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O que é vivenciado em um estado de meditação profunda – Podcast #12

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Podcast de Yoga | 25 abr 2021 | Daniel De Nardi


Reflexões de um YogIN Contemporâneo – episódio 12

Em 1861, o escritor e crítico de arte Baudelaire, ao assistir a estréia de Tannhauser de Richard Wagner em Paris ficou tão fascinado que escreveu um livro para tentar explicar o estado de consciência que tinha vivenciado aquela noite.

“A partir […] do primeiro concerto, fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares. […]. Minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado, entrava, sem dúvida, muito do que Weber e Beethoven já me haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu me achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associadas a uma rara delícia. Resolvi me informar do porquê e transformar minha volúpia em conhecimento […].”

No podcast de hoje, vamos refletir sobre o que seria um estado de meditação profunda e como ele pode ajudar o yogin na expressão da sua verdadeira identidade.

Os estados da mente comentados no podcast

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Transcrição do Podcast

 

Estado de Meditação Profunda #12

 

Olá, o meu nome é Daniel De Nardi essa música é “Tannhauser” uma música de Richard Wagner, está começando o 12º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”.

No final do século XIX, mais precisamente em 1861, Baudelaire, que era um famoso poeta, já havia escrito livros e peças de teatro, vocês já devem ter ouvido falar dele, o livro mais famoso dele se chama “Flores do Mal”. Ele era um agitador cultural, um dia ele foi a uma casa de ópera, em Paris, para assistir à estreia da ópera de Richard Wagner. Wagner já era uma pessoa muito polemica na época por levar a estrutura da ópera a outro patamar, antes de Wagner a música era essencial e havia uma produção modesta, mas não era algo cinematográfico, Wagner faz o primeiro movimento do cinema (no sentido de superprodução) como entendemos hoje, ele era detalhista e queria que cada detalhe fosse executado com o máximo de perfeição, então ele fez com que várias frentes da arte se encontrassem na ópera (figurino, artes plásticas, dança, artes cênicas), mostrando que a ópera era a única que conseguiria unir todas as artes. O que não é mentira, só tenho apenas um contraponto, se você vai a ópera o enredo precisa ser simplificado porque a música faz parte, assim como nos musicais, tem muito tempo de música, que se repete. Mas tanto os musicais quanto a ópera trazem o que há de humano, uma expressão com a música que é um catalisador de emoções, a história fica simplificada, mas a música amplia a experiência, quem já foi em musicais ou em ópera sabe do que estou falando.

 

Baudelaire era um artista das artes em geral, e era um crítico de arte, ele entra pra ver a ópera de Wagner e fica muito tocado, entra em um estado diferenciado de consciência, quando sai da ópera, se sente obrigado a defender a obra de Wagner que era bastante atacado na época. Baudelaire escreve para Wagner, que é sempre seco e não dá muita abertura pra ele, eles se encontram e não há uma interação, não há a necessidade de querer contribuir para o livro que Baudelaire escreve a seu respeito, é um livro bem curto chamado “Baudelaire, Richard Wagner e Tannhauser de Paris” e conta a incompreensão que Wagner passou, a dificuldade que ele teve de mostrar que estava mudando a cara da ópera, hoje você pode achar óbvio, mas na época ele recebeu diversas críticas, além de não ser uma pessoa fácil, era megalomaníaco e perfeccionista, mas Baudelaire tenta escrever o livro para reparar esta imagem de Wagner. O interessante é que Wagner tinha muito claro qual era o papel dele, as críticas não tinham relevância porque ele sabia que o que estava construindo era a sua verdade e fazia sentido, havia uma importância histórica para a arte. Baudelaire tenta ser o defensor de Wagner diante da crítica francesa, porém não teve tanta ajuda para tal. E essa posição de Baudelaire surge por querer entender o que de fato sentiu ao assistir a ópera de Wagner, Tannhauser em Paris. Neste livro que eu mencionei, tem uma passagem que ele diz:

“A partir do primeiro concerto fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares, minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado entrava sem dúvida muito do que Weber e Beethoven já haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associada a uma rara delícia, resolvi me informar do porquê e transformar a minha volúpia em conhecimento.”

Baudelaire queria explicar a sensação, o que ele havia vivenciado, então, ele faz por meio da sua habilidade: a crítica de arte. Além de escrever peças de teatro e livros, ele também era um crítico de arte, ele une o entendimento pessoal ao intelectual. Daí tem que ler o livro para saber se ele teve êxito em seu intento ou não.

A nossa ideia hoje aqui é tentar entender o estado de meditação a partir do que temos de experiência e de literatura relacionada a meditação.  Literatura sobre meditação é praticamente infinita nos dias de hoje, especialmente a partir do momento em que “Mindfullness” ganhou notoriedade porque, até então, a meditação era assunto de uma pesquisa ou outra, porém não havia um sistema acadêmico, científico, com uma proposta (eles chamam de protocolo – quando existe um sistema de pesquisa envolvendo o alvo do estudo, no caso, a meditação), quando o Mindfullness foi registrado como um método, as pesquisas cientificas sobre a meditação cresceram muito, pois se havia uma campo amplo de pesquisa. Mas a meditação vai além, pois tem pontos que a ciência atualmente não consegue tocar e, ai você pode acreditar nisso ou não, muito disso está ligado a questão da consciência. A ciência, academicamente, não reconhece a consciência humana como algo existente, porque há um pressuposto que o objeto e estudo precisa ser medido, palpável. Então, a voz da consciência é fácil ser negada, porém você não pode negar que ela está internamente, pode ser uma criação mental, a gente pode trabalhar com essa hipótese, os cientista tentam provar que a consciência nada mais é que uma maneira sofisticada de a gente justificar as nossas decisões, que não existe e que tudo é puramente físico. Particularmente eu não concordo com esta afirmação, acredito que de fato exista essa consciência que o Sankhya chama de Púrusha e que Patanjali vai expressar muito como aquele que vê.

O que nós vamos fazer é tentar entender um pouquinho – não vamos nos aprofundar totalmente no assunto – o que seria o estado que Baudelaire entrou, um estado que não precisa ser gerado a partir de um exercício de meditação, o estado em si pode ser gerado a partir de qualquer tipo de repetição, a partir de qualquer exercício que te faça concentrar com o máximo de atenção durante um bom tempo, claro que a meditação tem essa proposta e isso contribui muito; é a mesma coisa – por exemplo – você pode emagrecer caminhando durante o dia ao invés de usar tanto o transporte, mas é mais fácil se tiver um exercício focado para o emagrecimento, como uma corrida de 30 ou 40 minutos, isto teria um efeito maior. E é o mesmo caso, você pode entrar num estado diferenciado de consciência, um estado meditativo em qualquer atividade, inclusive ouvindo esse podcast (embora aqui tenha um pouco mais de agitação mental), algo que prenda a sua atenção fixamente. Isso pode te levar a um estado diferenciado, de meditação e independe se é yoga, se é tai chi, se é olhar e admirar um quadro, não importa, o que importa é que você estabilizou a sua mente e agora a gente vai entender o processo que acontece e como o yoga se enquadra dentro desse processo.

Essa minha análise começou com uma resposta que eu dei em um site chamado “Quora”, um site de perguntas e respostas, há uma votação e a melhor resposta é votada e fica em destaque. Mais ou menos como funciona no Yahoo, mas é uma comunidade e tem muitos expert, eu já fiz perguntas sobre a NASA, por exemplo, e quem me respondeu foi um engenheiro da SpaceX, que é uma empresa grande de engenharia espacial. Você faz perguntas e solicita para que os eventuais especialistas da área respondam, geralmente eu respondo as perguntas do no site para treinar o meu inglês, que não é muito bom, mas faço como um exercício e contribuo com a área de yoga e meditação que é o que eu sei e que estudei.

E lá tinha uma pergunta mais ou menos assim: “O que seria ou o que se vivenciaria num estado de meditação profunda?”.

Pra gente entender meditação, essa questão do vedor e da consciência, a gente precisa ir ao texto mais clássico do yoga que pé o Yoga Sutra. Eu cito recorrentemente ele aqui, sempre deixo um PDF de uma tradução que eu gosto muito, a do Carlos Eduardo Barbosa, um estudioso de sânscrito e de cultura hindu, e ele traduz do original do devanagari, ele domina o sânscrito e o devanagari, a leitura do yoga sutra dele é muito coerente porque o sutra é chamado de aforismo, mas o aforismo é uma frase que se resolve por ela mesma, é uma sentença de verdade que não tem muito o que negar, por exemplo: a agressão a outros seres humanos não faz bem à sociedade. É um aforismo, não tem como negar, a agressão é um ponto desnecessário, é um caso extremo e não faz bem à sociedade como um todo. Agora o sutra não é um livro de frases, inclusive o próprio termo sutra significa cordão, o sistema de sutras é de ligação, um sutra é continuidade do anterior, tanto que a sugestão é lê-lo de uma só vez, a estrutura do yoga sutra precisa ter uma coerência, não é simplesmente uma tradução você entender a palavra, se não há coerência, não é uma tradução boa. A tradução do Carlos é compreensível e o importante é que ele faz comentários nos sutras mais relevantes, chamando a atenção para o que for mais importante. Eu vou deixar o PDF, quem quiser baixar e ler, acho que vale bastante a pena, vou ler os primeiros sutras traduzidos pelo Carlos, lembrando que o yoga sutra é o primeiro livro a ser escrito sobre o yoga, a primeira frase diz:

“Eis os postulados mais elevados do yoga”

Eu não vou ampliar a explicação, mas esse “atha” (atha yoga shasana) é um tipo de recurso que era usado na época em que o yoga sutra foi criado, nesta época começou a haver uma série de compilações de vários outros textos, então os sábios se reuniam para compilar os textos de acordo com o assunto a ser tratado (por exemplo na área jurídica, na literatura ou no yoga). Patanjali acaba determinando quais textos seriam de maior valor e elevação para a compilação do yoga (Atha Yoga Shasana).

A segunda frase é a famosa “yoga chita vritti nirodha”, que diz “yoga é a redução da atividade mental”. Vamos voltar ao yoga sutra para entendê-lo melhor, Patanjali começa dizendo o que é o mais importante do yoga “Atha yoga shasana” (Eis os postulados mais elevados), na primeira frase ele fala “quer chegar ao estado de yoga, quer entender o yoga, quer saber sobre o yoga, então diminua a atividade da sua mente”. E para que isso? Porque “aquele que vê, o percebedor, se manifesta na sua natureza mais autentica”. Esses três sutras já explicam o que é o yoga e o que é a meditação.

A meditação é um processo pelo qual você consegue diminuir a agitação mental para trazer a voz da consciência, para trazer esse vedor, trazer a real natureza dele, a natureza mais autêntica. Esse é o processo elo qual o yôgin deve buscar, então a meditação é muito diferente de você estar num estado e de repente “bum!” – e isso muita gente busca como algo totalmente transcendental –, “entrei no estado de samâdhi, resolvi todas as equações da vida, descobri o mundo, tive um momento de êxtase, de luz, de felicidade, de plenitude, agora eu sou sábio”. Este tipo de pensamento é tão ingênuo e infantil, se você parar para analisar isso não faz sentido com a proposta do yoga e com o que Patanjali e os demais falam. Quando você diminui a atividade da mente você não vai ter uma revelação do universo, você chegar num momento para que informações internas e pessoais suas sejam reveladas, para que a sua verdade venha à tona a sua verdade não a dos outros, o que for sucesso pra você, não para o outro. Estas verdades surgem no processo da meditação.

Quando a gente pensa nos estados da mente (você já deve ter ouvido falar em alfa, beta, teta, delta…é interessante a gente entender porque faz sentido dentro da proposta de meditação de Patanjali), a ciência classifica a mente em três estados segundo os níveis de hertz detectados, atividades do pensamento. O Estado Beta: 14 a 21 ciclos por segundo, esse é o estado de vigília e de autopercepção dos sentidos, é um estado em que a gente está muito alerta, pensa no estresse, que é o oposto do estado meditativo porque é um estado em que você tem o máximo de atividade da mente, muita percepção dos sentidos, uma percepção mais aguçada pode te defender de uma ameaça, então o corpo se coloca em estado de defesa, de sobrevivência, o oposto de você ouvir a sua voz interna, a sua voz da consciência (aí entra um ponto que é, nesse patamar  não existe certo ou errado, o estado é o que depende do momento, se você ficar no estado de tranquilidade você não vai conseguir viver em sociedade, assim como um estado de excitação e de euforia traz um cansaço mental, ansiedade, depressão, você impede que haja um fluxo mental tranquilo e que os pensamentos se tornem profundos); o Estado Alfa: de 7 a 14 ciclos por segundo, aqui se começa um outro estado de consciência, há espaço para a informação pessoal de cada indivíduo (vamos pensar nessa onda como o mar, quando está agitado você não consegue ver nada, não há percepção das coisas, no estado alfa existe um movimento mais suave e um espaço para que as ideias surjam tranquilamente); o Estado Teta: de 4 a 7 ciclos, um estado de relaxamento total e meditação, nesse estado vem a informação de forma verdadeira (já deve ter acontecido com você antes de dormir ter alguma ideia verdadeira e profunda e não conseguir resgatá-la depois, ali você estava em estado de Teta, quase entrando e Delta, há a liberação de um espaço na mente para que este tipo de informação apareça); o Estado Delta: de 0 a 4 ciclos, que é o sono profundo e que não há mais consciência do que está acontecendo. No dia a dia não tem como informações profundas virem, a gente está preso a informações imediatas, do ambiente, a meditação possibilita justamente um estado próximo a “quase dormindo”, em que as ondas mentais estão com menor frequência e, e segundo o sutra, o yoga é a diminuição do estado mental e faz sentido com a análise que a ciência tem sobre as frequências mentais. O que você deve buscar e perceber num estado de meditação profunda não é a resolução do mundo, nem um “orgasmo transcendental”, é um percepção própria que o ajudará a encontrar a sua própria verdade. Como Patanjali falou “aquele vê se manifesta na sua natureza mais autêntica”, pense nisso, realize a sua meditação pensando em um autoaprendizado, um autoestudo, não pensando em se tornar um mestre iluminado que levará a verdade ao mundo, pense na sua própria verdade, o que na sua vida te faz expressar o que há de melhor em você, quando você copia alguém não existe verdade, e a meditação nos possibilita isso. Essa é a proposta que, no meu ponto de vista, que é mais coerente com a meditação exposta por Patanjali, do que algo transcendental que é vendido por pessoas “iluminadas”.

Iluminado pra mim é aquela pessoa que acorda de manhã feliz com a vida que tem, sabe as adversidades, mas vive o que é verdadeiro. Essa pessoa que vai manter um estado, que vai ter quedas e ascensões, mas que a constância é algo que tem verdade, com sentido, que o faz acordar de manhã, cuidar da sua família e criar um mundo melhor, um entorno melhor.

Uma ótima semana, no vemos no próximo podcast.


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Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

5 comentários

    YogIN App Wagner Xavier gomes |

    gratidão wagner

    YogIN App carlindapintodeoliveirasa558@gmail.com |

    Estou estudando os chakras fiz umas pausa AGORA vou voltar neles estou amando saber q há alimentos que ajuda manter o equilíbrio

    YogIN App carlindapintodeoliveirasa558@gmail.com |

    Daniel eu vi Ovídio fiz anotações. Apo terminar o vídeo eu li o texto passo a passo aprendi e tirei varia dúvida em relação a meditação .tudo me chamou a atenção. A meditação nos possibilita A ser iluminando pela verdadeiro Eu.Quando vc copia alguem não existe verdade…namaster gratidão foi Ótimo.

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Dicas de Yoga | 8 maio 2021 | Daniel De Nardi
Reflexões de um jovem veterano yogin

Reflexões yogin de mais de duas décadas! Eu poderia começar este texto citando Vyása ou passagens das Upanishads. Acho que você não me daria nem duas linhas. Por falar em atenção, vamos ao que interessa - os benefícios do Yoga. Podemos dizer que o mundo está corrompido por um imediatismo e que hoje em dia ninguém se dedica a algo \"pela arte\". Verdade, mas será que nossos ancestrais também não agiam pensando no retorno que seu esforço proveria? Ou - será que o mais puro dos artistas também não age por alguma vantagem pessoal? Acredito que sim, tanto a arte quanto o esporte, trabalho, são meios pelos quais agimos buscando algo em troca.   Isto não tira a nobreza da ação, pelo contrário, se algo se perdura pelos séculos é sinal que de alguma forma aquilo vem gerando benefícios aos seus praticantes. O Yoga está vivo, cinco mil anos depois de sua criação, se não tivesse importância na vida das pessoas, já teria sido perdido ao longo da História. Depois dessa breve introdução - ou seria uma defesa prévia? - posso responder:   PARA QUE SERVE O YOGA? Poderia abrir outro parêntese para falar das mil vantagens de um estado de consciência expandida que os praticantes podem alcançar quando dedicam sua vida a isto, mas no final do dia, aqueles 99% dos praticantes que fazem Yoga 2x por semana, o que eles ganham? Há incontáveis benefícios em parar 2 horas na semana para se observar mais. Diminuir um pouco o inesgotável fluxo de informações que se recebe de fora para dentro o tempo todo. Há gente que não desliga nunca. E se nos aproximássemos mais da voz da consciência, que está sempre presente e que esses turbilhões de pensamentos nos impedem de ouvir com clareza - já seria um bom motivo.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”. Madame de Stael        OS EFEITOS MAIS RELEVANTES A disciplina da mente - não é apenas o Yoga que produz esse tipo de habilidade. Se você deseja aprofundar-se em alguma atividade como estudo, esporte ou trabalho, terá que, necessariamente, repetir ações ao invés de ceder à tentação da dispersão. A vantagem que vejo no Yoga em relação às outras atividades é que há técnicas para educar a mente a fazer isto. No dia a dia, a mente quer sempre fugir da repetição. Aí está o poder - decidir de cima, como o senhor que ordena as rédeas das suas atitudes, que agora é o momento do foco e não da distração. No treinamento do ritmo respiratório, quando o praticante trava contato pela primeira vez com a contagem do tempo das fases da respiração, se dá conta que não é tão simples quanto parece repetir o mesmo tempo para inspirar, reter o ar nos pulmões, expirar e reter com os pulmões vazios. A mente, que é dispersa por natureza, não gosta de ritmos cadenciados. Ela sempre vai preferir a diversidade, as variações, é sedenta pelo seu alimento vital - as dispersões. Mas a experiência de se notar que a mente foge do ritmo e ao observar esta atitude, volta a manter a cadência respiratória, nos dá aquela sensação de missão cumprida. E este é apenas um exemplo das dezenas de técnicas do Yoga que atuam neste sentido. Aprender isso com um exercício e depois transferir para as tarefas do dia a dia é algo que a prática nos ensina. A auto-observação - este processo é tão importante dentro da prática que o Yoga Clássico possui entre seus passos iniciais, uma fase chamada de swádhyaya, ou auto-estudo. Vou dar, mais uma vez, um exemplo de técnica, pois no final, Yoga nada mais é que a prática dos exercícios desta filosofia. Quando treinamos as posições de equilíbrio com os olhos fechados, somos obrigados a observarmo-nos internamente. Sem uma percepção de como o peso está distribuído no único pé que ficou no chão, torna-se impossível manter a posição por mais de alguns segundos. Mais uma vez, a técnica ensina o praticante a permanecer no melhor caminho, observando e atuando. Unindo - disciplina da mente e auto observação - temos o melhor dos cenários na busca para se alcançar objetivos desafiadores. Para tanto, é imprescindível que nos aproximemos cada vez mais daquilo que realmente somos, estabelecendo uma ligação mais próxima com a nossa consciência, que é a mais expressiva manifestação da nossa essência. Somente quando a pessoa está intimamente conectada consigo poderá reconhecer melhor seus defeitos e transformá-los em virtudes, conhecer suas vocações para poder realizar seu pleno potencial. A conexão interna nos proporciona uma grande confiança para traçarmos metas audaciosas. Ela nos conscientiza de que só depende da nossa própria capacidade de autoaprimoramento para que alcancemos tais objetivos e o Yoga pode ajudar qualquer um nesse processo. Talvez este seja seu maior benefício. É praticar para crer.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();