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Sapiens, comentando uma breve História – A Revolução Cognitiva – Podcast #80

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Podcast de Yoga | 8 fev 2021 | Daniel De Nardi


Sapiens, comentando uma breve História – A Revolução Cognitiva – Podcast #80

Os Sapiens irão se extinguir em breve segundo Harari, nossa espécie dará origem a uma espécie tão diferente quanto nós e os Neandertais ou os macacos. Como isso vai acontecer é o que veremos nesse episódio.

 

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Narrativas Internas e Invasão Ariana na Índia – Podcast #23

 

 

O início do Yoga – Podcast #24

 

 

 

 

 

Revolução científica

 

  • RESUMO: A Revolução Cognitiva começa quando o Ser Humano parte das savanas da África há 70 mil anos. Povoa a Ásia e Europa e se diferencia pela sua comunicação e capacidade de criar mitos que integram mais de 150 indivíduos em causas comuns. Há 45 mil anos o Sapiens chega até a Austrália e depois à América. Há 12 mil anos inicia a Revolução Agrícola que modificou completamente a interação do homem com a Natureza e os comportamentos dos Sapiens. O excedente de produção das lavouras permitiu a construção de aldeias cada vez maiores que originaram cidades e reinados. A complexidade das cidades exigiu um sistema de trocas mais eficientes que permitissem aos indivíduos terem suas necessidades atendidas, essa necessidade dá origem ao dinheiro. Outra descoberta que é fruto da complexidade das cidades é a criação da escrita, primeiro apenas para registrar dados e depois também para ideias. Os Impérios se estabeleceram como administradores de grandes terras. Os Impérios influenciaram culturas, mas também foram influenciados por elas. As Religiões e ideologias também tiveram papel central na unificação do planeta. Esse será o episódio com mais temas pois é a partir de explicação da Revolução Tecnológica que começa com as grandes navegações do século XV que se desenrola uma enxurrada de mudanças econômicas e comportamentais no planeta.
  • RESSALVA: a Literatura sempre retratou esse drama do Homem querendo vencer a imortalidade ou as leis naturais e no final se dando mal. É o caso da História de Ícaro, que da ganância de voar até o Sol constrói asas, que são derretidas pelo calor do Sol e terminam com seu sonho e com sua vida. Isso é uma das críticas que Harari mais recebe de críticos conservadores, pois em determinada parte do livro ele fala que a previsão é que até 2050 existam seres amortais, não são imortais nem mortais são amortais. Isso significa que esses indivíduos não morrerão do que ele chama de “problemas técnicos” que são todas as doenças que conhecemos hoje. Poderão morrer de algum acidente que parta membros, mas de doença não. Muita gente diz que isso é prepotência e que vai acabar dando ruim, como se diz. Só que nesse caso, eu estou com Harari, pelo mesmo motivo que ele apresenta no livro, em 30 anos muito provável que já consigam imprimir em laboratórios órgãos idênticos aos nossos e assim como hoje ninguém mais morre por perder uma perna, não morreremos mais se precisarmos trocar os dois pulmões. Acredito que a reflexão exposta neste último capítulo, que serve como a conclusão de todo o trabalho serve para que cada nós que não somos técnicos de AI e outras tecnologias avançadas, possam ter o mínimo de noção para poder optar, nem que seja com nossa decisão de consumo o que pode ser melhor para cada um como indivíduo e como espécie. Tentar se esconder numa casca de noz e dizer “tecnologia não é para mim” eu sou à moda antiga é o mesmo que dizer que você prefere comprar fichas telefônicas para ligar do orelhão. A realidade é que não existe mais esse de “eu não mexo com essas coisas” a tecnologia é uma ferramenta que vai nos transformar como espécie, então o melhor que podemos fazer é termos um mínimo de noção de como ela funciona.        

 

14 A descoberta da ignorância

Os últimos 500 anos foram de um empoderamento humano jamais visto anteriormente na História. Há 500 anos haviam 200 milhões de pessoas sobre a Terra, hoje há 7 bilhões.

Há Revolução Cognitiva durou cerca de 70 mil anos, a Agrícola 12 mil e estamos apenas a 500 anos dentro da Revolução Tecnológica, que pode ser a última dos Sapiens.

Jamais houve tanto investimento e confiança na ciência.

Quais são as principais diferenças da ciência com relação aos sistemas anteriores:

  1. A disposição a admitir ignorância. Nenhum conceito é sagrado e proibido de investigação;
  2. A centralização das observações e das matemáticas;
  3. A aquisição de novos poderes (memória externa, comunicação instantânea).

A revolução científica não foi prioritariamente uma revolução de conhecimento e sim da ignorância. A admissão de que não sabemos tudo, nos fez aprender mais sobre qualquer coisa. As tradições religiosas sempre disseram que tudo o que era para ser sabido já havia sido descoberto. O conhecimento apresentado por elas, sempre abarca o todo.

Antigamente, quando havia uma dúvida, pensava-se que sempre haveria um sábio que poderia respondê-la. Não havia nada que não era explicado pelos demais ou pelas escrituras.

Se com o tempo, as pessoas forem entendendo que os mitos são apenas criações como ficará o tecido social que une a todos?

O que pode acontecer é que um sistema se abrace a uma teoria como se fosse a verdade científica e atue inquisitivamente contra os que discordam. Foi assim com o Nazismo e o Comunismo que não aceitavam que sua teoria fosse refutada.

Ou irÃO abraçar uma teoria não-científica como a verdade.

O que vem acontecendo é que pessoas vem seguindo a ciência como uma verdade, tal como se fazia com as religiões.

As Religiões sempre montaram suas teorias em relatos. Escrituras religiosas têm poucos dados matemáticos, enquanto na ciência a comprovação através de números é essencial.

Newton apresentou uma teoria que previa o movimento de todos os corpos no Universo.

Sua obra, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural [nota 2]é considerada uma das mais influentes na história da ciência. Publicada em 1687, esta obra descreve a lei da gravitação universal e as três leis de Newton, que fundamentaram a mecânica clássica.

Estudos de estatísticas e probabilidades abriram muitos campos de investigação onde é impossível ser 100% preciso, como dados demográficos.

A morte está sendo vencida. Para ciência, hoje ela é considerada um problema técnico. Preveem que em 2050 existirão pessoas amortais, não imortais, amortais significa que permanecerão vivos para sempre desde que não haja nenhum tipo de trauma mortal.

O aumento de investimento em tecnologia cria um ambiente fértil para novas descobertas. As descobertas de Darwin só foram possíveis pois havia interesse britânicos em pesquisas de botânica. Se Darwin não tivesse descoberto a teoria da seleção natural, outro cientista do seu tempo que fazia o mesmo tipo de investigação, Russel Wallace também a teria descoberto. Entretanto, se não houvesse o investimento em pesquisa, nenhum dos dois teria descoberto nada, por mais gênios que fossem.

Esses investimentos não são pela “ciência pura” eles tem seus propósitos totalmente ligados a quem coloca o dinheiro neles. No século XIX, imperadores e banqueiros investiram milhões de dólares em explorações intercontinentais e nada em psicologia infantil, pois acreditavam que o que daria mais retorno seria conquistar novos territórios e não conhecer a psicologia infantil. Da mesma forma, na década de 40, americanos e russos colocaram bilhões de dólares em pesquisas nucleares e não em arqueologia submarina, pois ambos acreditavam que bombas nucleares dariam muito mais poder que o conhecimento do que vem acontecendo nas profundidades do oceano.

Como os recursos para pesquisa são limitados, acabam sempre sendo decidido por questões pessoais, políticas ou religiosas. Se houvessem dois pesquisadores buscando financiamento para suas pesquisas. Um com o objetivo de diminuir uma infecção que aumentará a produção de leite em 10% e outro querendo medir o impacto emocional que as vacas sofrem ao serem separadas dos bezerros. A probabilidade nesse caso, é que o primeiro pesquisador que receba a verba, pois o poder político e econômico dos produtores de leite é maior que o dos protetores de animais. Entretanto se a sociedade fosse apenas hindu, onde a vaca é sagrada, pode ser que as coisas se invertessem e os recursos fossem destinados ao segundo pesquisador.

A ciência não tem uma pauta definida para onde devem ir seus recursos ou suas descobertas. O que tende a conduzir suas direções são as ideologias.      

 

  

 

15 O casamento entre ciência e império

Em 1776 os cientistas precisavam observar a passagem do planeta netuno, pois com isso conseguiriam saber exatamente a distância da Terra para o Sol. Organizaram uma expedição, liderada pelo experiente navegador James Cook ao Tahiti. Vários cientistas participaram dessa expedição e muitas descobertas foram feitas. Durante a época das expedições marinhas, os marinheiros morriam de uma doença desconhecida chamada escorbuto. Na época da expedição ao Tahiti os cientistas propuseram uma solução da doença com a ingestão de alimentos cítricos. O Escorbuto, matou 12 milhões de marinheiros e era um grande dificultador das longas viagens pelo mar. Cook resolveu testar pessoalmente a solução e começou a levar frutas e hortaliças para as viagens. O remédio deu certo e seus marinheiros nunca mais morreram da doença. A cura do escorbuto contribuiu fortemente para que a Inglaterra dominasse ilhas distantes e conseguisse enviar exércitos para qualquer parte do planeta.

Para a Inglaterra a expedição foi um sucesso, mas o que dizer dos nativos australianos ou o povo aborígene da Tazmania?

Cook era um explorador, mas também era membro da Marinha Inglesa, que contribuiu com armas e embarcações para a expedição. A expedição de Cook foi científica, ajudada pelo governo inglês ou seria uma expedição militar com alguns cientistas junto?

A revolução científica e o desenvolvimento dos impérios eram indistinguíveis.

Em 1775 Ásia respondia por 80% da economia mundial. Índia e China juntas representavam 75% da produção global. Os impérios asiáticos não viam vantagens em dominar os mares e nesse período grandes impérios como os mongóis se expandiram na Índia e o império chinês também aumentou seu território.

Entre 1750 e 1850 europeus travaram várias guerras e dominaram diversos territórios na Ásia de forma que em 1950 Estados Unidos e Europa Ocidental respondiam por mais da metade da produção global.

A partir de 1850 a Europa começou um processo de desenvolvimento conjunto entre ciência, indústria, militarismo e imperialismo. Até essa época, a Europa não tinha muita vantagem em relação aos grandes impérios de China, Índia e Pérsia.

O fato de França e Estados Unidos terem seguido rapidamente o modelo inglês e esses outros impérios só conseguirem fazer isso depois, se deve ao fato que os impérios Europeus, deixaram como legado, mitos que fortalecem o capitalismo e a ciência.

O que fez a ciência se desenvolver muito mais na Europa, é que o navegador e o botânico compartilhavam de uma coisa. Ambos admitiam ignorância e punham seus esforços em ir lá e descobrir, enquanto as ideologias presentes na Ásia pensavam que tudo o que é importante, já foi descoberto.

Até 1850 a Europa não tinha nenhuma vantagem em relação aos impérios asiáticos.

Américo Vespucci foi quem determinou que a América era um continente desconhecido. Essa foi a grande mudança para a Era Científica, pois diferentemente de Colombo que não admitiu a ignorância e morreu achando que estava nas Índias orientais. Nesse momento os europeus passaram a ver que valia mais a pena verificar informações que acreditar em escrituras antigas. A América não havia sido descrita em nenhum desses textos.

Todos os campos da ciência começaram a assumir que não sabiam muita coisa e foram atrás das investigações por todo o mundo.

Em 1802 os britânicos começaram a coletar todo o todo de informação sobre a Índia. Mohenjo Dharo foi descoberta por ingleses, em 1922. Foram os britânicos que também conseguiram traduzir a escrita cuneiforme, que era parte da linguagem de toda a Ásia antiga.

Willian Jones chegou na Índia em 1783, para ser juiz em Bengala. Fundou a sociedade asiática que se dedicava a estudar a cultura asiatico e especialmente indiano. Começou a estudar sânscrito e escreveu um importante livro- The Sanskrit Language no qual apresentou o conceito do tronco indo-europeu de línguas. Passou a exigir que ingleses que vinham trabalhar na Índia estudassem a cultura local. O conhecimento que os ingleses tinham da cultura local era muitas vezes maior que a dos próprios morador. Isso foi essencial para que a Inglaterra com alguns milhares de funcionários mandasse em milhões de indianos.

Os primeiros falantes de sânscrito, invadiam a Índia pela Ásia Central há 3000 anos, teriam chamado a si mesmos de aryas. Os primeiros persas chamavam arya.

Em seguida, os europeus determinaram que os arianos eram uma raça superior que havia buscado se misturado com os locais persas e indianos e perdido suas propriedades, mas esses arianos haviam se mantido puros na Europa e esse era o motivo pelo qual os europeus deveriam ser os colonizadores.

 

16 O credo capitalista

A base da economia moderna é a crença no crescimento constante.

Uma moça quer montar uma confeitaria, mas não tem o $. Vai ao banco e pede 1M.

Os bancos nos USA podem alavancar 10X seu capital, pois acreditam que no máximo 10% das pessoas precisarão do capital ao mesmo tempo, logo tem o direito de emprestar 10X o valor que possuem de patrimônio. O que permite isso é a confiança que as pessoas têm umas nas outras. O crédito depende que se acredite que o futuro será melhor que o passado.

As pessoas acreditavam que a Economia era um jogo de soma zero. Isso dificultava o crédito.

Há 500 anos as pessoas começaram a acreditar mais que o mundo ia melhorar e o crédito como um todo aumentou. O aumento de crédito produz melhorias reais, e isso fez com que as pessoas passassem a acreditar mais e movimentar mais dinheiro. Entende-se que a economia é como um bolo, onde se pode aumentar a fatia de todos. A economia comprovadamente não é um jogo de soma zero no qual eu tenho que perder para você ganhar.

Em 1776, Adam Smith publica, A Riqueza das Nações, o manifesto econômico mais importante de todos os tempos. No capítulo VIII, dá a explicação que se um sapateiro por interesse pessoal, melhora seu serviço e ganha mais do que gasta, irá contratar novos ajudantes e todos sairão ganhando. A ideia era que o impulso egoísta e privado era o que aumentava os ganhos coletivos. Afirmar que são os ricos é que distribuem a riqueza pela sociedade é uma das ideias mais revolucionárias de todos os tempos. Adam Smith ensinou todos a pensar que a cobiça era boa e se eu enriqueço, de alguma forma você também ganha. O egoísmo é altruísmo.

A nova ética capitalista pregava que os benefícios dos empreendimentos deveriam ser revertidos em aumentar a produção. Capital são os recursos financeiros, sociais e políticos que podem ser revertidos em produção. Dessa premissa depende a tese de Smith.

Os Bancos Centrais mundiais imprimem dinheiro freneticamente, esperando que da ciência venha os ganhos de produtividade. Se os laboratórios não fizerem importantes descobertas antes que uma bolha estoure, passaremos por momentos realmente duros.

O segredo do êxito dos holandeses foi o crédito. Como sempre foram um povo avesso às guerras, criaram um sistema de crédito para financiar seus próprios exércitos. Os Holandeses começaram a privatizar serviços que até então só poderiam ser fornecidos pelos Estados. Eles sempre pagaram muito bem seus financista e com isso aumentaram ainda mais as ofertas de crédito. A concessão de crédito aumenta nos ambientes em que se cumpre a lei e se respeita propriedade privada e essas eram premissas daquela sociedade calvinista.

História do pai que empresta dinheiro aos filhos investirem na Espanha e na Holanda.

A Holanda ganha tanto crédito que os comerciantes conseguem financiar tanto o exército quanto as navegações intercontinentais.

1602 funda-se a Companhia Holandesa da Índias Orientais, uma organização privada que dominam a Indonésia por 200 anos até o governo holandês assumir o território.

A Companhia Holandesa dominava uma cidade chamada Nova Amsterdan às margens do Rio Hudson até 1664 quando os ingleses a ocuparam e a renomearam para Nova York. Os restos da muralha construída pela Companhia Holandesa para se defender contra indígenas e ingleses está abaixo de Wall Street. Com o tempo, a Holanda perdeu espaço nos mares para França e INGLATERRA.

Em 1717, uma Companhia do Mississipi radicada na França se propôs a ocupar o Rio Mississipi, explorar as riquezas locais e construir cidades como Nova Orleans. O dono da Companhia tinha bons contatos com Luís XV e vendeu ações no Mercado de Valores, apoiado pelo Ministro da Fazenda, John Loe para financiar seus planos. Explorar as riquezas que haviam na região. As ações começaram custando 500 libras em agosto e em dezembro já custavam 10 mil, multiplicando-se 20X em 4 meses. Até as pessoas simples de Paris queriam aproveitar aquela oportunidade, vendiam pertences e imóveis para comprar as ações da Companhia do Mississipi. Estavam convencidos de ter encontrado a fórmula para o enriquecimento fácil. Quando os grandes investidores perceberam que o valor das ações estava inflacionado, começaram a vender suas ações, que despencaram e o sistema foi a bancarrota. O governo comprou o que foi possível para não agravar a crise e acabou cheio de ações que não valiam nada e sem dinheiro para o custeio das despesas administrativas. As pessoas perderam a confiança no império francês e o dinheiro se destinou para a Inglaterra.

Em 1789, Luís XVI reuniu todo o parlamento francês, algo que não fazia há décadas para tentar resolver a crise. Esse foi o início da Revolução Francesa.

Enquanto a França perdia espaço, a Inglaterra crescia sua influência nos mercados. Os ingleses criaram dezenas de Companhias com ações abertas no mercado de valores de Londres. As primeiras colônias britânicas foram todas fundadas por essas companhias, tais como a Companhia de Londres, a Companhia Britânica e outras. A Companhia das Índias Orientais dominou a Índia desde 1858 por quase um século com um exército privado de 400 mil soldados, uma força maior que a força britânica. Napoleão zombava os britânicos dizendo que era um Império de lojistas, mas foram esses lojistas que derrubaram Napoleão e ergueram o Império mais amplo que o mundo já viu e isso se deveu em boa parte a capacidade desse país em financiar sua própria expansão.

A medida que os financistas começaram a confiar nos governos, que não eram mais comandados por Reis e sim por membros da mesma elite financeira, o Estado começou a tomar frentes em interesses anteriormente apenas privados como aconteceu na Guerra do Ópio deflagrada entre 1840 a 42. A China proibira o tráfico de ópio, mas as companhias inglesas que comercializavam a droga, simplesmente não aceitaram as leis e continuaram comercializando. Políticos ingleses tinham ações de empresas britânicas que comercializavam drogas na China e para eles não era interessante que as vendas parassem. Interesses privados e públicos começaram a se enredar cada vez mais. Isso também poder ser visto no Egito que ao se negar a pagar a dívida aos ingleses, foi invadido por tropas britânicas que mantiveram a ocupação até depois da II Guerra Mundial.

1821 os gregos se revoltaram contra o Império Otomano. Ingleses favoráveis ao movimento, emitiram bônus da revolução grega. Caso vencessem e se libertassem, devolveriam o valor com juros aos ingleses.

A medida que os investidores ingleses perceberam que sua Rainha, se necessário, invadiria terras para buscar dívidas, tornaram-se mais confiantes para financiar seus projetos. A confiança ao crédito é muito mais importante para o desenvolvimento de um país que os seus recursos naturais.

Os liberais acreditam que quanto menos governo intervir melhor. Só que não existe mercado sem influência de decisões políticas. Num governo em que apenas capitalistas controlam o mercado, criarão monopólios, o governo precisará estar ali, pelo menos para impedir isso. O sistema de escravidão sempre foi financiado pelos sistemas financeiros. Não houve uma escolha por um ou outro povo e sim uma indiferença ao que estava acontecendo com um povo.

Harari compara esse caso com  a ingestão de animais, que as pessoas são contra os animais e pensam em matá-los, mas quando se alimentam com suas carnes, agem com indiferença, ao consumirem financiam mais morte de animais embora os amem.

O capitalismo de muitas formas, financiou barbáries pelo mundo e há a possibilidade que assim como na Era Agrícola, na qual depois de termos mergulhado por um tempo, não era mais possível voltar atrás, não consigamos reverter costumes que já estão em andamento.

A duas respostas do capitalismo para a questão de há regiões em que as pessoas vivem pior agora que há 500 anos ele dá duas resposta.

  1. A outra forma de administração proposta foi o comunismo e deu tão errado que ninguém está disposto a tentar novamente;
  2. Tem que haver paciência, a medida que o mercado cresce, todos ganham.

A verdade é que a expectativa de vida, ingestão calórica o ser humano tem melhorado muito desde 1914. Entretanto, para o bolo da economia continuar crescendo ele depende de matéria prima e energia, teremos esses recursos eternamente? Profetas das catástrofes dizem que não.  

   

 

     

17 As engrenagens da indústria

Até a Revolução industrial, toda produção dependia de músculos (humanos ou animais) que por sua vez dependia de vegetais que os alimentava. Por isso, a produção era extremamente limitada. A falta de madeira fez com que os ingleses buscassem o carvão e foi de dentro de uma mina de carvão que entenderam que o calor poderia produzir movimento. Os primeiros experimentos eram máquinas que precisavam de muito carvão para gerar vapor e movimentar um pistão. Com isso, era possível buscar água de poços nas minas. O sistema era extremamente ineficiente, e eram necessárias quantidades enormes de carvão para pequenos movimentos, mas nas minas o carvão era abundante e muito barato.

Empreendedores ingleses adaptaram esses motores aos tecelares e estavam criadas as primeiras fábricas do mundo.

Em 1825 começaram a usar o vapor para transportar trens. Disso passaram para eletricidade e energia atômica.

Demorou 400 anos entre o descobrimento da pólvora por alquimistas chineses até seu uso em forma de guerra na tomada dos turcos por Constantinopla. E apenas 40 anos desde que Einstein provou que dentro de um átomo havia energia até a bomba atômica que devastou Nagasaki e Hiroshima.

A Revolução Industrial também tem sido uma revolução na captação de energia, de forma que parece não haver limites para as formas de captá-la.

Assim como o mercado escravocratas não cresceu a partir do racismo, a utilização dos animais como alimento também não desenvolveu da vontade de matar animais, mas pela indiferença. Entretanto, os terneiros desenvolveram formas de relação com seus pais de forma que sentem vontade de jogar. O jogo está implementado nos mamíferos como uma das formas mais essenciais para o aprendizado e os terneiros continuam sentindo isso, mesmo que a situação atual não necessite mais disso. E essa é uma regras mais importantes da Natureza, tudo o que foi desenvolvido pela evolução continuará sendo gerado, mesmo que na situação atual, aquilo não faça mais sentido.

Consumismo vende a ideia que a frugalidade é uma opressão auto imposta e que os caprichos devem ser aproveitados.

Como conciliar o consumismo com o capitalismo que visa reverter os excedentes em maior produção.

Antigamente os reis gastavam todas as riquezas e os plebeus viviam na miséria. Isso se inverteu de forma que os ricos tomam excessivos cuidados de como reinvestir e preservar seus patrimônios, enquanto os pobres se alegram de comprar coisas que não tem necessidade.

               

18 revolução permanente

O grande problema que vem se construindo não é tanto o perigo de acabarem os recursos, mas do que estamos fazendo com eles após usá-los. O lixo que vem se acumulando ao longo dos anos desde a Revolução Industrial, não vai acabar com a Natureza, mas sim transformá-la, pondo em risco a própria vida humana.

O crescimento populacional desde o início da Revolução Industrial

1700 – 700 milhões

1800  900 milhões

1900 – 1,8 bilhões

2000 – 6 bilhões

2018 – +de 7 bilhões

Os horários da era industrial mudou a relação com o tempo, determinando um tempo exato, isso gerou mudanças na sociedade que passou a fazer as coisas a sua hora.  

A família, parentes próximos e comunidade era onde tudo acontecia, com quem podia se contar. A família e a comunidade proviam quase tudo que o indivíduo precisava. Não era simples para os reis intervir no que acontecia dentro das famílias e comunidades. Na China, onde isso mais aconteceu, a forma que o governo teve para intervir foi tornar os líderes das comunidades membros do governo. Entretanto, internamente nas famílias havia muita tensão e violência, mas as pessoas não tinham muita opção.

Em 1750 uma pessoa que perdesse sua família era como se estivesse morta. Teria que encontrar uma comunidade ou não teria nada.

Com a melhoria nos sistemas de comunicação e o desejo do mercado de interferir mais no núcleo familiar fez com que o Estado começasse a punir práticas contra lei que podiam acontecer dentro das casas, mas que antes passariam despercebidas.

O Estado e Mercado ofereceu liberdade de escolha para os indivíduos deixando-os escolher fora da tutela familiar.

Os Estados são comunidades imaginárias. Isso ficou claro na determinação das fronteiras no Oriente Médio, por franceses.

Outros grupos imaginários são os grupos de consumo, que se definem por tipos de consumo.

Hoje vivemos a era mais pacífica de toda a História, mas não é simples percebermos isso, pois não conseguimos imaginar realmente como era o mundo há 200 anos atrás, entretanto os números mostram nitidamente esse decréscimo.

O Estado foi o principal responsável pela redução da violência. Até mesmo a retirada dos impérios nos últimos séculos tem sido pacífica e organizada. Até mesmo a independência indiana, que todos reconhecem como sendo fruto do trabalho de Mahatma Gandhi, teve em grande parte responsabilidade dos ingleses.

Desde a II Guerra não houve nenhuma grande invasão de territórios a não ser Iran e Iraque em 1990. Isso acontece em parte por causa dos grandes vínculos que existem entre todos os países.

 

19 E eles viveram felizes para sempre

Somos mais felizes?

Quando as coisas melhoram as expectativas aumenta e isso influencia totalmente na felicidade.

A infelicidade da nossa época pode estar ligada ao fato de termos muitos modelos inalcançáveis de comparação divulgados pela mídia.

Os biólogos vem a felicidade como algo independente das situações externas e acreditam que com o domínio de hormônios conseguirão mandar na felicidade.

No budismo entende-se que o ser humano identifica felicidade com prazer e sofrimento com dor, então busca o máximo de prazer para ser feliz, só que no prazer também há sofrimentos, pois ou queremos aumentá-lo ou que ele não termine. Logo, todas as sensações são passageiras e vão gerar sofrimento. A libertação do sofrimento não depende de experimentar uma sensação de prazer específica, mas de entender a existência como esses estados passageiros.

No fim a felicidade depende muito mais de percepção do que questões materiais. Logo o autoconhecimento que nunca foi observado ao longo da História é o que pode determinar a felicidade.

 

20 O fim do Homo Sapiens

O Sapiens começou a mexer na seleção natural; nos outros animais e em si mesmo. As modificações podem acontecer de diferentes formas:

  1. Biológicas: mudanças internas como combinações de genes;
  2. Ciborgues: humanos com partes orgânicas e não orgânicas;
  3. Sintéticas: sistemas tecnológico.

No que vamos nos converter?

 

Epílogo: O animal que se tornou um deus


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Daniel De Nardi>

Daniel De Nardi

Daniel é Professor de Yoga há mais de 20 anos. Pesquisador do Yoga e das raízes dessa Filosofia Milenar. É autor de diversos livros: "Aprenda a Meditar com o Yoga", "As Origens da Meditação e do Yoga", "Asana - Posturas do Yoga", "Como a Meditação funciona?", "O Yoga do Autoconhecimento", "Pra que Meditar?", dentre outros. Também é responsável por produzir a série de podcasts "Reflexões de um YogIN Contemporâneo" do YogIN Cast, o canal de podcasts de Yoga mais acessado do Brasil. Instagram: @reflexoesdeumyogin

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E há todo o resto de praticantes e aspirantes a Yogi que compartilham sua própria experiência. Neste grupo, há aqueles com grande bagagem e vivência prática, mas que também não são Gurus. São professores e, acima de tudo, estudantes. new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm(); Os professores de Yoga passam o conhecimento sobre os estados mais elevados de consciência mesmo sem estarem estabelecidos nestes estados, compartilhando experiência própria e limitada. Esse conhecimento é passado a nível intelectual e através de técnicas que direcionam ao autoestudo. A figura do mestre ou professor, dentro deste caminho de Yoga, merece respeito, humildade e confiança do discípulo. E embora todos tenham sua devida importância na jornada do autoconhecimento, não podemos confundir os papéis de cada um deles. O esclarecimento da posição de cada professor ou mestre na linhagem é de extrema importância para a relação mestre-discípulo evitando expectativas irreais e decepções futuras. Muitos estudantes se encantam com o carisma de seus professores e freqüentemente entregam-se àqueles que não são iluminados. Esta confusão faz com que pessoas sigam professores acreditando serem gurus, merecedores de total entrega e devoção. É deste engano que surgem todos os escândalos relacionados à “gurus famosos”.  Um professor é um ser em auto estudo e passível ao erro, uma pessoa como você, que pode acabar encontrando-se identificado à uma emoção. Estes relacionamentos onde o ego toma o controle por diversos momentos, podem não ser fáceis. “Confiança é uma escolha. Muitos estudantes chegam a um lugar desconfortável em seu relacionamento com o professor e partem… vão em busca da resposta que querem mas perdem a lição que precisam.”  – David Garrigues Um verdadeiro mestre não precisa ser carismático e não se ajusta às necessidades do seu ego. E não é atoa que “gurus famosos” está entre aspas no parágrafo acima. Um verdadeiro guru não está sob os holofotes e nem mesmo se auto declara como um guru. Guru, mestre ou professor, todos que são comprometidos com a verdade ensinam com objetivo de tornar o discípulo independente e não buscam seguidores. O objetivo final é tornar o aluno consciente e desperto o suficiente para que faça suas próprias escolhas. Ele reconhece que é meramente um instrumento da verdade e entende que todos merecem o mesmo estatuto e respeito. Ninguém, nem um mestre iluminado, merece tratamento superior. A dependência não deve ser reforçada. A humanidade está acostumada a ser guiada desde o início dos tempos e almeja um salvador que remova o ciclo de sofrimentos como mágica. Faraós, líderes religiosos, imperadores e tantos outros exemplos nos mostram que é mais confortável aceitar uma imposição, como uma criança que precisa obedecer aos pais. Mas esse ciclo só pode ser removido por nós mesmos através de muita prática e autoestudo. O mestre ou professor surge como uma placa de orientação no meio do caminho, ele não é o caminho. Somos mestres de nossas vidas, responsáveis por nossas escolhas, pensamentos e atos. Isto nos torna conscientes que somos responsáveis pelas consequências dos mesmos, e essa é a parte assustadora para a maioria de nós. Se dedique a seus mestres e professores, busque o conhecimento através de parampara, mas não entregue seu poder de discernimento. Entregue o seu ego e a sua intuição lhe mostrará o caminho.   E não esqueçam que sem o aluno, não há professor. Obrigada aos meus alunos que me fazem professora diariamente.   Gratidão aos meus mestres.   Om Asatoma Sat Gamaya (do irreal, guie-me ao real)    

Filosofia do Yoga | 10 maio 2021 | Daniel De Nardi
Os nomes das posturas do Yoga

Os nomes das posturas do Yoga Os primeiros textos a tratar de Yoga, tal como as Upanishads e o Yoga-Sutra, falam apenas de posturas sentadas (dhyanasanas) que são usadas para respiratórios (pranayamas) e meditação (samyama). Os Nathas, criadores do Hatha Yoga foram os primeiros yogins a introduzir as posturas (asanas) que conhecemos hoje nas práticas de Yoga. Os Hatha Yogins trabalham com essas posturas com o intuito de ativar a circulação da energia (prana). Duas das primeiras posturas \"não sentadas\" que apareceram nos textos são são ambas posturas de equilíbrio com nomes em sânscrito relacionados à aves. O mayūrāsana, a “pose de pavão” pode ser vista na figura acima e também o kukkuṭāsana, a “pose de galo”. ⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ No curso de Formação em Yoga do YogIN App, tratamos bastante sobre a História e Filosofia do Yoga e os alunos aprendem mais sobre o desenvolvimento e a cronologia das posturas de Yoga. Estudamos os principais nomes das posturas do Yoga com detalhes de execução e história. Saiba mais, acessando a página do curso no botão abaixo     ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

asana para ficar sarado urdva mukha
Dicas de Yoga | 9 maio 2021 | Ellen Lima
Asana para ficar sarado

Asana para ficar sarado   Diz um ditado popular que hoje em dia é necessária muita coragem para amar e demonstrar sentimentos. Eu diria além, é preciso muita sabedoria e entendimento para entender que amar e demonstrar os sentimentos são os melhores remédios para o corpo e para o espírito, não apenas uma necessidade, mas um estado natural do verdadeiro Eu, que é puro e sábio. Em tempos onde controlamos e economizamos cada vez mais nossas emoções, chorar virou sinônimo de fraqueza, dar gargalhadas altas somos taxados de escandalosos, admitir que temos medo de algo então, cruzes! Vão dizer que sou fraco, frouxo; e a vontade dizer a alguém que está com saudade? Melhor deixar passar para não parecer sentimental fora de hora. A questão é que para tudo na vida existe equilíbrio e não falo aqui de se render ao desequilíbrio emocional, que também é desastroso, falo aqui sobre repressão. Hoje em dias as pessoas reprimem suas emoções cada dia mais para se encaixar no padrão da era dos humanos super adultos, controlados e “descolados” onde, já dizia em uma música do Leoni: “a ordem é ser feliz por toda eternidade feito prisão perpétua, entre sorrisos falsos e amenidades, momentos rasos de normalidade, não me apareça aqui com sua bagagem de infelicidade”. E assim somos obrigados a estar bem, parecer normal e passar por cima do que sentimos de verdade, aquele medo que poderia ser desfeito com uma conversa é escondido nos joelhos, aquele ressentimento e aquela situação que você não digeriu se esconde no estômago, aquela dificuldade financeira se esconde na sua lombar, e a carência na parte alta das costas; a culpa? Instala-se meio das costas. Aquela vontade de falar sobre idéia que parece que ninguém vai achar legal se esconde na garganta, e aquele projeto que não sai da sua cabeça, mas toda vez que você quer colocar ele em pratica algo da errado? Você esconde a teimosia em mudar o plano, em olhar por outros ângulos, na nuca, que enrijece e dói! As lembranças difíceis do passado que você não consegue esquecer, se escondem nas suas articulações. Chega uma hora que nem a mente e nem o corpo aguentam, sucumbem em ansiedade, desespero, dores físicas e até mesmo doenças. Aí você procura algo para aliviar e ajudar a se sentir menos o peso do fardo de reprimir tudo e não deixar os sentimentos e a vida fluir. Yoga! Afinal não há um yogIN que não tenha sido ‘salvo’ por essa tal filosofia. Chega à aula de yoga e dói o peito para respirar da forma correta (que você nem sabia mais como era), afinal é difícil mesmo colocar consciência quando a sociedade nos ensina a colocar no automático para render o tempo. Na meditação então? A concentração é prova de fogo, afinal como parar de pensar se é preciso analisar todas as atitudes, cada palavra, pensamentos, sentimentos, relações?! Aí chega a hora dos asanas. Opa, aí sim, aí é domínio físico, racional, então vai ser tranquilo. Você se coloca no asana e ele está fluindo e então você começa a se entregar, porque é bom estar ali, aparentemente no controle e com a cabeça ocupada só com o asana, (na verdade você está concentrado no momento presente e aí começa o yoga) e então você começa a respirar, a estar mais entregue, começa perceber o seu corpo, onde está rígido, onde está se soltando quando expira, começa ouvir seus batimentos cardíacos, começa sentir sua respiração e então se vê alí: você com seu corpo, o silêncio de estar olhando para dentro de você e sentindo uma conexão nunca antes sentida, e vem a inexplicável vontade de chorar. Se você passou por isso, entende o que eu estou dizendo, se você engoliu o choro, perdeu o estado de yoga, perdeu a maravilhosa oportunidade de deixar que seu corpo reprocesse suas emoções escondidas. Chora! Não saia do asana (a menos que ele esteja sendo violento para seu corpo), permaneça, se entrega, deixa o asana colocar tudo no lugar, movimentar a energia da emoção que ficou presa em algum chakra, em algum órgão, algum músculo, deixa o asana fazer efeito, e o efeito do yoga não é te dar um corpo sarado, é devolver uma alma “sarada”, curada de tudo que você reprimiu; deixa o yoga te ensinar a ouvir seu corpo, suas emoções e te aprende a deixar a energia da vida fluir pelo teu corpo e para além dele. Reaprende a liberdade de sentir e de ser. Enxerga a sua verdadeira e pura essência e permaneça no verdadeiro estado de entrega e confiança no seu verdadeiro Eu, que sabe como seguir no único caminho que viemos para trilhar e que nos leva à evolução e libertação: o caminho do AMOR! new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();  

Dicas de Yoga | 8 maio 2021 | Daniel De Nardi
Reflexões de um jovem veterano yogin

Reflexões yogin de mais de duas décadas! Eu poderia começar este texto citando Vyása ou passagens das Upanishads. Acho que você não me daria nem duas linhas. Por falar em atenção, vamos ao que interessa - os benefícios do Yoga. Podemos dizer que o mundo está corrompido por um imediatismo e que hoje em dia ninguém se dedica a algo \"pela arte\". Verdade, mas será que nossos ancestrais também não agiam pensando no retorno que seu esforço proveria? Ou - será que o mais puro dos artistas também não age por alguma vantagem pessoal? Acredito que sim, tanto a arte quanto o esporte, trabalho, são meios pelos quais agimos buscando algo em troca.   Isto não tira a nobreza da ação, pelo contrário, se algo se perdura pelos séculos é sinal que de alguma forma aquilo vem gerando benefícios aos seus praticantes. O Yoga está vivo, cinco mil anos depois de sua criação, se não tivesse importância na vida das pessoas, já teria sido perdido ao longo da História. Depois dessa breve introdução - ou seria uma defesa prévia? - posso responder:   PARA QUE SERVE O YOGA? Poderia abrir outro parêntese para falar das mil vantagens de um estado de consciência expandida que os praticantes podem alcançar quando dedicam sua vida a isto, mas no final do dia, aqueles 99% dos praticantes que fazem Yoga 2x por semana, o que eles ganham? Há incontáveis benefícios em parar 2 horas na semana para se observar mais. Diminuir um pouco o inesgotável fluxo de informações que se recebe de fora para dentro o tempo todo. Há gente que não desliga nunca. E se nos aproximássemos mais da voz da consciência, que está sempre presente e que esses turbilhões de pensamentos nos impedem de ouvir com clareza - já seria um bom motivo.   “A voz da consciência é tão delicada que é fácil ignorá-la. Mas também é tão clara que se torna impossível iludi-la”. Madame de Stael        OS EFEITOS MAIS RELEVANTES A disciplina da mente - não é apenas o Yoga que produz esse tipo de habilidade. Se você deseja aprofundar-se em alguma atividade como estudo, esporte ou trabalho, terá que, necessariamente, repetir ações ao invés de ceder à tentação da dispersão. A vantagem que vejo no Yoga em relação às outras atividades é que há técnicas para educar a mente a fazer isto. No dia a dia, a mente quer sempre fugir da repetição. Aí está o poder - decidir de cima, como o senhor que ordena as rédeas das suas atitudes, que agora é o momento do foco e não da distração. No treinamento do ritmo respiratório, quando o praticante trava contato pela primeira vez com a contagem do tempo das fases da respiração, se dá conta que não é tão simples quanto parece repetir o mesmo tempo para inspirar, reter o ar nos pulmões, expirar e reter com os pulmões vazios. A mente, que é dispersa por natureza, não gosta de ritmos cadenciados. Ela sempre vai preferir a diversidade, as variações, é sedenta pelo seu alimento vital - as dispersões. Mas a experiência de se notar que a mente foge do ritmo e ao observar esta atitude, volta a manter a cadência respiratória, nos dá aquela sensação de missão cumprida. E este é apenas um exemplo das dezenas de técnicas do Yoga que atuam neste sentido. Aprender isso com um exercício e depois transferir para as tarefas do dia a dia é algo que a prática nos ensina. A auto-observação - este processo é tão importante dentro da prática que o Yoga Clássico possui entre seus passos iniciais, uma fase chamada de swádhyaya, ou auto-estudo. Vou dar, mais uma vez, um exemplo de técnica, pois no final, Yoga nada mais é que a prática dos exercícios desta filosofia. Quando treinamos as posições de equilíbrio com os olhos fechados, somos obrigados a observarmo-nos internamente. Sem uma percepção de como o peso está distribuído no único pé que ficou no chão, torna-se impossível manter a posição por mais de alguns segundos. Mais uma vez, a técnica ensina o praticante a permanecer no melhor caminho, observando e atuando. Unindo - disciplina da mente e auto observação - temos o melhor dos cenários na busca para se alcançar objetivos desafiadores. Para tanto, é imprescindível que nos aproximemos cada vez mais daquilo que realmente somos, estabelecendo uma ligação mais próxima com a nossa consciência, que é a mais expressiva manifestação da nossa essência. Somente quando a pessoa está intimamente conectada consigo poderá reconhecer melhor seus defeitos e transformá-los em virtudes, conhecer suas vocações para poder realizar seu pleno potencial. A conexão interna nos proporciona uma grande confiança para traçarmos metas audaciosas. Ela nos conscientiza de que só depende da nossa própria capacidade de autoaprimoramento para que alcancemos tais objetivos e o Yoga pode ajudar qualquer um nesse processo. Talvez este seja seu maior benefício. É praticar para crer.   new RDStationForms(\'newsletter-yogin-formulario-1c3fb174b015350a9cd5-html\', \'UA-68279709-2\').createForm();