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pés de yogins
Dicas de Yoga | 1 maio 2021 | Fernanda Magalhães

Pés de Yogins

Pés de Yogins Há alguns meses a Adri Borges escreveu um artigo sobre um assunto tão importante quanto negligenciado no Yoga e na vida, sobre como ficar corretamente de pé. Porque como acontece no tapete, acontece fora dele, temos tendência a não observar os detalhes mais importantes e básicos quando não estamos exercitando a presença. A ansiedade gerada pelo fluxo constante de estímulos e cobranças do mundo moderno faz com que a gente queira resultados rápidos olhando sempre tão a frente que acabamos por pular etapas de uma construção de caminho.   Se você ainda não leu “A Maneira Correta de Ficar em Pé” da Adri, segue o link: https://yoginapp.com/454684-2/#axzz5Y34P253S . Lendo este artigo, me veio a mente que precisávamos falar sobre nosso pés! Prestar atenção no modo como seus pés se conectam com a Terra pode corrigir problemas nos pés e tornozelos. Sendo nossa base, eles têm o poder de impactar todo o resto de nossa estrutura física, sobrecarregando joelhos e a coluna vertebral quando usados em desequilíbrio.   Conceitualmente todos sabemos quanto importante é a base em um projeto (seja um negócio, um asana ou a criação de uma criança), mas na prática, e digo isso também com minha experiência como arquiteta e não só como professora de Yoga, colocamos todo o valor no que vem acima. Porque, às vezes, a base de uma construção não é nem mesmo possível de ser vista.   Nossos pés são a parte do corpo mais distante de nossa cabeça, talvez por isso tenhamos a tendência a negligenciá-los tanto. Eles ficam alí, o tempo todo só sustentando todo o peso do seu corpo até que você machuca um de seus pés e percebe sua importância. O desequilíbrio de ter um dos pés em funcionamento alterado é um impacto enorme no esforço da sua musculatura para se reequilibrar. E, posso dizer por experiência (após machucar o dedo do pé caindo do pincha mayurasana) a sua musculatura sofre, e você sente!   Agora imagina o impacto de levar uma vida com os pés em desequilíbrio? É claro que todos temos as nossas compensações no corpo como consequência da falta de simetria entre os lados direito e esquerdo, mas existe uma grande quantidade de ações impactando esse desequilíbrio que podem ser suavizadas com uso de consciência corporal.   Os pés são uma das partes do meu corpo que mais mudou com o Yoga. Não só sua forma, mas também como posiciono eles no chão. Lógico que reduzir o uso de sapatos apertados nesse período contribuiu, mas eu considero inclusive essa redução, uma consequência do ganho de consciência corporal. Porque só é possível maltratar seus pés em um sapato apertado se estivermos desconectados do sentir.   Então, o primeiro passo para essa nova consciência é trazer a atenção para os pés. Em Tadasana, como você sente os seus pés no chão? Feche os olhos e observe. Talvez você tenha tendência a colocar seu peso na borda interna do pé, fazendo as pernas se curvarem para dentro, ou na borda externa, fazendo um leve giro externo nos joelhos. E talvez ainda esteja tão desconectado do sentir seus pés que não consiga perceber, então, olhe a sola dos seus sapatos. Eles tendem a estar mais gastos onde você coloca mais pressão e peso.   Use essa análise ao entrar em tadasana e comece a brincar com a mudança do peso para cada parte dos seus pés. Tente sempre separar bem os seus dedos e espalhar o pé no chão. Se ajudar, puxe seu metatarso (ali, na linha do dedão) com as mãos para o mais distante possível da borda externa dos seus pés. Assim, com os pés bem espalhados, ative o arco de seus pés como se “sugasse” eles para o alto. Para quem está familiarizado com o uddiyana bandha, é como se fosse aplicado algo similar no arco dos pés, você vai realizar uma troca com o chão. Enquanto seu peso empurra o chão igualmente em todas as partes do seu pé que estão apoiadas, você tem a sensação de puxar a energia do chão com o arco dos pés.   Assim como a má distribuição do peso corporal pode gerar compensações no corpo durante nossa vida, o alinhamento dos pés durante a execução de ásanas pode ter um impacto profundo na postura como um todo. As posturas executadas em pé podem ajudar a construir uma base sólida e estável nos pés, quando executadas com essa consciência. Alongamentos podem aliviar os músculos tensos, os ligamentos e os tendões.   Vamos agora cuidar de nossos pés com algumas posturas, alongamentos ativos e passivos e até massagens. Lembre-se sempre de exercitar a presença em cada uma das atividades sugeridas a seguir.   Adho Mukha Svanasana - Cachorro olhando para baixo Asana excelente para alongar toda a parte posterior do corpo, e em especial, tratando-se dos pés, as panturrilhas e o tendão de aquiles. Aqui o importante é tentar levar seus calcanhares ao chão, mesmo que estejam distantes. A intenção é o que importa e não de fato que eles toquem o chão (quem sabe um dia? ;)) Aproveite para dobrar o joelho direito em direção ao esquerdo levando mais peso para o calcanhar esquerdo e repita do outro lado.   Virasana - Herói Ajoelhe-se com joelhos posicionados na largura do quadril e afaste um pouco os pés para que possa se sentar entre eles. Seus calcanhares ficarão bem ao lado do quadril, um de cada lado. Se seu quadril não conseguir alcançar confortavelmente o chão ou se sentir dor nos joelhos, coloque um bolster ou um bloco entre as pernas para apoio do quadril. Virasana com bloco   Vrksasana -  árvore (variação com bloco) Com um dos pés sobre um bloco eleve a outra perna com o joelho dobrado e rotacionado para fora, apoiando o pé no tornozelo, canela ou coxa (nunca no joelho) da perna que está suportando o peso do seu corpo. O bloco vai desestabilizar o equilíbrio do pé que suporta o peso e ajudar a fortalecer os músculos. Certifique-se de não agarrar o bloco com os dedos dos pés como na foto:   Dandasana - Bastão Sente-se com a coluna longa e pernas estendidas à frente. Talvez, dependendo do seu nível de alongamento, seja necessário elevar o assento com um bloco ou almofada para manter ao mesmo tempo as pernas estendidas e a coluna alinhada. Braços ao longo do corpo, se possivel, mãos apoiadas no chão. Coxas ativas. Empurre os calcanhares para longe do corpo enquanto puxe seus dedos em direção ao seu abdômen. Não esqueça de manter seus dedos afastados e a sola dos seus pés como se estivessem apoiados no chão, não permitindo que elas estejam suavemente direcionadas uma para a outra. O mesmo trabalho pode ser feito de forma mais intensa em paschimottanasana.   Ainda em dandasana, afastando um pouco os pés, podemos trabalhar a mobilidade flexionando e estendendo os pés lentamente e circulando os pés para fora e para dentro.   Traga seu tornozelo direito na coxa esquerda e tente entrelaçar os dedos das mãos nos dedos dos pés. Se te provoca dor entrelaçar todos os dedos, tente tres dedos por vez. Com esse gancho, segure seu pé e massageie a articulação do tornozelo girando  ele para um lado e para o outro. Solte o entrelace e massageie a sola do seu pé e seus dedos com os dedões das mãos. Pare em qualquer ponto de tensão que encontrar. Leve a massagem até os calcanhares e suba para a junção com o tornozelo fazendo movimentos circulares com dedos em pinça. Repita com o pé esquerdo. Liberação da fascia Fique em pé em uma bola de tênis e role-a para frente e para trás sob o pé, trabalhando os dedos dos pés, a bola do pé, o arco e o calcanhar.  Pare a bola um pouco abaixo da almofada dos dedos e permita soltar o peso do seu corpo por um ou dois minutos ali. Após esse tempo, deslize a bola mais para o centro da sola do pé e direcione novamente seu peso por mais um ou dois minutos. Faça isso até onde for possível em direção ao calcanhar. Essa pressão libera a fascia.   Ainda há diversas outras maneiras de cuidar dos seus pés. Experimente a calmaria após um escalda pés com água morna e sais. E esteja presente. Durante o exercício ou o relaxamento, esteja conectado com o sentir. Quanto mais sólida a base, mais firme é a construção. new RDStationForms(\'e-book-o-yoga-do-autoconhecimento-31f024e0c3c56e215246-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Meditação | 30 abr 2021 |

MEDITAÇÃO: Novas Perspectivas Terapêuticas Para Controle Da Dor Crônica

MEDITAÇÃO: Perspectivas Terapêuticas Para Controle Da Dor Crônica   Fernanda Redondo é professora de Yoga e pesquisadora do Laboratório de Neurociências da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em um artigo escrito por ela em 2015, destrincha a utilização da Meditação no tratamento de dores crônicas.   \"Os autores observaram significativo aumento de melatonina, serotonina e GABA, assim como, diminuição de cortisol e norepinefrina durante o treinamento da técnica.\"   Para ler o artigo completo CLIQUE AQUI ou leia abaixo.   Boa leitura!   A grande maioria das pessoas já experimentou ou, certamente, experimentará dor em algum momento de suas vidas. Trata-se de uma experiência sensorial incômoda associada, geralmente, a um componente emocional procedente de traumas ou de qualquer tipo de agressão que possa representar potencial ameaça à integridade do organismo. A dor pode ser aguda ou crônica. A primeira é temporária e consiste no componente essencial da resposta de defesa do organismo produzindo elevado grau de alerta cuja função é indicar lesões teciduais, inflamações e doenças. A dor crônica, por sua vez, estende-se por longos períodos, é comumente invariável e refratária à maioria dos tratamentos convencionais. Está correlacionada com acentuada queda na qualidade de vida das pessoas, comprometendo o bem-estar físico, emocional e social, além de, desencadear comorbidades como ansiedade, depressão e insônia (1). A fisiopatologia da dor é complexa e envolve uma intrincada rede neural. Inicia-se com a excitação e a transdução do estímulo doloroso em elétrico nas terminações livres (receptores nociceptivos), o qual ascende pelos tratos de fibras nervosas e projeta-se rostralmente, até seu processamento final nas áreas corticais onde ocorre a integração com os componentes afetivos, gerando mal-estar, desprazer e angústia (1). O tratamento de escolha para controle da dor é medicamentoso, entretanto, seu uso prolongado nas condições crônicas podem resultar em crescente resistência aos fármacos. Nestes casos, as terapias adjuntivas têm-se mostrado procedimentos essenciais na minimização ou, até mesmo, na suplantação da dor, como descrito em vários protocolos clínicos de fibromialgia, dores na coluna, neuropatias e outros (2). new RDStationForms(\'e-book-treinamento-yogin-de-respiracao-bdf2969b9eeaf2b1af79-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Estudos epidemiológicos realizados até o presente momento demonstram a importância da associação entre as terapias convencionais e adjuntivas. Por exemplo, um levantamento estatístico recente nos Estados Unidos mostrou que cerca de 1/3 (100 milhões) dos norte-americanos já apresentou algum quadro de dor crônica ao longo de suas vidas (3) e que dentre estes pacientes, 38,3% elegeram a meditação como segunda opção terapêutica (4). O crescente número de evidências obtidas a partir de ensaios clínicos bem controlados vem comprovando os efeitos benéficos da meditação sobre a saúde física e emocional (5). Em estudo recente com ressonância magnética (RM), os autores demonstraram correlação entre aumento de atividade neural nas áreas envolvidas na regulação da percepção da dor (córtex cingulado anterior, ínsula anterior, córtex orbito-frontal e tálamo) com expressiva redução do desconforto (57%) e intensidade da dor (40%) em indivíduos que recebiam estímulos dolorosos enquanto realizavam meditação (6) (Figuras 1A e 1B). Em outro protocolo com neuroimagem, o grupo de meditadores experientes apresentou diferença significativa no espessamento cortical das regiões do cíngulo dorsal anterior e somatossensorial bilateral quando comparado a um grupo de pessoas que nunca experienciou a técnica (7) (Figuras 1A e 1C).   Figura 1A: representação esquemática das áreas neurais que apresentaram alterações estruturais e funcionais durante a meditação; Fig. 1B: Imagem por RM mostrando o aumento na atividade neural de áreas envolvidas na percepção da dor e Fig. 1C: espessamento cortical nas áreas da ínsula anterior e da somatossensorial bilateral (Corte cerebral lateral modificado de: Nucleus Medical Art, Inc.). Além dos efeitos sobre o sistema nervoso central (SNC), a meditação influencia a atividade do sistema neurovegetativo. De acordo com estudos de Scheneider e cols., a meditação leva a redução na excitação do sistema nervoso simpático e na hiperatividade do sistema hipotalâmico-pituitário-adrenal (8). Em adição, seus efeitos sobre o sistema nervoso parassimpático resultam em melhoras nas respostas inflamatórias, bem como, nas funções neuroendócrinas e metabólicas. Como consequência, ocorre melhora no sono, no humor e na energia física, além de reduzir o risco de depressão e de declínio cognitivo (9). Outro importante estudo revela que a meditação produz consideráveis alterações na neuroquímica de estruturas neurais (5). Os autores observaram significativo aumento de melatonina, serotonina e GABA, assim como, diminuição de cortisol e norepinefrina durante o treinamento da técnica. Concluem também, que a sensação subjetiva de relaxamento, analgesia e profunda quietude, típicas da meditação, resultam do aumento na atividade do sistema nervoso parasimpático (5) (Figura 2). Figura 2: representação esquemática dos efeitos benéficos da meditação. SN simpático e parassimpático modificado de http://www.infoescola.com/. PARA MEDITAR   Meditação pode ser concebida como uma técnica na qual a atenção é convergida para um único foco, com abstração completa de todos os estímulos sensoriais e estabilização corporal em que prevalece a sensação de enlevação (4). Então: Estabeleça o tempo disponível e o melhor horário para a meditação: vários estudos têm demonstrado que o treinamento diário de meditação por 20 minutos durante oito semanas pode alterar estruturalmente o cérebro (10). Porém, os iniciantes podem começar com períodos de três a cinco minutos diários e aumentarem gradativamente até obterem êxito por 20 minutos. A postura adequada é um importante passo para o treinamento, já que a estabilidade física favorece diretamente a sensação de segurança e bem-estar necessários para uma boa concentração, portanto, acomode-se em uma posição firme e confortável. Exercite a atenção: concentre-se na sua respiração observando a entrada e saída de ar pelas vias aéreas. Esforce-se para que os pensamentos, ansiedades e preocupações sejam temporariamente afastados do campo mental. O exercício da meditação deve ser feito com constância e disciplina para obter bons resultados.  É natural encontrar dificuldades de concentração no início do treinamento, porém, com dedicação e persistência, o hábito de treinar meditação se torna cada vez mais fácil e prazeroso. A meditação é universal, portanto, qualquer pessoa que se dedique ao treinamento poderá conquistá-la. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

Abhyasa
Dicas de Yoga | 29 abr 2021 | Fernanda Magalhães

Abhyasa – A Prática Leva a Excelência

Abhyasa - A Prática Leva a Excelência Chove aqui desde a semana passada e o número de praticantes em sala reduziu drasticamente. As últimas aulas antes da frente fria estavam lotadas. Tudo bem que cariocas não gostam de dias nublados, mas vamos encarar o fato, não podemos esperar as condições perfeitas para praticar. Tenho alunos que praticam uma semana inteira e param por duas, outros passam meses firmes na prática e somem por outros meses. As férias das crianças, as viagens, a preguiça, a chuva, o trabalho, o cansaço e aquele drink no dia anterior (ai, ai, como eu ouço sobre esses drinks...) estão te levando para longe do seu objetivo? Praticamos saudáveis ou doentes, felizes ou emocionalmente abalados. Praticamos fortes ou fracos, em jejum ou alimentados, no frio e no calor. Praticamos lesionados, aprendendo a compreender novos limites e a ser gentil com o corpo, desenvolvendo novas formas de se fazer o mesmo. São poucas as justificativas reais para não se praticar. Se não há uma hora inteira de disponibilidade, pratica-se 15 minutos, faz-se 10 respirações conscientes, medita-se no horário de almoço. O maior dos erros cometidos por nós, é negligenciar a prática quando mais precisamos, porque é nestes momentos que não queremos praticar. Permitimos que nosso ego tome lugar de decisão acima dos nossos objetivos reais e nos entregamos a emoções passageiras quebrando a regularidade de prática necessária à evolução. new RDStationForms(\'ebook-stress-b13b1734210d84c18a6a-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();   Hoje, observando esse fenômeno de inconstância, decidi escrever sobre um conceito primordial no Yoga, Abhyasa.   Abhyasa, em sânscrito, significa sem interrupção, repetição ou perseverança. Também é traduzido como vigilância. Uma vigilância de si próprio, onde você se supervisiona para manter-se no caminho proposto.   Segundo Patanjali, o controle das flutuações da mente (ou, o objetivo do Yoga, a não ser que você queira somente ficar de cabeça para baixo) é realizado através de repetição e desapego.   Abhyasavairagyabhyam tannirodhah (Yoga Sutras 1.12)   O mesmo foi simplificado por Pattabhi Jois em uma de suas frases mais famosas e, algumas vezes, mal interpretada: “Pratique, pratique e tudo virá” Os Yogis compreenderam muito antes de “O Poder do Hábito” se tornar um best seller que aplicar pequenas rotinas positivas no dia a dia transforma a vida de forma geral. A repetição é aplicada na vida de um Yogi de diversas formas. Através de rotinas de limpeza do corpo físico, da execução diária de asana e pranayama e do canto de mantras - Japa. Todas elas com objetivo de evolução.   Todo conhecimento de yoga era passado, na antiguidade, através de repetição. Assim se mantém na tradição do Ashtanga Yoga, por exemplo. Os mantras, a sequência de asanas, os exercícios respiratórios, tudo é ensinado através da relação mestre-discípulo e repetido inúmeras vezes até que aquela informação esteja totalmente absorvida, demonstrando a capacidade de seguir adiante.   Abhyasa é a repetição por um período muito longo e sem interrupções, o que contrasta com nossa mente imediatista que deseja tudo em curto prazo. Lembre-se que é esta mesma mente que cria grande parte de nossos problemas. Aplicar o caminho reverso é lutar contra esse fluxo viciado de uma mente condicionada para o sofrimento.   Aliás, a repetição também é o que nos causa os condicionamentos mentais dos quais estamos todos batalhando para mudar. Ou você não passou a vida inteira escutando coisas como \"Muito riso é sinal de choro.\" e \"Dia de muito é véspera de pouco.\" Parece bobagem, mas essas frases, repetidas inúmeras vezes durante a infância, são capazes de se tornar condicionamentos enraizados em nossa mente que nos fazem duvidar da abundância existente no universo, trazendo ansiedade. Através da repetição reversa, positiva, acontece a oportunidade de cura. Abhyasa exige dedicação, disciplina e força de vontade. Nem sempre é prazeroso realizar a mesma tarefa diariamente, mas você já deixou de escovar os dentes por isso? A repetição também é excelente ferramenta de auto-estudo. Quando se faz todos os dias a mesma coisa, percebe-se que nunca é realmente feito igual. E não é igual devido a influências externas e como você lida com elas. Esta percepção por si já é svadhyaya - auto-estudo. Abhyasa também é uma prática de repetida lembrança de nossa natureza real. Não se permita esquecer que somos ilimitados. Abhyasa é estar presente.   Pratique!  

Podcast de Yoga | 28 abr 2021 | Daniel De Nardi

Como funciona o sistema de castas da Índia – Pauta do podcast #62

Como funciona o sistema de castas da Índia - Pauta do podcast #62   Pauta do podcast que sai amanhã e que trata do sistema de castas indiano.

Filosofia do Yoga | 27 abr 2021 | Daniel De Nardi

Yoga e Saúde – Podcast #11

Podcast Yoga e Saúde e entenda como. No dia 7 de abril, é comemorado em todo o mundo o dia Mundial da Saúde e gravamos este podcast especialmente para esse dia Atualmente, o Yoga é reconhecidamente um sistema que aprimora a saúde dos seus praticantes e dezenas de pesquisas já comprovaram isso. Nem sempre foi assim. Essa relação de cuidado do corpo e observação da saúde não fazia parte do Yoga em suas escrituras iniciais. O cuidado com a saúde começa a fazer parte das observações dos yogins a partir do movimento tantrico. O tantrismo surge na Índia por volta do século VII como um movimento de protesto contra o poder que os brahmanes detinham, pois eram os únicos com acesso às escrituras. Os tântricos começaram a questionar essa infalibilidade dos Shastras (escrituras) e difundir que o que realmente importava não era o que estava escrito nas escrituras, mas o que se percebia. O que o corpo manifestava, pois o que acontece de verdade, acontece no corpo. O movimento tântrico é fruto de uma misturas de várias linhas de pensamento que também ganhavam força na Índia neste período conhecido com renascimento indiano. Entre as linhas de pensamento estavam o budismo e jayanismo, dois sistemas que questionavam a divisão da sociedade em castas. Os tântricas absorveram muito destas culturas e também emprestaram maneiras de entendimento a esses sistemas. Outro sistema que influenciou muito o movimento tântrico foi a medicina ayurvédica. Como o corpo era sagrado e o local onde as coisas verdadeiramente aconteciam, nada mais lógico do que cuidar desse templo pessoal. Junto com os ensinamentos da medicina ayurvedica o movimento tantrico começa a usar posturas do Yoga e dá origem ao Hatha Yoga. A visão de que o corpo é um identificador de conflitos internos é fruto desse movimento. Para o Yoga, quando por exemplo agimos em dissonância com a consciência, desequilibramos  e o corpo demonstra isso em forma de uma doença. As doenças são por tanto produzidas por nós a partir de conflitos entre o que sabemos que é o certo a ser feito e aquilo que queremos fazer. A saúde torna-se um excelente termômetro se estamos vivendo uma vida de acordo com nossa verdadeira natureza. Não trata-se de cuidados excessivos, pois isso também é fruto de desequilíbrio. Cuidar da saúde é muito mais auto-observação das escolhas que tomar 3 sucos verdes ao dia. Claro que devemos  ponderar casos em que não como a pessoa ter gerado esse tipo de desequilíbrio para gerar doenças graves, e aí entra o fator imponderável da Natureza ou pode-se acreditar em outras coisas. O que podemos comemorar nesse dia mundial da saúde é que o Yoga tem ajudado muita gente a viver uma vida mais saudável. O Yoga ensina exercícios saudáveis e promove a saúde em todos os seus praticantes. Seus exercícios ativam orgãos profundos e ajudam na melhora do funcionamento do corpo como um todo. Yoga é tudo de bom para a saúde. Outro ponto que também podemos comemorar é que o Yoga ensina seus praticantes a estarem mais atentos ao que fazem, especialmente diante de decisões. As decisões corretas conduzem a um corpo saudável e isso o Yoga também pode nos ajudar.     Links do Podcast     Playlist da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   Transcrição do podcast   Yoga e Saúde #11 Olá, o meu nome é Daniel De Nardi, esta é a serenata de cordas de Tchaikovsky e está começando o 11º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Nós vamos falar sobre yoga e saúde. Hoje, dia 7 de abril, é o dia mundial da saúde. Quando você fala para alguém que está fazendo yoga, muitas vezes ela pode falar “ah, também preciso porque não estou muito bem da saúde”. Qual seria a relação do yoga com a saúde? Qual seria a visão que o yoga tem em relação a essa parte importante, uma vez que todo mundo considera o yoga como uma prática que faz bem? Primeiro a gente tem que separar os pontos e saber se de fato faz bem à saúde. Isso é comprovado em intermináveis pesquisas científicas, e uma das coisas que é detectado nas pesquisas, com pessoas que praticam yoga, é que a prática faz com que você diminua o nível de Cortisol. O que seria o cortisol? A gente uma liberação dessa substância para executar as tarefas diárias, pra ter realmente força pra lutar pela vida, a vida de ninguém é fácil, a vida é uma luta, uma força de potências e isso faz com que a gente precise ter energia e o cortisol produz, digamos, essa agressividade. A medida que você tem uma liberação maior que o natural a sua força torna-se maior também, mas é aquela coisa “não há almoço grátis”, sempre que você tira de um lado, você perde do outro, não há como produzir só vantagens. Nesse caso, a liberação de cortisol faz com que pessoa tenha mais disposição nos momentos de luta, mas por outro lado, abaixa o sistema imunológico. O sistema imunológico é responsável por defender o no nosso corpo contra as ações das bactérias, dos vírus, das doenças e das infecções. Então a gente tem um sistema que determina o nosso nível de saúde, se você tem um sistema bem resistente, não é qualquer doença que irá te afetar e, comprovadamente como eu falei, o yoga baixando o cortisol faz com que haja uma melhoria no sistema imunológico, então os yôgins são pessoas mais saudáveis que a média porque a prática auxilia na redução da liberação de cortisol, consequentemente na redução do estresse e por conta disso, um reforço no sistema imunológico, então a pessoa fica menos doente. Mas a gente precisa observar que saúde pela definição da Organização Mundial de Saúde não é apenas você não ter doença, mas viver com uma sensação de bem estar. E mais uma vez a gente a prática trabalhando neste sentido, é óbvio que quando temos tensões relacionadas ao dia-a-dia, que são naturais e fazem parte do dia de qualquer pessoa, ela podem não gerar doenças, podem atrapalhar a nossa vida. A OMS coloca a sensação, o bem estar como parte da saúde e quando você trabalha o relaxamento e aumenta o bem estar, acaba tendo mais saúde na visão da organização. O yoga acaba reforçando a nossa saúde, faz bem, é saudável, e não produz efeitos colaterais como outros exercícios produzem, ele faz bem esse papel de fazer com o que o praticante usufrua da prática por muitos anos. Há determinados esportes e atividades que são limitados a idade, mas o yoga tem como filosofia que o praticante o leve para o resto da vida, como um estilo, que independentemente de onde estiver, o praticante consiga realizar os seus asanas, as suas posturas, uma respiração para acalmar, fazer um relaxamento, meditar e, além disso, usar a filosofia em seu dia-a-dia. Então o yoga tem essa proposta de longevidade, mas não é uma prática apenas para jovens, melhora a nossa saúde (além do cortisol, há a compressão dos órgãos por meio dos asanas que estimula a circulação sanguínea). Então você vê esse outro ponto de melhoria, o yoga vai desfazendo as tensões não só nos órgãos como no corpo todo, a tensão muscular dificulta a circulação sanguínea, ela dificulta a levada de nutrientes para a região, no primeiro momento gera desconforto, dor, é desagradável e a longo prazo pode gerar algum tipo de doença. O yoga pode ser praticado por mais velhos e pelos mais jovens que querem ter um corpo mais saudável. Não é ser obcecado em relação ao próprio corpo, até porque isso é um desequilíbrio, o ponto bom da saúde é quando você não precisa se preocupar com ela, toma decisões coerentes com o que sente e isso não causa danos a sua saúde, à medida que for aparecendo sinais de desequilíbrio   você observa qual é a relação disso com os seus hábitos, mais pra frente a gente vai ver que a gente acaba desenvolvendo no nosso corpo desequilíbrio e, consequentemente, doenças. Mas será que o yoga sempre teve relacionado a saúde? Originalmente não, a saúde acaba sendo uma consequência pelo bem estar, claro que você pode fazer pensado na saúde, as técnicas são maravilhosas, elas tem milhares de benefícios que podem ser usados em aspectos específicos para quem está precisando, não tem como descartar a capacidade de relaxamento que o yoga pode produzir. Mas a proposta do yoga é da revelação do eu, de a gente chegar no que já somos, mas não descobrimos, a busca de uma voz verdadeira que te acompanha, mas que você boicota, é o processo de você trazer a voz e as ações condizentes com essa voz para a sua vida fazendo com que ela se torne plena e melhor. Então, originalmente, a saúde não aparecia nos textos, não há associação ou orientação nos Vedas e Upanishads, tem alguma coisa pra saúde generalizada, o yoga era voltado a espiritualidade, ao equilíbrio mental. Começa-se a associar yoga e saúde a partir de um movimento surgido na Índia a partir do século V d.C., o Tantra. O que é o Tantra? É um conjunto de textos produzidos por sábios e deram origem ao movimento filosófico. Um grupo de pessoas que estavam descontentes com determinados comportamentos da sociedade. Os líderes e sábios que começaram a criar textos próprios e debates para questionar o status quo. Os tântricos questionavam as escrituras que passaram a ser escritas na Índia desde 3500 a.C. com o Rigveda tem um grande valor para o indiano, quem domina a capacidade de interpretar e de reproduzir rituais que as escrituras citam é o brâmane, que é o sacerdote que transmite para as pessoas os mantras e conhecimentos – os tântricos passam a questionar a infalibilidade dos textos, “será que realmente tudo que e gente está vivendo foi dito há 3000 anos?”, eles questionaram e trouxeram para o corpo o valor das coisas. O tantra é esse movimento, não existe movimento tântrico antes, nenhuma escritura relacionada ao tantra antes dos tantras. Esses sábios começam a juntar o conhecimento deles com outras áreas que estava ganhando relevância na Índia naquele momento, havia, pelo menos, dois sistemas que combatiam o sistema de castas. Nas castas você nasce em determinado grupo social e pertence a ele até o fim da vida, hoje este sistema é contra a lei. Os budistas que estavam crescendo na época questionavam o sistema de castas assim como os jayamistas, estes são dois movimentos indianos internos surgidos do hinduísmo e que criam sua própria linha filosófica. O tantra conversava com as outras linhas de pensamento que questionavam o status quo da sociedade, ele assume ideias do budismo e do jayamismo e empresta conceitos que os sábios debatiam. Junto a isso, soma-se ao estudo da medicina ayurvédica que ganhava bastante força. Como os tântricos acreditavam no valor do corpo ele absorvem conceitos e técnicas do ayurveda e começam a observar a saúde de maneira mais plena. Dessa influência (do tantra se juntando ao ayurveda e com o budismo) nasce o Hatha Yoga, que é uma pratica do yoga que trabalha muito a parte dos asanas, todo o foco em auto-observação surge por conta de uma valorização do corpo, o corpo é visto como a biografia humana, se há um desequilíbrio em outras áreas isso se reflete no nosso corpo e há sempre uma relação, que você pode observar, entre as nossas atitudes e as nossas decisões. Esse trabalho de percepção também é voltado para a melhoria da saúde, a medida que você é mais consciente da suas ações, você toma decisões de acordo com as necessidades do seu corpo, não se alimenta de forma desenfreada por exemplo, fica atento ao nível da sua fome. O corpo mostra a dissonância da voz interna, se você apenas a voz do corpo e da mente, acaba ignorando a voz interna, gerando um desequilíbrio. Se você é viciado em um alimento que não te faz bem, com o tempo você vai apresentando um desequilíbrio e o corpo pode desenvolver uma doença. Assim como o medo, em que você enrijece a sua postura, e pode acabar desenvolvendo um trauma para a coluna ou algo mais grave. Para esse entendimento do yoga tudo passa pelo indivíduo, que tem a saúde plena, mas que desequilibra conforme as decisões dissonantes ao eu. O processo da saúde é um bom demonstrativo se você está a caminho dessa voz interna, quando a gente está bem ou feliz é porque a gente está seguindo aquilo que realmente é verdadeiro em nós. Se você seguir a voz dos outros, ou a vontades alheias sem se atentar a voz interna o yoga vai ensinando que esta atitude tem consequências para saúde. A prática dos asanas, assim como dos pranayama, também produz saúde, além da meditação que abaixa o cortisol, aumenta o sistema imunológico e faz com que a gente viva uma vida mais saudável, que é um bom indicativo de uma vida mais plena. Serenata de corda pra Tchaikovisky, dessa música eu não conheço nenhuma história especial, mas é uma música que eu acho bonita. Tchaikovisky teve uma vida muito difícil, ele não gostava de compor balé, mas compôs os balés mais bonitos, vivia em uma época de muita discriminação. Tinha uma grande paixão pela mãe, era homossexual, e a obra dele é uma descrição dessa dor, mas ao mesmo tempo algo puro e belo como uma dança, e essa música expressa muito bem isso, eu vou deixar apenas um movimento aqui, mas vale a pena você ouvir a música inteira. Ele faz movimentos muito parecidos ao de Mozart, algo que você pode ver se ouvir a música inteira. Até a próxima semana. Ohm Namah Shivaya! https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

gloria
Filosofia do Yoga | 26 abr 2021 | Daniel De Nardi

O Perigo da Glória

Como a vida de um historiador romeno influenciou o Yoga Comecei a revirar meus livros para preparar um curso de meditação. Fui atrás de um dos meus escritores favoritos - Mircea Eliade, me encanta sua profundidade, sua intelectualidade e sua história - Eliade, para quem não sabe e está com preguiça de procurar na Wikipédia foi um intelectual romeno especializado em história das religiões, filosofia e Yoga. Sim, ele foi um exímio praticante e um ardente admirador da prática milenar indiana. Aos vinte e poucos anos ele já era aficionado pela cultura indiana e queria conhecê-la in loco, então escreveu para um maharája indiano pedindo um mecenato para estudar sânscrito e hinduísmo o maháraja aceitou e Eliade passou alguns anos estudando por lá. Nesta experiência que conheceu o Yoga. Mas desta vez, foi sua carreira como romancista que me chamou a atenção. Eu pesquisava um livro de entrevistas - A provação do labirinto - que é quase uma biografia e ali Claude-Henri Rocquet o pergunta: - Por onde havemos de começar? Pela glória? new RDStationForms(\'e-book-yamas-e-niyamas-1f965e8db29fe9c4625b-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); - Sim, pela glória, pois me ensinou muito. É agradável, mas não é nada de extraordinário. Apresentei Maitreyi (Noites de Bengali) a um concurso de romances inéditos. Obtive o primeiro prêmio. Tratava-se, simultaneamente, de um romance de amor e de um romance exótico. O livro teve um enorme sucesso, inesperado, que surpreendeu o editor e a mim mesmo. Teve numerosas reedições. E, aos vinte e seis anos, tornei-me, célebre: os jornais falavam de mim, reconheciam-me na rua, etc. É uma experiência que foi muito importante, pois conheci muito jovem o que quer dizer ser glorioso, ser admirado... É agradável, mas não é nada de extraordinário. Então, para o resto da minha vida, deixei de ser tentado por isso. Ora, isso trata-se de uma tentação que penso ser natural a todos os artistas, a todos os escritores: cada autor espera ter um grande sucesso, ser reconhecido e admirado pela massa dos leitores... Eu tive isso bastante jovem, esse sucesso, fiquei bastante feliz, e isso ajudou-me a escrever romances que não eram feitos para o sucesso. Essa citação de Mircea Eliade não nos ensina apenas sobre o sucesso nas artes ou na literatura, mas sobre qualquer tipo de sucesso, e ele é tentador mesmo. E se o profissional não tiver uma cabeça boa como teve Eliade e se viciar no sucesso, seu destino a gente sabe qual é. Dharma e Yoga - a busca do proposito from YogIN App on Vimeo. Mas voltando à literatura, tenho que citar mais uma vez a frase do Pondé que cabe como uma luva aqui \"o caráter de alguém que escreve é medido pela ausência de desejo de agradar a quem lê.\" Digo mais, a preocupação com agradar o público praticamente impede a perpetuação da obra. E pode haver maior glória que essa? A perpetuação de um legado, buscado desde a o tempo que os faraós erguiam pirâmides e que talvez seja o mais nobre objetivo humano. Será que Marcel Proust se tornaria eterno se pensasse no sucesso de Em busca do tempo perdido? E seu contemporâneo James Joyce com Ulisses? A história está cheia desses exemplos e há todos os dias milhares de pessoas caindo na armadilha do sucesso sem levar em conta a sabedoria do tempo. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();

meditacao profunda
Podcast de Yoga | 25 abr 2021 | Daniel De Nardi

O que é vivenciado em um estado de meditação profunda – Podcast #12

Reflexões de um YogIN Contemporâneo - episódio 12 Em 1861, o escritor e crítico de arte Baudelaire, ao assistir a estréia de Tannhauser de Richard Wagner em Paris ficou tão fascinado que escreveu um livro para tentar explicar o estado de consciência que tinha vivenciado aquela noite. \"A partir [...] do primeiro concerto, fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares. [...]. Minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado, entrava, sem dúvida, muito do que Weber e Beethoven já me haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu me achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associadas a uma rara delícia. Resolvi me informar do porquê e transformar minha volúpia em conhecimento [...].\" No podcast de hoje, vamos refletir sobre o que seria um estado de meditação profunda e como ele pode ajudar o yogin na expressão da sua verdadeira identidade. Os estados da mente comentados no podcast Links   Trilha Sonora da série - Reflexões de um YogIN Contemporâneo Novo Curso - Refletindo sobre os medos que nos travam Yoga-Sutra - Tradução Carlos Eduardo Barbosa Livro do Baudelaire - Tanhauser em Paris Quora - site de perguntas e respostas de tudo  Minha resposta sobre Meditação no Quora  Curso do Dr. Roberto Simões - Neurofisiologia da Meditação  Transcrição do Podcast   Estado de Meditação Profunda #12   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi essa música é “Tannhauser” uma música de Richard Wagner, está começando o 12º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. No final do século XIX, mais precisamente em 1861, Baudelaire, que era um famoso poeta, já havia escrito livros e peças de teatro, vocês já devem ter ouvido falar dele, o livro mais famoso dele se chama “Flores do Mal”. Ele era um agitador cultural, um dia ele foi a uma casa de ópera, em Paris, para assistir à estreia da ópera de Richard Wagner. Wagner já era uma pessoa muito polemica na época por levar a estrutura da ópera a outro patamar, antes de Wagner a música era essencial e havia uma produção modesta, mas não era algo cinematográfico, Wagner faz o primeiro movimento do cinema (no sentido de superprodução) como entendemos hoje, ele era detalhista e queria que cada detalhe fosse executado com o máximo de perfeição, então ele fez com que várias frentes da arte se encontrassem na ópera (figurino, artes plásticas, dança, artes cênicas), mostrando que a ópera era a única que conseguiria unir todas as artes. O que não é mentira, só tenho apenas um contraponto, se você vai a ópera o enredo precisa ser simplificado porque a música faz parte, assim como nos musicais, tem muito tempo de música, que se repete. Mas tanto os musicais quanto a ópera trazem o que há de humano, uma expressão com a música que é um catalisador de emoções, a história fica simplificada, mas a música amplia a experiência, quem já foi em musicais ou em ópera sabe do que estou falando.   Baudelaire era um artista das artes em geral, e era um crítico de arte, ele entra pra ver a ópera de Wagner e fica muito tocado, entra em um estado diferenciado de consciência, quando sai da ópera, se sente obrigado a defender a obra de Wagner que era bastante atacado na época. Baudelaire escreve para Wagner, que é sempre seco e não dá muita abertura pra ele, eles se encontram e não há uma interação, não há a necessidade de querer contribuir para o livro que Baudelaire escreve a seu respeito, é um livro bem curto chamado “Baudelaire, Richard Wagner e Tannhauser de Paris” e conta a incompreensão que Wagner passou, a dificuldade que ele teve de mostrar que estava mudando a cara da ópera, hoje você pode achar óbvio, mas na época ele recebeu diversas críticas, além de não ser uma pessoa fácil, era megalomaníaco e perfeccionista, mas Baudelaire tenta escrever o livro para reparar esta imagem de Wagner. O interessante é que Wagner tinha muito claro qual era o papel dele, as críticas não tinham relevância porque ele sabia que o que estava construindo era a sua verdade e fazia sentido, havia uma importância histórica para a arte. Baudelaire tenta ser o defensor de Wagner diante da crítica francesa, porém não teve tanta ajuda para tal. E essa posição de Baudelaire surge por querer entender o que de fato sentiu ao assistir a ópera de Wagner, Tannhauser em Paris. Neste livro que eu mencionei, tem uma passagem que ele diz: “A partir do primeiro concerto fui possuído pelo desejo de penetrar mais a fundo na compreensão dessas obras singulares, minha volúpia tinha sido tão forte e tão horrível que eu não podia me abster de querer retornar a ela incessantemente. No que eu havia experimentado entrava sem dúvida muito do que Weber e Beethoven já haviam feito conhecer, mas também algo de novo que eu achava incapaz de definir, e essa incapacidade causava-me uma cólera e uma curiosidade associada a uma rara delícia, resolvi me informar do porquê e transformar a minha volúpia em conhecimento.” Baudelaire queria explicar a sensação, o que ele havia vivenciado, então, ele faz por meio da sua habilidade: a crítica de arte. Além de escrever peças de teatro e livros, ele também era um crítico de arte, ele une o entendimento pessoal ao intelectual. Daí tem que ler o livro para saber se ele teve êxito em seu intento ou não. A nossa ideia hoje aqui é tentar entender o estado de meditação a partir do que temos de experiência e de literatura relacionada a meditação.  Literatura sobre meditação é praticamente infinita nos dias de hoje, especialmente a partir do momento em que “Mindfullness” ganhou notoriedade porque, até então, a meditação era assunto de uma pesquisa ou outra, porém não havia um sistema acadêmico, científico, com uma proposta (eles chamam de protocolo – quando existe um sistema de pesquisa envolvendo o alvo do estudo, no caso, a meditação), quando o Mindfullness foi registrado como um método, as pesquisas cientificas sobre a meditação cresceram muito, pois se havia uma campo amplo de pesquisa. Mas a meditação vai além, pois tem pontos que a ciência atualmente não consegue tocar e, ai você pode acreditar nisso ou não, muito disso está ligado a questão da consciência. A ciência, academicamente, não reconhece a consciência humana como algo existente, porque há um pressuposto que o objeto e estudo precisa ser medido, palpável. Então, a voz da consciência é fácil ser negada, porém você não pode negar que ela está internamente, pode ser uma criação mental, a gente pode trabalhar com essa hipótese, os cientista tentam provar que a consciência nada mais é que uma maneira sofisticada de a gente justificar as nossas decisões, que não existe e que tudo é puramente físico. Particularmente eu não concordo com esta afirmação, acredito que de fato exista essa consciência que o Sankhya chama de Púrusha e que Patanjali vai expressar muito como aquele que vê. O que nós vamos fazer é tentar entender um pouquinho – não vamos nos aprofundar totalmente no assunto – o que seria o estado que Baudelaire entrou, um estado que não precisa ser gerado a partir de um exercício de meditação, o estado em si pode ser gerado a partir de qualquer tipo de repetição, a partir de qualquer exercício que te faça concentrar com o máximo de atenção durante um bom tempo, claro que a meditação tem essa proposta e isso contribui muito; é a mesma coisa – por exemplo – você pode emagrecer caminhando durante o dia ao invés de usar tanto o transporte, mas é mais fácil se tiver um exercício focado para o emagrecimento, como uma corrida de 30 ou 40 minutos, isto teria um efeito maior. E é o mesmo caso, você pode entrar num estado diferenciado de consciência, um estado meditativo em qualquer atividade, inclusive ouvindo esse podcast (embora aqui tenha um pouco mais de agitação mental), algo que prenda a sua atenção fixamente. Isso pode te levar a um estado diferenciado, de meditação e independe se é yoga, se é tai chi, se é olhar e admirar um quadro, não importa, o que importa é que você estabilizou a sua mente e agora a gente vai entender o processo que acontece e como o yoga se enquadra dentro desse processo. Essa minha análise começou com uma resposta que eu dei em um site chamado “Quora”, um site de perguntas e respostas, há uma votação e a melhor resposta é votada e fica em destaque. Mais ou menos como funciona no Yahoo, mas é uma comunidade e tem muitos expert, eu já fiz perguntas sobre a NASA, por exemplo, e quem me respondeu foi um engenheiro da SpaceX, que é uma empresa grande de engenharia espacial. Você faz perguntas e solicita para que os eventuais especialistas da área respondam, geralmente eu respondo as perguntas do no site para treinar o meu inglês, que não é muito bom, mas faço como um exercício e contribuo com a área de yoga e meditação que é o que eu sei e que estudei. E lá tinha uma pergunta mais ou menos assim: “O que seria ou o que se vivenciaria num estado de meditação profunda?”. Pra gente entender meditação, essa questão do vedor e da consciência, a gente precisa ir ao texto mais clássico do yoga que pé o Yoga Sutra. Eu cito recorrentemente ele aqui, sempre deixo um PDF de uma tradução que eu gosto muito, a do Carlos Eduardo Barbosa, um estudioso de sânscrito e de cultura hindu, e ele traduz do original do devanagari, ele domina o sânscrito e o devanagari, a leitura do yoga sutra dele é muito coerente porque o sutra é chamado de aforismo, mas o aforismo é uma frase que se resolve por ela mesma, é uma sentença de verdade que não tem muito o que negar, por exemplo: a agressão a outros seres humanos não faz bem à sociedade. É um aforismo, não tem como negar, a agressão é um ponto desnecessário, é um caso extremo e não faz bem à sociedade como um todo. Agora o sutra não é um livro de frases, inclusive o próprio termo sutra significa cordão, o sistema de sutras é de ligação, um sutra é continuidade do anterior, tanto que a sugestão é lê-lo de uma só vez, a estrutura do yoga sutra precisa ter uma coerência, não é simplesmente uma tradução você entender a palavra, se não há coerência, não é uma tradução boa. A tradução do Carlos é compreensível e o importante é que ele faz comentários nos sutras mais relevantes, chamando a atenção para o que for mais importante. Eu vou deixar o PDF, quem quiser baixar e ler, acho que vale bastante a pena, vou ler os primeiros sutras traduzidos pelo Carlos, lembrando que o yoga sutra é o primeiro livro a ser escrito sobre o yoga, a primeira frase diz: “Eis os postulados mais elevados do yoga” Eu não vou ampliar a explicação, mas esse “atha” (atha yoga shasana) é um tipo de recurso que era usado na época em que o yoga sutra foi criado, nesta época começou a haver uma série de compilações de vários outros textos, então os sábios se reuniam para compilar os textos de acordo com o assunto a ser tratado (por exemplo na área jurídica, na literatura ou no yoga). Patanjali acaba determinando quais textos seriam de maior valor e elevação para a compilação do yoga (Atha Yoga Shasana). A segunda frase é a famosa “yoga chita vritti nirodha”, que diz “yoga é a redução da atividade mental”. Vamos voltar ao yoga sutra para entendê-lo melhor, Patanjali começa dizendo o que é o mais importante do yoga “Atha yoga shasana” (Eis os postulados mais elevados), na primeira frase ele fala “quer chegar ao estado de yoga, quer entender o yoga, quer saber sobre o yoga, então diminua a atividade da sua mente”. E para que isso? Porque “aquele que vê, o percebedor, se manifesta na sua natureza mais autentica”. Esses três sutras já explicam o que é o yoga e o que é a meditação. A meditação é um processo pelo qual você consegue diminuir a agitação mental para trazer a voz da consciência, para trazer esse vedor, trazer a real natureza dele, a natureza mais autêntica. Esse é o processo elo qual o yôgin deve buscar, então a meditação é muito diferente de você estar num estado e de repente “bum!” – e isso muita gente busca como algo totalmente transcendental –, “entrei no estado de samâdhi, resolvi todas as equações da vida, descobri o mundo, tive um momento de êxtase, de luz, de felicidade, de plenitude, agora eu sou sábio”. Este tipo de pensamento é tão ingênuo e infantil, se você parar para analisar isso não faz sentido com a proposta do yoga e com o que Patanjali e os demais falam. Quando você diminui a atividade da mente você não vai ter uma revelação do universo, você chegar num momento para que informações internas e pessoais suas sejam reveladas, para que a sua verdade venha à tona a sua verdade não a dos outros, o que for sucesso pra você, não para o outro. Estas verdades surgem no processo da meditação. Quando a gente pensa nos estados da mente (você já deve ter ouvido falar em alfa, beta, teta, delta...é interessante a gente entender porque faz sentido dentro da proposta de meditação de Patanjali), a ciência classifica a mente em três estados segundo os níveis de hertz detectados, atividades do pensamento. O Estado Beta: 14 a 21 ciclos por segundo, esse é o estado de vigília e de autopercepção dos sentidos, é um estado em que a gente está muito alerta, pensa no estresse, que é o oposto do estado meditativo porque é um estado em que você tem o máximo de atividade da mente, muita percepção dos sentidos, uma percepção mais aguçada pode te defender de uma ameaça, então o corpo se coloca em estado de defesa, de sobrevivência, o oposto de você ouvir a sua voz interna, a sua voz da consciência (aí entra um ponto que é, nesse patamar  não existe certo ou errado, o estado é o que depende do momento, se você ficar no estado de tranquilidade você não vai conseguir viver em sociedade, assim como um estado de excitação e de euforia traz um cansaço mental, ansiedade, depressão, você impede que haja um fluxo mental tranquilo e que os pensamentos se tornem profundos); o Estado Alfa: de 7 a 14 ciclos por segundo, aqui se começa um outro estado de consciência, há espaço para a informação pessoal de cada indivíduo (vamos pensar nessa onda como o mar, quando está agitado você não consegue ver nada, não há percepção das coisas, no estado alfa existe um movimento mais suave e um espaço para que as ideias surjam tranquilamente); o Estado Teta: de 4 a 7 ciclos, um estado de relaxamento total e meditação, nesse estado vem a informação de forma verdadeira (já deve ter acontecido com você antes de dormir ter alguma ideia verdadeira e profunda e não conseguir resgatá-la depois, ali você estava em estado de Teta, quase entrando e Delta, há a liberação de um espaço na mente para que este tipo de informação apareça); o Estado Delta: de 0 a 4 ciclos, que é o sono profundo e que não há mais consciência do que está acontecendo. No dia a dia não tem como informações profundas virem, a gente está preso a informações imediatas, do ambiente, a meditação possibilita justamente um estado próximo a “quase dormindo”, em que as ondas mentais estão com menor frequência e, e segundo o sutra, o yoga é a diminuição do estado mental e faz sentido com a análise que a ciência tem sobre as frequências mentais. O que você deve buscar e perceber num estado de meditação profunda não é a resolução do mundo, nem um “orgasmo transcendental”, é um percepção própria que o ajudará a encontrar a sua própria verdade. Como Patanjali falou “aquele vê se manifesta na sua natureza mais autêntica”, pense nisso, realize a sua meditação pensando em um autoaprendizado, um autoestudo, não pensando em se tornar um mestre iluminado que levará a verdade ao mundo, pense na sua própria verdade, o que na sua vida te faz expressar o que há de melhor em você, quando você copia alguém não existe verdade, e a meditação nos possibilita isso. Essa é a proposta que, no meu ponto de vista, que é mais coerente com a meditação exposta por Patanjali, do que algo transcendental que é vendido por pessoas “iluminadas”. Iluminado pra mim é aquela pessoa que acorda de manhã feliz com a vida que tem, sabe as adversidades, mas vive o que é verdadeiro. Essa pessoa que vai manter um estado, que vai ter quedas e ascensões, mas que a constância é algo que tem verdade, com sentido, que o faz acordar de manhã, cuidar da sua família e criar um mundo melhor, um entorno melhor. Uma ótima semana, no vemos no próximo podcast.

Podcast de Yoga | 24 abr 2021 | Daniel De Nardi

A Preparação – Podcast #09

Reflexões de um YogIN Contemporâneo Podcast #09 Este episódio é parte do conteúdo do novo curso do YogIN App  - o curso trata sobre o tema do medo, analisando-o segundo escrituras antigas da Índia com a Katha Upanishad e o Mahabharata. O objetivo de abrir essa reflexão é pensarmos o quanto o medo nos paralisa e impede que expressemos nossa real Natureza. Patañjali já havia observado isso, e não à toa coloca dois tipos de medos como impedimentos da expressão da nossa verdadeira identidade. Dvesha = aversão (medo gerado por uma experiência dolorosa) Abhinivesha = apego à vida ou medo da morte. Os medos são importantes, eles nos protegem de ameaças, mas inegavelmente também dificultam muitas das nossas atitudes. Nesse podcast, eu trouxe o exemplo de uma etapa muito importante no processo de despertar mais ousadia que é A Prepração. Dois aventureiros profissionais, tentaram ao mesmo tempo conquistar o Polo Norte em 1911, um deles chegou um mês antes e com toda a equipe em boa saúde. O outro, apesar de ter as tecnologias de ponta e mais recursos, viu a Bandeira do outro país cravada no ponto dos 90º.   Links do episódio: Curso online - Refletindo sobre os Medos que nos travam - Dvesha e Abhinivesha Página de cursos do YogIN App Curso Yoga, Aprendizado e Liberdade Livro Vencedoras por Opção de Jim Collins Audiobook do livro Great By Choice (inglês) Palestra Jim Collins (inglês) Audiobook Bhagavad Gita (inglês) Ideograma dos Vencedores por Opção Trilha Sonora da série Reflexões de um YogIN Contemporâneo Bastidores da preparação do Curso   Transcrição desse episódio   A Preparação #9 Olá, meu nome é Daniel De Nardi e está começando mais um “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”. Hoje também nós tem uma música muito especial, Rhapsody in Blue, que ao final vai ser tocada aqui. O episódio de hoje vai falar sobre preparação, a preparação para um grande desafio, a preparação pra gente vencer um obstáculo. Isso pode parecer um pouco clichê a priori, mas eu vou trazer um exemplo muito bom aqui que a gente vai conseguir comparar o quanto uma preparação pode ser boa ou não. Esse podcast está sendo gravado hoje, porque estou no meio da produção de um novo curso que vai tratar sobre Abhinivesha. Abhinivesha é uma das principais dificuldades que nós temos, segundo Patanjali, pra encontrar a nossa real identidade. E o Abhinivesha é o apego demasiado a vida ou o medo da morte, e esse medo acaba se derivando em múltiplos medos, então a ideia desse curso é trazer reflexões, referências de textos indianos, então eu estou pesquisando. A base toda desse curso é a carta Upanishad, que é um texto antigo que trata reflexões sobre os medos do ser humano, então isso está inserido no curso, junto com técnicas, com a minha experiência pessoal, está ficando um curso muito bacana. Recomendo muito para quem está gostando do podcast que estou produzindo aqui, dê uma olhada na nossa página de cursos. Eu vou deixar o link aqui na descrição, então você pode ver a descrição completa, ali vai ter o link para essa página de cursos e quem está gostando mesmo dos podcasts eu recomendo porque vai gostar dos cursos. O podcast a gente faz aqui uma reflexão aqui sobre alguns temas, uma reflexão de quinze, vinte minutos, ás vezes, meia hora e o curso consegue desenvolver melhor, elaborar melhor esses temas, tem todas as referências que você consegue ver, tem as descrições, os links e tem um acompanhamento, depois, em grupos on line. Esse curso já está disponível, quem quiser já por ir lá dar uma olhada, as duas primeiras aulas são abertas, mais esse podcast, e ele vai sendo disponibilizado aos poucos agora, mas está muito interessante, e eu acredito mesmo que essa reflexão vai produzir em você uma vontade maior de realização, um ímpeto maior. Tentar vencer barreiras que a gente tem e que são fundamentadas em aspectos psicológicos, aspectos que precisam ser trabalhados com auto-observação e com reflexão, então, a ideia dele é trazer essa reflexão para os medos que nos impedem de ser nós mesmos, os medos que nos travam, os medos que não nos deixam a vontade na vida. Como eu falei, eu consegui um exemplo nítido desta questão da preparação, o curso ele acaba sendo mais amplo do que isto, mas esse aspecto da preparação é parte dessa reflexão que eu vou trazer no curso. Bom, quando você pesquisa em biografias você sempre vê que há um esforço grande, o personagem principal passa por um processo de sacrifício mesmo para conquistar aqueles objetivos, mas é muito difícil a gente mensurar o quão realmente a pessoa se esforçou o quanto aquele esforço produziu aquele resultado ou não, porque você nunca tem um ponto de comparação, então você vai estudar, por exemplo um livro que ficou famoso recentemente, a história do André Agassi, daí você vê todo o esforço dele, mas você não tem exatamente alguém com o mesmo objetivo ao mesmo tempo, com condições, até que no esporte você consegue fazer essas comparações, mas são difíceis até porque, no caso do Agassi,  são várias  gerações que ele passou de jogadores, então até isso é difícil você comparar o quanto a preparação influenciou de fato os resultados ele conseguiu. Mas eu consegui um exemplo de um livro do Jim Collins, que é um pesquisador, ele faz pesquisas sobre empresas que são bem sucedidas e empresas que não são bem sucedidas. E, neste caso, no último livro dele, ele está estudando líderes e empresas que passaram por desafios muito grandes. Ele compara sempre com grandes aventuras, com expedições. O Jim Collins tem esse background que é de aventura, de analisar o quanto o esforço, a preparação, o método fez com que a expedição desse certo ou não. E nesse livro ele traz a história de dois aventureiros, esse processo de busca por aventuras era feito de maneira profissional, a ciência ia na frente, primeiro houve-se uma busca pelo Polo Norte e, conquistado, houve-se um esforço pra chegar ao Polo Sul, não era só chegar a Antártica, mas chegar no Polo sul exatamente onde você tem o centro do mundo, então essa começou a ser a grande busca, em termos de aventura, no final do século XIX ao início do século XX. E o interessante desse exemplo é que nós temos duas pessoas com o mesmo objetivo e na mesma época e com idades próximas, você consegue comparar precisamente quais foram os resultados das expedições de um e de outro, então esses dois personagens são a Roald Amundsen e Robert Scott que era um inglês. O Robert Scott contava com toda a tecnologia de ponto porque ele era inglês e a Inglaterra tinha muito interesse nessa época em expedições, então ela colocava muito recursos nestes projetos, era muito incentivado pela coroa britânica essas expedições. Por outro lado, o Amundsen dependia basicamente dos esforços dele, ele não tinha nenhum governo patrocinado ele como o Scott tinha e os seus recursos dele eram limitados. Para começar a explicar sobre os resultados que eles tiveram, o Jim Collins neste livro, Vencedoras por opção, ele começa a falar sobre um conceito que ele chama de “Marcha da vinte milhas”, que significa você estabelecer algo que você realmente consegue fazer e repetir. Então ele dá esse exemplo porque ele fala que isso é muito presente nos líderes que conseguem mais resultados, que é você manter uma consistência de ação e não “quando tá bom você faz muito, quando está mal você faz quase nada”, mas conseguir uma consistência independentemente do ambiente em que você se encontra, então quando você pode mais você não vai porque você se preserva. Eu vivenciei muito isso quando eu treinei triathlon para o Ironman, porque o grande ponto de treinamento pra um triathlon – eu já treinei corrida apenas, mas não acontece isso porque você treina quatro vezes por semana, consegue fazer muitos esforço na maioria dos treinos chegando ao seu limite – não pode estar constantemente trabalhando no seu limite, porque sempre tem um treino no dia seguinte de uma modalidade diferente, então você precisa se preservar. Então é muito mais importante você manter uma consistência de treino e não levar no limite pra que você não ter a queda depois, ficar lesionado ou ter overtraining, que é quando você fica desgastado demais. Esse ponto da consistência da caminhada, que são as vinte milhas, é essencial para grandes conquistas e o Jim Collins fala disso, sobre a importância da consistência, ele fala, inclusive, que a marca da mediocridade é a inconsistência crônica, é o exemplo básico do regime da segunda-feira, mas a gente pode observar isso em diferentes pontos da nossa vida. Você tem muito esforço, mas você não consegue resultado porque você colocou muito esforço, e para. Então precisa ter, para fazer uma construção grande, uma consistência de trabalho, uma repetição daquilo você criar habilidades físicas ou mentais ou emocionais, para isto é necessário repetição, consistência. No exemplo desses dois navegadores, quando eles chegaram na Antártida, o Amundsen, que acabou chegando primeiro, ele sempre mantinha vinte milhas, de quinze a vinte milhas, porque ele sabia que se ele levasse a equipe dele ao esgotamento e naquele momento em que eles estivessem esgotados acontecesse uma tempestade de neve, poderia fazer com que a expedição acabasse. Já o Scott teve um momento muito bom inicial, andou muito e depois não conseguiu, ficou cansado e pegou uma tempestade.  A consistência ela não é só você se esforçar nos momentos difíceis, mas é você não ir a mais também nos momentos em que as coisas estão fáceis. E voltando ao exemplo de treinamento de triathlon, aí você pode observar para a meditação, para o treinamento de asana, qualquer tipo de treinamento, você pode dizer “ah hoje eu tô muito bem, vou fazer muito, muito”, mas daí no dia seguinte você tem queda de performance, então é melhor você manter consistente e ir repetindo, ganhando corpo e aumentando progressivamente. O que constrói realmente as coisas são essas marchas das vinte milhas e é essencial que a gente se pergunte “quais são as minhas vinte milhas?”, “O que eu estou fazendo consistentemente na minha vida para produzir a transformação que eu quero?”, “Então o que eu venho reproduzindo regularmente?”. Isso é de fato o que vai construir o que você quer, e está ligado uma outra pergunta que é: “Se eu morrer, se eu desaparecer quem é que vai sentir falta do que eu faço, ou de mim? E por que essas pessoas vão sentir falta?”. Esta pergunta está ligado ao que o hinduísmo chama de Dharma, que é a sua própria vivência essencial, o que você tem que fazer que vai te gerar a satisfação. O sânscrito tem uma palavra chamada shraddha, que pode se traduzir por fé, mas essencialmente é aquilo que você tem certeza que quando você faz você está certo, então a própria Bhagavad-Gita tem uma passagem que diz que você é o seu shraddha, porque no fundo você é aquilo que você faz e que você tem certeza, é esse encontro da certeza que vai fazer com que você consiga manter consistente as suas vinte milhas. Se você não encontrar o seu shraddha você não vai conseguir manter consistentemente algo para impressionar os outros, é impossível isso, você só consegue manter algo consistente quando aquilo é realmente seu. No meu outro curso de aprendizado, tem uma passagem que eu falo que a disciplina tem muito mais a ver com uma boa escolha do que com “ah eu sou o Super-Homem que me supero e venço todos os obstáculos”, não, a disciplina tem muito mais a ver com “isto realmente é meu, eu sou isso”, então eu vou repetindo isso até construir aquilo que eu acredito, vai passar por dificuldades, vai passar por transformações, mas como Jim Collins falou a marca da mediocridade é  você realmente não querer expressar algo seu, ficar na média, seguir só os seus condicionamentos, seguir o que todo mundo faz, fazer várias coisas, não ter consistência na construção. Ele começa a falar também sobre a criatividade, que também é essencial nesse processo. Só a disciplina não adianta – isso eu também eu abranjo no curso sobre aprendizado – a disciplina sem aprendizado não faz sentido, ela só faz sentido quando é a repetição vinda como aprimoramento, este aprimoramento tem a ver com criatividade e então ele cita um tipo de criatividade que é a empírica, que fez diferença no caso do Amundsen e do Scott. A criatividade empírica é quando você faz testes com coisas que já existem, e então você faz uma grande inovação, uma grande disruptura, e não tenta fazer uma disruptura sem nenhuma base. O exemplo do Amundsen e do Scott, o primeiro valorizava o que já tinha sido descoberto e o que existia de conhecimento em relação a viver e se deslocar no frio, ele foi para o Alasca, viveu com os esquimós e, durante este tempo, ele aprendeu muitas coisas e começou a ver o que de fato funcionava. Ele observou por exemplo, que os esquimós de deslocam sempre devagar, porque a pior coisa que pode acontecer no frio é transpirar e quando isso acontece o suor congela dentro da roupa e você tem o pior cenário, o gelo diretamente na sua pele. Naquela época eles não tinham equipamentos, estamos falando de 1890 por aí. Ele descobriu, por exemplo, que eles usavam cães para se deslocar no frio, porque cães trabalham em grupo, tem habilidades de deslocamento rápido e a outra vantagem é que, se acabar a comida – infelizmente, mas em caso de vida e morte –, eles se alimentam uns dos outros, algo diferente do que o Scott acabou adotando. O Amundsen observou tudo isso, fez esta experiência e levou para Antártica o que ele tinha aprendido, então ele teve uma criatividade empírica, acrescentou algumas melhorais ao que já existia. Já o Scott quis fazer uma disruptura total, ele criou o trenó a motor que congelou assim que chegou na Antártica e não funcionou. A segunda opção, como ele não havia feito uma preparação assim como o Amundsen, foi tentar se locomover com pôneis, porém, eles não comem carne (cavalo é um animal vegetariano) e as patas dos equinos congelavam, Scott acabou perdendo todos os pôneis e teve de seguir caminhando. Enquanto o Amundsen tinha cães puxando trenó, algo mais organizado e eficaz. Você já começa a observar as diferenças de preparação que fizeram diferença no resultado: o Amundsen chegou trinta dias antes ao Polo Sul, foi a primeira pessoa a chegar no centro da Antártica e retornou com toda a equipe viva; já a equipe de Scott, além de ter chegado trinta dias depois, faleceu em seu retorno, tentando voltar para o barco. Então eu vou deixar um link de uma palestra que eu encontrei disponível para download no Vimeo e que eu acabei colocando no meu canal. É uma palestra do Jim Collins sobre o livro, quem quiser assistir, infelizmente é em inglês a palestra, não sei se tem tradução, mas é bem simples, o inglês não é sofisticado, mesmo quem não é bom no inglês consegue entender, ainda mais com as referências do podcast. Uma sugestão de estudo para quem quiser se aprofundar, assim como o livro, eu vou deixar o link para quem quiser comprar. Como eu já disse eu prefiro ouvir, pra mim é muito mais rápido, você consegue otimizar o seu tempo, eu sei que esse livro tem na audible, tem disponível em audiobook em inglês, ainda não tem em português, mas é um livro que vale a pena ler. A Bhagavad-Gita fala que devemos ter um propósito muito claro, você precisa seguir o seu proposito que tenha sentido e clareza pra você, só então você consegue construir algo seu, pessoal, sem seguir tendências ou vozes e opiniões. Para isto, você precisa passar por um processo de trazer o seu melhor a tona, o que não é simples, mas o yoga como um todo tem esse intuito, trazer o que há de melhor na pessoa através de diferentes técnicas e, o que estamos fazendo aqui, reflexões, debates, pensar sobre, e não acreditar que o normal é a vida seguir algo que foi determinado. Pode ser que você realmente esteja num bom caminho e que você esteja conectado com a sua voz interior, mas pode ser que haja momentos de desconexão ou coisas que você pode aprimorar ou que você sabe que pode ser melhor. Então, para isso, a prática do yoga e essas reflexões são bem construtivas e produtivas, e o livro fica como contribuição no sentido de dar um reforço para essas perguntas que muitas vezes nos incomodam: “o que eu tô fazendo consistentemente pra construir algo que eu quero”, “o que eu tô fazendo consistentemente que tenha a ver com o meu ideal de vida, como o meu Dharma?”. O Jim Collins faz um triângulo para explicar isso, a gente falou sobre criatividade empírica, que é você fazer os pequenos testes, ele faz uma comparação com tiros de revólver e balas de canhão, que é você dar tiros primeiro par testar, no caso do Amundsen ele foi lá, fez os testes, viu o que dava e o que não dava e, depois, você faz realmente o tiro de canhão, você vai para o objetivo maior, que foi quando ele partiu para a Antártica. Já o Scott lançou a bala de canhão, o seu primeiro plano já era algo inovador e disruptível, o trenó a motor que nunca tinha sido testado. Chegou lá, já deu uma bala de canhão, não funcionou, o trenó congelou, segunda bala de canhão que ele tinha, os pôneis, não funcionou, daí ele teve de dar tiro com o 38/32 dele que foi caminhando. A distância que eles tinham que percorrer era de 2200 km, 2200 km é você ir de Porto Alegre a São Paulo e voltar, esta era a distância que eles tinham de percorrer com temperaturas de menos de 38°C, situações extremamente adversas e os dois na mesma época e com o mesmo objetivo, então por isso que esta pesquisa é interessante, porque ela dá um grau de comparação muito preciso. Então ele fala desses três pontos do triangulo, a criatividade (tiros de revolver, balas de canhão), depois da paranoia produtiva (você manter a constância das 20 milhas independente das situações – no período da bonança e da dificuldade, porque o que faz a diferença é quando as coisas não vão bem – isto tem a ver com a constância na produção) e, por fim, ele fala de uma fanática disciplina. Mas fanatismo de disciplina é basicamente você seguir a sua voz e repetir o que você acredita, isso é você ser disciplinado e ele coloca esta palavra, fanática, mas com uma ênfase que é uma disciplina de quem quer realmente conquistar uma coisa que é importante pra si. Para ter esta constância você precisa estar alinhado com o seu Dharma, você precisa estar ouvindo o que realmente a contribuição que você pode dar ao mundo, se você não está conectado com isso, você não consegue esta consistência, por último, ele fala desta disciplina fanática e começa a mostrar a preparação do Amundsen e do Robert Scott. Quando o Amundsen foi fazer a tese de mestrado dele, ele tinha de fazer uma expedição a vela na Espanha, e ele morava na Noruega, então ele foi de bicicleta de um país a outro (eram 3000 km de distância), ele não era um ciclista regular, mas tinha um intuito de navegação. Tanto o Scott quanto o Amundsen participaram de expedições para a Antártica (uma coisa é você ir até a Antártica, outra coisa é você chegar até o meio da Antártica, são duas coisas bem diferentes), ele já havia ido, sabia que era difícil e começou a preparação desde muito jovem. Logo em seguida ele começou a tentar comer carne de golfinho pra ver como o corpo dele responderia se tivesse apenas uma fonte de energia. Por que se você vai ser forte só na hora que você precisa, talvez você não tenha a força necessária, você precisa ser forte quando você não precisa. Então, as vinte milhas não são apenas quando o tempo estiver bonito e ensolarado, mas quando o estiver ruim e nublado também, essa repetição que produz a construção, que produz o que a gente precisa para vencer o desafio. A filosofia do Amundsen era a seguinte: “Não se espera até estar no meio de uma tempestade imprevista para se descobrir que é preciso ter mais força e resistência, ninguém espera até acontecer um naufrágio para ver se consegue comer carne crua de golfinho, não se espera até estar numa expedição rumo à Antártida para se tornar um excelente esquiador e adestrador de cães, a pessoa se prepara com intensidade o tempo inteiro, para que quando as circunstancias estiverem contra ela, consiga se abastecer em um reservatório de energia bem fundo, da mesma forma nós nos preparamos de modo que quando as circunstâncias estiverem ao nosso favor podemos realizar grandes feitos.” Lembra das vinte mil milhas que o Amundsen dizia: “eu não posso expor o meu grupo a um desgaste muito grande num momento bom porque depois, quando vier um tempo ruim, a gente pode se prejudicar e até morrer”. Por outro lado, quando você já está conseguindo manter as coisas num momento ruim, quando surge um momento bom é que você faz a grande construção. É aquela velha história, que os grandes se preparam na crise, mas essa preparação precisa ser constante, você tem que repetir as vinte milhas para fazer uma grande conquista. Na expedição, os dois levaram bandeiras pra sinalizar, mas o Amundsen tinha uma preocupação que alguma coisa poderia dar errado, então ele ficava atento ao que poderia acontecer, isso o mantinha mais protegido. O Scott contava com toda uma tecnologia de ponta, era um cara mais relaxado, não tinha tanta atenção, e isso foi observado no plano da expedição. Por exemplo, as bandeiras, o Scott colocou uma bandeira quando saiu e depois só no posto de abastecimento, já o Amundsen colocava bandeira e sinalização a cada um quilometro, depois ele criou um raio de dez quilômetros de sinalização em volta dos pontos de abastecimento para se caso se perdessem em uma tempestade eles conseguissem voltar. Quando eles planejaram a viagem eles tinham um ideia de quanto de alimentos eles precisariam, o Amundsen levou três toneladas para uma equipe de cinco pessoas, o Scott uma tonelada para dezessete pessoas. Então você começa a ver a importância da preparação e qual foi o resultado. O Scott levou um termômetro para a viagem, que congelou e estourou, e quando você não tem termômetro num lugar desses você é perigoso porque você precisa planejar a caminhada de acordo com relação a melhor hora do dia de a temperatura, então ele ficou extremamente irritado com a situação, enquanto o Amundsen levou quatro termômetros. Então, você pode pensar, “mas um cara teve azar e o outro teve sorte”, o autor fez uma análise em relação ao tempo, e ele foi muito similar no caso de ambos, e isso ele extrapola essa visão de sorte e azar, mostrando que esses fatores (sorte e azar) não depende de você e que muda completamente cenário, seja para o bem ou seja para o mal. Então isso ele conta como um momento de má sorte e isso acontece dentro das empresas, e com os líderes, o ponto é o quanto você estava preparado para aquilo, que é o que a gente viu que no final faz a grande diferença. Voltando ao livro, ele mostra o quanto Scott reclamava da sorte e o Amundsen não tocava no assunto. Scott falava: “nossa sorte em relação ao tempo é ridícula” em outro registro disse: “isso é muito mais que a nossa cota de azar, quão imenso pode ser o elemento sorte”. O fato é que em 5 de dezembro de 1911, sob o sol claro que brilhava sobre a vasta planície branca, com um ligeiro vento cruzado e uma temperatura de aproximadamente -10°C, Amundsen chegou ao Polo Sul, com sua equipe, fincou a bandeira da Noruega e se desfraldou com um forte assobio e dedicou o platô ao rei do seu país, em seguida, todos recomeçaram o trabalho, ergueram uma tenda e nela amarraram uma carta ao rei norueguês na qual relataram o sucesso da missão. Amundsen, endereçou o envelope ao capitão Scott, presumindo que ele seria o próximo a chegar ao Polo, como medida de segurança, caso a sua equipe sofresse alguma adversidade e perecesse na viagem de volta. Ele não tinha como saber que Scott e sua equipe estavam puxando os seus trenós nos braços, a mais de 500 quilômetros atrás deles. Mais de um mês depois, às 18h30, em 17 de janeiro de 1912 Scott de se viu diante da bandeira da Noruega, afincada por Amundsen, no Polo Sul “tivemos um dia terrível” ele diz. Escreveu em seu diário “para a nossa decepção, um vento de 4 para 5 com uma temperatura de -35°C. Meu Deus, este lugar é medonho, é terrível demais para o trabalho que tivemos para alcança-lo, sem sermos premiados com a honra de chegar primeiro”. Naquele mesmo dia, Amundsen já havia percorrido quase 800 km na direção norte quando atingiu o seu depósito de suprimentos aos 82 graus, faltavam apenas oito dias mais fáceis da caminhada até o final da viagem. Scott, deu meia volta e também seguiu para o norte, percorreu mais mil quilômetros com a equipe puxando trenos a pé, justamente na mudança de estação o tempo piorou com ventos cada vez mais forte e temperaturas cada vez mais baixas e enquanto os suprimentos minguavam e os homens lutavam em meio a neve.  Amundsen e sua equipe, chegaram a base em boas condições em 25 de janeiro, a data exata que ele havia anotado em seu plano. Sem suprimentos, Scott desistiu em meados de março, exausto e deprimido, oito meses mais tarde um grupo de reconhecimentos britânicos encontrou o corpo de Scott e dois dos companheiro em uma barraca pequena e frágil coberta de neve a apenas quinze quilômetros do seu depósito de suprimento. Essa é uma prova, uma demonstração da importância de passar pelo processo, pela dificuldade e estar preparado para quando a dificuldades, as adversidades aparecerem. Quando a gente quer enfrentar um grande desafio, a gente precisa de uma grande preparação e aqui a gente teve um exemplo máximo disso, que é uma preparação extrema para um caso de vida ou morte, um ambiente em que o homem nunca tinha pisado. Então ali eles colocaram todas as forças, toda a tecnologia, passaram pelos maiores sofrimentos, a gente não precisa passar por tudo isso, mas você tem que saber que algum tipo de incomodo, de dor, de frustração precisa acontecer para que você consiga construir algo diferente, se não, você se acomoda e aceita a vida como ela é, isso não é uma opção ruim, ela só não é uma opção que o yôgin que busca a sua real identidade vai seguir, porque ele está buscando externalizar o que ele tem de melhor, a sua voz real, e contribuir com o seu Dharma no mundo, fazer a sua marca, a sua contribuição no mundo. Então o podcast fica por aqui, vou deixar vocês com uma música que é de um compositor que eu mencionei no podcast passado como um dos principais compositores do século XX, George Gershwin. Gershwin compunha muita música jazzista, eu não sou uma pessoa muito do jazz, tenho tentado ouvir um pouco mais. O que eu tento fazer com vocês, evangelizando com música clássica, eu tenho recebido esse impacto do Damien Chazelle, do La la Land, e escutado mais jazz, mas não é um tipo de música que geralmente ouço, embora o Gershwin me agrada, ele mistura música clássica com jazz. O interessante desta música é que ela tem muito a ver com o assunto que a gente falou hoje, no primeiro momento ela é difícil, chata e turbulenta, as coisas não fazem sentido, não cria melodia, fica tudo confuso, te incomoda e você desiste, mas quando chega em torno de 11 minutos, todos esses elementos que eram difusos começam a criar uma harmonia, leve e que vale a pena escutar, então é exatamente o que a gente viu hoje, quando a gente está no processo de treinamento, é duro, chato, vem incômodo, atrapalha, não dá certo, erra, não faz sentido treinar aquilo ou estudar aquilo, mas quando a gente chega no objetivo é como se as coisas se harmonizassem e, então, tudo se encaixa, e temos aquele momento de deleite em que valeu a pena cada sacrifício, valeu a pena cada carne de golfinho. Uma boa semana e até o próximo podcast.   https://yoginapp.com/reflexoes-de-um-yogin-contemporaneo-serie-de-podcasts-yoga-pro-seu-dia-dia/#axzz4qgdXngzX        

Filosofia do Yoga | 23 abr 2021 | Daniel De Nardi

Narrativas Internas e Invasão Ariana na Índia – Podcast #23

Narrativas Internas e Invasão Ariana na Índia - Podcast #23 Neste podcast vamos entender como as narrativas internas da nossa mente podem nos conduzir à verdade ou a ignorância. https://soundcloud.com/yogin-cast/narrativas-internas-podcast-23   A verdade é um valor muito querido na cultura hindu. A descrição que Patanjali faz sobre avidya, palavra que pode ser traduzida por ignorância mostra como o conceito da verdade era importante na visão do Yoga. O Yoga-Sútra apresenta avidya como a principal causadora das perturbações da mente e a descreve da seguinte forma nos 5º e 6º sutras do II Capítulo \"Falta de sabedoria [avidya] é como o campo onde crescem as demais perturbações, quer estejam adormecidas, enfraquecidas, isoladas ou totalmente ativas. Falta de sabedoria é a percepção da eternidade, pureza, bem estar e individualidade naquilo que é perecedor, impuro, desagradável e não-individual.\"   O trabalho do YogIN é destruir a ignorância, avidya, para perceber o mundo como ele é. O Yoga-Sutra sugere para essa investigação a aplicação de viveka, o discernimento. Viveka destrói avidya, pois o discernimento é o que possibilita diferenciar o eterno do perecedor ou o puro do impuro. No 4º capítulo, Patanjali de diferentes vozes internas, que dificultam a investigação. Como se fosse um colegiado de mentes onde apenas uma pode manifestar a natureza autêntica. Todas as outras são fruto de narrativas distorcida. A voz que manifesta a natureza autêntica é reconhecida no aquietamento da mente. Uma mente preenchida por vozes falsas, deslocadas da realidade,  tem muita dificuldade de ver as coisas como ela são.   Yoga-Sutra, capítulo IV, Sutras 4. Os cittas criados [pela mente] surgem de dentro dos limites da egoidade. 5. Um único citta dentre muitos é eficaz no corte da tendência à atividade. 6. Lá [esse citta] é o assento da mente [manas], nascido de dhyana. tradução Carlos Eduardo Barbosa   No Yoga podemos exemplificar isso com um caso bastante estudado nessa área, a Invasão Ariana. Quando o acesso às antigas escrituras indianas era limitado, os estudos sobre o início do pensamento vedico não pareciam corresponder com o que verdadeiramente aconteceu na história da Índia. Aqueles que interpretaram a história, não estavam preocupados em ver as coisas como elas eram, mas sim, em encaixar narrativas ideológicas dentro de evidências históricas.    1ª Teoria da Invasão Ariana - Elaborada a partir dos estudos de Max Muller. Ideologia da raça superior. Essa teoria, encaixou muito bem para as intenções intelectuais e políticas daquele momento histórico. A Inglaterra colonizava a Índia e estudava formas para que houvesse menos revoltas com o domínio britânico. O texto mais antigo da Índia, o Rig Veda, descreve como arya (nobre) um povo superior moralmente. Como os europeus também tinham erra palavra ária para designar um povo, não foi simples demonstrar que foram os arianos europeus que levaram a cultura para a Índia. Seu principal tratado já \"dizia\" isso. A teoria da invasão ariana como um povo superior foi exaustivamente ensinada nas escolas indianas durante a colonização britânica. Em 1844, antes de iniciar sua carreira acadêmica na Universidade de Oxford, Muller estudou em Berlim com Friederich Schelling, dando continuidade a sua pesquisa sobre sânscrito. Foi através de Schelling que Max começou a relacionar a historia da linguagem para a história da religião. A intenção da interpretação histórica dos Vedas fica mais evidente quando Max Muller escreve privadamente em 1868, uma carta a George Campbell , o recém-nomeado secretário de Estado para a Índia. \"Índia foi conquistada uma vez, mas a Índia deve ser conquistada de novo, e que a segunda conquista deve ser uma conquista por educação.\"   Uma das evidências que mostra a fraude dessa tese é que não só os indianos usaram o termo nobre para descrever a si mesmos como superiores moralmente, mas outros povos também o fizeram. Na Irlanda usa-se Iri, no Irã, Ira e na Índia Arya.  Todas as formas designando o próprio povo como nobre.   2ª teoria da invasão ariana - elaborada por Van Lysebeth. Ideologia marxista (opressor e oprimido). Em 1968, quando Andre Van Lysbeth escreve seu primeiro livro, J\'apprends le Yoga em Paris, a cidade vivia o fervor da famosa Revolta dos Estudantes. Os estudantes reivindicavam liberdade sexual e acreditavam que quase todos os problemas do mundo deviam-se a forças opressoras que subjugavam os mais fracos. Van Lisbeth estuda uma antiga Civilização que povoou o noroeste da Índia de 3400 A. C até aproximadamente 2000 A.C e que provavelmente por abalos sísmicos que são comuns naquela região fez o principal rio, o Saraswati, mudar de direção o que fez este povo entrar em declínio. Evidências não interessam muito a quem quer encaixar na história uma visão ideológica. Então, Van Lysbeth, se apoia na teoria de Max Muller, mas troca a narrativa. Agora, são os árias os vilões opressores. O povo de pele branca, invade os fragilizados indianos de pele escura. O povo que foi oprimido tinha uma Cultura mais elevada, mas como era pacífico perdeu a guerra e foi subjugado. Segunda Van Lysbeth o povo drávida vivia uma sexualidade totalmente livre, valor que foi proibido pelos arianos patriarcais e opressores. Parece roteiro do filme Avatar, mas até hoje muita gente acredita nisso, mesmo não havendo nenhum registro que demonstre o que esse povo pensava ou como se comportava. Justamente por ter poucas evidências essa história encaixou como uma luva para as ideologia dos centros acadêmicos europeus.   3ª teoria da invasão ariana - Elaborada por Shri Kant Talegari - não houve invasão ariana  O Rig Veda é a primeira grande obra literária da História da Humanidade. Contém mais de 10 mil versos e foi composto por centenas de autores. Cada verso do Rig Veda tem a indicação de quem foi o autor ou a família que fez a inserção literária. Os hinos eram cantados e descreviam os rituais de sacrifício em que acreditavam conseguir extrair a essência espiritual do objeto ou animal sacrificado. Em seguida, de alguma forma transferiam a essência do objeto para uma bebida ou um alimento que seria posteriormente ingerida pelos praticantes ou patrocinadores do ritual. Quando ingerissem, ganhariam essa força espiritual extra, proporcionada pelo ritual. O Rig Veda é repleto dessas descrições e faz parte da primeira etapa do pensamento védico, chamada de Karma Kanda que é caracterizada por esse tipo de ritual. Este texto começa a apresentar conceitos importantes que serão explorados pelas próximas correntes literárias do pensamento indiano, mas ele está longe de ser uma Enciclopédia Universal da sua época, como alguns tentam vender. Comparando a antiguidade dos versos com o local de origem das famílias que os produziram, o historiador Shrikant Talageri, demonstrou o movimento migratório desejado pelos príncipes de Kashi. Os versos mais antigos foram compostos próximos a Varanasi e foram sendo produzidos até a região da Caxemira, cerca de 1500km de distância do local original. Com isso, os príncipes conseguiram unir culturalmente a região e habitar o local que para eles era sagrado, a região de Brahmavarta, onde hoje em dia fica a cidade de Delhi. A família dos Príncipes de Kashi, a família nobre da época, chamava-se Bharatas. O épico literário mais importante da Índia chama-se Mahabharata, Maha = Grande, conta a história da unificação da Grande Índia, que ainda hoje intitula-se de Bharata.   Links Curso de Formação Yoga - curso online https://yoginapp.com/curso-yoga-formacao-de-professores/   Depoimento das alunas da Formação YogIN App https://youtu.be/jPGgluaHjCs?list=PL3Y5CFIJsp-zvkZwM9iwmWj9_wixik1jG Livro que apresenta a tese de Van Lisbeth sobre a invasão ariana Pontos de vistas do pesquisador David Frawley  sobre a invasão ariana  https://youtu.be/qych3WYNViA     Filme Amadeus Filme Amadeus para comprar no Google Play As Bodas de Fígaro - Ópera completa - https://youtu.be/x8OHbbmfnW8 PDF Yoga-Sutra tradução Carlos Eduardo Barbosa    Playlist da Série Reflexões de um YogIN Contemporâneo   https://open.spotify.com/user/yoginapp/playlist/2YCabHrhxWDjZAYxdVwusa   Narrativas Internas – Podcast #23   Olá, o meu nome é Daniel De Nardi e está começando 23º episódio de “Reflexões de um YogIN Contemporâneo”, um podcast que eu tenho grava semanalmente trazendo um pouco sobre a cultura sânscrita, cultura antiga da Índia, e também informações sobre coisas que acontecem em nosso cotidiano, filmes e estabelecendo relações entre esses mundos aparentemente tão distantes, mas na prática, tão próximos. Hoje nós vamos falar sobre narrativas internas e o quanto elas podem dificultar a nossa percepção da verdade. A verdade é um valor muito importante dentro da cultura hindu. Patanjali, que é o primeiro escritor de yoga (nós falamos algumas vezes sobre ele), fala sobre o principal obstáculo do yoga, segundo ele, que é Avidhya, a ignorância. Ignorância esta que é a causadora das perturbações da mente, Avidhya pode ser traduzida também como falta de sabedoria. Quando Patanjali fala sobre Avidhya, deixa claro a relação dela com a verdade. Ele fala sobre no capítulo 2, no sutra 5 e 6, da seguinte forma: “Falta de sabedoria, Avidhya, é como o campo onde nascem as demais perturbações, quer sejam adormecidas, enfraquecidas, isoladas ou totalmente ativas. Falta de sabedoria é a percepção da eternidade, pureza, bem estar, individualidade, aquilo que é perecedor, impuro, desagradável e não individual”. A ideia de gravar o episódio de hoje aconteceu porque eu estou gravando uma nova aula para o curso de formação. Para quem não sabe, a gente tem um curso de formação de yoga online, no YogIN App, que serve tanto para aqueles que querem aprofundar o entendimento no yoga, quanto para aquelas pessoas que querem se formar e usar o yoga como profissão. Então, para estar pessoas, a gente faz uma avaliação, a gente tem dois encontros presenciais, então o curso tem as aulas teóricas on line e uma parte presencial para que possamos avaliar a qualidade das aulas e também se conhecer e ver como está a absorção do entendimento desta filosofia. E aí eu estava gravando uma das aulas, a gente tem uma das aulas que é sobre Samkhya que é uma antiga filosofia indiana que da base para o pensamento de Patanjali, eu estava desenvolvendo uma aula sobre o Yoga Sutra, como ele é baseado no Samkhya eles se casam em muitos aspectos, e dessa aula se desdobrou a ideia deste podcast que veio reforçar aquilo que eu estava estudando, mas de uma forma diferente e será complementar para quem estiver fazendo o curso de formação. Este podcast é gravado como os meus podcasts semanais, mas ele vai servir como parte desta aula que estou montando. Nós vamos começar uma nova turma deste curso no dia 07 de agosto, então quem tiver interesse, como é um curso que a gente tem um acompanhamento diário, nas redes sociais tem grupos que são acompanhados diariamente, esclarecendo as dúvidas e conversando. Este é um curso com o número de vagas limitadas, há uma página na internet que explica detalhadamente qual é o currículo do curso e, para quem quiser, tem o link na descrição. Mas quem quiser saber um pouco mais, quiser entender mais e conversar com a gente sobre o curso, no dia 09 de julho a gente vai fazer um encontro online, então está aqui também o link para a inscrição gratuita no curso em que a gente vai falar um pouco mais sobre o yoga, mas explicar sobre o curso e tirar dúvidas dos interessados. Então fica o convite, a minha dica é a seguinte: se você vem ouvindo os podcasts semanais e vem gostando, eu garanto pra você que irá gostar desse curso. Ele é feito com muito carinho, eu e a Mayara que somos coordenadores do curso, nós colocamos bastante dedicação tanto da produção das aulas quanto na base de estudo. Além disso, tem vários outros professores que fazem parte do curso também, então não é apenas aulas minhas e da Mayara, tem também aulas da Renata Mosini, do Pedro Franco, que é um professor reconhecido internacionalmente com várias aulas gravadas fora do Brasil, Mila Monteiro que as pessoas devem conhecer das redes sociais, tem a Beth Pedotti, a Sá Souza. Todo esse pessoal tem aulas no aplicativo e as aulas são bem completas, elas abrangem desde um pouco de anatomia dos asanas, toa a parte de história do yoga, filosofia e principais técnicas. Então é um curso bastante completo e quem tem o interesse em conhecer mais sobre o yoga eu garanto que vai gostar do curso, quem está na dúvida, não sabe ainda, pesquise um pouco mais, talvez não seja o seu momento, este curso exige dedicação, ele realmente tem o que estudar, o yoga é uma sabedoria que vem sendo desenvolvida desde 3400 a.C., então a gente tem 5.500 anos de produção literária no yoga, então tem bastante coisa para estudar, mas obviamente dá para fazer através do curso on line como aprofundamento, de estudo, de curiosidade e dá para estudar dentro das suas possibilidades. Vejamos o que Patanjali fala a respeito dessa falta de sabedoria, a Avidhya ou também chamada de ignorância. No capítulo 2, sutra 5 e 6 ele diz o seguinte: “A falta de sabedoria, a Avidhya, é como o campo onde crescem as reais perturbações da mente, quer estejam adormecidas, esquecidas, isoladas ou totalmente ativas. Falta de sabedoria, a Avidhya, é a percepção da eternidade, pureza, bem estar, individualidade naquilo que é perecedor, impuro e não individual” Esta é uma tradução do professor Carlos Eduardo Barbosa, eu vou deixar a tradução completa do Yoga Sutra no link da descrição. O que ele fala que é interessante aqui é a falta de sabedoria é você ter uma percepção da eternidade no que é perecedor, da pureza no que é impuro, há uma distorção da percepção, por vários motivos, perturbação da mente e tudo mais, a gente não vai aprofundar isso agora neste podcast, mas há uma interferência de uma narrativa interna e isso dificulta a percepção real, dificulta o encontro da verdade, e o trabalho do yôgin é destruir essa ignorância, destruir a Avidhya para ver o mundo realmente como ele é, para se perceber de fato como é. Para isso é necessário investigar essas informações que distorcem a percepção do mundo, para isto a Yoga Sutra sugere a aplicação de Viveka, o discernimento, o que define o que é o puro, o que é o desagradável, a capacidade de você diferenciar essas influencias da natureza e você ter, de fato, noção do que está acontecendo. No quarto capitulo, Patanjali fala de diversas vozes internas que dificultam a investigação, como se fosse um colegiado de mentes e apenas uma consegue manifestar a nossa natureza autentica. Então, você é como se você tivesse vários conselheiros, mas todos eles, a não ser um, não vão te direcionar para um bom caminho e existe um conselheiro que é o Tita, que são as vozes das quais ele fala que te direciona para a manifestação da natureza autentica. Todas as outras são frutos de distorções de narrativas e a voz que manifesta a natureza autentica é reconhecida no aquietamento da mente. Quando a mente é preenchida por essas vozes falsas, deslocadas da realidade, ela tem muita dificuldade de ver as coisas como elas são. No capítulo 4, nos sutras 4, 5 e 6 Patanjali diz o seguinte a respeito daquelas vozes internas: “Os Titas criados pela mente, surgem dentro dos limites da egoidade, o único Tita entre muitos é eficaz no corte a tendência a atividade, lá nesse Tita é o assento da mente, nascido da meditação.” O yoga tem um exemplo muito claro de um assunto que se estuda muito no yoga, que mostra nitidamente o quanto essa tendência da narrativa distorce as coisas como elas realmente são. O assunto que vamos usar como exemplo é sobre a invasão ariana. Fala-se muito sobre esta invasão porque talvez ali tenha sido o início do yoga, mas a gente vai ver de fato o que há por trás dessa história e o quanto das narrativas ideológicas acabam distorcendo a visão da verdade. Quando o acesso as antigas escrituras indianas era limitado, os estudos sobre o início do pensamento védico não pareciam corresponder com o que verdadeiramente aconteceu na história da Índia. Aqueles que interpretaram a história não estavam preocupados em ver as coisas como elas eram, mas sim encaixarem narrativas ideológicas dentro de evidencias históricas. Existem várias teorias sobre a invasão, mas a primeira teoria a ser defendida foi elaborada a partir dos estudos de Max Müller, que tinha como ideologia a raça ariana como superior, então esta teoria se encaixou perfeitamente para as intenções intelectuais e políticas daquele momento histórico. A Inglaterra colonizava a Índia e estudava as melhores formas que houvessem para ter menos revolta com domínio britânico. O que eles poderiam fazer para gerar menos conflitos e para que os hindus aceitassem aquela superioridade que foi imposta na guerra através do governo britânico. O texto mais antigo da Índia, o Rigveda, descreve “aria” como nobre, um povo superior moralmente. Como para os europeus também usavam a palavra aria, não foi simples demonstrar que o aria que o Rigveda se referia eram os europeus. Então, o indiano deveria aceitar essa colonização, porque foram os britânicos que haviam levado a cultura para a Índia. Esta era a tese de Max Müller, e depois esta narrativa casou bastante com a proposta do nacional socialismo, com o nazismo, comandado por Hitler, que buscava símbolos para afirmar suas ideias com a tese de Müller. Em 1944, antes de iniciar a sua carreira na Universidade de Oxford, Müller estudou em Berlim Friedrich Schelling, dando continuidade à sua pesquisa sobre sânscrito. Foi através de Schelling que Max Müller começou a relacionar a historia da linguagem com a da religião. Schelling era um estudioso, ele foi uma grande influência de Hegel, e começou a mostrar a Müller que se eles convencessem – Müller era um estudioso das religiões, ele foi inclusive o fundador da ciência das religiões –, usassem a linguagem das crenças para algo político, haveria uma aceitação maior do povo. Como dá pra ver no exemplo do Rigveda, já existia um povo chamado aria, que na verdade eram os indianos escrevendo o seu próprio povo que eles consideravam nobre, esse povo era superior moralmente, assim como todo o povo que conta a própria história. Os intelectuais pegaram esta história e se apropriaram, mas não tem relação com a realidade. A intenção dos vedas, fica mais evidente quando Müller escreve uma carta privada ao George Campbell, que havia sido recém nomeado secretário de Estado da Índia, que fala o seguinte: “A Índia foi conquistada uma vez, mas deve ser conquistada de novo e que a segunda conquista dever ser uma conquista por educação” Eles identificaram esta ideologia dentro da história indiana, e começaram a direcionar o povo a creditar que eles haviam levado sabedoria e cultura para o país, e que consequentemente os indianos deveriam obedecê-los e respeitá-los. Essa vontade ideológica por trás da análise dos fatos, fez com que tudo fosse distorcido porque não houve um povo que saiu da Europa e chegou até a Índia para colonizá-la. Uma grande evidência disso é que não só os indianos usam o termo nobre para descreverem a si mesmos como os superiores moralmente, outros povos também o fizeram. Na Irlanda, usa-se “Iri”; no Irã, Ira e na Índia, Aria, todas maneiras de designar um povo como nobre. A segunda teoria sobre e invasão foi formulada por Andre Van Lysebeth, um professor de yoga belga, autor de um livro bastante famoso chamado “Tantra, o culto a feminilidade”. Em 1968, quando Van Lysebeth escreve o seu primeiro livro J’apprends le Yoga, em Paris, a cidade vivia o fervor da famosa revolta dos estudantes que reivindicavam liberdade sexual e acreditavam que quase todos os problemas do mundo deviam ser as forças opressoras que subjugavam os mais fracos. Era a época da Revolução Sexual, de questionar as regras da sociedade e perceber o mundo como sendo um lugar de opressor e oprimido, então há várias escolas de intelectuais europeus que tinham este discurso, o que fez com que a Revolta de 1968 fosse tão forte dentro da cultura ocidental. O Van Lysebeth estava em Paris nessa época, ele publica o livro dele na cidade, e em seus estudos encontra uma antiga civilização que povoou o noroeste da Índia, de 3400 a.C. até 2.550 a.C., esta civilização chamada de Civilização do Vale do Indo provavelmente sofreu um abalo sísmico muito comum aquela região. Então houve um terremoto que desviou o rio Saraswati – quem já foi pra Índia sabe que as cidade vivem em função dele, quando um rio é desviado, a cidade morre – a civilização entrou em declínio até se extinguir completamente até 2.000 a. C. tendo um pico de 1.500 anos de muita produção, encontraram muitas evidências, mas nada escrito. As evidências não são interessantes para investigação quando se há o interesse em difundir uma ideologia. Então na época do Max Müller, o acesso aos textos era muito difícil, poucas pessoas conseguiam ler o devanagari (a língua em que os livros eram escritos), por isso, a capacidade de distorção das coisas era enorme e Müller cometeu erros crassos em relação a datação e tudo mais. Quando entra Van Lysebeth com esta narrativa toda, da liberdade sexual, do opressor e do oprimido e encontra essa civilização em que não há evidências históricas, se consegue colocar qualquer tipo de narrativa – porque não há como provar, a civilização não deixou nada registrado e o que há de registro escrito, não foi decifrado, eles criaram uma teoria que o povo da região era livre sexualmente, que explorava a sua sexualidade que deu origem ao tantra, embora não haja nenhuma relação com evidências históricas sobre isso. Eles criaram um ambiente perfeito, de uma sociedade perfeita que foi invadida pelos arianos, então ele aceita a teoria do Max Müller, houve a invasão ariana, que eram altos, loiros e de olhos claros e atacaram um povo que tinha muito mais cultura, que foi escravizado e toda a cultura foi perdida porque esse povo “malvadão” invadiu e destruiu tudo. Não há evidências históricas, como saber se havia uma sexualidade livre na época se não deixaram uma frase escrita, como dizer que o yoga já era praticado na época, que existiam técnicas, se depois, quando o Yoga foi compilado por Patanjali, não existiam tais técnicas que só apareceram depois, com os tântricos. Então, esta história da Civilização do Vale do Indo é excelente para quem quer introjetar uma narrativa específica, não há evidência, então pode ser contada qualquer história porque não há como provar. Mas as evidências acabam deixando a tese muito fraca, justamente por não ter documentação e hoje em dia, só quem não continua estudando o assunto é que aceita “uma civilização perfeita, matriarcal, que vivia o amor livre e que criou o yoga”, isto já foi derrubado por vários tipos de estudos ao longo dos últimos anos, entre eles um estudo que a gente vai mencionar agora prioritariamente que é a terceira teoria que, pelas evidências, deve ser a que se aproxima mais, tem pontos que a gente consegue verificar evidências históricas, verdades, você consegue analisar o que tem de fato e que não é só fruto da cabeça de um intelectual que tem o interesse em passar uma narrativa a diante. Esta terceira teoria é criada por um acadêmico indiano chamado Shri Kant Talegari e apoiada por muitos intelectuais, inclusive o David Frawley (vou deixar aqui o vídeo), pesquisador americano que também não acredita a invasão ariana, inclusive tem uma palestra que dele que fala sobre isso. A teoria do Talegari mostra que existe índice no Rigveda que é elaborado por cronologia, ele tem ali as famílias com o compositor. Então, ele começou a fazer um estudo dessas famílias e verificou que o Rigveda tinha um movimento: os mais antigos textos começaram perto de onde hoje é a cidade de Varanasi, mas que também era chamado de Kashi, os príncipes de Kashi era entusiastas (já falei a respeito em outro episódio) e patrocinaram a produção literária do Rigveda que foi produzido para gerar uma série de sabedorias locais para criar uma cultura local, uma tradição que era parte do que acontecia na época. Eles foram escritos ao longo da Índia, começando em e indo em direção ao noroeste do país. O próprio movimento migratório do Rigveda mostra uma discrepância em relação as teorias da invasão ariana, porque nesta teoria o movimento começava no noroeste e ia migrando para o centro da Índia. O Rigveda, que é o primeiro texto, o mais antigo, começando em 3400 a.C. relata um movimento contrário, como citado anteriormente. Então, existe a teoria das duas civilizações que foram ocupando a Índia simultaneamente, mas a que realmente escreve os textos é a civilização existente em Varanasi e nas cidades seguintes. Isto se parece muito mais com o que de fato aconteceu por essas evidências históricas, até datação e nomes, além de demonstrar que não houve essa guerra uma vez que havia muito espaço dentro da Índia, não havia porque brigar por terra, o que houve foi uma ocupação de um povo chamado Indo-europeu, que é um povo que habitou a região da China e da Mongólia, o centro da Ásia, e veio migrando para diferentes partes, inclusive a Índia, esse povo, sim, vem construindo sabedoria e cultura junto, mas ocupa aos poucos (ao longo de milhares de anos) e vai havendo uma produção e construção dessa civilização antiga que pode ser chamada de Sânscrita porque tudo produzido por ela foi em sânscrito. Isso mostra que quando você se desfaz da vontade de ter uma ideologia e investiga onde está a verdade, você se aproxima muito mais das coisas como elas são e você consegue prever ou, pelo menos, pensar nas coisas de uma forma mais clara, sem distorção, isso favorece o seu próprio conhecimento, pois irá perceber fatos condizentes com a realidade. No momento em que você investigar a sua realidade, aquilo também fica muito mais próximo de ser verdadeiro. Para finalizar, quem está assistindo o podcast pelo aplicativo, que você pode fazer quando é aluno, assinando qualquer plano você pode ouvir o podcast pelo aplicativo e a vantagem disto é que eventualmente é quando tem uma cena, ou alguma imagem citada por mim ela aparecerá. Quem quiser, obviamente estará na descrição, mas é mais fácil e melhor para assistir. Vou trazer aqui uma cena do filme Amadeus, que conta a história de Mozart. Ganhou muitos Óscares, se eu não me engano foi em 1985 ou 1986. Conto a história de Amadeus no e-book sobre respiração que eu escrevi no YogIN App, porque foi o primeiro filme que eu assisti no cinema, assisti com o meu pais, então me marcou e eu sempre gostei muito. O Amadeus tem uma cena em que há uma conspiração contra Mozart, por inveja dos compositores da época, no caso do filme por Salimieri. Eles fazem uma conspiração contra Mozart que explica como é a sua obra, os conselheiros do rei já o intoxicaram com conselhos distorcidos, falando que Mozart havia produzido uma obra que podia gerar uma revolta social porque mostrava a opressão da nobreza sobre os servos. Então tem essa abordagem de que quando se coloca algo na cabeça, mesmo que não corresponda a realidade, tudo que é visto confirma no que se crê. O rei, em questão, proíbe Mozart de produzir a obra, este fica desesperado porque ela já está quase pronta e não pode mostrar nada ao rei. Mozart suplica tentando fazer com que o rei saiba qual é, ao menos, a primeira cena. O rei o permite mostrar, e agora vou deixar aqui a descrição: Mozart não estava querendo mostrar uma situação de opressão, mas algo do cotidiano, que é um rapaz medindo a cama para ver se ela cabia. Como já existia essa narrativa, já tentou interpretar toda a obra com esse tema da revolta social, do opressor com o oprimido. Então agora eu vou deixar o primeiro ato, que é o momento em que mostra essa cena e quem está assistindo pelo podcast vais poder ver, quem quiser ver a ópera inteira, tem a descrição no link. Até o próximo podcast. Ohm Namah Shivaya!    

Filosofia do Yoga | 22 abr 2021 | Daniel De Nardi

Qual a origem do nome Yoda, o mestre Jedi de Star Wars ?

Qual a origem do nome Yoda, o mestre de StarWars ? George Lucas, criador da saga tinha como referência intelectual o historiador Joseph Campbell . Campbell era um estudioso de mitos antigos e um leitor de textos hindus. A palavra yodha, provém do sânscrito e significa guerreiro. Inclusive, uma das traduções de #Yoga é a mochila do guerreiro, referência as ferramentas que um yogin desenvolve e que carrega consigo o tempo todo. 🧘🏿‍♂️👽🤖     [caption id=\"attachment_448496\" align=\"alignnone\" width=\"150\"] O criador de Star Wars, Geroge Lucas conversa com seu mentor Joseph Campbell[/caption]