Blog

Podcast de Yoga


Conversando com um Unicórnio
Podcast de Yoga | 6 jul 2021 | Daniel De Nardi

Conversando com um Unicórnio – Podcast

Conversando com um Unicórnio! O podcast desta semana conta um pouco do líder por trás do novo unicórnio brasileiro. Vitor lazarte, fundador da Wildlife Studio é o personagem do episódio de hoje.   Para ouvir o Podcast, clique no botão abaixo! Tópicos elaborados no podcast! A Revista Exame estampou na Capa 5 Unicórnios brasileiros, sendo um deles, um unicórnio desconhecido - Wildlife Studio Conversei com Vitor em maio de 2016 As pessoas mais inteligentes e interessantes que eu conheço  Depois da conversa sempre tive Vitor como um exemplo profissional. Summer job Conversa : viu o site, viu o concorrente  Disse que sociedade com uma pessoa no RJ e Miami não ia funcionar Que não deveria fazer campanha enquanto não me orgulhasse do produto Que ele só investia em empresas de poucos programadores que ficam dentro de uma casa fechada programando Um dia reencontrei Vitor na Barrinha e mencionei que tudo o que ele havia falado Enviei msg parabenizando e ele respondeu tmj Música de hoje é do grupo Daft punk, chamada Giorgio By Moroder  A música que vocês ouviram mostra uma entrevista com Giovanni Giorgio um dos primeiros compositores de música eletrônica a usar sintetizador e criar um novo estilo musical. Segundo Bangalter, a dupla tem uma \"regra geral sobre não aparecer em vídeos.\" Embora a dupla raramente conceda entrevistas, Bangalter é citado como sendo o mais conversador e teimoso. Em relação à fama e ao estrelato, ele disse: \"Nós não acreditamos no estrelato. Queremos que o foco seja a música. Se tivermos que criar uma imagem, ela deve ser uma imagem artificial. Essa combinação esconde nossa fisicalidade e também mostra o nosso ponto de vista sobre o estrelato. Não é um compromisso. Estamos tentando separar o lado privado e o lado público. Só que nós estamos um pouco embaraçados pela coisa toda. Não queremos brincar nesta coisa de estrelato. Não queremos ser reconhecidos nas ruas. Sim. Todos têm nos aceitado usando máscaras em fotos até agora, o que nos faz felizes. Algumas vezes as pessoas ficam um pouco decepcionadas, mas essa é a única maneira que queremos fazer. Achamos que a música é a coisa mais pessoal que podemos dar. O resto é apenas as pessoas levando-se a sério demais, o que é tudo muito chato às vezes.\"  Bangalter, Daft Punk LINKS   Lista de espera da Formação  Playlist da Série Reflexões de um YogIN Daft Punk Instagram da Série 

inteligencia artificial
Podcast de Yoga | 4 jul 2021 | Daniel De Nardi

O Futuro da Inteligência Artificial – A Superinteligência de Bostrom – Episódio 02

A Superinteligência de Bostrom A série \"O Futuro da Inteligência Artificial\" apresentará previsões de especialistas para o que vai acontecer relacionado à Tecnologia nos próximos 100 anos. O episódio 2 mostra a previsão do filósofo Nick Bostrom, mentor de Elon Musck (fundador da Tesla e SpaceX). Bostrom prevê o desenvolvimento de um sistema que será melhor que os seres humanos em todas as suas habilidades, isso ele chama de Superinteligência. LINKS Lista de Espera da Curso de Formção de Yoga Online do YogIN App   \"A essência humana no anonimato\" podcast que apresenta a Teoria de Realidade Simulada, de Nick Bostrom   \"A fusão Homem Máquina de Harari\" Podcast de abertura da série \"O Futuro da Inteligência Artificial\"   Perfil do Podcast no Instagram   Playlist com as músicas dos episódios   https://open.spotify.com/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa?

Satya, A Verdade
Filosofia do Yoga | 3 jul 2021 | Daniel De Nardi

Satya, um valor yogin – Podcast #28

Satya, um valor yogin - Podcast #28 A verdade é busca primordial dentro da cultura indiana, não é a toa que no brazão da índia está escrito \"A Verdade triunfará no final.\" Satyameva jayate! https://soundcloud.com/yogin-cast/satya-um-valor-yogin-podcast-28 LINKS Curso de Especialização para Professores de Yoga -   https://yoginapp.com/curso/especializacao-em-yoga-curso-para-professores-de-yoga   Documentário Callas que passou no GNT -\'Callas\' no GNT: documentário imperdível - Patrícia Kogut, O Globo https://t.co/W2avw9SgE7 via @PatriciaKogut — Daniel De Nardi (@danieldenardi) August 10, 2017   Documentário - Maria Callas, Life and Art      Playlist da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa       Transcrição do Podcast #28   Satya, Um Valor Yogin – Podcast #28 Olá, meu nome é Daniel De Nardi. Você está ouvindo Maria Callas cantando uma ópera de Puccini. Estamos começando o 28º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nesse final de semana nós gravamos, como eu falei no podcast passado, o curso de especialização para professores de yoga. Então será um curso voltado para aqueles que já fizeram alguma formação, seja no YogIN App ou em uma formação presencial em algum lugar. O curso é voltado para quem já está dando aula ou para quem já fez a formação e tem interesse em dar aula. Foi um curso muito especial, com conteúdo muito rico. Nós começamos com a Renata Mozzini, ela trabalhou com a questão de como montar uma aula de acordo com aquilo que você gosta, ou que o seu aluno precisa, depois a Bianca Vitta falou muito sobre as correções, do toque, o ajustamento perfeito e a adequação da prática para os diferente níveis de dificuldade dos alunos, e a Sá Souza filmou especialmente sobre yoga pra gestantes, como proceder quando uma aluna gestante estiver em aula, embora isso pareça simples e tenha algum tipo de orientação nos cursos de formação, ela falou mais de três horas coisas extremamente interessantes. Então, valeu muito a pena, eu mesmo aprendi bastante, e os próximos cursos estão sendo gravados, vamos montar com seis professores, vai ficar muito bom para aqueles que estão na jornada como professor de yoga. O assunto de hoje do podcast é Satya, que é a verdade. A verdade é um valor muito importante, muito precioso para os yôgins porque a Índia, como um todo, ao longo da sua história, sempre fez uma busca pela verdade. Nos textos indianos é muito mais uma busca pela verdade do que um discernimento entre o bem e o mal, a verdade é aquilo que se busca. A verdade na expressão de si mesmo e como uma coerência existencial. O brasão da Índia tem a frase “Satyameva jayatê”, da Mundaka Upanishad, que significa “no final a verdade triunfará”, porque se você constrói algo em cima da mentira, aquilo se desmancha. Só a verdade que se sustenta, então efetivamente o que nós somos é uma verdade, porque o que a gente realmente é fica e é aquilo que a gente tem que manifestar mais, então é muito importante, dentro do processo do yoga, a gente fazer esse trabalho e esse questionamento interno, se estamos realmente sendo coerentes, verdadeiros. Essa coerência é muito importante para o estilo de vida de um yôgin, entre aquilo que sente, que percebe, aquilo que pensa e aquilo que efetivamente age. Existe um episódio clássico da vida de Gandhi, em que ele foi dar uma conferência no Parlamento inglês, e ele acabou colocando tudo aquilo que realmente acreditava, que a colonização não estava sendo boa para a Índia, falou num certo assim, um pouco agressivo, de forma a desconcertar muitos dos parlamentares, o discurso durou cerca de duas horas. Ao final os repórteres que o viram discursando perguntaram ao assessor de Gandhi como ele discursou durante duas horas sem ter nenhuma anotação como apoio e consulta, o assessor respondeu que quem necessita de papéis para verificar as anotações eram eles, incluindo a si mesmo, que estavam acostumados a falar uma coisa e sentir outra. Como Gandhi buscava uma vida de coerência, claro que como ser humano certamente tinha os seus defeitos, mas ele tinha essa busca pela verdade, pela coerência, então ele não precisava, segundo o assessor, consultar alguma referência. O que ele falava era o que estava sentindo e pensando, e ele manifestava aquilo através da voz. Isso é muito interessante porque é uma demonstração de espontaneidade, de algo verdadeiro. E o Satya e Sat tem o mesmo prefixo que é o de existir, então a verdade é o que existe. Algumas coisas que a gente pode observar, que pode nos ajudar nessa busca de coerência, nesse trabalho de coerência vão muito do cumprimento de contratos, sejam internos, aqueles que você faz consigo ou de externos, com outras pessoas. Não existe muito uma dissociação, então cumprimentos de contrato, quaisquer forem. Essas duas habilidades andam lado a lado, uma vez que você cumpre o que diz a si mesmo, acaba tendendo a cumprir com outras pessoas. Daí você me diz “ah, eu vou ficar muito quadrado, nunca vou poder mudar de planos”. Claro que mudar de planos é sempre necessário, devemos estar abertos para o erro, mas o ponto é que se você não cumpre a sua palavra começa a perder uma força interna, uma força mental de execução. Quando você cumpre o que diz, vai criando uma confiança que aumenta à medida que você cria projetos mais elaborados. Se não cumpre o que diz para si, pode achar normal também não cumprir para com as outras pessoas e isso vai enfraquecendo a sua capacidade de realização e, até mesmo, a sua coerência interna porque sente que deve fazer algo, diz, pensa e age de forma coerente, agora sentir e não fazer por preguiça e em outro momento não fazer também vai criando um nível de incoerência a ponto de que a mentira sempre revela esta incoerência. Um pouco de mentira faz parte da vida, não tem como a gente viver em uma sociedade sendo cem por cento sincero, mas o ponto aqui, o que vale mesmo é o que se faz consistentemente na vida, se você tem uma coerência na sua existência, uma coerência de constância, isso traz espontaneidade. Não criando papéis para interpretar, simplesmente manifestando aquilo que efetivamente é você. Essa coerência vem com essas coisas aparentemente que não tem uma relação como esse cumprimento de verdades nas suas palavras ou atitudes. E esse tipo de treinamento, de cumprir as coisas, precisa ser pensado antes de se fechar o acordo. Por exemplo, se combina algo com alguém, mas no ato não está muito afim, inventa uma desculpa e não vai, isso vai criando uma aceitação da mentira. Quando decide ter tarefas é importante ter certeza se elas tem real sentido para você e se vai consegui entregá-las, porque se não, não se comprometa, é melhor assim do que no final não dar um resultado prometido. Ao fazer uma meditação, por exemplo, pode-se treinar isso, ao fazer uma meditação de dez minutos, que é um tempo muito bom (meditação de dez a quinze minutos tem um tempo excelente, o recomendado), mas aí em cinco minutos após começar já se começa a reclamar e mais dois minutos depois você para. É uma quebra de contrato, houve o comprometimento em se fazer com dez. Ou se faz uma meditação de cinco minutos ou não se faz, porque cumprir com o que se determinou, é parte do processo meditativo. A mente sempre vai dizer o que é mais importante no momento da meditação, ela vai tentar desviar do que é prioridade. “Ah, então eu vou ficar sempre em cinco minutos?” não, eventualmente você vai ter que se desafiar, sair da zona de conforto, perceber que faz sentido sair dela e, então, vai passar dos cinco para os dez. Mas o dia em que se decidir fazer dez ou quinze, precisa cumprir com o prometido, no dia seguinte você pode até recuar, mas precisa cumprir o que determina, isso vai criando um poder interno, crescente, porque a cada contrato cumprindo se ganha uma confiança interna, e se cumpre um contrato com uma pessoa também se ganha confiança e mais crédito com ela. A confiança, que é baseada na verdade, cresce e nos dá mais poder de realização e de manifestação da nossa espontaneidade. Então o que eu queria falar hoje é sobre o Satya que é esse yama muito importante, um dos conceitos éticos do yoga. Hoje escolhi uma ópera, apenas no episódio quatro que coloquei uma – A Flauta Mágica –, e hoje trouxe uma de Puccini que é o compositor de ópera...acho que ele e o Verdi são os mais populares, inclusive essa que você vai ouvir agora, Madame Butterfly, uma das óperas mais populares que já foi escrita. Para quem não sabe, o Japão, no final do século XIX e início do XX, era um país extremamente fechado, não tinha abertura para nenhum país próximo e muito menos para o ocidente, esse processo foi começando aos poucos, mas o que aconteceu foi que os EUA começou a fazer investigações no Japão, levar militares para lá, que tiveram casos com muitas japonesas deixando-as por lá, depois. A história de Madame Butterfly é contada neste contexto, final do século XIX, um militar americano chega ao Japão, compra uma terra e ganha uma gueixa, uma menina de dezesseis anos, e promete casar com ela. O amigo dele, cônsul do Japão, alerta ele de que será muito difícil para ela, ele a fará sofre demais, ele não dá muita bola, mas vai embora dos EUA e diz que vai voltar. A menina fica a sua espera, recebe um pedido de casamento de um outro home, mas não aceita e todos ficam tentando alertá-la de que ela vive uma via ilusória, ela não acredita. Um dia ele volta, porém com a esposa americana, a Butterfly, a gueixa, havia tido um filho dele e leva o menino para uma casa e acaba se suicidando na frente dele. O Japão tem um alto incide de suicídio, muitos causados pela verdade, pela honra. Quando ela se suicida, retira do baú um punhal, que e o pai dela havia cometido um seu, conhecido como haraquiri, um suicídio, um ritual de suicídio. No punhal estava escrito: com honra morre aquele que não mais com honra pode viver. A verdade fere esta ideia antiga, mais do que a vida. Vocês vão ficar com Maria Callas, que foi uma das maiores cantoras de ópera de todos os tempos. Passou um série sobre ela no canal GNT, chamado Callas, quem puder ir atrás, no site da Net pode-se acessar programas antigos, vou deixar um link com a reportagem sobre esse documentário. Maria Callas a vida inteira cantou a ópera, e no fim, quis viver aqueles dramas todos. Teve um relacionamento com Onassis, largou o marido dela para viver com ele, porém este era uma galanteador, ele estava mais preocupado em fazer fama e ela era uma das mulheres mais desejadas no mundo todo, na época e ele a abandonou, fazendo com que ela viesse um final de vida sofrido. Tem um filme sobre Maria Callas que concorreu ao Oscar alguns anos atrás, focando, principalmente no final de vida dela, quando a voz dela começou a falhar e após os problemas amorosos sofreu muito, após o término com Onassis entrou em depressão. Uma das vozes mais lindas da ópera, das mais conhecidas, equivale ao nosso tempo o que é Luciano Pavarotti, com vocês um trecho de Madame Butterfly cantado por Maria Callas. Até o próximo Podcast.    

Podcast de Yoga | 1 jul 2021 | Daniel De Nardi

Liberdade de Expressão – Podcast #29

Liberdade de Expressão - Podcast #29 Liberdade de expressão é um assunto bem mais complexo do que eu conseguia imaginar. https://soundcloud.com/yogin-cast/liberdade-de-expressao-podcast-29 Links Página de Ebooks gratuitos do YogIN App https://yoginapp.com/ebook-yoga/ Grupo do Facebook - Conhecendo o Yoga a Fundo Paganini Trilha Sonora da série, Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Liberdade e expressão – Podcast #29 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, essa é Hilary Hahn interpretando uma música de Paganini. Esse é o 29º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Acho que dentro de todos os episódios, eu sempre acabei concluindo o tema trazido, hoje não irei concluir, o tema ficará aberto para reflexão de cada um. É sobre a liberdade de expressão. Este tema é bem delicado e atual, por conta dos acontecimentos que ocorreram nos Estados Unidos recentemente, em Charlottesville, onde ouve um embate de dois grupos supremacistas (negros e brancos) defendendo a ideia de que existe uma raça superior. O triste episódio ocorrido no EUA é de um nível tribal, como se o ser humano não tivesse compreendido nada no decorrer do tempo, sendo que como é possível determinar uma raça superior por uma questão geográfica? Por ter nascido em determinado local se seria superior? Isso vai contra tudo o que a ciência tem descoberto e que a filosofia ou as religiões acabam observando também, a gente vê no caso do yoga que o Purusha, que é a essência, está dentro de cada um, então não teria como existir uma raça superior, uma vez que todo mundo tem dentro de si, não é distinto de acordo com o local e época de nascimento. Essa essência está dentro de cada um e é o papel de cada um deixar vir, trazer, despertar. Esse assunto, que acabou criando esse embate nos EUA, é fruto de uma outra discussão que é a liberdade de expressão. Como eu disse, a liberdade de expressão é um assunto muito delicado, é necessário um estímulo dela, há uma vantagem nos ambientes em que a liberdade de expressão é possível ser explorada e, então, surgem ideias novas, surgem soluções diferentes, isso é muito visto nos locais que são abertos para as ideias em que há o desenvolvimento da sociedade muito maior do que nos locais em que todas as ideias novas são castradas e obstruídas, ficando atrás em relação ao desenvolvimento da sociedade como um todo. Por outro lado, a liberdade de expressão nos dá acesso a ideias como a de grupos extremistas como o nazismo ou qualquer outo grupo que de intitule superior racialmente. Usando como pretexto a liberdade de expressão, fala-se sobre o nazismo ou qualquer outro grupo excludente. No Brasil e em outros países, como a Alemanha, isto é proibido, não se pode criar grupos nazistas, enquanto nos EUA pode. Há leis diferentes de acordo com o entendimento de cada país com a questão. Nos EUA se parte do pressuposto de que o debate pode ocorrer desde que ele não se torne em uma ação prejudicial a alguém, no caso, como vimos, teve mortes e isso é em uma escala macro, com consequências enormes. Numa escala micro, o debate e a liberdade de expressão está em várias áreas da nossa vida. Recentemente a gente teve um caso bastante interessante com o nosso grupo de yoga no Facebook, um grupo de discussão chamado “Conhecendo o Yoga a fundo”, sempre foi um grupo em que as pessoas expuseram as ideias, havia alguma discordância, mas existia uma harmonia no grupo, até qganadosue dois integrantes o grupo começaram a atacar e falar de forma mais agressiva, alegando que os participantes do grupo estavam sendo enganados e que eles detinham a verdade sobre o que era o yoga verdadeiro. A gente tem uma dificuldade em relação ao yoga porque diferentemente de outras regiões, como Roma e Grécia que se preocupavam em data, no yoga e no hinduísmo como um todo não há essa preocupação, os textos não possuem datações. E naquela discussão do grupo no Facebook, um dos participantes se diz ser de uma tradição que antecede o yoga de Patanjali, a dos Nathas, então, segundo ele, quem teria a verdade seria os Nathas, no extremo do conhecimento acaba-se chegando num limite de fé, como neste caso. Porque se há uma história que foi contada, que seria primeiro os Vedas, depois as Upanishads, depois o começo do Tantra no século III ou IV e que vai se desenvolvendo de acordo com a dinastia Gupta. Os detentores da tradição Natha dizem que ela é anterior a Patanjali, que o que Patanjali escreveu seria consequência dessa sabedoria e aí há essa postura de um dos participantes de se colocar como alguém que sabe de algo e os outros como os ludibriados. É um pouco complicado porque, como eu falei, se restringe apenas uma visão e temos que respeitar, mas cada um deve olhar pra si e ver o que mais faz sentido dentro deste quebra-cabeça, dentro das evidências mais fortes que conseguimos construir uma verdade. Não vi totalmente o debate, como chegaram algumas reclamações acabei dando uma olhada e identifiquei esse ponto limítrofe que esbarra na fé, mas isso não acontece somente na parte histórica, mas na ciência também. O fato de eu não ter participado do debate é pelo fato de eu estar escrevendo o terceiro livro de uma série de cinco que irei publicar, este livro trata de um assunto que acaba se aproximando dessa discussão, uma ala da ciência que tenta provar que os pensamentos são apenas reflexos de uma série e estímulos anteriores no cérebro. Então a gente tem uma ideia que surge, um pensamento, que acaba gerando uma descarga ou influenciando o cérebro. Esta área da ciência, chamada de Fisicalismo, tenta provar o contrário, que no fundo tudo é consequência de estímulos cerebrais, que não temos o controle sobre esses estímulos, o que a gente tem é apenas uma justificativa consciente, o que a gente faz é uma decisão a priori com impulsos nervosos e liberações endócrinas. É um assunto bastante delicado, mas que se esbarra na questão da fé ou de reconhecimento de evidências, então existe de fato uma consciência que seria o que comanda ou simplesmente é uma enganação do tipo de estimulo que os pensamentos geram que nos dão a impressão de que a gente percebe algo antes, mas no fundo tudo acontece no nosso cérebro, sem nenhum livre arbítrio efetivo nosso. Então chega nesse ponto que é a fé, uma questão de opinião baseada numa crença, porque como se saber qual tradição veio antes ou como saber se existe tal percepção por trás, vai sendo da evidência de cada um. O ponto é que se deve liberar a discussão sobre os diferentes assuntos, tem que estimular, mas daí vem o outro lado porque na vida a gente nunca tem o ganho dos dois lados. Estamos passando agora pela era da comunicação, dos smartphones, que é interessante, a gente fala com todo mundo a na hora que em entende, mas há de convir que o mundo como um todo está ficando aparentemente mais “retardado”, com todos concentrados em seus aparelhos. Então sempre tem um lado que ganha, outro que perde. No caso da liberdade de expressão temos risco no que aconteceu nos Estados Unidos e no nosso grupo o que acaba acontecendo é que pode-se até criar fakes para mostrar ter receber apoio, e quando há pessoas te apoiando já é muita coisa. O que é complicado porque o interesse de quem faz isso pode ser financeiro, comercial. O fato é que esta pessoa teria mais tempo para trabalhar e desenvolver as ideias, o que acaba desestimulando as pessoas que se dispunham a fazer um debate mais tranquilo, que passam a se sentir desmotivadas pelo tipo de comportamento agressivo de um integrante. É uma situação delicada, o que fazer? Censurar, retirar a pessoa do grupo? Ou não, vai tentar fazer com que ela se adeque, mas enfim...Como eu disse no início, este episódio não terá uma conclusão, apenas um ponto de vista e como a liberdade de expressão tem as duas facetas e como, no geral, as duas tem em todas as coisas da nossa vida, as mudanças sempre trazem os dois lado, sempre uma ambivalência, um ganha e um perde, é isso que eu quero dizer. Pra finalizar vou deixar a música completa do Paganini, quem estiver assistindo pelo App conseguirá ver as imagens da violinista Hilary Hahn tocando Paganini que foi um violinista e compositor do século XVIII (1772 a 1840), ele tinha um virtuosismo, tocava acima dos outros, de uma forma que ninguém conseguia tocar, por esta razão foi considerado ter pacto com o diabo. Vou deixar com vocês a Caprice 24 que, em sua época, era o único que consegui tocar, mesmo não sendo uma das músicas mais lindas é das mais difíceis de tocar.  

Filosofia do Yoga | 27 jun 2021 | Daniel De Nardi

O Oriente encontra o Ocidente, o início do Yoga por aqui – Podcast #13

Como o Yoga começou por aqui - Podcast #13 No podcast de hoje vamos entender quando o Yoga chega ao ocidente trazido pela influência de um violinista. O desconhecido no mundo do Yoga e famoso no mundo da música Yehudi Menuhin, primeiro aluno ocidental de B.K.S. Iyengar. A primeira aparição do Yoga no ocidente acontece em 1893 na Conferência Internacional das Religiões em Chicago. Vivekanada, o yogin que primeiro falou sobre o Yoga no ocidente foi homenageado com o nome dessa rua na cidade onde a conferência aconteceu. Depois disso, as ideias do Yoga não criaram raízes no pensamento ocidental. A prática de Yoga começa a ganhar força apenas na década de 50 quando o violinista Yehudi conhece Iyengar e começa a traze-lo regularmente para palestrar no ocidente. Primeiro na Suíça em 1952 e depois em várias cidades americanas, onde funda escolas e começa a difusão do Yoga no Ocidente. Iyengar conheceu Menuhin em 1952 em Bombaim, Índia. Menuhin estudou com Krishnamurti que recomendou que Iyengar ensinasse Yoga ao violinista. Quando se encontraram, Menuhin disse que estava muito cansado e que não ia poder ficar muito tempo com o professor. Iyengar lhe ensinou uma invertida e o músico executou. Menuhin adorou a técnica e ficou praticando por mais uma hora com Iyengar. Menuhin começou a perceber que o Yoga melhorava sua performance na música. Tornou-se um yogin disciplinado e estudioso. Manteve contato com Iyengar por toda a vida dedicando seu mais famoso livro - Light on Yoga ao seu aluno Äo meu melhor professor de violino.\"B.K.S. Iyengar.             Links Álbum gravado por Yehudi e Ravi Shankar - West Meets East Curso de Formação do YogIN App https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores Trilha Sonora da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo Praça de Chicago onde há uma ruela homenageando Vivekananda   Documentário sobre Menuhin Yehudian https://youtu.be/sMTFMVvzHfQ Curso de Mantra com Sandro Shankar - Audiobookm de Iyengar B.K.S. Iyengar O que Iyengar pensa da evolução do Yoga https://youtu.be/mv4SkZVGxU8 Iyengar foi homenageado na página do Goolge em seu \"97\" aniversário https://youtu.be/Jot8PoRASh0   https://yoginapp.com/aulas/hatha-yoga-com-props/   Yoga com Props com Mariel Gunsch Aulas YogIN App Apresentação da aula de Yoga com Props no YouTube https://youtu.be/4DwvplhcYJg   Planos de assinatura de aulas de Yoga online Boas reflexões e até o próximo Reflexões de um YogIN Contemporâneo. Transcrição do Podcast   O Oriente Encontra o Ocidente, O Início do Yoga por Aqui #13 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e hoje é o dia em que a gente vai unir a música clássica com o nascimento do yoga no ocidente ou a vinda do yoga para o ocidente. No curso de formação do YogIN App, nós temos uma aula bem extensa que explica detalhadamente qual é o contexto histórico tanto na índia quanto no ocidente quando o yoga passa a ser difundido e praticado e reconhecido. Hoje a gente vai falar um trecho desta história porque vamos comentar sobre quem canta esta música com Ravi Shankar, é um violinista chamado Yehudi Menuhin, podemos considerá-lo o padrinho do yoga no ocidente. Oficialmente o yoga chega ao ocidente em 1893, na Conferência Internacional da Religiões, um grande mestre de yoga indiano chamado Vivekananda é convidado para falar sobre o yoga e o hinduísmo e ali se pode dizer que o yoga foi explicado como conceito pela primeira vez no ocidente, em Chicago. Inclusive, na praça principal da cidade, onde tem alargada da maratona de Chicago, tem uma ruela chamada Vivekananda way, em homenagem ao mestre, por ter trazido o yoga ao ocidente. Mas após a palestra o assunto não fica presente, não cria raiz, tanto que passa-se muitos anos e demora para que se tenha uma escola de yoga por aqui. Fala-se que em 1940 abriu a primeira escola de yoga, de uma russa em Cuba, porém não foi nada expressivo. O yoga começa de fato ser conhecido no ocidente a partir desse violinista, o Yehudi que eu já mencionei. Yehudi Menuhin não é muito conhecido como popstar, mas dentro do meio da música clássica ele é bastante reconhecido, ele foi um dos maiores violinistas do mundo de sua época, ele nasceu em 1916 e morreu em 1999, e ele era um prodígio desde o início de sua carreira ele tocava de forma magnifica, começou muito cedo e tinha muita habilidade para aquilo. E ele esgotou os recursos da música ocidental e começou a pesquisar os padrões orientais, ele começou a observar que a Índia não seguia o mesmo padrão de notas musicais e ritmos, e passou a estudar a música inicialmente indiana, mas você fizer um estudo profundo sobre a música indiana (e a gente tem um outro curso de mantra do Sandro Shankara que pesquisa a música indiana clássica) vem junto muitos conceitos do hinduísmo não é só a música pura. E, a partir dali, Menuhin começa a travar contato com a inteligência indiana, filosofia, modo de viver, especulações sobre a vida, então ele começou a estudar um autor famoso no ocidente chamado Krishnamurti que recomendou a ele que conhecesse o Iyengar e praticasse yoga. Um dia Menuhin estava na Índia e chamou o Iyengar para fazer algumas posições pra ele (esta história é conhecida ela, inclusive, está na página do Iyengar), ele estava muito cansado e, então, o Iyengar chegou lá e disse que ensinaria um exercício que iria melhorar o cansaço dele, pediu para que ele levantasse as pernas, provavelmente pediu para que ele fizesse um sarvangasana – uma invertida sobre os ombros – , Menuhin gostou daquilo, sentiu os efeitos e ficou mais de uma hora praticando com Iyengar. Depois passou a chamá-lo porque sentiu-se muito bem, assim tornou-se um exímio praticante. Em 1952 ele chama Iyengar para ir a Suíça para dar uma palestra, foi aí que o yoga começou, realmente, a criar raiz no ocidente.  Depois Iyengar vai para os EUA e começa a fundar as primeiras escolas de yoga, então o yoga funda-se realmente como uma estrutura, como uma marca indiana no ocidente, a partir desse movimento desses dois importantes ícones da cultura do yoga e foi esse acaso que fez com que o yoga fosse difundido, porque ele ganha corpo no ocidente com o Iyengar que, inclusive em 2004, entrou para a lista da revista Times como um dos cem homens mais importantes do mundo, ele chegou a um patamar que nenhum outro mestre de yoga chegou, e talvez chegue, ele foi mundialmente reconhecido e quando você vê entrevistas ou estuda a obra dele (eu sempre falo da audible, que tem muitos livros dele para quem gosta de ouvir, mas que gosta e ler tem a obra toda traduzida para o português) percebe que e não era a intenção dele ficar conhecido no mundo todo, tanto que ele ficou morando na cidade dele a vida toda. Ele era um difusor, ele sobre levar a mensagem do yoga com um aspecto terapêutico, mostrando fato os efeitos que prática fazia nos praticantes e adequando a pratica como um estilo de vida para a vida inteira. Ele inclui props que são aquele bloquinhos e também faixas. Se você for muito tradicionalista você vai dizer “ah, imagina, na antiguidade não se praticava com bloco e nem com faixas” mas e daí? Na antiguidade se dormia na pedra, então vamos dormir também? Isso não faz sentido, o yoga é um filosofia que venceu ao tempo justamente pela sua adequação, ele não ficou preso a dogmas inflexíveis, e foi mantendo o centro essa busca por uma paz interna, por uma sensação de auto-observação mais precisa, o yoga manteve isso apesar das técnicas irem mudando ao longo do tempo e isso se preservou e isso é o que se tem de mais valioso no yoga, agora, “não vou usar o props porque os primeiros praticantes não tinham” isso eu acho uma besteira muito grande, eu uso e me ajuda muito na prática, assim como as faixas, determinadas posições você não consegue realizar (como alcançar o pé ou levantar a perna)  e você não vai usar a faixa porque é um tradicionalista, mas se usasse conseguiria realizar a posição, relaxando o músculo sem fazer força, qual é a escolha mais inteligente? Então o Iyengar trouxe esses materiais e a adequação do yoga como um estilo de vida para as pessoas praticarem ao longo dos anos, inclusive ele era um crítico dos altos, no Ashtanga ele dizia “como é que você vai saltar aos 80 anos?”. A prática dele tem esse objetivo, ficar a vida inteira praticando (como ele, existe imagens dele bem velhinho praticando) porque ele usou desse método, se o yoga é uma prática que desenvolve longevidade, precisa ser uma prática que você consiga levar para a longevidade, então o estilo de yoga do Iyengar faz esse trabalho. A gente tem uma aula de yoga com props da professora Mariel, eu vou deixar o link pra quem for aluno e quiser praticar, pra quem não for aluno eu vou deixar uma apresentação dessa aula que a gente tem o YouTube e também o link das nossas aulas, pra você ver quantas aulas o YogIN App tem disponível. A gente mais de cem aulas e o aluno pode escolher por diferentes períodos e estilos, você poderá fazer uma triagem de acordo com as suas necessidades, praticar quantas vezes quiser, salvar nos favoritos, então você poderá acessar facilmente essa aula e fazer tudo isso pelo aplicativo ou pelo site. Quem não conhece e quer conhecer aproveita que a gente está por um período, que eu não sei quanto tempo irá durar, para baixar o aplicativo e tem trinta dias grátis para experimentar, pode cancelar antes dos trinta dias, sem custo. Uma oportunidade para você que não pratica yoga começar. A ideia não é substituir a aula presencial, algumas pessoas não tem a possibilidade de frequentar aulas de yoga, às vezes não tem na cidade delas, então para ela seria interessante. Quem  faz em uma escola pode conciliar, aulas online tem essa vantagem de a gente fazer na hora que a gente quiser ou nos momentos em que não tem aula, hoje, por exemplo, eu estou gravando numa sexta-feira de feriado e muitas escolas podem estar fechadas e quando o aluno quiser praticar ele tem a opção do yoga on line, pode fazer um plano simples, tem planos a partir de R$29,00 e escolher um plano pra você ter como um plano B. E pra quem faz regularmente e só tem essa opção, eu sugiro que faça um plano que vocês consigam interagir com os professores (é uma opção, você pode continuar com a aula gravada), o plano Premium a gente consegue interagir e vê-los durante a prática. Então eu encerro por aqui, esse foi mais um Reflexões de um YogIN Contemporâneo, e eu vou deixar o link do álbum que eles gravaram do Menuhin com Ravi Shankar que começa a ligação do yoga com o ocidente, vou deixar o álbum pra quem quiser ouvir. Até o próximo podcast. Om Namah Shivaya!     https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia

Podcast de Yoga | 26 jun 2021 | Daniel De Nardi

Aprendizado online – Podcast #25

Aprendizado online - Podcast #25 da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo.   A capacidade de aprender é considerada uma metacompetência, uma habilidade que favorece a aquisição de todas as outras. Nunca esteve tão fácil aprender a aprender.   https://soundcloud.com/yogin-cast/aprendendo-online-podcast-25   LINKS   Curso de aprendizado https://yoginapp.com/curso/yoga-aprendizado-e-liberdade/   Curso de Formação de Yoga online - início 6 de agosto https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/ Reportagem do Podcast   Aprenda Mais reportagem: Você S/A - Junho de 2017. #pesquisavocesa https://t.co/fOAjfCVvvt — Daniel De Nardi (@danieldenardi) June 14, 2017   Aprendizado online Podcast Jovem Nerd https://jovemnerd.com.br/nerdcast/nerdtech/aprendizado-online/ Grupo do Facebook - Conhecendo o Yoga a Fundo    Podcast sobre Vontade de Potência https://yoginapp.com/vontade-de-potencia-podcast-10   Podcast sobre Aprendizado   https://yoginapp.com/aprendizados-podcast-20/   Filme Amadeus no Netflix   Assista a \"Amadeus\" na Netflix https://t.co/VDIDHn4Du3 pic.twitter.com/EzoKPN7ZgD — Daniel De Nardi (@danieldenardi) June 30, 2017   Ubook aplicativo de audiobooks Podcast que se fala do filme Amadeus https://yoginapp.com/narrativas-internas-ariana-na-india-podcast-22 Trilha sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa       Aprendendo Online – Podcast #25 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 25º episódio de Reflexões de um YogIN Contemporâneo, um podcast semanal a respeito de assuntos cotidianos e da sabedoria ancestral do yoga. Nesse episódio nós vamos falar sobre aprendizado online, eu já gravei um outro episódio sobre aprendizado, mas este vai ser um pouco diferente, complementar ao episódio 20 sobre aprendizado. O episódio de hoje surgiu porque aconteceram um cruzamento de conteúdo, primeiro o nerd Cast, que é um podcast que eu gosto e acompanho, fez um podcast sobre aprendizado online com o pessoal daLura que é uma escola de tecnologia, inclusive tem cursos excelentes para quem quiser estudar alguma coisa dessa área, eu inclusive sou do Alura, e lá eles discutiram algumas coisas que estão de acordo com o curso que eu desenvolvi aqui no YogIN App sobre Aprendizado, Yoga e liberdade. Então nesse curso eu aprofundo esse assunto passando mais técnicas e toda a jornada do aprendizado, como ela pode ser melhorada, como ela pode ser acelerada ou mesmo retardada, reduzindo o tempo pra que de fato o aprendizado seja assimilado, então vale muito a pena conhecer o conteúdo do curso, vou deixar o link na descrição deste podcast. E hoje a gente vai falar alguns assuntos que já estão lá, mais aprofundados, mas que são de interesses comuns e que aparecem nesses podcasts. No nerd Cast sobre aprendizado online, eles falam duas coisas que eu concordo plenamente. A primeira é a importância da comunidade, então quando a gente vai aprender sobre alguma coisa, o grupo que se envolve e que tem interesse comum ajuda muito no processo de aprendizado, por isso é tão importante buscar grupos de acordo com os seus interesses. Hoje eu uso o Facebook basicamente como ferramenta de pesquisa em grupos, porque lá você consegue uma informação muito mais específica, com pessoas que estão realmente interessadas em discutir e não aquela história de postar algo que recebe um comentário de um amigo zoando e acaba a seriedade da discussão. Além de serem pessoas que estão predispostas a compartilhar o conhecimento e o tempo pra aprofundar determinados debates. Então nesse podcast eles falam bastante sobre os grupos, eu tenho duas sugestões: o grupo que temos no YogIN App que é o Conhecendo o Yoga a Funda, hoje tem praticamente cinco mil membros discutindo diversos assuntos relacionado ao yoga, e a gente faz diversos grupos, inclusive esse meu curso de aprendizado tem um grupo focado para isso, pra debater esse tipo de assunto. Além disso, um grupo que tem funcionado bem é o do curso de formação. Nós sabemos que o envolvimento com um grupo favorece o estudo, a gente vê que a cada turma do grupo de formação, esse grupo fica unido e as pessoas até desenvolvem projetos juntos. Os grupos nos ajudam a entender, ajudam nesse processo de aprendizagem, porque são pessoas que estão com interesse comum, e quando isso acontece, todas as coisas são possíveis, basta ter a motivação e a vontade, daí todo o tipo de aprendizagem acaba sendo efetivo. O segundo ponto que também observo, e isso eu não estou falando como um dos fundadores do YogIN App, mas sim como um estudioso de cursos online. Então, por exemplo, você vai estudar um assunto variado como o hinduísmo, se você for buscando pela internet, Wikipédia e depois alguns vídeos, é um processo válido e para muitos assunto é desta forma que se pode fazer quando não existe um caminho. Mas, quando você tem um caminho traçado por alguém que está dedicando o seu tempo para aprofundar aquele assunto, a trazer mais referências, isso facilita muito a sua vida. Aquela pessoa não será a “dona da verdade” sobre o assunto, mas ela está trilhando um caminho antes de você, ela dedicou muito tempo com esse percurso estudando e aprofundando, então ela vai favorecer esse caminho. Então, para não citar o caso do YogIN App, desse curso de formação que a gente dá justamente esse trilho, mas citando o caso da Alura, caso você queria estudar determinado programa, digamos que seja, o Photoshop, poderá baixar um e-book sobre a técnica, ou ver um vídeo que fale sobre uma ferramenta exata, uma função do programa ou poderá ter um curso preparado sobre Photoshop, no qual o professor irá detalhar cada passo de cada ferramenta, ensinando passo-a-passo e, paralelamente, quando você vai lidando com o programa é um pouco diferente do que o professor fala, muitas vezes acontecem coisas inesperadas, então é só entrar no fórum e em um dia ele o responde. Este processo de curadoria tem muito valor porque é o valor do nosso tempo. Então, quando você estiver estudando, se tiver alguém para sanar as dúvidas, isso vai economizar muito tempo. E o aprendizado depende de você ter calma, ter tranquilidade para dar o tempo de assimilação, mas por outro lado, se você não vê o progresso em seus estudos é natural que se desmotive. Então se a gente puder, de alguma forma, acelerar o processo de aprendizado, isso vai estimular cada vez mais o próprio aprendizado, porque ele fica mais rápido e, consequentemente você efetivamente observando os resultados daquilo, favorecendo a assimilação do seus estudo. Isso vale para o yoga, que é o caso aqui, tanto o curso de formação quanto os cursos esporádicos e as nossas aulas ao vivo, porque na aula ao vivo você consegue ser efetivamente visto pelo professor, além de ter um acompanhamento da sua evolução. O que eu vejo, hoje em dia no YogIN App, é que os alunos que regularmente frequentam as mesmas aulas já são conhecidos pelos professores. Os professores já sabem qual é o nível dele, o que ele pode ou não fazer, então isso é mais um acompanhamento desses que nos poupam tempo e, no caso do yoga, pode nos poupar até uma lesão. Um outro conteúdo que acabou casando na mesma época que o nerd Cast, foi uma reportagem que saiu na Você S/A sobre aprender mais rápido, eu ouvi essa reportagem no Ubook que é um aplicativo que você assina com vários audiobooks e revistas que você ouve. No meu caso, por exemplo, essa revista não seria algo que eu compraria ou pararia para ler, mas podendo ouvi-la no momento em que eu estou no trânsito, pra mim vale a pena. Então, como o assunto é do meu interesse, acabei comprando a revista e depois li com mais atenção, mas essas pequenas dicas vão favorecendo muito, e eu insisto nisto, no podcast como um sistema de pesquisa e de estudo em momentos que a gente está efetivamente perdendo tempo, não é por estar na praia curtindo, mas no trânsito, às vezes dentro do ônibus, parado no carro, perdendo tempo ouvindo uma rádio que não te traz nada e você dedica o tempo em algum estudo, em algo que te interessa. Então o podcast ajuda muito neste sentido e Ubook favorece porque tem diversas revistas que você pode ouvir, e alguns livros, o acervo deles é pequeno, eu falei isso no outro episódio, a Audible tem um acervo maior, mas vale a pena conferir os serviços desta Startup que é o Ubook (também vou deixar o link na descrição). Voltando a reportagem que ouvi no Ubook, foi interessante porque há várias referências que eu também uso no meu curso, como o Cursera, que é uma plataforma de cursos online que se chama Learn how to Learn, é um curso em inglês, mas que faz também esse processo de aprendizado, estuda esse processo de aprendizado, então a reportagem usou este curso como uma das referências. Eles tratam o aprendizado como uma metacompetência, que seria uma competência acima das outras, porque ela te ajuda a adquirir todas as outras, então a questão do aprendizado se encaixa neste conceito. Por exemplo, se você for uma pessoa desorganizada, mas que quer aprender a se organizado, tem facilidade em adquirir uma competência nova como a organização. Particularmente eu não consigo me organizar no sentido de arrumar e dobrar a roupa o tempo inteiro e deixar tudo organizado, mas quando o assunto é o estudo, eu sou bastante organizado porque sei o quanto tempo aquilo me poupa. Então, eu tento dividir bem determinado assunto ou curso em várias pastas dentro do Google Drive e vou organizando aqueles assunto para que, depois quando quiser consulta-lo, possa diminuir o meu tempo de pesquisa. O mesmo eu faço com os e-books, por isso prefiro ler no Kindle, porque é mais fácil de anotar e recuperar a informação que poderia levar tempo para procurar, o Kindle facilita muito mais que um livro em que você cola post-it, faz anotação, enfim. A organização pode ser desenvolvida uma vez que você tenha a capacidade de aprendizado, que é uma das competências mais importantes para o futuro. Se as coisas estão efetivamente mudando cada vez mais, o que a gente está aprendendo, talvez não tenha valor muito rapidamente e só vai conseguir se manter atualizado a pessoas que aprender o processo de assimilação. A tarefa de aprender pode ser captada uma vez que a gente entenda esse processo como, por exemplo – isso é muito mais elaborado dento do curso -, o primeiro momento que gera um incomodo, o primeiro momento quando você vai aprender algo sempre há um incomodo e, então, você precisa ter uma força para vencer o primeiro momento sabendo que sempre quando aprender algo novo isso poderá acontecer. Tenho um exemplo prático do que aconteceu comigo em relação a isso, nesta semana inclusive, eu resolvi mudar o mouse de lugar. Então eu já tenho assimilado na minha mente que ela sempre reclama quando algo novo precisa ser feito e sempre há uma justificativa do novo aprendizado como algo inútil. Mas eu quis fazer como uma experiência, sabendo da resistência da mente, várias vezes eu peguei querendo voltar na posição geralmente usada, mas aí entra a questão do aprendizado, quando eu tenho que fazer algo mais elaborado, coloco o mouse na posição acostumada, mas eu estou testando e treinando o funcionamento do mouse da mão esquerda só como um treinamento de um aprendizado. Um teste que vale a pena fazer, você vai precisar mudar a configuração dos botões, vale a pena fazer e verá como esse processo da dor (neste caso uma dor pequena) é bem percebido, a musculatura mais tensa, o corpo reclamando do mouse, mas conforme você for vencendo, pode chegar o momento em que se pergunte: Será preciso voltar para o que era antes? Então você ganhou uma outra habilidade, simples, mas o processo que foi pequeno, você precisou insistir, de um tempo, sentiu-se incomodado, mas depois o corpo foi se reajustando e, as vezes, até viu o novo aprendizado como algo melhor. Para finalizar, um assunto que também concordamos que a reportagem da Você S/A acabou colocando que é sobre o descanso. Tanto o sono quanto um momento de relaxamento é necessário para a assimilação do conteúdo. Quando só se joga conteúdo a mente não tem tempo de fazer a elaboração daquilo e esses novos caminhos internos dos neurônios que o cérebro vai gerando, é construído boa parte quando a gente dorme ou quando a gente relaxa, diminuindo a atividade mental. Essa é justamente a proposta do yoga e da meditação, então o processo do yoga está totalmente relacionado com esse processo de aprendizado, de diversas formas, mas essa é muito prática, você precisa de um momento do dia para que toda a informação que você está coletando se ajuste na sua cabeça, para que faça sentido na sua cabeça. Não deixe de acessar a área de cursos para conhecer este curso de aprendizado, e também o curso de formação que vai começar dia 07/08. Como falei no episódio passado, quem está gostando dos podcasts eu garanto que vai gostar bastante do curso, onde a gente vai aprofundar, discutir, conversar e se desenvolver e aprender coisas novas juntos, aprender especialmente o que é o yoga, assunto este que dediquei a minha vida ao estudo, a pesquisa e a prática e é um assunto que vale a pena ser estudado porque é muito profundo e tem muita coisa legal, bacana, a história é interessante, ensinamento prático para a nossa vida, então vale a pena não só para aqueles que querem efetivamente dar alas de yoga, mas para aqueles que querem conhecer um pouco mais sobre esse vasto universo de sabedoria ancestral com, pelo menos, 5.500 anos de história comprovada. Fiquem com Mozart e até a próxima semana. Hoje nós vamos ficar com a serenata de Mozart, K361 que é o grande jogo. Primeiro uma observação deste K, é uma curiosidade sobre música clássica que é normalmente você vê Opus. O Opus 320 ou Opus 450 e por aí vai, ele se refere ao número da obra, quando a obra foi classificada, organizada entra nesta categoria. O Mozart teve um classificador, não me recordo o nome dele, mas no caso dele é diferente e 361 é o número da obra dele. Esta música é muito presente no filme Amadeus, que eu falei há alguns episódios. O filme começa com um padre indo visitar um músico, Salieri, que confessa que matou Mozart porque na época em que Mozart surgiu na corte da Áustria, Salieri era o compositor oficial e fez uma série de boicotes para que Mozart não se sobressaísse porque ele era extremamente fã deste e não consegui aceitar a sua superioridade de talento, porque Deus teria dado m talento muito maior a quem ele considerava menor moralmente. A histórica tem um pouco de verdade e um pouco de ficção por conta do cinema, mas efetivamente os talentos tendem a serem boicotados pelos comuns e isso a gente falou bastante no episódio dez que é o “Vontade de Potência” em que a gente fala sobre a obra de Nietsche, que trata da potência que é obstruída pela inveja e muitas vezes pelo medo, e no filme isso é muito nítido, o quanto as forças que estavam em torno, que não aceitavam  a superioridade de talento de Mozart, o quanto elas dificultaram a obra dele de ser comporta. O primeiro momento aqui a gente vai ver quando a música está sendo tocada sem ele, ele a toca e o Salieri fica apenas olhando. E depois, o Salieri confessando para o padre acaba por descrever essa música. Quem ouve o podcast pelo aplicativo vai conseguir ver a cena, inclusive as legendas. Ele começa a falar assim: “No começo, o início é bem simples. É quase infantil. Apensas um pulso: fagotes, trompas, como um acordeão enferrujado, até que, de repente, acima de tudo, em do alto, um oboé. Uma nota única fluindo sem oscilar. Até um clarinete arrebata a melodia com leveza em encanto” “The beginning simple, almost comic. Just a pulse. Bassoons, basset horns, like a rusty squeezebox. And then, suddenly, high above it, an oboe. A single note, hanging there, unwavering. Until a clarinet took it over, sweetened it into a phrase of such delight. This was no composition by a performing monkey, this was a music I had never heard. Filled with such(...)” Então ele fala que o pai dele considerava Mozart um macaco de circo por ter sido estimulado a treinar desde cedo, e isso é um dos processos que facilita muito o aprendizado, ele não se conformava com aquilo, então ele fala que aquela música não poderia estar vindo de um macaco de circo. E ele enche Mozart de elogios, naquele momento que é após a sua morte. E ele fala que aquilo só poderia ser a voz de Deus, nunca ouvira nada igual.

Podcast de Yoga | 25 jun 2021 | Daniel De Nardi

A força das histórias – Podcast #26

A força das histórias - Podcast #26 da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Esse podcast trata da força de transformação que as histórias tem no desenvolvimento dos indivíduos.   https://soundcloud.com/yogin-cast/a-forca-das-historias-podcast-26 Links Curso de Formação de Yoga https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Informações sobre o curso de Formação Podcast sobre o início do Yoga https://yoginapp.com/o-inicio-yoga-podcast-24 Ashoka Maurya, imperador que converteu-se ao budismo no século Ii A. C   Sobre Dinastia Gupta https://youtu.be/j0kLX2aPgo8?list=PLguXTQeNTLeMSiiz9_d-PiEtM_yT10oQE   Vaishshta Gufa https://soundcloud.com/yogin-cast/diariodeumyogin-9-episodio-o-dia-na-caverna     Trailer - De Canção em Canção https://youtu.be/yuww_5tnaw8   2ª sinfonia de Mahler https://youtu.be/4MPuoOj5TIw   Trilha sonora da série  https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição do Podcast #26 -  A Força das Histórias Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, você está ouvindo a 2ª Sinfonia de Gustav Mahler e esse é o 26º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Um podcast semanal a respeito do yoga e doa assuntos cotidianos. O podcast de hoje se chama o Poder das Histórias, o que eu vou tentar mostrar aqui é a força que uma histórica bem contada ou uma história que aconteceu como um exemplo pode nos ensinar e nos transformar efetivamente. Mas antes eu queria falar que eu estou muito feliz, foram muito acontecimentos nesses últimos dias, de trás pra frente, o primeiro deles foi a finalização da terceira turma do curso de formação, então nós finalizamos mais um grupo de 25 pessoas, que estudaram, se prepararam, algumas delas fizera avaliação, outras não. E no dia 07/08 nós começamos a quarta turma, então a gente já vai fechando esta turma, quem tem interesse ainda tem algumas vagas, vou deixar o link na descrição. Dia 07 começa o curso de formação em yoga no YogIN App, eu não vou entrar em detalhes do curso hoje, mas quem tem interesse vale a pena dar uma pesquisada, falei sobre o curso em outros episódios e o que eu vou falar um pouco mais hoje é sobre um outro curso que a gente está desenvolvendo, esse curso já está pronto, o curso da formação, mas como já passaram mais de setenta pessoas por ele, e tem muitos professores que não tem interesse em fazer uma formação, por já terem feito, eles gostariam de se aprofundar, então nós estamos montando uma formação nível 2, ela vai contar com alguns professores do YogIN App e alguns professores convidados que serão: eu, a Mayara, a professora Sá Souza, a professora Renata Mousini, a professora Bianca Vita, a professora Eliana, nós vamos montar um currículo conforme o que acharmos mais importante para as pessoas que já fizeram um formação ou para aquelas que estão para começar a darem aulas e querem um segundo nível, essa formação nível 2 vai começar em setembro e é exclusiva para quem já tem formação em yoga. Quem não tem nenhuma formação, poder procurar uma escola na cidade onde mora ou fazer a formação nível 1 do YogIN App, porque essa vai ser bem mais avançada, só para quem está mais inteirado no assunto. No podcast 24 eu tratei sobre o surgimento do yoga, então abordamos a época de Patanjali, mais ou mesmos 500 anos a.C., agora nós vamos estender um pouco mais ao longo da história, então vamos sair de Patanjali e vamos chegar mais ou mesmo 280 anos a.C. então vamos andar cerca de 220 anos de história. Nesse momento, a Índia passa por uma transformação muito importante, Patanjali compõe os versos dele na época em que é considerada o nascimento de Buda, então tanto o yoga quanto o budismo beberam das mesmas fontes que foram os vedas e as Upanishads, então não se sabe quem emprestou conceitos a quem, os conceitos do yoga, nessa época, esse tipo de literatura e coisas que estão até hoje e coisas do budismo se mesclam muito, sendo difícil diferenciar. Não vou me aprofundar nessas semelhanças, mas a gente pode ver, por exemplo a utilização do número 8, como algo bastante recorrente, isso já era inspiração da Upanishad, termos como pragnya que é um conhecimento profundo, existem tanto no Dhammapada que é um texto importante do budismo, quanto no Yoga Sutra. Mas o que acontece é que o budismo ganhou força naquela época, muito mais que o yoga, em 280 a.C. um rei da Índia, Asoka Maurya, se converte ao budismo – ele tinha sido um imperador bastante doutrinário –, talvez por uma questão de Karma ou sensação de culpa, então ele foi de um extremo a outro porque o budismo prega muito a questão do ahimsa, da não violência, e ele fez com que toda a Índia se convertesse ao budismo e, então o país ficou durante muitos anos, predominantemente budista, entre 300 a.C. a 300 d.C., após esse período surge uma dinastia importante, dos Guptas. Comentei sobre os Guptas em outro episódio, mas o seu domínio se estende mais ou menos de 300 anos d.C. a 700 d.C., eles dominaram praticamente todo o território indiano e fortaleceu novamente o Dharma do hinduísmo, então a Índia voltou debater e a trazer assunto relacionados e buscar sempre como fonte de inspiração. A época dos Guptas, foi de muita produção de cultura, que passou a ser produzidas por todas as castas. Até então, o que era considerado superior era produzido pelos brâmanes, que eram os sacerdotes, eles produziam um conhecimento que tinha valor. A partir dos Guptas passa-se a valorizar todos tipos de conhecimento, de cultura. Então foi um momento em que a população começou a produzir cultura e esse foi o ambiente em que o Tantra floresceu, como um filosofia bastante tolerante no sentido ideológico e um trabalho de fortalecimento da base de todos os indivíduos e não só dos sacerdotes. Então o tantra faz esse processo de valorização de cada indivíduo à medida que cada um passou a ter um valor de divindade. Como um todo, o ambiente era muito tolerante e tinha uma forte presença do hinduísmo, ao final da dinastia, eles coletaram boa parte desta literatura vasta que tinha sido produzida em diferentes espectros da sociedade, e produziram os maiores épicos indianos que mantém a sua grandeza até hoje. Que são o Ramayana e o Mahabharata. Aqui vale pontuar que, muitas vezes, quem estuda yoga e dá aula de yoga sofre um certo preconceito por quem estuda filosofias ou fontes ocidentais. Uma pessoa que estuda filosofia grega, pode ter um certo desprezo para quem dá aulas de yoga. Aquela coisa meio primitiva, meio mística, sem muito valor, sem muita lógica, enquanto por outro lado pode-se  pensar no hinduísmo como algo difícil de ter fontes, muitas referências, escritos em caracteres não tão comuns...Estou falando isso porque as duas principais obras gregas, que acabam influenciando o sistema romano, que por sua vez dá origem ao cristianismo, então toda a nossa base filosófica e espiritual tem inspiração em obras gregas, como A Odisseia (com 12 mil versos) e A Ilíada (com 15 mil versos), juntando as duas obras teremos 27 mil versos, sendo que só o Ramayana, tem 47 mil versos e o Mahabharata tem 140 mil versos. Então esses épicos produzidos na mesma época tem uma diferença absurda em sua produção, em termos de quantidade. Claro que quantidade não significa qualidade, mas o fato é que a Índia teve bastante produção durante a sua história, na fase dos Guptas ganhou ainda mais força, porque os Guptas patrocinavam artistas, poetas, escritores, eles os bancavam para que continuassem produzindo. Você deve estar se perguntando aonde eu quero chegar, sobre o que estou detalhando aqui tem a ver com o yoga. O ponto é que o yoga não foi um assunto trabalhado na época em questão, ele renasce com um comentário de Vyasa, mas ficou muito tempo esquecido após Patanjali. Ele renasce no final da dinastia Gupta com Vyasa comentando os Yogas Sutras e comentando os Yogas Sutras e trazendo de novo esse assunto para a pauta e para as discussões do dia-a-dia. O Ramayana é composto por volta do século VII d.C., a obra conta a história do deus Rama (não cheguei a ler, mas existem vídeos na internet em que você consegue ver e entender a história) que, assim como todas as pessoas, foi jovem, tendo uma série de questões e angustias condizentes a idade. O local em que eles viviam, que é mostrado no Ramayana é Ayodhya e o pai de Rama era Dasharatha. Então vocês já devem ter ouvido um badham que cita Dasharatha, esse badham conta a história que se passa no Ramayana. Em determinado momento do texto, um brâmane, que é um sacerdote, um sábio, chega para o rei e começa a reclamar que haviam demônios atrapalhando o ritual dele, no lugar onde ele mora, e que ele precisa da ajuda de Rama para resolver o problema. Rama estava na adolescência, vivendo um conflito comum a idade, o Rei tinha que servir Vishwamitra, o sábio, porque este já havia ajudado a família real, então ele se via na obrigação de emprestar o seu filho para que pudesse ajudar na luta contra os demônios. Existia um brâmane, um conselheiro dentro do palácio chamado Vashishta - inclusive o lugar onde fui na Índia é a caverna de Vashishta Gufa, é uma lenda que fala que ali era o local em que o Vashishta meditava – que fala para o Rei que irá fazer um trabalho para que Rama fique preparado para a batalha, então após a preparação Ramayana surge pronto para a batalha. Depois existia um texto na Índia chamado Yoga Vashishta, há um conflito em relação ao texto porque quem vê Rama como um deus não gosta de ver o seu momento de fraqueza detalhado no texto, o Yoga Vashishta são textos compostos por Valmiki, o mesmo escritor de Ramayana. É muito comum nas histórias indianas contar uma história dentro de uma história, então ele separou o trecho em que Vashishta se isola com Rama para ensiná-lo e escreveu alguns textos que levaram o nome em questão. Yoga Vashishta são as histórias que Vashishta conta a Rama e que o fizeram se transformar, se modificar internamente e se transformar em outra pessoa, após a conversa ele estava preparado, havia entendido o mundo e o seu papel. As histórias tem um poder muito grande que eu acredito que a transformação interna dependa de um tipo de conhecimento técnico, mais teórico, e uma parte, daquilo que a gente consegue imaginar, porque no fundo os dois conhecimentos vão se entrelaçando, um vai apoiando a outro. Quando você tem mais histórias na sua cabeça consegue criar soluções para problemas bem práticos e intelectuais, por outro lado, se você ficar só como contador da história, muitas vezes não saberá a base do que está contando ou transmitir da melhor forma, porque não terá a técnica essencial para elaborar histórias e expandir a criatividade. O trabalho deste podcast hoje é de justamente nos fazer ver a importância das histórias, das que Vashishta contou a Rama que o transformaram em um grande rei, num grande sábio, foram as histórias que o modificaram. E as histórias que acontecem com a gente, também aquelas que a gente absorve nos filmes, nos livros, tudo isso vai nos dando uma série de informações e vais nos deixando trabalhar com elas e contar a nossa história. Vi recentemente um filme que acabou de ser lançado em que a história de algo que a gente fala muito aqui, sobre não estar bem consigo mesmo, não estar ajustado. Falei em outros episódio que yoga pode ser traduzido por ajustamento também, o ajustamento com o Dharma, o ajustamento com o “eu”, e a gente fala sobre isso, voltar e se alinhar, mas muitas vezes é difícil fazer isso na prática, como está efetivamente acontecendo. Acho que esse filme que vi, chamado “De canção em canção” consegue mostrar bem como uma vida baseada no hedonismo, a busca simplesmente pelo prazer, fazer o que se quer – gera um vazio existencial, porque a pessoa acaba não construindo nada porque ela respondeu a impulsos, o filme retrata isso de uma forma bem executada. O diretor do filme é Terrence Malick, um diretor difícil de assistir (você já devem conhecer ele pelo filme A Arvore da Vida) acompanhei um pouco a sua história não por ter gostado de Arvore da vida, que foi um filme marcante, apesar de não ter gostado.   Embora, nesse filme, tenha um estilo de uma viagem há também uma trilha que acaba marcando, pois tem uma história. Só que se você for assistir ao filme por indicação, encare como um dia em que você vai treinar asana mais forte, ou que você vai meditar por mais tempo, porque ele é um filem que exige uma certa resiliência e nos tira da zona de conforto, a forma como Mailick conta a história é totalmente diferente de como a gente está acostumado, o filme tem mais de duas horas e em nenhum momento é dito o nome de nenhum dos personagens, e a forma como o filme não tem narrativa é tudo em cima dos diálogos, mas o que passa – que é o que eu acho mais válido para o que a gente está detalhando aqui que é o poder de transformação da história – é muito importante, sobre desviar de um rumo, fazer coisas e depois ver que não tinha a ver com você. Então vale a pena, a minha dica vai ficar como ilustração de tudo o eu a gente falou e uma das músicas que faz parte da trilha sonora é a 2ª Sinfonia de Mahler que agora vou deixar mais um trechinho para vocês ouvirem, lembrando que na descrição de cada episódio eu sempre deixo a playlist do podcast que vem sendo construída desde o primeiro episódio, você pode seguir, é uma lista do canal no Spotify. Espero que você esteja aberto para que as histórias toquem, de fato, o seu coração e para que você consiga também produzir e contar a sua história. Tem uma frase do escritor Varga Llosa (que ganhou o prêmio Nobel) em que ele fala “Toda vida merece um livro”.  

guru
Formação de Professores | 23 jun 2021 | Daniel De Nardi

Como escolher um Guru – Podcast #27

Reflexões de um YogIN - episódio 27 No episódio de hoje, falei sobre a escolha de um professor, orientador ou guru de Yoga.   Links Curso de Formação https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Curso de Especialização para Professores de Yoga Experimento Milgram no NetFlix Brilhante - \"O experimento de Milgram\" na Netflix https://t.co/sATzcosWDD pic.twitter.com/b3saCmHbE7 — Daniel De Nardi (@danieldenardi) July 31, 2017 Trilha Sonora da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo     https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa     Transcrição Satya, Um Valor Yogin – Podcast #27 Olá, meu nome é Daniel De Nardi. Você está ouvindo Maria Callas cantando uma ópera de Puccini. Estamos começando o 28º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nesse final de semana nós gravamos, como eu falei no podcast passado, o curso de especialização para professores de yoga. Então será um curso voltado para aqueles que já fizeram alguma formação, seja no YogIN App ou em uma formação presencial em algum lugar. O curso é voltado para quem já está dando aula ou para quem já fez a formação e tem interesse em dar aula. Foi um curso muito especial, com conteúdo muito rico. Nós começamos com a Renata Mozzini, ela trabalhou com a questão de como montar uma aula de acordo com aquilo que você gosta, ou que o seu aluno precisa, depois a Bianca Vitta falou muito sobre as correções, do toque, o ajustamento perfeito e a adequação da prática para os diferente níveis de dificuldade dos alunos, e a Sá Souza filmou especialmente sobre yoga pra gestantes, como proceder quando uma aluna gestante estiver em aula, embora isso pareça simples e tenha algum tipo de orientação nos cursos de formação, ela falou mais de três horas coisas extremamente interessantes. Então, valeu muito a pena, eu mesmo aprendi bastante, e os próximos cursos estão sendo gravados, vamos montar com seis professores, vai ficar muito bom para aqueles que estão na jornada como professor de yoga. O assunto de hoje do podcast é Satya, que é a verdade. A verdade é um valor muito importante, muito precioso para os yôgins porque a Índia, como um todo, ao longo da sua história, sempre fez uma busca pela verdade. Nos textos indianos é muito mais uma busca pela verdade do que um discernimento entre o bem e o mal, a verdade é aquilo que se busca. A verdade na expressão de si mesmo e como uma coerência existencial. O brasão da Índia tem a frase “Satyameva jayatê”, da Mundaka Upanishad, que significa “no final a verdade triunfará”, porque se você constrói algo em cima da mentira, aquilo se desmancha. Só a verdade que se sustenta, então efetivamente o que nós somos é uma verdade, porque o que a gente realmente é fica e é aquilo que a gente tem que manifestar mais, então é muito importante, dentro do processo do yoga, a gente fazer esse trabalho e esse questionamento interno, se estamos realmente sendo coerentes, verdadeiros. Essa coerência é muito importante para o estilo de vida de um yôgin, entre aquilo que sente, que percebe, aquilo que pensa e aquilo que efetivamente age. Existe um episódio clássico da vida de Gandhi, em que ele foi dar uma conferência no Parlamento inglês, e ele acabou colocando tudo aquilo que realmente acreditava, que a colonização não estava sendo boa para a Índia, falou num certo assim, um pouco agressivo, de forma a desconcertar muitos dos parlamentares, o discurso durou cerca de duas horas. Ao final os repórteres que o viram discursando perguntaram ao assessor de Gandhi como ele discursou durante duas horas sem ter nenhuma anotação como apoio e consulta, o assessor respondeu que quem necessita de papéis para verificar as anotações eram eles, incluindo a si mesmo, que estavam acostumados a falar uma coisa e sentir outra. Como Gandhi buscava uma vida de coerência, claro que como ser humano certamente tinha os seus defeitos, mas ele tinha essa busca pela verdade, pela coerência, então ele não precisava, segundo o assessor, consultar alguma referência. O que ele falava era o que estava sentindo e pensando, e ele manifestava aquilo através da voz. Isso é muito interessante porque é uma demonstração de espontaneidade, de algo verdadeiro. E o Satya e Sat tem o mesmo prefixo que é o de existir, então a verdade é o que existe. Algumas coisas que a gente pode observar, que pode nos ajudar nessa busca de coerência, nesse trabalho de coerência vão muito do cumprimento de contratos, sejam internos, aqueles que você faz consigo ou de externos, com outras pessoas. Não existe muito uma dissociação, então cumprimentos de contrato, quaisquer forem. Essas duas habilidades andam lado a lado, uma vez que você cumpre o que diz a si mesmo, acaba tendendo a cumprir com outras pessoas. Daí você me diz “ah, eu vou ficar muito quadrado, nunca vou poder mudar de planos”. Claro que mudar de planos é sempre necessário, devemos estar abertos para o erro, mas o ponto é que se você não cumpre a sua palavra começa a perder uma força interna, uma força mental de execução. Quando você cumpre o que diz, vai criando uma confiança que aumenta à medida que você cria projetos mais elaborados. Se não cumpre o que diz para si, pode achar normal também não cumprir para com as outras pessoas e isso vai enfraquecendo a sua capacidade de realização e, até mesmo, a sua coerência interna porque sente que deve fazer algo, diz, pensa e age de forma coerente, agora sentir e não fazer por preguiça e em outro momento não fazer também vai criando um nível de incoerência a ponto de que a mentira sempre revela esta incoerência. Um pouco de mentira faz parte da vida, não tem como a gente viver em uma sociedade sendo cem por cento sincero, mas o ponto aqui, o que vale mesmo é o que se faz consistentemente na vida, se você tem uma coerência na sua existência, uma coerência de constância, isso traz espontaneidade. Não criando papéis para interpretar, simplesmente manifestando aquilo que efetivamente é você. Essa coerência vem com essas coisas aparentemente que não tem uma relação como esse cumprimento de verdades nas suas palavras ou atitudes. E esse tipo de treinamento, de cumprir as coisas, precisa ser pensado antes de se fechar o acordo. Por exemplo, se combina algo com alguém, mas no ato não está muito afim, inventa uma desculpa e não vai, isso vai criando uma aceitação da mentira. Quando decide ter tarefas é importante ter certeza se elas tem real sentido para você e se vai consegui entregá-las, porque se não, não se comprometa, é melhor assim do que no final não dar um resultado prometido. Ao fazer uma meditação, por exemplo, pode-se treinar isso, ao fazer uma meditação de dez minutos, que é um tempo muito bom (meditação de dez a quinze minutos tem um tempo excelente, o recomendado), mas aí em cinco minutos após começar já se começa a reclamar e mais dois minutos depois você para. É uma quebra de contrato, houve o comprometimento em se fazer com dez. Ou se faz uma meditação de cinco minutos ou não se faz, porque cumprir com o que se determinou, é parte do processo meditativo. A mente sempre vai dizer o que é mais importante no momento da meditação, ela vai tentar desviar do que é prioridade. “Ah, então eu vou ficar sempre em cinco minutos?” não, eventualmente você vai ter que se desafiar, sair da zona de conforto, perceber que faz sentido sair dela e, então, vai passar dos cinco para os dez. Mas o dia em que se decidir fazer dez ou quinze, precisa cumprir com o prometido, no dia seguinte você pode até recuar, mas precisa cumprir o que determina, isso vai criando um poder interno, crescente, porque a cada contrato cumprindo se ganha uma confiança interna, e se cumpre um contrato com uma pessoa também se ganha confiança e mais crédito com ela. A confiança, que é baseada na verdade, cresce e nos dá mais poder de realização e de manifestação da nossa espontaneidade. Então o que eu queria falar hoje é sobre o Satya que é esse yama muito importante, um dos conceitos éticos do yoga. Hoje escolhi uma ópera, apenas no episódio quatro que coloquei uma – A Flauta Mágica –, e hoje trouxe uma de Puccini que é o compositor de ópera...acho que ele e o Verdi são os mais populares, inclusive essa que você vai ouvir agora, Madame Butterfly, uma das óperas mais populares que já foi escrita. Para quem não sabe, o Japão, no final do século XIX e início do XX, era um país extremamente fechado, não tinha abertura para nenhum país próximo e muito menos para o ocidente, esse processo foi começando aos poucos, mas o que aconteceu foi que os EUA começou a fazer investigações no Japão, levar militares para lá, que tiveram casos com muitas japonesas deixando-as por lá, depois. A história de Madame Butterfly é contada neste contexto, final do século XIX, um militar americano chega ao Japão, compra uma terra e ganha uma gueixa, uma menina de dezesseis anos, e promete casar com ela. O amigo dele, cônsul do Japão, alerta ele de que será muito difícil para ela, ele a fará sofre demais, ele não dá muita bola, mas vai embora dos EUA e diz que vai voltar. A menina fica a sua espera, recebe um pedido de casamento de um outro home, mas não aceita e todos ficam tentando alertá-la de que ela vive uma via ilusória, ela não acredita. Um dia ele volta, porém com a esposa americana, a Butterfly, a gueixa, havia tido um filho dele e leva o menino para uma casa e acaba se suicidando na frente dele. O Japão tem um alto incide de suicídio, muitos causados pela verdade, pela honra. Quando ela se suicida, retira do baú um punhal, que e o pai dela havia cometido um seu, conhecido como haraquiri, um suicídio, um ritual de suicídio. No punhal estava escrito: com honra morre aquele que não mais com honra pode viver. A verdade fere esta ideia antiga, mais do que a vida. Vocês vão ficar com Maria Callas, que foi uma das maiores cantoras de ópera de todos os tempos. Passou um série sobre ela no canal GNT, chamado Callas, quem puder ir atrás, no site da Net pode-se acessar programas antigos, vou deixar um link com a reportagem sobre esse documentário. Maria Callas a vida inteira cantou a ópera, e no fim, quis viver aqueles dramas todos. Teve um relacionamento com Onassis, largou o marido dela para viver com ele, porém este era uma galanteador, ele estava mais preocupado em fazer fama e ela era uma das mulheres mais desejadas no mundo todo, na época e ele a abandonou, fazendo com que ela viesse um final de vida sofrido. Tem um filme sobre Maria Callas que concorreu ao Oscar alguns anos atrás, focando, principalmente no final de vida dela, quando a voz dela começou a falhar e após os problemas amorosos sofreu muito, após o término com Onassis entrou em depressão. Uma das vozes mais lindas da ópera, das mais conhecidas, equivale ao nosso tempo o que é Luciano Pavarotti, com vocês um trecho de Madame Butterfly cantado por Maria Callas. Até o próximo Podcast.    

inteligencia artificial
Podcast de Yoga | 17 jun 2021 | Daniel De Nardi

O Futuro da Inteligência Artificial – Robôs serão sempre robôs por Kai-fu Lee – Episódio 03

Robôs serão sempre robôs Este é o último episódio da série \"O Futuro da Inteligência Artificial\" e trará a visão de um desenvolvedor de Inteligência Artificial e dono de um fundo de StartUps chinesas de A.I. - Kai-Fu Lee foi responsável por criar a equipe da Srí na Apple, depois fez trabalhos para Microsoft na em Inteligência Artificial e depois liderou a operação do Google na China. Kai-Fu Lee tem uma perspectiva menos alrmista no que se refere ao domínio das máquinas sobre nós, mas faz apontamentos de reduções drásticas nos empregos a medida que a Inteligência Artificial for aumentando suas capacidades. Este episódio da série vai fazer um resumo do livro \"Inteligência Artificial\" do desenvolvedor de A.I Kai fu Lee. Ele é também dono de um fundo de investimentos em startups de Inteligência Artificial chibesas. Como uma pessoa que conhece esse movimento de dentro, será uma voz importante dessa série sobre \"O Futuro da Inteligência Artificial\".   A música é trilha sonora do filme \"Her\", cantada pela Scarlett Johansson, na voz da secretária virtual. O ator principal deste filme é Joaquin Phoenix, que provavelmente ganhará o Oscar em 2020 no papel de Coringa. Phoenix já foi indicado algumas vezes, mas nunca levou.  Dois dos livros que veremos neste episódio, tratam o filme \"Her\" como uma projeção muito provável de futuro uso da A.I.  A A.I. tornou-se um dos focos dos meus estudos desde que li Homo Deus de do historiador Yuval Harari. Nessa obra entendi o impacto que a Inteligência Artificial, especialmente após a machine learning tem em nossas vidas. Quem não entender minimamente da evolução da Inteligência de máquinas não terá capacidade de analisar as relações humanas, tampouco prever as transformações que essa ferramenta pode proporcionar.  Nick Bostrom, o segundo autor apresentado na série acredita que \"A máquina superinteligente será a última invenção da humanidade\" uma frase que pode ter ambos sentidos. Tal como uma inteligência que fizesse 100% da administração pública sem nenhum custo até um sistema que possa interferir deliberadamente no comportamento dos humanos. LINKS Lista de Espera para o Curso de Formação de Professores de Yoga Online   Kai Fu Lee explica a revolução de A.I na China - Programa do Bial   \"A fusão Homem Máquina de Harari\" Episódio 01 série \"O Futuro da Inteligência Artificial\"   \"A Superinteligência de Bostrom\" Episódio 02 da série \"O Futuro da Inteligência Artificial\"   Entrevista de Kai Fu Lee no Programa do Bial Notícias sobre Kai-fu Lee   Documentário Kasparov X Deep Blue da IBM   Perfil do Podcast no Instagram   Playlist no Spotify com todas as músicas das trilhas sonoras   https://open.spotify.com/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa?si=0meOIvhWQHWzf1lTGT886g    O início da explosão de A.I. na China Sputnik é o nome da primeira série de satélites artificiais soviéticos, feita para estudar as capacidades de lançamento de cargas para o espaço e para estudar os efeitos da ausência de peso e da radiação sobre os organismos vivos. Serviu também de preparação do primeiro voo espacial tripulado. Quando os americanos viram o lançamento do Sputnik, aceleraram o desenvolvimento da sua tecnologia com apoio do governo e chegaram antes à lua.  O autor de Inteligência Artificial, Kai-fu Lee, criador da equipe da Siri na Apple e ex CEO do Google China afirma que o momento dessa virada com relação à Inteligência Artificial na China foi a partir de um jogo chamado Go. Um xadrez chinês, mas que tem mais possibilidade de jogadas que todos os átomos da Terra, algo como 10 elevado a mais de 100. Kai-fu Lee tem uma visão diferente sobre A.I. que Harari e Bostrom e os considera apenas estudiosos, mas não autoridades que podem opinar pois não entendem da parte prática desses desenvolvimentos. Lee acredita sim que as máquinas poderão fazer praticamente todas as nossas tarefas, o que acarretará problemas sérios de desemprego, mas ele não acha que robôs jamais terão o nível de bom senso de uma criança ou nem sequer chegar perto do Amor. O que ele considera o grande diferencial humano, que nenhuma máquina conseguirá reproduzir. Lerei o início de cada capítulo do livro usando a trilha sonora do filme Her e comentarei em seguida.        O MOMENTO SPUTNIK DA CHINAO ADOLESCENTE CHINÊS com óculos de armação quadrada parecia ser o herói improvável da última resistência da humanidade. Vestido com um terno preto, camisa branca e gravata preta, Ke Jie se afundou em sua cadeira, esfregando as têmporas, intrigado com o problema à sua frente. Normalmente cheio de uma confiança que beirava a arrogância, o garoto de dezenove anos se contorcia na cadeira de couro. Mude o local e ele poderia ser outro garoto na escola sofrendo com uma prova impossível de geometria. Mas naquela tarde de maio de 2017, ele estava envolvido na luta contra uma das máquinas mais inteligentes do mundo, o AlphaGo, uma usina de inteligência artificial apoiada pela, pode-se dizer, maior empresa de tecnologia do mundo: o Google. O campo de batalha era um tabuleiro de dezenove por dezenove linhas, cheio de pequenas pedras pretas e brancas — as matérias-primas do enganosamente complexo jogo Go. Durante a partida, dois jogadores alternam-se, colocando pedras no tabuleiro e tentando cercar as peças do oponente. Nenhum humano na Terra poderia fazer isso melhor do que Ke Jie, mas, naquele momento, ele enfrentava um jogador do Go que estava em um nível que ninguém jamais havia visto. Inventado, acredita-se, há mais de 2.500 anos, o Go tem a história mais longa que qualquer jogo de tabuleiro jogado ainda hoje. Na antiga China, representava uma das quatro formas de arte que todo acadêmico chinês deveria dominar. Acreditava-se que o jogo, como o zen, levava seus jogadores a um refinamento e a uma sabedoria intelectual. Enquanto jogos como o xadrez ocidental eram considerados grosseiramente táticos, o Go é baseado no posicionamento paciente e no lento cerco, o que o transformou em uma forma de arte, um estado de espírito. A profundidade da história do Go acompanha a complexidade do jogo em si. As regras básicas podem ser explicadas em apenas nove sentenças, mas o número de posições possíveis em um tabuleiro de Go excede o de átomos no universo conhecido. A complexidade da árvore de decisão transformou a derrota do campeão mundial de Go em uma espécie de monte Everest para a comunidade de inteligência artificial — um problema cujo tamanho tinha impedido todas as tentativas de conquistá-lo. Aqueles com uma inclinação poética diziam que tal feito não poderia ser realizado porque as máquinas não tinham o elemento humano, uma sensação quase mística pelo jogo. Os engenheiros simplesmente achavam que o tabuleiro oferecia possibilidades demais para que um computador pudesse avaliar. Mas, nesse dia, o AlphaGo não estava apenas vencendo Ke Jie — estava dando uma surra nele. Ao longo de três maratonas de mais de três horas cada, Ke jogou tudo que conhecia contra o programa de computador. Testou diferentes abordagens: conservador, agressivo, defensivo e imprevisível. Nada parecia funcionar. O AlphaGo não deu nenhuma abertura a Ke. Ao contrário, lentamente foi deixando-o sem saída. Comentário Isso despertou uma esperança em Kai que foi ver o menino chorando, na sua visão isso nunca será alcançado pelos computadores.  Durante o livro ele tira um sarro das teorias do Nick Bostrom, pois na visão dele as coisas não irão crescer progressivamente até tomarem tudo como prevê o filósofo sueco. Na visão de Kai Fu Lee que é um desenvolvedor de software e que sempre trabalhou diretamente com isso, diferentemente de Nick que só estudou, o que houve recentemente que descongelou uma era de paralisia no desenvolvimento da A.I. foi a descoberta da machine learning. Na opinião, um salto como o do machine learning não acontecerá no próximo século, o que desmontaria toda a projeção de Nick.   IMITADORES NO COLISEU  ELES O CHAMAVAM DE THE CLONER, Wang Xing deixou sua marca no início da internet chinesa como um plagiador em série, uma imagem espelhada bizarra dos reverenciados empreendedores em larga escala do Vale do Silício. Em 2003, 2005, 2007 e, novamente, em 2010, Wang pegou a melhor startup do ano dos Estados Unidos e a copiou para os usuários chineses. Tudo começou quando ele tropeçou na rede social pioneira Friendster durante o doutorado em engenharia na Universidade de Delaware. O conceito de uma rede virtual de amizades instantaneamente se uniu ao histórico de Wang em redes de computadores, e ele abandonou seu programa de doutorado para voltar à China e recriar o Friendster. Nesse primeiro projeto, optou por não clonar o design exato do site. Em vez disso, ele e alguns amigos simplesmente adotaram o conceito central da rede social digital e construíram sua própria interface de usuário em torno dele. O resultado foi, nas palavras de Wang, “feio”, e o site não decolou. Dois anos mais tarde, o Facebook estava invadindo todas as universidades com seu design limpo e segmentação de nicho focada em estudantes. Wang adotou os dois quando criou o Xiaonei (No Campus). A rede era exclusiva para universitários chineses e a interface do usuário era uma cópia exata do site de Mark Zuckerberg. Wang recriou meticulosamente home page, perfis, barras de ferramentas e esquemas de cores da startup de Palo Alto. A mídia chinesa informou que a primeira versão do Xiaonei chegou ao ponto de pôr a tagline do próprio Facebook, “A Mark Zuckerberg production”, no final de cada página.2 O Xiaonei foi um sucesso, mas Wang o vendeu cedo demais. Como o site cresceu muito depressa, ele não conseguiu levantar dinheiro suficiente para pagar os custos dos servidores e foi forçado a vendê-lo. Sob nova propriedade, uma versão reformulada do Xiaonei — agora chamado Renren (Todo Mundo) — acabou levantando 740 milhões de dólares durante sua estreia em 2011 na Bolsa de Valores de Nova York. Em 2007, Wang fez tudo de novo, criando uma cópia precisa do recém-criado Twitter. O clone era tão bom que, se o idioma e a URL fossem alterados, os usuários poderiam facilmente ser enganados e pensar que estavam no Twitter original. O site chinês, chamado Fanfou, prosperou por um tempo, mas logo foi fechado por conteúdo politicamente sensível. Então, três anos depois, Wang pegou o modelo de negócios do Groupon e o transformou no site chinês de compras coletivas Meituan. Para a elite do Vale do Silício, Wang era um sem vergonha. Na mitologia do Vale, poucas coisas são mais estigmatizadas do que imitar cegamente o estabelecido. Era precisamente esse tipo de empreendedorismo imitador que impediria o crescimento da China, assim dizia a sabedoria convencional, e impediria que o país construísse empresas de tecnologia de fato inovadoras que pudessem “mudar o mundo”. Até alguns empreendedores chineses sentiram que a clonagem “pixel por pixel” de Wang do Facebook e do Twitter tinha ido longe demais. Sim, as empresas chinesas com frequência imitavam seus pares norte-americanos, mas era possível pelo menos localizar ou adicionar um toque de seu próprio estilo. Mas Wang não pediu desculpas por seus sites imitadores. Copiar era uma peça do quebra-cabeça, ele disse, mas também era sua escolha de quais sites copiar e sua execução nas frentes técnica e de negócios. No final, foi Wang quem riu por último. No fim de 2017, a capitalização de mercado do Groupon tinha encolhido para 2,58 bilhões de dólares, com suas ações sendo negociadas a menos de um quinto do preço de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações em 2011. A antiga queridinha do mundo das startups norte-americanas estava estagnada havia anos e demorou a reagir quando a mania das compras coletivas esfriou. Enquanto isso, o Meituan de Wang Xing tinha triunfado em um ambiente brutalmente competitivo, vencendo milhares de sites similares de compras coletivas e dominando o setor. Em seguida, começou a se ramificar em dezenas de novas linhas de negócios. Tornou-se, então, a quarta startup mais valiosa do mundo, avaliada em 30 bilhões de dólares, e Wang vê o Alibaba e a Amazon como seus principais concorrentes no futuro. Analisando o sucesso de Wang, os observadores ocidentais cometem um erro fundamental. Acreditam que o Meituan triunfou ao adotar uma ótima ideia americana e simplesmente copiá-la na protegida internet chinesa, um espaço seguro onde as fracas empresas locais podem sobreviver por causa de uma concorrência muito menos intensa. Esse tipo de análise, no entanto, é o resultado de um profundo desconhecimento da dinâmica em jogo no mercado chinês, e revela um egocentrismo que define que toda a inovação da internet acontece no Vale do Silício. Ao criar seus primeiros clones do Facebook e do Twitter, Wang estava, na verdade, confiando inteiramente no manual do Vale do Silício. Essa primeira fase da era imitadora — startups chinesas clonando sites do Vale do Silício — ajudou a desenvolver a engenharia básica e as habilidades de empreendedorismo digital que estavam totalmente ultrapssadas quando comparadas aos USA.   Comentário Na China a imitação não é mal vista, e é reconhecida como grande habilidade. Isso ajudou bastante eles a desenvolverem a base para a A.I.   O UNIVERSO ALTERNATIVO DA INTERNET NA CHINA  GUO HONG É UM FUNDADOR DE STARTUPS. Preso no corpo de um funcionário do governo. De meia-idade, Guo está sempre usando um terno escuro modesto e óculos de lentes grossas. Ao fazer pose para fotos oficiais em cerimônias de inauguração, não parece diferente das dezenas de outras autoridades da cidade de Pequim, vestidas de maneira idêntica, que aparecem para cortar fitas e fazer discursos. Durante as duas décadas anteriores a 2010, a China foi governada por engenheiros. O funcionalismo chinês estava cheio de homens que tinham estudado a ciência de construir coisas físicas, e utilizaram esse conhecimento para transformar a China de uma sociedade agrícola pobre em um país de fábricas agitadas e cidades enormes. Mas Guo representava um novo tipo de funcionário para uma nova era — na qual a China precisava tanto construir coisas quanto criar ideias. Coloque Guo sozinho em uma sala com outros empresários ou tecnólogos e ele, de repente, ganha vida. Repleto de ideias, fala rápido e escuta atentamente. Tem um apetite voraz pela novidade tecnológica e pela capacidade de visualizar como as startups podem aproveitar essas tendências. Guo pensa de forma pouco convencional e, em seguida, parte para a ação. Ele é o tipo de criador a quem os investidores de capital de risco adoram dar dinheiro. Todos esses hábitos vieram a calhar quando Guo decidiu transformar sua fatia de Pequim no Vale do Silício chinês, um foco de inovação no país. O ano era 2010, e Guo era responsável pela influente zona de tecnologia Zhongguancun, no noroeste de Pequim, uma área que havia muito tempo era vista como a resposta da China ao Vale do Silício, mas não tinha realmente merecido o título. Zhongguancun estava repleta de mercados de eletrônicos que vendiam smartphones de baixo custo e softwares pirateados, mas oferecia poucas startups inovadoras. Guo queria mudar isso. Para dar início a esse processo, nos reunimos nos escritórios da minha recém-fundada empresa, a Sinovation Ventures. Depois de passar uma década representando as empresas de tecnologia norte-americanas mais poderosas na China, no outono de 2009 deixei o Google China para estabelecer a Sinovation, uma incubadora em estágio inicial e um fundo de investimento para startups chinesas. Fiz esse movimento porque senti uma nova energia borbulhando no ecossistema de startups chinês. A era dos imitadores tinha forjado empreendedores de alto nível e eles estavam apenas começando a aplicar suas habilidades para resolver problemas exclusivamente chineses. A rápida transição da China para a internet móvel e os agitados centros urbanos criaram um ambiente totalmente diferente, no qual produtos inovadores e novos modelos de negócios poderiam prosperar.      Comentário O governo investiu muito nessa iniciativa e embora minha visão liberal rejeite esse tipo de iniciativa, é fato que economicamente, funcionou.   UM CONTO DE DOIS PAÍSES  EM 1999, OS PESQUISADORES CHINESES ainda estavam no escuro quando se tratava de estudar a inteligência artificial — literalmente. Vou explicar. Naquele ano, visitei a Universidade de Ciência e Tecnologia da China para dar uma palestra sobre nosso trabalho em reconhecimento de fala e imagem na Microsoft Research. A universidade era uma das melhores escolas de engenharia da China, mas estava localizada na cidade de Hefei, no sul do país, um lugar remoto em comparação com Pequim. Na noite da palestra, os alunos se espremeram no auditório, e aqueles que não tinham conseguido entrar ficaram pressionados contra as janelas, na esperança de ouvir um pouco através do vidro. O interesse era tão intenso que por fim pedi aos organizadores que permitissem que os alunos preenchessem os corredores e até se sentassem no palco ao meu redor. Eles ouviram atentamente enquanto eu estabelecia os fundamentos do reconhecimento de fala, da síntese de fala, dos gráficos 3-D e da visão computacional. Rabiscaram notas e me encheram de perguntas sobre princípios subjacentes e aplicações práticas. Era evidente que a China estava mais de uma década atrás dos Estados Unidos na pesquisa de IA, mas esses estudantes eram como esponjas para qualquer conhecimento do mundo exterior. A animação na sala era palpável. A palestra durou muito, e já estava escuro quando saí do auditório e fui em direção ao portão principal da universidade. Os dormitórios estudantis cobriam os dois lados do caminho, mas o campus estava quieto e a rua, vazia. E então, de repente, não estavam mais. Como se houvesse tocado um sinal, longas filas de estudantes começaram a sair dos dormitórios ao meu redor para a rua. Fiquei lá, perplexo, observando o que parecia ser um exercício anti-incêndio em câmera lenta, tudo isso em total silêncio. Apenas quando se sentaram na calçada e abriram seus livros que percebi o que estava acontecendo: os dormitórios apagavam todas as luzes às 23 horas em ponto, e assim a maioria dos estudantes saía para continuar seus estudos debaixo da iluminação pública. Fiquei olhando enquanto centenas das mentes jovens e brilhantes dos futuros engenheiros da China se amontoavam debaixo da suave luz amarelada. Não sabia disso na época, mas o futuro fundador de uma das mais importantes empresas de IA da China estava lá, esforçando-se para ter algumas horas extras de estudo na noite escura de Hefei. Muitos dos livros didáticos que esses alunos liam estavam desatualizados ou mal traduzidos. Mas eles eram os melhores que os estudantes podiam encontrar, e esses jovens acadêmicos buscavam cada gota de conhecimento que eles continham. O acesso à internet na escola era um bem escasso, e estudar no exterior só era possível se os alunos ganhassem uma bolsa integral. As páginas marcadas desses livros e as palestras ocasionais de um acadêmico visitante eram a única janela que tinham para o estado da pesquisa global de IA. Ah, como as coisas mudaram.    Comentário O Esforço é capaz de tirar grandes diferenças.   O MATERIAL DE UMA SUPERPOTÊNCIA DE IA  Como expus anteriormente, a criação de uma superpotência de IA para o século XXI exige quatro blocos de construção principais: dados abundantes, empreendedores tenazes, cientistas de IA bem treinados e um ambiente político favorável. Já vimos como o ecossistema de gladiadores das startups chinesas treinou uma geração de empresários sagazes e como o universo alternativo da internet na China criou o ecossistema de dados mais rico do mundo. Este capítulo avalia o equilíbrio de poder entre os dois ingredientes restantes — conhecimento em IA e apoio do governo. Acredito que na era da implementação da IA, a vantagem do Vale do Silício por sua elite especializada não será tão importante. E no domínio crucial do apoio governamental, a cultura política técnico-utilitária da China abrirá caminho para uma implementação mais rápida de tecnologias revolucionárias. À medida que a inteligência artificial se infiltrar na economia mais ampla, recompensará a quantidade de sólidos engenheiros de inteligência artificial sobre a qualidade dos pesquisadores de elite. A verdadeira força econômica na era da implementação da IA não virá apenas de um punhado de cientistas de elite que ampliam os limites com suas pesquisas. Virá de um exército de engenheiros bem treinados que se juntarão a empreendedores para transformar essas descobertas em empresas revolucionárias. A China está exatamente treinando esse exército. Nas duas décadas desde a minha palestra em Hefei, a comunidade de inteligência artificial da China eliminou a distância que tinha com os Estados Unidos. Enquanto os Estados Unidos ainda dominam quando se trata de pesquisadores superestrelas, as empresas e instituições de pesquisa chinesas se encheram do tipo de engenheiro bem treinado que pode impulsionar essa era de implementação da IA. Fez isso juntando a extraordinária fome de conhecimento que presenciei em Hefei com uma explosão no acesso à pesquisa global de ponta. Os estudantes chineses de IA não estão mais se esforçando no escuro para ler livros didáticos desatualizados. Estão aproveitando a cultura de pesquisa aberta da IA para absorver conhecimento direto da fonte e em tempo real. Isso significa dissecar as publicações acadêmicas on-line mais recentes, debater as abordagens dos principais cientistas de IA nos grupos de WeChat e transmitir suas palestras em smartphones. Essa rica conectividade permite que a comunidade de IA da China se aproxime da elite intelectual, treinando uma geração de pesquisadores chineses interessados que agora contribuem para o campo em um alto nível. Também permite que startups chinesas apliquem algoritmos de código aberto de ponta a produtos de IA práticos: drones autônomos, sistemas “pague com seu rosto” e eletrodomésticos inteligentes. Essas startups estão agora brigando por uma fatia da paisagem de IA cada vez mais dominada por um punhado de grandes atores: os chamados Sete Gigantes da era da IA, que incluem Google, Facebook, Amazon, Microsoft, Baidu, Alibaba e Tencent. Esses gigantes corporativos estão quase igualmente divididos entre os Estados Unidos e a China, fazendo movimentos ousados para dominar a economia da IA. Estão usando bilhões de dólares em dinheiro e estonteantes estoques de dados para engolir todo talento disponível em IA. Além disso, estão trabalhando para construir as “redes de energia” para a era da IA: redes de computação controladas de forma privada que distribuem o aprendizado de máquina em toda a economia, com os gigantes corporativos agindo como “utilitários”. É um fenômeno preocupante para aqueles que valorizam um ecossistema aberto de IA e também representa um bloco de obstáculo potencial para a ascensão da China como superpotência da IA.   Comentário O fato da China ter entrada depois na era da tecnologia faz eles não temerem liberar dados, desde que ganhem conveniência.   AS QUATRO ONDAS DA IA FOI NO ANO DE 2017 que ouvi pela primeira vez Donald Trump falar chinês fluentemente. Durante a primeira viagem do presidente dos Estados Unidos à China, ele apareceu em uma telona e fez seu discurso inteiro em chinês. A Inteligência Artificial traduzia simultâneo usando as palavras mais adequadas ao movimento da boca do presidente americano.   Comentário Kai-fu Lee foi o primeiro chinês a trabalhar com reconhecimento de voz em A.I. criou a equipe da Apple que hoje desenvolve a Siri.   UTOPIA, DISTOPIA E A VERDADEIRA CRISE DA IA  TODOS OS PRODUTOS E SERVIÇOS de IA descritos no capítulo anterior podem ser obtidos com base nas tecnologias atuais. Colocá-los no mercado não requer grandes inovações na pesquisa de IA, apenas o trabalho básico de implementação cotidiana: coleta de dados, modificação de fórmulas, iteração de algoritmos em experimentos e combinações diferentes, prototipagem de produtos e experimentação de modelos de negócios. Mas a era da implementação fez mais do que tornar possíveis esses produtos práticos. Também incendiou a imaginação popular no que se trata de IA. Alimentou a crença de que estamos prestes a alcançar o que alguns consideram o Santo Graal da pesquisa de IA, a inteligência geral artificial (AGI) — máquinas pensantes com a capacidade de realizar qualquer tarefa intelectual que um ser humano pode fazer — e muito mais. Alguns preveem que, com o surgimento da AGI, as máquinas que poderão melhorar a si mesmas desencadearão um crescimento descontrolado na inteligência de computadores. Muitas vezes chamada de “a singularidade”, ou superinteligência artificial, esse futuro envolve computadores cuja capacidade de entender e manipular o mundo supera a nossa, comparável à diferença de inteligência entre seres humanos e, digamos, insetos. Essas previsões estonteantes dividiram grande parte da comunidade intelectual em dois campos: os utópicos e os distópicos. Os utópicos veem a aurora da AGI e a singularidade subsequente como a fronteira final do desenvolvimento humano, uma oportunidade para expandir nossa própria consciência e conquistar a imortalidade. Ray Kurzweil — o excêntrico inventor, futurista e guru-residente do Google — prevê um futuro radical, no qual os seres humanos e as máquinas se fundirão totalmente. Vamos subir nossas mentes para a nuvem, ele prevê, e constantemente renovar nossos corpos através de nanorrobôs inteligentes lançados em nossa corrente sanguínea. Kurzweil prevê que até 2029 teremos computadores com inteligência comparável à dos humanos (isto é, AGI), e que alcançaremos a singularidade até 2045.1 Outros pensadores utópicos veem a AGI como algo que nos permitirá decodificar rapidamente os mistérios do universo físico. O fundador da DeepMind, Demis Hassabis, prevê que a criação da superinteligência permitirá que a civilização humana resolva problemas insolúveis, produzindo soluções inconcebivelmente brilhantes para o aquecimento global e doenças antes incuráveis. Com computadores superinteligentes que entendem o universo em níveis que os seres humanos não podem sequer conceber, essas máquinas podem se tornar não apenas ferramentas para aliviar os fardos da humanidade; elas se aproximam da onisciência e da onipotência de um deus. Nem todo mundo, no entanto, é tão otimista. Elon Musk chamou a superinteligência de “o maior risco que enfrentamos como civilização”,2 comparando sua criação à “convocação de um demônio”.3 Celebridades intelectuais, como o falecido cosmólogo Stephen Hawking, juntaram-se a Musk no campo distópico, sendo que muitos deles foram inspirados pelo trabalho do filósofo de Oxford Nick Bostrom, cujo livro Superintelligence, de 2014, capturou a imaginação de muitos futuristas. Na maior parte, os membros do campo distópico não estão preocupados com um domínio da IA, como imaginado em filmes como a série Terminator, com robôs semelhantes a humanos “se transformando em perversos” e caçando pessoas para destruir a humanidade e alcançar o poder. A superinteligência seria o produto da criação humana, não da evolução natural, e, portanto, não teria os mesmos instintos de sobrevivência, reprodução ou dominação que motivam os humanos ou os animais. Em vez disso, é provável que apenas procurasse atingir os objetivos dados da maneira mais eficiente possível. O medo é de que, se os seres humanos representarem um obstáculo para alcançar um desses objetivos — reverter o aquecimento global, por exemplo —, um agente superinteligente possa facilmente, até de forma acidental, nos apagar da face da Terra. Para um programa de computador cuja imaginação intelectual superasse a nossa, isso não exigiria nada tão violento quanto robôs armados. O profundo conhecimento da superinteligência de química, física e nanotecnologia permitiria maneiras muito mais engenhosas de atingir instantaneamente seus objetivos. Pesquisadores se referem a isso como o “problema de controle” ou “problema de alinhamento de valor”, e é algo que preocupa até mesmo os otimistas da AGI. Embora os cronogramas para essas capacidades variem amplamente, o livro de Bostrom apresenta pesquisas com investigadores de IA, dando uma previsão mediana de 2040 para a criação da AGI, com a superinteligência provavelmente sendo alcançada dentro de três décadas. VERIFICAÇÃO DE REALIDADE  Quando as visões utópicas e distópicas do futuro superinteligente são discutidas publicamente, inspiram tanto admiração quanto um sentimento de medo nas audiências. Essas fortes emoções então confundem as linhas em nossa mente, separando esses futuros fantásticos de nossa atual era de implementação da IA. O resultado é uma confusão popular generalizada sobre onde estamos hoje e para onde as coisas estão indo. Para ser claro, nenhum dos cenários descritos acima — as mentes digitais imortais ou as superinteligências onipotentes — são possíveis com base nas tecnologias de hoje. Ainda não há algoritmos conhecidos de AGI ou uma rota de engenharia clara para chegar lá. A singularidade não é algo que pode ocorrer espontaneamente, com veículos autônomos baseados em aprendizado profundo de repente “acordando” e percebendo que podem se unir para formar uma rede superinteligente. Chegar à AGI exigiria uma série de inovações científicas fundamentais em inteligência artificial, de avanços na escala do aprendizado profundo, ou até algo maior. Essas inovações precisariam remover as principais restrições dos programas de “IA restrita” que executamos hoje e capacitá-los com uma ampla gama de novas habilidades: aprendizado multidomínio; aprendizagem independente do domínio; compreensão de linguagem natural; raciocínio de senso comum, planejamento e aprendizado com um pequeno número de exemplos. Dar o próximo passo para robôs emocionalmente inteligentes pode exigir autoconsciência, humor, amor, empatia e apreciação pela beleza. Estes são os principais obstáculos que separam o que a IA faz hoje — encontrar correlações em dados e fazer previsões — e inteligência geral artificial. Qualquer uma dessas novas habilidades pode exigir múltiplos avanços gigantescos; a AGI implica resolver todos eles. O erro de muitas previsões da AGI é simplesmente pegar a rápida taxa de avanço da década passada e extrapolá-la para a frente ou lançá-la exponencialmente para cima, em uma bola de neve incontrolável de inteligência computacional. O aprendizado profundo representa um grande avanço no aprendizado de máquina, um movimento para um novo patamar com uma variedade de usos no mundo real: a era da implementação. Porém, não há provas de que essa mudança ascendente represente o começo do crescimento exponencial que inevitavelmente levará à AGI e, em seguida, à superinteligência, a um ritmo cada vez maior. A ciência é difícil e os avanços científicos fundamentais são ainda mais difíceis. Descobertas como o aprendizado profundo que realmente elevem o padrão da inteligência de máquina são raras e estão, com frequência, separadas por décadas, até por mais tempo. Implementações e melhorias nesses avanços são abundantes, e pesquisadores em lugares como a DeepMind demonstraram poderosas novas abordagens para coisas como aprendizado por reforço. Mas, nos doze anos desde o artigo de Geoffrey Hinton e seus colegas sobre o aprendizado profundo,5 não vi nada que representasse uma mudança similar na inteligência das máquinas. Sim, os cientistas de IA pesquisados por Bostrom previram uma data mediana de 2040 para a AGI, mas acredito que os cientistas tendem a ser excessivamente otimistas a respeito do prazo no qual uma demonstração acadêmica se tornará um produto no mundo real. No final dos anos 1980, eu era o principal pesquisador mundial em reconhecimento de fala de IA, e entrei para a Apple porque acreditava que a tecnologia seria popular em cinco anos. No final, eu errei por duas décadas. Não posso garantir que os cientistas definitivamente não farão os avanços que trariam a AGI e, em seguida, a superinteligência. Na verdade, acredito que devemos esperar melhorias contínuas na tecnologia atual. Mas acredito que ainda estamos a muitas décadas, senão séculos, distantes dessa realidade. Há também uma possibilidade real de que a AGI seja algo que os seres humanos nunca alcançarão. A inteligência geral artificial significaria uma tremenda mudança na relação entre humanos e máquinas — o que muitos preveem que seria o evento mais significativo na história da humanidade. É um marco que acredito que não devemos ultrapassar a menos que resolvamos, em primeiro lugar, todos os problemas de controle e segurança. Mas pela relativamente lenta taxa de avanços científicos fundamentais, eu e outros especialistas em IA, entre eles Andrew Ng e Rodney Brooks, acreditamos que a AGI continua mais distante do que se imagina. Isso significa que não vejo nada além de progresso material estável e glorioso florescimento humano em nosso futuro de IA? De modo nenhum. Ao contrário, acredito que a civilização em breve enfrentará um tipo diferente de crise induzida pela IA. Essa crise não terá o drama apocalíptico de um sucesso de bilheteria de Hollywood, mas, mesmo assim, vai destruir nossos sistemas econômicos e políticos e até chegar a questionar o que significa ser humano no século XXI. Resumindo, é a futura crise de empregos e de desigualdade. Nossas capacidades atuais de IA não podem criar uma superinteligência que destrua nossa civilização. Mas meu medo é de que nós, seres humanos, podemos ser mais do que capazes de realizar essa tarefa.    Comentário O que é humano é único? Qual sua opinião?   PEQUIM DOBRÁVEL: VISÕES DE FICÇÃO CIENTÍFICA E ECONOMIA COM A IA  Quando o relógio bate seis da manhã, a cidade se devora. Edifícios densamente compactados de concreto e aço dobram-se na altura do quadril e giram em suas espinhas. Varandas e toldos externos são virados para dentro, criando exteriores suaves e hermeticamente fechados. Os arranha-céus se dividem em componentes, embaralhando e se consolidando em Cubos de Rubik de proporções industriais. Dentro desses blocos estão os moradores do Terceiro Espaço de Pequim, a subclasse econômica que trabalha durante a noite e dorme durante o dia. À medida que a paisagem urbana se dobra, uma colcha de retalhos de quadrados na superfície da Terra começa sua rotação de 180 graus, virando-se para esconder essas estruturas consolidadas no subsolo. Quando o outro lado desses quadrados se vira para fora, revela uma cidade separada. Os primeiros raios do alvorecer surgem no horizonte quando essa nova cidade se levanta. Ruas arborizadas, vastos parques públicos e lindas casas unifamiliares começam a se desdobrar, espalhando-se para fora até cobrirem completamente a superfície. Os moradores do Primeiro Espaço despertam de seu sono, espreguiçando-se e olhando para um mundo próprio. Essas são as visões de Hao Jingfang, uma escritora chinesa de ficção científica e pesquisadora de economia. O romance de Hao, Folding Beijing [Pequim dobrável],6 ganhou o prestigioso Prêmio Hugo em 2016 por sua impressionante representação de uma cidade na qual as classes econômicas são separadas em mundos diferentes. Em uma Pequim futurista, a cidade está dividida em três castas econômicas que dividem o tempo na superfície da cidade. Cinco milhões de habitantes do elitista Primeiro Espaço desfrutam de um ciclo de 24 horas, começando às seis da manhã, um dia e uma noite em uma cidade limpa, hipermoderna e organizada. Quando o Primeiro Espaço se dobra internamente, os 20 milhões de moradores do Segundo Espaço ganham dezesseis horas para trabalhar em uma paisagem urbana um pouco menos glamorosa. Finalmente, os habitantes do Terceiro Espaço — 50 milhões de trabalhadores de saneamento, fornecedores de alimentos e funcionários subalternos — surgem para um turno de oito horas, das dez da noite às seis da manhã, trabalhando no escuro entre os arranha-céus e as montanhas de lixo. Os trabalhos de triagem de lixo que são um pilar do Terceiro Espaço poderiam ser inteiramente automatizados, mas são feitos por humanos para dar emprego aos desafortunados habitantes condenados a essa vida.  Comentário A China como Estado estimulará a implementação do A.I.   A SABEDORIA DO CÂNCER AS QUESTÕES PROFUNDAS levantadas pelo nosso futuro com a IA — perguntas sobre a relação entre trabalho, valor e o que significa ser humano — me afetaram de uma forma muito próxima. Durante a maior parte da minha vida adulta, fui motivado por uma ética de trabalho quase fanática. Dediquei quase todo meu tempo e energia ao meu trabalho, deixando muito pouco para a família ou os amigos. Meu sentido de autoestima derivava das minhas conquistas no trabalho, de minha capacidade de criar valor econômico e de expandir minha própria influência no mundo. Passei minha carreira de pesquisador trabalhando para construir algoritmos de inteligência artificial cada vez mais poderosos. Ao fazer isso, comecei a ver minha própria vida como uma espécie de algoritmo de otimização com objetivos claros: maximizar a influência pessoal e minimizar qualquer coisa que não contribuísse para essa meta. Procurei quantificar tudo na minha vida, equilibrando essas “entradas” e ajustando o algoritmo. Não negligenciei inteiramente minha esposa ou minhas filhas, mas sempre procurei passar tempo suficiente com elas para que não se queixassem. Assim que sentia que havia chegado a esse limite, voltava ao trabalho, respondendo a e-mails, lançando produtos, financiando empresas e fazendo discursos. Mesmo nas profundezas do sono, meu corpo naturalmente acordava duas vezes toda noite — às duas e às cinco da manhã — para responder a e-mails dos Estados Unidos. Essa dedicação obsessiva ao trabalho foi recompensada. Tornei-me um dos maiores pesquisadores de IA do mundo, fundei o melhor instituto de pesquisa em ciência da computação na Ásia, comecei o Google China, criei meu próprio fundo de capital de risco, escrevi vários livros que venderam bem em chinês e me tornei uma das personalidades mais seguidas em redes sociais na China. Por qualquer métrica objetiva, meu chamado algoritmo pessoal foi um grande sucesso. Então as coisas chegaram a um impasse. Em setembro de 2013, fui diagnosticado com linfoma estágio IV. Em um instante, meu mundo de algoritmos mentais e realizações pessoais desabou. Nenhuma dessas coisas poderia me salvar agora, ou me dar conforto e algum tipo de sentido. Como tantas pessoas forçadas a de súbito enfrentar sua própria mortalidade, fui tomado pelo medo por meu futuro e por um arrependimento profundo e doloroso pela maneira como tinha vivido minha vida. Ano após ano, tinha ignorado a oportunidade de passar tempo e compartilhar amor com as pessoas mais próximas de mim. Minha família não me deu nada além de afeto e amor, e eu tinha respondido com cálculos frios. Na verdade, hipnotizado pela minha busca por criar máquinas que pensassem como seres humanos, tinha me tornado um homem que pensava como uma máquina. Meu câncer entraria em remissão, poupando minha vida, mas as epifanias desencadeadas por esse confronto pessoal com a morte permaneceriam comigo. Elas me levaram a reorganizar minhas prioridades e a mudar totalmente minha vida. Passo muito mais tempo com minha esposa e minhas filhas, e me mudei para ficar mais perto da minha mãe idosa. Reduzi drasticamente minha presença nas redes sociais, dedicando esse tempo a encontrar e a tentar ajudar os jovens que me procuram. Pedi perdão àqueles que ofendi e procurei ser um colaborador mais gentil e empático. Acima de tudo, parei de ver minha vida como um algoritmo para otimizar minha influência. Em vez disso, tento gastar minha energia fazendo a única coisa que descobri que realmente traz sentido à vida de uma pessoa: compartilhar amor com aqueles que nos rodeiam. Essa experiência de proximidade com a morte também me deu uma nova visão de como os humanos podem coexistir com a inteligência artificial. Sim, essa tecnologia criará um enorme valor econômico e destruirá um número impressionante de empregos. Se permanecermos presos em uma mentalidade que iguala nosso valor econômico ao nosso valor como seres humanos, essa transição para a era da IA devastará nossas sociedades e causará estragos em nosso equilíbrio emocional. Mas há outro caminho, uma oportunidade de usar a inteligência artificial para redobrar o que nos torna realmente humanos. Esse caminho não será fácil, mas acredito que representa nossa maior esperança de não apenas sobreviver na era da IA, mas de fato prosperar. É uma jornada que tomei em minha própria vida, que mudou meu foco das máquinas de volta para as pessoas, e da inteligência de volta para o amor. 16 DE DEZEMBRO DE 1991 O caos rotineiro de um parto girava ao meu redor. Enfermeiros e médicos com as roupas apropriadas entravam e saíam da sala, verificando as medições e trocando o soro. Minha esposa, Shen-Ling, estava deitada no leito do hospital, lutando contra o ato físico e o mental mais exaustivo que um ser humano pode realizar: trazer outro ser humano ao mundo. Era 16 de dezembro de 1991 e eu ia me tornar pai pela primeira vez. Nosso médico me disse que seria um parto complexo porque o bebê estava ao contrário, com a cabeça voltada para a barriga, em vez de para baixo. Isso significava que Shen-Ling poderia precisar de uma cesariana. Eu caminhava de um lado para outro, ansioso, ainda mais no limite do que a maioria dos outros pais esperando o grande dia. Eu estava preocupado com Shen-Ling e com a saúde do bebê, mas minha mente não estava inteiramente naquela sala de parto. Isso porque era o dia em que eu deveria fazer uma apresentação para John Sculley, meu CEO na Apple e um dos homens mais poderosos do mundo da tecnologia. Um ano antes, eu tinha entrado na Apple como cientista-chefe de reconhecimento de fala, e essa apresentação era minha chance de ganhar o endosso de Sculley para nossa proposta de incluir a síntese de fala em todos os computadores Macintosh e o reconhecimento de fala em todos os novos tipos de Mac. O parto da minha esposa continuava, e eu ficava olhando para o relógio. Esperava desesperadamente que ela tivesse o bebê logo para que eu estivesse lá na hora do nascimento e voltasse a tempo para a reunião. Enquanto caminhava pela sala, meus colegas de trabalho telefonaram e perguntaram se devíamos cancelar a reunião ou, talvez, que meu braço direito fizesse a apresentação para Sculley. “Não”, disse a eles. “Acho que consigo.” Mas à medida que o parto se arrastava, parecia cada vez mais improvável que isso acontecesse, e eu estava genuinamente dividido sobre o que deveria fazer: ficar ao lado de minha esposa ou correr para uma reunião importante. Diante de um “problema” como esse, minha mente bem treinada de engenheiro girava em alta velocidade. Eu pesava todas as opções em termos de entradas e saídas, maximizando meu impacto em resultados mensuráveis. Testemunhar o nascimento da minha primeira filha seria ótimo, mas ela nasceria se eu estivesse lá ou não. Por outro lado, se eu faltasse à apresentação para Sculley, isso poderia ter um impacto substancial e quantificável. Talvez o software não respondesse bem à voz do meu substituto — eu tinha um jeito para conseguir um melhor desempenho que ele —, e Sculley poderia arquivar indefinidamente a pesquisa de reconhecimento de fala. Ou talvez ele pudesse dar luz verde ao projeto, mas depois pôr outra pessoa a cargo. Imaginei que o destino da pesquisa de inteligência artificial estivesse em jogo, e maximizar as chances de sucesso significava simplesmente que eu deveria estar naquela sala para a apresentação. Eu estava no meio desses cálculos mentais quando o médico me informou que iriam realizar uma cesariana imediatamente. Acompanhei minha esposa até uma sala de cirurgia e, em uma hora, estávamos segurando nossa filhinha. Passamos alguns momentos juntos, e com pouco tempo sobrando, fui para a apresentação. Tudo terminou muito bem. Sculley deu luz verde ao projeto e exigiu uma campanha publicitária completa em torno do que eu havia criado. Essa campanha levou a uma bem-sucedida palestra TED. Comentário O maior desenvolvedor de A.I. do mundo parando de frente com sua humanidade.   UM PROJETO PARA A COEXISTÊNCIA ENTRE OS HUMANOS E A IA Enquanto eu estava passando pela quimioterapia para tratar meu câncer em Taiwan, um velho amigo que é um empreendedor em série me procurou com um problema em sua última startup. Ele tinha fundado e vendido várias empresas bem-sucedidas de tecnologia, mas, à medida que envelhecia, queria fazer algo mais significativo, ou seja, queria criar um produto que servisse às pessoas, o que as startups de tecnologia muitas vezes ignoravam. Tanto meu amigo quanto eu estávamos entrando na idade em que nossos pais precisavam de mais ajuda para cuidar de suas rotinas diárias, e ele decidiu criar um produto que tornasse a vida mais fácil para os idosos. O que ele inventou foi uma grande tela sensível ao toque montada em um suporte que poderia ser instalada ao lado da cama de uma pessoa idosa. Na tela, havia alguns aplicativos simples e práticos conectados a serviços que os idosos poderiam usar: pedir comida, passar suas novelas favoritas na TV, ligar para o médico e muito mais. As pessoas mais velhas muitas vezes lutam para navegar pelas complexidades da internet ou para manipular os pequenos botões de um smartphone, então meu amigo fez tudo o mais simples possível. Todos os aplicativos exigiam apenas alguns cliques, e ele até incluía um botão que permitia que os usuários idosos ligassem diretamente para um agente de atendimento ao cliente para orientá-los no uso do dispositivo. Parecia um produto maravilhoso com um mercado real no momento. Infelizmente, há muitos filhos adultos na China e em outros lugares que estão ocupados demais com o trabalho para se dedicar ao cuidado dos pais idosos. Eles podem sentir culpa pela importância da piedade filial, mas, mesmo assim, simplesmente não conseguem encontrar tempo para cuidar dos pais da maneira adequada. A tela sensível ao toque seria um ótimo substituto. Porém, depois de implementar uma versão de teste de seu produto, meu amigo descobriu que ele tinha um problema. De todas as funções disponíveis no aparelho, a que, de longe, foi mais usada foi a que pedia ajuda. Os idosos queriam o contato humano. Comentário Por isso, disse que o A.I. mudará nossa forma de agir no mundo.   NOSSA HISTÓRIA GLOBAL COM A IA EM 12 DE JUNHO DE 2005, Steve Jobs se aproximou de um microfone no Stanford Stadium e fez um dos mais memoráveis discursos de formatura já proferidos. Na conversa, ele repassou sua carreira cheia de zigue-zagues, do abandono da faculdade à cofundação da Apple, de sua saída pouco amigável daquela empresa à fundação da Pixar e, finalmente, seu triunfante retorno à Apple uma década mais tarde. Falando para uma multidão de estudantes ambiciosos de Stanford, muitos dos quais estavam ansiosamente planejando sua própria ascensão aos picos do Vale do Silício, Jobs advertiu contra a tentativa de traçar a vida e a carreira com antecedência. “Você não pode conectar os pontos olhando para a frente”, disse Jobs aos alunos. “Você só pode conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos de alguma forma se conectarão no seu futuro.”1 A sabedoria de Jobs ecoou em mim desde que a ouvi pela primeira vez, mas nunca tanto quanto hoje. Ao escrever este livro, tive a oportunidade de conectar os pontos de quatro décadas de trabalho, crescimento e evolução. Essa jornada abrangeu empresas e culturas, de pesquisador de IA e executivo de negócios a capitalista de risco, autor e sobrevivente de câncer. Incluiu questões globais e profundamente pessoais: a ascensão da inteligência artificial, os destinos entrelaçados dos lugares que chamei de lar e minha própria evolução de um workaholic a pai, marido e ser humano mais amoroso. Todas essas experiências se juntaram para moldar minha visão do nosso futuro global com a IA, conectar os pontos olhando para trás e usar essas constelações como orientação daqui para a frente. Minha experiência em tecnologia e experiência em negócios tem cristalizado como essas tecnologias estão se desenvolvendo na China e nos Estados Unidos. Meu súbito confronto com o câncer me levou a entender por que devemos usar essas tecnologias para promover uma sociedade mais amorosa. Finalmente, minha experiência de mudança e transição entre duas culturas diferentes imprimiu em mim o valor do progresso compartilhado e a necessidade de entendimento mútuo além das fronteiras nacionais.    UM FUTURO DA IA SEM UMA CORRIDA DA IA  Ao escrever sobre o desenvolvimento global da inteligência artificial, é fácil cair em metáforas militares e em uma mentalidade de soma zero. Muitos comparam a “corrida da IA” de hoje com a corrida espacial dos anos 19602 ou, pior ainda, à corrida armamentista da Guerra Fria que criou armas cada vez mais poderosas de destruição em massa.3 Até hoje, a palavra “superpotências” ainda é muito utilizada, uma expressão que muitos associam à rivalidade geopolítica. Eu uso esse termo, no entanto, especificamente para refletir o equilíbrio tecnológico das capacidades da IA, não para sugerir uma guerra até as últimas consequências pela supremacia militar. Mas essas distinções são facilmente borradas por aqueles mais interessados em posturas políticas do que no desenvolvimento humano. Se não formos cuidadosos, essa retórica unilateral em torno de uma “corrida da IA” nos enfraquecerá no planejamento e na modelagem de nosso futuro junto com a IA. Uma corrida tem apenas um vencedor: a vitória da China é a derrota dos Estados Unidos e vice-versa. Não existe a noção de progresso compartilhado ou prosperidade mútua — apenas um desejo de ficar à frente do outro país, independentemente dos custos. Essa mentalidade levou muitos comentaristas nos Estados Unidos a usarem o progresso em IA da China como um chicote retórico para estimular os líderes norte-americanos a agir. Argumentam que os Estados Unidos estão em risco de perder sua vantagem na tecnologia que irá alimentar a competição militar do século XXI. Mas isso não é uma nova Guerra Fria. Hoje, a IA tem inúmeras aplicações militares em potencial, mas seu verdadeiro valor não está na destruição, mas na criação. Se entendida e aproveitada adequadamente, pode na verdade nos ajudar a gerar valor econômico e prosperidade em uma escala nunca vista na história da humanidade. Nesse sentido, nosso atual boom de IA tem muito mais a ver com o surgimento da Revolução Industrial ou com a invenção da eletricidade do que com a corrida armamentista da Guerra Fria. Sim, empresas chinesas e norte-americanas competirão entre si.     

Podcast de Yoga | 16 jun 2021 | Daniel De Nardi

Yoga é uma filosofia? Podcast #45

Yoga é uma filosofia? Podcast #45 Yoga é uma filosofia? Filosofia prática? Mas as filosofias não vem apenas da Grécia? Responda por você mesmo após ouvir o podcast de hoje!   https://soundcloud.com/yogin-cast/yoga-e-filosofia-podcast-45   LINKS     Impressionismo Texto que escrevi sobre Impressionismo em 2007 https://yoginapp.com/o-novo-impressionismo   YOGA PARA LONGEVIDADE – LIVE DE PAUTA DO PODCAST #45   https://youtu.be/0iQaNfpXyMM   Podcast que fala sobre a música de Saint Saens   https://yoginapp.com/ioga-brasileira-yoga-e-politica-podcast-44   Músicas da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Transcrição: Yoga é Filosofia – Podcast #45   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 45º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Ravel com a música Pavane. O tema de hoje é como o yoga pode se posicionar como uma filosofia prática. O que é efetivamente uma filosofia prática? E se de fato as filosofia só podem ter uma origem grega, uma origem helênica. Se você quiser estudar a filosofia como algo puramente acadêmico, e tentar encaixá-la no padrão da academia, pode até ser que pense que ela seja algo exclusivamente grego. “Filos” vem do grego e, por aí, se tem toda a construção grega. Não existe prática da filosofia, apenas a teoria, até porque ela precisa ser debatida. Discordo desta afirmação, a filosofia discute alguns conceitos e traz reflexões que propõe algum tipo de mudança, seja ela na nossa visão de vida ou no nosso comportamento. Se for esse o intuito o yoga pode efetivamente se classificar como uma filosofia, porque o yoga faz debates, ele faz reflexões. Não é à toa que exista esse podcast semana com 45 episódios, trazendo diferentes conceito do yoga. Esses conceitos todos quando debatidos podem ser sim uma filosofia, não de origem grega (o yoga é de origem indiana, como já mencionamos aqui, e é ainda mais antigo que as filosofias gregas, como o hedonismo). Existe um debate e um conhecimento sendo debatido, a gente pode classificar. E como você falaria que não existe filosofia prática? Existe sim. Se pensarmos em todo o debate que existe na Grécia com Aristóteles, com Platão, todo o debate que existe, inclusive, antes de Cristo, ele chegou como reflexão não só para os gregos como, também, para o império seguinte, o romano. O império romano bebeu muito do que estava sendo debatido na Grécia e aplicou a constituição das leis. Se vê, então, uma aplicabilidade da filosofia, a filosofia do direito. Quando se usa um conhecimento para contribuir com a vida das pessoas. Foi que Roma fez, aplicou muito da filosofia grega, e a própria Grécia fez uso de sua própria sabedoria para, de alguma forma, contribuir com a cultura daquele ambiente. O yoga faz isso de diferentes formas, tudo aquilo que é compreendido na parte teórica, nessa parte especulativa e reflexiva, se aplica, de alguma forma, com as técnicas, com os exercícios. Um exemplo: o yoga vê a importância de se reduzir a agitação da mente, de reduzir o que chamamos de Vitris, que é todo o tipo modificação, de agitação. Então, se o intuito for diminuir a agitação, parar de pensar em várias coisas e focar, a prática faz com que o indivíduo que se centra mantenha o conceito de estabilidade praticando. Se executa o conceito de estabilidade e se observa a resposta e o funcionamento deste conceito. No yoga se estuda, também, a importância de se ter a energia vital para processar mudanças, para a longevidade. Tudo isso é trabalhado nas escrituras e dos textos de yoga, na prática isso é trabalhado na ampliação da capacidade pulmonar, em absorver oxigênio e eliminar gás carbônico. Um ganho de energia vital e de saúde, um conceito aplicado na prática. É trabalhado no yoga a desidentificação, o desapego e o envolvimento com o corpo em determinadas situações. E não seria negar o corpo ou mortificá-lo, mas vê-lo de maneira distante. Isso é trabalhado nas técnicas quando, por exemplo, se está em uma posição desconfortável e se sente uma área do corpo e a atenção é transferida para a respiração ou para alguma outra área ou, até, para uma mentalização específica. Neste caso também existe uma desidentificação para focar em algo que se considera importante. Aplicando algo que foi teoria, inicialmente. O yoga também trata, desde suas primeiras escrituras, o descondicionamento. O ser humano é bastante condicionado, e quando só se produz condicionamento, não se sai da roda do sofrimento, há apenas a repetição de condicionamentos, muitas vezes repetidos por outras pessoas, como por exemplo os pais, ou pelo ambiente. A função do yoga é de descondicionar, de despertar a consciência à sua forma mais espontânea, sem nenhum direcionamento pré-determinado. O descondicionamento é realizado de diversas formas como, por exemplo, o jejum. Estamos acostumados a nos alimentar a todo momento ou a cada três horas. Mas dentro da prática, o que seria? Existem várias formas, uma delas é a respiração, geralmente respiramos de maneiro curta no nosso dia-a-dia, ampliando a respiração já se modifica o condicionamento respiratório que muda, por consequência, o padrão emocional. Além disso, o nosso corpo tem, por hábito, se mexer o tempo todo, até quando a gente dorme a gente se mexe. Com o trabalho de condicionamento do asana, se manter em uma postura às vezes simples, mas sem se mexer, é um conceito, que o yoga entende como importante, sendo transferido para a prática. Por fim, as escrituras, desde os Vedas, falam sobre ouvir o silencia, ouvir a meditação. O que seria a meditação senão a melhor forma que se tem para construir isso? Para finalizar, esse é o “coroamento”, quando a gente para tudo e olha para dentro, o que não é tão simples, o corpo não pode estar incomodado, a respiração não pode ser rápida para que não haja ansiedade, é preciso estar numa posição de conforto, aí então, a partir de tudo que já foi investigado, se consegue um mergulho no coração que não seria bem realizado se todo este trabalho não tivesse sido feito anteriormente. A música que vocês ouviram hoje é Pavane, de Ravel. Este compositor é muito conhecido pelo “Bolero de Ravel que, inclusive, já foi tocado aqui no episódio 15, em que eu coloquei Debussy e Ravel, que são dois compositores contemporâneos que tentavam trabalhar com estilos de músicas bem diferentes. Debussy construiu uma obra que ele chamava de impressionista, ele era o líder deste movimento e a ideia central era a de acompanhar o movimento artístico que acontecia na França naquela época. O impressionismo expôs uma fidelidade ao que se via na tela, a incidência da luz em determinado ângulo ou horário. Como a câmera fotográfica foi inventada e difundida naquela mesma época, no final do século XIX, a pintura que anteriormente tinha como principal trunfo retratar as imagens perdeu um pouco o sentido. A partir daí, os impressionistas passaram a trazer, além da forma visual, emoção para o que eles pintavam. Claro que antigamente as telas também tinha emoção, mas o movimento Impressionista foi o primeiro a, através das cores, dar a emoção necessária a pintura. O movimento foi liderado, especialmente, por Monet, mas teve outros nomes como: Manet, Degard e Renoir. E a pintura impressionista tenta tirar a impressão, não tem um acabamento perfeito porque as coisas se diluem conforme damos cor a elas, muitas vezes se misturam pela própria cor. Então, as músicas de Debussy não finalizavam a frase. Geralmente as melodias tem uma frase completa construída, Debussy finalizava tirando o “tônus” do final, como se a frase não tivesse sido finalizada e se mantivesse ali, flutuando como a pintura impressionista. Não sou o maio fã de Debussy, embora é necessário reconhecer que ele tem um trabalho expressivo. Sou mais da linha do romântico, como falei no episódio passado, Ravel estudou com Samsei, que era mais romântico e apegado a estrutura da música que estava sendo construída com pequenas modificações, mas Ravel criou um estilo próprio de música. Estreou recentemente no cinema um filme chamado “Van Gogh com Amor”. Todo mundo deve saber que Van Gogh fez parte do movimento impressionista no começo, porém nunca se adequou e sempre quis desenvolver uma arte própria, algo que era dele e que ninguém conseguisse imitar. Ele acabou produzindo um estilo próprio em cima do movimento que existia na época, exatamente como Ravel. Esse filme vale muito a pena assistir, quem está assistindo pelo aplicativo do YogIN App está vendo algumas cenas e consegue ver como que elas foram construídas O idealizador do filme fizeram uma grande pesquisa em torno da vida de Van Gogh e usaram os personagens que ele havia pintado e construíram uma trama em cima da dúvida sobre qual teria sido o motivo para o suicídio de Van Gogh ou se poderia ter acontecido algum tipo de assassinato. Toda a história se passa dentro dos quadros dele. É uma animação, porém não foi usado nenhum tipo de computador, foram cem artistas que pintaram frame a frame, quadro a quadro. É muito interessante porque quadros famosos, como o Dr. Gachê, são vistos primeiramente estáticos e, depois, em movimento e o personagem do quadro passa a falar. Recomendo muito este filme, é quase uma viagem alucinógena, mas o filme é uma perfeição e de uma beleza incrível, além dos fator serem correspondentes com que conhecemos da  história (não conheço muito a história do Van Gogh, mas todo mundo sabe um pouco sobre o relacionamento muito próximo que ele tinha com o Gauguin, que ele cortou a orelha e deu para uma amante do Gauguin e que, depois, disso, Van Gogh se isolou para tentar se tratar, mas a vida dele acabou seguindo um rumo não muito bom), o filme constrói de uma forma tão boa que se enxerga que tudo isso pode ter sido razão para o suicídio. Ele está em cartaz no cinema, mas, caso você esteja escutando este podcast muito à frente, porque no Now ou na Netflix. Agora vou deixar vocês com Pavane de Ravel.

1 2 3 16