar com você o que é mais importante que é ouvi-la.

Uma boa semana a todos, a atividade desta semana é assisti ao filme, pensar com a sua própria cabeça e tomar suas decisões, se quiser deixar algum comentário sobre o que você achou do filme, deixe o seu comentário aqui.


Compartilhar: Compartilhar no http://WhatsAppCompartilhar no http://FacebookCompartilhar no http://Twitter

Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Dicas de Yoga | 11 maio 2021 | Fernanda Magalhães
Não Seja seu Próprio Guru, mas Mantenha a Semente do Discernimento

Não Seja seu Próprio Guru, mas Mantenha a Semente do Discernimento Om saha navavatu, saha nau bhunaktu Saha veeryam karvaavahai Tejasvi naa vadhita mastu maa vid vishaa va hai om shanti, shanti, shanti   OM, Que sejamos protegidos, o professor e o aluno Que encontremos juntos a liberação Que possamos compreender o verdadeiro significado das escrituras Que haja luz em nosso aprendizado Que não ocorram desentendimentos entre nós OM, Paz, Paz, Paz   Essa semana foi comemorado o dia do professor aqui no Brasil e em Julho, no oriente, foi comemorado o Guru Purnima, a festividade que honra os mestres espirituais. Mas será que professor, mestre espiritual e guru tem o mesmo significado no Yoga? A figura do orientador é essencial no nosso caminho. Defendo o ponto de vista que não se pode ser autodidata no aprendizado do Yoga. O conhecimento adquirido pela relação com os objetos pode ser absorvido e compreendido por nós com pouca ou sem orientação, mas o conhecimento do verdadeiro Ser, aquele que não se identifica com tais objetos, deve ser exposto por outro. Porque enquanto identificados com estes objetos e realizando nossa leitura de mundo através dos órgãos de sentido, permanecemos na ignorância, mantendo nossas emoções na direção de nossas vidas. São as emoções que nos impedem de acessar esse conhecimento. Este conhecimento que é vivo dentro de nós e não disponível, é revelado através da figura do guru. Guru = “dissipador das trevas” do sânscrito, gu, que significa “escuridão” e ru, “aquele que dissipa”. No hinduísmo, o termo também é traduzido como “pesado”, utilizado com o significado de “cheio de conhecimento e sabedoria”. O termo guru é utilizado na Índia contemporânea como sinônimo de guia, mestre, professor. Por este ponto de vista, qualquer pessoa que passe conhecimento, poderia ser considerado um guru. Nesta linha de pensamento, seus pais são os primeiros gurus na vida. Jonas Masetti, professor de Vedanta, diz que de acordo com a tradição védica o guru é apenas o professor que com auxílio dos Vedas revela a natureza do “eu” para os alunos. Há também quem defenda que o verdadeiro guru está dentro de nós. Mas o que existe de fato em nós, é o conhecimento da verdade, e não o guru em si. Conhecimento este que não se revela sem ajuda de um mestre, tornando essencial a busca de orientação em nosso caminho espiritual. O conhecimento do yoga é tradicionalmente passado de mestre para discípulo desde que se tem registro, através de um relacionamento duradouro onde os dois se comprometem igualmente com o crescimento espiritual. Essa transmissão direta que garante a linhagem é conhecida como Parampara - \"uma série ou sucessão ininterrupta\". Desde o guru até você. Mas como escolher e identificar um mestre? Em português, as palavras mestre e professor são aplicadas com conotação similar o que não ocorre em outras línguas, dificultando nossa compreensão nesta “hierarquia”. Na tradição do Yoga, um mestre que atingiu a iluminação e é capaz de transformar alguém pela simples presença é o verdadeiro guru. Um guru não precisa estar encarnado para inspirar e despertar a iluminação em outros. Ele é um canal claro e puro de Consciência, não contaminado pelo ego ou desejos pessoais.   Há também os mestres chamados acharyas - “aqueles que ensinam pelo exemplo”. São grandes mestres espirituais com conhecimento e prática que estão aptos a tornar o conhecimento sagrado compreensível aos estudantes. Eles são capazes de desenvolver procedimentos e metodologias para que o estudante siga ao encontro da verdade. Encaro os Acharyas como facilitadores, que são capazes de traduzir o verdadeiro conhecimento a práticas mundanas. E há todo o resto de praticantes e aspirantes a Yogi que compartilham sua própria experiência. Neste grupo, há aqueles com grande bagagem e vivência prática, mas que também não são Gurus. São professores e, acima de tudo, estudantes. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Os professores de Yoga passam o conhecimento sobre os estados mais elevados de consciência mesmo sem estarem estabelecidos nestes estados, compartilhando experiência própria e limitada. Esse conhecimento é passado a nível intelectual e através de técnicas que direcionam ao autoestudo. A figura do mestre ou professor, dentro deste caminho de Yoga, merece respeito, humildade e confiança do discípulo. E embora todos tenham sua devida importância na jornada do autoconhecimento, não podemos confundir os papéis de cada um deles. O esclarecimento da posição de cada professor ou mestre na linhagem é de extrema importância para a relação mestre-discípulo evitando expectativas irreais e decepções futuras. Muitos estudantes se encantam com o carisma de seus professores e freqüentemente entregam-se àqueles que não são iluminados. Esta confusão faz com que pessoas sigam professores acreditando serem gurus, merecedores de total entrega e devoção. É deste engano que surgem todos os escândalos relacionados à “gurus famosos”.  Um professor é um ser em auto estudo e passível ao erro, uma pessoa como você, que pode acabar encontrando-se identificado à uma emoção. Estes relacionamentos onde o ego toma o controle por diversos momentos, podem não ser fáceis. “Confiança é uma escolha. Muitos estudantes chegam a um lugar desconfortável em seu relacionamento com o professor e partem… vão em busca da resposta que querem mas perdem a lição que precisam.”  – David Garrigues Um verdadeiro mestre não precisa ser carismático e não se ajusta às necessidades do seu ego. E não é atoa que “gurus famosos” está entre aspas no parágrafo acima. Um verdadeiro guru não está sob os holofotes e nem mesmo se auto declara como um guru. Guru, mestre ou professor, todos que são comprometidos com a verdade ensinam com objetivo de tornar o discípulo independente e não buscam seguidores. O objetivo final é tornar o aluno consciente e desperto o suficiente para que faça suas próprias escolhas. Ele reconhece que é meramente um instrumento da verdade e entende que todos merecem o mesmo estatuto e respeito. Ninguém, nem um mestre iluminado, merece tratamento superior. A dependência não deve ser reforçada. A humanidade está acostumada a ser guiada desde o início dos tempos e almeja um salvador que remova o ciclo de sofrimentos como mágica. Faraós, líderes religiosos, imperadores e tantos outros exemplos nos mostram que é mais confortável aceitar uma imposição, como uma criança que precisa obedecer aos pais. Mas esse ciclo só pode ser removido por nós mesmos através de muita prática e autoestudo. O mestre ou professor surge como uma placa de orientação no meio do caminho, ele não é o caminho. Somos mestres de nossas vidas, responsáveis por nossas escolhas, pensamentos e atos. Isto nos torna conscientes que somos responsáveis pelas consequências dos mesmos, e essa é a parte assustadora para a maioria de nós. Se dedique a seus mestres e professores, busque o conhecimento através de parampara, mas não entregue seu poder de discernimento. Entregue o seu ego e a sua intuição lhe mostrará o caminho.   E não esqueçam que sem o aluno, não há professor. Obrigada aos meus alunos que me fazem professora diariamente.   Gratidão aos meus mestres.   Om Asatoma Sat Gamaya (do irreal, guie-me ao real)    

Filosofia do Yoga | 10 maio 2021 | Daniel De Nardi
Os nomes das posturas do Yoga

Os nomes das posturas do Yoga Os primeiros textos a tratar de Yoga, tal como as Upanishads e o Yoga-Sutra, falam apenas de posturas sentadas (dhyanasanas) que são usadas para respiratórios (pranayamas) e meditação (samyama). Os Nathas, criadores do Hatha Yoga foram os primeiros yogins a introduzir as posturas (asanas) que conhecemos hoje nas práticas de Yoga. Os Hatha Yogins trabalham com essas posturas com o intuito de ativar a circulação da energia (prana). Duas das primeiras posturas \"não sentadas\" que apareceram nos textos são são ambas posturas de equilíbrio com nomes em sânscrito relacionados à aves. O mayūrāsana, a “pose de pavão” pode ser vista na figura acima e também o kukkuṭāsana, a “pose de galo”. ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ No curso de Formação em Yoga do YogIN App, tratamos bastante sobre a História e Filosofia do Yoga e os alunos aprendem mais sobre o desenvolvimento e a cronologia das posturas de Yoga. Estudamos os principais nomes das posturas do Yoga com detalhes de execução e história. Saiba mais, acessando a página do curso no botão abaixo     ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

asana para ficar sarado urdva mukha
Dicas de Yoga | 9 maio 2021 | Ellen Lima
Asana para ficar sarado

Asana para ficar sarado   Diz um ditado popular que hoje em dia é necessária muita coragem para amar e demonstrar sentimentos. Eu diria além, é preciso muita sabedoria e entendimento para entender que amar e demonstrar os sentimentos são os melhores remédios para o corpo e para o espírito, não apenas uma necessidade, mas um estado natural do verdadeiro Eu, que é puro e sábio. Em tempos onde controlamos e economizamos cada vez mais nossas emoções, chorar virou sinônimo de fraqueza, dar gargalhadas altas somos taxados de escandalosos, admitir que temos medo de algo então, cruzes! Vão dizer que sou fraco, frouxo; e a vontade dizer a alguém que está com saudade? Melhor deixar passar para não parecer sentimental fora de hora. A questão é que para tudo na vida existe equilíbrio e não falo aqui de se render ao desequilíbrio emocional, que também é desastroso, falo aqui sobre repressão. Hoje em dias as pessoas reprimem suas emoções cada dia mais para se encaixar no padrão da era dos humanos super adultos, controlados e “descolados” onde, já dizia em uma música do Leoni: “a ordem é ser feliz por toda eternidade feito prisão perpétua, entre sorrisos falsos e amenidades, momentos rasos de normalidade, não me apareça aqui com sua bagagem de infelicidade”. E assim somos obrigados a estar bem, parecer normal e passar por cima do que sentimos de verdade, aquele medo que poderia ser desfeito com uma conversa é escondido nos joelhos, aquele ressentimento e aquela situação que você não digeriu se esconde no estômago, aquela dificuldade financeira se esconde na sua lombar, e a carência na parte alta das costas; a culpa? Instala-se meio das costas. Aquela vontade de falar sobre idéia que parece que ninguém vai achar legal se esconde na garganta, e aquele projeto que não sai da sua cabeça, mas toda vez que você quer colocar ele em pratica algo da errado? Você esconde a teimosia em mudar o plano, em olhar por outros ângulos, na nuca, que enrijece e dói! As lembranças difíceis do passado que você não consegue esquecer, se escondem nas suas articulações. Chega uma hora que nem a mente e nem o corpo aguentam, sucumbem em ansiedade, desespero, dores físicas e até mesmo doenças. Aí você procura algo para aliviar e ajudar a se sentir menos o peso do fardo de reprimir tudo e não deixar os sentimentos e a vida fluir. Yoga! Afinal não há um yogIN que não tenha sido ‘salvo’ por essa tal filosofia. Chega à aula de yoga e dói o peito para respirar da forma correta (que você nem sabia mais como era), afinal é difícil mesmo colocar consciência quando a sociedade nos ensina a colocar no automático para render o tempo. Na meditação então? A concentração é prova de fogo, afinal como parar de pensar se é preciso analisar todas as atitudes, cada palavra, pensamentos, sentimentos, relações?! Aí chega a hora dos asanas. Opa, aí sim, aí é domínio físico, racional, então vai ser tranquilo. Você se coloca no asana e ele está fluindo e então você começa a se entregar, porque é bom estar ali, aparentemente no controle e com a cabeça ocupada só com o asana, (na verdade você está concentrado no momento presente e aí começa o yoga) e então você começa a respirar, a estar mais entregue, começa perceber o seu corpo, onde está rígido, onde está se soltando quando expira, começa ouvir seus batimentos cardíacos, começa sentir sua respiração e então se vê alí: você com seu corpo, o silêncio de estar olhando para dentro de você e sentindo uma conexão nunca antes sentida, e vem a inexplicável vontade de chorar. Se você passou por isso, entende o que eu estou dizendo, se você engoliu o choro, perdeu o estado de yoga, perdeu a maravilhosa oportunidade de deixar que seu corpo reprocesse suas emoções escondidas. Chora! Não saia do asana (a menos que ele esteja sendo violento para seu corpo), permaneça, se entrega, deixa o asana colocar tudo no lugar, movimentar a energia da emoção que ficou presa em algum chakra, em algum órgão, algum músculo, deixa o asana fazer efeito, e o efeito do yoga não é te dar um corpo sarado, é devolver uma alma “sarada”, curada de tudo que você reprimiu; deixa o yoga te ensinar a ouvir seu corpo, suas emoções e te aprende a deixar a energia da vida fluir pelo teu corpo e para além dele. Reaprende a liberdade de sentir e de ser. Enxerga a sua verdadeira e pura essência e permaneça no verdadeiro estado de entrega e confiança no seu verdadeiro Eu, que sabe como seguir no único caminho que viemos para trilhar e que nos leva à evolução e libertação: o caminho do AMOR! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();  

Dicas de Yoga | 8 maio 2021 | Daniel De Nardi
Reflexões de um jovem veterano yogin

Reflexões yogin de mais de duas décadas! Eu poderia começar este texto citando Vyása ou passagens das Upanishads. Acho que você não me daria nem duas linhas. Por falar em atenção, vamos ao que interessa - os benefícios do Yoga. Podemos dizer que o mundo está corrompido por um imediatismo e que hoje em dia ninguém se dedica a algo \"pela arte\". Verdade, mas será que nossos ancestrais também não agiam pensando no retorno que seu esforço proveria? Ou - será que o mais puro dos artistas também não age por alguma vantagem pessoal? Acredito que sim, tanto a arte quanto o esporte, trabalho, são meios pelos quais agimos buscando algo em troca.   Isto não tira a nobreza da ação, pelo contrário, se algo se perdura pelos séculos é sinal que de alguma forma aquilo vem gerando benefícios aos seus praticantes. O Yoga está vivo, cinco mil anos depois de sua criação, se não tivesse importância na vida das pessoas, já teria sido perdido ao longo da História. Depois dessa breve introdução - ou seria uma defesa prévia? - posso responder:   PARA QUE SERVE O YOGA? Poderia abrir outro parêntese para falar das mil vantagens de um estado de consciência expandida que os praticantes podem alcançar quando dedicam sua vida a isto, mas no final do dia, aqueles 99% dos praticantes que fazem Yoga 2x por semana, o que eles ganham? Há incontáveis benefícios em parar 2 horas na semana para se observar mais. Diminuir um pouco o inesgotável fluxo de informações que se recebe de fora para dentro o tempo todo. Há gente que não desliga nunca. E se nos aproximássemos mais da voz da consciência, que está sempre presente e que esses turbilhões de pensamentos nos impedem de ouvir com clareza - já seria um bom motivo.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”. Madame de Stael        OS EFEITOS MAIS RELEVANTES A disciplina da mente - não é apenas o Yoga que produz esse tipo de habilidade. Se você deseja aprofundar-se em alguma atividade como estudo, esporte ou trabalho, terá que, necessariamente, repetir ações ao invés de ceder à tentação da dispersão. A vantagem que vejo no Yoga em relação às outras atividades é que há técnicas para educar a mente a fazer isto. No dia a dia, a mente quer sempre fugir da repetição. Aí está o poder - decidir de cima, como o senhor que ordena as rédeas das suas atitudes, que agora é o momento do foco e não da distração. No treinamento do ritmo respiratório, quando o praticante trava contato pela primeira vez com a contagem do tempo das fases da respiração, se dá conta que não é tão simples quanto parece repetir o mesmo tempo para inspirar, reter o ar nos pulmões, expirar e reter com os pulmões vazios. A mente, que é dispersa por natureza, não gosta de ritmos cadenciados. Ela sempre vai preferir a diversidade, as variações, é sedenta pelo seu alimento vital - as dispersões. Mas a experiência de se notar que a mente foge do ritmo e ao observar esta atitude, volta a manter a cadência respiratória, nos dá aquela sensação de missão cumprida. E este é apenas um exemplo das dezenas de técnicas do Yoga que atuam neste sentido. Aprender isso com um exercício e depois transferir para as tarefas do dia a dia é algo que a prática nos ensina. A auto-observação - este processo é tão importante dentro da prática que o Yoga Clássico possui entre seus passos iniciais, uma fase chamada de swádhyaya, ou auto-estudo. Vou dar, mais uma vez, um exemplo de técnica, pois no final, Yoga nada mais é que a prática dos exercícios desta filosofia. Quando treinamos as posições de equilíbrio com os olhos fechados, somos obrigados a observarmo-nos internamente. Sem uma percepção de como o peso está distribuído no único pé que ficou no chão, torna-se impossível manter a posição por mais de alguns segundos. Mais uma vez, a técnica ensina o praticante a permanecer no melhor caminho, observando e atuando. Unindo - disciplina da mente e auto observação - temos o melhor dos cenários na busca para se alcançar objetivos desafiadores. Para tanto, é imprescindível que nos aproximemos cada vez mais daquilo que realmente somos, estabelecendo uma ligação mais próxima com a nossa consciência, que é a mais expressiva manifestação da nossa essência. Somente quando a pessoa está intimamente conectada consigo poderá reconhecer melhor seus defeitos e transformá-los em virtudes, conhecer suas vocações para poder realizar seu pleno potencial. A conexão interna nos proporciona uma grande confiança para traçarmos metas audaciosas. Ela nos conscientiza de que só depende da nossa própria capacidade de autoaprimoramento para que alcancemos tais objetivos e o Yoga pode ajudar qualquer um nesse processo. Talvez este seja seu maior benefício. É praticar para crer.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();