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Podcast de Yoga


Podcast de Yoga | 31 dez 2017 | Daniel De Nardi

Mensagem para 2018 – Podcast #48

Mensagem para 2018 - Podcast #48   Final do ano está chegando. Gravei uma mensagem para 2018! Feliz ano novo!   Links   Texto sobre Saint Petersburg, cidade onde o ballet Quebra-Nozes foi encenado pela primeira vez Playlist da série Reflexões de um YogIN contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Transcrição: Mensagem para 2018 – Podcast #48   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 48º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito de espiritualidade, trazendo temas a respeito do yoga e da Índia para entender questões do mundo em que a gente vive. Hoje eu estou gravando o último episódio de 2017, o podcast nasceu em janeiro de 2017, então esse anos, especialmente pra mim, foi um ano de muito crescimento em termos de produção de conteúdo e de desenvolvimento de ideias porque uma coisa muito boa que a produção de conteúdo exige é que a gente busque informação, busque conteúdo, aumente o próprio repertório para depois ensinar. E isso também está relacionado a questões espirituais, com as questões de melhorias internas que você quer desenvolver para transmitir, é como se fosse quase como uma obrigação ler e estudar para conseguir produzir um conteúdo de qualidade. Da mesma forma, a auto-observação e aquilo que você está propagando, você que é professor de yoga, não se pode dizer da boca pra fora, tem que se viver aquilo para que não parece algo falso e não vai impactar as pessoas. No meu caso, tudo que eu venho estudando e ensinado aqui no podcast são coisas que eu venho aplicando na minha vida pessoal e no meu desenvolvimento pessoal. Então esse ano, por ser todo esse desenvolvimento em 48 episódios, foi de muito crescimento espiritual e intelectual pra mim, além receber feedbacks positivos das pessoas que dizem gostar do conteúdo do podcast e que usam aquilo que u falo para melhorar as suas vidas, usando os conceitos que aqui são abordados para se viver com mais felicidade e menos angústia e sofrimento. Como é final de ano, é muito normal as pessoas quererem fazer planos e objetivos com ações muito bem planejadas. Acho importante buscar objetivos, isso nos mantem mais alertas e vivos porque estamos em busca de algo, mas eu não mantenho nenhum tipo de expectativa em relação aos planos. Plano é uma linha e ele não ai acontecer exatamente como você planejou, então se você colocar toda a sua atenção e propósito em cima de um objetivo muito específico, certamente isso irá gerar algum tipo de frustração. É comum as pessoas fazerem promessas de final de ano em relação a quanto irão ganhar de dinheiro ou quanto irão emagrecer no ano seguinte, no decorrer do tempo essas promessas acabam não se realizando essas promessas não concluídas acabam por gerar algum tipo de frustração. Não é ilegítimo ter algum tipo de objetivo, ele vai te estimular a viver e a agir por aquilo que você acha importante, mas projetar a sua felicidade vai gerar algum tipo de angústia porque o objetivo, mesmo quando alcançado, se transforma em outro objetivo, e em outro, e em outro. Quando se projeta a realização em cima de objetivas, se sujeita aos acontecimentos externos, da natureza como um todo. Muitas vezes um fator histórico pode te impedir de alcançar um objetivo e, então, você fica frustrado por algo que você não tem nenhum controle. A minha proposta para esta mensagem de final de ano é que, ao invés de a gente buscar objetivos, que a gente passe a aceitar o que a gente já tem e já é em 2018. Seria muito mais prazeroso se você aceitasse o seu padrão de vida, trabalhasse para melhorá-lo, mas não ficasse angustiado com o que tem. Da mesma forma o seu corpo, você irá trabalhar para melhorá-lo, a saúde é um dos indicadores muito importante observados pelo yoga, mas tornar esse cuidado algo neurótico em cima da busca por uma peso ideal, isso irá criar frustrações. É muito mais fácil aceitar o que já tem e não buscar algo externo que não tem fim, que irá se desdobrar em muitos outros objetivos. Isso pode ser vivenciado, mas como ponto final irá gerar frustrações. Esta é a minha mensagem de final de ano, do último podcast do ano. Aceite mais, aceite melhor quem você é, o que você tem, e deixe de lado aquilo que você não tem, o que você não é. Se as mudanças forem acontecendo, em decorrência de ações, mas não se pode projetar a uma experiência em sobre um objetivo externo. É bem mais inteligente se voltar pra dentro e aceitar aquilo que já existe, que já é real. Um excelente 2018 para todos, espero continuar produzindo semanalmente o podcast neste próximo ano. O episódio 52 terá completado um ano de podcast, então estamos quase chegando em um ano, que seja m ano pleno de realizações e de encontro com o que você já é. Para finalizar eu vou deixar trecho da música “Quebra-nozes”, que é trilha do ballet homônimo, de Tchaikovsky. Quem estiver acompanhando pelo YogIN App, vai conseguir acompanhar os trechos do ballet. Essa peça é muito famosa, ela se passa no dia do natal, uma menina ganha um presente que ganha a vida e começa a se construir um mundo de fantasia. Ela sempre encenada em salas de concertos pelo mundo na época do Natal, quem nunca assistiu, é uma experiência que vale a pena, toda cidade tem uma apresentação de “O Quebra-nozes” nesta época do ano. Tchaikovsky fez só a trilha sonora, que estreou em 1898 em São Petersburgo (vou deixar um texto sobre a cidade que escrevi há algum tempo atrás). Tenho bastante interesse em conhecer a cidade, até porque foi um grande centro de produção de cultura na Rússia, no século XIX, grande gênios saíram de lá (Dostoievski, Tolstói...). No ano que vem o Brasil irá jogar algumas partidas da Copa do Mundo em São Petersburgo, então certamente vamos saber um pouco mais sobre esta cidade. Com você, Tchaikovsky com “O Quebra-nozes”, um feliz 2018, uma feliz passagem. Quem já está ouvindo este podcast em 2018 lembre-se: entender e aceitar quem se é, é muito mais inteligente do que buscar o que está fora de sim. ohm shanti shanti om!

Podcast de Yoga | 12 jul 2018 | Daniel De Nardi

Uma Proposta para a Educação – Podcast #75

Uma Proposta para a Educação - Podcast #75 Nesse episódio falo de uma ideia para melhorar a educação no Brasil.     Links   Computers 4 Africa, ong que faz esse trabalho na Africa      https://youtu.be/ZXTDZwFLa3U   Trecho do 1º episódio da série de aprofundamento no Yoga   https://youtu.be/qSkTpqee6XM     Inscrição para a série de Aprofundamento no Yoga  

Podcast de Yoga | 19 jul 2018 | Daniel De Nardi

A Trilogia de Aprofundamento no Yoga – Podcast #76

A Trilogia de Aprofundamento no Yoga - Podcast #76 Hoje vamos falar pela série de 3 vídeos produzidos pelo YogIN App para quem quer conhecer o Yoga mais a fundo. Produzimos uma série com 3 vídeos que trataram respectivamente do: 1º O Yoga na Índia; 2º o Yoga no Ocidente; 3º A Profissão de Professor de Yoga No 76º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo vamos falar sobre como a série foi montada e a importância do contexto no processo de aprendizado.   LINKS   Inscrição gratuita para série de vídeos de aprofundamento no Yoga Uma Proposta para a Educação - Podcast #75 Curso de Formação de Yoga Filme O Diabo Veste Prada Teoria dos Códigos Grupais Gino Bartali Marco Pantani        

Podcast de Yoga | 11 set 2018 | Daniel De Nardi

Conversa sobre Tantra com Pedro Franco e Mayara Beckhauser

Conversa sobre Tantra com Pedro Franco e Mayara Beckhauser - Podcast #31 O 31º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo será diferente por vários motivos, mas o principal é que essa é a primeira entrevista da série. O entrevistado será Pedro Franco, yogin e fundador da Premananda Yoga School. Pedro é um dos professores do Curso de Formação do YogIN App. Ele vai conversar com a May Beckhauser sobre um tema polêmico entre os yogins, o Tantra. Bons estudos! Links   Como fazer um review do YogIN App - https://youtu.be/uP0PKfRLr6A https://youtu.be/uP0PKfRLr6A   Documentário sobre Dinastia Gupta - https://youtu.be/j0kLX2aPgo8 https://youtu.be/j0kLX2aPgo8   https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/ Transcrição do Podcast #31   Uma Conversa Sobre Tantra – Podcast #31 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 31º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje a gente vai ter algumas coisas diferentes dentro da série, a primeira delas é que eu vou pedir um review, então a gente nunca faz este tipo de solicitação aqui, nunca havia pedido um review aqui, mas tem duas coisas: primeiro não dá para negar que é importante pra nós para o aplicativo ser bem colocado e isso depende de como o aplicativo está sendo visto, então se as pessoas estão gostando, isso é um ótimo indicativo para a gente aparecer, quando a pessoa busca seja no Google Play ou na Apple Store yoga ou meditação, a gente aparecer lá. Isto é muito importante pra gente, fazer com que o YogIN App seja mais conhecido para quem tem interesse, mas isso depende, obviamente, de a gente ter um bom serviço para quem está usando; o segundo ponto que é importante para nós é efetivamente saber a opinião dos usuários, saber se as pessoas estão gostando ou não, a primeira dica vai ser esta, eu gravei um vídeo simples explicando como fazer um review, a segunda delas é que hoje não vai ter uma explicação em cima da parte musical, como sempre faço, porque o episódio de hoje é um pouco mais longo, mas começa com uma música sendo tocada pelo entrevistado, que é o Pedro, e esse é o terceiro ponto, terá uma entrevista da Mayara com o Pedro Franco, esta entrevista era parte e ainda é uma das aulas dos nosso curso de formação, então é uma entrevista muito rica e com muito conteúdo para quem quer estudar mais este movimento do tantra. Vou apenas fazer uma introdução ao assunto porque ainda não tratei aqui por uma questão cronológica, mas a gente está começando agora a chegar – se formos seguir uma linha do podcast – no movimento tântrico. Quando se fala de tantra, pode-se ter o Nath sampradaya, que é um movimento do Nathas que era um grupo que dizem que Patanjali era um desses membros, então, o yoga como um todo, tanto a parte de Patanjali, é fruto desse grupo que são os Nathas que depois deram origem ao Hatha Yoga, mas historicamente tem mais indício de que o tantra tenha surgido um pouco mais pra frente e começa a ganhar corpo a partir da dinastia Gupta, que já falei aqui em alguns episódios, e esta dinastia trouxe uma coisa muito boa para a Índia que foi a popularização da cultura. Então, até aquele momento, a dinastia Gupta começa a se desenvolver no século II e III, eles era hindus e favoreciam a liberdade de expressão, de religião, então muitas culturas se integraram durante este período, o próprio budismo, o jhayanismo, yoga, então tudo foi fomentando uma cultura que, a partir daquele momento, todo mundo começou a poder produzir conhecimento, cultura. Até então, a cultura indiana era produzida pelos Brâmanes, e o movimento do tantra é libertador neste sentido, de todos poderem produzir cultura, então nisto entra a parte da música – o Pedro vai fazer uma introdução com a música, vocês vão ouvir, não é nada muito elaborado, mas a música faz parte do movimento tântrico. O tantra não foi algo pontual, ele é um movimento como qualquer outro, assim como o Iluminismo influenciou as artes, a política, a ciência...e o tantra surge como um movimento de liberdade, de todos os indivíduos alcançarem a libertação, e isso vai abrindo um campo muito fértil para uma investigação do corpo, e aí começa a surgir as primeiras técnicas de asanas e as técnicas do Hatha yoga que surgem neste movimento do yoga, um movimento de liberdade, que todos podiam atingir a libertação e que o poder estava no corpo, no próprio indivíduo. Até aquele momento, era valorizado muito as escrituras, mas a partir dos séculos II e III começam a construir textos dizendo que o corpo era essencial para a libertação, para que a busca espiritual se efetivasse era necessário algum tipo de desenvolvimento na parte corporal e, a partir desse movimento, surge várias linhas e várias visões do Tantra. Mas o Tantra não está relacionado ao sexo como é vendido no ocidente, isso é uma parte pequena, porém não existe técnicas de sexo de várias horas, não é por aí, o sexo entra como um processo de observação, de reeducação, como todos que eles faziam, com o intuito de libertação, isso faz parte do Tantra, o Pedro vai falar sobre isso. Não vou estender muito a explicação porque a ideia de hoje é de ver as ideias da Mayara e do Pedro Franco, que é um professor muito importante aqui no Brasil, há diversos professores que fazem a formação com ele, ele é um dos professores convidados da nossa formação, ele dá esta aula e mais uma outra e também tem aula dele no YogIN App, quem quiser é só acessar, procurar pelo professor e terá um aula dele, é curta, porém é interessante para conhecer o trabalho dele. Fiquem agora com o Pedro Franco e com a Mayara, em um podcast de entrevista, que é o primeiro de entrevista da série “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, mas eu tenho a intenção de fazer outras entrevistas, inclusive esta semana eu faria com uma especialista em mitologia. Não deu certo, mas vamos gravar várias entrevistas e trazer outras opiniões a respeito do yoga, para que aprendam, conheçam mais e saibam o quanto é vasto o conhecimento do yoga, que não é apenas sentar, fazer um alongamento, uma meditação e acabou, o yoga é fruto de um conhecimento que vem há cinco mil anos ganhando corpo na Índia e a gente faz parte deste movimento à medida que a gente estuda, pratica e gosta desta forma de entender o mundo, dessas ideias que nos ajudam a entender melhor. Boa entrevista pra você e nos vemos na semana que vem. Namastê!   Mayara: Namastê Pedro! Pedro: Namastê! M: Deixe eu apresentar, Pedro Franco, pra quem já é praticante de yoga, já é um estudante sério, nem precisa de apresentação, o Pedro da aula há quantos anos? P: 24 anos. M: 24 anos. Uma honra, sintam-se muito honrados que o Pedro está dando esta super aula na nossa formação como professor convidado, e o tema de hoje é Tantra. Vamos começar falando, Pedro, fazendo as perguntas mais básicas que é: O que é Tantra? P: Tantra, traduzindo para o sânscrito, literalmente, significa instrumento para expansão, mas também significa os textos desta cultura Tantra. Quando você fala “Isto é um Tantra” é também um texto esta cultura Tantra, que faz parte do hinduísmo, mas não se fechou ao hinduísmo, o movimento tântrico se expandiu também na Ásia para outras culturas como o Budismo, e é uma forma de filosofia de vida na qual o dono de casa, a pessoa comum tem esse caminho como espiritual, não necessariamente precisa virar um monge ou um celibatário para ser um praticante do Tantra. M: Isso é muito legal, né Pedro?! Porque eu recebo muitas perguntas de pessoas que falam como se concilia a jornada espiritual e evolutiva com o dia-a-dia de pagar conta, de viver e do mundo material, né? Mas eu falo, isso faz parte, a gente também tem matéria no nosso corpo, a gente vive neste mundo. Então fala um pouco mais sobre colocar o Tantra como um caminho de vida sem, necessariamente virar um monge, virar um desapegado e morar numa montanha. P: Este mesmo quest, esta mesma questão que você está levantando também aconteceu com o movimento cultural na Índia, que originou o Tantra. Até então, até o século III, IV desta Era, a forma de yoga praticada e disseminada era a forma clássica de Patanjali, na qual o corpo é um obstáculo, é entendido como um obstáculo para o caminho espiritual, então as práticas eram focadas em suprimir o sensorial do corpo para se alcançar o... M: Os prazeres, né? P: ...os prazeres e tudo ligado ao sensorial para se alcançar o samádi que é a iluminação. E o Tantra, veio do movimento do Shaivismo da Kashmira, que é um movimento dos seguidores de Shiva como consciência, não Shiva como um deus azul, numa forma humana, mas entendendo Shiva como uma forma cósmica, universal, não antropomórfica como a gente também conhece Shiva, como tem referências de Shiva. Esta forma de Shaivismo veio como o não dualismo, como a forma central do Shaivismo, que, até então, era completamente dual a cultura hindu, na qual o yoga também é parte, um dos Darshanas, especialmente... M: Eles tiveram esta aula dos darshanas... P: ...esta parte do yoga de Patanjali, mas até então, as pessoas rezavam, invocavam Shiva como algo separado, ou Krishina ou qualquer outra forma divina como algo separado do indivíduo. E aí o Shaivismo vem e ensina que se você chama Shiva, você chama o que você é, que é a sua essência... M: Uma divindade também... P: Que é consciência manifesta da forma humana. E aí o tantrismo veio desta forma de pensamento, que não se encaixa dentro da forma tradicional hindu. Então, o tantrismo foi marginalizado neste sentido, porque não se encaixava dentro dos moldes patriarcais e nem classicistas do sistema de casta da Índia. Começou a abrir o caminho espiritual para todas as castas e também para os sem castas. O sistema clássico védico abraça essa visão de casta, e o tantrismo veio, como o budismo também – são movimentos mais ou menos contemporâneos, especialmente o budismo tântrico, aconteceu concomitante ao tantrismo do hinduísmo, então foi um momento de revolução, tá? Eles tem coisas em comum... M: É uma ruptura, né? Mas, por outro lado, eu já ouvi que depois de Patanjali, por volta do século III, quase houve um resgate do tantrismo, que o Tantra... P: Isto é uma teoria que o De Rose levanta e que não há provas arqueológicas como textos, por exemplo, documentos que mostrem isso. M: Que mostrem que o Tantra já era mais antigo. P: Existem sim...há sinais arqueológicos de pessoas que tinham uma forma de ritualística similar ao tantrismo dessa época (século IV e V), mas não há nada escrito como “Este é um movimento tântrico”, essas práticas não existem. Existem sinais de organização, de civilização, de cidades... M: Homem Jodário, quando eles cavam que acham, né? P: Exatamente, mas não tem nenhum texto, nenhum autor dessa época. Então como eu trabalho de uma forma alinhada com comprovação acadêmica, pesquisas, prefiro dize o que é de fato... M: Era uma dúvida até minha que eu estava te perguntando, muito legal. P: Tem sinais...na verdade, essas culturas influenciaram, assim como o yoga clássico foi fundamental e influenciou o Tantra. O yoga clássico ensina o caminho da meditação, o caminho para a meditação com a prática central, o Tantra também, mas o Tantra criou tecnologias que fazem a transição, que criam um ponte para se chegar a meditação, porque muita gente, a maior parte... M: Quais seriam essas ponte? P: ...a maior parte das pessoas não tem a mente preparada para sentar e meditar, não foram educadas mentalmente, emocionalmente para entrar neste estado de paz, de presença, então o Tantra trouxe estas tecnologias – técnicas tântricas – que a gente chama de yoga hoje em dia, tudo o que é yoga, na realidade hoje em dia na maior parte, se não for meditação, veio do Tantra, mas as pessoas perderam essa raiz, essa referência, mas as práticas em si para se chegar a meditação. No Tantra a gente classifica as práticas como Prática de Shiva, Pratica de Shakti. Prática de natureza de Shiva, meditação. Práticas de natureza de Shakti, tudo o que mexe com a energia. Yoga asana, pranayama, mudra, kriya. O que quer que seja que você faça e que esteja trabalhando nesta dimensão de Shakti, de energia vital, de vida, é prática de Shakti.  Então, aí criou-se as escolas de Shaktismo, apesar de continuar a ter essa visão não dual de Shiva e Shakti juntos, elas foram classificadas como escola de Shaktismo, de Shaktas, porque eles focam, focavam – porque hoje em dia nós focamos – nos trabalhos de energia ao invés de focar só na meditação. A gente faz todo um trabalho de preparação física usando os yoga asanas, abrindo os meridianos, fazendo pranayama para equilibrar a bioenergia do corpo e despertar o que a gente chama de Kundalini, que também é um tema bem vasto pra se discutir, só para esclarecer, para se chegar no Shiva, que somos nós... M: Sim. P: ...Então, o Tantra se baseia nisso e tem várias escolas, existiram várias escolas e o que a gente tem de documentação acadêmica relacionada a essas escolas, são nove escolas, que vão do lado mais esquerdo, mais subversivo, mais marginalizado, mais feminino até o lado mais masculino, direito, mais estruturado no sistema de castas também. A mão direita do Tantra, na realidade não é só similar com a cultura védica e com a organização social, cultural, como é propriamente isso, eles estão juntos. Tem cordão Brâmane, que são os sacerdotes dessas linhagens, tem toda essa forma védica cultural usando o Tantra e usando as prática de Shakti também, mas de um forma mais simbólica, dizendo assim. As práticas de mão esquerda são práticas literais, tanto simbolicamente como literalmente levam a gente para o mesmo ponto. E o que é maravilhoso do Tantra é que não exclui, não se exclui nenhum perfil, não se exclui nenhuma pessoa, nenhuma classe, então se você é mais da direita, um neoliberal, você tem o braço direito do Tantra e se você é um esquerdista, um real esquerdista, um Shaktista, feminista, você vai para a mão esquerda. E você tem um caminho para chegar no mesmo ponto no final, seja na direita ou na esquerda são só as pontes, a forma de navegar é que difere, mas o fim em si é o mesmo, é Shiva. E Shiva, novamente, não como um deus antropomórfico azul, nem só como destruidor, transformador que recita o universo, mas também como consciência do que nós somos. O Shiva do tantrismo é o estado de identificação, de reconhecimento do ser. E aí também se assemelha muito com o Vedanta, no sentido deste trazer o conceito de Shiva como bramam, esse conceito do infinito, da consciência com outro nome. Mas vou fazer um paralelo pra vocês entenderem um pouco mais... M: Sim, até também esse conceito que é muito bonito, que até se quiserem um dia darem uma pesquisada pelo YouTube, de Shiva e Shakti como criação do universo, como se no início tudo fosse Shiva, e Shakti fosse a energia criadora que, vamos dizer, você é a energia que proporcionou o Big Bem, como se fosse misturar um lado espiritualista com uma coisa cientifica, a explosão do Big Bem, que seria essa junção de Shiva e Shakti numa coisa só. P: Na verdade, o que eu estou falando sobre as práticas, isso é um microcosmo do macro. O Shaivismo veio desta visão do Big Bem, não é da visão de Shiva antropomórfico, é o Shiva como consciência que origina o universo, Shiva e Shakti – como você me perguntou sobre o Tantra, não parei tanto para falar sobre o Shaivismo que é esse movimento que justamente fala sobre o macrocosmo e traz para o indivíduo, nós somos a consciência e não precisamos rezar pra fora para encontrar o que está dentro, basicamente isso, e o que está fora, nesse sentido, é essa criação de Shiva e Shakti. O tantrismo pegou esse conhecimento, desse macrocosmo do universo e desenvolveu práticas, técnicas, para trazer essa experiência para o indivíduo sem necessidade de intermediário. Sim, existem professores, existem gurus na linha de tantrismo, de Tantra? Existem, mas o verdadeiros gurus e professores ensinam os alunos a serem autônomos, a caminharem com as próprias pernas, a não serem dependentes. Tem toda a questão cultural da Índia, que é respeito, que também influenciou o movimento tântrico ao professor ao guru, que a te ensina, que compartilha o caminho, mas os professores que eu mais admiro são aqueles que... M: Quem empoderam... P: ...que empoderam os alunos e liberam eles até da dependência do próprio professor. M: Concordo completamente. P: E aí o Tantra trabalha com isso, trabalha basicamente, principalmente, com as práticas de natureza de Shakti, porque são práticas dinâmicas para se chegar ao estado de meditação de Shiva. Dentro dessas práticas de Shakti como já mencionei, yoga asana, pranayama, mudra, kriya..., são todas práticas que vão nos levar a este estado de ser simplesmente. Mas também tem a questão de você estar – uma vez que você acorda, desperta para esse estado – fazendo a sua meditação dinâmica, no ato de comer, no ato de caminhar... M: Estar presente, né? No sentido de estar presente... P: ...de estar presente em tudo quando você se identifica, se reconhece como Shiva, e eu estou usando esse nome Shiva, mas não quero que vocês se prendam ao nome, eu uso o termo como consciência puramente. Então se identificando com a consciência, estando presente, você entra num estado dinâmico de meditação. Assim como também a parte sexual, a parte sexual é uma parte que é importante, porque trabalha com a parte criativa, é o ponto energético em que a energia criativa se manifesta originalmente, então tem uma importância a se trabalhar, mas não é a única forma de se pratica Tantra, não é a única forma de se desenvolver o Tantra como o ocidente de certa forma entendeu por conta de um praticante no século XIX que trouxe essa ideia para ocidente, até então muita gente tem essa ideia equivocada. M: Eu ia te fazer essa pergunta, de onde que vem essa analogia, falou de Tantra a pessoa tem essa conotação sexual? P: Por conta desse Bernard, eu me esqueci o sobrenome dele, mas é um americano que trouxe para São Francisco no final do século XIX o Kama Sutra, ensinando técnicas do Kama Sutra como Tantra. Ele entendeu que fazia parte do Tantra, mas o que ele trouxe por uma questão de identificação dele, de necessidade dele e também de sentir que era uma necessidade da nossa cultura que é de se trabalhar a sexualidade, trazer essa forma prática, desenvolver e educar a sexualidade com essas tecnologias, mas ele limitou, só isso. E o Tantra é um universo vasto, é um lifestyle, é um estilo de vida, em qual engloba, também, como você lida com a sexualidade, é um estilo de vida no qual o aprimorar é o carro chefe de tudo. Então, você quer aprimorar como o seu corpo físico funciona, você quer aprimorar como o teu corpo físico funciona, você quer aprimorar como a sua energia flui, você quer aprimorar como os seus órgão funcionam, você quer aprimoram como a tua mente funciona, você quer aprimorar como a sua vida sexual funciona, entendendo essa energia sexual como um ponto de energia criativa, que vai se desdobrar em outras formas, devemos sim trabalhar. M: Claro! P: E aí a questão... M: E essa visão e tão bonita, né? Pra ter se tornado...às vezes ter gente que coloca tão feio...né? ... P: Aí é um problema nosso cultural, social, de trauma, de repressão... M: Sociedade reprimida, né? P: Reprimida, traumatizada. Então eu vejo que sim, as práticas sexuais não só são importantes, mas são uma necessidade para a nossa sociedade e cultura que estão traumatizadas, porque traz a cura, mas tudo depende de como você trabalha com essa energia, de qual é a sua intenção. Muita gente acaba virando o lado da moeda, da repressão, do trauma, acaba virando um abusador, e isso é muito comum, você vira nessa moeda, ao invés de se liberar da dualidade daquele trauma, você só enfatiza a dualidade do lado contrário da moeda, então muitas pessoas que acabaram trabalhando com o sexo de forma tântrica, ele acabaram virando abusador pela atração pelo poder que isso traz. Poder sobre ao outros, poder sobre essa energia, e isso gera apego, isso gera aprisionamento, isso gera mais sofrimento, né? Então a gente tem que ter muito discernimento. M: Sim. Mas a questão da intenção, e eu já falei em algumas aulas minhas também, SanKalpa muda tudo, a intenção que você coloca para determinada técnica é isso, é o jogo da moeda, se coloca essa vontade de poder, o que vai acontecer é o que você falou de abusador, agora você coloca...dominar a si mesmo é tão mais importante do que dominar aos outros, é um poder tão maior, mas é a tua intenção. P: O SanKalpa, a intenção, permeia tudo no Tantra, essa atitude, esse reconhecimento da consciência, a gente precisa exercitar a mente para tal, a gente não foi educado e programado para isto. Então o SanKalpa é a prática mental de estar se colocando receptivo para este estado de Shiva de consciência de presença. E eu vejo que o desafio hoje em dia, além dessas questões todas que a gente está levantando, é que a gente tem tanta distração, a gente tem tanta desculpa para não estar presente, as coisas são tão programadas para nos tirar da presença, do estado de presença, então eu vejo que o Tantra na realidade, assim como ele evoluiu – ele vem evoluindo, não nasceu pronto, ele veio do Shaivismo e aí foi desenvolvendo prática e técnicas de acordo com as necessidades daquela época. M: De cada época. P: De cada época, de cada tribo, de cada cultura, de cada braço do Tantra. M: Como acontece com o Yoga também, né? Tem gente que critica... P: E como se desenvolveu e foi evoluindo até se transformar em Hatha Yoga. Então, o que a gente conhece como Hatha Yoga é o que sobrou do Tantra. M: Ah é? P: É, porque devido as invasões na Índia, especialmente a invasão mulçumana na Índia, eles são patriarcais e não aceitavam o Shaktismo, que é uma visão de ser louvador da deusa, as escolas de... M: Tem o culto a Grande Mãe, né? P: O culto a Grande Mãe que na verdade são vários cultos, há diferentes aspectos [inint. 28:08] dessa nova escola, né? A gente fala o culto da Grande Mãe como a mais famosa, mas tem várias escolas que, inclusive tem algumas que a gente nem consiga ter acesso a elas porque destruíram completamente esta cultura. Então eu e mais uma meia dúzia de escolers no mundo, a gente tem como Dharma pesquisar, estudar e compartilhar este conhecimento e desmistificar. O Tantra, por ter sofrido perseguição e destruição quase que completa dessa cultura, assim como o budismo também – porque o budismo trazia liberdade para o indivíduo, o Moksha, que no Tantra também traz dentro da escola, da atitude, como uma forma a se seguir, que é a liberação, o budismo também fazia isso só que de uma outra forma. Então pra quem quer o poder sobre um indivíduo, a libertação não interessa, e a forma como eles lidaram com esta cruzada também com o Shaktismo era desmembrando os praticantes, os adeptos do Tantra. Se fosse era pego estudando, ensinando, praticando formas tântricas de yoga, eles amarravam você em dois elefantes, os membros direitos num elefante, os membros esquerdos em outro, e separavam você. Então a cultura foi destruída. E todos os textos que eles achavam, destruição, queimaram os textos, então o que sobrou, na realidade, era o que não estava nas rotas de comércio. Graças a lugares mais ermos que tântricos acabaram fugindo e se escondendo que a gente pode ter acesso a esse conhecimento na atualidade, fazer esses estudos e conectar essa essência e ter um entendimento dessa cultura, criar uma ponte com as necessidades dessa contemporaneidade que a gente vive, das nossas necessidades do dia de hoje, como a gente vai desenvolver a prática hoje em dia. Então o Hatha yoga... M: Isso que eu ia falar, puxa de novo Hatha Yoga. P: O Hatha Yoga faz parte desse processo, então hoje em dia as pessoas praticam várias formas de yoga que vieram do Hatha Yoga, o Hatha yoga é como se fosse o começo das escolas, o que se originou. Na verdade o Hatha Yoga é o que sobrou do Tantra, das práticas de Shakti, das práticas... M: De mexer com a energia. P: De mexer com a energia, inclusive você vê no texto mais referência de Hatha Yoga que é o Hatha Yoga Pradipika, ele fala muito sobre Kundalini e Shakti, mas ele fala muito sobre Raja Yoga e Patanjali. E quando se começa a estudar a história do yoga, e a cronologia da história você vê que sim, teve a influência do yoga clássico no Tantra e no Hatha Yoga, mas você vê que esta influência foi enfatizada no Hatha Yoga porque tem alinhamento com uma visão patriarcal e dualista versus o louvor a mãe, a deusa, a Kali, a Lakshmi e de uma forma não dual. M: E tanto que no Yoga Sutra, no sutras de Patanjali, ele nem fala sobre asana, ele fala de quatro asanas pra meditação e só. P: Sthira Yoga Asana, Sthira Sukham Asanam, que é: o asana deve ser confortável, firme e confortável e sentar para meditar. M: Ele não se aprofunda em nenhum asana como o Hatha Yoga Pradipika que em forma de sutras também coloca, é... P: Eu não quero também que as pessoas me mal compreendam, e que eu esteja falando que o yoga clássico não é bom, é ótimo, na realidade ele fez parte do que influenciou o movimento do Tantra, mas ele é anterior, e o que eles faziam anteriormente é uma prática austera de meditar três anos na caverna, de ficar doze anos numa perna, que é um estilo de vida que, de repente, essas formas de prática faziam mais sentido, o corpo era tratado como um obstáculo a ser transcendido, na visão tântrica entendeu-se que trabalhar com o corpo como um veículo, como um templo, traz diferentes resultados e também ajudar a chegar na mesma meditação que se chega praticando yoga clássico. M: Talvez até mais rápido, né? P: Eu prefiro até nem falar se é melhor, se é pior, se é mais rápido e cada um tira a sua... M: Mas talvez para o nosso estilo de vida de hoje em dia... P: Eu sou completamente suspeito... M: ...o yoga clássico não se encaixaria para um estilo de vida hoje em dia. P: Totalmente não se encaixa, mas a gente tem na nossa cultura algo que a gente se identifica que é “o que é mais tradicional é melhor”, “ah o clássico, isso é clássico, isso é tradicional”. M: Sim P: Então, quando a gente coloca esses termos, esses prefixos quando a gente comunica, a gente dá mais valor, dá mais credibilidade. E o Tantra, na realidade, não tem esses prefixos porque é um movimento que foi marginal, foi marginalizado, foi revolucionário e até hoje não é muito bem aceito na Índia, porque a Índia, onde o hinduísmo é berço, acata o sistema de castas... M: E ela é muito patriarcal, né? P: Muito patriarcal e muito repressora, então assim, o yoga clássico de Patanjali é aceito porque se encaixa naquela cultura, mas o tantrismo não é mais, já foi. No movimento do Shaivismo até os tempos do Hatha Yoga, o tantrismo e o budismo imperaram na Índia, até que invasão mulçumana, e a própria cultura védica patriarcal, suprimiu, empurrou pra fora, destruiu. Então se você vai pra Índia hoje em dia e pergunta sobre o Tantra – hoje em dia está mudando um pouco porque está voltando do ocidente pra lá o conhecimento tântrico, fazendo um caminho inverso – as pessoas que são nativas de lá não falam, tem medo de falar mesmo que saibam onde é que é, porque ainda é marginalizado, ficou tão forte isso lá. Então hoje em dia é até mais fácil você achar vivências, retiros, conhecimentos do Tantra na Califórnia, nos Estados Unidos, do que na própria Índia, especialmente que na Califórnia se tem uma concentração maior de professores que seguem esse pensamento. Assim como eu e essa meia dúzia de escolers, a gente tem vários alunos que estão seguindo essa forma de pensar, essa linha de pensamento e como aplicar essas técnicas alinhadas com essas formas de pensamento. M: Tem algum grande nome atual do Tantra na Índia de algum guru ou não? P: O último nome, assim, grande de Tantra foi Osho. Ele também, da forma dele – assim como todos os tântricos que são grandes professores, pegam o conhecimento que foi adquirido, desenvolvido ao longo dos séculos e eles expressam, manifestam, compartilham de uma forma a se adequar as necessidades da atualidade. Então Osho fez isso brilhantemente e de uma forma, também, bem polêmica. M: É, eu adoro os livros do Osho, mas eu, por exemplo, não iria para o retiro dele, pra Ashram. P: Nem eu, mas por exemplo os alunos dele, que estudaram com ele, hoje em dia estudam comigo, muitos deles. Então eles tem uma escola, um centro no Brasil, que é a Escola de Mistérios do Osho, que o Osho os mandou pessoalmente para o Brasil para construir uma escola de mistérios, que é o braço que trabalha com os estudos xamânicos, que o Osho fez isso maravilhosamente bem, como um sistema... M: Seria direita ou esquerda esse Tantra. P: Na realidade, o Osho é mais da esquerda, mas ele entendeu também que não se pode excluir pra ser tântrico, então ele criou vários braços. “Ah, então você está precisando de mais de meditação, você vai nesta escola de meditação”, “Se está precisando mais de um trabalho de catarse, você vai fazer as meditações de Kundalini”, “Se você está precisando de um trabalho sexual, você vai fazer um trabalho sexual do Tantra”, “ Se está precisando de xamanismo, você vai ter o trabalho de xamanismo”, “Está precisando trabalhar com artes criativas,  vai pintar, vai dançar, vai cantar...”, então ele criou  essas várias formas e direcionava, “como você escolhe um mantra” para o aluno, ele escolhia a combinação do que cada um precisava para se trabalhar e treinou pessoas para fazer o mesmo. Então os professores que seguem a visão do Osho... M:  E escreveu muito, né? P: E escreveu muito e na realidade eu até gosto mais do material literário, do que ele escreveu, do que realmente as práticas em si. Mas isso é uma perspectiva minha de prática. Mas o que acontece, por exemplo, com Osho, os alunos dele, a partir do momento em que ele se foi, saiu da forma física, eles continuaram praticando o que aprenderam e tendo ele como professor. Recentemente eu entrei em contato com essa Egrégora, com essa Kula, como a gente fala no Tantra, e eles começaram a praticar comigo e abriram o centro deles para fazer o meu retiro. Então o meu principal retiro no Brasil é no centro do Osho, é numa escola de mistérios o Osho... M: Que bacana! P: Chamada Osho Lua. M: Sim, que é na Chapada... P: Que é na Chapada do Veadeiros. M: Muito bacana! P: E que a gente faz uma combinação lá de tantrismo com xamanismo. É uma fazenda de plantas medicinais, a gente faz uma jornada opcional xamânica pra quem quer, pra quem precisa, a gente tem uma avaliação prévia pra se alinhar com as técnicas de Shakti, de Shaktismo da energia, que a gente trabalha como uma forma comum no Tantra. M: Sim e quais seriam...as linhagens modernas hoje em dia, então são tântricas? As modernas linhagens que vieram do Hatha Yoga. P: Vamos combinar, até quem não coloca o seu yoga como tântrico hoje em dia, é...a influência que mais...mesmo que as pessoas não denominem o que elas ensinam como Tantra Yoga, quando você está trabalhando com asanas que não sejam só de meditação, está fazendo Trikonasana, está fazendo Hanumanasana, está fazendo Viparitasana, está fazendo Vasisthasana...qualquer asana que não seja sentar para meditar, são asanas de origem tântrica. Então se você faz essas formas de yoga asana, que não sejam só sentar pra meditar, você está fazendo Tantra Yoga, mesmo que você não... M: Eu adoro essa visão, a primeira vez que ouvi isso, foi você me dizendo acho que numa conversa pelo telefone, a gente falando sobre isso e eu falei “faz total sentido”. Porque sentir o seu corpo durante um asana, usar o seu corpo como um veículo, é tântrico. P: Mas aí eu vou fazer um parênteses, a gente já tocou nesse assunto, pra ficar bem claro para as pessoas se educarem e entenderem sobre o assunto. Por essa questão das invasões, da repressão, da destruição da cultura tântrica, essas práticas começaram a ser alinhadas com o yoga clássico de Patanjali e o Adwaita Vedanta, que é um dos dashanas que é a visão ortodoxa do hinduísmo, que é o final dos vedas, que difere do Tantra. Apesar de se colocar como não dualista, uma filosofia não dual – Adwaita é não dual – ela se baseia diferentemente do Tantra que tem Shiva e Shakti juntos, que nunca se separam e estão sempre juntos, estão sempre juntos, na visão do Adwaita Vedanta original, antes de sofrer uma influência tântrica, o Bramam, que é o absoluto, que é masculino, que é o infinito, que é o sem forma e Maia que é aquilo que é mensurável. Então Maia, traduzindo diretamente do sânscrito, é aquilo que se pode mensurar, que tem começo, que tem fim. Por esse entendimento, que Bramam é o infinito e que Maia é aquilo que é mensurável, eles denominaram Maia como ilusão, porque um dia acaba, então é ilusão. E de certa forma, alguns professores, alguns praticantes, ao invés de pegar esse conceito e integrar, separa. Ao invés de fazer desta pratica, desta visão, uma forma de incorporar o não dualismo, eles criam o dualismo porque... M: Que é excludente, né? P: Ah não, isso é Maia, isso é ilusão. Então tudo o que é mensurável...a vida é mensurável, então a vida é ilusão? Então, você vê que tem muita gente hoje dia fazendo praticas tântricas e tendo o Vedanta – fazendo asanas que não sejam pra meditar, que é Vasisthasana, Sirsasana, parada de cabeça, equilíbrio sobre o braço, tudo isso e alinhando com o Vedanta como filosofia. Que é lindo, o Vedanta tem as Upanishads, que é um conhecimento riquíssimo da metafísica do universo, desta ponte na direção do infinito, mas as práticas, as técnicas mais ricas, mais precisas, mais eficientes, neste sentido, são tântricas. Então o que se vê hoje em dia são pessoas pegando técnicas afiadíssimas de Tantra, porque tem uma falta de conhecimento e de acesso a esse conhecimento histórico e pegam o Vedanta porque é ortodoxo, é tradicional, tem o cordão brâmane, né? Classicista... M: Então você acha que o Tantra, numa corrente filosófica mais alinhada com o Samkhya? P: O Samkhya, na realidade, foi o que originou tudo isso, se a gente for pegar o que tem de textos, os textos mais antigos que originaram todas as culturas, o Samkhya está lá. Se você for nos Vedas, se for no Bahgavhda-gita tem sempre menção dos Samkhya. A terminologia do Samkhya e até mesmo, chamando o nome de Kapila que é o criador do Samkhya, que desenvolveu um sistema, um diagrama explicando o universo, como elementos. Samkhya Tattva, que significa como enumerar o universo em elementos, entendendo o universo em elementos, do mais sutil ao mais denso, e depois desenvolveram as práticas do yoga, eles pegaram esse conhecimento e aplicaram a prática dentro deste conhecimento, como fazer agora o caminho do elemento mais denso para o mais sutil, como criar a ascendência desse processo... M: Maravilhoso isso... P: Esse é o Yoga Clássico, de Patanjali. Já o Tantra pegou isso e revolucionou, pegou a mesma base que é o Samkhya, mas sentiu que faltava alguns elementos, o Samkhya trabalha com 25 Tattvas, adicionou mais 11 pra trabalhar com as pontes no nível espiritual, no sentido do grande Shiva, da grande consciência, transcendendo o individual, porque o Samkhya trabalha no nível individual. E o tantrismo que veio com o não dualismo, que veio com essa intenção de levar o indivíduo para o caminho espiritual e trazer espiritualidade para o indivíduo entender o que é uma mão dupla. Que a gente tem que ascender e descender, isso é um pulsação cósmica que não cessa enquanto a gente vive, então a gente quer alinhar, como tântrico, esse trabalho da energia de Shakti com essa pulsação cósmica, e manipular, obviamente, quando precisa, quando tem necessidade de mudar padrões  disfuncionais de energia, mudar direcionamentos de energia para trabalhar com a Shakti, para aprimorar a ascendência, assim como para aprimorar a descendência, dependendo de cada indivíduo, da necessidade de cada praticante, você aplica de uma determinada forma específica. M: Então, deixa eu entender porque agora isso é novo pra mim. O Tantra não tem a ascendência, tem a ida e a volta... P: Ele tem os dois, a ascendência e a descendência. Isso a gente denomina nas escolas de Shaktismo como Spanda Shakti, que é a pulsação cósmica, que é Shiva e Shakti juntos são um coração, o coração cósmicos pulsando. E essas pulsações são denominadas Spanda Shakti, são vibrações, ela sobem e descem. A gente está aqui descendendo, consciência desceu, então o yoga clássico entendeu que a gente precisava subir, só subir. Sai do corpo. Sai desse corpo! (Risos) Que é um obstáculo, que você pensa que te pertence, mas não tem pertence, então o yoga clássico segue esse pensamento, de transcender pela ascendência, dos Tattvas pra chegar em Purusha. Já o tantrismo entende que é importante fazer isso também, é importante, é central, mas a gente tem o descer também, a descendente, o incorporar, que é trazer para o corpo a consciência. M: Sensacional isso, é muito bom... P: Posso sugerir duas formas práticas de Tantra, muito simples, que na verdade são de incorporamento, mas são mentais de incorporamento... M: É, eu ia perguntar como...a minha última pergunta ia ser como que seriam uma prática tradicional tântrica, Tantra e Yoga. P: Eu vou colocar uma bem simples, relacionada a esta questão do incorporamento, para você obter não dualidade, que é a questão cerne do Tantra, a gente pratica para isso, né...? M: Tá, então vamos lá! A gente falou de Tantra, a gente falou de Samkhya, a gente falo de Yoga. Como que seria o Tantra Yoga? Como seria uma prática de Tantra Yoga clássica, não confundir com o Yoga Clássico, mas a tradicional? P: Então, a tradicional são várias escolas, que compartilham dessa questão de mexer com a energia, e tem muito trabalho mental, a mente é muito usada também. E aí, também a mente nas visões anteriores também é tida como obstáculo. M: Não, mas o Raja Yoga, por exemplo? P: Para o Raja Yoga, a mente é um desafio, é um macaco louco... M: A ser dominada, né... P: ...a ser dominada, como controlar o macaco louco da mente, tem essas descrições que vem anteriormente ao Tantra, mas, na realidade, se você depois for ver até no Hatha Yoga Pradipika que é um texto já te Hatha Yoga, quando você vai no capítulo de pranayama tem lá “A mente é senhor dos sentidos, mas a inspiração é senhor da mente”. Então quando você começa a trabalhar dessa forma, e vamos abrir aí só porque é bem conciso, então a gente pode ficar...como é que é aí? “A mente é o que está gerenciando os sentidos e está sendo levada pelos sentidos”, então como é que você quer controlar a mente pela mente se você está sendo levado pelos sentidos, aí sim vira um macaco louco que é aquela coisa de “Eu quero meditar, mas eu não consigo meditar, mas eu quero meditar...” e não chega em lugar nenhum e não medita. Então, “A mente é a senhora dos sentidos, mas a respiração é senhor da mente” e eu pessoalmente prefiro sempre traduzir na minha mente “a respiração é SENHORA dos sentidos e da mente”, então trabalhar com a respiração é uma forma de você estar educando a sua mente, porque qualquer disfunção mental ou emocional que a gente tenha, nesse complexo mental/emocional, afeta como a gente respira, e aí quando a gente equilibra, traz algum pranayama que traz equilíbrio de respiração, de prana, de Shakti, de energia vital, a mente se equilibra também. Então a meditação é um estado, ela não é uma prática. A prática da natureza de Shiva que a gente chama meditação, na realidade você não faz nada, você só é. Mas para chegar nesse “só é” a mente tem que estar preparada, tem eu estar educada. E o pranayama é o primeiro passo para você fazer isso, então não precisa ser... M: É uma prática tântrica trabalha muito com o pranayama. P: Trabalha muito...é totalmente focada no pranayama. Não só no pranayama, mas o pranayama é central para você fazer esse processo de reeducação da mente e de reconhecimento do ser, de abrir a mente pra se reconhecer como ser. Daí eu queria sugerir para quem quer se aventurar nesse processo de se aprimorar, se aprofundar na meditação, de antes de meditar, sentar e fazer um pranayama, que seja do mais simples pranayama yogue, respiração completa. Faça uma contagem que seja proporcional, para inspirar, para expirar, pode adicionar a retenção, mas o mais importante é você criar um equilíbrio e uma qualidade que você tire transições abruptas da sua respiração. Então quando você vai lapidando a sua respiração você entra em meditação sem perceber. M: Sim, é engraçado essa respiração, que você falou das mudanças abruptas, porque hoje em dia é o contrário, né? As pessoas fazem [inspira rápido e profundamente] como se isso fosse relaxar, né? Ou dar um suspiro, é bom, é gostoso também, você relaxa, deixa ir... P: Catarse é importante também, mas a gente precisa... M: ...sim, mas a [inint. 50:07], o matra ali da respiração é o que vai induzir pra meditação e para acalmar. P: Acho assim, que as pessoas estão precisando sim de catarse, porque pra quebrar um padrão num sentido, tem que se quebrar nos outros sentidos, no sentido contrário, mas depois a gente tem que ter um trabalho de reeducação para não ficar na dualidade. Senão fica de um extremo para o outro. E o pranayama faz isso, faz esse processo, essa transição para educar a mente, para entrar num estado de meditação. E quando eu falo a mente, eu até falo o complexo mente emocional, mas eles estão juntos, não tem como separar a mente do emocional, e isso é uma outra questão que as visões anteriores de yoga não tem muita descrição sobre isso, veem a emoção como um problema. Já dentro do Tantra a emoção na realidade não é um problema, e pode ser uma solução ao invés de se entender como um problema. A emoção, nessa visão não dual, tântrica, ela é apenas uma sinalização. Ela faz parte da mente como um mecanismo de sinalização. Então, você está se sentindo deprimido? É porque tem alguma coisa errada ali. O que que você está fazendo para se sentir deprimido, dentro do seu lifestyle. M: Investiga, né? P: Então o que as pessoas fazem hoje em dia, elas se identificam com a depressão, se afirmam deprimidos. Então, ao invés de se afirmar como Shiva, como Shakti, “eu sou deprimido”, e aí, vão ao médico e o médico diagnostica “você é deprimido, você está deprimido” patologicamente, tem que tomar medicação, e aí apaga esse mecanismo, pela medicação, que estava tentando te dizer algo pra você mudar na sua vida, mas porque tomou a pílula e calou a sinalização, você continua fazendo aquilo que causou... M: E repetindo os mesmos padrões, né? P: ...a mesma coisa, e se perde. Então assim, o entendimento não dual das emoções você não quer reprimir nem a depressão, você quer entender... M: Você acolhe pra... P: Pra se entender, pra se estudar, pra evoluir, para aprender. Esta é uma atitude tântrica não dual perante as emoções, entendendo as emoções de uma forma não dual. Agora, do jeito que a gente vive hoje, do jeito que as coisas são, a gente está o tempo inteiro sendo levado pelas emoções de uma forma negativa, pela dualidade. Então, eu queria também sugerir uma outra prática que é bem simples, e que ajuda a gente a estar nessa não dualidade, então estar sempre quando você está interagindo, consigo mesmo na prática, com pessoas no seu dia-a-dia, no trabalho, com a família...quando você for s comunicar com alguém, trazer a sua atenção pra região da base posterior ao seu coração, então quando você vai falar alguma coisa, vai interagir, vibra dali, vibra daquele lugar. Porque quando você se conecta ali, você está se conectando com o teu eixo da devata, que é a sua identificação cósmica, que leva você à se reconhecer como uma entidade cósmica e ver o outro como entidade cósmica, o que alimenta no outro uma receptividade pra tal reconhecimento como consciência e desperta compaixão nas suas atitudes, na sua ação. Quando você está vibrando aqui, você não consegue não ter compaixão, quando você pratica dessa forma. Então, a prática é bem simples, mas é uma prática poderosíssima que vai te levar nessa atitude não dual do tantrismo, e que é uma necessidade que a gente tem hoje em dia, brutal, pelos problemas que a gente vive. A gente tem que vibrar mais no coração. M: Que lindo, então isso do Tantra, só pra gente encerrar, o Tantra...finaliza com isso, de que é um estilo de vida que não é tântrico fazendo asana, você será tântrico ao se relacionar com o mundo, né? Ao ver o divino no outro, ao ver o divino em você, em cada ser, então você começa a ter compaixão por cada ser, uma formiguinha que passou, um outro animal... P: É a conexão com a natureza... M: É, essa conexão, o Tantra tem muita conexão com a natureza, né? P: O Shaktismo vem dessa coisa da conexão com a Mãe Natureza e as várias formas que a Mãe Natureza se manifesta, as Devas, as Yoguines, as Dakinis...na realidade, são braços da natureza que se expressam como deusas, como formas femininas de entendimento da existência, mas nada mais é que a natureza em si mesmo, mas foi o entendimento daquela cultura, dessa forma de simbolizar o cosmo em natureza, codificar para que a gente pudesse se identificar, se reconhecer. M: Muito legal. Então, Ohm Namah Shivaya! P: Ohm Namah Shivaya! M: Espero que tenham gostado, porque eu adorei essa prática. P: Namastê! M: Namastê!          

Podcast de Yoga | 4 out 2018 | Daniel De Nardi

A desculpa do Prem Baba – podcast #86

A desculpa do Prem Baba - podcast #86 Prem Baba recebeu denúncias de abuso sexual e reconheceu alguns dos seus erros. Como em vários momentos, usou a expressão tantra em sues pronunciamentos sobre o caso e o Hatha Yoga que ensino é de linhagem Tantra, gravei esse podcast para esclarecer o que penso sobre tantra e também sobre os deslizes do mais famoso guru brasileiro.   LINKS   Vídeo de Giridhari Das falando sobre abuso sexual do Prem Baba   Podcast #39 SEM PROSELITISMO - ajuda a enteder porque os tantricos usam liguagem iniciática   Série completa de 8 episódios comentando o seriado do Osho no Netflix, Wild Wild Country       Sri swami satchidananda abrindo o Festival Woodstock em 1969, auge do movimento hippie. Siga o perfil da série no Instagram    Transcriçã0 PARCIAL A desculpa do Prem Baba - podcast #86   Objetivo desse podcast - como o Hatha Yoga é de tradição Tantra, e várias vezes é falado sobre exercícios de Tantra. Além disso, esse tipo de assédio ou abuso sexual, é algo antigo no Yoga como vocês podem ouvir nesse trecho de uma aula de Carlos Eduardo Barbosa, pesquisador de Yoga Giridhari Das: Esse não é um assunto agradável de tratar, porque como seres humanos, todos nós estamos sujeitos aos erros, entretanto, muitos dos erros que cometemos é por falta de informação sobre o assunto. A informação, nos permite avaliar melhor e ter uma direção mais correta. Giridhari Das não era discípulo de Prem Baba, mas era próximo a ele, inclusive Prem Baba prefaciou um dos seus livros, mas ele fez um vídeo trazendo várias reflexões importantes. Como acontece a transferência da visão do Tantra :  O Tantra parece ser um dos pilares no qual se apoiam muitos dos gurus com esse comportamento. Foi assim com Osho e parece continuar sendo com Derose ou Osho. Então parece essencial entendermos  como aconteceu a transferência da visão do Tantra? Em agosto de 1969 acontece nos Estados Unidos, o famoso festival de Woodstock como uma manifestação do movimento hippie. Os hippies buscaram alternativas de caminhos espirituais que condiziam com suas ideias de evolução e liberdade. Sri Swami Satchidananda, Satyananda, guru indiano abriu o Woodstock entoando mantras para aproximadamente 500,000 pessoas. É o ápice do movimento hippie. Como todo movimento, ao chegar ao ápice, começa o declínio, no caso do hippie, começou seu declínio com a divulgação dos assassinatos de outro guru da época, Charles Manson, que cometera crimes brutais, o mais famoso culminou na morte do cineasta Romam Polanski, sua esposa, a atriz Sharon Marie que estava grávida  foi morta pelo grupo de Manson. Na década de 70, muitos jovens se deram conta que aquilo não estava produzindo bons frutos e começaram a se dedicar a suas carreiras e sucesso profissional, foram os chamados yuppies. Todo movimento cultural forte, e o movimento hippie assim, produz efeitos por muito tempo depois de se extinguir. Alguns jovens que ficaram órfãos do movimento começaram a ir para Índia em busca de um caminho espiritual. Os sistemas que os ocidentais encontraram inicialmente, não os agradou. Valores como a obediência cega a um guru, que é praxe na espiritualidade indiana, não condizia com a ideologia hippie que questionava justamente os sistemas autoritários. O conceito de liberdade para o indiano é totalmente diferente do que os ocidentais buscavam. Esperavam algo mais próximo ao hedonismo, inicialmente não encontraram. Só que se hoje a Índia é um país em que a população é mais pobre que a brasileira, imagina como era nos anos 70. Quando os indianos, que não eram gurus respeitados na Índia, começaram a entenderam que o que os ocidentais buscavam era no fundo, uma base filosófica que apoiasse a ideia do movimento de busca pelo prazer e rompimento com todas as regras e tradições. Gurus desonestos usaram os tantras, que são escrituras dos Nathas escritos nesse tipo de linguagem iniciática O sandhya bhasha é uma linguagem autêntica das sampradayas tântricas, uma linguagem iniciática para dar suporte a vontade de transar, pq na Índia não tem sexo antes do casamento, além disso, os indianos tem grande atração por mulheres brancas.   Sem Proselitismo: Para compreender, porque os nathas usam esse tipo de linguagem iniciática para proteger e não para divulgar seus ensinamentos, sugiro que ouça o podcast #39 - Sem Proselitismo. Existem ideologias ou religiões que não fazem proselitismo, não querem convencer mais pessoas a aderirem às suas crenças. O próprio hinduísmo como religião segue essa lógica. Uma vez que os escolhidos, são os moradores das terras banhadas pelo rio Indu. Então, algumas tradições tentam preservar seu conhecimento para que os ensinamentos não sejam propagados, mas que também não sejam perdidos. Sandhya Bhasha é uma linguagem iniciática que tem o objetivo de proteger uma tradição. Essa linguagem é cifrada e só tem o entendimento quem receber instruções de algum guru pessoalmente. Além disso, o sexo era usado, pois como a cultura indiana é extremamente conservadora, evitava que muitas pessoas tivessem interesse nisso. Por isso, as expressões pênis (lingam), vagina (yoni)  ou esperma (bindu) aparecem em escrituras, mas o conceito não é de uma relação sexual, até porque os fundadores do Tantra são celibatários, mas de um encontro entre os mundos subjetivos e objetivos, tendo bindu o Atman ou alma.   Os Filhos do Osho: Quem popularizou esse tipo de técnicas foi o Osho (já comentado aqui na série que discorre sobre o documentário Wild Wild Country do Netflix. Você conferir o episódio 63 ao 70 da série. As ideias do Osho ainda influenciam muita gente como é o caso do Derose, PremBaba e outros.   Um pouco sobre o Prem Baba: Janderson, seu nome original, é de uma família de kardecistas, um estereótipo que tem mais aceitação no Ocidente para quem quer fazer um carreira como Guru do que os próprios gurus indianos. Formou-se em psicologia com enfoque Lacaniano. Fez formação com o Derose, que também faz essa linha de dizer que Tantra é exercícios ou coisas a mais relacionados a sexo e saiu para estudar mais sobre o Osho e outros mestres. Nesse período conheceu os rituais da Ayahuasca e os discípulos do Derose começaram a chamá-lo de Janderson do Daime. Começou a ir regularmente à Índia, onde morou por um tempo num ashram e foi autorizado pelo seu guru a lecionar.   O sucessor da Linhagem Satya: Apesar do nome Saccha significar verdade, há algumas incoerências entre o que Prembaba diz e como funciona a tradição da espiritualidade indiana. Como poucas pessoas têm informações sobre esse tema não conseguem analisar as desculpas que Prembaba usou. Uma dessas incoerências é que Prembaba se diz o sucessor do seu guru, Maharaji e que teria recebido a missão de levar esse conhecimento para o mundo. Dentro da tradição da espiritualidade indiana, um discípulo até receber esse tipo de orientação do seu guru, mas não poderá se dizer o sucessor dessa tradição. Existe uma ordem para ser nomeado o sucessor de uma tradição. O sucessor de um Guru é sempre o guardião do Gadi, o assento do líder de um ashram. O escolhido para a continuidade de uma tradição, poderá sair sim, dar uma viajada rápida, mas não pode ser alguém que fica morando no ashram somente 4 meses por ano. Quem quiser provar quem é o verdadeiro sucessor eleito pelo próprio Hansji Maharaj, deve ir ao ashram, pois o fato de já ter um guru lá deixa claro quem é o sucessor da linhagem Saccha. Prem Baba sempre usa os ensinamentos do seu guru como base para suas atitudes, o problema nesse caso, é como Hansji Maharaj já faleceu, nem há como verificar se o que ele ensina é realmente dessa tradição ou criação das suas influências ocidentais. Na primeira declaração que Prem Baba deu após o assunto estourar, ele segue uma linha que foi devido a uma orientação do guru para ele não se relacionar com sua shakti que fez com que ele se relacionasse com uma pessoa casada do seu grupo.   Iluminado: Prembaba deu declarações que que atingiu a iluminação que na visão indiana significa que não será afetado por nada relacionado ao mundo material, alguém sem ego por exemplo. Entretanto, suas declarações após o ocorrido falam de sentimentos que não são vivenciados em quem se considera iluminado. Celibatário?: Outra incoerência que veio à tona com as denúncias, foi a questão do celibato. A teoria de Prem Baba sobre a sexualidade é que quando se atinge o amor pleno, não existe nem mesmo a vontade do ato sexual. E por isso ele se declarava celibatário, pois o caminho da Meditação. O brahmacharya é o celibato completo, não existe esse conceito que ele usa como desculpa de temporadas de castidades mais uma vez como Hansji Maharaj faleceu como confirmar que ele deu esse tipo de orientação que é totalmente contrária à tradição da espiritualidade indiana.   Técnicas Tântricas: Essa transmissão de energia através do toque, não existe pela função de despertar energia sexual. Afinal isso é uma contradição na visão hindu, pois o estímulo sexual não pode desenvolver a espiritualidade, ele irá apenas produzir mais samskaras (impressões) e vasanas (condicionamentos) de sexo. O sexo é condenável? Não, mas pensar que o estímulo sexual irá produzir evolução espiritual, não é algo que a tradição dos nathas, que criaram o tantra vê como um caminho correto para moksha.   O caminho do silêncio: Eu acredito que professores e orientadores podem nos ajudar no nosso caminho. Também não acho que nada do que o Prem Baba já ensinou tenha valor. O meu alerta é principalmente com essa ideia de mexer com a sexualidade como forma de evolução. A energia sexual é uma força tremenda dentro do homem. Os tântricos sim, faziam observações sobre a sua influência. Observavam-na ampliando-se e reduzindo, mostrando sua força, mas ao mesmo tempo perecibilidade, mas não usavam o estímulo sexual como exercício, pois acreditavam que isso só geraria mais necessidade de estímulos, o que os prenderia numa roda de condicionamentos.   A transmissão de energia que é falada por esses gurus jamais pode ser um toque para excitação. Isso é o oposto de chitta vritti nirodha. Paul Brunton, fala dessa transmissão de energia através do olhar, shakti pada, quando conheceu Ramana Maharish, o que ele sentiu e era senso comum entre seus seguidores era uma sensação de silêncio, a presença de Ramana segundo Brunton estimulava seus seguidores a perceberem melhor o que era a presença do silêncio. E isso não tem nada a ver com sexo como cura. Deve-se questionar - esses exercícios ditos tântricos de onde foram tirados, quais resultados produzem? A desrepressão  sexual é sempre bem vinda? Então, porque as mulheres que passaram por isso e seus maridos agora estão arrependidos de terem feito isso? Se você vai fazer um tratamento reichiano, de onde vem boa parte das técnicas, ditas como tântricas no ocidente, você sabe o que pode encontrar. Existe estudos das vantagens e desvantagens desse tipo de tratamento pra cada tipo de paciente. Será que isso é também levado em conta em quem ensina exercícios tântricos para discípulos avançados?       

Podcast de Yoga | 11 out 2018 | Daniel De Nardi

Por que a política gera tanta briga? Podcast #87

Por que a política gera tanta briga. Será que existe uma saída para haver menos discussões políticas? Ouça o podcast e entenda melhor.   Links Série completa Wild Wild Country https://yoginapp.com/wild-wild-wild-country-serie-comentada-completo/   Podcast #39 - Sem Proselitismo   https://yoginapp.com/sem-proselitismo-podcast-39/   https://yoginapp.com/sapiens-serie-de-resumo-do-livro/   Transcrição parcial POR QUE A POLÍTICA GERA BRIGAS?   Meu objetivo não é trazer uma solução para os conflitos, até porque acho que isso vai piorar nos próximos tempos. Tentarei explicar os motivos que produzem os desentendimentos que crescem visivelmente em épocas de eleições.   A política é uma discussão pública que decide para onde vão os recursos do Estado. O embate de ideias é essencial nesse processo, pois é assim que os políticos ficam sabendo o que é prioridade para a população. As ideias que não apresentarem força são naturalmente descartadas. Há um pensador americano, Thomas Sowell que diz “A primeira regra da economia é entender que os recursos são escassos, a primeira regra da política é ignorar a primeira regra da economia.“ O principal motivo dos desentendimentos é que os recursos de uma nação são sempre escassos. Por isso, cada lado vai puxar a discussão e consequentemente os recursos públicos para o que acredita.   Não é simples determinar o que é direita ou esquerda na esfera política, pois aquilo que os lados defendem, muda bastante dependendo da época e da localização. Um exemplo é a luta pelo meio ambiente. Atualmente, esta é uma causa defendida internacionalmente pelos partidos de esquerda, mas isso nem sempre foi assim. Os partidos conservadores da Europa foram os primeiros a ter essa pauta e até hoje existem por toda a Europa, partidos Verdes conservadores. Mises, o economista austríaco, em seu livro A Mentalidade Anti-Capitalista também fala da dificuldade para dividir grupos políticos entre direita e esquerda. Ele usava as distinções de grupos entre Conservadores X Inflacionários. Sendo os conservadores, aqueles que administram o Estado com os recursos que possuem. O foco governamental de um conservador é o indivíduo. O conservadorismo surgiu como uma proteção ao indivíduo das imposições das monarquias. Para um governo de direita, é essencial que se gaste apenas o que se tem, pois de outra forma, o governo produz inflação o que é um roubo através da dissolução da moeda. EXPLICAÇÃO DA DISSOLUÇÃO DA MOEDA. Um governo de direita prima por um Estado com o mínimo de tarefas possíveis. No Brasil, o governo é dono de loja de conveniência que vende chocolate e Red Bull. Será que o Governo deve ter posto de gasolina? Um governo de direita, atua na redução da carga tributária porque entende que o cidadão não pode pagar ao governo 40% do que produz. Os inflacionários, seriam os políticos que veem na política uma forma de fazer Revoluções, distribuindo recursos conforme o que acham mais conveniente. Na definição de Mises, a direita sempre trabalharia pela diminuição do Estado e menos intervenção estatal  enquanto a esquerda aumentaria os recursos do governo para compensar as distorções que a sociedade produziu. O problema é que um governo não sabe produzir dinheiro, capitaliza-se com o dinheiro produzido pelos cidadãos. A esquerda aumenta gastos públicos com a desculpa de ajudar aqueles que estão com dificuldade. Usam a teoria de Keynes para justificar suas ações. (EXPLICAR A TEORIA KEYNESIANA S SUAS CONSEQUÊNCIAS NA PERDA DO PODER DE COMPRA DA POPULAÇÃO) o Governo NÃO é capaz de RESOLVER DESIGUALDADE. Um exemplo disso é brasília. A cidade com a maior desigualdade econômica do Brasil.      O início dessa divisão entre direita e esquerda acontece na Revolução Francesa. O Rei Luís XVI colocou a França numa crise econômica, pois apoiou especulações financeiras nos Estados Unidos. Esse tema foi tratado no episódio   O Rei convocou a Assembléia dos Estados Gerais em maio de 1789. Entre os Representantes populares de todas as partes da França todos concordavam que era necessário fazer mudanças. Do lado direito, sentaram os girondinos que acreditavam que essas mudanças deveriam acontecer aos poucos. Do lado esquerdo sentaram-se os jacobinos, que queriam reconstruir toda a sociedade. Um dos líderes desse movimento era Robespierre, um dos que pediram a condenação do rei Luís XVI, guilhotinado em 21 de janeiro de 1793. Em julho do mesmo ano, Robespierre criou um Comitê de Salvação Pública para perseguir os inimigos da revolução. Foi instaurado o regime do \"Grande Terror\" - o auge da ditadura de Robespierre.    Os Estados Unidos também fez sua Revolução, mas ela mostra nitidamente a  diferença entre direita e esquerda. A Revolução Francesa colocou outro ditador no lugar com ainda mais poderes. Napoleão liderou invasão de países e matou milhões de pessoas com o intuito de levar as ideias iluministas para além de Paris. Na série Wild Wild Country (episódios 63 ao 70) falo mais sobre como a Revolução Francesa aconteceu. A revolução francesa foi reproduzindo por outros países europeus o que já tinha sido feito no seu território. Captura de opositores políticos e religiosos, que passavam por julgamentos no estilo de Robespierre para serem jogados em masmorras ou degolados em praça pública. A Revolução Americana que aconteceu 6 anos antes da francesa, em 1783, foi uma revogação ao poder centralizado do Rei Inglês, pois os moradores da colônia americana, acharam que estavam tendo um tratamento diferente dos outros moradores do reino unido. Quando os pais fundadores da America,  escreveram a Declaração dos Direitos dos Cidadãos dos Estados Unidos ( Bill of Rights) que é até hoje a Constituição dos Estados Unidos ] em 1789. O objetivo é que cada região construísse suas próprias regras. A Constituição americana foi a primeira constituição sem um monarca no poder na História e parece que deu certo. A Revolução Americana tratou de reduzir o poder do governo criando esse documento fundador para haver uma mínima coesão entre as colônias. Entretanto, as decisões mais importantes, ficavam a critério de cada estado. A União desses estados praticamente independentes entre si é que formava Os Estados Unidos da América. Então há dois estilos de ver o papel do governo. A direita prima pelo indivíduo, pela meritocracia e pelo respeito às leis. A esquerda prioriza o coletivismo, no qual, o coletivo (algo abstrato) deve prevalecer à vontade do indivíduo. A direita vê o governo como um serviço a ser prestado, a esquerda como uma ferramenta para transformar a sociedade. Essas duas narrativas vão lutar pelo controle dos governos em formatos de partidos políticos. Em uma ideologia que não haja proselitismo, os conflitos serão raros. O Hinduísmo não tem interesse em converter ninguém, pois acredita que os únicos seres merecedores da iluminação são os que nasceram nas regiões próximas ao rio indo. Nesse tipo de ideologia, onde o outro ter uma crença diferente não prejudica a comunidade, não há a necessidade de combater ideias ou impô-las para alguém. A política é um sistema em que o contraditório, de alguma forma, está disputando os recursos contra você.No sistema brasileiro, um voto para o outro é um voto a menos para você. Como há escassez, há embates. Um país mais federalista, como os Estados Unidos, há uma pequena constituição com orientações gerais e o restante são leis regionais. Então se você perde a eleição e não discorda com o candidato do seu estado, pode mudar para o estado seguinte e ter normas completamente oposta. Na administração pública brasileira isso não é possível, nosso sistema presidencialista produz leis para vigorarem em todo território nacional o que torna as disputas ainda mais acirradas.   Eu me considero um liberal, no sentido clássico da palavra, que reconhece valores do conservadorismo. Assim como a esquerda possui várias linhas, o mesmo acontece com a direita. Na esquerda você tem, por exemplo, a linha Trotskista, que não foi implementada porque quando Trotsky começou a fazer críticas a Stalin foi perseguido e teve que fugir para o México. Ficou exilado por um tempo na casa deós artistas Frida Khalo e Diego Rivera e foi assassinado com uma machadada na cabeça por mandantes do governo russo. Trotsky propunha um comunismo global, enquanto Stalin preferia concentrar-se apenas na Rússia. Fora dos Estados Unidos, a direita se auto denomina liberal. Nos Estados Unidos houve uma troca na expressão, lá os liberais são os gastadores, como Mises os nomeou, aqueles que usam os gastos públicos para mudar a sociedade. A direita possui valores em comum como o respeito às leis, a valorização do indivíduo, a liberdade de expressão (Milton, conservador inglês) e a redução do papel do estado na vida do cidadão.   Dentro disso há linhas mais Conservadoras e ou mais Liberais. Os Conservadores veem importância do governo em preservar a cultura local protegendo às fronteiras e valorizando o território nacional. Do outro lado da direita estão os libertários, que também comungam dos ideais da direita como um estado mínimo. Esses dois grupos refutam-se mutuamente tanto como a esquerda refuta a direita.   Os anarco-capitalistas ou libertários como também podem ser chamados, acham que não deveria existir nenhum governo. Anarco capitalistas acreditam que todo o imposto é um roubo, pois como você é obrigado a pagar, é algo compulsório e como você não tem escolha e se não pagar terá seus bens e até seu corpo apropriados pelo governo, acreditam que como o imposto é obrigatório ele é roubo. A sociedade poderia funcionar somente com serviços prestados pela livre-iniciativa. Até mesmo a segurança, o cumprimento das leis. Eu me situo entre os dois grupos, Não acredito numa sociedade totalmente sem governo, mas também acho que o governo atrapalha a vida das pessoas e dificulta o desenvolvimento econômico. Acredito que existem costumes que devem ser preservados, pois foram as ideias gregas/romanas/judaico-cristãs que tornaram possíveis à ciência e o controle político a partir da liberdade de imprensa e aqui você vê a diferença entre conservadores e libertários. Para um libertário, se o mercado demonstrar que somente algumas pessoas devem ser autorizadas a se pronunciar, assim deve ser. Já um conservador vai procurar manter o sistema existente. O lema do conservadorismo é : PROCRASTINAR. Ele aceita mudanças, mas sempre com precauções. Numa atitude moderada. A direita divide-se entre intelectuais de alto gabarito como Eric Voegelin, um dos primeiros alemães a combater o nazismo e que substituiu Max Weber como coordenador da Universidade de Munique e figuras como os rednecks, os caipiras americanos que gostam de armas e que não querem o governo interferindo na vida deles de jeito nenhum.    O que me faz o optar por governos liberais é a teoria principal da Escola de Virgínia, a ideia da Public Choices. Uma das bases intelectuais dessa linha é a obra da filósofa russa Ayn Rand. Ayn Rand fugiu da rússia durante a revolução comunista de 1917. As empresas do seu pai foram saqueadas pelos governantes e sua família sofreu perseguições até conseguir escapar para os Estados Unidos. Na América, Ayn Rand produziu uma vasta obra, entre as quais, o único livro dela que li que é a Revolta de Atlas. Esse livro foi considerado pela biblioteca do Congresso Americano como o livro mais influente para os Estados Unidos após a Bíblia. Na sua obra, Ayn Rand mostra que o individualismo não é algo ruim, mas o responsável pela criação de todas as grandes obras humanas. Você lutar, acima de tudo por você mesmo, é louvável e acabará produzindo mais resultados palpáveis do que discursos de amor universal. Ayn Rand acreditava que por mais que uma pessoa negue, ela está sempre agindo prioritariamente por interesse próprio. Ela exemplifica isso com o exemplo da sobremesa: “Quando você oferece uma sobremesa à sua namorada, não é pelo prazer dela que você age, mas porque seu prazer de vê-la sentindo prazer é maior que comer a sobremesa. Ayn Rand combatia todo tipo de iniciativa coletivista, pois ela acreditava que por trás desse coletivismo, no fundo estava apenas os interesses de quem liderava esses projetos.    Na visão dos economistas da Escola de Virgínia, o empresário é visto como ganancioso e o Estado deve criar leis para conter seu instinto ganancioso. Nesse ponto, os legisladores reconhecem que a natureza humana é egoísta e que um indivíduo irá lutar prioritariamente pelos seus interesses sempre. Entretanto, quando o as pessoas parecem acreditar que um político muda sua natureza humana e ao se eleger torna-se um ser altruísta que apenas age pelo bem comum. A primeira premissa da Public Choices e que o homo politicus, não é diferente do homo economicus, que não é diferente do Homo Sapiens. Todos eles buscam em primeiro lugar melhorar sua condição de vida. Muitos economistas apontam as falhas de mercado, mas e as falhas de governo? Essas falhas que a escola de Virgínia busca apontar para que os recursos do estado sejam alocados da melhor forma possível. Hayeck, outro pensador liberal, alertava para o fato que não podemos depender de boa vontade para que as coisas funcionem. Nos incentivos de uma economia de mercado, pessoas ruins fazem coisas boas, no sistema político, como os incentivos são trocados, pessoas boas são quase obrigados a fazer coisas ruins. Numa economia de mercado você é livre para suas escolhas, enquanto nos sistemas governamentais, a maioria, acaba muitas vezes impondo à vontade à minoria. No mercado, se você gosta de tomar coca cola, poderá tanto produzir quanto consumir essa bebida mesmo que 99% das pessoas a recriminem. Num sistema governamental, um grupo organizado politicamente pode criar uma lei proibindo a produção de coca cola e acabar com o consumo da bebida numa canetada. Os incentivos governamentais sempre destinam-se aos grupos mais metidos na política, que no fundo não estão lá para o bem comum, mas defendendo interesses pessoais em cada movimento político. A diferença que existe de um político para um empresário nesse ponto, é que aquilo que é produzido por alguém é de direito da pessoa, mas o político tem acesso a riquezas que não foram produzidas por ele.   A única solução para conter o ímpeto dos políticos é primeiro reduzindo as funções do Estado no cotidiano das pessoas. Em seguida, uma vez que um mínimo de governo é importante,  deve-se gerir os recursos da forma mais eficiente possível. Procurando sempre considerar “aquilo que não se vê” exemplo endividamento para distribuição social. Quando um governo gastador diz que não existe limite de gastos, pois o governo precisa de dinheiro para ajudar os mais pobres, o que de fato acontece: como o governo não é capaz de produzir riquezas, ele vende títulos e paga juros em cima desses títulos, são os famosos títulos do tesouro. Quanto mais endividado um governo está, mais juros tem que pagar e quando falamos em bilhões de dólares de endividamento, você está tirando da população, só no pagamento de juros, milhões de dolares, com o pretexto de ajudar os mais pobres, mas a medida que o pagamento de juros começa a comer recursos da saúde e segurança, há quem o governo está prejudicando mais? Por que nunca se falou em direita no Brasil ? Paulo Francis em sua entrevista no Roda Viva 1994 passa o tempo todo falando que o Lula é um corrupto que vai enganar o Brasil. Todos os jornalistas da bancada ficam revoltados. Francis era uma voz solitária, morreu porque disse que sabia de informações que os diretores da Petrobrás depositavam milhões de dólares em bancos na Suiça. Ele almoçando no Four Season com um amigo banqueiro confessou pra ele isso. O Presidente da Petrobrás processou Francis pedindo valores exorbitantes, até que ele por toda essa pressão, sofreu um ataque cardíaco no carnaval de 1997. O que eu vejo como direita: busca por liberdade e independência, meritocracia, sacrifício para conquistar, busca pela verdade. \"Ideias e somente ideias podem iluminar a escuridão\" - Mises, então Menos  Marx e mais Misses. Música de Dmitri Shostakovich. No episódio 8 eu conto sua história como um contestador do regime comunista. Shostakovich era bem visto por Stalin, mas aos poucos começou a expressar sua oposição ao regime de forma muito sutil. Nessa música por exemplo, a maior parte do trabalho que precede o final é elaborado num tom sombrio, e incluía originalmente uma parte para metralhadora.    

Podcast de Yoga | 24 jan 2019 | Daniel De Nardi

Trotsky na NetFlix – Podcast #102

Reflexões de um YogIN- Podcast #102. A NetFlix lançou uma série de produção russa sobre o cabeça da Revolução Comunista de 1917. Ouça o podcast para saber mais sobre o quão destrutivas podem ser as ideias de um revolucionário. LINKS Inscrição gratuita na JORNADA PARA SER PROFESSOR DE YOGA Curso online para Formação de Professores de Yoga Playlist da série Perfil do Instagram da série Podcast - Por que amamos os revolucionários?  Série completa sobre Osho em Wild Wild Country  Podcast falando sobre a luta de Shostakovich contra o regime comunista

Reflexões de um YogIN
Podcast de Yoga | 5 fev 2019 | Daniel De Nardi

1º ano da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo – #52 episódios

Comentando o 1º ANO da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo - #52 episódios Depois de 52 reflexões completamos um ano de programa em janeiro de 2018. A série Reflexões de um YogIN Contemporâneo é uma série de podcasts semanais que traz assuntos da sabedoria do Yoga comentados com acontecimentos cotidianos. Para comemorar essa data querida, foi gravado um episódio também em vídeo que foi disponibilizado no YouTube. Confira! YogIN App - Escola de Yoga OnLine · Comentando o primeiro ano da série Reflexões De Um YogIN - Podcast #52   LINKS Série de podcasts - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  Assine o YogIN TV, canal do YogIN App no YouTube Como acessar um podcast https://yoginapp.com/como-acessar-um-podcast/#axzz553qnVE4I   Canal de Podcast sobre Cinema Canal de Podcast sobre Ciência Curso online de técnicas para escritores Ebooks gratuitos de Yoga Blog pessoal Canal de Podcast do YogIN App https://soundcloud.com/yogin-cast Como acessar um podcast https://yoginapp.com/como-acessar-um-podcast Trilha Sonora da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa new RDStationForms(\'formulario-post-yoga-online-e50c2f5f6660fd97cfa8\', \'UA-68279709-2\').createForm();

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Podcast de Yoga | 7 fev 2019 | Daniel De Nardi

Dois anos de Reflexões – Podcast #104

Dois anos de Reflexões. Há 2 anos a série reflexões de um YogIN Contemporâneo estreou nos podcasts e hoje, 104 episódios depois, comemoramos 2 anos de trabalho. Obrigado a todos que nos acompanham.    LINKS Inscrição gratuita na JORNADA PARA SER PROFESSOR DE YOGA  Playlist da série  Perfil do Instagram da série  YogIN Cast no Spotify Wild Wild Country  https://yoginapp.com/wild-wild-wild-country-serie-comentada-completo   Sapiens  https://yoginapp.com/sapiens-serie-de-resumo-do-livro/ Homo Deus https://yoginapp.com/homo-deus-livro-resumido-e-comentado/   Podcast no YouTube   Trilogia que sairá na Jornada https://yoginapp.com/jornada-para-ser-professor-de-yoga/ Ebook : Aprendendo a Meditar com Yoga   https://yoginapp.com/ebook-aprenda-meditar-com-o-yoga/ Audiobook: O Yoga do Autoconhecimento   https://yoginapp.com/lancamento-do-livro-o-yoga-do-autoconhecimento-podcast-54/   Transcrição Dois Anos de Reflexões A data exata do Primeiro podcast da série Reflexões é dia 30 de janeiro de 2017. Só que eu marquei o 1º aniversário por semanas 52 semanas e tanto no 1º ano quanto no 2º teve 1 semana que não publiquei, então chegamos ao 104, o 2º aniversário da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo. No 1º aniversário, contei como surgiu a ideia dessa série, que não foi muito planejada, eu ouvi um podcast sobre o Filme La La Land e pensei em gravar um com minha opinião que tinha relação com o Yoga e aqui estamos 104 episódios ou 2 anos depois.       Transcrição   Tinha pensado em parar no 100, pois é um bom número para dar um tempo, mas pensei que até os 2 anos eram apenas mais 4 episódios e agora me vem a ideia que para 108, que é um número simbólico no Yoga também serão apenas mais 4. Então para que ninguém diga que não avisei, a 1ª temporada da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo terá 108 episódios. Preciso de mais tempo para me dedicar aos meus 3 projetos principais para 2019. Regravação de aulas do Curso de Formação, Finalização do Curso/Livro sobre Imanência a Transcendência e a criação do Programa Intensivo de Práticas de Yoga. Gostaria muito de contar com seu apoio para esses projetos, nós os divulgaremos nas redes sociais.   Relembrando - Curso de Formação, Curso/Livro sobre Imanência a Transcendência e Programa Intensivo de Práticas de Yoga.   Mas o YogIN Cast não vai parar. Assim que finalizar a 1ª temporada no episódio 108, iremos publicar o Yoga Falado, um projeto que começou com a nossa aluna do Curso de Formação Cibele Stefani e agora está sendo produzido pela Fernanda Degilio e pelo Fabrício Ferrari. Tenho certeza que vocês também irão gostar do material deles. Não tenho previsão de quando voltará a 2ª temporada, mas sei que não será semanal, para que possa ter mais tempo para preparar cada podcast. Nos vemos no próximo episódio e Feliz Aniversário ao Reflexões!    

Podcast de Yoga | 7 mar 2019 | Daniel De Nardi

Fim da 1ª Temporada de Reflexões de um YogIN – Podcast #108

Reflexões de um YogIN - episódio 108 Este é o último episódio da 1ª temporada da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo.Foram 108 episódios falando sobre Yoga, Música Clássica e Cultura.  Divulgue a série para seus amigos e aguarde pela 2ª temporada. Adesh.  LINKS Inscrição gratuita na JORNADA PARA SER PROFESSOR DE YOGA  Curso online para Formação de Professores de Yoga  EBOOK/ CURSO - Imanente e Transcendente Programa de Imersão no Yoga Playlist da série  Perfil do Instagram da série Podcast #10 falando da teoria de Nietzsche sobre inveja     Transcrição Fim da 1ª Temporada de Reflexões de um YogIN A música é Requiem, a última música composta por Mozart, no filme Amadeus, há um compositor chamado Salieri e que era o compositor da corte. Nietzsche, já havia alertado e você pode ver isso em mais detalhes no Episódio 10 Vontade de Potência, que uma das forças que mais lutam contra a realização é a inveja. Salieri tinha muita inveja de Mozart e começou a boicotá-lo nas obras que apresentava ao Rei do Império Austro-Húngaro. Mozart foi perdendo espaço nas obras que  eram apresentadas nas casas de Ópera mais importantes, mas seu talento nunca deixou de ser reconhecido, especialmente nos que entendiam de música. No final da vida, compor uma de suas obras-primas, a ópera Flauta Mágica para uma casa de ópera frequentADA apenas pelo povo mais simples. Saliere havia boicotado Mozart de todas as formas e um dia ele recebeu uma encomenda que até hoje não se sabe quem solcicitou. A história do Requiem descrita na Wikipedia é essaEm 14 de Fevereiro de 1791, Anna Walsegg, esposa de Franz von Walsegg falece aos seus 20 anos. Em Julho do mesmo ano, bateu à porta de Mozart um desconhecido (possivelmente Franz Anton Leitgeb ou Johann Nepomuk Sortschan) a mando de Walsegg, que desejava uma missa de réquiem para o memorial de sua falecida esposa, mas que planejava dizer que fora ele quem compôs a obra (por isso o anonimato). Recusando-se a se identificar, o mensageiro deixa Mozart encarregado da composição de um Réquiem em Ré menor. Deu-lhe um adiantamento de 50 ducats e avisou que retornaria em um mês com os outros 50 restantes.[2] Mas pouco tempo depois, o compositor é chamado para Praga com o pedido de que ele escrevesse a ópera A clemência de Tito, para festejar a coroação de Leopoldo II na comitiva de compositores de Antonio Salieri.[3] Quando subia com sua esposa Constanze na carruagem que os levaria a esta cidade, o desconhecido ter-se-ia apresentado outra vez, perguntado por sua encomenda. Mozart lhe promete que a completaria assim que voltasse de sua viagem, dizendo-lhe que ficou mais interessado na missa. Todavia, Mozart conseguiu terminar apenas poucas partes do Réquiem antes da sua morte: Toda a orquestração da Réquiem Aethernam, um rascunho detalhado da Kyrie, trechos instrumentais, o coro e o baixo cifrado da Sequentia até a Lacrymosa, esta que apresenta apenas 8 compassos. Também havia todas as vozes e baixos cifrados do Domine Jesu e da Hostias. Wolfgang também deixou alguns rascunhos de músicas, dentre eles uma fuga Amém e outros papéis perdidos. Cinco dias após sua morte, em 10 de Dezembro de 1791, a Introit foi tocada em um serviço memorial para o próprio Mozart na Igreja de Miguel Arcanjo em Vienna, tendo quase toda sua orquestração completada por Franz Jacob Freystädtler (madeiras, cordas e trombones), tendo os seus tímpanos e trompetes adicionados posteriormente por Franz Xaver Süßmayr, vale ressaltar que a participação de Freystädtler não é uma certeza, sendo alvo de discussões entre diversos historiadores e musicologistas.[4][5] Em 21 de Dezembro de 1791, o jovem Joseph Eybler foi encarregado por Constanze de terminar a obra, afinal, Mozart deixou dívidas enormes para Constanze, fazendo com que ela precisasse dos outros 50 ducats restantes da comissão. No entanto, após completar todas as partes dos instrumentos de cordas da Sequentia e toda a orquestração do Dies Irae e do Confutatis, além de ter adicionado dois compassos na linha do soprano da Lacrymosa, Eybler desiste por razões desconhecidas. Após tentar com que vários compositores terminassem a obra, Constanze enfim se aproximou de Süßmayr, este que coletou diversos rascunhos e finalizou a orquestração da obra, além de compôr o resto da Lacrymosa, todo o Sanctus, Benedictus e Agnus Dei, e repetir parte do Réquiem Aethernam para a Lux Aetherna e a Kyrie para o Cum Sanctis Tuis.[6]   O Requiém está pronto e a 1ª temporada do Podcast tmb. Foram 108 episódios falando sobre os mais variados assuntos e agora eu  me despeço temporariamente lembrando que vou deixar 3 links aqui para você se inscrever em pelo menos um deles.   Formação Imersão Curso   Om Namah Shivaya  

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