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Podcast de Yoga | 17 jun 2021 | Daniel De Nardi

O Futuro da Inteligência Artificial – Robôs serão sempre robôs por Kai-fu Lee – Episódio 03

Robôs serão sempre robôs Este é o último episódio da série \"O Futuro da Inteligência Artificial\" e trará a visão de um desenvolvedor de Inteligência Artificial e dono de um fundo de StartUps chinesas de A.I. - Kai-Fu Lee foi responsável por criar a equipe da Srí na Apple, depois fez trabalhos para Microsoft na em Inteligência Artificial e depois liderou a operação do Google na China. Kai-Fu Lee tem uma perspectiva menos alrmista no que se refere ao domínio das máquinas sobre nós, mas faz apontamentos de reduções drásticas nos empregos a medida que a Inteligência Artificial for aumentando suas capacidades. Este episódio da série vai fazer um resumo do livro \"Inteligência Artificial\" do desenvolvedor de A.I Kai fu Lee. Ele é também dono de um fundo de investimentos em startups de Inteligência Artificial chibesas. Como uma pessoa que conhece esse movimento de dentro, será uma voz importante dessa série sobre \"O Futuro da Inteligência Artificial\".   A música é trilha sonora do filme \"Her\", cantada pela Scarlett Johansson, na voz da secretária virtual. O ator principal deste filme é Joaquin Phoenix, que provavelmente ganhará o Oscar em 2020 no papel de Coringa. Phoenix já foi indicado algumas vezes, mas nunca levou.  Dois dos livros que veremos neste episódio, tratam o filme \"Her\" como uma projeção muito provável de futuro uso da A.I.  A A.I. tornou-se um dos focos dos meus estudos desde que li Homo Deus de do historiador Yuval Harari. Nessa obra entendi o impacto que a Inteligência Artificial, especialmente após a machine learning tem em nossas vidas. Quem não entender minimamente da evolução da Inteligência de máquinas não terá capacidade de analisar as relações humanas, tampouco prever as transformações que essa ferramenta pode proporcionar.  Nick Bostrom, o segundo autor apresentado na série acredita que \"A máquina superinteligente será a última invenção da humanidade\" uma frase que pode ter ambos sentidos. Tal como uma inteligência que fizesse 100% da administração pública sem nenhum custo até um sistema que possa interferir deliberadamente no comportamento dos humanos. LINKS Lista de Espera para o Curso de Formação de Professores de Yoga Online   Kai Fu Lee explica a revolução de A.I na China - Programa do Bial   \"A fusão Homem Máquina de Harari\" Episódio 01 série \"O Futuro da Inteligência Artificial\"   \"A Superinteligência de Bostrom\" Episódio 02 da série \"O Futuro da Inteligência Artificial\"   Entrevista de Kai Fu Lee no Programa do Bial Notícias sobre Kai-fu Lee   Documentário Kasparov X Deep Blue da IBM   Perfil do Podcast no Instagram   Playlist no Spotify com todas as músicas das trilhas sonoras   https://open.spotify.com/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa?si=0meOIvhWQHWzf1lTGT886g    O início da explosão de A.I. na China Sputnik é o nome da primeira série de satélites artificiais soviéticos, feita para estudar as capacidades de lançamento de cargas para o espaço e para estudar os efeitos da ausência de peso e da radiação sobre os organismos vivos. Serviu também de preparação do primeiro voo espacial tripulado. Quando os americanos viram o lançamento do Sputnik, aceleraram o desenvolvimento da sua tecnologia com apoio do governo e chegaram antes à lua.  O autor de Inteligência Artificial, Kai-fu Lee, criador da equipe da Siri na Apple e ex CEO do Google China afirma que o momento dessa virada com relação à Inteligência Artificial na China foi a partir de um jogo chamado Go. Um xadrez chinês, mas que tem mais possibilidade de jogadas que todos os átomos da Terra, algo como 10 elevado a mais de 100. Kai-fu Lee tem uma visão diferente sobre A.I. que Harari e Bostrom e os considera apenas estudiosos, mas não autoridades que podem opinar pois não entendem da parte prática desses desenvolvimentos. Lee acredita sim que as máquinas poderão fazer praticamente todas as nossas tarefas, o que acarretará problemas sérios de desemprego, mas ele não acha que robôs jamais terão o nível de bom senso de uma criança ou nem sequer chegar perto do Amor. O que ele considera o grande diferencial humano, que nenhuma máquina conseguirá reproduzir. Lerei o início de cada capítulo do livro usando a trilha sonora do filme Her e comentarei em seguida.        O MOMENTO SPUTNIK DA CHINAO ADOLESCENTE CHINÊS com óculos de armação quadrada parecia ser o herói improvável da última resistência da humanidade. Vestido com um terno preto, camisa branca e gravata preta, Ke Jie se afundou em sua cadeira, esfregando as têmporas, intrigado com o problema à sua frente. Normalmente cheio de uma confiança que beirava a arrogância, o garoto de dezenove anos se contorcia na cadeira de couro. Mude o local e ele poderia ser outro garoto na escola sofrendo com uma prova impossível de geometria. Mas naquela tarde de maio de 2017, ele estava envolvido na luta contra uma das máquinas mais inteligentes do mundo, o AlphaGo, uma usina de inteligência artificial apoiada pela, pode-se dizer, maior empresa de tecnologia do mundo: o Google. O campo de batalha era um tabuleiro de dezenove por dezenove linhas, cheio de pequenas pedras pretas e brancas — as matérias-primas do enganosamente complexo jogo Go. Durante a partida, dois jogadores alternam-se, colocando pedras no tabuleiro e tentando cercar as peças do oponente. Nenhum humano na Terra poderia fazer isso melhor do que Ke Jie, mas, naquele momento, ele enfrentava um jogador do Go que estava em um nível que ninguém jamais havia visto. Inventado, acredita-se, há mais de 2.500 anos, o Go tem a história mais longa que qualquer jogo de tabuleiro jogado ainda hoje. Na antiga China, representava uma das quatro formas de arte que todo acadêmico chinês deveria dominar. Acreditava-se que o jogo, como o zen, levava seus jogadores a um refinamento e a uma sabedoria intelectual. Enquanto jogos como o xadrez ocidental eram considerados grosseiramente táticos, o Go é baseado no posicionamento paciente e no lento cerco, o que o transformou em uma forma de arte, um estado de espírito. A profundidade da história do Go acompanha a complexidade do jogo em si. As regras básicas podem ser explicadas em apenas nove sentenças, mas o número de posições possíveis em um tabuleiro de Go excede o de átomos no universo conhecido. A complexidade da árvore de decisão transformou a derrota do campeão mundial de Go em uma espécie de monte Everest para a comunidade de inteligência artificial — um problema cujo tamanho tinha impedido todas as tentativas de conquistá-lo. Aqueles com uma inclinação poética diziam que tal feito não poderia ser realizado porque as máquinas não tinham o elemento humano, uma sensação quase mística pelo jogo. Os engenheiros simplesmente achavam que o tabuleiro oferecia possibilidades demais para que um computador pudesse avaliar. Mas, nesse dia, o AlphaGo não estava apenas vencendo Ke Jie — estava dando uma surra nele. Ao longo de três maratonas de mais de três horas cada, Ke jogou tudo que conhecia contra o programa de computador. Testou diferentes abordagens: conservador, agressivo, defensivo e imprevisível. Nada parecia funcionar. O AlphaGo não deu nenhuma abertura a Ke. Ao contrário, lentamente foi deixando-o sem saída. Comentário Isso despertou uma esperança em Kai que foi ver o menino chorando, na sua visão isso nunca será alcançado pelos computadores.  Durante o livro ele tira um sarro das teorias do Nick Bostrom, pois na visão dele as coisas não irão crescer progressivamente até tomarem tudo como prevê o filósofo sueco. Na visão de Kai Fu Lee que é um desenvolvedor de software e que sempre trabalhou diretamente com isso, diferentemente de Nick que só estudou, o que houve recentemente que descongelou uma era de paralisia no desenvolvimento da A.I. foi a descoberta da machine learning. Na opinião, um salto como o do machine learning não acontecerá no próximo século, o que desmontaria toda a projeção de Nick.   IMITADORES NO COLISEU  ELES O CHAMAVAM DE THE CLONER, Wang Xing deixou sua marca no início da internet chinesa como um plagiador em série, uma imagem espelhada bizarra dos reverenciados empreendedores em larga escala do Vale do Silício. Em 2003, 2005, 2007 e, novamente, em 2010, Wang pegou a melhor startup do ano dos Estados Unidos e a copiou para os usuários chineses. Tudo começou quando ele tropeçou na rede social pioneira Friendster durante o doutorado em engenharia na Universidade de Delaware. O conceito de uma rede virtual de amizades instantaneamente se uniu ao histórico de Wang em redes de computadores, e ele abandonou seu programa de doutorado para voltar à China e recriar o Friendster. Nesse primeiro projeto, optou por não clonar o design exato do site. Em vez disso, ele e alguns amigos simplesmente adotaram o conceito central da rede social digital e construíram sua própria interface de usuário em torno dele. O resultado foi, nas palavras de Wang, “feio”, e o site não decolou. Dois anos mais tarde, o Facebook estava invadindo todas as universidades com seu design limpo e segmentação de nicho focada em estudantes. Wang adotou os dois quando criou o Xiaonei (No Campus). A rede era exclusiva para universitários chineses e a interface do usuário era uma cópia exata do site de Mark Zuckerberg. Wang recriou meticulosamente home page, perfis, barras de ferramentas e esquemas de cores da startup de Palo Alto. A mídia chinesa informou que a primeira versão do Xiaonei chegou ao ponto de pôr a tagline do próprio Facebook, “A Mark Zuckerberg production”, no final de cada página.2 O Xiaonei foi um sucesso, mas Wang o vendeu cedo demais. Como o site cresceu muito depressa, ele não conseguiu levantar dinheiro suficiente para pagar os custos dos servidores e foi forçado a vendê-lo. Sob nova propriedade, uma versão reformulada do Xiaonei — agora chamado Renren (Todo Mundo) — acabou levantando 740 milhões de dólares durante sua estreia em 2011 na Bolsa de Valores de Nova York. Em 2007, Wang fez tudo de novo, criando uma cópia precisa do recém-criado Twitter. O clone era tão bom que, se o idioma e a URL fossem alterados, os usuários poderiam facilmente ser enganados e pensar que estavam no Twitter original. O site chinês, chamado Fanfou, prosperou por um tempo, mas logo foi fechado por conteúdo politicamente sensível. Então, três anos depois, Wang pegou o modelo de negócios do Groupon e o transformou no site chinês de compras coletivas Meituan. Para a elite do Vale do Silício, Wang era um sem vergonha. Na mitologia do Vale, poucas coisas são mais estigmatizadas do que imitar cegamente o estabelecido. Era precisamente esse tipo de empreendedorismo imitador que impediria o crescimento da China, assim dizia a sabedoria convencional, e impediria que o país construísse empresas de tecnologia de fato inovadoras que pudessem “mudar o mundo”. Até alguns empreendedores chineses sentiram que a clonagem “pixel por pixel” de Wang do Facebook e do Twitter tinha ido longe demais. Sim, as empresas chinesas com frequência imitavam seus pares norte-americanos, mas era possível pelo menos localizar ou adicionar um toque de seu próprio estilo. Mas Wang não pediu desculpas por seus sites imitadores. Copiar era uma peça do quebra-cabeça, ele disse, mas também era sua escolha de quais sites copiar e sua execução nas frentes técnica e de negócios. No final, foi Wang quem riu por último. No fim de 2017, a capitalização de mercado do Groupon tinha encolhido para 2,58 bilhões de dólares, com suas ações sendo negociadas a menos de um quinto do preço de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) de ações em 2011. A antiga queridinha do mundo das startups norte-americanas estava estagnada havia anos e demorou a reagir quando a mania das compras coletivas esfriou. Enquanto isso, o Meituan de Wang Xing tinha triunfado em um ambiente brutalmente competitivo, vencendo milhares de sites similares de compras coletivas e dominando o setor. Em seguida, começou a se ramificar em dezenas de novas linhas de negócios. Tornou-se, então, a quarta startup mais valiosa do mundo, avaliada em 30 bilhões de dólares, e Wang vê o Alibaba e a Amazon como seus principais concorrentes no futuro. Analisando o sucesso de Wang, os observadores ocidentais cometem um erro fundamental. Acreditam que o Meituan triunfou ao adotar uma ótima ideia americana e simplesmente copiá-la na protegida internet chinesa, um espaço seguro onde as fracas empresas locais podem sobreviver por causa de uma concorrência muito menos intensa. Esse tipo de análise, no entanto, é o resultado de um profundo desconhecimento da dinâmica em jogo no mercado chinês, e revela um egocentrismo que define que toda a inovação da internet acontece no Vale do Silício. Ao criar seus primeiros clones do Facebook e do Twitter, Wang estava, na verdade, confiando inteiramente no manual do Vale do Silício. Essa primeira fase da era imitadora — startups chinesas clonando sites do Vale do Silício — ajudou a desenvolver a engenharia básica e as habilidades de empreendedorismo digital que estavam totalmente ultrapssadas quando comparadas aos USA.   Comentário Na China a imitação não é mal vista, e é reconhecida como grande habilidade. Isso ajudou bastante eles a desenvolverem a base para a A.I.   O UNIVERSO ALTERNATIVO DA INTERNET NA CHINA  GUO HONG É UM FUNDADOR DE STARTUPS. Preso no corpo de um funcionário do governo. De meia-idade, Guo está sempre usando um terno escuro modesto e óculos de lentes grossas. Ao fazer pose para fotos oficiais em cerimônias de inauguração, não parece diferente das dezenas de outras autoridades da cidade de Pequim, vestidas de maneira idêntica, que aparecem para cortar fitas e fazer discursos. Durante as duas décadas anteriores a 2010, a China foi governada por engenheiros. O funcionalismo chinês estava cheio de homens que tinham estudado a ciência de construir coisas físicas, e utilizaram esse conhecimento para transformar a China de uma sociedade agrícola pobre em um país de fábricas agitadas e cidades enormes. Mas Guo representava um novo tipo de funcionário para uma nova era — na qual a China precisava tanto construir coisas quanto criar ideias. Coloque Guo sozinho em uma sala com outros empresários ou tecnólogos e ele, de repente, ganha vida. Repleto de ideias, fala rápido e escuta atentamente. Tem um apetite voraz pela novidade tecnológica e pela capacidade de visualizar como as startups podem aproveitar essas tendências. Guo pensa de forma pouco convencional e, em seguida, parte para a ação. Ele é o tipo de criador a quem os investidores de capital de risco adoram dar dinheiro. Todos esses hábitos vieram a calhar quando Guo decidiu transformar sua fatia de Pequim no Vale do Silício chinês, um foco de inovação no país. O ano era 2010, e Guo era responsável pela influente zona de tecnologia Zhongguancun, no noroeste de Pequim, uma área que havia muito tempo era vista como a resposta da China ao Vale do Silício, mas não tinha realmente merecido o título. Zhongguancun estava repleta de mercados de eletrônicos que vendiam smartphones de baixo custo e softwares pirateados, mas oferecia poucas startups inovadoras. Guo queria mudar isso. Para dar início a esse processo, nos reunimos nos escritórios da minha recém-fundada empresa, a Sinovation Ventures. Depois de passar uma década representando as empresas de tecnologia norte-americanas mais poderosas na China, no outono de 2009 deixei o Google China para estabelecer a Sinovation, uma incubadora em estágio inicial e um fundo de investimento para startups chinesas. Fiz esse movimento porque senti uma nova energia borbulhando no ecossistema de startups chinês. A era dos imitadores tinha forjado empreendedores de alto nível e eles estavam apenas começando a aplicar suas habilidades para resolver problemas exclusivamente chineses. A rápida transição da China para a internet móvel e os agitados centros urbanos criaram um ambiente totalmente diferente, no qual produtos inovadores e novos modelos de negócios poderiam prosperar.      Comentário O governo investiu muito nessa iniciativa e embora minha visão liberal rejeite esse tipo de iniciativa, é fato que economicamente, funcionou.   UM CONTO DE DOIS PAÍSES  EM 1999, OS PESQUISADORES CHINESES ainda estavam no escuro quando se tratava de estudar a inteligência artificial — literalmente. Vou explicar. Naquele ano, visitei a Universidade de Ciência e Tecnologia da China para dar uma palestra sobre nosso trabalho em reconhecimento de fala e imagem na Microsoft Research. A universidade era uma das melhores escolas de engenharia da China, mas estava localizada na cidade de Hefei, no sul do país, um lugar remoto em comparação com Pequim. Na noite da palestra, os alunos se espremeram no auditório, e aqueles que não tinham conseguido entrar ficaram pressionados contra as janelas, na esperança de ouvir um pouco através do vidro. O interesse era tão intenso que por fim pedi aos organizadores que permitissem que os alunos preenchessem os corredores e até se sentassem no palco ao meu redor. Eles ouviram atentamente enquanto eu estabelecia os fundamentos do reconhecimento de fala, da síntese de fala, dos gráficos 3-D e da visão computacional. Rabiscaram notas e me encheram de perguntas sobre princípios subjacentes e aplicações práticas. Era evidente que a China estava mais de uma década atrás dos Estados Unidos na pesquisa de IA, mas esses estudantes eram como esponjas para qualquer conhecimento do mundo exterior. A animação na sala era palpável. A palestra durou muito, e já estava escuro quando saí do auditório e fui em direção ao portão principal da universidade. Os dormitórios estudantis cobriam os dois lados do caminho, mas o campus estava quieto e a rua, vazia. E então, de repente, não estavam mais. Como se houvesse tocado um sinal, longas filas de estudantes começaram a sair dos dormitórios ao meu redor para a rua. Fiquei lá, perplexo, observando o que parecia ser um exercício anti-incêndio em câmera lenta, tudo isso em total silêncio. Apenas quando se sentaram na calçada e abriram seus livros que percebi o que estava acontecendo: os dormitórios apagavam todas as luzes às 23 horas em ponto, e assim a maioria dos estudantes saía para continuar seus estudos debaixo da iluminação pública. Fiquei olhando enquanto centenas das mentes jovens e brilhantes dos futuros engenheiros da China se amontoavam debaixo da suave luz amarelada. Não sabia disso na época, mas o futuro fundador de uma das mais importantes empresas de IA da China estava lá, esforçando-se para ter algumas horas extras de estudo na noite escura de Hefei. Muitos dos livros didáticos que esses alunos liam estavam desatualizados ou mal traduzidos. Mas eles eram os melhores que os estudantes podiam encontrar, e esses jovens acadêmicos buscavam cada gota de conhecimento que eles continham. O acesso à internet na escola era um bem escasso, e estudar no exterior só era possível se os alunos ganhassem uma bolsa integral. As páginas marcadas desses livros e as palestras ocasionais de um acadêmico visitante eram a única janela que tinham para o estado da pesquisa global de IA. Ah, como as coisas mudaram.    Comentário O Esforço é capaz de tirar grandes diferenças.   O MATERIAL DE UMA SUPERPOTÊNCIA DE IA  Como expus anteriormente, a criação de uma superpotência de IA para o século XXI exige quatro blocos de construção principais: dados abundantes, empreendedores tenazes, cientistas de IA bem treinados e um ambiente político favorável. Já vimos como o ecossistema de gladiadores das startups chinesas treinou uma geração de empresários sagazes e como o universo alternativo da internet na China criou o ecossistema de dados mais rico do mundo. Este capítulo avalia o equilíbrio de poder entre os dois ingredientes restantes — conhecimento em IA e apoio do governo. Acredito que na era da implementação da IA, a vantagem do Vale do Silício por sua elite especializada não será tão importante. E no domínio crucial do apoio governamental, a cultura política técnico-utilitária da China abrirá caminho para uma implementação mais rápida de tecnologias revolucionárias. À medida que a inteligência artificial se infiltrar na economia mais ampla, recompensará a quantidade de sólidos engenheiros de inteligência artificial sobre a qualidade dos pesquisadores de elite. A verdadeira força econômica na era da implementação da IA não virá apenas de um punhado de cientistas de elite que ampliam os limites com suas pesquisas. Virá de um exército de engenheiros bem treinados que se juntarão a empreendedores para transformar essas descobertas em empresas revolucionárias. A China está exatamente treinando esse exército. Nas duas décadas desde a minha palestra em Hefei, a comunidade de inteligência artificial da China eliminou a distância que tinha com os Estados Unidos. Enquanto os Estados Unidos ainda dominam quando se trata de pesquisadores superestrelas, as empresas e instituições de pesquisa chinesas se encheram do tipo de engenheiro bem treinado que pode impulsionar essa era de implementação da IA. Fez isso juntando a extraordinária fome de conhecimento que presenciei em Hefei com uma explosão no acesso à pesquisa global de ponta. Os estudantes chineses de IA não estão mais se esforçando no escuro para ler livros didáticos desatualizados. Estão aproveitando a cultura de pesquisa aberta da IA para absorver conhecimento direto da fonte e em tempo real. Isso significa dissecar as publicações acadêmicas on-line mais recentes, debater as abordagens dos principais cientistas de IA nos grupos de WeChat e transmitir suas palestras em smartphones. Essa rica conectividade permite que a comunidade de IA da China se aproxime da elite intelectual, treinando uma geração de pesquisadores chineses interessados que agora contribuem para o campo em um alto nível. Também permite que startups chinesas apliquem algoritmos de código aberto de ponta a produtos de IA práticos: drones autônomos, sistemas “pague com seu rosto” e eletrodomésticos inteligentes. Essas startups estão agora brigando por uma fatia da paisagem de IA cada vez mais dominada por um punhado de grandes atores: os chamados Sete Gigantes da era da IA, que incluem Google, Facebook, Amazon, Microsoft, Baidu, Alibaba e Tencent. Esses gigantes corporativos estão quase igualmente divididos entre os Estados Unidos e a China, fazendo movimentos ousados para dominar a economia da IA. Estão usando bilhões de dólares em dinheiro e estonteantes estoques de dados para engolir todo talento disponível em IA. Além disso, estão trabalhando para construir as “redes de energia” para a era da IA: redes de computação controladas de forma privada que distribuem o aprendizado de máquina em toda a economia, com os gigantes corporativos agindo como “utilitários”. É um fenômeno preocupante para aqueles que valorizam um ecossistema aberto de IA e também representa um bloco de obstáculo potencial para a ascensão da China como superpotência da IA.   Comentário O fato da China ter entrada depois na era da tecnologia faz eles não temerem liberar dados, desde que ganhem conveniência.   AS QUATRO ONDAS DA IA FOI NO ANO DE 2017 que ouvi pela primeira vez Donald Trump falar chinês fluentemente. Durante a primeira viagem do presidente dos Estados Unidos à China, ele apareceu em uma telona e fez seu discurso inteiro em chinês. A Inteligência Artificial traduzia simultâneo usando as palavras mais adequadas ao movimento da boca do presidente americano.   Comentário Kai-fu Lee foi o primeiro chinês a trabalhar com reconhecimento de voz em A.I. criou a equipe da Apple que hoje desenvolve a Siri.   UTOPIA, DISTOPIA E A VERDADEIRA CRISE DA IA  TODOS OS PRODUTOS E SERVIÇOS de IA descritos no capítulo anterior podem ser obtidos com base nas tecnologias atuais. Colocá-los no mercado não requer grandes inovações na pesquisa de IA, apenas o trabalho básico de implementação cotidiana: coleta de dados, modificação de fórmulas, iteração de algoritmos em experimentos e combinações diferentes, prototipagem de produtos e experimentação de modelos de negócios. Mas a era da implementação fez mais do que tornar possíveis esses produtos práticos. Também incendiou a imaginação popular no que se trata de IA. Alimentou a crença de que estamos prestes a alcançar o que alguns consideram o Santo Graal da pesquisa de IA, a inteligência geral artificial (AGI) — máquinas pensantes com a capacidade de realizar qualquer tarefa intelectual que um ser humano pode fazer — e muito mais. Alguns preveem que, com o surgimento da AGI, as máquinas que poderão melhorar a si mesmas desencadearão um crescimento descontrolado na inteligência de computadores. Muitas vezes chamada de “a singularidade”, ou superinteligência artificial, esse futuro envolve computadores cuja capacidade de entender e manipular o mundo supera a nossa, comparável à diferença de inteligência entre seres humanos e, digamos, insetos. Essas previsões estonteantes dividiram grande parte da comunidade intelectual em dois campos: os utópicos e os distópicos. Os utópicos veem a aurora da AGI e a singularidade subsequente como a fronteira final do desenvolvimento humano, uma oportunidade para expandir nossa própria consciência e conquistar a imortalidade. Ray Kurzweil — o excêntrico inventor, futurista e guru-residente do Google — prevê um futuro radical, no qual os seres humanos e as máquinas se fundirão totalmente. Vamos subir nossas mentes para a nuvem, ele prevê, e constantemente renovar nossos corpos através de nanorrobôs inteligentes lançados em nossa corrente sanguínea. Kurzweil prevê que até 2029 teremos computadores com inteligência comparável à dos humanos (isto é, AGI), e que alcançaremos a singularidade até 2045.1 Outros pensadores utópicos veem a AGI como algo que nos permitirá decodificar rapidamente os mistérios do universo físico. O fundador da DeepMind, Demis Hassabis, prevê que a criação da superinteligência permitirá que a civilização humana resolva problemas insolúveis, produzindo soluções inconcebivelmente brilhantes para o aquecimento global e doenças antes incuráveis. Com computadores superinteligentes que entendem o universo em níveis que os seres humanos não podem sequer conceber, essas máquinas podem se tornar não apenas ferramentas para aliviar os fardos da humanidade; elas se aproximam da onisciência e da onipotência de um deus. Nem todo mundo, no entanto, é tão otimista. Elon Musk chamou a superinteligência de “o maior risco que enfrentamos como civilização”,2 comparando sua criação à “convocação de um demônio”.3 Celebridades intelectuais, como o falecido cosmólogo Stephen Hawking, juntaram-se a Musk no campo distópico, sendo que muitos deles foram inspirados pelo trabalho do filósofo de Oxford Nick Bostrom, cujo livro Superintelligence, de 2014, capturou a imaginação de muitos futuristas. Na maior parte, os membros do campo distópico não estão preocupados com um domínio da IA, como imaginado em filmes como a série Terminator, com robôs semelhantes a humanos “se transformando em perversos” e caçando pessoas para destruir a humanidade e alcançar o poder. A superinteligência seria o produto da criação humana, não da evolução natural, e, portanto, não teria os mesmos instintos de sobrevivência, reprodução ou dominação que motivam os humanos ou os animais. Em vez disso, é provável que apenas procurasse atingir os objetivos dados da maneira mais eficiente possível. O medo é de que, se os seres humanos representarem um obstáculo para alcançar um desses objetivos — reverter o aquecimento global, por exemplo —, um agente superinteligente possa facilmente, até de forma acidental, nos apagar da face da Terra. Para um programa de computador cuja imaginação intelectual superasse a nossa, isso não exigiria nada tão violento quanto robôs armados. O profundo conhecimento da superinteligência de química, física e nanotecnologia permitiria maneiras muito mais engenhosas de atingir instantaneamente seus objetivos. Pesquisadores se referem a isso como o “problema de controle” ou “problema de alinhamento de valor”, e é algo que preocupa até mesmo os otimistas da AGI. Embora os cronogramas para essas capacidades variem amplamente, o livro de Bostrom apresenta pesquisas com investigadores de IA, dando uma previsão mediana de 2040 para a criação da AGI, com a superinteligência provavelmente sendo alcançada dentro de três décadas. VERIFICAÇÃO DE REALIDADE  Quando as visões utópicas e distópicas do futuro superinteligente são discutidas publicamente, inspiram tanto admiração quanto um sentimento de medo nas audiências. Essas fortes emoções então confundem as linhas em nossa mente, separando esses futuros fantásticos de nossa atual era de implementação da IA. O resultado é uma confusão popular generalizada sobre onde estamos hoje e para onde as coisas estão indo. Para ser claro, nenhum dos cenários descritos acima — as mentes digitais imortais ou as superinteligências onipotentes — são possíveis com base nas tecnologias de hoje. Ainda não há algoritmos conhecidos de AGI ou uma rota de engenharia clara para chegar lá. A singularidade não é algo que pode ocorrer espontaneamente, com veículos autônomos baseados em aprendizado profundo de repente “acordando” e percebendo que podem se unir para formar uma rede superinteligente. Chegar à AGI exigiria uma série de inovações científicas fundamentais em inteligência artificial, de avanços na escala do aprendizado profundo, ou até algo maior. Essas inovações precisariam remover as principais restrições dos programas de “IA restrita” que executamos hoje e capacitá-los com uma ampla gama de novas habilidades: aprendizado multidomínio; aprendizagem independente do domínio; compreensão de linguagem natural; raciocínio de senso comum, planejamento e aprendizado com um pequeno número de exemplos. Dar o próximo passo para robôs emocionalmente inteligentes pode exigir autoconsciência, humor, amor, empatia e apreciação pela beleza. Estes são os principais obstáculos que separam o que a IA faz hoje — encontrar correlações em dados e fazer previsões — e inteligência geral artificial. Qualquer uma dessas novas habilidades pode exigir múltiplos avanços gigantescos; a AGI implica resolver todos eles. O erro de muitas previsões da AGI é simplesmente pegar a rápida taxa de avanço da década passada e extrapolá-la para a frente ou lançá-la exponencialmente para cima, em uma bola de neve incontrolável de inteligência computacional. O aprendizado profundo representa um grande avanço no aprendizado de máquina, um movimento para um novo patamar com uma variedade de usos no mundo real: a era da implementação. Porém, não há provas de que essa mudança ascendente represente o começo do crescimento exponencial que inevitavelmente levará à AGI e, em seguida, à superinteligência, a um ritmo cada vez maior. A ciência é difícil e os avanços científicos fundamentais são ainda mais difíceis. Descobertas como o aprendizado profundo que realmente elevem o padrão da inteligência de máquina são raras e estão, com frequência, separadas por décadas, até por mais tempo. Implementações e melhorias nesses avanços são abundantes, e pesquisadores em lugares como a DeepMind demonstraram poderosas novas abordagens para coisas como aprendizado por reforço. Mas, nos doze anos desde o artigo de Geoffrey Hinton e seus colegas sobre o aprendizado profundo,5 não vi nada que representasse uma mudança similar na inteligência das máquinas. Sim, os cientistas de IA pesquisados por Bostrom previram uma data mediana de 2040 para a AGI, mas acredito que os cientistas tendem a ser excessivamente otimistas a respeito do prazo no qual uma demonstração acadêmica se tornará um produto no mundo real. No final dos anos 1980, eu era o principal pesquisador mundial em reconhecimento de fala de IA, e entrei para a Apple porque acreditava que a tecnologia seria popular em cinco anos. No final, eu errei por duas décadas. Não posso garantir que os cientistas definitivamente não farão os avanços que trariam a AGI e, em seguida, a superinteligência. Na verdade, acredito que devemos esperar melhorias contínuas na tecnologia atual. Mas acredito que ainda estamos a muitas décadas, senão séculos, distantes dessa realidade. Há também uma possibilidade real de que a AGI seja algo que os seres humanos nunca alcançarão. A inteligência geral artificial significaria uma tremenda mudança na relação entre humanos e máquinas — o que muitos preveem que seria o evento mais significativo na história da humanidade. É um marco que acredito que não devemos ultrapassar a menos que resolvamos, em primeiro lugar, todos os problemas de controle e segurança. Mas pela relativamente lenta taxa de avanços científicos fundamentais, eu e outros especialistas em IA, entre eles Andrew Ng e Rodney Brooks, acreditamos que a AGI continua mais distante do que se imagina. Isso significa que não vejo nada além de progresso material estável e glorioso florescimento humano em nosso futuro de IA? De modo nenhum. Ao contrário, acredito que a civilização em breve enfrentará um tipo diferente de crise induzida pela IA. Essa crise não terá o drama apocalíptico de um sucesso de bilheteria de Hollywood, mas, mesmo assim, vai destruir nossos sistemas econômicos e políticos e até chegar a questionar o que significa ser humano no século XXI. Resumindo, é a futura crise de empregos e de desigualdade. Nossas capacidades atuais de IA não podem criar uma superinteligência que destrua nossa civilização. Mas meu medo é de que nós, seres humanos, podemos ser mais do que capazes de realizar essa tarefa.    Comentário O que é humano é único? Qual sua opinião?   PEQUIM DOBRÁVEL: VISÕES DE FICÇÃO CIENTÍFICA E ECONOMIA COM A IA  Quando o relógio bate seis da manhã, a cidade se devora. Edifícios densamente compactados de concreto e aço dobram-se na altura do quadril e giram em suas espinhas. Varandas e toldos externos são virados para dentro, criando exteriores suaves e hermeticamente fechados. Os arranha-céus se dividem em componentes, embaralhando e se consolidando em Cubos de Rubik de proporções industriais. Dentro desses blocos estão os moradores do Terceiro Espaço de Pequim, a subclasse econômica que trabalha durante a noite e dorme durante o dia. À medida que a paisagem urbana se dobra, uma colcha de retalhos de quadrados na superfície da Terra começa sua rotação de 180 graus, virando-se para esconder essas estruturas consolidadas no subsolo. Quando o outro lado desses quadrados se vira para fora, revela uma cidade separada. Os primeiros raios do alvorecer surgem no horizonte quando essa nova cidade se levanta. Ruas arborizadas, vastos parques públicos e lindas casas unifamiliares começam a se desdobrar, espalhando-se para fora até cobrirem completamente a superfície. Os moradores do Primeiro Espaço despertam de seu sono, espreguiçando-se e olhando para um mundo próprio. Essas são as visões de Hao Jingfang, uma escritora chinesa de ficção científica e pesquisadora de economia. O romance de Hao, Folding Beijing [Pequim dobrável],6 ganhou o prestigioso Prêmio Hugo em 2016 por sua impressionante representação de uma cidade na qual as classes econômicas são separadas em mundos diferentes. Em uma Pequim futurista, a cidade está dividida em três castas econômicas que dividem o tempo na superfície da cidade. Cinco milhões de habitantes do elitista Primeiro Espaço desfrutam de um ciclo de 24 horas, começando às seis da manhã, um dia e uma noite em uma cidade limpa, hipermoderna e organizada. Quando o Primeiro Espaço se dobra internamente, os 20 milhões de moradores do Segundo Espaço ganham dezesseis horas para trabalhar em uma paisagem urbana um pouco menos glamorosa. Finalmente, os habitantes do Terceiro Espaço — 50 milhões de trabalhadores de saneamento, fornecedores de alimentos e funcionários subalternos — surgem para um turno de oito horas, das dez da noite às seis da manhã, trabalhando no escuro entre os arranha-céus e as montanhas de lixo. Os trabalhos de triagem de lixo que são um pilar do Terceiro Espaço poderiam ser inteiramente automatizados, mas são feitos por humanos para dar emprego aos desafortunados habitantes condenados a essa vida.  Comentário A China como Estado estimulará a implementação do A.I.   A SABEDORIA DO CÂNCER AS QUESTÕES PROFUNDAS levantadas pelo nosso futuro com a IA — perguntas sobre a relação entre trabalho, valor e o que significa ser humano — me afetaram de uma forma muito próxima. Durante a maior parte da minha vida adulta, fui motivado por uma ética de trabalho quase fanática. Dediquei quase todo meu tempo e energia ao meu trabalho, deixando muito pouco para a família ou os amigos. Meu sentido de autoestima derivava das minhas conquistas no trabalho, de minha capacidade de criar valor econômico e de expandir minha própria influência no mundo. Passei minha carreira de pesquisador trabalhando para construir algoritmos de inteligência artificial cada vez mais poderosos. Ao fazer isso, comecei a ver minha própria vida como uma espécie de algoritmo de otimização com objetivos claros: maximizar a influência pessoal e minimizar qualquer coisa que não contribuísse para essa meta. Procurei quantificar tudo na minha vida, equilibrando essas “entradas” e ajustando o algoritmo. Não negligenciei inteiramente minha esposa ou minhas filhas, mas sempre procurei passar tempo suficiente com elas para que não se queixassem. Assim que sentia que havia chegado a esse limite, voltava ao trabalho, respondendo a e-mails, lançando produtos, financiando empresas e fazendo discursos. Mesmo nas profundezas do sono, meu corpo naturalmente acordava duas vezes toda noite — às duas e às cinco da manhã — para responder a e-mails dos Estados Unidos. Essa dedicação obsessiva ao trabalho foi recompensada. Tornei-me um dos maiores pesquisadores de IA do mundo, fundei o melhor instituto de pesquisa em ciência da computação na Ásia, comecei o Google China, criei meu próprio fundo de capital de risco, escrevi vários livros que venderam bem em chinês e me tornei uma das personalidades mais seguidas em redes sociais na China. Por qualquer métrica objetiva, meu chamado algoritmo pessoal foi um grande sucesso. Então as coisas chegaram a um impasse. Em setembro de 2013, fui diagnosticado com linfoma estágio IV. Em um instante, meu mundo de algoritmos mentais e realizações pessoais desabou. Nenhuma dessas coisas poderia me salvar agora, ou me dar conforto e algum tipo de sentido. Como tantas pessoas forçadas a de súbito enfrentar sua própria mortalidade, fui tomado pelo medo por meu futuro e por um arrependimento profundo e doloroso pela maneira como tinha vivido minha vida. Ano após ano, tinha ignorado a oportunidade de passar tempo e compartilhar amor com as pessoas mais próximas de mim. Minha família não me deu nada além de afeto e amor, e eu tinha respondido com cálculos frios. Na verdade, hipnotizado pela minha busca por criar máquinas que pensassem como seres humanos, tinha me tornado um homem que pensava como uma máquina. Meu câncer entraria em remissão, poupando minha vida, mas as epifanias desencadeadas por esse confronto pessoal com a morte permaneceriam comigo. Elas me levaram a reorganizar minhas prioridades e a mudar totalmente minha vida. Passo muito mais tempo com minha esposa e minhas filhas, e me mudei para ficar mais perto da minha mãe idosa. Reduzi drasticamente minha presença nas redes sociais, dedicando esse tempo a encontrar e a tentar ajudar os jovens que me procuram. Pedi perdão àqueles que ofendi e procurei ser um colaborador mais gentil e empático. Acima de tudo, parei de ver minha vida como um algoritmo para otimizar minha influência. Em vez disso, tento gastar minha energia fazendo a única coisa que descobri que realmente traz sentido à vida de uma pessoa: compartilhar amor com aqueles que nos rodeiam. Essa experiência de proximidade com a morte também me deu uma nova visão de como os humanos podem coexistir com a inteligência artificial. Sim, essa tecnologia criará um enorme valor econômico e destruirá um número impressionante de empregos. Se permanecermos presos em uma mentalidade que iguala nosso valor econômico ao nosso valor como seres humanos, essa transição para a era da IA devastará nossas sociedades e causará estragos em nosso equilíbrio emocional. Mas há outro caminho, uma oportunidade de usar a inteligência artificial para redobrar o que nos torna realmente humanos. Esse caminho não será fácil, mas acredito que representa nossa maior esperança de não apenas sobreviver na era da IA, mas de fato prosperar. É uma jornada que tomei em minha própria vida, que mudou meu foco das máquinas de volta para as pessoas, e da inteligência de volta para o amor. 16 DE DEZEMBRO DE 1991 O caos rotineiro de um parto girava ao meu redor. Enfermeiros e médicos com as roupas apropriadas entravam e saíam da sala, verificando as medições e trocando o soro. Minha esposa, Shen-Ling, estava deitada no leito do hospital, lutando contra o ato físico e o mental mais exaustivo que um ser humano pode realizar: trazer outro ser humano ao mundo. Era 16 de dezembro de 1991 e eu ia me tornar pai pela primeira vez. Nosso médico me disse que seria um parto complexo porque o bebê estava ao contrário, com a cabeça voltada para a barriga, em vez de para baixo. Isso significava que Shen-Ling poderia precisar de uma cesariana. Eu caminhava de um lado para outro, ansioso, ainda mais no limite do que a maioria dos outros pais esperando o grande dia. Eu estava preocupado com Shen-Ling e com a saúde do bebê, mas minha mente não estava inteiramente naquela sala de parto. Isso porque era o dia em que eu deveria fazer uma apresentação para John Sculley, meu CEO na Apple e um dos homens mais poderosos do mundo da tecnologia. Um ano antes, eu tinha entrado na Apple como cientista-chefe de reconhecimento de fala, e essa apresentação era minha chance de ganhar o endosso de Sculley para nossa proposta de incluir a síntese de fala em todos os computadores Macintosh e o reconhecimento de fala em todos os novos tipos de Mac. O parto da minha esposa continuava, e eu ficava olhando para o relógio. Esperava desesperadamente que ela tivesse o bebê logo para que eu estivesse lá na hora do nascimento e voltasse a tempo para a reunião. Enquanto caminhava pela sala, meus colegas de trabalho telefonaram e perguntaram se devíamos cancelar a reunião ou, talvez, que meu braço direito fizesse a apresentação para Sculley. “Não”, disse a eles. “Acho que consigo.” Mas à medida que o parto se arrastava, parecia cada vez mais improvável que isso acontecesse, e eu estava genuinamente dividido sobre o que deveria fazer: ficar ao lado de minha esposa ou correr para uma reunião importante. Diante de um “problema” como esse, minha mente bem treinada de engenheiro girava em alta velocidade. Eu pesava todas as opções em termos de entradas e saídas, maximizando meu impacto em resultados mensuráveis. Testemunhar o nascimento da minha primeira filha seria ótimo, mas ela nasceria se eu estivesse lá ou não. Por outro lado, se eu faltasse à apresentação para Sculley, isso poderia ter um impacto substancial e quantificável. Talvez o software não respondesse bem à voz do meu substituto — eu tinha um jeito para conseguir um melhor desempenho que ele —, e Sculley poderia arquivar indefinidamente a pesquisa de reconhecimento de fala. Ou talvez ele pudesse dar luz verde ao projeto, mas depois pôr outra pessoa a cargo. Imaginei que o destino da pesquisa de inteligência artificial estivesse em jogo, e maximizar as chances de sucesso significava simplesmente que eu deveria estar naquela sala para a apresentação. Eu estava no meio desses cálculos mentais quando o médico me informou que iriam realizar uma cesariana imediatamente. Acompanhei minha esposa até uma sala de cirurgia e, em uma hora, estávamos segurando nossa filhinha. Passamos alguns momentos juntos, e com pouco tempo sobrando, fui para a apresentação. Tudo terminou muito bem. Sculley deu luz verde ao projeto e exigiu uma campanha publicitária completa em torno do que eu havia criado. Essa campanha levou a uma bem-sucedida palestra TED. Comentário O maior desenvolvedor de A.I. do mundo parando de frente com sua humanidade.   UM PROJETO PARA A COEXISTÊNCIA ENTRE OS HUMANOS E A IA Enquanto eu estava passando pela quimioterapia para tratar meu câncer em Taiwan, um velho amigo que é um empreendedor em série me procurou com um problema em sua última startup. Ele tinha fundado e vendido várias empresas bem-sucedidas de tecnologia, mas, à medida que envelhecia, queria fazer algo mais significativo, ou seja, queria criar um produto que servisse às pessoas, o que as startups de tecnologia muitas vezes ignoravam. Tanto meu amigo quanto eu estávamos entrando na idade em que nossos pais precisavam de mais ajuda para cuidar de suas rotinas diárias, e ele decidiu criar um produto que tornasse a vida mais fácil para os idosos. O que ele inventou foi uma grande tela sensível ao toque montada em um suporte que poderia ser instalada ao lado da cama de uma pessoa idosa. Na tela, havia alguns aplicativos simples e práticos conectados a serviços que os idosos poderiam usar: pedir comida, passar suas novelas favoritas na TV, ligar para o médico e muito mais. As pessoas mais velhas muitas vezes lutam para navegar pelas complexidades da internet ou para manipular os pequenos botões de um smartphone, então meu amigo fez tudo o mais simples possível. Todos os aplicativos exigiam apenas alguns cliques, e ele até incluía um botão que permitia que os usuários idosos ligassem diretamente para um agente de atendimento ao cliente para orientá-los no uso do dispositivo. Parecia um produto maravilhoso com um mercado real no momento. Infelizmente, há muitos filhos adultos na China e em outros lugares que estão ocupados demais com o trabalho para se dedicar ao cuidado dos pais idosos. Eles podem sentir culpa pela importância da piedade filial, mas, mesmo assim, simplesmente não conseguem encontrar tempo para cuidar dos pais da maneira adequada. A tela sensível ao toque seria um ótimo substituto. Porém, depois de implementar uma versão de teste de seu produto, meu amigo descobriu que ele tinha um problema. De todas as funções disponíveis no aparelho, a que, de longe, foi mais usada foi a que pedia ajuda. Os idosos queriam o contato humano. Comentário Por isso, disse que o A.I. mudará nossa forma de agir no mundo.   NOSSA HISTÓRIA GLOBAL COM A IA EM 12 DE JUNHO DE 2005, Steve Jobs se aproximou de um microfone no Stanford Stadium e fez um dos mais memoráveis discursos de formatura já proferidos. Na conversa, ele repassou sua carreira cheia de zigue-zagues, do abandono da faculdade à cofundação da Apple, de sua saída pouco amigável daquela empresa à fundação da Pixar e, finalmente, seu triunfante retorno à Apple uma década mais tarde. Falando para uma multidão de estudantes ambiciosos de Stanford, muitos dos quais estavam ansiosamente planejando sua própria ascensão aos picos do Vale do Silício, Jobs advertiu contra a tentativa de traçar a vida e a carreira com antecedência. “Você não pode conectar os pontos olhando para a frente”, disse Jobs aos alunos. “Você só pode conectá-los olhando para trás. Então você tem que confiar que os pontos de alguma forma se conectarão no seu futuro.”1 A sabedoria de Jobs ecoou em mim desde que a ouvi pela primeira vez, mas nunca tanto quanto hoje. Ao escrever este livro, tive a oportunidade de conectar os pontos de quatro décadas de trabalho, crescimento e evolução. Essa jornada abrangeu empresas e culturas, de pesquisador de IA e executivo de negócios a capitalista de risco, autor e sobrevivente de câncer. Incluiu questões globais e profundamente pessoais: a ascensão da inteligência artificial, os destinos entrelaçados dos lugares que chamei de lar e minha própria evolução de um workaholic a pai, marido e ser humano mais amoroso. Todas essas experiências se juntaram para moldar minha visão do nosso futuro global com a IA, conectar os pontos olhando para trás e usar essas constelações como orientação daqui para a frente. Minha experiência em tecnologia e experiência em negócios tem cristalizado como essas tecnologias estão se desenvolvendo na China e nos Estados Unidos. Meu súbito confronto com o câncer me levou a entender por que devemos usar essas tecnologias para promover uma sociedade mais amorosa. Finalmente, minha experiência de mudança e transição entre duas culturas diferentes imprimiu em mim o valor do progresso compartilhado e a necessidade de entendimento mútuo além das fronteiras nacionais.    UM FUTURO DA IA SEM UMA CORRIDA DA IA  Ao escrever sobre o desenvolvimento global da inteligência artificial, é fácil cair em metáforas militares e em uma mentalidade de soma zero. Muitos comparam a “corrida da IA” de hoje com a corrida espacial dos anos 19602 ou, pior ainda, à corrida armamentista da Guerra Fria que criou armas cada vez mais poderosas de destruição em massa.3 Até hoje, a palavra “superpotências” ainda é muito utilizada, uma expressão que muitos associam à rivalidade geopolítica. Eu uso esse termo, no entanto, especificamente para refletir o equilíbrio tecnológico das capacidades da IA, não para sugerir uma guerra até as últimas consequências pela supremacia militar. Mas essas distinções são facilmente borradas por aqueles mais interessados em posturas políticas do que no desenvolvimento humano. Se não formos cuidadosos, essa retórica unilateral em torno de uma “corrida da IA” nos enfraquecerá no planejamento e na modelagem de nosso futuro junto com a IA. Uma corrida tem apenas um vencedor: a vitória da China é a derrota dos Estados Unidos e vice-versa. Não existe a noção de progresso compartilhado ou prosperidade mútua — apenas um desejo de ficar à frente do outro país, independentemente dos custos. Essa mentalidade levou muitos comentaristas nos Estados Unidos a usarem o progresso em IA da China como um chicote retórico para estimular os líderes norte-americanos a agir. Argumentam que os Estados Unidos estão em risco de perder sua vantagem na tecnologia que irá alimentar a competição militar do século XXI. Mas isso não é uma nova Guerra Fria. Hoje, a IA tem inúmeras aplicações militares em potencial, mas seu verdadeiro valor não está na destruição, mas na criação. Se entendida e aproveitada adequadamente, pode na verdade nos ajudar a gerar valor econômico e prosperidade em uma escala nunca vista na história da humanidade. Nesse sentido, nosso atual boom de IA tem muito mais a ver com o surgimento da Revolução Industrial ou com a invenção da eletricidade do que com a corrida armamentista da Guerra Fria. Sim, empresas chinesas e norte-americanas competirão entre si.     

Podcast de Yoga | 16 jun 2021 | Daniel De Nardi

Yoga é uma filosofia? Podcast #45

Yoga é uma filosofia? Podcast #45 Yoga é uma filosofia? Filosofia prática? Mas as filosofias não vem apenas da Grécia? Responda por você mesmo após ouvir o podcast de hoje!   https://soundcloud.com/yogin-cast/yoga-e-filosofia-podcast-45   LINKS     Impressionismo Texto que escrevi sobre Impressionismo em 2007 https://yoginapp.com/o-novo-impressionismo   YOGA PARA LONGEVIDADE – LIVE DE PAUTA DO PODCAST #45   https://youtu.be/0iQaNfpXyMM   Podcast que fala sobre a música de Saint Saens   https://yoginapp.com/ioga-brasileira-yoga-e-politica-podcast-44   Músicas da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Transcrição: Yoga é Filosofia – Podcast #45   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 45º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Ravel com a música Pavane. O tema de hoje é como o yoga pode se posicionar como uma filosofia prática. O que é efetivamente uma filosofia prática? E se de fato as filosofia só podem ter uma origem grega, uma origem helênica. Se você quiser estudar a filosofia como algo puramente acadêmico, e tentar encaixá-la no padrão da academia, pode até ser que pense que ela seja algo exclusivamente grego. “Filos” vem do grego e, por aí, se tem toda a construção grega. Não existe prática da filosofia, apenas a teoria, até porque ela precisa ser debatida. Discordo desta afirmação, a filosofia discute alguns conceitos e traz reflexões que propõe algum tipo de mudança, seja ela na nossa visão de vida ou no nosso comportamento. Se for esse o intuito o yoga pode efetivamente se classificar como uma filosofia, porque o yoga faz debates, ele faz reflexões. Não é à toa que exista esse podcast semana com 45 episódios, trazendo diferentes conceito do yoga. Esses conceitos todos quando debatidos podem ser sim uma filosofia, não de origem grega (o yoga é de origem indiana, como já mencionamos aqui, e é ainda mais antigo que as filosofias gregas, como o hedonismo). Existe um debate e um conhecimento sendo debatido, a gente pode classificar. E como você falaria que não existe filosofia prática? Existe sim. Se pensarmos em todo o debate que existe na Grécia com Aristóteles, com Platão, todo o debate que existe, inclusive, antes de Cristo, ele chegou como reflexão não só para os gregos como, também, para o império seguinte, o romano. O império romano bebeu muito do que estava sendo debatido na Grécia e aplicou a constituição das leis. Se vê, então, uma aplicabilidade da filosofia, a filosofia do direito. Quando se usa um conhecimento para contribuir com a vida das pessoas. Foi que Roma fez, aplicou muito da filosofia grega, e a própria Grécia fez uso de sua própria sabedoria para, de alguma forma, contribuir com a cultura daquele ambiente. O yoga faz isso de diferentes formas, tudo aquilo que é compreendido na parte teórica, nessa parte especulativa e reflexiva, se aplica, de alguma forma, com as técnicas, com os exercícios. Um exemplo: o yoga vê a importância de se reduzir a agitação da mente, de reduzir o que chamamos de Vitris, que é todo o tipo modificação, de agitação. Então, se o intuito for diminuir a agitação, parar de pensar em várias coisas e focar, a prática faz com que o indivíduo que se centra mantenha o conceito de estabilidade praticando. Se executa o conceito de estabilidade e se observa a resposta e o funcionamento deste conceito. No yoga se estuda, também, a importância de se ter a energia vital para processar mudanças, para a longevidade. Tudo isso é trabalhado nas escrituras e dos textos de yoga, na prática isso é trabalhado na ampliação da capacidade pulmonar, em absorver oxigênio e eliminar gás carbônico. Um ganho de energia vital e de saúde, um conceito aplicado na prática. É trabalhado no yoga a desidentificação, o desapego e o envolvimento com o corpo em determinadas situações. E não seria negar o corpo ou mortificá-lo, mas vê-lo de maneira distante. Isso é trabalhado nas técnicas quando, por exemplo, se está em uma posição desconfortável e se sente uma área do corpo e a atenção é transferida para a respiração ou para alguma outra área ou, até, para uma mentalização específica. Neste caso também existe uma desidentificação para focar em algo que se considera importante. Aplicando algo que foi teoria, inicialmente. O yoga também trata, desde suas primeiras escrituras, o descondicionamento. O ser humano é bastante condicionado, e quando só se produz condicionamento, não se sai da roda do sofrimento, há apenas a repetição de condicionamentos, muitas vezes repetidos por outras pessoas, como por exemplo os pais, ou pelo ambiente. A função do yoga é de descondicionar, de despertar a consciência à sua forma mais espontânea, sem nenhum direcionamento pré-determinado. O descondicionamento é realizado de diversas formas como, por exemplo, o jejum. Estamos acostumados a nos alimentar a todo momento ou a cada três horas. Mas dentro da prática, o que seria? Existem várias formas, uma delas é a respiração, geralmente respiramos de maneiro curta no nosso dia-a-dia, ampliando a respiração já se modifica o condicionamento respiratório que muda, por consequência, o padrão emocional. Além disso, o nosso corpo tem, por hábito, se mexer o tempo todo, até quando a gente dorme a gente se mexe. Com o trabalho de condicionamento do asana, se manter em uma postura às vezes simples, mas sem se mexer, é um conceito, que o yoga entende como importante, sendo transferido para a prática. Por fim, as escrituras, desde os Vedas, falam sobre ouvir o silencia, ouvir a meditação. O que seria a meditação senão a melhor forma que se tem para construir isso? Para finalizar, esse é o “coroamento”, quando a gente para tudo e olha para dentro, o que não é tão simples, o corpo não pode estar incomodado, a respiração não pode ser rápida para que não haja ansiedade, é preciso estar numa posição de conforto, aí então, a partir de tudo que já foi investigado, se consegue um mergulho no coração que não seria bem realizado se todo este trabalho não tivesse sido feito anteriormente. A música que vocês ouviram hoje é Pavane, de Ravel. Este compositor é muito conhecido pelo “Bolero de Ravel que, inclusive, já foi tocado aqui no episódio 15, em que eu coloquei Debussy e Ravel, que são dois compositores contemporâneos que tentavam trabalhar com estilos de músicas bem diferentes. Debussy construiu uma obra que ele chamava de impressionista, ele era o líder deste movimento e a ideia central era a de acompanhar o movimento artístico que acontecia na França naquela época. O impressionismo expôs uma fidelidade ao que se via na tela, a incidência da luz em determinado ângulo ou horário. Como a câmera fotográfica foi inventada e difundida naquela mesma época, no final do século XIX, a pintura que anteriormente tinha como principal trunfo retratar as imagens perdeu um pouco o sentido. A partir daí, os impressionistas passaram a trazer, além da forma visual, emoção para o que eles pintavam. Claro que antigamente as telas também tinha emoção, mas o movimento Impressionista foi o primeiro a, através das cores, dar a emoção necessária a pintura. O movimento foi liderado, especialmente, por Monet, mas teve outros nomes como: Manet, Degard e Renoir. E a pintura impressionista tenta tirar a impressão, não tem um acabamento perfeito porque as coisas se diluem conforme damos cor a elas, muitas vezes se misturam pela própria cor. Então, as músicas de Debussy não finalizavam a frase. Geralmente as melodias tem uma frase completa construída, Debussy finalizava tirando o “tônus” do final, como se a frase não tivesse sido finalizada e se mantivesse ali, flutuando como a pintura impressionista. Não sou o maio fã de Debussy, embora é necessário reconhecer que ele tem um trabalho expressivo. Sou mais da linha do romântico, como falei no episódio passado, Ravel estudou com Samsei, que era mais romântico e apegado a estrutura da música que estava sendo construída com pequenas modificações, mas Ravel criou um estilo próprio de música. Estreou recentemente no cinema um filme chamado “Van Gogh com Amor”. Todo mundo deve saber que Van Gogh fez parte do movimento impressionista no começo, porém nunca se adequou e sempre quis desenvolver uma arte própria, algo que era dele e que ninguém conseguisse imitar. Ele acabou produzindo um estilo próprio em cima do movimento que existia na época, exatamente como Ravel. Esse filme vale muito a pena assistir, quem está assistindo pelo aplicativo do YogIN App está vendo algumas cenas e consegue ver como que elas foram construídas O idealizador do filme fizeram uma grande pesquisa em torno da vida de Van Gogh e usaram os personagens que ele havia pintado e construíram uma trama em cima da dúvida sobre qual teria sido o motivo para o suicídio de Van Gogh ou se poderia ter acontecido algum tipo de assassinato. Toda a história se passa dentro dos quadros dele. É uma animação, porém não foi usado nenhum tipo de computador, foram cem artistas que pintaram frame a frame, quadro a quadro. É muito interessante porque quadros famosos, como o Dr. Gachê, são vistos primeiramente estáticos e, depois, em movimento e o personagem do quadro passa a falar. Recomendo muito este filme, é quase uma viagem alucinógena, mas o filme é uma perfeição e de uma beleza incrível, além dos fator serem correspondentes com que conhecemos da  história (não conheço muito a história do Van Gogh, mas todo mundo sabe um pouco sobre o relacionamento muito próximo que ele tinha com o Gauguin, que ele cortou a orelha e deu para uma amante do Gauguin e que, depois, disso, Van Gogh se isolou para tentar se tratar, mas a vida dele acabou seguindo um rumo não muito bom), o filme constrói de uma forma tão boa que se enxerga que tudo isso pode ter sido razão para o suicídio. Ele está em cartaz no cinema, mas, caso você esteja escutando este podcast muito à frente, porque no Now ou na Netflix. Agora vou deixar vocês com Pavane de Ravel.

o futuro da inteligencia artificial
Podcast de Yoga | 13 jun 2021 | Daniel De Nardi

O Futuro da Inteligência Artificial – SÉRIE COMPLETA

O FUTURO DA INTELIGENCIA ARTIFICIAL - PODCAST - A Inteligência Artificial é a tecnologia que mais afetará a vida das pessoas nos próximos 100 anos. Para tentar prever o que essa tecnologia pode fazer com o mundo no próximo século, pegamos as ideias de 3 pesquisadores de A.I. e produzimos uma série de 3 episódio, um para cada pensador. O Futuro da Inteligência Artificial será o assunto de Yuval Noah Harari, Nick Bostron e Kau Fu Lee.   Assista todos os 3 episódios da série o Futuro da Inteligência Artificial nesta playlist ou procure pelo YogIN Cast no Spotify ou no seu leitor de podcasts favoritos.  

Podcast de Yoga | 11 jun 2021 | Daniel De Nardi

Tá Pago Múmia – Podcast #96

Tá Pago Múmia - Podcast #96 O título desse podcast foi para criar buzz mesmo. Múmia era o apelido que Nelson Rodrigues se deu e que seus amigos gostavam de brincar. Nelson é tido pelos estudiosos como o Shakespeare brasileiro, mas na prática não tem o reconhecimento que merece. Esse podcast está sendo publicado no meu aniversário de 39 anos, 12 de dezembro, então decidi colocar uma entrevista dele e do Otto Lara Resende que eu acho muito oportuna, pois eles tratam de assuntos existenciais e outros simples com a mesma leveza e sinceridade.   LINKS   Curso online de Formação em Yoga https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Miguel De Falla Entrevista de Nelson Rodrigues e Otto Lara Resende https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Playlist do Spotify com as músicas da série Perfil do Instagram da série https://yoginapp.com/planos/   Para quem quer saber mais sobre Nelson Rodrigues   Leia A filosofia da adúltera, do Pondé. Ele mostra a base filosófica de Nelson Leia a peça - Otto Lara Rezende Bonitinha, mas ordinária. Uma crítica da sociedade que se estende aos dias de hoje. Vá em alguma peça na sua cidade. Veja essa entrevista - TUDO O QUE EU PEÇO Pus nessa playlist tudo o que achei de bom do Nelson na Internet Há uns 4 podcasts bons do Nelson, com especialistas e dramaturgos. Procure no seu app de podcast.        TRANSCRIÇÃO O título desse podcast foi para criar buzz mesmo. Múmia era o apelido que Nelson Rodrigues se deu e que seus amigos gostavam de brincar. Nelson é tido pelos estudiosos como o Shakespeare brasileiro, mas na prática não tem o reconhecimento que merece. Esse podcast está sendo publicado no meu aniversário de 39 anos, 12 de dezembro, então decidi colocar uma entrevista dele e do Otto Lara Resende que eu acho muito oportuna, pois eles tratam de assuntos existenciais e outros simples com a mesma leveza e sinceridade. Em 2016 fiz um período de estudos à obra do Nelson e escrevi um texto ao final. Vou lê-lo e depois deixo vocês com a entrevista de Otto e Nelson. A música é de Manuel De Falla, um pianista e compositor espanhol que morou em Buenos Aires boa parte da sua vida, após sair de Madri no início da ditadura de Franco em 1936. El Amor Brujo é uma música com forte influência dos ciganos da região de andaluzia, que exerce influência na música de Falla.   Vamos às Histórias Apesar de ser reconhecido como um dos grandes retratista da vida carioca de quase todo século passado, Nelson nasceu em Recife em 1912 e com 4 anos partiu para o Rio de Janeiro de onde pouco saiu. Nelson veio duas vezes a São Paulo e fez mais uma outra viagem e jamais saiu do Brasil. Dizia frases \"porque rico de verdade só tem em São Paulo, pois no Rio de Janeiro não há como ser rico, aqui não tem dinheiro.\" Seu pai, Mario Rodrigues era dono de um dos maiores jornais do Rio, o A manhã. Nelson começou a escrever no jornal do pai com 14 anos e ditou textos na véspera de sua morte. Era fascinado pela morte, se considerava um escritor do sexo e da morte. Pediu ao pai para parar o colégio e continuar escrevendo, Mario deixou. Quando Nelson tinha 17 anos, o jornal estava sem notícia para publicar, era 26 de dezembro de 1929, e puseram a foto de uma senhora dizendo que ela havia se desquitado o que era um insulto na época. A moça entrou na redação e perguntou pelo Mario (que ela sabia que era o dono do jornal), Mario havia saído e quem lhe atendeu foi Roberto um ilustrador que Nelson dizia ser o único realmente gênio da família. Ela atirou em Roberto na frente de Nelson. No enterro, Mario repetia o tempo todo \"esse tiro era meu.\" o pai da família não suportou a dor e morreu um mês depois. A morte do pai e apedrejamento e destruição do jornal desestruturaram toda a família e os Rodrigues passaram fome. Nelson quase morreu de tuberculose nessa época e só sobreviveu porque Roberto Marinho, que era amigo de seu pai, bancou o tratamento do jovem em Campos do Jordão. Quando se recuperou, voltou ao Rio empregado pelo jornal O Globo e começou a escrever sobre tudo. Como via filas nos teatros decidiu escrever peças de teatro para ganhar um dinheiro extra. Com 25 anos faz sua primeira peça, A mulher sem pecado, dois anos depois escreve Vestido de Noiva e da noite para o dia é alçado para maior dramaturgo de todos os tempos. Nelson tinha acima de tudo coragem. Ele viveu o céu depois de Vestido de Noiva, era ovacionado, mas não deixou a fama afetar sua originalidade e quando estreiou Album de família foi censurado e visto como o pior dos seres humanos por boa parte da sociedade carioca. Nelson continuou acertando e errando, mas acima de tudo sendo original e deixando sua marca. Escreveu de tudo, crônica esportiva, romance, peças de teatro, poesia, todas as formas, mas suas favoritas eram as histórias de crimes passionais. Era fã de seus amigos e os homenageava constantemente em suas obras como é o caso da famosa peça - Otto Lara Rezende ou Bonitinha, mas ordinária em que o tempo todo se discute uma frase do escritor Otto Lara Rezende amigo de Nelson \"o mineiro só é solidário no cancer.\" \"o problema é que não é só mineiro, somos todos nós.\"diz Edgar. Combatia a esquerda alertando para a questão que a esquerda estava usando bandeiras como justiça social para ter direito a impor ideias e padrões sociais, como o politicamente correto. \"A esquerda tomou o lugar da direita;\" Foi a autor mais censurado da História, tendo 6 obras proibidas durante as exibições. Não se importava com a opinião pública o importante era trazer o âmago das pessoas à cena, se incomodasse, azar o seu. E como isso incomoda muito, Nelson vivia sendo atacado de todos os lados, dos socialistas que o chamavam de reacionário de alta sociedade a quem ele não perdoava.   Era um apaixonado pela velhice \"os anos são soluções para muitos problemas.\" Era, acima de tudo o que a filosofia tem como conceito de moralista, um dissecador da alma humana.

Podcast de Yoga | 8 jun 2021 | Daniel De Nardi

Jornada para ser Professor de Yoga – Podcast #106

Jornada para ser Professor de Yoga Série do YogIN App Academy - Jornada para Ser Professor de Yoga. Saiba mais sobre o que é preciso para dar aulas de Yoga e quais as possibilidades de trabalho para os professores de Yoga.    https://www.youtube.com/watch?v=8qu0NKW6YNs&list=PL3Y5CFIJsp-yeKTVL_nqHzGbzYtWKbrws LINKS Curso online para Formação de Professores de Yoga -  Série de podcasts gravados na Índia https://yoginapp.com/diariodeumyoginpelaindia/    

Podcast de Yoga | 6 jun 2021 | Daniel De Nardi

Yoga não combina com Alta Performance – Podcast #30

Yoga não combina com Alta Performance Um método de Yoga que busque alta performance pode ser coerente? Eu acho que não, a explicação está nesse podcast.   https://soundcloud.com/yogin-cast/yoga-nao-combina-com-alta-performance-podcast-30   Links   Podcast sobre os 3 EUs https://yoginapp.com/o-cerebro-boicotando-o-eu-podcast-03/#axzz4qgdXngzX Podcast sobre Violinista Menuhin que tocou com Ravi Shankar https://yoginapp.com/o-oriente-encontra-o-ocidente-o-inicio-yoga-por-aqui-podcast-13/#axzz4qgdXngzX   Texto do Christian Rocha sobre Anoushka Shankar   Perfil Anoushka Shankar no Spotify   https://open.spotify.com/artist/6MTByljF8u5omBltY2VKPU     Trilha Sonora da Série Reflexões de um YogIN Contemporêneo  https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa Perfil Norah Jones no Spotify https://open.spotify.com/artist/2Kx7MNY7cI1ENniW7vT30N     Transcrição do Podcast Yoga não Combina com Alta Performance – Podcast #30 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando o 30º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast semanal a respeito do yoga e dos assuntos do nosso dia-a-dia. Há muitos anos atrás eu vi uma entrevista do Teco Padaratz (um dos primeiros surfistas brasileiros a levar o surf como uma profissão séria, ele morou fora do Brasil para estudar inglês, porque seria importante pra ele dentro das competições, ele começou a elaborar um treinamento técnico para desenvolver os fundamentos importantes para ele. O Teco serviu como referência para as gerações seguintes, e a geração atual do Medina, Toledo e Mineirinho colhem muito do que o Teco, o Fábio Gouveia e dos primeiros surfistas que começaram a levar o surf a sério, construíram) em que falava que a pratica do yoga o fez refletir sobre o seu momento de sair das competições. Na época, eu já praticava yoga e eu pensava nele como uma instrumento de alta performance, de gerar campeões e fiquei um pouco indignado com aquilo, pensei que o yoga tivesse desestimulado ele a ser um vencedor, mas efetivamente a minha visão sobre o yoga estava errada e desajustada. É fato que o yoga pode produzir efeitos no corpo, como alongamento, flexibilidade, o ganho de consciência corporal. É fato que quando você aprende a focar e fazer as suas tarefas com mais precisão e concentrado, seja escrever um texto ou jogar uma bola na parede. Agora a proposta do yoga a te fazer campeão não é condizente com o que o yoga busca, e você passa a entender isso quando entende o conceito da Mandukya Upanishad dos três “eu’s”. Já gravei um episódio falando sobre isso, inclusive é o episódio 3, inclusive é um dos mais importantes do podcast, justamente porque fala que não interessa ser o campeão ou o melhor. A Mandukya fala dos três eu’s (o do corpo, da mente e do coração) e o ajustamento deles leva a um quarto estado, o corpo está relacionado as nossas questões física, a mente o que leva a atenção para o físico ou deixa a voz do coração vir à tona. Então a mente, na verdade escolhe se é mais importante naquele momento destinar a atenção para o corpo ou ouvir a voz interna. Ela tem esse poder e pode, inclusive, excluir a voz do coração dando só importância ao físico, o trabalho do yoga é trazer o ajustamento, não viver uma vida só de contemplação, mas fazer o ajustamento do que é mais importante naquele momento, o que essa voz interna está falando e expressando o que é melhor. A mente está relacionada a escassez, o nosso cérebro está sempre trabalha pensando em acumular e gatar o mínimo possível de energia, porque o seu princípio é manter a sobrevivência do homem, isso é importante, sem isso não sobreviveríamos. O ponto que o yoga traz é que não é apenas o corpo e a mente, existe algo maior que também deve ser levado em conta no dia a dia. Esta outra forma de manifestação é a voz interna que vem do nosso coração. A pratica do yoga, o intuito de aquietar a mente quer trazer mais essa voz tornando mais clara. Como a mente sempre trabalha com a escassez ela funciona no ritmo de competição, porque a competição tem a ver com ganhos e perdas, com acúmulos de ganhos e a mente vai obtendo satisfação. Não há nada contra a competição, o ser humano só avançou em sociedade, na tecnologia porque houve competição, a questão é que ela – a competição – não é a realização de todos, um tipo de competição pode funcionar para uns e não para outros. E quem vai efetivamente mostrar isso é a voz do coração que não está ligada ao fato de ganhar e perder, porque ela nos mostra quem somos, o que realmente temos que fazer independentemente das circunstâncias. Quando se expressa o que realmente é importante para si não se pensa em ganhar ou perder, há a manifestação do eu que não se importa diretamente com as consequências e resultados, mas com a tarefa em si, independente. Não existe dualidade, apenas o que se é. A competição lida com perdas, decepções, de “um ganhar para o outro perder”, a voz do eu não trabalha com isso e não há a necessidade de ser o melhor para se realizar porque, como eu falei, esta voz não trabalha com dualidades, ela apenas manifesta o que devemos fazer. Esta visão de alto performance sempre vai trabalhar no sentido de estimular a competição, o ganho. No caso do Teco ele conseguiu ver isso, ele conseguiu parar e refletir, porque quando se está no frenesi da mente a visão sempre será dual, mas internamente está algo mais tranquilo dizendo apenas o que de fato se deve fazer, o Teco observou que o ponto dele era fazer, a partir daquele momento, um outro tipo de trabalho, ainda relacionado ao surf (ele criou campeonatos que hoje são bem reconhecidos), ele deu outros passos. E por que eu falo isso sobre a alto performance e o yoga? Porque a alto performance sempre irá trabalhar com ganhos, não que eu seja contra isso, se vermos como exemplo o técnico Bernardinho, certamente os seus treinos irão desenvolver a alto performance, o ponto é que a proposta do yoga de trazer o Dharma, e o que de fato somos, não condiz com a proposta de dualidade no meio competitivo. Um yoga voltado para a alto performance não deixaria o Teco sair, porque o objetivo seria justamente ganhar e competir. Já na Mandukya Upanishad aquilo tinha total sentido porque a meditação, o relaxamento fez com que ele tivesse acesso ao que de fato era importante para ele e mudou o seu rumo. Não significa que ele tenha perdido, como achei na época em que tinha uma visão do certo e do errado, hoje a minha visão é que o yoga contribui para a gente manifestar o nosso Dharma, o nosso eu, não está relacionado com ganhar ou perder. Hoje, por exemplo, o Teco faz um lindo trabalho. E se, por exemplo, você quiser ser um poeta de rua? Nunca será considerado o “melhor”, nunca será rico, mas vai ser o que a voz interna está dizendo para você ser, poeta de rua, daqueles que ficam no Centro recitando e vendendo a sua poesia. Isto não está errado na visão da Mandukya Upanishad, mas está errado na visão de um yoga que tem a alta performance como busca. Não há como se medir a alta performance sendo poeta, não há métrica. Por isso que eu acho que a proposta do yoga que busca alta performance, campeões incoerente com a proposta verdadeira do yoga e não é só a Mandukya que traz esse conceito da voz do coração, mas diversos outros textos, assim você tem a proposta verdadeira do yoga, aquietar a mente e ter acesso a voz do coração que não está relacionada a um julgamento. Para finalizar uma música clássica indiana, já que estamos ouvindo muita ocidental, tocada pela Anu Shankar. O sobrenome dela vem do Ravi Shankar, que foi um musico muito famoso na Índia e, depois de Gandhi, é o indiano mais conhecido no mundo. Ele fez um trabalho que atraiu os olhares dos músicos ocidentais, isso eu conto no episódio 13 em que falo de como o yoga se fortaleceu no ocidente. O yoga passou a ser difundido no ocidente devido a um violinista que quis tocar com Ravi Shankar, chegando na Índia ele estava com muitas dores nas costas e cansado, sugeriram que ele fizesse aulas com o Ayengar, ele fez e gostou muito então o levou para a Europa e para os EUA. O Ayengar foi o primeiro a trazer escolas, métodos e começar a formar uma comunidade de yoga fora da Índia. Então devemos boa parte disto aos personagens muitas vezes desconhecidos, Ravi Shankar e Yehudi Menuhin são alguns deles. Anu Shankar é filha de Ravi Shankar, e ela toca pela arte, percebe-se que não nenhum interesse em competir com o pai, toca simplesmente porque se sente melhor fazendo. Para quem não sabe, Anu Shankar é irmã de Norah Jones que faz uma música ocidental, mas também é filha de Ravi Shankar. Podemos dizer, então, que Shankar é iluminado não apenas na música e divulgação dela, mas por ter filhas talentosas, reconhecidas mundialmente. Indico as músicas dela para que a conheçam, quem pratica yoga pode usar nas aulas práticas porque é um tipo de música bem gostosa e ela toca de uma maneira magnifica. Vou deixar um link de um texto escrito pelo Cristian Barbosa sobre ela, ele comentou comigo sobre o que disse no episódio passado, vou deixar aqui uma correção e o texto dele como uma lembrança e um reconhecimento. Quando ele veio falar comigo, inclusive, eu já havia lido texto dele, e achava muito bom por ele trazer o conceito da manifestação da arte independentemente dos resultados. Vocês vão ver, mais detalhes no link abaixo. Finalizamos aqui mais um podcast, espero que ele tenha trazido uma reflexão de que você não precisa desprezar a competição, mas ela não é a coisa mais importante na sua vida ou das pessoas. Cada um tem que saber efetivamente, ouvindo a voz interna qual é o seu papel, qual é o seu Dharma, é isso que nos preenche de satisfação, é o que nos mantem motivados e focados no que é a manifestação do nosso eu. Namastê!  

Trilogia de Aprofundamento no Yoga
Formação de Professores | 5 jun 2021 | Daniel De Nardi

Conclusões da Trilogia de Aprofundamento no Yoga – Podcast #81

Trilogia de Aprofundamento no Yoga. No 81º episódio da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo vamos debater a Trilogia de Aprofundamento no Yoga, uma série de 3 vídeos que o YogIN App disponibilizou e que deu muito o que falar entre os professores de Yoga. Trilogia de Aprofundamento no Yoga Entenda os pontos mais importantes da série Trilogia de Aprofundamento no Yoga LINKS Curso de Formação do YogIN App https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/ Ubook - Plataforma de Audiobook português/espanhol para ouvir Sapiens Audible - Plataforma de Audiobook inglês para ouvir Sapiens Estante Virtual - Marketplace de Sebos  

Acordar bem - Respire
Dicas de Yoga | 3 jun 2021 | Daniel De Nardi

Dica para Acordar Bem – Respire

Como a Respiração é essencial! Nesta live falamos da Segunda Dica para Acordar Bem - Respire. Entenda como a respiração pode melhorar o começo do seu dia e aprenda quais técnicas do Yoga podem ajudar nisso. Respirar é viver e quem respira melhor vive melhor.   YogIN App - Escola de Yoga OnLine · Live Dica para Acordar Bem - Respire  

Filosofia do Yoga | 2 jun 2021 | Daniel De Nardi

Resumo da Tese de Doutorado sobre Yoga Contemporâneo do Doutor Roberto Simões

  Fiz um resumo da incrível pesquisa feita pelo Doutor Roberto Simões sobre os desígnios do Yoga no Brasil. Recomendo o estudo da pesquisa completa no podcast Yoga Contemporâneo. https://soundcloud.com/yogin-cast/resumo-da-tese-de-doutorado-sobre-yoga-de-roberto-simoes Para saber mais sobre conteúdo de Yoga aperte este botão  

Yoga para Todos
Podcast de Yoga | 26 maio 2021 | Daniel De Nardi

Yoga para Todos – Podcast

Yoga para Todo Mundo! Nosso primeiro movimento no Yoga Para Todos, foi disponibilizar conteúdos práticos, inclusive aqui no podcast para que qualquer pessoa que tivesse interesse em Yoga, pudesse praticar as técnicas ouvindo-as no celular. Também disponibilizamos gratuitamente, algumas aulas do acervo de assinaturas para o canal do YouTube, YogIN TV. Ouça o podcast Yoga para Todos clicando no botão abaixo.   Yoga para Todos A música deste episódio é do compositor mais tocado na série Reflexões de um YogIN Contemporâneo, o grande John Williams que aqui também está conduzindo a orquestra. No Violoncello, Yo-Yo Ma, considerado um dos maiores músicos da atualidade. A música é o tema do filme 7 anos no Tibet. Vamos dar uma volta para entender porque essa é a música tema do episódio: Yoga para Todos. Desde que o YogIN App surgiu, em 2015, já tínhamos a proposta de democratização do Yoga. Desde 2015, já usávamos a expressão Yoga para Todos, inclusive em hashtags como #YogaParaTodos . O Yoga no Brasil tinha um grande empecilho para o crescimento que é o fato de cidades pequenas, com menos de 100 mil de habitantes, costumam não ter escolas de Yoga por não haver densidade demográfica suficiente que justifique uma escola.   Yoga Para Todos no YogIN App Nosso primeiro movimento no Yoga Para Todos, foi disponibilizar conteúdos práticos, inclusive aqui no podcast para que qualquer pessoa que tivesse interesse em Yoga, pudesse praticar as técnicas ouvindo-as no celular. Também disponibilizamos gratuitamente, algumas aulas do acervo de assinaturas para o canal do YouTube, YogIN TV. Nossa 2ª contribuição no #YogaParaTodos foi não discriminar interessados na prática segundo a idade ou outra dificuldade física. Por mais absurdo que pareça, essa discriminação existe em algumas escolas, que apenas permitem que as pessoas que se encaixam em seu perfil de cliente possam praticar. O YogIN App sempre gravou aulas para todos os níveis de praticantes e jamais colocou o corpo como uma adversidade para a prática de Yoga. O custo das mensalidades em studios de Yoga costuma também ser proibitivo para muita gente. Em São Paulo, o custo para se fazer Yoga em um bom espaço, não fica abaixo de R$500,00. Quando o YogIN App oferece um acervo de mais de 700 aulas e aulas ao vivo todos os dias com correção dos professores, por R$49,00, menos de 10% de uma mensalidade presencial, possibilitamos que qualquer um que queira um acompanhamento personalizado na prática para evoluir mais do que fazendo aulas no YouTube, possa fazer. R$49 ou R$39 se o plano for semestral é um valor acessível a qualquer pessoa que queira estabelecer um compromisso de evolução pessoal. Para não estender ad infinitum, uma última contribuição que considero muito relevante é o fato de que muitos, eu diria a maioria, dos mais de 300 professores que formaram-se no Curso de Formação do YogIN App, fazem algum tipo de atividade aberta, oferecendo o Yoga gratuitamente a quem tem interesse em praticar em mais de 300 cidades pelo Brasil.   A popularização do Yoga na Índia O Yoga sempre foi uma prática reclusa, conhecida por poucos privilegiados. A partir do século III D.C há um movimento de popularização do conhecimento que tornou o Yoga mais acessível ao grande público. Esse movimento cultural foi posteriormente foi chamado de Tantra. Para entender como o Tantra aconteceu, podemos fazer um paralelo com a Reforma de Lutero na Igreja Cristã.  Até Lutero, somente quem lia em Latim, podia aprender com os textos sagrados. O mesmo acontecia na Índia do século III D.C. O sânscrito, língua usada para escrever os shastras, escrituras, não é a língua do povo. Por isso, somente os brâmanes, sacerdotes, casta mais alta da hierarquia social hindu, podiam estudar essas ciências como o Yoga e Sámkhya, só para citar duas delas. O movimento tântrico começou a produzir textos nas línguas locais, sejam elas hindi, tamil ou bengalês. Isso fez com que as informações se propagassem, tornando as pessoas menos dependentes do sacerdotes e das instituições. A partir do movimento tântrico, qualquer um que soubesse ler,  poderia aprender com os registros dos sábios.  No entanto, alguns conceitos, na visão dos natha, um dos grupos tântricos, deveriam ser acessados somente por quem tinha merecimento para aprender aquilo. É o caso de diversas, sadhanas, práticas tântricas, que só são ensinadas em determinado estágio do chela (discípulo).  Por isso, para proteger o conhecimento, os nathas adotam até hoje uma linguagem chamada sandhya bhasha.  Para compreender, porque os nathas usam esse tipo de linguagem iniciática para proteger e não para divulgar seus ensinamentos, sugiro que ouça o podcast #39 – Sem Proselitismo. CLIQUE AQUI PARA OUVIR O PODCAST #39 SEM PROSELITISMO Existem ideologias ou religiões que não fazem proselitismo, não querem convencer mais pessoas a aderirem às suas crenças. O próprio hinduísmo como religião segue essa lógica. Uma vez que os escolhidos, são os moradores das terras banhadas pelo rio Indu. Então, algumas tradições tentam preservar seu conhecimento para que os ensinamentos não sejam propagados, mas que também não sejam perdidos. Sandhya Bhasha Sandhya Bhasha é uma linguagem iniciática que tem o objetivo de proteger uma tradição. Essa linguagem é cifrada e só tem o entendimento quem receber instruções de algum guru pessoalmente. Além disso, o sexo era usado, pois como a cultura indiana é extremamente conservadora, evitava que muitas pessoas tivessem interesse nisso. Por isso, as expressões pênis (lingam), vagina (yoni)  ou esperma (bindu) aparecem em escrituras, mas o conceito não é de uma relação sexual, até porque os fundadores do Tantra são celibatários, mas de um encontro entre os mundos subjetivos e objetivos, sendo bindu o Atman ou alma. CLIQUE PARA OUVIR UM PODCAST EXPLICANDO A LINGUAGEM CIFRADA DOS TÂNTRICOS Dizem que os tântricos usavam essas expressões, pois como a Índia é muito conservadora na questão sexual, isso afastaria os curiosos e os deixaria constrangidos por estudarem aquele tema. No entanto, outros estudiosos, acham que usar expressões de cunho sexual para ensinar conceitos filosóficos, foi uma estratégia para expandir a divulgação, pois no final do dia, as pessoas comentavam umas com as outras as coisas polêmicas que haviam sido contadas nos textos, levando assim, a mensagem central do que as histórias queriam ensinar para frente. Meditagram Toda difusão rápida de conhecimento, precisa desses agentes da divulgação. O Porta dos Fundos, produziu um vídeo chamado Meditagram e é um meditante, encenado pelo Gregorio Duvivier que vai até o Tibet num retiro e fica o tempo todo postando fotos e falando no stories com seus seguidores. O vídeo é engraçado e vou deixar o link na descrição do podcast para quem quiser ver. E a conclusão mais óbvia é que esse meditante, que vou chamar de Greg, é um fake, está ali só para fazer um personagem e blablabla. No entanto, eu acho que mesmo que alguém possa estar fazendo um papel deslocado, como o Greg, de alguma forma, ele está chamando a atenção para a Meditação que pode ser visto como algo sério e provado que funciona. Greg parecer mesmo um bobo, mas mesmo atrapalhado, pode despertar o interesse de algum seguidor que não prestaria a atenção, pelo menos inicialmente, na opinião de um meditador sábio, mas foi as brincadeiras de Greg que despertaram seu interesse para pesquisar algo mais sério.  Se você quiser entender melhor como esses agentes de propagação de algum movimento são essenciais para o crescimento, sugiro o livro O ponto da virada como pequenas coisas podem fazer uma grande diferença, de Malcolm Gladwell e você entenderá que sem agentes, mesmo que inconscientes do processo, não há grandes transformações. 7 anos no Tibet No sketch do Porta dos Fundos, Greg fala \"daquele filme do Brad Pitt\" que no caso é 7 Anos no Tibet, um clássico do cinema que pode ser visto no Netflix, o link está na descrição Sete Anos no Tibete é um livro de viagem autobiográfico escrito pelo autor e alpinista austríaco Heinrich Harrer baseado em sua experiência real no Tibete entre 1944 e 1951, durante a II Guerra e o período intercalar antes do exército comunista chinês de invadir o Tibete em 1950. Heinrich Harrer (Brad Pitt), o mais famoso alpinista austríaco, tentou algo quase impossível: escalar o Nanga Parbat, o 9º pico mais alto do mundo entre 1943-1950 em que a recém-nascida República Popular da China propôs \"libertar\" o Tibete. A pequena nação protestou dizendo que já era livre, porém, com base no argumento de que o território tibetano era controlado por imperialistas internacionais, a China enviou o seu exército e o pequeno contingente militar tibetano não resistiu. O Dalai Lama, líder secular e espiritual do país, então com 15 anos de idade, pediu - em vão - ajuda às Nações Unidas.  Egocêntrico e, visando somente a glória pessoal, Heinrich viajou para o outro lado do mundo deixando sua mulher grávida e um casamento em crise. Ele não conseguiu o feito, mas quando a Inglaterra declarou guerra à Alemanha ele foi considerado inimigo, por estar em domínio inglês. Feito prisioneiro de guerra, ele fugiu após várias tentativas junto com Peter Aufschnaiter, outro alpinista, se tornando os únicos estrangeiros na sagrada cidade de Lhasa, Tibet. Lá a vida de Heinrich mudaria radicalmente, pois no tempo em que passou no Tibet se tornou um pessoa generosa além de se tornar confidente do Dalai Lama. Assista o filme: uma lição de espiritualidade.    Recados Queria dar boas vindas a todos os novos alunos que aproveitaram a oportunidade da Black Friday. Convido vocês a comparecerem nas minhas aulas ao vivo e também a dos outros professores. Agora que se inscreveu, tem que praticar ! Quem tem interesse no Curso de Formação de Professores de Yoga, estamos com uma lista de interessados que vão receber um condição especial para fazer o curso. Colocando seu nome na lista, você será avisado da melhor forma de pagamento, com maior desconto que vamos oferecer em qualquer outra campanha, quem deixa o nome na lista, realmente vai receber a promoção com o menor valor possível. Se o seu objetivo é conhecer profundamente o Yoga e receber um certificado para poder dar aulas profissionalmente, deixe seu email no 1º link da descrição. Até o próximo episódio! Namastê! LINKS   Lista de Espera para o Curso de Formação Aulas YogIN App Série de 108 episódios - Reflexões de um YogIN Contemporâneo  https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts Filme 7 anos no Tibet -  Sem proselitismo - Podcast  A Desculpa de Prem Baba - Podcast explicando a linguagem iniciática dos Nathas, Sandhya Bhasha -  Meditagram - Filme do Porta dos Fundos -  Ponto de Virada - Livro -  Perfil do Instagram da série de Podcasts -  Playlist com as músicas da série Canal do YouTube do YogIN App, YogIN Cast https://youtu.be/9YcGvpbqJn0

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