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Filosofia do Yoga


Dicas de Yoga | 26 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Para Incluir a Prática na sua Rotina

Para Incluir a Prática na sua Rotina Eu sempre recebo perguntas sobre como manter a prática ou como retomar após um tempo parado… Acredito que por ser praticante de Ashtanga Yoga e me beneficiar da prática diária e individual, as pessoas imaginam que eu saiba a “receita”. Digo receita por que nossa sociedade atual espera tudo pronto e fácil como se juntar ingredientes fosse fazer funcionar, quando na verdade, a mudança de hábitos é uma responsabilidade e um caminho exclusivamente seu. Sabe, eu nunca tive muitas dificuldades em ter disciplina, e provavelmente esta característica é até mesmo um defeito meu. Não se permitir falhar é um fardo grande onde não existe perfeição. Mas nessa luta para equilibrar tanta disciplina entre Tapas (autodisciplina) e Ahimsa (a não violência), eu estou aqui escrevendo para ajudar meus colegas Yogis que tem a dificuldade contrária, de criar novos hábitos, sair da zona de conforto, na intenção de dividir um pouco desse fogo transformador. A autodisciplina também faz parte dos 8 passos do Yoga descrito por Patanjali no Yoga Sutras. Tapas é um dos 5 Nyamas, as observâncias internas que o Yogi deve ter para seguir com sucesso o caminho do Yoga. Tapas é o esforço envolvido em todo processo de transformação, muitas vezes descrito como o fogo que queima as impurezas. É fazer o que deve ser feito, porque sim. Sabe quando, na infância, sua mãe te mandava fazer algo sem escapatória? Então, Tapas é sua mãe mental, que não deixa seu cérebro entrar na zona de conforto e comanda a execução do que é necessário.   “Tapas são disciplinas, na forma de votos ou decisões que negam a você mesmo alguma coisa que você gosta. Através da disciplina nasce o poder de lidar com os pequenos sofrimentos da vida diária aqui descritos como impurezas“ Gloria Arieira - O Yoga que conduz à plenitude   Certamente você usa essa autodisciplina diariamente para executar tarefas como sair para o trabalho no horário, escovar os dentes e etc. A principal dica que posso dar é que você encare sua prática como uma destas tarefas que são obrigatórias e naturalmente ela se tornará um hábito. Se você pratica em estúdio de yoga ou academia, realizar a matrícula como comprometimento inicial é muito fácil, mas ainda há o desafio de comparecer às aulas. Algumas das dicas abaixo também ajudarão quem precisa sair de casa para praticar, mas a intenção deste artigo realmente é ajudar aquelas pessoas que praticam em casa, e que enfrentam um desafio ainda maior de manter seu comprometimento mesmo distante dos olhos alheios. Então, vamos à elas:   Estabeleça um objetivo Não pratique Yoga para conseguir fazer posturas específicas. Existem atividades físicas muito mais eficientes para te ajudar a se tornar um contorcionista ou um expert em parada de mão. Se praticar pelas posturas a desistência será quase certa. Alguns dias seu corpo vai estar incrivelmente flexível e vai te dar prazer executar asanas difíceis, no outro será penoso tentar as mesmas posturas que você já está acostumado a fazer. O que vai te fazer manter a prática mesmo passando por uma fase física ruim, como durante o tratamento de uma lesão, por exemplo, é seu objetivo. Pratique com um objetivo maior e compreenda que a prática diária é um comprometimento de longa data com você mesmo e sua evolução. No início seu objetivo pode ser algo mais simples como relaxar para dormir bem, mas sua prática pode ser sua terapia, sua reza, seu auto-estudo e tudo ao mesmo tempo. Entenda o porque você quer praticar e mantenha esse foco em mente. Mantenha um horário fixo e pratique diariamente. Mesmo que por pouco tempo, comparecer em seu tapetinho todos os dias no mesmo horário estabelece um hábito. Idealmente se pratica de manhã, ao acordar, em jejum. Sim, o ótimo é inimigo do bom, e da mesma maneira que você não vai deixar de praticar se tiver somente 15 minutos livres, não deixe de praticar se seu cronograma não permite uma prática matutina.   Ajuste seu tempo de prática com suas atividades diárias e determine o melhor horário para este compromisso. Você pode ter 2hs para executar asanas 3 dias da sua semana, mas nos outros dias tudo que você consegue são 15 minutos de meditação, e tá tudo bem! Sabe aquele dia em que você jura que não consegue praticar, seja por cansaço, dor no corpo, doença ou estresse? Pratique! Talvez você se surpreenda com a sua prática neste dia, talvez você tenha um colapso emocional e traga a tona o que era preciso para se renovar energeticamente, ou talvez você desista no meio e deite no sofá. O importante é não criar expectativas de como sua prática vai se desenrolar, o foco aqui é praticar diariamente. Simplesmente faça! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Siga uma orientação precisa Não espere acordar antes do necessário para sua rotina diária e estar disposto a desenvolver uma prática do zero. Receita para o fracasso é acordar mais cedo ou chegar em casa cansado de um dia de trabalho e não estar certo do que vai fazer. Se você pretende seguir o caminho da prática em casa, e não pode assistir as aulas ao vivo do YoginApp, opte por seguir um método com séries fixas, como o Ashtanga ou utilize video aulas. Praticar por aulas gravadas traz um trabalho extra de programação do que você pretende fazer com certa antecedência. Crie uma lista com 5 aulas para a semana, por exemplo, e siga durante 1 ou 2 meses, depois renove sua lista para os próximos meses. Crie um ritual: Tome banho, acerte o nível de luz e acenda um incenso, ou qualquer outra coisa que faça você se conectar com o momento. Tomar um banho antes de praticar é realmente uma dica importante que dou para meus alunos. Retirar a energia pesada do sono ou de tudo que ocorreu durante o dia do seu corpo através de água corrente é renovador. E nunca pratique na cama ou com a mesma roupa que usou para dormir. Se puder, deixe tudo semi-pronto para o horário em que você se comprometeu, talvez seu tapete já estendido no chão e sua roupa de prática dobrada na bancada do banheiro para quando você acordar ou chegar em casa. O “cenário” funcionará como um gatilho para o seu cérebro fazendo-o lembrar da recompensa, que é como você se sente ao final da prática Pratique a presença e esqueça passado ou futuro no momento que antecede sua prática. A expectativa de sucesso ou fracasso baseada em experiências prévias ou a esperança de futuro podem contribuir para a procrastinação. Se você é daquele tipo de pessoa que vai começar na segunda, esquece. Inicie já. Sempre haverá um amanhã na sua mente para você adiar seus planos, mas seu corpo não conhece os dias de semana. Seu corpo está sempre no presente, ele não conhece esse seu amanhã, aprenda com ele. Pratique sempre como se fosse a primeira e última vez. Você conhece o plano das 24h dos alcoólicos anônimos? Ou, “só por hoje”? Trabalhe com expectativas de curto prazo e diariamente aplique a mesma meta. Se por acaso você falhar com seus compromissos em um dia, retorne no dia seguinte novamente como único, primeiro e último.   E acima de tudo, trabalhe sua auto-estima. Estar no tapetinho diariamente é uma demonstração de amor próprio. Não se esqueça de que praticamos também para nos tornarmos melhores para todos, partindo do princípio que nos tornamos primeiramente melhores para nós mesmos. Apesar de ser uma jornada solitária e desafiadora, a prática diária te torna altamente conectado consigo e independente.   Boas Práticas!  

Dicas de Yoga | 25 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Saucha – Limpeza Interna

Saucha Você possui rituais antes da sua prática? Como você se prepara? Sabe, uma coisa que eu sempre precisei fazer antes de praticar é escovar os dentes. Quando comecei a frequentar as aulas de Yoga, as aulas da noite se encaixavam melhor no meu cronograma, então eu ia direto do escritório onde trabalhava para a academia. Precisava chegar com tempo suficiente para me trocar e escovar os dentes. Não sei, mas de certa forma, me sentia mais limpa e confortável durante a prática. Nenhum dos meus colegas pareciam compartilhar da minha “mania”, mas fazia tanto sentido para mim que fiquei surpresa ao aprofundar meus estudos e conhecer o primeiro Niyama descrito por Patanjali no Yoga Sutras: Saucha. Os Niyamas são observâncias internas que o yogin deve ter.  Ao contrário dos Yamas, que são as observâncias externas, o compromisso em relação a todo o mundo, os niyamas trabalham um compromisso interno, com si próprio. Sendo os primeiros “passos” do Yoga nas descrições de Patanjali, os Yamas e Niyamas são considerados de extrema importância para a prática. Existe um motivo para que os Yamas e Niyamas venham antes de asanas na ordem de apresentação dos passos do Yoga. Ao trabalhar nosso corpo físico através da prática de asanas, estamos trabalhando e direcionando uma energia poderosa. Não devemos chegar ao tapete despreparados e com atitudes mentais e emocionais conflitantes com os princípios do Yoga. Saucha ou Shaucha pode ser traduzido como limpeza ou pureza, onde não só o corpo físico é considerado. Sendo o Yoga uma ferramenta para um trabalho holístico, essa limpeza se estende também para a mente e espírito se referindo a uma pureza do externo, do interno e até mesmo do ambiente. Essa limpeza mais óbvia, a do corpo, vai muito além do banho, do escovar os dentes e do lavar as mãos. Técnicas para limpeza de mucosas, algumas aparentemente estranhas para nós, chamas de Kryias são praticadas pelos Yogis mais dedicados há séculos. Alguns desses kriyas já foram incorporados no ocidente como, usar um lota com água salgada para limpar a mucosa nasal; praticar trataka para limpar os olhos; ou experimentar a respiração kapalabhati durante uma prática, mas outros requerem um pouco mais de comprometimento e alguma coragem como o varisara dhauti, onde bebe-se água morna com sal para evacuar e limpar os intestinos, ou o vamana dhauti, onde deve-se beber a água morna com sal e induzir o vômito para limpar o estômago. Ainda considerando a pureza física do nosso corpo, devemos cuidar também do que ingerimos. A escolha de alimentos saudáveis e a rejeição a drogas evita que nosso corpo tenha que lidar com substâncias tóxicas tornando a purificação através da prática física menos dolorosa e exigente. A limpeza física também está relacionada aos ambientes em que vivemos, nossas casas, locais de trabalho e especialmente o nosso local de prática. É comum neste caso fazer uma referência da organização do ambiente com a sua mente. Observe que quando seu quarto está bagunçado, geralmente suas emoções também estão. Em contrapartida, trabalhar em um ambiente organizado melhora sua produção. Ambientes claros, limpos e livres de acumulação contribuem para uma clareza mental. Esses dois tipos de purificações se chamam Bahir Shaucha (a externa) e Antah Shaucha (a interna). Antah Shaucha aborda uma limpeza energética, emocional e mental. Nossa mente quando não consciente, reage com base em impressões previamentes gravadas (impurezas), como um modo automático, em ciclos que se repetem. Você já ouviu que não se pode encher um pote que já está cheio? É preciso esvaziar-se para receber o conhecimento. Para nos livrarmos do lixo, é necessário trazer consciência para os nossos atos, deixando de agir pelo impulso da mente. Reconhecer e dominar nossas emoções e selecionar o que pensamos é o caminho para esta limpeza interna. Evitar vibrações baixas, músicas e filmes agressivos, apreciar a natureza, estar próximo de pessoas positivas são ações de purificação interna.   “E, da pureza da mente, [nasce] a satisfação da mente, a concentração, a conquista dos sentidos [e por fim] a preparação para o autoconhecimento” Yoga Sutras de Patanjali 2.41 “ Os sentidos oferecem informações sobre os objetos do mundo, então a mente responde com desejo, repulsa ou indiferença. Se a mente consegue se manter calma e satisfeita, há pureza da mente, que é o preparo necessário para o conhecimento do Eu.”  Gloria Arieira - O Yoga que Conduz à Plenitude   A meditação e a prática de asanas podem ser utilizadas para essa “faxina” interna. Tirar alguns momentos do dia para trazer consciência aos seu atos e observar seus pensamentos podem te renovar como um bom banho. A prática de asanas, além de trazerem bem estar, é uma ferramenta para purificação do nosso corpo, limpeza de canais energéticos e concentração mental.   Olhar para dentro é um trabalho difícil e normalmente doloroso. Ninguém quer olhar seu lixo interno principalmente porque, para limpar, em algum momento você vai precisar se sujar. Esse é o processo natural. Antes de encarar toda essa impureza, é importante reconhecer que você não é este lixo e não criar identificações com o que for encontrado. Na verdade, o verdadeiro Eu é aquele que está sufocado por toda essa bagunça que acumulamos.   Então deixo com vocês a mesma dica que dou aos meus alunos: antes de iniciar sua prática, tome uma banho e chegue ao seu tapete ou ao estúdio alguns instantes antes. Se você caminha até o estúdio, experimente tornar esta caminhada em uma meditação em movimento. Sobre o banho, muito mais do que retirar a sujeira material, a água corrente é capaz de renovar a energia absorvida no dia inteiro, se você pratica a noite ou mesmo aquele peso do seu sono, se você pratica de manhã. Se você não pode tomar banho, lave o rosto, as mãos, e, por que não, escove os dentes! Estes instantes logo antes do início, onde você só está “entrando no clima” podem mudar completamente a sua prática. Não só a tornam mais ritualística, como te dão um novo frescor físico e mental.   Acima de tudo que foi dito, é importante compreender que a pureza também é estar livre de julgamentos. Nada é essencialmente puro ou impuro. Não torne-se obsessivo com essa limpeza. Não julgue atitudes e pensamentos, sejam seus ou do outro como impuros. Aceitar nossa mente como ela é também é um exercício de presença. Saucha é falta de excessos, redução, simplicidade, para que possamos nos “limpar” da poluição desnecessária, do acúmulo material, mental, energético e emocional.   Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

pranayama respiração
Filosofia do Yoga | 23 nov 2020 | Fernanda Magalhães

O primeiro de oito passos – Yama

O primeiro de oito passos - Yama   Ainda seguindo nossa temática sobre os Yoga Sutras de Patanjali, hoje nosso texto vem trazer o primeiro passo a ser dado em direção a transformação mental. No segundo capítulo dos Sutras, Patanjali aborda o processo espiritual em oito etapas de desenvolvimento (ashtanga), onde Yama é a primeira. Yama (sanscrito) é uma palavra que deriva da raíz YAM, que significa refrear, domar, dominar. Por isso pode ser comparado com restrições, por descrever o que deve ser evitado para o crescimento espiritual. “ahiṁsāsatyāsteyabrahmacaryāparigrahāḥ yamāḥ” - Yoga Sutras de Patanjali, 2:30 Não agir com violência (ahimsā); falar a verdade (satya); não roubar (asteya); não desvirtuar a sexualidade (brahmācārya); e não praticar o apego (aparigrāha) tratam das nossas relações com o mundo..  Os domínios a serem refreados com conhecimento dos Yamas referem-se aos impulsos naturais e inerentes dos seres vivos, que se manifestam através dos cinco órgãos de ação: braços, pernas, boca, órgãos sexuais e excretores. Estes instintos, se soltos e desregrados, provocam como consequência, o sofrimento. São considerados códigos de ética do Yoga por permitir que se viva em paz e harmonia com tudo que nos rodeia. Por trazer esse benefício em relação a vida em sociedade ao serem seguidos, os Yamas às vezes são confundidos com regras como as morais e religiosas. Esta comparação não reflete a verdade, pois o principal objetivo de Yama é eliminar perturbações mentais e emocionais e tornar o pensamento coerente.  Como estar com a mente centrada se há preocupações em relação às suas ações perante outro ser? Pessoas com saúde mental não encontram a paz se mentem, roubam e causam danos a outras pessoas. É preciso limitar as perturbações antes de prosseguir no caminho do controle da mente. Mas essa mudança precisa vir de uma busca voluntária e tolerante consigo mesmo. Ahimsa por exemplo, a não violência, precisa começar consigo mesmo se privando de hábitos destrutivos, pensamentos negativos e emoções reprimidas. As vezes, colocar muito esforço em uma postura de Yoga pode ser uma forma de violência.  Não é simplesmente uma forma passiva de não violência ao refrear seus impulsos, mas sim uma mudança interna refletida no exterior e na relação com o outro. Assim também acontece com todos os demais Yamas. Como falar a verdade (satya) se não a conhecemos? A “sua” verdade é real ou estabelecida pelas convenções do seu meio social?  Para não criar máscaras e assumir comportamentos hipócritas, antes precisamos praticar o autoconhecimento.  Asteya - não se apropriar do que não te pertence nasce na libertação do desejo naquilo que não é seu. Tem muita proximidade com aparigraha, o não apego. Se não há desejo pelo o que está além do essencial, não há desejo posse do que não te pertence. Bens materiais, status social, memórias, pensamentos, sensações, aversões e finalmente, outros seres vivos, o que te pertence? Revendo os conceitos do que realmente te pertence, se nessa existência tudo é passageiro, estamos todos temporariamente utilizando os objetos materiais, incluindo nosso próprio corpo?   Brahmacharya é reconhecer que a energia sexual é tão preciosa que não deve ser desperdiçada, mas sim direcionada para a criação. E isto pode não ter relação com o ato sexual. Há muitos celibatários que não praticam brahmacharya. Então para mim, os yamas são muito mais do que codigos de etica. São reflexos de uma mudança interna de desprogramação de condicionamentos resultantes de ideologias, tradições e valores impostos pela sociedade dando uma liberdade além dos preconceitos. Reflete a forma com que nos relacionamos conosco para que possamos transbordar para o outro, demonstrando essa consciência e solidariedade.  Yama é o inicio e a base da reforma interna.    Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

navasana, postura do barco
Dicas de Yoga | 22 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Navasana sem preconceitos

Sem preconceitos! Navasana foi uma das posturas sugeridas por mim no texto Criando uma Base para o seu Sirsasana como uma postura preparatória, mas este asana, em si, já constitui um grande desafio para muitos praticantes. Acredito que ao lado de chaturanga dandasana, é a postura mais mal falada e temida. Dá para sentir no ar o preconceito dos alunos no momento em que o professor dita: Navasana... Podemos olhar para Navasana, como temos feito com os outros asanas, pela visão sutil, para compreender quais são esses desafios propostos na execução. Navasana exige uma boa dose de força e equilíbrio, uma sabedoria na balança do esforço e suavidade. Contribui para desenvolver coragem e determinação no praticante. Desenvolve vitalidade e calor trabalhando o manipura chakra, ou plexo solar. O Plexo Solar é o centro da vitalidade, auto afirmação e energia pessoal. Localizado acima do umbigo, próximo às costelas, é o chakra mais influenciado pelas nossas emoções, tanto positivas quanto negativas.   É essa vitalidade, e o equilíbrio das polaridades que vai permitir que seu barco não afunde. Então muito mais do que uma postura de força, Navasana te exige sabedoria na distribuição da sua atenção e esforço para manter um estado mental mais equilibrado independente do desafio a ser encarado. Essa sabedoria começa mesmo na execução da postura. Talvez você esteja forçando demais a subida de suas pernas sem dar a atenção necessária á base, no assoalho pélvico. A postura exige sim uma boa dose de força na musculatura do seu tronco, mas tudo começa no equilíbrio da pelve, onde nosso querido uddiyana bandha (a sucção do baixo ventre) dá aquela grande contribuição. O acionamento deste Bandha ajuda na estabilização do peso do seu corpo na área da pelve enquanto traz as coxas próximas ao abdome. Se você executar o movimento de aproximar as coxas do tronco sem acionar o uddiyana bandha, sua coluna naturalmente se curva e seu corpo tomba para trás. new RDStationForms(\'e-book-as-origens-da-meditacao-e-do-yoga-84b39b698136958eda59-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Navasana Navasana também é uma ótima postura para avaliar a influencia do ego. Os praticantes normalmente se dividem entre aqueles que querem subir os pés esticando as pernas a todo custo e aqueles que nem tentam porque se acham fracos demais. Nos dois casos é o ego quem fala. Só se conquista um navasana estável por muitas respirações compreendendo os seus limites reais e enfrentando os desafios, ficando mais forte. Para entender a variação ideal de Navasana para você, sente-se com joelhos juntos e dobrados, as solas dos pés no chão. Ative o assoalho pélvico. Deixe que a base de sua pelve se arredonde suavemente, acomodando seu peso no espaço entre os ísquios e o cóccix. Acione mula bandha e uddiyana bandha. Se você tiver uma protuberância óssea na área do cóccix, utilize uma base mais arredondada. Em seguida, na inspiração, crie espaço entre as suas vértebra s alongando o tronco. Mantenha as mãos nos joelhos sem segurá-los e vá inclinando seu tronco para trás balanceando o peso de suas pernas na tentativa de tirar seus pés do chão. Solte um pouco as mãos dos joelhos mantendo os braços esticados paralelos ao chão e as palmas uma voltada para outra. Se esta variação ainda é um desafio, mantenha a pontinha dos pés no chão. Para quem se sente confortável, a subida das pernas vai acontecendo gradualmente até que o equilíbrio dentro da postura completa seja conquistado e você possa olhar as pontas dos dedos dos pés.   Os benefícios físicos da postura do Barco são o fortalecimento dos músculos abdominais e os flexores do quadril; a melhora da saúde de todos os órgãos abdominais, especialmente do fígado e dos rins, contribuindo na desintoxicação do corpo e estrutura o tronco, melhorando dores na coluna por má postura. Para melhorar o alongamento dos isquiotibiais e aprofundar seu navasana, trabalhe em adho mukha svanasana, o cachorro olhando para baixo, a elevação dos ísquios ao teto. Se você olhar a foto do navasana de cabeça para baixo, verá que as duas posturas possuem um ângulo de flexão de quadril similar. Na mitologia, o barco representa a travessia, a jornada a expedição. Encare navasana como essa grande viagem de autoconhecimento ao seu centro e não como um obstáculo a ser ultrapassado. Boas práticas!

Filosofia do Yoga | 19 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Niyama – O Segundo Passo

Niyama! Continuando nosso assunto sobre os Yoga sutras de patanjali, e, passando para o segundo passo apresentado por ele, me dei conta de que já tornei tema de meus textos semanais 4 dos 5 Niyamas do Yoga. Os Niyamas possuem grande impacto na mudança de vida do Yogin e ainda sim ficam sempre em segundo plano. Talvez por isso eu tenha, inconscientemente, querido destrinchar essa parte do yoga tão essencial para o cultivo da autodisciplina e força interior. Quando iniciamos na jornada do Yoga, em geral, buscamos apenas um bem estar, físico ou mental e naturalmente nos conectamos com essa filosofia através da parte mais palpável, os asanas, ou posturas psico-físicas.  Com o tempo de prática, algo nos convida a buscar mais profundidade, algo além do relaxamento físico. Nessa busca pela paz interior, nos deparamos logo com os conceitos de Yamas e Niyamas, ou, o código de ética do Yoga. Os Yamas superficialmente aparentam ser regras de convivência em sociedade, e nós, quando acostumados com a criação religiosa, nos sentimos confortáveis com esse tipo de orientação.   Mas e os Niyamas?   O prefixo \'Ni\'  em sânscrito significa \'para dentro\' ou \'dentro\'. Niyama, então, são ações que tomamos internamente para aperfeiçoamento próprio, ou sugestões sobre como podemos nos relacionar com nós mesmos, corpo, mente e espírito.  Ao contrário dos Yamas, que possuem conotação negativa de proibição, abordando o que deve ser evitado pelo Yogin, os Niyamas são ações positivas que contribuem para a qualidade de sua vida, criando um ambiente saudável e permitindo alcançar nosso potencial. Os Niyamas abordam a forma como o Yogin deve tratar a si mesmo. Podemos também considerar os Niyamas como observâncias que assumimos para crescer na prática, pois estabelecem um ambiente interno positivo para o desenvolvimento espiritual.   Os 5 Niyamas são:   Shaucha - a limpeza ou purificação   Samtosha - o contentamento   Tapas - a autodisciplina ou esforço sobre si mesmo   Svadhyaya - o auto estudo, ou estudo das escrituras   Ishvara Pranidhana - devoção ou entrega a Deus   Então, enquanto os Yamas produzem resultados evidentes nas escolhas de vida de um Yogin, os Niyamas são sutis e pessoais. São ações realizadas internamente em uma busca solitária, onde não é possível receber aprovações externas, deixando claro, na minha visão, a correlação com o amor próprio e o relacionamento que criamos com nós mesmos.    Nada além do desejo de progresso pessoal pode nos mover em direção a mudança interna.   As ações incentivadas pelos conceitos dos Niyamas são benéficas no equilíbrio de vida daquele que as aplica, somente. E é necessário um conhecimento de si mesmo para que este movimento aconteça.   Por alguns anos pratiquei sem conhecimento da “ordem” apresentada por patanjali nos sutras e, como grande maioria dos ocidentais, iniciei pelos Asanas, pulando os Yamas e Niyamas.   Foi importante para mim iniciar pela reconexão com meu corpo para então direcionar esse movimento rumo ao desenvolvimento espiritual. É nesse momento de intimidade com o próprio corpo que começamos a nos reconhecer. As lutas internas sobem à superfície e os questionamentos e condicionamentos são acolhidos para que possamos nos desidentificar com eles. Ocorre então uma integração mental e psíquica - solo fértil para os próximos passos.   Entendo hoje que essa ordem não necessariamente deve ser encarada como uma escada com degraus a serem subidos um a um. Os quatro primeiro passos (Yama, Niyama, Asana e Pranayama), aplicados em conjunto como prática, trazem o estado necessário para o alcance dos demais (Pratyahara, Dharana, Dhyana e Samadhi).   Praticar os Niyamas é uma jornada e um processo. Aplicá-los na vida não deve ser algo imposto ou sofrido para o Yogin. Deve ser algo que surge de dentro para fora, partindo de um nível de integração mente e espírito, independente de qual passo foi dado primeiramente na jornada do Yoga.   Se como eu, seu primeiro passo foi com Asanas, não com Yamas, e até agora você nem mesmo conhecia os niyamas, abrace a oportunidade de aplicá-los não julgando a si mesmo e ao passado.    Se você quer conhecer meus artigos sobre os Niyamas, deixo abaixo os links:   Saucha Santocha Tapas Pranidhana   E prometo completar a lista falando sobre Svadhyaya em breve. Até lá!   Om Namah Shivaya   Clique abaixo e baixe agora o Ebook GRATUITO - Yamas e Niyamas - o estilo de vida yogin  

Yoga e experiencia
Filosofia do Yoga | 14 nov 2020 | Daniel De Nardi

Yoga é experiência

Yoga é experiência O título pode ter diferentes interpretações. De um lado, experiência no sentido de tempo de prática, um dos fatores mais importantes para quem busca estados de meditação. Praticar com constância durante um longo período de tempo é condição sine qua non para a evolução de qualquer atividade. É o que no alpinismo chamam de volume de montanha. Se você não fez várias montanhas de 6000 metros, dificilmente alcançará o Everest. Estados de meditação também dependem de progressivas conquistas e isto só conseguimos com o treinamento de alguns anos. A mesma frase pode ter o significado de vivenciar - o Yoga acontece da pele para dentro. Quando o YogIN App vê um ginasta olímpico se apresentando no solo, sabe, que apesar do atleta atingir níveis muito superiores ao dele em termos de performance de alongamento e força, o atleta não está necessariamente praticando Yoga. O Yoga é experiência. O Yoga não acontece quando você toca a testa no joelho. O Yoga acontece quando você se sente tocando a testa no joelho. Naquele momento, se você estiver praticando Yoga verdadeiramente, estará percebendo sua respiração, mentalizando descontração para os músculos, vivendo profundamente a experiência - fazendo Yoga. Assim como não basta tocar a testa nos joelhos, tampouco adianta simplesmente fechar os olhos e ficar pensando no que está acontecendo longe do mat. O Yoga exige atenção. Como vimos acima, ele não existe sem um direcionamento de foco. Pode ser um exercício de alongamento ou uma técnica de respiração muito eficaz, mas não é Yoga. Para que a experiência da prática aconteça, você precisar se esforçar para manter-se dentro, introspecção e atenção direcionada é o que produz a experiência do Yoga. Quando feitas por um longo período de tempo, temos o título do artigo com duplo sentido.  

Filosofia do Yoga | 11 nov 2020 | Adri Borges

Você sabe o que é DHARANA?

Você sabe o que é DHARANA? DHARANA em Sânscrito significa CONCENTRAR. A CONCENTRAÇÃO é um dos pré-requisitos para a MEDITAÇÃO. Ela é uma das partes do Yoga, citadas por Patanjali, em o Yoga Sutras. DHARANA concentração, DHYANA a meditação e SAMADHI a absorção, são conjuntamente chamados de Samyama. Os 3 constituem o processo natural de meditação. A CONCENTRAÇÃO é o ato de fixar a mente em algum lugar. Segundo Gloria Arieira, não se trata somente de fixá-la em um ponto, mas de estabilizá- la em algum assunto como exercício. A mente pode focar um ponto, como o ponto entre as sobrancelhas, o coração, ou o topo da cabeça. Através deste exercício de firmar a mente, ela pode aprender a se libertar da agitação. O exercício de concentração, disciplina a mente, possibilitando a meditação como diz Sri Krsna no verso 6.26 da Bhagavadgita: “Seja qual for a razão pela qual a mente inconstante e sempre em movimento se disperse, que a pessoa afastando a mente dessa razão, traga-a de volta sob seu controle.” CONCENTRAR é um estado da mente e significa que a mente está focada em um único ponto. Em geral nossa mente está sempre se movendo e quando ela se move é desafiador pensar apenas em um assunto. Concentrar é ser capaz de esquecer o mundo à volta e colocar toda a sua consciência em uma única coisa. Segundo Osho a CONCENTRAÇÃO é a restrição da sua consciência. Quanto mais restrita ela se torna mais poderosa ela será. Para se concentrar é necessário esforço. A concentração não é natural para a mente. É natural da mente se dispersar. Segundo Iyengar, em Luz sobre o Yoga, DHARANA é quando o indivíduo está totalmente concentrado e um único ponto ou tarefa que o absorve completamente. Ele completa dizendo que é preciso pacificar a mente para atingir esse estado de completa absorção. A mente é um instrumento que classifica, julga e coordena as impressões do mundo exterior assim como as que surgem dentro do indivíduo. Uma das mais poderosas técnicas utilizadas nas práticas de Yoga para ajudar a mente a se concentrar é a RESPIRAÇÃO CONSCIENTE – PRANAYAMA. Leve toda a sua atenção para a sua respiração. Apenas observe a entrada e saída de ar através de suas narinas. Coloque uma mesma contagem mental para sua inspiração e sua expiração. Leve toda a sua atenção para a sua contagem mental. Quando levamos nossa atenção para nossa respiração, há um cessar das oscilações da mente nos permitindo assim estar em nosso momento presente. Outra técnica utilizada para a CONCENTRAÇÃO é a repetição de mantras que pode ser tanto mental ou por meio da vocalização. O OM é o som sagrado e primordial que nos conecta ao divino. A vocalização através de repetições ajuda no cessar das oscilações da mente mantendo-a concentrada induzindo assim a um estado meditativo. Sua vibração sonora produz efeitos também no corpo físico e energético Nas escrituras sagradas da Índia, a recomendação é vocalizar OM 11 X diariamente. Esta prática traz vitalidade,poder e proteção. Sente-se com suas pernas cruzadas, coluna ereta, queixo paralelo ao solo e mentalmente repita o mantra OM. Experimente também, sentar-se com a pernas cruzadas, mantendo seu olhar fixo à chama de uma vela. Esta exercício de limpeza do globo ocular (kriya) denominado TRATAKA , também é uma ótima maneira para você praticar a CONCENTRAÇÃO. Coloque uma vela à sua frente e mantenha seu olhar fixo à chama da vela por alguns minutos. É importante você colocar a vela em um posicionamento onde seu queixo permaneça paralelo ao solo e sua coluna alinhada. Feche seus olhos e continue mesmo que mentalmente visualizando a chama da vela entre suas sobrancelhas.   Clique aqui e assista agora uma Aula Restaurativa. Boa Prática.

Filosofia do Yoga | 10 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Yoga é para Todos – 3 Mitos sobre Yoga para Quebrar seu Preconceito

Yoga é para Todos - 3 Mitos sobre Yoga para Quebrar seu Preconceito Quase todo mundo já ouviu falar de yoga, mas ainda hoje, existem equívocos na compreensão do que é essa prática milenar.   Quem é o praticante de Yoga? Ou, quais os requisitos para a prática de yoga?   “Sou muito duro”, “não consigo ficar parado”, “mas eu já faço crossfit/ natação/ corrida”… são algumas das justificativas dadas para não se praticar yoga.   Existe uma frase famosa de  SRI K Pattabhi Jois que diz que Yoga é para todos, menos para os preguiçosos.   Mas, talvez, nossa “ocidentalização” do yoga, que mostra a prática como uma performance acrobática realizada por mulheres magras e longilíneas seja o culpado pela má compreensão do que vem a ser um estudante de Yoga.   Sim, digo estudante de Yoga para introduzir o primeiro mito em questão:   1.Yoga é atividade física Eu mesma já escrevi aqui no blog sobre a questão de yoga ser confundido com atividade física por conter componentes relacionados ao movimento do corpo em parte de suas técnicas. Sim, existe a parte física, que pode ser, dependendo da sua pratica, bem exigente. Mas as posturas, ou asanas, são apenas um dos componentes da tradição.   Yoga é uma filosofia que trata da relação com a mente. Sim, mente. O objetivo do Yoga é sempre um trabalho interior, mesmo quando acessado pelo corpo. Através de técnicas, que incluem a execução de posturas psicofísicas, é traçado um caminho para o controle das flutuações da mente. Estas flutuações são as camadas que adquirimos ao longo da vida e nos impedem de ver o verdadeiro Eu. Yoga é o caminho para conhecer este Eu verdadeiro, inteiro e feliz. Yoga é autoestudo.   Nunca apenas o físico pelo físico. O corpo é o instrumento para acessar camadas mais sutis.   Por isso não há comparação entre Yoga e pilates, como é comum de acontecer, ou qualquer outra atividade de capacitação física. Os objetivos são diferentes, pois yoga é o que acontece por dentro.   2. Yoga é para pessoas flexíveis e magras Não existe corpo certo para a prática de Yoga. Se yoga não é uma atividade física, não há sentido em existirem atributos físicos que tornem a pessoa apta ou não à prática de yoga. Tamanho, sexo ou idade não definem um praticante de Yoga.   A prática física é apenas uma parte do Yoga, mas ainda assim, qualquer asana é passível de variações que se encaixem ao seu corpo. A não ser que você esteja com a ideia de praticar yoga para postar a foto no instagram, sua prática será bem sucedida independente da sua estrutura física. Porque yoga não é sobre a postura perfeita, ou sobre se sobressair. Não se guie pelas imagens de asanas aparentemente perfeitos em fotos nas redes sociais. Como disse B.K.S Iyengar: \"A mente é a parte mais difícil de se ajustar no asana.\" e isso não se vê em fotos.   Yoga é para experimentar, descobrir seus limites e criar intimidade com seu próprio corpo. Relaxando a tensão de exercer o desempenho criado e esperado por nós mesmos, nasce espaço para uma flexibilidade que você nunca viu em si.   A flexibilidade, é sim uma boa consequência da prática de asanas, não um pré-requisito. Ao contrário, uma pessoa que inicia a prática de asanas com muita flexibilidade no corpo tem dificuldade de encontrar o desafio necessário a ser enfrentado para que aconteça o crescimento. Se tudo é muito fácil para ela, também é fácil permitir que a mente se distraia.   A liberação das articulações e alongamento dos músculos é uma conquista trabalhada nos níveis físico, emocional e espiritual. A flexibilidade adquirida no yoga é resultado da prática de tapas (autodisciplina) e ahimsa (não violência) dentro do tapete.   Eu já ouvi, inclusive, que a inflexibilidade é uma benção.   3. Yoga é muito parado Bom, dizer que yoga é parado chega a ser engraçado para quem já praticou métodos dinâmicos de sequências de asanas. Mas a questão principal é que se você se considera muito agitado para ficar parado, isso significa que você precisa aprender a ficar parado mais do que quem tem facilidade para isto.   Yoga é sobre equilíbrio e existem diversas técnicas capazes de desacelerar a mente mais agitada. Um dos benefícios da prática é proporcionar relaxamento.   Da mesma forma, a pessoa muito apática colhe os mesmos benefícios, pois equilibrando corpo, mente e emoções, evitamos a oscilação destes extremos, preservando nossa energia.   Além de tudo, estar parado não significa estar sem fazer nada. Mas se você tem muita dificuldade com permanências, busque uma prática dinâmica que te leve da agitação ao relaxamento através do movimento. Existem diversos métodos de aprendizado de Yoga e um deles é compatível com seu momento, experimente.   E, acima de tudo, divirta-se com o processo.   Namastê!   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Filosofia do Yoga | 7 nov 2020 | Fernanda Magalhães

Muladhara

Muladhara No artigo passado falamos sobre a relação entre as posturas de pé e o chakra básico, o muladhara chakra. O chakra básico, sendo o primeiro da fila, está mais conectado ao material, à terra e nossas necessidades de sobrevivência. Se nosso objetivo no yoga é crescimento espiritual, tendemos muito a valorizar os chakras superiores, que estariam ligados à iluminação, dando pouca atenção aos chakras inferiores. Mas calma, vamos passar rapidamente por alguns conceitos sobre os chakras para compreender a importância da nossa raiz. Chakras são os vórtices circulares de energia espalhados por todo nosso corpo energético. Sete deles, são os mais importantes e estão posicionados em sete pontos diferentes ao longo da coluna vertebral. Eles são carregados e recarregados através do contato com a corrente de energia cósmica na atmosfera ou Prana. Então, considerando o alinhamento dos sete principais chakras na coluna é como se possuíssemos um tubo que permite a energia subir e descer do topo da cabeça a base do assoalho pélvico. Podemos considerar que somos como flores, nos voltamos a luz pelo topo, mas nos alimentamos da terra a partir da base. Essa conexão entre nossa raiz e a luz é feita nesse “tubo de energia”. Nosso nosso tubo energético “entope” ocasionalmente por causa de questões emocionais, causando problemas físicos ou mentais. Estes problemas podem se apresentar na forma de fechamentos emocionais e físicos. Como os ombros para frente e para baixo de quem está deprimido e sentindo-se só, “protegendo” seu chakra cardíaco. Ou com a hiperatividade de um chakra laríngeo, por exemplo, que faz uma pessoa falar demais deixando-a com dificuldade de ouvir o outro. Podemos cuidar para manter livre o fluxo de energia através do equilíbrio entre os sete chakras através da prática de asanas, pranayama e meditação. Nosso chakra raiz, que fica na base da coluna, simboliza nosso relacionamento com a terra e com o material, influenciando nossa vitalidade, paixão, vontade de viver e instinto de sobrevivência. Está relacionado com nossos sentimentos mais básicos e primários e instintos primitivos. Ele traz a necessidade do pensamento lógico e da ordem em nossas vidas. Há também uma relação deste chakra com nossas estruturas de sustentação, pés, pernas, quadril, coluna, ossos e músculos. Por isso, um muladhara chakra desequilibrado gera insegurança.   Nosso primeiro chakra carrega registros de nossos ancestrais e praticamente todos experimentamos desequilíbrio neste chakra iniciando a existência a partir de memórias de guerra, fome e desastres naturais. Passando de geração a geração padrões inconscientes. O mais instintivo de todos os chakras, é o que inicia a reação de fuga frente a uma ameaça. Quando em desequilíbrio, gera a resposta de reação a ameaças não reais, incluindo as reações aos padrões inconscientes herdados de gerações anteriores e grupos sociais onde estamos inseridos. Pessoas com mente inquieta possuem dificuldade de “aterrar”, necessitando de estímulos para este chakra. Como dito no texto da semana passada, vivem mais na mente do que no corpo gerando dificuldade de materializar as ideias.   Clique abaixo e conheça o Curso - Práticas para os Chakras       Muita atividade no muladhara provoca agressividade e materialismo, muito apego ao corpo e dificuldade de conectar com a sensibilidade. Mudanças, que simbolicamente tiram nossas raízes, podem gerar o desequilíbrio do muladhara. Não só mudanças físicas de residência, cidade ou país, mas também demissões, alterações na constituição da família ou no corpo provocam a sensação de insegurança típica do desequilíbrio energético do chakra básico. Neste desequilíbrio nasce o medo e, as vezes, o apego. A necessidade de se sentir seguro através de um objeto exterior ao próprio corpo é a prova da falta de confiança de que tudo que precisa será fornecido a você através de suas próprias raízes. Este objeto pode ser dinheiro, um emprego estável, um cônjuge ou nossos pais. Qualquer coisa onde podemos segurar e criar a falsa sensação de que estamos salvos ali. O grande propósito deste chakra, é nos desafiar a praticar o desapego e vencer os medos. Para toda transformação há necessidade de estabelecer base firme e permitir florescer. As posturas que trabalham nossos pés, pernas e base da coluna nos trazem a sensação de estar em casa em nosso próprio corpo desenvolvendo coragem de enfrentar os desafios. Os sete chakras são importantes e, equilibrar um chakra pode provocar mudanças em outro chakra, mas antes de tentar trabalhar nossos chakras superiores, é importante equilibrar o raiz primeiro. Sem este chakra equilibrado, não temos a estabilidade e a segurança necessária para a transformação.   Namaste!   new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();      

Filosofia do Yoga | 4 nov 2020 | Daniel De Nardi

Ganesha e Skanda – quem vale mais?

Ganesha e Skanda, filhos de Shiva. Um dia, os dois filhos de Shiva fizeram uma aposta que quem desse a volta ao mundo mais rápido seria o favorito dos pais. Veja o que aconteceu. https://youtu.be/_ba0xE8ygJI    

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