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Filosofia do Yoga


yoga e paternidade
Filosofia do Yoga | 5 maio 2021 | Willy Bugner

Yoga e a paternidade

A importância da paternidade Sempre busquei uma vida saudável e algo equilibrada, mas induzido pelo senso comum e pela vaidade pessoal, entendia que a prática de exercícios significava ir à academia e “ ficar forte”. Como a maioria, eu estava absolutamente desconectado da minha saúde mental e emocional. Com a notícia da gravidez de minha esposa e o título de pai batendo à minha porta, minha vida se transformou. Olhei para dentro de mim e vi pouca coisa, pois nunca tinha nenhuma auto-análise. Algo precisava ser feito. Meu objetivo passou a ser o aumento da qualidade e expectativa de vida. Comecei a meditar, abandonei a academia e procurei um estúdio de yoga. Ao final de cada meditação, sentia minha mente renovada. Ao final de cada prática de yoga, sentia meu corpo renovado. Com o nascimento do meu filho e aumento das responsabilidades domésticas, abandonei o estúdio e procurei uma resposta on-line. Encontrei o YoginApp e reencontrei a mim mesmo. Intensifiquei as aulas, a meditação, a dedicação e acabei me tornando, com muito orgulho, um professor de yoga. Enfim, depois desse longo intróito, qual a relação entre o yoga e a paternidade? É simples, o yoga te faz um pai melhor. Por primeiro, os yomas e nyamas te fazem uma pessoa melhor. Conforme o ditado castrense, as palavras convencem, mas o exemplo arrasta. Segundo, os asanas te dão flexibilidade, não apenas físicas, mas emocional e mental. Te ensina a ser flexível com a sua agenda, horários, compromissos, ou seja, com a própria vida. Terceiro, os pranayamas te dão vitalidade e ensinam que respirar é preciso. Quarto, o pratyahara te mostra como esquecer o celular, o trabalho, o sono e se concentrar apenas no objeto principal, seu filho. E, por fim, a meditação - samyama (dharana, dhyana e samadhi), te ensina a ter paciência, calma, aproveitar o momento e esquecer as dificuldades passageiras, como sono, sujeira, falta de tempo pessoal e percalços da paternidade. Hoje tenho não um, mas um casal de filhos que são alegria da minha vida. E ambos adoram subir no yoga mat, brincar como props e dormir ouvindo mantra. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 27 abr 2021 | Daniel De Nardi

Yoga e Saúde – Podcast #11

Podcast Yoga e Saúde e entenda como. No dia 7 de abril, é comemorado em todo o mundo o dia Mundial da Saúde e gravamos este podcast especialmente para esse dia Atualmente, o Yoga é reconhecidamente um sistema que aprimora a saúde dos seus praticantes e dezenas de pesquisas já comprovaram isso. Nem sempre foi assim. Essa relação de cuidado do corpo e observação da saúde não fazia parte do Yoga em suas escrituras iniciais. O cuidado com a saúde começa a fazer parte das observações dos yogins a partir do movimento tantrico. O tantrismo surge na Índia por volta do século VII como um movimento de protesto contra o poder que os brahmanes detinham, pois eram os únicos com acesso às escrituras. Os tântricos começaram a questionar essa infalibilidade dos Shastras (escrituras) e difundir que o que realmente importava não era o que estava escrito nas escrituras, mas o que se percebia. O que o corpo manifestava, pois o que acontece de verdade, acontece no corpo. O movimento tântrico é fruto de uma misturas de várias linhas de pensamento que também ganhavam força na Índia neste período conhecido com renascimento indiano. Entre as linhas de pensamento estavam o budismo e jayanismo, dois sistemas que questionavam a divisão da sociedade em castas. Os tântricas absorveram muito destas culturas e também emprestaram maneiras de entendimento a esses sistemas. Outro sistema que influenciou muito o movimento tântrico foi a medicina ayurvédica. Como o corpo era sagrado e o local onde as coisas verdadeiramente aconteciam, nada mais lógico do que cuidar desse templo pessoal. Junto com os ensinamentos da medicina ayurvedica o movimento tantrico começa a usar posturas do Yoga e dá origem ao Hatha Yoga. A visão de que o corpo é um identificador de conflitos internos é fruto desse movimento. Para o Yoga, quando por exemplo agimos em dissonância com a consciência, desequilibramos  e o corpo demonstra isso em forma de uma doença. As doenças são por tanto produzidas por nós a partir de conflitos entre o que sabemos que é o certo a ser feito e aquilo que queremos fazer. A saúde torna-se um excelente termômetro se estamos vivendo uma vida de acordo com nossa verdadeira natureza. Não trata-se de cuidados excessivos, pois isso também é fruto de desequilíbrio. Cuidar da saúde é muito mais auto-observação das escolhas que tomar 3 sucos verdes ao dia. Claro que devemos  ponderar casos em que não como a pessoa ter gerado esse tipo de desequilíbrio para gerar doenças graves, e aí entra o fator imponderável da Natureza ou pode-se acreditar em outras coisas. O que podemos comemorar nesse dia mundial da saúde é que o Yoga tem ajudado muita gente a viver uma vida mais saudável. O Yoga ensina exercícios saudáveis e promove a saúde em todos os seus praticantes. Seus exercícios ativam orgãos profundos e ajudam na melhora do funcionamento do corpo como um todo. Yoga é tudo de bom para a saúde. Outro ponto que também podemos comemorar é que o Yoga ensina seus praticantes a estarem mais atentos ao que fazem, especialmente diante de decisões. As decisões corretas conduzem a um corpo saudável e isso o Yoga também pode nos ajudar.     Links do Podcast     Playlist da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição do podcast   Yoga e Saúde #11 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, esta é a serenata de cordas de Tchaikovsky e está começando o 11º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nós vamos falar sobre yoga e saúde. Hoje, dia 7 de abril, é o dia mundial da saúde. Quando você fala para alguém que está fazendo yoga, muitas vezes ela pode falar “ah, também preciso porque não estou muito bem da saúde”. Qual seria a relação do yoga com a saúde? Qual seria a visão que o yoga tem em relação a essa parte importante, uma vez que todo mundo considera o yoga como uma prática que faz bem? Primeiro a gente tem que separar os pontos e saber se de fato faz bem à saúde. Isso é comprovado em intermináveis pesquisas científicas, e uma das coisas que é detectado nas pesquisas, com pessoas que praticam yoga, é que a prática faz com que você diminua o nível de Cortisol. O que seria o cortisol? A gente uma liberação dessa substância para executar as tarefas diárias, pra ter realmente força pra lutar pela vida, a vida de ninguém é fácil, a vida é uma luta, uma força de potências e isso faz com que a gente precise ter energia e o cortisol produz, digamos, essa agressividade. A medida que você tem uma liberação maior que o natural a sua força torna-se maior também, mas é aquela coisa “não há almoço grátis”, sempre que você tira de um lado, você perde do outro, não há como produzir só vantagens. Nesse caso, a liberação de cortisol faz com que pessoa tenha mais disposição nos momentos de luta, mas por outro lado, abaixa o sistema imunológico. O sistema imunológico é responsável por defender o no nosso corpo contra as ações das bactérias, dos vírus, das doenças e das infecções. Então a gente tem um sistema que determina o nosso nível de saúde, se você tem um sistema bem resistente, não é qualquer doença que irá te afetar e, comprovadamente como eu falei, o yoga baixando o cortisol faz com que haja uma melhoria no sistema imunológico, então os yôgins são pessoas mais saudáveis que a média porque a prática auxilia na redução da liberação de cortisol, consequentemente na redução do estresse e por conta disso, um reforço no sistema imunológico, então a pessoa fica menos doente. Mas a gente precisa observar que saúde pela definição da Organização Mundial de Saúde não é apenas você não ter doença, mas viver com uma sensação de bem estar. E mais uma vez a gente a prática trabalhando neste sentido, é óbvio que quando temos tensões relacionadas ao dia-a-dia, que são naturais e fazem parte do dia de qualquer pessoa, ela podem não gerar doenças, podem atrapalhar a nossa vida. A OMS coloca a sensação, o bem estar como parte da saúde e quando você trabalha o relaxamento e aumenta o bem estar, acaba tendo mais saúde na visão da organização. O yoga acaba reforçando a nossa saúde, faz bem, é saudável, e não produz efeitos colaterais como outros exercícios produzem, ele faz bem esse papel de fazer com o que o praticante usufrua da prática por muitos anos. Há determinados esportes e atividades que são limitados a idade, mas o yoga tem como filosofia que o praticante o leve para o resto da vida, como um estilo, que independentemente de onde estiver, o praticante consiga realizar os seus asanas, as suas posturas, uma respiração para acalmar, fazer um relaxamento, meditar e, além disso, usar a filosofia em seu dia-a-dia. Então o yoga tem essa proposta de longevidade, mas não é uma prática apenas para jovens, melhora a nossa saúde (além do cortisol, há a compressão dos órgãos por meio dos asanas que estimula a circulação sanguínea). Então você vê esse outro ponto de melhoria, o yoga vai desfazendo as tensões não só nos órgãos como no corpo todo, a tensão muscular dificulta a circulação sanguínea, ela dificulta a levada de nutrientes para a região, no primeiro momento gera desconforto, dor, é desagradável e a longo prazo pode gerar algum tipo de doença. O yoga pode ser praticado por mais velhos e pelos mais jovens que querem ter um corpo mais saudável. Não é ser obcecado em relação ao próprio corpo, até porque isso é um desequilíbrio, o ponto bom da saúde é quando você não precisa se preocupar com ela, toma decisões coerentes com o que sente e isso não causa danos a sua saúde, à medida que for aparecendo sinais de desequilíbrio   você observa qual é a relação disso com os seus hábitos, mais pra frente a gente vai ver que a gente acaba desenvolvendo no nosso corpo desequilíbrio e, consequentemente, doenças. Mas será que o yoga sempre teve relacionado a saúde? Originalmente não, a saúde acaba sendo uma consequência pelo bem estar, claro que você pode fazer pensado na saúde, as técnicas são maravilhosas, elas tem milhares de benefícios que podem ser usados em aspectos específicos para quem está precisando, não tem como descartar a capacidade de relaxamento que o yoga pode produzir. Mas a proposta do yoga é da revelação do eu, de a gente chegar no que já somos, mas não descobrimos, a busca de uma voz verdadeira que te acompanha, mas que você boicota, é o processo de você trazer a voz e as ações condizentes com essa voz para a sua vida fazendo com que ela se torne plena e melhor. Então, originalmente, a saúde não aparecia nos textos, não há associação ou orientação nos Vedas e Upanishads, tem alguma coisa pra saúde generalizada, o yoga era voltado a espiritualidade, ao equilíbrio mental. Começa-se a associar yoga e saúde a partir de um movimento surgido na Índia a partir do século V d.C., o Tantra. O que é o Tantra? É um conjunto de textos produzidos por sábios e deram origem ao movimento filosófico. Um grupo de pessoas que estavam descontentes com determinados comportamentos da sociedade. Os líderes e sábios que começaram a criar textos próprios e debates para questionar o status quo. Os tântricos questionavam as escrituras que passaram a ser escritas na Índia desde 3500 a.C. com o Rigveda tem um grande valor para o indiano, quem domina a capacidade de interpretar e de reproduzir rituais que as escrituras citam é o brâmane, que é o sacerdote que transmite para as pessoas os mantras e conhecimentos – os tântricos passam a questionar a infalibilidade dos textos, “será que realmente tudo que e gente está vivendo foi dito há 3000 anos?”, eles questionaram e trouxeram para o corpo o valor das coisas. O tantra é esse movimento, não existe movimento tântrico antes, nenhuma escritura relacionada ao tantra antes dos tantras. Esses sábios começam a juntar o conhecimento deles com outras áreas que estava ganhando relevância na Índia naquele momento, havia, pelo menos, dois sistemas que combatiam o sistema de castas. Nas castas você nasce em determinado grupo social e pertence a ele até o fim da vida, hoje este sistema é contra a lei. Os budistas que estavam crescendo na época questionavam o sistema de castas assim como os jayamistas, estes são dois movimentos indianos internos surgidos do hinduísmo e que criam sua própria linha filosófica. O tantra conversava com as outras linhas de pensamento que questionavam o status quo da sociedade, ele assume ideias do budismo e do jayamismo e empresta conceitos que os sábios debatiam. Junto a isso, soma-se ao estudo da medicina ayurvédica que ganhava bastante força. Como os tântricos acreditavam no valor do corpo ele absorvem conceitos e técnicas do ayurveda e começam a observar a saúde de maneira mais plena. Dessa influência (do tantra se juntando ao ayurveda e com o budismo) nasce o Hatha Yoga, que é uma pratica do yoga que trabalha muito a parte dos asanas, todo o foco em auto-observação surge por conta de uma valorização do corpo, o corpo é visto como a biografia humana, se há um desequilíbrio em outras áreas isso se reflete no nosso corpo e há sempre uma relação, que você pode observar, entre as nossas atitudes e as nossas decisões. Esse trabalho de percepção também é voltado para a melhoria da saúde, a medida que você é mais consciente da suas ações, você toma decisões de acordo com as necessidades do seu corpo, não se alimenta de forma desenfreada por exemplo, fica atento ao nível da sua fome. O corpo mostra a dissonância da voz interna, se você apenas a voz do corpo e da mente, acaba ignorando a voz interna, gerando um desequilíbrio. Se você é viciado em um alimento que não te faz bem, com o tempo você vai apresentando um desequilíbrio e o corpo pode desenvolver uma doença. Assim como o medo, em que você enrijece a sua postura, e pode acabar desenvolvendo um trauma para a coluna ou algo mais grave. Para esse entendimento do yoga tudo passa pelo indivíduo, que tem a saúde plena, mas que desequilibra conforme as decisões dissonantes ao eu. O processo da saúde é um bom demonstrativo se você está a caminho dessa voz interna, quando a gente está bem ou feliz é porque a gente está seguindo aquilo que realmente é verdadeiro em nós. Se você seguir a voz dos outros, ou a vontades alheias sem se atentar a voz interna o yoga vai ensinando que esta atitude tem consequências para saúde. A prática dos asanas, assim como dos pranayama, também produz saúde, além da meditação que abaixa o cortisol, aumenta o sistema imunológico e faz com que a gente viva uma vida mais saudável, que é um bom indicativo de uma vida mais plena. Serenata de corda pra Tchaikovisky, dessa música eu não conheço nenhuma história especial, mas é uma música que eu acho bonita. Tchaikovisky teve uma vida muito difícil, ele não gostava de compor balé, mas compôs os balés mais bonitos, vivia em uma época de muita discriminação. Tinha uma grande paixão pela mãe, era homossexual, e a obra dele é uma descrição dessa dor, mas ao mesmo tempo algo puro e belo como uma dança, e essa música expressa muito bem isso, eu vou deixar apenas um movimento aqui, mas vale a pena você ouvir a música inteira. Ele faz movimentos muito parecidos ao de Mozart, algo que você pode ver se ouvir a música inteira. Até a próxima semana. Ohm Namah Shivaya! https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

gloria
Filosofia do Yoga | 26 abr 2021 | Daniel De Nardi

O Perigo da Glória

Como a vida de um historiador romeno influenciou o Yoga Comecei a revirar meus livros para preparar um curso de meditação. Fui atrás de um dos meus escritores favoritos - Mircea Eliade, me encanta sua profundidade, sua intelectualidade e sua história - Eliade, para quem não sabe e está com preguiça de procurar na Wikipédia foi um intelectual romeno especializado em história das religiões, filosofia e Yoga. Sim, ele foi um exímio praticante e um ardente admirador da prática milenar indiana. Aos vinte e poucos anos ele já era aficionado pela cultura indiana e queria conhecê-la in loco, então escreveu para um maharája indiano pedindo um mecenato para estudar sânscrito e hinduísmo o maháraja aceitou e Eliade passou alguns anos estudando por lá. Nesta experiência que conheceu o Yoga. Mas desta vez, foi sua carreira como romancista que me chamou a atenção. Eu pesquisava um livro de entrevistas - A provação do labirinto - que é quase uma biografia e ali Claude-Henri Rocquet o pergunta: - Por onde havemos de começar? Pela glória? new RDStationForms(\'e-book-yamas-e-niyamas-1f965e8db29fe9c4625b-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); - Sim, pela glória, pois me ensinou muito. É agradável, mas não é nada de extraordinário. Apresentei Maitreyi (Noites de Bengali) a um concurso de romances inéditos. Obtive o primeiro prêmio. Tratava-se, simultaneamente, de um romance de amor e de um romance exótico. O livro teve um enorme sucesso, inesperado, que surpreendeu o editor e a mim mesmo. Teve numerosas reedições. E, aos vinte e seis anos, tornei-me, célebre: os jornais falavam de mim, reconheciam-me na rua, etc. É uma experiência que foi muito importante, pois conheci muito jovem o que quer dizer ser glorioso, ser admirado... É agradável, mas não é nada de extraordinário. Então, para o resto da minha vida, deixei de ser tentado por isso. Ora, isso trata-se de uma tentação que penso ser natural a todos os artistas, a todos os escritores: cada autor espera ter um grande sucesso, ser reconhecido e admirado pela massa dos leitores... Eu tive isso bastante jovem, esse sucesso, fiquei bastante feliz, e isso ajudou-me a escrever romances que não eram feitos para o sucesso. Essa citação de Mircea Eliade não nos ensina apenas sobre o sucesso nas artes ou na literatura, mas sobre qualquer tipo de sucesso, e ele é tentador mesmo. E se o profissional não tiver uma cabeça boa como teve Eliade e se viciar no sucesso, seu destino a gente sabe qual é. Dharma e Yoga - a busca do proposito from YogIN App on Vimeo. Mas voltando à literatura, tenho que citar mais uma vez a frase do Pondé que cabe como uma luva aqui \"o caráter de alguém que escreve é medido pela ausência de desejo de agradar a quem lê.\" Digo mais, a preocupação com agradar o público praticamente impede a perpetuação da obra. E pode haver maior glória que essa? A perpetuação de um legado, buscado desde a o tempo que os faraós erguiam pirâmides e que talvez seja o mais nobre objetivo humano. Será que Marcel Proust se tornaria eterno se pensasse no sucesso de Em busca do tempo perdido? E seu contemporâneo James Joyce com Ulisses? A história está cheia desses exemplos e há todos os dias milhares de pessoas caindo na armadilha do sucesso sem levar em conta a sabedoria do tempo. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 23 abr 2021 | Daniel De Nardi

Narrativas Internas e Invasão Ariana na Índia – Podcast #23

Narrativas Internas e Invasão Ariana na Índia - Podcast #23 Neste podcast vamos entender como as narrativas internas da nossa mente podem nos conduzir à verdade ou a ignorância. https://soundcloud.com/yogin-cast/narrativas-internas-podcast-23   A verdade é um valor muito querido na cultura hindu. A descrição que Patanjali faz sobre avidya, palavra que pode ser traduzida por ignorância mostra como o conceito da verdade era importante na visão do Yoga. O Yoga-Sútra apresenta avidya como a principal causadora das perturbações da mente e a descreve da seguinte forma nos 5º e 6º sutras do II Capítulo \"Falta de sabedoria [avidya] é como o campo onde crescem as demais perturbações, quer estejam adormecidas, enfraquecidas, isoladas ou totalmente ativas. Falta de sabedoria é a percepção da eternidade, pureza, bem estar e individualidade naquilo que é perecedor, impuro, desagradável e não-individual.\"   O trabalho do YogIN é destruir a ignorância, avidya, para perceber o mundo como ele é. O Yoga-Sutra sugere para essa investigação a aplicação de viveka, o discernimento. Viveka destrói avidya, pois o discernimento é o que possibilita diferenciar o eterno do perecedor ou o puro do impuro. No 4º capítulo, Patanjali de diferentes vozes internas, que dificultam a investigação. Como se fosse um colegiado de mentes onde apenas uma pode manifestar a natureza autêntica. Todas as outras são fruto de narrativas distorcida. A voz que manifesta a natureza autêntica é reconhecida no aquietamento da mente. Uma mente preenchida por vozes falsas, deslocadas da realidade,  tem muita dificuldade de ver as coisas como ela são.   Yoga-Sutra, capítulo IV, Sutras 4. Os cittas criados [pela mente] surgem de dentro dos limites da egoidade. 5. Um único citta dentre muitos é eficaz no corte da tendência à atividade. 6. Lá [esse citta] é o assento da mente [manas], nascido de dhyana. tradução Carlos Eduardo Barbosa   No Yoga podemos exemplificar isso com um caso bastante estudado nessa área, a Invasão Ariana. Quando o acesso às antigas escrituras indianas era limitado, os estudos sobre o início do pensamento vedico não pareciam corresponder com o que verdadeiramente aconteceu na história da Índia. Aqueles que interpretaram a história, não estavam preocupados em ver as coisas como elas eram, mas sim, em encaixar narrativas ideológicas dentro de evidências históricas.    1ª Teoria da Invasão Ariana - Elaborada a partir dos estudos de Max Muller. Ideologia da raça superior. Essa teoria, encaixou muito bem para as intenções intelectuais e políticas daquele momento histórico. A Inglaterra colonizava a Índia e estudava formas para que houvesse menos revoltas com o domínio britânico. O texto mais antigo da Índia, o Rig Veda, descreve como arya (nobre) um povo superior moralmente. Como os europeus também tinham erra palavra ária para designar um povo, não foi simples demonstrar que foram os arianos europeus que levaram a cultura para a Índia. Seu principal tratado já \"dizia\" isso. A teoria da invasão ariana como um povo superior foi exaustivamente ensinada nas escolas indianas durante a colonização britânica. Em 1844, antes de iniciar sua carreira acadêmica na Universidade de Oxford, Muller estudou em Berlim com Friederich Schelling, dando continuidade a sua pesquisa sobre sânscrito. Foi através de Schelling que Max começou a relacionar a historia da linguagem para a história da religião. A intenção da interpretação histórica dos Vedas fica mais evidente quando Max Muller escreve privadamente em 1868, uma carta a George Campbell , o recém-nomeado secretário de Estado para a Índia. \"Índia foi conquistada uma vez, mas a Índia deve ser conquistada de novo, e que a segunda conquista deve ser uma conquista por educação.\"   Uma das evidências que mostra a fraude dessa tese é que não só os indianos usaram o termo nobre para descrever a si mesmos como superiores moralmente, mas outros povos também o fizeram. Na Irlanda usa-se Iri, no Irã, Ira e na Índia Arya.  Todas as formas designando o próprio povo como nobre.   2ª teoria da invasão ariana - elaborada por Van Lysebeth. Ideologia marxista (opressor e oprimido). Em 1968, quando Andre Van Lysbeth escreve seu primeiro livro, J\'apprends le Yoga em Paris, a cidade vivia o fervor da famosa Revolta dos Estudantes. Os estudantes reivindicavam liberdade sexual e acreditavam que quase todos os problemas do mundo deviam-se a forças opressoras que subjugavam os mais fracos. Van Lisbeth estuda uma antiga Civilização que povoou o noroeste da Índia de 3400 A. C até aproximadamente 2000 A.C e que provavelmente por abalos sísmicos que são comuns naquela região fez o principal rio, o Saraswati, mudar de direção o que fez este povo entrar em declínio. Evidências não interessam muito a quem quer encaixar na história uma visão ideológica. Então, Van Lysbeth, se apoia na teoria de Max Muller, mas troca a narrativa. Agora, são os árias os vilões opressores. O povo de pele branca, invade os fragilizados indianos de pele escura. O povo que foi oprimido tinha uma Cultura mais elevada, mas como era pacífico perdeu a guerra e foi subjugado. Segunda Van Lysbeth o povo drávida vivia uma sexualidade totalmente livre, valor que foi proibido pelos arianos patriarcais e opressores. Parece roteiro do filme Avatar, mas até hoje muita gente acredita nisso, mesmo não havendo nenhum registro que demonstre o que esse povo pensava ou como se comportava. Justamente por ter poucas evidências essa história encaixou como uma luva para as ideologia dos centros acadêmicos europeus.   3ª teoria da invasão ariana - Elaborada por Shri Kant Talegari - não houve invasão ariana  O Rig Veda é a primeira grande obra literária da História da Humanidade. Contém mais de 10 mil versos e foi composto por centenas de autores. Cada verso do Rig Veda tem a indicação de quem foi o autor ou a família que fez a inserção literária. Os hinos eram cantados e descreviam os rituais de sacrifício em que acreditavam conseguir extrair a essência espiritual do objeto ou animal sacrificado. Em seguida, de alguma forma transferiam a essência do objeto para uma bebida ou um alimento que seria posteriormente ingerida pelos praticantes ou patrocinadores do ritual. Quando ingerissem, ganhariam essa força espiritual extra, proporcionada pelo ritual. O Rig Veda é repleto dessas descrições e faz parte da primeira etapa do pensamento védico, chamada de Karma Kanda que é caracterizada por esse tipo de ritual. Este texto começa a apresentar conceitos importantes que serão explorados pelas próximas correntes literárias do pensamento indiano, mas ele está longe de ser uma Enciclopédia Universal da sua época, como alguns tentam vender. Comparando a antiguidade dos versos com o local de origem das famílias que os produziram, o historiador Shrikant Talageri, demonstrou o movimento migratório desejado pelos príncipes de Kashi. Os versos mais antigos foram compostos próximos a Varanasi e foram sendo produzidos até a região da Caxemira, cerca de 1500km de distância do local original. Com isso, os príncipes conseguiram unir culturalmente a região e habitar o local que para eles era sagrado, a região de Brahmavarta, onde hoje em dia fica a cidade de Delhi. A família dos Príncipes de Kashi, a família nobre da época, chamava-se Bharatas. O épico literário mais importante da Índia chama-se Mahabharata, Maha = Grande, conta a história da unificação da Grande Índia, que ainda hoje intitula-se de Bharata.   Links Curso de Formação Yoga - curso online https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Depoimento das alunas da Formação YogIN App https://youtu.be/jPGgluaHjCs?list=PL3Y5CFIJsp-zvkZwM9iwmWj9_wixik1jG Livro que apresenta a tese de Van Lisbeth sobre a invasão ariana Pontos de vistas do pesquisador David Frawley  sobre a invasão ariana  https://youtu.be/qych3WYNViA     Filme Amadeus Filme Amadeus para comprar no Google Play As Bodas de Fígaro - Ópera completa - https://youtu.be/x8OHbbmfnW8 PDF Yoga-Sutra tradução Carlos Eduardo Barbosa    Playlist da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Narrativas Internas – Podcast #23   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando 23º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast que eu tenho grava semanalmente trazendo um pouco sobre a cultura sânscrita, cultura antiga da Índia, e também informações sobre coisas que acontecem em nosso cotidiano, filmes e estabelecendo relações entre esses mundos aparentemente tão distantes, mas na prática, tão próximos. Hoje nós vamos falar sobre narrativas internas e o quanto elas podem dificultar a nossa percepção da verdade. A verdade é um valor muito importante dentro da cultura hindu. Patanjali, que é o primeiro escritor de yoga (nós falamos algumas vezes sobre ele), fala sobre o principal obstáculo do yoga, segundo ele, que é Avidhya, a ignorância. Ignorância esta que é a causadora das perturbações da mente, Avidhya pode ser traduzida também como falta de sabedoria. Quando Patanjali fala sobre Avidhya, deixa claro a relação dela com a verdade. Ele fala sobre no capítulo 2, no sutra 5 e 6, da seguinte forma: “Falta de sabedoria, Avidhya, é como o campo onde nascem as demais perturbações, quer sejam adormecidas, enfraquecidas, isoladas ou totalmente ativas. Falta de sabedoria é a percepção da eternidade, pureza, bem estar, individualidade, aquilo que é perecedor, impuro, desagradável e não individual”. A ideia de gravar o episódio de hoje aconteceu porque eu estou gravando uma nova aula para o curso de formação. Para quem não sabe, a gente tem um curso de formação de yoga online, no YogIN App, que serve tanto para aqueles que querem aprofundar o entendimento no yoga, quanto para aquelas pessoas que querem se formar e usar o yoga como profissão. Então, para estar pessoas, a gente faz uma avaliação, a gente tem dois encontros presenciais, então o curso tem as aulas teóricas on line e uma parte presencial para que possamos avaliar a qualidade das aulas e também se conhecer e ver como está a absorção do entendimento desta filosofia. E aí eu estava gravando uma das aulas, a gente tem uma das aulas que é sobre Samkhya que é uma antiga filosofia indiana que da base para o pensamento de Patanjali, eu estava desenvolvendo uma aula sobre o Yoga Sutra, como ele é baseado no Samkhya eles se casam em muitos aspectos, e dessa aula se desdobrou a ideia deste podcast que veio reforçar aquilo que eu estava estudando, mas de uma forma diferente e será complementar para quem estiver fazendo o curso de formação. Este podcast é gravado como os meus podcasts semanais, mas ele vai servir como parte desta aula que estou montando. Nós vamos começar uma nova turma deste curso no dia 07 de agosto, então quem tiver interesse, como é um curso que a gente tem um acompanhamento diário, nas redes sociais tem grupos que são acompanhados diariamente, esclarecendo as dúvidas e conversando. Este é um curso com o número de vagas limitadas, há uma página na internet que explica detalhadamente qual é o currículo do curso e, para quem quiser, tem o link na descrição. Mas quem quiser saber um pouco mais, quiser entender mais e conversar com a gente sobre o curso, no dia 09 de julho a gente vai fazer um encontro online, então está aqui também o link para a inscrição gratuita no curso em que a gente vai falar um pouco mais sobre o yoga, mas explicar sobre o curso e tirar dúvidas dos interessados. Então fica o convite, a minha dica é a seguinte: se você vem ouvindo os podcasts semanais e vem gostando, eu garanto pra você que irá gostar desse curso. Ele é feito com muito carinho, eu e a Mayara que somos coordenadores do curso, nós colocamos bastante dedicação tanto da produção das aulas quanto na base de estudo. Além disso, tem vários outros professores que fazem parte do curso também, então não é apenas aulas minhas e da Mayara, tem também aulas da Renata Mosini, do Pedro Franco, que é um professor reconhecido internacionalmente com várias aulas gravadas fora do Brasil, Mila Monteiro que as pessoas devem conhecer das redes sociais, tem a Beth Pedotti, a Sá Souza. Todo esse pessoal tem aulas no aplicativo e as aulas são bem completas, elas abrangem desde um pouco de anatomia dos asanas, toa a parte de história do yoga, filosofia e principais técnicas. Então é um curso bastante completo e quem tem o interesse em conhecer mais sobre o yoga eu garanto que vai gostar do curso, quem está na dúvida, não sabe ainda, pesquise um pouco mais, talvez não seja o seu momento, este curso exige dedicação, ele realmente tem o que estudar, o yoga é uma sabedoria que vem sendo desenvolvida desde 3400 a.C., então a gente tem 5.500 anos de produção literária no yoga, então tem bastante coisa para estudar, mas obviamente dá para fazer através do curso on line como aprofundamento, de estudo, de curiosidade e dá para estudar dentro das suas possibilidades. Vejamos o que Patanjali fala a respeito dessa falta de sabedoria, a Avidhya ou também chamada de ignorância. No capítulo 2, sutra 5 e 6 ele diz o seguinte: “A falta de sabedoria, a Avidhya, é como o campo onde crescem as reais perturbações da mente, quer estejam adormecidas, esquecidas, isoladas ou totalmente ativas. Falta de sabedoria, a Avidhya, é a percepção da eternidade, pureza, bem estar, individualidade naquilo que é perecedor, impuro e não individual” Esta é uma tradução do professor Carlos Eduardo Barbosa, eu vou deixar a tradução completa do Yoga Sutra no link da descrição. O que ele fala que é interessante aqui é a falta de sabedoria é você ter uma percepção da eternidade no que é perecedor, da pureza no que é impuro, há uma distorção da percepção, por vários motivos, perturbação da mente e tudo mais, a gente não vai aprofundar isso agora neste podcast, mas há uma interferência de uma narrativa interna e isso dificulta a percepção real, dificulta o encontro da verdade, e o trabalho do yôgin é destruir essa ignorância, destruir a Avidhya para ver o mundo realmente como ele é, para se perceber de fato como é. Para isso é necessário investigar essas informações que distorcem a percepção do mundo, para isto a Yoga Sutra sugere a aplicação de Viveka, o discernimento, o que define o que é o puro, o que é o desagradável, a capacidade de você diferenciar essas influencias da natureza e você ter, de fato, noção do que está acontecendo. No quarto capitulo, Patanjali fala de diversas vozes internas que dificultam a investigação, como se fosse um colegiado de mentes e apenas uma consegue manifestar a nossa natureza autentica. Então, você é como se você tivesse vários conselheiros, mas todos eles, a não ser um, não vão te direcionar para um bom caminho e existe um conselheiro que é o Tita, que são as vozes das quais ele fala que te direciona para a manifestação da natureza autentica. Todas as outras são frutos de distorções de narrativas e a voz que manifesta a natureza autentica é reconhecida no aquietamento da mente. Quando a mente é preenchida por essas vozes falsas, deslocadas da realidade, ela tem muita dificuldade de ver as coisas como elas são. No capítulo 4, nos sutras 4, 5 e 6 Patanjali diz o seguinte a respeito daquelas vozes internas: “Os Titas criados pela mente, surgem dentro dos limites da egoidade, o único Tita entre muitos é eficaz no corte a tendência a atividade, lá nesse Tita é o assento da mente, nascido da meditação.” O yoga tem um exemplo muito claro de um assunto que se estuda muito no yoga, que mostra nitidamente o quanto essa tendência da narrativa distorce as coisas como elas realmente são. O assunto que vamos usar como exemplo é sobre a invasão ariana. Fala-se muito sobre esta invasão porque talvez ali tenha sido o início do yoga, mas a gente vai ver de fato o que há por trás dessa história e o quanto das narrativas ideológicas acabam distorcendo a visão da verdade. Quando o acesso as antigas escrituras indianas era limitado, os estudos sobre o início do pensamento védico não pareciam corresponder com o que verdadeiramente aconteceu na história da Índia. Aqueles que interpretaram a história não estavam preocupados em ver as coisas como elas eram, mas sim encaixarem narrativas ideológicas dentro de evidencias históricas. Existem várias teorias sobre a invasão, mas a primeira teoria a ser defendida foi elaborada a partir dos estudos de Max Müller, que tinha como ideologia a raça ariana como superior, então esta teoria se encaixou perfeitamente para as intenções intelectuais e políticas daquele momento histórico. A Inglaterra colonizava a Índia e estudava as melhores formas que houvessem para ter menos revolta com domínio britânico. O que eles poderiam fazer para gerar menos conflitos e para que os hindus aceitassem aquela superioridade que foi imposta na guerra através do governo britânico. O texto mais antigo da Índia, o Rigveda, descreve “aria” como nobre, um povo superior moralmente. Como para os europeus também usavam a palavra aria, não foi simples demonstrar que o aria que o Rigveda se referia eram os europeus. Então, o indiano deveria aceitar essa colonização, porque foram os britânicos que haviam levado a cultura para a Índia. Esta era a tese de Max Müller, e depois esta narrativa casou bastante com a proposta do nacional socialismo, com o nazismo, comandado por Hitler, que buscava símbolos para afirmar suas ideias com a tese de Müller. Em 1944, antes de iniciar a sua carreira na Universidade de Oxford, Müller estudou em Berlim Friedrich Schelling, dando continuidade à sua pesquisa sobre sânscrito. Foi através de Schelling que Max Müller começou a relacionar a historia da linguagem com a da religião. Schelling era um estudioso, ele foi uma grande influência de Hegel, e começou a mostrar a Müller que se eles convencessem – Müller era um estudioso das religiões, ele foi inclusive o fundador da ciência das religiões –, usassem a linguagem das crenças para algo político, haveria uma aceitação maior do povo. Como dá pra ver no exemplo do Rigveda, já existia um povo chamado aria, que na verdade eram os indianos escrevendo o seu próprio povo que eles consideravam nobre, esse povo era superior moralmente, assim como todo o povo que conta a própria história. Os intelectuais pegaram esta história e se apropriaram, mas não tem relação com a realidade. A intenção dos vedas, fica mais evidente quando Müller escreve uma carta privada ao George Campbell, que havia sido recém nomeado secretário de Estado da Índia, que fala o seguinte: “A Índia foi conquistada uma vez, mas deve ser conquistada de novo e que a segunda conquista dever ser uma conquista por educação” Eles identificaram esta ideologia dentro da história indiana, e começaram a direcionar o povo a creditar que eles haviam levado sabedoria e cultura para o país, e que consequentemente os indianos deveriam obedecê-los e respeitá-los. Essa vontade ideológica por trás da análise dos fatos, fez com que tudo fosse distorcido porque não houve um povo que saiu da Europa e chegou até a Índia para colonizá-la. Uma grande evidência disso é que não só os indianos usam o termo nobre para descreverem a si mesmos como os superiores moralmente, outros povos também o fizeram. Na Irlanda, usa-se “Iri”; no Irã, Ira e na Índia, Aria, todas maneiras de designar um povo como nobre. A segunda teoria sobre e invasão foi formulada por Andre Van Lysebeth, um professor de yoga belga, autor de um livro bastante famoso chamado “Tantra, o culto a feminilidade”. Em 1968, quando Van Lysebeth escreve o seu primeiro livro J’apprends le Yoga, em Paris, a cidade vivia o fervor da famosa revolta dos estudantes que reivindicavam liberdade sexual e acreditavam que quase todos os problemas do mundo deviam ser as forças opressoras que subjugavam os mais fracos. Era a época da Revolução Sexual, de questionar as regras da sociedade e perceber o mundo como sendo um lugar de opressor e oprimido, então há várias escolas de intelectuais europeus que tinham este discurso, o que fez com que a Revolta de 1968 fosse tão forte dentro da cultura ocidental. O Van Lysebeth estava em Paris nessa época, ele publica o livro dele na cidade, e em seus estudos encontra uma antiga civilização que povoou o noroeste da Índia, de 3400 a.C. até 2.550 a.C., esta civilização chamada de Civilização do Vale do Indo provavelmente sofreu um abalo sísmico muito comum aquela região. Então houve um terremoto que desviou o rio Saraswati – quem já foi pra Índia sabe que as cidade vivem em função dele, quando um rio é desviado, a cidade morre – a civilização entrou em declínio até se extinguir completamente até 2.000 a. C. tendo um pico de 1.500 anos de muita produção, encontraram muitas evidências, mas nada escrito. As evidências não são interessantes para investigação quando se há o interesse em difundir uma ideologia. Então na época do Max Müller, o acesso aos textos era muito difícil, poucas pessoas conseguiam ler o devanagari (a língua em que os livros eram escritos), por isso, a capacidade de distorção das coisas era enorme e Müller cometeu erros crassos em relação a datação e tudo mais. Quando entra Van Lysebeth com esta narrativa toda, da liberdade sexual, do opressor e do oprimido e encontra essa civilização em que não há evidências históricas, se consegue colocar qualquer tipo de narrativa – porque não há como provar, a civilização não deixou nada registrado e o que há de registro escrito, não foi decifrado, eles criaram uma teoria que o povo da região era livre sexualmente, que explorava a sua sexualidade que deu origem ao tantra, embora não haja nenhuma relação com evidências históricas sobre isso. Eles criaram um ambiente perfeito, de uma sociedade perfeita que foi invadida pelos arianos, então ele aceita a teoria do Max Müller, houve a invasão ariana, que eram altos, loiros e de olhos claros e atacaram um povo que tinha muito mais cultura, que foi escravizado e toda a cultura foi perdida porque esse povo “malvadão” invadiu e destruiu tudo. Não há evidências históricas, como saber se havia uma sexualidade livre na época se não deixaram uma frase escrita, como dizer que o yoga já era praticado na época, que existiam técnicas, se depois, quando o Yoga foi compilado por Patanjali, não existiam tais técnicas que só apareceram depois, com os tântricos. Então, esta história da Civilização do Vale do Indo é excelente para quem quer introjetar uma narrativa específica, não há evidência, então pode ser contada qualquer história porque não há como provar. Mas as evidências acabam deixando a tese muito fraca, justamente por não ter documentação e hoje em dia, só quem não continua estudando o assunto é que aceita “uma civilização perfeita, matriarcal, que vivia o amor livre e que criou o yoga”, isto já foi derrubado por vários tipos de estudos ao longo dos últimos anos, entre eles um estudo que a gente vai mencionar agora prioritariamente que é a terceira teoria que, pelas evidências, deve ser a que se aproxima mais, tem pontos que a gente consegue verificar evidências históricas, verdades, você consegue analisar o que tem de fato e que não é só fruto da cabeça de um intelectual que tem o interesse em passar uma narrativa a diante. Esta terceira teoria é criada por um acadêmico indiano chamado Shri Kant Talegari e apoiada por muitos intelectuais, inclusive o David Frawley (vou deixar aqui o vídeo), pesquisador americano que também não acredita a invasão ariana, inclusive tem uma palestra que dele que fala sobre isso. A teoria do Talegari mostra que existe índice no Rigveda que é elaborado por cronologia, ele tem ali as famílias com o compositor. Então, ele começou a fazer um estudo dessas famílias e verificou que o Rigveda tinha um movimento: os mais antigos textos começaram perto de onde hoje é a cidade de Varanasi, mas que também era chamado de Kashi, os príncipes de Kashi era entusiastas (já falei a respeito em outro episódio) e patrocinaram a produção literária do Rigveda que foi produzido para gerar uma série de sabedorias locais para criar uma cultura local, uma tradição que era parte do que acontecia na época. Eles foram escritos ao longo da Índia, começando em e indo em direção ao noroeste do país. O próprio movimento migratório do Rigveda mostra uma discrepância em relação as teorias da invasão ariana, porque nesta teoria o movimento começava no noroeste e ia migrando para o centro da Índia. O Rigveda, que é o primeiro texto, o mais antigo, começando em 3400 a.C. relata um movimento contrário, como citado anteriormente. Então, existe a teoria das duas civilizações que foram ocupando a Índia simultaneamente, mas a que realmente escreve os textos é a civilização existente em Varanasi e nas cidades seguintes. Isto se parece muito mais com o que de fato aconteceu por essas evidências históricas, até datação e nomes, além de demonstrar que não houve essa guerra uma vez que havia muito espaço dentro da Índia, não havia porque brigar por terra, o que houve foi uma ocupação de um povo chamado Indo-europeu, que é um povo que habitou a região da China e da Mongólia, o centro da Ásia, e veio migrando para diferentes partes, inclusive a Índia, esse povo, sim, vem construindo sabedoria e cultura junto, mas ocupa aos poucos (ao longo de milhares de anos) e vai havendo uma produção e construção dessa civilização antiga que pode ser chamada de Sânscrita porque tudo produzido por ela foi em sânscrito. Isso mostra que quando você se desfaz da vontade de ter uma ideologia e investiga onde está a verdade, você se aproxima muito mais das coisas como elas são e você consegue prever ou, pelo menos, pensar nas coisas de uma forma mais clara, sem distorção, isso favorece o seu próprio conhecimento, pois irá perceber fatos condizentes com a realidade. No momento em que você investigar a sua realidade, aquilo também fica muito mais próximo de ser verdadeiro. Para finalizar, quem está assistindo o podcast pelo aplicativo, que você pode fazer quando é aluno, assinando qualquer plano você pode ouvir o podcast pelo aplicativo e a vantagem disto é que eventualmente é quando tem uma cena, ou alguma imagem citada por mim ela aparecerá. Quem quiser, obviamente estará na descrição, mas é mais fácil e melhor para assistir. Vou trazer aqui uma cena do filme Amadeus, que conta a história de Mozart. Ganhou muitos Óscares, se eu não me engano foi em 1985 ou 1986. Conto a história de Amadeus no e-book sobre respiração que eu escrevi no YogIN App, porque foi o primeiro filme que eu assisti no cinema, assisti com o meu pais, então me marcou e eu sempre gostei muito. O Amadeus tem uma cena em que há uma conspiração contra Mozart, por inveja dos compositores da época, no caso do filme por Salimieri. Eles fazem uma conspiração contra Mozart que explica como é a sua obra, os conselheiros do rei já o intoxicaram com conselhos distorcidos, falando que Mozart havia produzido uma obra que podia gerar uma revolta social porque mostrava a opressão da nobreza sobre os servos. Então tem essa abordagem de que quando se coloca algo na cabeça, mesmo que não corresponda a realidade, tudo que é visto confirma no que se crê. O rei, em questão, proíbe Mozart de produzir a obra, este fica desesperado porque ela já está quase pronta e não pode mostrar nada ao rei. Mozart suplica tentando fazer com que o rei saiba qual é, ao menos, a primeira cena. O rei o permite mostrar, e agora vou deixar aqui a descrição: Mozart não estava querendo mostrar uma situação de opressão, mas algo do cotidiano, que é um rapaz medindo a cama para ver se ela cabia. Como já existia essa narrativa, já tentou interpretar toda a obra com esse tema da revolta social, do opressor com o oprimido. Então agora eu vou deixar o primeiro ato, que é o momento em que mostra essa cena e quem está assistindo pelo podcast vais poder ver, quem quiser ver a ópera inteira, tem a descrição no link. Até o próximo podcast. Ohm Namah Shivaya!    

Filosofia do Yoga | 22 abr 2021 | Daniel De Nardi

Qual a origem do nome Yoda, o mestre Jedi de Star Wars ?

Qual a origem do nome Yoda, o mestre de StarWars ? George Lucas, criador da saga tinha como referência intelectual o historiador Joseph Campbell . Campbell era um estudioso de mitos antigos e um leitor de textos hindus. A palavra yodha, provém do sânscrito e significa guerreiro. Inclusive, uma das traduções de #Yoga é a mochila do guerreiro, referência as ferramentas que um yogin desenvolve e que carrega consigo o tempo todo. 🧘🏿‍♂️👽🤖     [caption id=\"attachment_448496\" align=\"alignnone\" width=\"150\"] O criador de Star Wars, Geroge Lucas conversa com seu mentor Joseph Campbell[/caption]  

Filosofia do Yoga | 19 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Exercendo a Gratidão para um Encontro com Santosha – Yoga Falado #18

Exercendo a Gratidão para um Encontro com Santosha Pode até ser moda entre a comunidade Yogin, parecer meio bobo, e um pouco otimista demais, talvez, mas o exercício da gratidão pode transformar completamente a sua maneira de ver as coisas. Quem aí não conhece uma pessoa que apesar das adversidades está sempre alegre e ainda consegue elevar o astral de quem se conecta a ela? Mesmo, e talvez principalmente, possuindo poucos bens materiais essas pessoas parecem sempre felizes. Você já parou para pensar nisso? Estas pessoas estão no momento presente, apreciando o pagode de domingo sem pensar em acordar às 4h na segunda-feira... Somos buscadores. É natural que tenhamos desejos e normalmente falhamos em reconhecer o que já está presente em nossa vida. Esta é uma percepção que pode ser alterada para uma vida mais equilibrada, onde nossos desejos não serão mais valiosos do que a realidade.   O ser humano aprende a associar a felicidade com objetos desde o seu nascimento. Objetos, neste caso, também são outras pessoas, ou qualquer coisa que não seja ele mesmo. Tudo que é lido e compreendido neste mundo através de seus órgãos de sentido.   Então buscamos a vida inteira pelo outro, pelo homem ou a mulher, pelo carro, pela casa, pelo filho, pelo emprego, pela estética, pela grama mais verde do vizinho… É uma busca incansável por mais e mais um pouco.   O sentimento de alegria e o reconhecimento da felicidade pode vir quando nos reunimos com o tal objeto de desejo, mas isso é passageiro, porque está relacionado com esse o desejo e não com o objeto em si. O mesmo objeto tem um valor diferente se é desejado ou se já se faz presente.   E esta busca se torna interminável, por toda a vida, desejando o amanhã. Mas assim que conseguimos nosso grande desejo, surge um novo. Reconhece o sentimento?   Tem uma frase que sempre me faz parar e refletir, você já até deve ter lido por aí nas mídias sociais: “Você se lembra de quando você queria o que você tem hoje?”   É aí que colocamos nossa felicidade para depois, quando eu tiver tal coisa. Quando eu estiver em tal lugar. Quando estiver com tal pessoa. Ah, aí sim, eu serei feliz! E a tal felicidade nunca chega. Porque ela não mora em um objeto, ela mora na ausência de desejos a estes objetos. Ao reconhecer que ela já está dentro de você pois é um ser completo, que já possui tudo que precisa.   Se você já possui tudo que precisa, seja grato! Agora! Presença!   Não digo que é fácil, afinal, somos buscadores, é nossa natureza. Mas se mudarmos nossa forma de pensar e começarmos a enxergar o que é no lugar do que queremos?   Aquilo que você pensa, onde coloca seu foco, cresce. E, se sentimentos são resultados de pensamentos, você escolhe o que quer sentir hoje. O que vai ser?   Passei um ano inteiro escrevendo diariamente no meu pote da gratidão e percebi que os dias mais difíceis de reconhecer o que havia para ser grata eram aqueles onde não houveram flutuações, distrações ou inconvenientes. Naqueles dias onde tudo correu bem, dentro da minha rotina. Não era naquele dia onde tudo deu errado, sabe como é esse dia, né? Nos dias “ruins” é ainda mais fácil encontrar razões para ser grato do que em um dia neutro. Eram nestes dias neutros que eu precisava enxergar a vida pelos olhos de Santosha para exercitar minha gratidão.   Santosha, o segundo Niyama do Yoga é o contentamento. Não é alegria exacerbada, estar sempre sorrindo, aquele estereótipo de buda feliz que parece nem perceber o estresse externo. Santosha é equilíbrio. É reencontrar a felicidade que mora dentro de você independente dos cenários externos. É se sentir completo. Santosha é compreender que neste mundo, tudo é finito e mutavel, principalmente as emoções - incluindo alegria e tristeza.   Para mim, gratidão é instrumento ideal para obtenção de Santosha. Todo mundo sabe o quanto é fácil ser grato quando se está alegre. Os momentos turbulentos são reconhecidos e até mesmo enaltecidos atualmente como momentos de grande aprendizado. O difícil de verdade é ser grato pelo “comum”.   A Gratidão precisa se tornar um hábito. Quando exercido diariamente, programa o seu cérebro para se sentir agradecido mais frequentemente, afastando emoções negativas. Hábitos são ações que você se propõe a realizar até que se tornem cada vez mais natural. E pode confiar, essa mudança de olhar acontece. Fica cada vez mais frequente no dia a dia.   Como? new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Se ao invés de reclamar do formato do seu corpo, você olhar para todo o complexo funcionamento dos seus sistemas que te permitem estar vivo lendo este texto? Então neste caso, você escolhe no cardápio de emoções que sua mente te proporciona, entre sofrimento pela vergonha e gratidão pela vida que vibra em todo seu corpo.     E durante a sua prática de asanas, você vai reclamar da mão que não chega até o pé ou você vai agradecer por ela abraçar seus tornozelos?   Meu pote da gratidão foi um excelente instrumento para desenvolver essa visão de presença através da gratidão, mas você pode começar apenas com um caderninho mesmo. Todos os dias um motivo de gratidão. Anote, tente não repetir. Use o mesmo horário, todos os dias. Se for fazer a noite, relacione com o dia que passou e se lembre de tudo que você viveu. De quanta vida você tem aí dentro.   Além dos benefícios relacionados a felicidade, segundo Emmons, psicólogo estudioso dos efeitos da gratidão, existem também benefícios físicos relacionados ao exercício da gratidão como: fortalecimento do sistema imunológico, diminuição das queixas de dores, diminuição da pressão arterial, melhora no sono e mais disposição ao acordar.   O exercício da gratidão nos faz perceber que estamos no poder do direcionamento de nossas emoções. Algumas mais fáceis de lidar que outras, certamente... Mas somos mestres da nossa mente e podemos alterar o curso de nossos pensamentos com ferramentas simples como “sou grato”.     Então faça sua mente trabalhar de forma positiva. Tirar o negativismo proporciona fluidez, desbloqueia e abre caminhos. Valorizar tudo que te fez chegar onde você está agora te tira do vitimismo. Você está exatamente onde deveria estar e tudo na sua vida te trouxe para este momento.   Respire, olhe para o lado e perceba, neste momento, do que você pode ser grato?   Sou grata por poder escrever semanalmente para vocês!   Gratidão!   Ouça também via:

Samadhi - o filme
Filosofia do Yoga | 13 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Samādhi-pāda – do relativo ao absoluto

Samādhi-pāda - do relativo ao absoluto A primeira parte dos Yoga Sutras de Patanjali se chama Samadhi pada ou Sadhya (o objetivo) pada deixando claro que Samadhi é o objetivo do Yoga. Muitos traduzem samadhi como libertação ou realização, dando a ideia de que é uma coisa de outro mundo, um estágio onde somente aqueles que dedicam a vida à espiritualidade e renunciam a vida em sociedade podem atingir. Na verdade, este estado é o fruto colhido pela prática da metodologia proposta por patanjali na segunda parte de seus sutras, sendo, o samadhi, o principal resultado da prática de meditação. Lembrando que no texto de Patanjali Yoga é descrito como a cessação das instabilidades da mente, podemos compreender que Samadhi é um estado de união, onde não há identificação do indivíduo com as flutuações da mente relacionadas ao material ao emocional, aos papéis adquiridos e condicionamentos mentais. A mente é calada, o que não significa estar livre de pensamentos, significa apenas que estes pensamentos não tomam proporções indevidas. Neste estado, a mente reflete a natureza não dual, reconhecendo o Ser livre de limitações que realmente somos. Parece difícil de compreender e mais ainda de atingir? Pois nos yogas sutras encontramos justamente o caminho para tal. Costumo sempre me referir ao Yoga como um caminho, pois vejo claramente em cada técnica que aplicamos formas de “educar” nossa mente contra esta identificação natural e não consciente com a realidade criada. Os vrittis, que são traduzidos como flutuações e representam toda nossa “forma de pensar” condicionada pelo que absorvemos em nossa jornada neste mundo material, criam uma realidade em nossa mente que estabelece essa dualidade. A partir da dualidade nos identificamos com nossos personagens (mãe, pai, filho, cônjuge, profissional, irmão, amigo, etc...) e projetamos a ideia de que há uma consciência divina externa. Dessa forma, se faz necessário buscar “fora” a satisfação plena, paz e felicidade. Em samadhi está a realização de que tudo isto está dentro e que somos o todo. Samadhi não é ver luzes brilhantes e levitar, mas sim compreender que tudo está bem neste momento. Trata-se de ver a realidade exatamente como é, sem que nossos pensamentos, gostos, desgostos, prazer e dor governem e julguem. Samadhi não é sentir, é ser. E não pode ser encontrado no passado ou futuro, apenas no momento presente. new RDStationForms(\'e-book-as-origens-da-meditacao-e-do-yoga-84b39b698136958eda59-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Patanjali descreve em seus sutras, tipos e níveis diferentes de samadhi, expondo que cada tipo ocorre em um nível diferente de consciência, mas todos representam a absorção do iogue em estado de concentração da mente. Este estado de união pode ser percebido quando o praticante ainda mantém a percepção da dualidade, em savikalpa-samadhi ou quando há dissolução do ego em nirvikalpa-samadhi. Atingir o estado de samadhi durante a meditação não quer dizer manter-se nele. Embora isso possa acontecer, muitas vezes, os meditadores experimentam samadhi por períodos curtos. A prática com tempo e regularidade treina a mente para operar em estados mais profundos da consciência e a transitar em diferentes níveis. Entende-se que os primeiros estágios de “treino” ou meditação são os mais difíceis. Os oito passos de patanjali, ou, o ashtanga yoga preparam o yogi para samadhi, mas a mente começa realmente a ser educada para a concentração extrema nos últimos: pratyahara (abstração dos sentidos), dharana (concentração) e dhyana (meditação). O tempo de “treino” para se atingir o Samadhi varia dependendo da intensidade do desejo de libertação do yogi, da regularidade da prática e dos samskaras (as impressões ou condicionamentos mentais). Como qualquer treino, a constância, a repetição e o tempo são determinantes na evolução. Ou pode-se, também, atingir samadhi através de Pranidhana, a entrega. Samadhi é o estado de presença e união, que nos permite experienciar o infinito, onde Yoga é o protocolo para alcançá-lo. Samadhi é quando o universo cabe em seu próprio corpo. Samadhi é Yoga.   Namastê

Filosofia do Yoga | 10 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Yoga Sadhana – Pratica de Yoga

Yoga Sadhana - Pratica de Yoga Sadhana é uma destas palavras em sânscrito que, às vezes, são utilizadas fora da aula de yoga não deixando uma pista do que significam.  Sadhana, em sanscrito, significa caminho, processo, disciplina ou serviço. Apesar de utilizada no meio espiritual, por se fazer presente através dos sutras de Patanjali, sadhana, originalmente, está relacionada a qualquer processo ou instrumento utilizado para se obter algo. Nesse sentido, todo esforço é um tipo de sadhana, porque leva à realização de um objetivo. Esta foi a intenção de Patanjali ao nomear o segundo capítulo dos yoga sutras de Sādhana pāda: descrever os meios para desenvolver o estado de Yoga no praticante. O capítulo é o manual que descreve as práticas para acessar nossa psique é através do físico.  Yoga sadhana é a pratica espiritual. Ser espiritual não quer dizer ser religioso, embora a espiritualidade possa estar sendo vivenciada através de um relacionamento pessoal com Deus, o Divino, Allah, Shiva... Ser espiritual é conectar-se com si. Limpar toda a turbulência do ego, separado do todo, para o reconhecimento do Eu superior e ilimitado. Patanjali apresenta Kriya Yoga e os oito passos do Ashtanga Yoga (yama, niyama, asana pranayama, pratyahara, dharana, dhyana e samadhi) como as ferramentas de autoconhecimento que levará o praticante de encontro ao Todo. A libertação dessa dualidade é feita com ações dentro e fora do tapete, que nos acompanham durante as 24 horas do dia e não somente no momento determinado para a prática de asanas ou pranayamas.  A prática física, ainda sim, é de alto valor para nos manter ancorados. Deixar de lado horários e demandas para estender o tapete diariamente desenvolve a autodisciplina necessária para expandir o yoga para as demais áreas da vida.  Essa pequena, porém importante, parte de seu sadhana pode significar alguns exercícios respiratórios ao acordar, procedimentos de purificação como o jala neti ( purificação das narinas) ou uma sequência exaustiva de asanas acompanhada de meditação.  Tempo e intensidade serão definidos pela sua disponibilidade em cada momento de vida e serão ajustados de acordo com as variáveis ao longo do caminho. Praticar não é sempre fácil, muitas vezes é desafiante, há momentos conflituosos e difíceis. O imprescindível é manter a constância e frequência para desenvolver a atitude correta perante as dificuldades.  Esta autodisciplina não deve ser compreendida pela ideia de algo obrigatório, rígido ou forçado, mas sim como treinamento para a mente, tirando do automático e trazendo consciência para o nosso dia a dia. Ações atentas e conscientes é que nos conduzem ao caminho espiritual.  Yamas e Niyamas, os primeiros passos sugeridos por patanjali no ashtanga yoga, correspondem a maneiras de pensar a agir que tem impacto direto no estilo de vida levada pelo praticante e nos mostram que ações conscientes vão muito além de respirar e se encaixar em posturas.  Muito mais do que se esforçar para estar no tapete diariamente, sadhana é a disciplina de levar uma vida de Yoga, 24 horas por dia, a cada dia um passo à frente, se mantendo no propósito.   Namastê! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 7 abr 2021 | Daniel De Nardi

O Yoga é praticado por mulheres na Índia?

O Yoga e as mulheres! O Yoga  moderno é praticado predominantemente por mulheres. Entretanto, historicamente sabemos que nem sempre foi assim. Talvez um dos mais nítidos contrastes entre os yogas modernos e antigos seja a divisão de gêneros entre os praticantes - especialmente para as tradições ascéticas indianas. ⁣ ⁣ Embora a prática do ascetismo e do Haha Yoga na Índia fosse predominantemente uma disciplina dominada por homens, há exceções importantes nos registros visuais e textuais de mulheres praticantes, como a pintura primorosa acima do Rajastão 1730 d.C. ⁣ E qual é a realidade hoje para sādhvīs (mulheres ascetas) que praticam Yoga na Índia contemporânea? Hoje em dia já tornou-se normal, a prática de Yoga feita por mulheres na Índia 🇮🇳 como se pode ver em práticas de Professores 👨‍🏫 de Yoga indianos populares 🧘🏻‍♂️ como Sri Babaramdev em que mulheres podem fazer normalmente. Isso tem permitido que líderes religiosas também ganhem destaque na filosofia do Yoga 🧘🏼‍♀️. Mesmo linhagens mais tradicionais já aceitam ascetas femininas, embora algumas iniciações não sejam transmitidas por homens a outras mulheres, mas elas podem conhecer as técnicas iniciáticas a partir de outras professoras 👩🏻‍🏫 de Yoga 🧘🏼‍♀️. Uma grande conquista para todos os yogins

tempo
Filosofia do Yoga | 6 abr 2021 | Daniel De Nardi

O valor do tempo

O valor do tempo Faremos agora um breve exercício mental para tentar definir o valor do nosso tempo. Assim, poderemos nos aproximar do quanto realmente vale cada minuto da nossa vida. Imaginemos que você tem uma informação que poderá destruir um conglomerado de empresas bilionárias. Então, pessoas contratadas por essas companhias o capturam para ameaçá-lo, com a seguinte proposta: - Você sabe exatamente porque teremos de matá-lo. No entanto, temos seguros que podem pagar qualquer valor pela sua vida. Queremos recompensá-lo de alguma forma; por isso, você poderá dizer qual o valor do seu direito de viver, que nós o doaremos aos seus familiares. É claro que, se a quantia de dinheiro estiver fora dos valores de mercado, você vai “dançar” e eles não ficarão com nada. Resumindo: nós vamos “apagar” você agora, aproveite a oportunidade para deixar sua família menos triste, e nos diga logo:   Quanto vale a sua vida?   new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-e-o-stress-ebbbd5c51665ef24833c-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Caro leitor, pense um pouco você mesmo sobre isso. Procure colocar-se realmente nesta situação. É claro que nenhuma fortuna do mundo poderá pagar o maior tesouro que possuímos, nossa vida. Não obstante, nesta situação, ou você diz uma quantidade de dinheiro ou simplesmente morre sem receber nada. Por isso, vamos repetir a pergunta e esperamos que você tenha pensado em alguma resposta.   Quanto vale a sua vida?   Digamos que você tenha falado um valor razoável, de um bilhão de dólares. Como já afirmamos, isto não chegará nem perto do seu direito de viver, mas de alguma maneira, esse dinheiro ajudaria a sua família. Agora, suponhamos que você viveria cem anos. Portanto, cada ano seu vale dez milhões de dólares: cada semana, quase US$ 200 mil: cada dia seu vale US$ 27.400,00 dólares: sua hora vale US$1.141,00. A questão que fica, depois de fazermos essa louca - mas reveladora - constatação do valor do nosso tempo, é a seguinte: você tem feito valer os U$1.141,00 dólares de cada hora da sua vida? Ou os U$ 27.400,00 de cada dia? Tem realmente aproveitado seu tempo disponível com atividades produtivas, que lhe acrescentem algo, que lhe façam uma pessoa mais feliz e realizada? Ou tem achado que não perderá nada em passar a tarde assistindo a alguma reprise na tv? O exercício nos chama a atenção para que aproveitemos melhor o nosso tempo. Para que não achemos que a vida é assim mesmo, um dia depois do outro, e que nada temos a perder quando desperdiçamos tempo, usando-o com coisas que não nos agregam nada. Temos muito a evoluir em nossa passagem pela Terra, muito o que aprimorar e muito a realizar. Portanto, não atrase a sua vida. Faça-a valer bem mais do que nossa conta. Desfrute a sua existência, seja feliz e aja para tornar o mundo um lugar no qual você as pessoas ao seu redor vivam cada vez mais felizes. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();