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A Autossuperação (TAPAS) de Shackleton – Podcast #95

A Autossuperação (TAPAS) de Shackleton – Podcast #95

O conceito de tapas (auto-superação) acompanha o Yoga desde de seu surgimento. A auto-superação pode ter infinitas variáveis, mas um único princípio – tirar-nos do conforto, gerar incômodo para que alguma mudança aconteça. Sem incômodo não há mudança.

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Transcrição

Se você ouviu o episódio #94 Sábias Palavras, sabe por que estamos aqui. Quando fui pesquisar sobre Olafur Arnalds, descobri que ele não tinha nada a ver com o filme A Chegada. Olafur é um compositor da Islândia, que fez turnê com a banda Sigur Ros, que você houve ao fundo, trilha sonora da 4ª temporada de Game of Thrones do episódio “O Leão e a Rosa” na cena da cerimônia de casamento do Rei Joffrey.

Sigur Ross também é islandesa e foi um dos motivos que me fez conhecer esse país.

A outra parte desse podcast que é fruto do anterior, é que Olafur produziu uma trilha sonora de para o espetáculo Dyad 1909, o balé foi inspirado na expedição Nimrod, liderada por Ernest Shackleton, ao Polo Sul em 1909.

 

Pisei na Islândia. Talvez junto com o Tahiti o lugar mais isolado que já visitei. Várias referências me fizeram chegar até aqui, não necessariamente nessa ordem – sou fã incondicional do Sigur Róss, li o Pondé algumas vezes dizendo que se conhecer este país e amo “A vida secreta de Walter Mitty.” Olha que nem citei a Björk porque nunca a vi cantar, somente atuando num filme do Lars Von Trier.

Quando comecei a dizer aos meus amigos que vinha para cá, ninguém, nem mesmo os poucos afortunados que já vieram, me incentivaram a vir nessa época (auge do frio e dos dias com menos luz no ano). Um dia meu irmão me falou “não acredite em nada do que dizem sobre uma onda, você tem que ir lá surfa-lá para poder tirar suas conclusões.” Pois cá estou, surfando a onda de um país desconhecido para grande parte do mundo.

Viajar para um lugar inusitado é uma experiência muito peculiar. Adoro centros urbanos. Gosto de ter opções intermináveis quando viajo, mas mesmo sem ver nada sobre uma grande cidade que irá conhecer, sabe-se que nunca será muito diferente do que já se conhece. Um lugar como a Islândia, você chega sem ter muita noção do que vai encontrar. É tudo inusitado. Mágico.

O que posso concluir até agora é que o risco sempre vale a pena. No primeiro dia aqui já me apaixonei pela vibração de um lugar de aventureiros e tive a sorte de já poder ver a aurora boreal – algo para se contar para os netos.

 

O TAPAS DE SHACKLETON

O conceito de tapas (auto-superação) acompanha o Yoga desde de seu surgimento. A auto-superação pode ter infinitas variáveis, mas um único princípio – tirar-nos do conforto, gerar incômodo para que alguma mudança aconteça. Sem incômodo não há mudança.

Espera-se pelo dia que bastará tomar um único remédio e poderá comer tudo o que der vontade, sem fazer nenhum esforço físico para manter-se em forma. Ou pelo dia que que tomaremos uma pílula antes de dormir e acordaremos com dezenas de assuntos assimilados e prontos para serem colocarmos em prática.

Não duvido que a ciência possa gerar esse tipo de remédio em alguns anos, mas até agora a verdade é clara – se quiser mudar, terá que estressar as áreas importantes.

Stress aqui no seu conceito de esticar, ampliar, gerar desconforto para modificações. Se quer emagrecer, ainda terá que ser como sempre foi (ou faça muito exercício ou coma pouco ou os dois juntos) mas você precisa gerar um incômodo, seja por parte da fome ou do desconforto nas pernas.

Se quer aprender algo novo, saiba que a primeira reação da sua mente será convencê-lo que não vale a pena, que você está bem e não precisa perder tempo com isso que não vai te levar a nada. Se mesmo assim sua mente não convencê-lo, vai tentar levar sua atenção para coisas mais simples de resolver, como zerar suas notificações na rede social. Ela vai te incomodar. Estudos do cérebro da Universidade de Ohio mostraram que novos aprendizados começam a ser identificados pelo seu cérebro pelas mesmas áreas da dor física. Para o cérebro:

mudança = dor

Mundo horrível esse da mudança.

Mas saber que o processo terá desconforto pode ajudá-lo quando pensar em desistir.

Vamos lá!

Tem a parte boa também.

O desconforto, tanto para aprendizado intelectual quanto para mudanças físicas vai diminuindo com o tempo até se tornar prazer.

Quem nunca correu, não consegue imaginar que alguém possa sentir prazer correndo os últimos 2km de uma maratona. Mas garanto que isso é possível, apesar das primeiras experiências da corrida serem torturantes. A minha estréia na corrida, não faz muito tempo, foi em 2005. Eu não era um sedentário, praticava Yoga regularmente e depois de 2o minutos tive que parar de tanto sentir aquela dor que dá do lado da barriga. Pensei “tudo bem fazer isso pra perder peso, mas acordar pra correr por prazer, impossível.” Não é apenas com a corrida que isso acontece. Todo novo aprendizado, seja ele físico ou mental, passa por desconforto. Você não lembra da sua primeira experiência com os asanas ou com a meditação.

As mudanças começam a se sedimentar quando nesse momento do desconforto, que todas as variáveis apontam para o bom senso da desistência, você diz – não vou tentar mais um pouco.

Shakcleton

Essa é uma das primeiras fotos do meu Instagram. Me emocionei quando vi as fotos originais de Shackleton

Isso é tapas!

Tapas é quando, mesmo consciente do desconforto, você persiste por saber que o que você realmente quer está na frente do desconforto.

Tapas pode ser confundido com auto mutilação. Na Índia, há sadhus fazendo as coisas mais esdrúxulas em nome de tapas, como enrolar o pênis numa cabo de ferro para demonstrar o domínio da mente sobre o corpo. Faquirismo não é sinal de uma vida bem vivida. Está muito mais pra exibicionismo que o verdadeiro significado de mudança através da auto-superação.

A História, está cheia de exemplos de pessoas que venceram situações tidas como incontornáveis auto-superando-se. Um desses exemplos para mim sempre foi o aventureiro irlandês Ernest Shackleton que teve sua vida descrita em muitos livros.

Ontem, tive a sorte de ouvir esse podcast que conta a história da expedição de Shackleton. A certeza que tudo de ruim é capaz de passar até que se chegue onde se quer é o maior ensinamento da vida de Shackleton. Podemos tudo, só depende de quanto suportamos esse querer.

Fiquem com a Narração da História de Shackleton feita pelo Escriba Café, o melhor podcast de relatos históricos que eu conheço. O link deles está na descrição.

Boas viagens!

 

Daniel De Nardi

Head de conteúdo do YogIN App. Autor de 6 livros sobre Yoga. Pesquisador da História do Pensamento Indiano.

  • Rosangela Folchini - 6 dez 2018

    Bah! viajei junto nesta trilha de efeitos sonoros e me emocionei a cada obstáculo por eles enfrentados! todos sobreviveram! que lição! muito legal ter conhecido esta história . quando criança eu lia Ridgest Magazine e uma história que me encantou para sempre foi a conquista do Polo Norte! , lembro que arranquei as páginas e carreguei aquilo para sempre comigo ! era fascinante. bem, obrigada pela oportunidade desta leitura! fiquei curiosa pra saber se existe um filme desta história!

    • Daniel De Nardi

      Daniel De Nardi - 6 dez 2018

      Fico feliz que tenha gostado do podcast.