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Como desintoxicar o coração. Anahata: onde mora a compaixão e o perdão

Como desintoxicar o coração. Anahata: onde mora a compaixão e o perdão

Há dois anos, eu me comprometi a praticar ainda mais o desapego. Desapegar de sentimentos ruins, de hábitos, desapegar do que “precisamos ser” para os outros, aceitar mais.

Talvez o mais difícil é desapegar da ideia que fizemos de nós mesmos e que determinamos na nossa mente que somos aquilo.

Eu sou sensível e chorona mas desde muito pequena construí uma armadura que sou forte e durona. Com o passar dos tempos, comecei a acreditar que eu era assim. Eu precisei criar essa armadura pra não sofrer, pra ter a certeza que ninguém me faria de boba, pois vi pessoas bem próximas de mim sendo enganadas por serem consideradas boazinhas. Então, pra me defender eu quis me tornar muito responsável, dona do meu próprio nariz  e, ter a certeza que eu nunca dependeria de ninguém pra nada. Nessa tentativa acabei virando uma pessoa que cobrava muito dos outros e, principalmente, de mim mesma.

Aí, com o tempo a gente descobre que sofre mais não sermos quem realmente somos. Com sorte, também descobrimos que dependemos das outras pessoas pra tudo, somos uma rede de interdependência, e não aceitar isso é pura arrogância. Eu já fui arrogante, e não há nenhum beneficio nisso, diferentemente de ser destemida, que há inúmeros.

Eu era muito durona com as pessoas, se elas dessem um deslize, eu não perdoava e cortava relações. Até que com 21 anos eu conheci o amor de uma forma que nunca tinha experimentado antes, conheci uma pessoa que me aceitava do jeito que eu sou.

Essa pessoa me fez sentir completa e praticar o perdão. No início eu o achava perfeito. Depois de passada o tempo da paixão cega, eu percebi que ele era bagunceiro, cabeça dura e orgulhoso. E eu relevei, porque maturidade também é perceber que ninguém é perfeito. Perdoei todas as vezes que me machucou. Perdoei porque ele perdoou minhas mudanças de humor, minha amargura, minhas fraquezas, de um jeito que me fez sentir muita segura.

Então, o perdão virou uma constante e eu percebi que finalmente perdoei a mim mesma, me permitindo inclusive chorar na frente de alguém.


Quando eu era criança, não chorava e não desabafava pra ninguém, o que me rendia muitas alergias na pele que nunca eram curadas com pomadas, mas eu resistia porque afinal “eu tinha que ser forte”! Meu desabafo era a escrita, escrever poemas; um papel e uma caneta foram sempre meus melhores confidentes e chorar apenas escondida, embaixo das cobertas ou no chuveiro.

Deixar de ser orgulhoso, ir atrás e reconhecer os erros pra mim é um dos maiores sinais de maturidade de um ser humano. Então, se alguém reconhece seu erro e pede desculpa por aquilo, hoje em dia tem o meu mais puro perdão e até admiração. Perde-se muito tempo de felicidade por não se pedir desculpa. Mas tem gente que acredita que o tempo por si só cura tudo, que não precisa ir atrás e se redimir. Pra mim não é assim, talvez com o tempo as feridas sequem mas só cicatrizam com diálogo e tentando curar a ferida que fez no outro. Talvez a maior prova que um relacionamento chegou ao fim é quando você não se importa mais se magoou o outro.

É aí que percebi que desapego e perdão estão intimamente ligados, e ambos surgem do nosso amor próprio, da nossa autoconfiança e autoaceitação.

Do ponto de vista energético, nossa fonte de amor, carinho, compaixão e alegria está localizado no centro do peito na altura do coração, chama-se anahata chakra. 
É o centro de seus profundos laços com outros seres, o seu sentimento de carinho, seus sentimentos de amor próprio, altruísmo, generosidade, bondade e respeito.

Anahata é um chakra de integração e unificação, trazendo para a totalidade, e assim, é o seu centro de cura. Inclusive sua cor de estímulo é verde, a cor de cura. O amor em si é força de cura. Então, por isso que onde existe amor, existe perdão, existe zelo, porque existe energia de reconstrução, de unidade e não de separação.

A energia do anahata nos permite reconhecer que somos parte de algo maior, que somos interligados dentro de uma intrincada teia de relações que se estendem ao longo do Universo.
 O “caminho do coração” é viver a sua vida a partir deste centro de energia do amor.
 Significa viver sua vida com bondade e compaixão com todos os seres. Isso significa que seu coração está aberto para os outros e você inspira bondade e compreensão nos outros.

Uma das formas de trilhar esse caminho é desobstruindo suas vias, desintoxicando as emoções densas, abrindo espaço para fluidez. Essa forma de limpeza é a compaixão. Gosto de pensar na palavra compaixão como a união da palavra compreensão e paixão. É compreender além do ego, com amor. Então, quando voce desenvolve a compaixão, voce perdoa a todos sem nem perceber.

Se alguém tenta lhe agredir através de gestos ou palavras, voce não altera esse seu centro de paz entrando na mesma vibração da outra pessoa, você se distancia da mente condicionada, acessa o anahata e compreende que quando alguém tenta lhe agredir é porque não está bem, essa pessoa quer guerra, quer desarmonia, pois ela não está plena. Observando dessa forma você sente compaixão por essa pessoa e naturalmente surge o perdão.

Isso é evolução, isso é maturidade emocional, isso é a força de Anahata, seu chakra cardíaco.


Mayara Beckhauser

May é professora de yoga desde 2004. Economista, fala pelos cotovelos, é chorona, adora gatos, livros, comida vegana, generosidade, a insônia inspiradora que lua cheia lhe dá, escrever e incentivar pessoas a viverem de forma mais livre. Instagram: @yogalifestylebr

  • Debora rocha - 2 abr 2016

    Que texto lindo!!! PerCebe-se que veio do Coraçao! Identifiquei-me muito em algumas situacoes.

    • Márcio Rossetti - 4 abr 2016

      Que bom que gostou Debora!!

  • Beth coimbra - 15 abr 2016

    Nossa parecia que estava contando a minha vida. Parabens pelo texto muito lindo e tocante. Namaste ????

    • Márcio Rossetti - 25 abr 2016

      Muito lindo mesmo, Beth! Obrigado por acompanhar nosso trabalho!

  • Rogério Alves - 22 abr 2016

    Ótimo texto! Ajuda bastante a tratar a ansiedade. Grato

    • Bianca Vita

      Bianca Vita - 26 abr 2016

      Obrigada! OM NAMAH SHIVAYA

  • Rogério Alves - 22 abr 2016

    Ótimo texto!! Ajuda muito a tratar a ansiedade. Grato

    • Bianca Vita

      Bianca Vita - 26 abr 2016

      Que bom que gostou! OM NAMAH SHIVAYA

  • Rogério Alves - 22 abr 2016

    Ótimo texto

    • Márcio Rossetti - 25 abr 2016

      Com certeza, Rogério!

  • Marina Moreno - 2 maio 2016

    Que Lindo May! Adorei!

    • Bianca Vita

      Bianca Vita - 2 maio 2016

      Que bom que gostou :)

  • Flavia - 15 out 2016

    Sou sua Fã! Tenho voce Como uma amiga que nunca cheguei a encontrar! O dia dia no snap faz isso. Rrssss beijos querida, continue assim Plena.

  • Flavia - 15 out 2016

    Sou sua Fã! Tenho voce Como uma amiga que nunca cheguei a encontrar! O dia dia no snap faz isso. Rrssss beijos querida, continue assim Plena.

    • Mayara Beckhauser Amaral

      Mayara Beckhauser Amaral - 17 out 2016

      Que linda, muito obrigada pelo carinho. BeijOM da amiga :)

  • mi

    mi - 9 fev 2017

    May você foi muito feliz em compartilhar conosco essa experiência ,e eu mais feliz ainda porque me identifico e pratico , bom saber que ando praticando o certo."A felicidade ( e por que não o perdão e o amor ) só é real quando compartilhada", disse theoreau. muito obrigado,vcs todos me ajudam a crescer muito, todos os dias ...Gratidão , namastê

    • Daniel De Nardi

      Daniel De Nardi - 10 mar 2017

      Que bom que você está acompanhando e gostando do nosso material Mi!!!

  • michelle

    michelle - 9 fev 2017

    May você foi muito feliz em compartilhar conosco essa experiência ,e eu mais feliz ainda porque me identifico e pratico , bom saber que ando praticando o certo."A felicidade ( e por que não o perdão e o amor ) só é real quando compartilhada", disse theoreau. muito obrigado,vcs todos me ajudam a crescer muito, todos os dias ...Gratidão , namastê

  • Juliane Pacheco Paim - 17 fev 2017

    Muit bom o texto! Grata pela oportunidade de uma leitura Repleta de autoconhecimento!

    • Daniel De Nardi

      Daniel De Nardi - 10 mar 2017

      Obrigado Juliane!

  • Gisele Tridapalli - 13 out 2017

    Adorei!!! Tentando praticar a compaixão em algumas situações difíceis. Muito esclarecedor! Obrigada!

  • Shuamy Guimarães - 29 mar 2018

    Adorei. É algo que preciso muito aprender (novamente) a perdoar, não só o outro mas, a mim mesma.